Poeta lagartense, Assuero Cardoso Barbosa, durante o lançamento do livro “Paredes”, no hall da Casa de Cultura Sílvio Romero Foto: Secult/Lagarto-SE
Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)
“Minha mãe correu ferrolhos”. Este é o verso que inicia uma das estrofes mais belas e profundas do novo livro do poeta lagartense Assuero Cardoso Barbosa. E escolho este verso em especial pela carga de memória e afeto que me trouxe ao lê-lo. Imediatamente, o título do poema “Desanuviar” (p. 29) me fez lembrar alguns dos dizeres de dona Claudemira (minha mãe). Aliás, um dos meus prediletos e do qual me valho em diversas situações da vida, sobretudo quando as coisas estão tensas ou quando estou sob pressão, pois sinto a necessidade, e busco, de me libertar um pouco, respirar, distensionar, enfim, desanuviar. Como dizia dona Mira: “retirar aquela nuvem sombria que embaça a alegria da vida”.
E foi com esse sentimento que li e mergulhei nos poemas do livro “Paredes”, lançado numa noite emocionante, leve e concorrida do dia 25 de abril, sábado último, no hall de entrada da Casa de Cultura Sílvio Romero (antigo Grupo Escolar, 1923), na cidade de Lagarto-SE. O livro com 131 poemas que revelam um poeta maduro e ainda mais sensível e criativo. Resultado da Política Nacional Aldir Blanc (MINC – Governo Federal), a produção do livro contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Lagarto, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, na pessoa do titular da pasta, o artista plástico José Antônio Prata Neto (Nenê), que tem feito, com sua equipe dedicada, um excelente trabalho de difusão, estímulo e valorização da cultura lagartense.
Nascido em Lagarto, no dia 13 de setembro de 1965, Assuero Cardoso Barbosa está entre os maiores poetas da história cultural de Sergipe. Despontou para a arte poética no início dos anos 1980, conquistando seu primeiro prêmio de destaque em 1984, com o terceiro lugar no II Concurso de Poesia Falada de Lagarto. Daí em diante foi uma ascendência meteórica, construindo uma carreira firme e sólida, inclusive na docência. As premiações se seguiram, seja em nível de Sergipe (Aracaju, Propriá, Estância, Tobias Barreto) seja em nível nacional, a exemplo de Penedo-AL, São Paulo-SP, Mococa-SP, Cachoeira- ES e Gramado-RS).
Publicou seu primeiro livro de poesia, “Nu e Noturno”, em 1991. Até a presente data, além de “Paredes”, também publicou “Tribo” (1997), “Lua Lírica” (2001), “A cerca de vidros” (2009), “Lagarto em Verso e Trova” (2012), “Um quarto de hora” (2014), “A saga de Zefa Ninguém” (2016) e “Antologia Poética” (2021). Sem deixar de mencionar o livro “O espectro no espelho” (2005), de contos e crônicas, e “Das atrações às traições” (2024), que reúne contos e minicontos. Ao todo foram 10 livros lançados, afora inúmeras participações em antologias e outros livros.
Com ele, tive a grata satisfação de dividir alguns projetos editoriais, a saber: “Limites Democráticos do Brasil, de Abelardo Romero Dantas” (2009); “Monsenhor João Batista de Carvalho Daltro” (2011); “Nos bailes da vida” (2013), em comemoração aos cinquenta anos da Banda Los Guaranys; na edição Centenária do livro “O Triunfo”, de autoria de Ranulfo Prata (2019); em “Letras em Movimento” (2019); e “Laudelino Freire – Ensaios, História e Memória” (2023).
Por toda essa trajetória bem-sucedida, não faltaram reconhecimentos por seu trabalho, com participações em agremiações literárias e também honrarias, tais como: Auditório Assuero Cardoso Barbosa (Centro Cultural Adalberto Fonseca – Lagarto/SE) – 2000; Comenda Sílvio Romero (Câmara de Vereadores de Lagarto, 2001); membro correspondente da Academia Cachoeirense de Letras – ES, 2012; Comenda Monsenhor Daltro (Prefeitura Municipal de Lagarto, 2012); Destaque da Educação – EDUCAR-SE, 2012; Membro fundador da Academia Lagartense de Letras (2013); Dia Municipal da Poesia – Prefeitura Municipal de Lagarto, dia 13 de maio – Lei nº 756 de 2017; membro da Academia de Letras Brasil/Suíça (Núcleo Sergipe, 2020); Moção de Congratulação da Câmara de Vereadores de Lagarto, 2021; membro honorário e título de comendador pela Academia Tobiense de Letras, 2021; Prêmio REALCE 2022/2023; menção honrosa da Academia Riachãoense de Letras, Artes e Cultura, 2023; Medalha Mérito Educacional Manoel José Bomfim – Assembleia Legislativa de Sergipe, 2024; e Sócio Honorário da Academia Riachãoense de Letras, Artes e Cultura, 2025.
Conheço Assuero Cardoso Barbosa desde agosto de 1994, quando de nossa convivência professoral no Colégio Cenecista Laudelino Freire, em Lagarto, onde nasceu uma amizade fraterna que sobreviveu às vicissitudes do tempo e das relações humanas e a todas as suas mazelas, incluindo mexericos, ruídos de comunicação e malquereres, posto que foi um sentimento de afeto, amor recíproco e de gratidão que prevaleceu. Devo a ele e ao saudoso professor José Cláudio Monteiro Santos tudo que me tornei, sobretudo no campo das letras e da arte de escrever.
Com sua bondade, desprendimento, aversão à vaidade e generosidade, aliados ao talento singular e inconteste, Assuero Cardoso Barbosa é hoje o nosso “poeta-mor”, “mor”, como disse na noite do lançamento de “Paredes” no que a etimologia tem de melhor para além de “maior” (maiorem – latim). Também o é “amor” (aférese). E a noite em que “Paredes” foi apresentada não poderia ter sido melhor, pois o céu, estrelado, pediu licença à chuva, desanuviou-se, e a lua lírica (como frisou o confrade José Uesele, cerimonialista na oportunidade) veio dar o ar da graça e saudar o nosso poeta.
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