Categorias: André Brito

País de tsulamas

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Dia desses eu estava assistindo à TV estava passando um troço meio troncho: um mar de lama (o pior é que aqui não é metáfora, aquela figura de linguagem que usa um termo em lugar de outro por haver relação de sentidos e reforçar uma ideia) descendo ladeira abaixo (aqui é um pleonasmo), arrastando tudo que estava pela frente. O Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana – MG, ficou arrasado. Um horror! Era o dia 05 de novembro de 2015.

– Meu Deus (vocativo), o que é isto?

– É um evento catastrófico não natural, meu filho! É um tsulama! Um tsunami de lama, obra (des)humana!

Parei. Perplexo fiquei, completamente absorto vendo aquela tragédia grecorromanabrasileira. O tsulama varria casas, carros, caminhos, corações. Morte e destruição pelo caminho. Cena triste que me remeteu à uma analogia bastante interessante: os tsulamas que afloram diariamente na terra do (quase extinto) pau-brasil. Fiquei inquieto.

Vários desses tsulamas já aconteceram em Minas Gerais. Veja, Isto é: recorrência. Nessa inquietude, fui buscar os significados de lama (catei-os no Google), afinal de contas entrou lama nas minhas narinas. Achei:

1 – mistura viscosa, pegajosa, de argila, matéria orgânica e água; terra molhada e pastosa; barro, lodo, vasa.

2 –  Metaforicamente, é caráter daquilo que degrada, envergonha; ação vil; baixeza, aviltamento.

Ponto de intersecção: Brasil combina com lama, conotativa e denotativamente. Os recorrentes tsulamas apontam um grave problema que, ao que parece, nunca teve relevância, caso contrário, deveria ocorrer menos vezes.

No traço político-social, o que mais vemos ultimamente: tsulamas pra tudo que é canto. A polícia federal nunca trabalhou tanto na vida (e olha que sempre trabalhou intensamente). Ninguém pode abrir um poço artesiano político ou uma vala qualquer, que jorra lama como um gêiser de libertação das amarras malditas da corrupção  (filosofei raivosamente agora).

A lama descendo. Eu perplexo. Pessoas chorando. Eu imóvel. As farpas rolando. Eu raivoso.

Será o Brasil um país de tsulamas? A esperança, pelo menos, é que a lama seca e se pode construir novamente. Mas construir sobre lama? Será que não dá problema?

– Chama os engenheiros do Hawaii!

Ps: Putz, falei tsulama várias vezes…deixa pra lá.

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Antônio Carlos Garcia

CEO do Só Sergipe

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Antônio Carlos Garcia

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