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Os Saltimbancos Trapalhões- rumo ao nada

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Aline Laranjeira (*)

Nostalgia talvez seja o sinônimo para este filme nacional estrelado por Renato Aragão. Didi sempre fora amado pelo amplo público brasileiro com suas histórias de comédia adaptadas para o cinema, atraindo, principalmente, crianças e jovens. Após alguns anos sem lançar um filme direcionado para este público, agora ele volta com Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood – que de rumo nada tem, a não ser por pequenos episódios em que sonhos parecem confundir-se com a realidade. O filme é uma readaptação do musical Os Trapalhões, de 1981, que inclusive contava com a participação do Renato Aragão e sua turma, como por exemplo o personagem Dedé, interpretado por Dedé Santana e por isso, a película ganha ares saudosistas, especialmente ao depararmos com o final.

Apesar das referências cinematográficas e de seu caráter nostálgico, o filme não inova e é extremamente clichê, com cenas piegas e “dramalhões” forçados. A direção do João Daniel Tikhomiroff é baseada nos longas tradicionais em que o personagem Didi aparece. As tomadas musicais, por vezes, ficaram longas e cansativas, retirando a profundidade da história. As músicas enrolavam o conteúdo do enredo e proporcionavam espaço para a fuga daquilo que se queria retratar. Os personagens são superficiais, com atuações rasas ou exageradas. Lívian Aragão (Luísa) se esforça para transparecer naturalidade, porém suas feições e gestos apenas ressaltam a superficialidade e falta de desenvoltura para atuação. Letícia Colin e Alinne Moraes seguram a trama com seriedade.

A personagem de Alinne, Tigrana, ainda que pareça caricata, sobressai-se em conjunto com Karina (Colin), representando momentos fortes de interpretação no filme. Um ponto ápice do longa-metragem também está presente na direção de arte do Cláudio Amaral Peixoto que consegue realizar um conjunto artístico circense remetendo aos antigos circos itinerantes, reconhecendo com fidelidade aspectos mínimos desse ambiente artístico, como figurino, maquiagem e a própria cenografia. A montagem, entretanto, apresenta cortes bruscos e mudanças de cenas que mais aludiam a uma sequência de novela da Rede Globo.

Os Saltimbancos Trapalhões persiste na velha fórmula de Renato Aragão, a qual agrada aqueles que fizeram parte da geração em que seus filmes eram populares, assim como também cativa crianças, porém os clichés e estereótipos podem incomodar, visto que existe um novo público sedento por comédias que se mostrem mais ágeis e inteligentes.

(*) Aline escreve todas as sextas-feiras sobre cinema

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Aline Laranjeira

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