Vladimir, o Vadico, autodidata, aprendeu tudo sozinho na difícil arte da sobrevivência
Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)
Vadico, 62 anos, é pedreiro e uma espécie de faz tudo. Mexe com hidráulica, parte elétrica, assenta piso, conserta telhado. Autodidata, aprendeu tudo sozinho na difícil arte da sobrevivência. Trabalha comigo há mais de uma década. Foi indicação de um amigo.
Vadico, que se chama Vladimir, teve uma vida sofrida. Perdeu a mãe cedo, estudou pouco, passou necessidade na infância, mas nunca deixou se abater, está sempre alegre. Vive de bem consigo e com a vida. Tinha três filhos, com a sua companheira de jornada, com quem divide a única vida há quatro décadas. Dois filhos morreram, “por desobediência”, costuma dizer. Sofreu com as perdas, se refez, seguiu em frente.
No sábado, Vadico esteve aqui para pequenos consertos e colocação de quadros, recém adquiridos, nas paredes.
Enquanto Alexa tocava músicas dos anos 70 e 80, Vadico cantarolava, recordando os seus tempos de discoteca, que já não existem mais. Falou de seus namoros, e da companheira que escolheu para si, com quem divide a vida, a cama e os perrengues.
Vadico foi mestre de obras de grandes construtoras. Sem grandes ambições, se dá por satisfeito como pedreiro. Após logo período fazendo bico, está novamente fichado. Ou seja, está empregado: carteira assinada, férias, décimo terceiro garantido. Ganha menos, mas tem o certo todo final de mês.
Vadico é leve, tudo está bem pra ele. Não é chegado a grande elocubrações. Tem visão simplista sobretudo no seu entorno; sobre a vida. Nunca leu os filósofos, os pensadores, mas tem sabedoria para não se deixar abater com o que não pode mudar. Gosto de provocá-lo para ouvir suas desconcertantes e hilárias respostas. Tudo ele tem solução, e arremata, “se tem solução, qual o problema?”
Nunca ouviu falar em Arthur Schopenhauer, mas é como se fossem próximos.
Esses dias li um artigo sobre o filósofo e pensador alemão.
Segundo Schopenhauer, “a relação entre inteligência e sofrimento está profundamente enraizado em sua filosofia pessimista, que ele desenvolveu em obras como “O Mundo como Vontade e Representação” (1818). Ele acreditava que a vida é dominada por uma força cega e irracional, a “vontade”, que impulsiona todos os seres vivos a desejarem incessantemente, resultando em frustração e sofrimento.
No contexto da frase mencionada — “quanto mais claro é o conhecimento do homem, quanto mais inteligente ele é, mais sofrimento ele tem” — Schopenhauer sugere que “a consciência e a inteligência são uma espécie de maldição. Quanto mais uma pessoa entende a realidade, mais ela percebe as tragédias e absurdos da existência humana”.
Vadico segue sua saga, sem se importar com os pensamentos de Schopenhauer. Ele não tem tempo a perder com problemas reais ou imaginários. Segue na linha do tempo, aproveitando cada momento.
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