Lá Vem História

Não podemos esperar por um tempo que não espera

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Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)

 

Tenho me pego pensando nos ciclos da vida, coisa de quem está envelhecendo. A vida é feita de ciclos. E todo ciclo tem começo, meio e fim.

É duro pensar no fim, mas ele é feito de certeza, até histórias bonitas acabam. Pessoas que eu elegi como amigos eternos, hoje não passam de “conhecidos”, pertencem a um tempo que foi fechado com uma chave que não existe mais. Os amores que eu imaginei que estariam na minha velhice, hoje são pessoas que não sei por onde andam. Nos perdemos no cipoal do tempo, tomamos caminhos diferentes, nos bifurcamos nas estradas da vida.

A vida é feita de nascimento e morte, os tempos nascem e morrem para nos ensinar a viver. Pessoas vêm e vão; cumprem sua missão, seguem o seu próprio caminho.

Ao entender que a vida é feita de ciclos, tudo fica em paz com aquilo que entra e sai de nossa vida. Percebi que nada é meu e tudo me é emprestado para que eu possa usufruir enquanto estiver por aqui. Tudo tão simples e, ao mesmo tempo, muito mais difícil de fazer do que falar. As pessoas julgam poder deter tesouros para sempre, mas esquecem-se da fragilidade e imprevisibilidade da vida, da maneira como ela nos escolheu através das nossas escolhas, nas origens do que já se perdeu no varal do tempo.

O que hoje está comigo, amanhã o vento pode levar tão facilmente como alguém deixa de respirar ou enxergar. Mas é aí que reside a verdadeira magia da vida que só os ousados desafiam, sem medo, a cada aventura que lhes é dado viver. Quando sei que nada é meu, sou grato por tudo aquilo que envelhece comigo. Quando sei que nada me pertence, agradeço momento vivido, cada experiência vivenciada. Gratidão por cada pequena coisa que traz alegria.

Não podemos lutar contra o fim, podemos apenas aproveitar o hoje, para criar boas lembranças e, quando as histórias terminarem, criar memórias. Somos feitos de memórias. Elas se eternizam em nós. O hoje é efêmero, passa rápido.

“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem”, Fernando Pessoa.

Caro leitor, cara leitora, desde o momento em que você começou a ler este texto até o final, o tempo passou, virou passado.

O amor nos salva. Amor é aquele lugar bom que a gente quer voltar todos os dias, para ressignificar a vida. É o que nos amadurece. É aquele sentimento que renova nossas forças, é o que se estende, porque o amor de verdade não tem prazo de validade. Mesmo quando entorta na curva, mesmo assim, ele nos ensina o caminho do recomeço.

Amor também é fechar ciclos, e dar pontos finais, porque a vida é movimento. Nada é para sempre. Tudo está em constante mudança.

Contrariando os que dizem que o amor é bobagem, que ele não existe, que é ilusão, é para esses que escrevo — para exortar os incrédulos de que o amor e o humor nos salvam.

O amor é sublime, o sentimento mais bonito que existe.

Não abram mão, nem deixem de dar lugar a um sentimento tão sublime. Não desacreditem. Façam o possível para dar a chance de esse sentimento entrar no coração e fazer com que o que era cinza renasça, tornando-se colorido.

Viver, portanto, é a arte de presença, não de postergação. É responder à finitude com intensidade, à fugacidade com entrega, à impossibilidade de retorno com um sim radical àquilo que se apresenta.

Não esperemos por um tempo que não nos espera. Não adiemos a ternura, o gesto, o risco, a palavra que poderia redimir ou incendiar. Porque tudo o que não é vivido plenamente agora, converter-se-á em espectro no porão da memória, assombrando os dias que estão por vir.

Enquanto a vida nos der vida, sejamos inteiros, mesmo na nossa incompletude. Que saibamos reconhecer a beleza das pequenas coisas, os instantes que não voltam, os gestos que se eternizam. Enquanto o tempo nos permitir passos, que caminhemos com alma, sem pressa de chegar, mas com vontade de viver. Enquanto o coração bater com sentido, que não falte amor, nem coragem, nem humor, nem a ternura de um olhar que compreende sem julgar. Enquanto a vida nos der vida, que sejamos presença e não ausência, voz que acolhe, silêncio que respeita, abraço que permanece mesmo depois de partir. Porque viver não é apenas existir, é escolher, todos os dias, ser luz, mesmo em tempos sóbrios.

 

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Luiz Thadeu Nunes

Engenheiro Agrônomo, jornalista, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”. E-mail: luiz.thadeu@uol.com.br

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