Compartilhe:

 

Por André Brito (*)

 

Dia desses o sol estava a pino, céu azul mais anil que o próprio anil (sabe aquele produto que se usava pra lavar roupa? Nem sei se existe ainda), raríssimas nuvens brancas contrastando com o azulejo do etéreo (trouxe o Simbolismo de Cruz e Sousa à tona). Dia propício a um convite magnífico de ‘deliciamento’ nas águas quentes do mar de Atalaia ou de qualquer outra praia sergipana. Porém o que fiz? A preguiça bateu por causa da brisa doce (isso aqui é uma sinestesia, viu?!) na varanda e decidi ficar em casa, curtindo a paisagem do céu com o vento ‘empreguiçador’ (já inventei duas palavras só neste parágrafo. Hoje tô pra neologizar… ops! outra…).

Preparei um ‘de comer’ (conhece essa expressão?) sergipanamente topado, com direito a cuscuz de arroz, carne do sol, queijo coalho e café moidinho na hora e fui saborear minha refeição na varanda. Ah, a brisa, o céu, o café…! Se inventaram coisa melhor pra iniciar o dia, fale aí que quero saber (até sei o que você pensou… rsrsrs… concordo… rsrsr).

Nessa interação com o ambiente, percebi, no meu pequeno jardim suspenso na estante de pinho, duas plantinhas diferentes coexistindo no mesmo espaço, disputando os mesmos nutrientes: um pezinho de quebra-pedra (aquele que serve pra chá diurético) e uma pitangueira ainda vivente na infância (só pra dizer que é pequena). Percebi que a dileta planta medicinal aparentava um crescimento vistoso, com caule avantajado, enquanto a humilde pitangueira, já há tempos no caqueirinho, não se desenvolvera. De súbito, entendi que precisaria intervir naquela relação que não estava boa pra uma das senhoritas plantas.

A intervenção se fazia necessária, visto que a pitangueira não iria crescer na disputa com o pé de quebra-pedra. Mesmo vistosa, exuberante no seu verdor maravilhoso, retirei a erva. Agora a pitangueirinha estava a salvo e livre para se desenvolver e, assim, gerar as pitangas de que tanto gosto. Mas calma. Não descartei o quebra-pedra. Transferi o pezinho para outro recipiente. Agora as duas crescem felizes para sempre.

Não posso ver essas coisas que minha cabeça faz logo reflexão. Do mesmo modo que as plantinhas não poderiam conviver naquele espaço sem que uma delas fosse prejudicada, assim acontece na nossa vida. Quantas pessoas coexistem no mesmo espaço, atrapalhando o crescimento umas das outras. Às vezes, só precisamos mudar de caqueirinho para crescer. Vai doer na retirada das raízes? Vai! As folhas vão murchar até os nutrientes da nova terra entrarem em ação? Vão! E daí? Melhor uma dorzinha passageira e um murchar de folhas por uns momentos do que a vida inteira sem crescimento (eitaaa….até rimou!). se o medo bater, vai com medo mesmo. Mas vá!

 

Compartilhe:
Andre Brito

André Brito é jornalista e professor

Posts Recentes

GBarbosa Perini abre no RioMar e anuncia modernização da rede até 2027

Loja de Aracaju amplia quadro de funcionários em até 25%, ganha farmácia, empório e adega;…

10 minutos atrás

Vivo lança serviço da Starlink de Elon Musk e acirra disputa com Brisanet

Parceria leva conexão por satélite a 50 milhões de assinantes e amplia concorrência com operadoras…

18 minutos atrás

Governo do Estado amplia rede de gasodutos e prepara expansão do gás natural em Sergipe

  O Governo do Estado, através da Sergipe Gás S/A (Sergas), está ampliando sua infraestrutura…

3 horas atrás

 Esta eleição trouxe nova semente

Por Valtênio Paes (*) uem viveu a manifestação popular pelas “Diretas Já” entre março de…

20 horas atrás

Potássio offshore em Sergipe: megaprojeto prevê investimento de R$ 11,5 bilhões

A South Atlantic Potash prevê produção equivalente a 14% do consumo brasileiro e identifica potencial…

21 horas atrás

Consumo cresce 6,5% no Nordeste e Supervendas projeta R$ 140 milhões

Presidente da ABRAS destaca avanço nas compras de alimentos e importância da feira realizada em…

2 dias atrás