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Moana: a história de uma princesa sem príncipe

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Aline Laranjeira (*)

Dos mesmos criadores de Frozen- uma aventura congelante e Zootopia, temos Moana- Um mar de aventuras. Mais uma obra de arte produzida pela Walt Disney Animation Studios, a história ressalta a vida da curiosa filha (Moana) de um chefe tribal, cujo sonho, desde criança, era de ser uma grande desbravadora dos mares. Escolhida pelo oceano para realizar um ato que salvará seu povo de uma maldição, seu desejo de explorar as águas torna-se uma missão, precisando enfrentar diversos obstáculos.

Moana transmite um ar independente, perspicaz e soberano. Ela não tem pretensões amorosas, como vistas em várias histórias da própria Disney, em que as donzelas, nos finais de seus contos, terminam com um rapaz extremamente idealizado. Moana é intensa, real e verdadeira. Dona de traços marcantes, ela destoa dos excessivos padrões estéticos das tradicionais animações de princesa, constituindo, assim, uma autêntica personagem.

O enredo é intrigante ao englobar cenas musicadas, dramáticas e engraçadas. Os momentos cômicos se concretizam, em especial, com o galo Heihei, que, aparentemente, parece atrapalhar a jornada da garota, porém ao longo da trama ele se mostra prestativo e amigável. Além disso, é válido destacar a presença do semideus Maui e a clara inversão de arquétipos vistos ao longo do filme. Moana é valente e corajosa, enquanto Maui revela-se altamente covarde e fraco diante de múltiplas situações.

É notável também a sensibilidade do diretor ao abordar os elementos da natureza. Os seres inanimados do nosso cotidiano ganham vida e apresentam cores que se difundem numa atmosfera energética e brilhante, incitando no espectador o encantamento pelo ambiente abordado. Mesmo que o filme animado pretenda ser inovador ao enaltecer a diversidade de um povo, o padrão Walt Disney não se dissipa, visto que a exploração da imagem, do som e construção de enredo seguem os mesmos. Em vista disso, a interação entre Moana, a natureza e sua gente favorece, no fim das contas, um bonito ensinamento, o qual pode ser depreendido com facilidade pelo público-alvo. Levando esses aspectos em consideração, Moana torna-se a animação da vez, a qual deverá ser lembrada como um marco na roteirização de histórias que abordam a face da mulher como um ser forte, incisivo e astucioso, fazendo valer a pena o investimento para se contemplar essa película.

(*) Aline é crítica de cinema e escreve todas as sextas-feira para o portal

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