Minuto do Vinho

Justiça norteia a história da Vinícola Carmim, de Alentejo, Portugal; conheça sua variedade de rótulos

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Por Sílvio Farias (*)

 

História da Vinícola Carmim

Carmim foi criada em 1971 por um grupo de 60 viticultores com o objetivo de produzir e comercializar vinhos artesanais. Hoje conta com 800 associados, com mais de 3 mil hectares de vinha e olivais para a produção de azeites também. Produz 74 rótulos de vinhos: de brancos a tintos, passando por licorosos, rosé e espumantes.

Entre as marcas da Carmim destacam-se o Monsaraz Premium, Espumante Monsaraz, Garrafeira dos Sócios, Bom Juiz, Régia Colheita, Monsaraz Millennium, Monsaraz, Reguengos, Terras d’el Rei e Olaria.

A marca Reguengos, da qual origina o vinho Bom Juiz, deriva da sub-região alentejana da qual herdou o nome, que quer dizer “Terra de Vinho”. Reguengos ou “Realengo” era também a designação atribuída às terras, cujo senhor era o próprio Rei.

Bom Juiz Reserva, tinto que amadurece por 18 meses em barrica de carvalho francês, é uma homenagem ao homem justo representado em “O Bom e o Mau Juiz”, obra do final do século XV que representa a alegoria da justiça terrena.

Na parte superior, se destaca a figura de Cristo em majestade, ladeada por dois profetas mostrando o Alfa e o Ómega, simbolizando respectivamente o Princípio e o Fim. No painel inferior e principal se sobressaem as figuras do Bom e Mau Juiz, acompanhadas por figuras comuns de um julgamento civil.

Enquanto o Bom Juiz segura a vara reta da justiça com dignidade e expressão solene, o Mau Juiz é representado com duplo rosto e a vara da justiça quebrada. A obra inspirou a Carmim a nomear seu vinho tinto de Bom Juiz para homenagear “um homem justo, digno e de reputação sólida”.

Produtor alentejano Carmim é inspirado na figura do Bom Juiz da pintura mural quatrocentista dos Antigos Paços da Audiência de Monsaraz, símbolo do rigor e da verticalidade.

A obra “O Bom e o Mau Juiz” encontra-se no Museu do Fresco em Monsaraz, construído no século XIV, e é um dos afrescos mais representativos de Portugal.

O tema deste trabalho incomum de arte é a alegoria da justiça terrena. Dois juízes estão representados na parte inferior, o bom juiz, uma figura de retidão, e o mau juiz, símbolo da justiça corrupta. Preferimos destacar o bom juiz, um homem justo, digno e de reputação sólida, que inspirou este notável vinho reserva.

As três principais cepas do Alentejo — Syrah, Alicante Bouschet e Aragonez — fazem parte deste blend, elaborado com maestria numa safra quente, considerada 4 estrelas pela crítica internacional.

Vinho tinto Bom Juiz Reserva apresenta belos aromas, a compota de frutos silvestres maduros envoltos em notas de especiarias. Na boca, é vigoroso, fresco, com taninos robustos que lhe conferem um final longo e persistente. Elaborado com as uvas tintas Aragonez (40%), Alicante Bouschet (40%) e Syrah (20%).

Região do Alentejo tem 8 sub-regiões distintas que já aparecem em diversos rótulos, evidenciando assim as diferenças entre os territórios.

Portalegre, Borja, Redondo, Évora, Reguengos, Granja Amareleja, Vidigueira e Moura.

Solos são arcaicos e primários, com algumas áreas de xisto, argilo-calcáreas e arenosos. Os vinhedos situam-se entre 50 e 200m de altitude. Invernos pouco frios e verões bem quentes, e as chuvas são quase inexistentes.

Bom Juiz: o vinho tinto português inspirado numa pintura do século XV

Não é incomum um vinho homenagear personalidades ou lugares do território onde nasce a nobre bebida. Já a vinícola Carmim resolveu celebrar a beleza de uma pintura guardada no Museu do Fresco, em Monsaraz, cidade no coração do Alentejo, no sul de Portugal.

O Bom Juiz Reserva, tinto que amadurece por 18 meses em barrica de carvalho francês, é uma homenagem ao homem justo representado em “O Bom e o Mau Juiz”, obra do final do século XV que representa a alegoria da justiça terrena.

 

PRIMAVERA

É Primavera agora, meu Amor!

O campo despe a veste de estamenha;

Não há árvore nenhuma que não tenha

O coração aberto, todo em flor!

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor

Da vida… não há bem que nos não venha

Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!

Não há bem que não possa ser melhor!

Também despi meu triste burel pardo,

E agora cheiro a rosmaninho e a nardo

E ando agora tonta, à tua espera…

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos…

Parecem um rosal! Vem desprendê-los!

Meu Amor, meu Amor, é Primavera!…

 

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Silvio Farias

Silvio Farias é sommelier pela Associação Brasileira de Sommelier, tem mais de 20 anos de experiência em serviços de excelência como maitre e sommelier. Pós graduado em Enogastronomia. Somellier do Grupo Fasouto.

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