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“Governo está quieto com relação a Sergas”, diz Dieese

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O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos em Sergipe (Dieese), Luiz Moura, disse que as tarifas do gás praticadas pela Sergas estão inviabilizando várias empresas e que “o Estado está quieto com relação a esses problemas”. Ele se refere ao fechamento e possível transferência da Escurial para outro Estado, como já informou a diretoria da empresa. A situação das empresas em Sergipe não é nada confortável. Somente de janeiro a abril deste ano, 983 empresas fecharam as portas, informou a Junta Comercial de Sergipe (Jucese).

Moura questiona a falta de empenho do Governo do Estado que não influencia nas decisões da Sergas, embora indique o presidente. A Sergas é uma empresa tripartite: Governo, Mitsui e Petrobras. “A política da Petrobras joga contra os compradores de gás. Isso acontece também com a gasolina e o asfalto. A política econômica viabiliza o lucro da Petrobras, mas quebra várias empresas”, lamentou o economista.

A Associação das Empresas do Distrito Industrial de Socorro (Assedis) divulgou uma nota responsabilizando a Sergas pelo fechamento da Escurial, por praticar “tarifas extorsivas”. A Sergas, por sua vez, divulgou nota afirmando que a Escurial era inadimplente.

Números

O encerramento das atividades da Escurial ainda não entrou na estatística da Jucese, que só dispõe de número referente de janeiro a abril deste ano, quando foram fechadas 983 empresas. Neste mesmo período, outras 1.468 foram abertas.

Em 2018, a Jucese registrou a abertura de 4.277 empresas, sendo 58,17% do setor de serviços; 36,78% no comércio; e apenas 5,05% na indústria.  E outras 3.438 fecharam as portas em 2018: 52,01% do setor comerciário; 39,57%, do setor de serviços; e 8,42%, no setor industrial.

Em 2017, foram abertas 3.853 empresas em Sergipe, sendo 55,94% no setor de serviços; 35,78% no comércio; e 8,28% no setor industrial. Mas 2.864 encerram as atividades: 50% do setor de comércio; 44%, setor de serviços; 7% da indústria.

Para o economista Luiz Moura, o governo incentiva a abertura de empresas que depois não têm movimentação.  “A Receita Federal vai para cima e elas fecham. Muito cuidado: abrir é mais fácil do que fechar” alerta.

Outro fato é que muitas empresas preferem contratar pessoa jurídica (PJ), pois não há encargos se comparado com a assinatura da carteira de trabalho. “Nesse caso, o ônus fica para o trabalhador”, diz.  Muitas vezes, há empresas sem trabalhadores contratados com carteira, e sim pessoas jurídicas. E quando o contrato com pessoa jurídica termina, o trabalhador tem que fechar a empresa por causa dos encargos.

Quanto à política de incentivos fiscais do governo, Moura faz um alerta. “Vencendo o período dos incentivos fiscais e com matéria-prima cara, como é o gás vendido pela Sergas, a operação fica inviabilizada. Um exemplo é o problema ocorrido com a Escurial que, ao não suportar os valores cobrados pela Sergas, fechou as portas e vai ter como sede outro Estado do Nordeste,” afirmou.

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Antonio Carlos Garcia

Editor do Portal Só Sergipe

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