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Feminicídio expõe limite da repressão e falhas na educação

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Por Kássio Kelinton Viana (*)

 

A despeito das sucessivas campanhas contra o feminicídio, essa realidade odiosa não cessa aqui nem no resto do mundo. Aumentam-se as penas, endurece-se o rigor das prisões, aplicam-se medidas protetivas e criam-se modelos de resposta imediata com certa dose de capricho midiático, mas o efeito parece não se revelar eficaz. Em boa parte dos casos, o crime brutal é acompanhado do suicídio do autor, e a família toda acaba sumariamente destruída.

​Quando o crime choca e a sociedade sangra, as cobranças e o dedo apontado já têm endereço certo na figura da Polícia. Por outro lado, pseudojornalistas insistem no sensacionalismo de divulgar os casos nas redes sociais, o que termina por contribuir negativamente para o aumento das ocorrências. Quem vivencia o cotidiano das delegacias sabe, entretanto, que o trabalho preventivo e punitivo esbarra em um limite emocional e social quase incontrolável.

​O Brasil e o estado de Sergipe celebram a redução dos índices de crimes violentos, fruto da atividade policial e também de uma migração estratégica das facções. O criminoso comum, percebendo o cerco investigativo, o monitoramento constante das cidades e o peso das sentenças judiciais, trocou a pistola pelo teclado. Nas  fraudes e  crimes cibernéticos, o lucro é exponencialmente maior e o rastro de sangue é menor, além das consequências penais bem mais leves.

​O feminicida, porém, não migra. Sua prática não nasce da oportunidade econômica ou do cálculo de risco, mas de uma raiz fincada em um machismo arcaico que reduz o papel da mulher e aniquila suas escolhas. Ele não busca o lucro financeiro, mas reforça o domínio típico da cultura da posse e do controle absoluto.

​Diante da devastação das famílias, brotam de todos os cantos promessas de soluções fáceis e punições exemplares. Porém, poucos se voltam para o que de fato move a engrenagem humana, que é a educação fundamental. As famílias e a escola falham na condução de uma orientação eficiente que ensine nossas crianças sobre a verdadeira liberdade. Trata-se da liberdade absoluta de ser, de ir e, principalmente, a liberdade de escolher com quem a mulher deseja dividir sua preciosa vida.

 

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Kassio Keliton Viana

Kássio Kéliton Viana é delegado da Polícia Civil de Sergipe

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