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Por Luiz Thadeu Nunes (*)

 

No derradeiro dia do ano, fui à padaria comprar alguns itens para um café da tarde. Iria reunir amigos fraternos em torno da mesa, no final do dia. Alguns deles não vi há algum tempo; o café tinha esse objetivo: reunir, agregar, congregar, compartilhar histórias, rebobinar memórias e falar de fatos do ano que findaria. Na correria do dia a dia, a pausa em torno da mesa do café era o lugar ideal para confraternizar. Como todos são aficionados pelo segundo líquido mais consumido no mundo, só perdendo para a água, que entra em sua confecção, esse era o mote para tomarmos um bom café.

Ao chegar em casa, vi no saco dos pães, uma bela história, que já conhecia, mas não lembrava por inteiro, a qual reproduzo aqui.

“Um menino observava seu avô escrevendo em um caderno e perguntou:
– Vovô, você está escrevendo algo sobre mim?

O avô sorriu e disse ao netinho:
– Sim, estou escrevendo algo sobre você. Entretanto, mais importante do que as palavras que estou escrevendo é este lápis que estou usando. Espero que você seja como ele quando crescer.

O menino olhou para o lápis e, não vendo nada de especial, intrigado, comentou:
– Mas este lápis é igual a todos os que já vi. O que ele tem de tão especial?

– Bem, depende do modo como você olha. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir vivê-las, será uma pessoa de bem e em paz com o mundo – respondeu o avô.

– Primeira qualidade: Assim como o lápis, você pode fazer coisas grandiosas, mas nunca se esqueça de que existe uma “mão” que guia os seus passos e que, sem ela, o lápis não tem qualquer utilidade: a mão de Deus.

– Segunda qualidade: Assim como o lápis, de vez em quando você vai ter de parar o que está escrevendo e usar um “apontador”. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas, ao final, ele se torna mais afiado. Portanto, saiba suportar as adversidades da vida, porque elas farão de você uma pessoa mais forte e melhor.

– Terceira qualidade: Assim como o lápis, permita que se apague o que está errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos trazer de volta ao caminho certo.

– Quarta qualidade: Assim como no lápis, o que realmente importa não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro dele. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você. O seu caráter será sempre mais importante do que a sua aparência.

– Finalmente, a quinta qualidade do lápis: Ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo o que você fizer na vida deixará traços e marcas nas vidas das pessoas; portanto, procure ser consciente de cada ação, deixe um legado, marcando positivamente a vida das pessoas.” Autor desconhecido.

Por fim, à medida que o lápis é usado, ele vai se desgastando até acabar e ser substituído por outro. Logo, é preciso saber que um dia nós também seremos substituídos. Quantos ensinamentos para um novo ano que está começando.

 

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Luiz Thadeu Nunes

Engenheiro Agrônomo, jornalista, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”. E-mail: luiz.thadeu@uol.com.br

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