Pela pesquisa da CNI, melhoria da saúde vem em segundo, com 39% Foto: Agência Brasil
Na letra de “Um homem também chora”, diz o poeta Gonzaguinha que:
“Um homem se humilha… Se castram seu sonho… Seu sonho é sua vida… E vida é trabalho… E sem o seu trabalho… O homem não tem honra… E sem a sua honra… Se morre, se mata…”
E, dando crua concretude a essa constatação, a economia brasileira vem, desde fins de 2014, promovendo um aumento sistemático do nível de desalento entre os trabalhadores desocupados.
Entende-se por desalentada a pessoa que gostaria de trabalhar e que para tanto estaria disponível, porém não procurou trabalho por achar que não o encontraria.
Os motivos que justificariam essa atitude seriam o não encontrar trabalho na sua localidade, o de não arranjar uma colocação adequada, o de não arrumar emprego por ser considerado muito jovem ou idoso ou pelo fato de não ter experiência profissional ou qualificação.
Assim continuou até meados de 2013, quando apontou uma tendência de queda que se seguiu até o trimestre de julho/agosto/setembro de 2014.
A partir daí, entre idas e vindas, a taxa de desalento passou a crescer a uma taxa média de 0,1% ao mês, chegando, no trimestre de setembro/outubro/novembro, à inédita marca de 5,2%.
Frisando que, desde o início de 2018, o desalento vinha tangenciando um piso de 4,0% da força de trabalho ampliada, mas, com a chegada da Covid-19, ele recrudesceu e ultrapassou a casa dos 5,0%.
Traduzindo em números, isso implica que, há pelo menos três anos, um contingente de quase 5 milhões de pessoas não vê sentido em procurar um emprego e, com a pandemia, esse total pode ter passado dos 6 milhões de pessoas.
Noutra analogia, isso seria o mesmo que a soma das populações de Brasília (DF) e Salvador (BA) desistissem de ofertar sua força de trabalho, porque sabiam que não seriam contratados.
(*) Emerson Sousa é Mestre em Economia e Doutor em Administração
** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor. Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe
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