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Por Manuel Luiz Figueiroa (*)

 

Na infância aprende-se a conviver com os amiguinhos, em uma relação prazerosa, até quando um deles decide ficar com o brinquedo comum, ocasião em que a relação, imediatamente, se torna conflituosa. Esta lição de que as amizades só são permanentes enquanto não existem conflitos de interesses, está presente durante toda a vida, quer seja na adolescência ou na maioridade.

É comum, no relacionamento humano, o intercâmbio no fazer o bem e de se esperar a gratidão daquele que foi beneficiado. Entretanto, os de espírito elevado já se dão por recompensados pela oportunidade que teve em servir, enquanto que a maioria das pessoas sofrem com o não reconhecimento, denotando-o por ingratidão.

O dono da bola

Das crianças que gostam de jogar bola nem todas são escaladas nos jogos de futebol. Segundo o técnico, era por não jogar bem; entretanto, tinha uma delas que era um fiasco e sempre era escalada.

O técnico questionado por escalar sempre o pior jogador do time, respondeu: ele é o dono da bola e sem esta não haverá jogo.

O julgador, no jargão jurídico, decide pelo convencimento obtido da leitura dos autos, onde encontrará argumentos contraditórios sobre uma mesma questão. Essa é a regra.

As regras e promessas existem, mas para serem cumpridas precisam não gerar conflitos de interesses entre forças de intensidades diferentes. Se as forças em conflitos têm intensidades diferentes, a balança da decisão, na maioria das vezes, será favorável a de maior peso.

Se queres obter uma decisão favorável ao seu interesse, primeiro identifique o que tem para barganhar. No âmbito jurídico, um advogado com boa argumentação é uma sugestão; no universo das relações humanas, descubra, no momento presente, o que pode oferecer e como contribuir para o decisor atender o seu desejo.

As relações humanas são na maioria das vezes dificultosas devido à vaidade — esse sentimento subjetivo, inerente ao homem que não aceita divergência.  Esse sentimento fútil ilusório e frívolo — um orgulho injustificado — denota fragilidade, pois o vaidoso vive em função de aprovação de terceiros e, geralmente, sofre prejuízos tanto econômico quanto sentimental.

O orgulho, também, contribui e muito para os rompimentos das relações humanas. O orgulhoso, no sentido de não admitir a contradição, toma decisões infundadas que geralmente levam aos mesmos prejuízos já referidos.

Combata-se a vaidade e o orgulho, erguendo templos às virtudes e cavando masmorras ao vício. Os templos a serem construídos não são edificados com cimento e ferro, assim como o cavar masmorras não se utilizam de escavadeiras. Essas duas ações — edificar e cavar — se complementam, tendo como canteiro de obras os corações e como instrumentos de ofício a vontade de cumprir altos compromissos, alcançados por meio da disciplina e dos princípios da cristandade.

 

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Manuel Luiz Figueiroa

Professor Manuel Luiz Figueiroa é mestre maçom da Loja Maçônica Clodomir Silva e secretário de Educação e Cultura do GOB-SE

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