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	<title>Arquivo para Outras palavras - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Ele, João Alves Filho, descrito por eles</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 10:00:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Em novembro de 2020, pelo jornal Correio de Sergipe, publiquei um artigo sobre a importância de João Alves Filho (1941-2020) para a cidade de Lagarto. Na oportunidade, de modo particular, destaquei uma data: julho de 1986. Quando, como resultado de sua preocupação com a melhora das condições &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>m novembro de 2020, pelo jornal <em>Correio de Sergipe</em>, publiquei um artigo sobre a importância de João Alves Filho (1941-2020) para a cidade de Lagarto. Na oportunidade, de modo particular, destaquei uma data: julho de 1986. Quando, como resultado de sua preocupação com a melhora das condições do homem do campo por meio do projeto Chapéu de Couro, ele inaugurou a Barragem Dionísio de Araújo Machado, represando cerca de 15 bilhões de m<sup>3</sup> das águas do Rio Piauí. O feito ocorreu na gestão do prefeito Artur de Oliveira Reis (1983-1988), obra que segue sendo fundamental para a região até hoje.</p>
<p>Em 2022, foi publicada a sua primeira biografia, de autoria dos escritores Déborah Pimentel e Igor Salmeron, intitulada <em>João Alves Filho: A Saga de um Político Nordestino. </em>Um calhamaço com mais de quatrocentas páginas, que cobre as diversas fases do Negão, como era conhecido carinhosamente pelo seu povo e admiradores, incluindo suas gestões como prefeito de Aracaju, Ministro de Estado e governador de Sergipe.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/images.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-100994 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/images-233x300.jpg" alt="" width="233" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/images-233x300.jpg 233w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/images.jpg 490w" sizes="(max-width: 233px) 100vw, 233px" /></a>Agora é a vez dela, sua irmã Marlene Alves Calumby, de trazer à tona outros aspectos da trajetória de vida de João Alves Filho. Para tanto, contou com a colaboração de outros (eles e elas), para organizar a obra <em>Ele, descrito por eles</em>. De antemão, estes trocadilhos pronominais são propositais, dado que, na minha leitura e percepção do livro, pude estar diante de inúmeros <em>Joões</em>.  Do João de Anderson Nascimento ao João da organizadora, que teve o privilégio de viver com o homenageado em sua intimidade e de, também, trabalhar com ele nas lides administrativas e da política.</p>
<p>Em trezentos e setenta e seis páginas, impressas pela J Andrade, os colaboradores nos convidam a conhecer João Alves Filho sob diversas facetas, todas elas se encontrando na figura de um homem público devotado às causas populares. Para tanto, Marlene Calumby convocou alguns confrades da Academia Sergipana de Letras, políticos, juristas, empresários, profissionais liberais e clérigos para compor um expressivo itinerário: José Anderson Nascimento (prefácio e capítulo), Igor Leonardo Moraes Albuquerque (apresentação e capítulo), Aglaé Fontes, Artêmio Barreto, Aurélio Belém, Carlos Batalha, Hermínio de Aguiar, Carlos Pinna Júnior, Dilson Barreto, Eduardo Lima, Etélio de Carvalho, Flamarion d´Ávila Fontes, Georlize Oliveira, Gilmar Melo, José Carlos Machado, padre José Lima Santana, Mendonça Prado, Osório de Araújo Ramos Filho, Saumíneo Nascimento, Sérgio Silva, padre Vatewan Cruz, Venâncio Fonseca. Afora os anexos, com textos de João Alves, Ângela Margarida, Jane Guimarães e Lilian Gomes. Há textos dela também, na obra.</p>
<p>Entre eles, os Joões, é possível percebê-los não somente na perspectiva da política, seu mote existencial: “<em>o Pelé da política sergipana</em>”, como bem define Venâncio Fonseca. Mas também sua contribuição no campo cultural, por exemplo, a partir dos textos da professora Aglaé, da sua preocupação, enquanto gestor público, com destaque para o Teatro Tobias Barreto, uma das principais casas culturais até a presente data. O João escritor, por José Anderson Nascimento, que lhe valeu uma cadeira na Academia Sergipana de Letras. O João da educação, da economia, da agricultura, da saúde, do turismo, das grandes obras (inclusive, estruturais), da segurança pública, da engenharia e o João da Imaculada Conceição, sua madrinha de batismo.</p>
<p>Como bem define José Anderson Nascimento, <em>Ele, descrito por eles</em> é um “<em>livro sobre feitos</em>” (p. 8). Em que, reforça Igor Leonardo Moraes Albuquerque, “<em>suas ideias, conquistas e realizações permanecem na vida e no imaginário do sergipano</em>” (p. 11). E nesse diapasão, do imaginário, sobretudo no meu de criança e adolescente em Lagarto, o João das inesquecíveis campanhas municipais e governamentais: o homem de óculos escuros (daqueles que caminhoneiro gosta de usar), sorriso alvo e largo, chapéu de couro na cabeça, de discurso forte, preciso e persuasivo. Ou ainda, como bem arremata Marlene Calumby, “<em>um homem de êxito cuja ambição foi sempre construir, permanecendo em movimento</em>” (p. 16).</p>
<p>Enfim, ela, eles e elas foram muito felizes em descrevê-lo para nós, agregando valor à biografia de um dos maiores líderes políticos sergipanos e da vida pública nacional. Perfis como o de João Alves Filho estão em extinção. Discorde ou não de suas práticas ou mesmo ideologias, foi e é reverenciado até hoje, inclusive por aqueles que lhe fizeram oposição. O João da arte de fazer política, o João da ponte, o João do povo, enfim, o João descrito por eles.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Artur de Oliveira Reis – Uma síntese biográfica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 10:00:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Artur de Oliveira Reis, ao longo da história de Lagarto-SE, tornou-se um sinônimo de palavra empenhada (sim, sim; não, não). A visão comercial aguçada, o espírito empreendedor e a firmeza de caráter lhe renderam a alcunha de “homem do gavião”, uma referência ao povoado onde nasceu, no &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>rtur de Oliveira Reis, ao longo da história de Lagarto-SE, tornou-se um sinônimo de palavra empenhada (sim, sim; não, não). A visão comercial aguçada, o espírito empreendedor e a firmeza de caráter lhe renderam a alcunha de “homem do gavião”, uma referência ao povoado onde nasceu, no dia 29 de agosto de 1926, filho de José Oliveira Reis e Mariana de Oliveira.</p>
<p>Criado na zona rural do município de Lagarto, herdou dos pais a dedicação ao trabalho e às regras fundamentais da vida humana, em especial a caridade e a religiosidade. Aspectos como compromisso, responsabilidade e perseverança o absorveram na lida diária com a terra. A vida dura e a renda escassa da família o obrigavam a dividir os estudos e o trabalho, boa parte dessa rotina vivenciada no antigo povoado Horta.</p>
<p>Ao lado de Raimunda Rodrigues Nascimento Reis (falecida aos 40 anos, no dia 7 de junho de 1966), viveu um relacionamento sólido e constituiu uma família promissora. Seus rebentos figuram ainda hoje na sociedade lagartense, com destaque, nas mais variadas esferas: comercial, educacional, empresarial e política. Um pai que imprimiu em seus filhos as marcas que estão acima da prosperidade financeira que adquiriram. Ainda assim, deixou marcas que a terra não sepulta e que a história imortaliza.</p>
<p>Notável comerciante, concentrou negócios no bairro Cidade Nova, onde residiu por muitos anos. Também foi dono e fundador da “<em>A Elegante Calçados</em>”, com seu irmão Décio, em 1962. Foi fabriqueiro (administrador e contador) da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, entre os anos 60 e 70, colaborando nas gestões de monsenhor Jason Barbosa Coelho e monsenhor Mario Rino Sivieri.</p>
<p>Artur Reis levou para a vida pública, entre os anos 80 e 90, as lições aprendidas no seio da família e da Igreja Católica. Encontrou percalços, mas imprimiu um jeito todo singular de administrar e de fazer política. A pujança do prefeito de Lagarto (1982-1988) e do deputado estadual (1991-2003), bem como do fundador do Grupo Saramandaia (1976), colaborou para consagrar a sua marca registrada: o progresso.</p>
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<p>Inumeráveis ações foram desenvolvidas por Seu Artur. A Cidade Nova, em especial, lega ao seu mentor as mais sinceras homenagens, para onde levou desenvolvimento, emprego e educação. Foi sócio fundador do Rotary Club de Lagarto, fundador do Sistema Progresso de Comunicação, gestor do Hospital Nossa Senhora da Conceição e do Asilo Santo Antônio, construiu a Escola Frei Cristóvão de Santo Hilário e, com João Alves Filho, a Barragem Dionísio de Araújo Machado (seu padrinho político), entre outras iniciativas que o transformaram num dos mais atuantes e obreiros gestores públicos da história política de Lagarto.</p>

			</div></div>
<p>Após um tempo recluso e convalescendo em razão do agravamento de seu estado de saúde, Artur de Oliveira Reis morreu em  Aracaju, no dia 14 de agosto de 2021, aos 94 anos.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Palavra, fé e resistência –  excertos biográficos do professor Ricardo André de Souza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 13:54:20 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[professor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Claudefranklin Monteiro (*) &#160; Sou particularmente um entusiasta de seus textos, mas também de sua capacidade lúcida e cirúrgica de pensar, refletir e se expressar sobre a vida e sobre Deus, de igual modo de sua luta pela dignidade humana, expressas nas causas que defende, seja ao nível do Magistério Público, seja ao &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Claudefranklin Monteiro (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ou particularmente um entusiasta de seus textos, mas também de sua capacidade lúcida e cirúrgica de pensar, refletir e se expressar sobre a vida e sobre Deus, de igual modo de sua luta pela dignidade humana, expressas nas causas que defende, seja ao nível do Magistério Público, seja ao nível mesmo da existência e de suas suscetibilidades, sobretudo, no que diz respeito à superação de uma mentalidade racista e à aplicação dos princípios de respeito e de justiça social.</p>
<p>Refiro-me ao professor <strong>Ricardo André de Souza</strong>, natural do Cabo de Santo Agostinho-PE, aos 31 dias do mês de maio de 1973. É filho de Reginaldo André de Souza e Noêmia Cordeiro de Souza (in memoriam), pais de oito rebentos, sendo quatro homens e quatro mulheres. Uma família pernambucana de classe média, que viveu num ambiente simples, mas, segundo nosso biografado, “(&#8230;) <em>profundamente marcado pelo afeto, pela união e pelo respeito mútuo</em>”. De irmãos que se amam, que aprenderam desde cedo a dividir não apenas o espaço e os recursos, mas também os sonhos, as responsabilidades e as esperanças.</p>
<p>Ainda sobre essa ambiência familiar, base de sua formação, acrescenta:</p>
<blockquote><p>“<em>Nossa casa nunca foi abundante em bens materiais, mas sempre foi rica em valores. Meu pai, hoje aposentado, dedicou muitos anos de sua vida ao trabalho como operador de máquinas pesadas. Durante muito tempo, enfrentou a dependência do álcool, o que trouxe sofrimento e dificuldades para toda a família. Foram anos desafiadores, marcados por lutas silenciosas e aprendizados dolorosos. Contudo, na velhice, ele abandonou a bebida, e essa decisão transformou radicalmente o relacionamento entre ele e nós, aproximando-nos e restaurando vínculos que haviam sido fragilizados. Não obstante as dificuldades vividas, aprendemos com ele a importância do trabalho honesto, da perseverança e da responsabilidade. Minha mãe, que era do lar, desempenhou um papel igualmente fundamental: foi o coração da família, cuidando de cada detalhe da nossa formação, ensinando-nos princípios, fé, caráter e amor ao próximo</em>”.</p></blockquote>
<p>Esta base familiar marcada, especialmente, por simplicidade, superação e companheirismo formou e sedimentou a sua identidade e a de seus irmãos. Enfrentaram dificuldades, mas estas não os dividiram; ao contrário, os fortaleceram. Cada conquista individual sempre foi celebrada como uma vitória coletiva, porque aprenderam que família é esteio, abrigo e força para seguir adiante, ressalta Ricardo André.</p>
<blockquote><p>“<em>Tenho orgulho da história que construímos juntos e dos valores que recebemos. É dessa família simples, trabalhadora e resiliente que venho — e é nela que encontro minhas raízes, minha inspiração e meu maior patrimônio</em>”.</p></blockquote>
<p>Por tudo isto, ele não poderia ter tido uma infância infeliz, mas muito e verdadeiramente feliz, o que lhe causa saudosismo até a presente data. Ele cresceu numa época em que não havia tecnologia e bens materiais sofisticados, tão valorizados em nosso tempo e que têm roubado a pureza das crianças. Sua alegria, portanto, estavam com pequenas coisas, em amizades sinceras e das brincadeiras na rua com os amigos do bairro onde morou.</p>
<blockquote><p><em>“Não tive brinquedos eletrônicos, como videogames, que hoje fazem parte da rotina de tantas crianças. Ainda assim, nunca me senti privado. Nossa diversão era construída com imaginação e companheirismo. Brincávamos de esconde-esconde, pega-pega, amarelinha, bola de gude e tantas outras brincadeiras que transformavam a rua em nosso grande parque de diversões. Eram momentos de liberdade, risadas e descobertas, que ajudaram a moldar meu caráter e a fortalecer laços de amizade que guardo com carinho na memória”.</em></p></blockquote>
<figure id="attachment_100745" aria-describedby="caption-attachment-100745" style="width: 223px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-100745" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-223x300.jpg" alt="A infância de Ricardo" width="223" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-223x300.jpg 223w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-762x1024.jpg 762w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-768x1032.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia.jpg 770w" sizes="(max-width: 223px) 100vw, 223px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100745" class="wp-caption-text">A infância de Ricardo</figcaption></figure>
<p>Realizou todo o seu Ensino Fundamental na Escola Municipal Tancredo Neves, situada no Bairro São Francisco — onde nasceu e cresceu. Foi ali que deu seus primeiros passos na vida escolar, construiu amizades, viveu experiências marcantes e começou a compreender o valor da educação. Concluiu essa etapa em 1992, ainda que com atraso. Ao longo do percurso, enfrentou dificuldades que resultaram na reprovação em dois anos letivos e, em outros dois momentos, acabou desistindo temporariamente dos estudos. “<em>Foram períodos de instabilidade e imaturidade, mas também de aprendizado sobre minhas próprias limitações e desafios</em>”, relembra Ricardo André.</p>
<p>No Ensino Médio, ele já morava em Lagarto. Era o ano de 1993, quando iniciou essa etapa de sua formação no Colégio Estadual Abelardo Romero Dantas. Teve problemas inúmeros, de ordem pessoal, e isso acabou atrapalhando seu desempenho. Não conseguia acompanhar adequadamente os conteúdos, especialmente os das disciplinas de Matemática e Ciências da Natureza. Os reveses o forçaram a abandonar aquele ano letivo. No ano seguinte, novamente esbarrou-se em dificuldades e, novamente, não concluiu o ano.</p>
<p>Em 1995, resolveu mudar de ares e matriculou-se no Colégio Cenecista Laudelino Freire, onde se formou no Magistério, em 1997. As coisas mudaram consideravelmente e ele redefiniu sua vida e redirecionou seus focos e objetivos. Foi por essa época que eu o conheci, na condição de meu aluno, onde tive uma curta experiência como professor de Cultura e História Sergipana. Sobre isto, testemunha:</p>
<blockquote><p><em>Foi ali que reencontrei o sentido dos estudos e redescobri minha confiança. Nesse período, tive o privilégio de ser aluno do Professor Claudefranklin Monteiro, meu professor de História, cuja dedicação, domínio do conteúdo e paixão pelo ensino exerceram profunda influência sobre mim. Sua postura ética e seu compromisso com a formação crítica dos alunos tornaram-se referência em minha caminhada. Posteriormente, também tive a honra de tê-lo como professor na Faculdade — e hoje, ao participar desta entrevista conduzida por ele, sinto-me duplamente honrado. Sua presença em momentos decisivos da minha formação acadêmica é motivo de gratidão e reconhecimento, pois foi, sem dúvida, uma inspiração determinante na construção da minha identidade como educador.</em></p></blockquote>
<figure id="attachment_100744" aria-describedby="caption-attachment-100744" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-100744" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-300x300.jpg" alt="Professor Ricardo André de Souza" width="300" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-768x768.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100744" class="wp-caption-text">Professor Ricardo André de Souza conta sua história</figcaption></figure>
<p>Em 2002, Ricardo André, embevecido pelo conhecimento, concluiu o curso de Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, instituição cearense que, durante alguns anos, ofertou turmas no município de Lagarto, ampliando o acesso ao ensino superior para muitos estudantes da região. Nesse ínterim, entrou em contato mais profundo com o pensamento do educador Paulo Freire (1921-1997), cuja pedagogia crítica e método de alfabetização transformaram sua maneira de compreender a educação. Ele se apaixonou por sua visão humanizadora, dialógica e libertadora sobre o processo educativo.</p>
<blockquote><p><em>Suas concepções tornaram-se minha maior referência teórica e prática. Considero-me, portanto, “freiriano”, procurando aplicar em meu fazer pedagógico os princípios do diálogo, da consciência crítica e da educação como prática de liberdade. O curso de Pedagogia não apenas me concedeu um diploma, mas ampliou minha compreensão sobre o papel social da escola e sobre a responsabilidade ética que acompanha o exercício do magistério.</em></p></blockquote>
<p>Em 2010, retornou ao Nível Superior onde fez a Licenciatura em História pela Faculdade José Augusto Vieira (fundada em 2024, atualmente desativada). A escolha pela História dialogava com sua paixão pela disciplina e com a influência de mestres que marcaram sua formação, fortalecendo nele o desejo de contribuir para a construção de uma consciência histórica e crítica nos seus alunos.</p>
<p>Sobre as instituições que lhe permitiram uma formação superior, ressalta:</p>
<blockquote><p><em>É verdade que nenhuma das duas instituições era considerada de ponta ou amplamente reconhecida no cenário nacional. Contudo, foram elas que me acolheram, me formaram e me proporcionaram as bases teóricas e práticas necessárias para o exercício da docência. Mais do que diplomas, essas experiências acadêmicas ajudaram a construir minha identidade como educador, moldaram minha visão de mundo e me capacitaram a exercer o magistério com dignidade, compromisso e responsabilidade social.</em></p>
<p><em>Entendo que a grandeza de uma formação não está apenas no prestígio institucional, mas na seriedade do processo formativo e na disposição do estudante em aproveitar as oportunidades que lhe são oferecidas. Foi assim que essas instituições se tornaram parte essencial da minha caminhada profissional e da missão que abracei na educação.</em></p></blockquote>
<p>Profissionalmente, as primeiras oportunidades logo lhe apareceram e ele abraçou com afinco. Em 1998, foi aprovado no concurso público do município de Lagarto para o cargo de professor.  Alguns anos depois, em 2004, prestou concurso, desta feita, para a rede estadual de ensino e obteve nova aprovação. Tornar-se professor consolidou a sua carreira e ampliou sua responsabilidade como educador.</p>
<blockquote><p><em>Ao longo desse tempo, uma experiência tem sido especialmente significativa: hoje ensino filhos de ex-alunos, o que me faz perceber concretamente o quanto estou envelhecendo (risos), a passagem das gerações e a extensão do trabalho realizado ao longo dos anos. É profundamente gratificante também encontrar ex-alunos na rua ou em outros espaços e ser abordado com carinho, gratidão e respeito. Esses encontros espontâneos são, para mim, uma das maiores recompensas da profissão, pois revelam que o trabalho realizado deixou marcas positivas.</em></p></blockquote>
<p>Para além de professor e educador consagrado, sua trajetória de vida é marcada pela fé. Com 11 anos, tornou-se membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, após participar de uma série de estudos bíblicos em um evangelismo público realizado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, em sua cidade natal. Segundo ele, “(&#8230;) <em>um acontecimento marcante que deu um significado ainda mais profundo à minha infância</em>”.  Com os estudos das Escrituras, convenceu-se de que os ensinos e as crenças adventistas estavam em harmonia com a Bíblia.</p>
<figure id="attachment_100748" aria-describedby="caption-attachment-100748" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-100748" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-300x225.jpg" alt="Ricardo, o adventista" width="300" height="225" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-300x225.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-1024x768.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-768x576.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-1536x1152.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100748" class="wp-caption-text">Ricardo, o adventista</figcaption></figure>
<p>Aos 12 anos, no dia 17 de agosto de 1985, decidiu batizar-se. Em tenra idade, tinha a firme convicção de que estava tomando a melhor decisão da sua vida. Sentia claramente que Cristo o conduzia em seus passos naquela escolha. “<em>Aquele foi um dos dias mais felizes da minha trajetória, um marco que ficou gravado de maneira indelével em minha história”, </em>destaca.</p>
<p>Ao longo dessa caminhada de fé, teve a oportunidade de servir à Igreja em diferentes funções, sempre procurando fazê-lo com dedicação, espírito de serviço e senso de responsabilidade cristã. Exerceu o cargo de ancião na Igreja Lagarto I (2000 a 2008), e posteriormente na Igreja Central de Lagarto (2010 a 2019). Na estrutura da Igreja Adventista, o ancião é um líder leigo eleito pela comunidade local para auxiliar o pastor na condução espiritual da igreja. Entre suas atribuições estão o cuidado pastoral dos membros, a participação na liderança administrativa, a pregação da Palavra, a coordenação de atividades religiosas e o fortalecimento da unidade e da missão da igreja. Trata-se de uma função de elevada responsabilidade espiritual, que exige equilíbrio, testemunho cristão e compromisso com os princípios bíblicos.</p>
<p>Ainda na Igreja Adventista, atuou como Diretor de Publicações e como Diretor do Minicentro de Pesquisas Ellen G. White da IASD Central de Lagarto, entre 2016 e 2020. Nessas funções, trabalhou incentivando a leitura e a circulação de literatura cristã, bem como promovendo o estudo dos escritos de Ellen G. White (1987-1915), reconhecida pelos adventistas como uma das pioneiras do movimento e importante voz na orientação espiritual e educacional da igreja. Atualmente, serve como líder de Pequeno Grupo e professor da Escola Sabatina. Nessas atividades, dedica-se ao fortalecimento espiritual dos membros, à promoção do estudo sistemático da Bíblia e ao incentivo à comunhão e à missão. “<em>Para mim, servir à igreja não é apenas ocupar cargos, mas participar ativamente da construção de uma comunidade de fé comprometida com o evangelho e com a esperança cristã</em>”.</p>
<p>A essa altura, sobretudo quem conhece Ricardo André, está se questionando: o que fez um homem de formação familiar sólida e adventista optar por orientações e posicionamentos políticos de esquerda? As respostas tornam esse personagem ainda mais fascinante, confirmando, com sua vida, que coisas como fé e política / fé e ciência podem conviver harmonicamente e gerar frutos positivos para o mundo.</p>
<blockquote><p><em>Quando alcancei a adolescência, por volta dos 16 anos, passei a ser tomado por inquietações profundas de natureza social. Eu havia nascido e crescido em um bairro periférico da cidade de Cabo de Santo Agostinho, onde a pobreza era uma realidade cotidiana. Centenas de crianças e jovens viviam em situação de vulnerabilidade social, convivendo com limitações materiais, poucas oportunidades e perspectivas reduzidas de ascensão social. Ao me dar conta desse cenário, começaram a surgir perguntas que não me deixavam em paz: por que alguns acumulam riqueza enquanto outros mal têm o necessário para viver? Por que uns podem estudar até a universidade e outros precisam trabalhar desde cedo para ajudar no sustento da família? É justo que poucos tenham tanto e muitos tenham tão pouco? De onde vêm as desigualdades sociais?</em></p></blockquote>
<p>O professor Ricardo André adota como referência teórico-metodológica o materialismo histórico, procurando interpretar os fatos a partir das relações de classe, das condições materiais de existência e das disputas por direitos e reconhecimento profissional. Mais do que descrever eventos, ele procura evidenciar as determinações estruturais que influenciaram a organização coletiva dos professores, compreendendo o movimento sindical como expressão concreta das tensões e conflitos presentes na sociedade.</p>
<figure id="attachment_100749" aria-describedby="caption-attachment-100749" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante-.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-100749" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante--300x221.jpg" alt="Militante do Sintese" width="300" height="221" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante--300x221.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante--768x565.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante-.jpg 978w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100749" class="wp-caption-text">Militante do Sintese</figcaption></figure>
<p>Dois anos após a sua aprovação no concurso do Município de Lagarto, sentiu a necessidade de se filiar ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (SINTESE), tornando-se um militante comprometido. Em 2008, tornou-se dirigente sindical. Entre 2008 e 2010, exerceu a função de Delegado Sindical da base estadual. Desde 2022, exerce o cargo de Diretor Regional do Departamento de Base Estadual do SINTESE.</p>
<p>Afora isso, é militante negro, coordenando o núcleo do Movimento Negro Unificado em Lagarto, desde o ano passado.</p>
<p>Ainda sobre como ele consegue conciliar esquerda e religião, destaca:</p>
<blockquote><p><em>Particularmente, não vejo contradição alguma entre minha fé cristã e o desejo de viver em uma sociedade que não esteja alicerçada na exploração de uma classe por outra — prática que, à luz da Bíblia, é expressão do pecado. A própria tradição profética do Antigo Testamento denuncia com vigor as injustiças sociais. No capítulo 1 do livro de Isaías, por exemplo, encontramos uma severa repreensão à corrupção e à rebeldia de Israel. Embora o povo mantivesse uma religiosidade formal, seus líderes exploravam os mais vulneráveis e se enriqueciam às custas dos pobres. Deus, por meio do profeta, conclama o povo ao arrependimento e à prática concreta da justiça: “Aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva” (Is 1:17). A promessa de perdão estava vinculada a uma mudança real de postura diante da injustiça.</em></p></blockquote>
<p>Tal como eu, quem quiser conhecer um pouco mais sobre como pensa o professor, o sindicalista, o cristão, o político e o historiador Ricardo André de Souza, recomendo suas atividades em ambientes digitais. Ele mantém o blog “<em>A Verdade Como é em Jesus</em>”, espaço no qual publica artigos de caráter religioso fundamentados nas Sagradas Escrituras. “<em>Trata-se de um ambiente de reflexão teológica e espiritual, onde procuro expor, de maneira clara e fundamentada, minhas convicções de fé, dialogando com temas bíblicos, doutrinários e contemporâneos à luz da Palavra de Deus</em>”. O blog nasceu do seu desejo de compartilhar conhecimento, fortalecer a fé cristã e contribuir para um debate respeitoso e edificante sobre questões religiosas.</p>
<p>É, ainda, bastante ativo nas redes sociais, especialmente no Facebook e no Instagram. Nessas plataformas, manifesta sua opinião sobre acontecimentos políticos, sociais e religiosos que ganham repercussão nacional. Procura sempre fundamentar suas análises em argumentos consistentes, buscando estimular a reflexão crítica e o diálogo responsável.</p>
<blockquote><p><em>Meu propósito ao utilizar esses espaços digitais não é apenas expressar posicionamentos pessoais, mas também contribuir para o enfrentamento da desinformação e para a promoção de debates mais qualificados. Entendo que, no contexto atual, marcado pela circulação rápida de informações e opiniões, é fundamental exercitar a responsabilidade intelectual e ética na comunicação pública.</em></p></blockquote>
<p>Ricardo André é casado com a lagartense Ana Cláudia de Santana Souza, desde o dia 29 de setembro de 2002. Dessa união, nasceu em 29 de dezembro de 2006, o filho único, Martin Luther King Santana Souza. “<em>Ele é a expressão mais bela do nosso amor e, para mim, o negro mais bonito de toda a cidade</em>”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong>Fontes e Referências: </strong></p>
<p><strong><br />
</strong>Entrevista com Ricardo André de Souza, por Claudefranklin Monteiro Santos. Lagarto-SE, 21 de fevereiro de 2026.</p>
<p>Blog <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://averdade-emjesus.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener">A Verdade Como é em Jesus</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/ricardoandresouza/" target="_blank" rel="noopener">@ricardoandresouza</a></span></p>
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		<title>Encontro com a escritora Priscilla Navas</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/encontro-com-a-escritora-priscilla-navas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 13:22:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Na última terça-feira, 11, tive a grata satisfação de participar de mais uma edição do projeto Encontro com o Escritor, a convite de Beneti Nascimento, coordenador de Assuntos Culturais da Escola do Legislativo de Sergipe, cujo patrono é João de Seixas Dória. Na oportunidade, com muita alegria, lancei &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a última terça-feira, 11, tive a grata satisfação de participar de mais uma edição do projeto <em>Encontro com o Escritor</em>, a convite de Beneti Nascimento, coordenador de Assuntos Culturais da Escola do Legislativo de Sergipe, cujo patrono é João de Seixas Dória. Na oportunidade, com muita alegria, lancei o livro “<em>Memórias em tons de verde e rosa – um perfil biográfico de José Cláudio Monteiro Santos (1954-2005)</em>”, uma homenagem que faço ao meu irmão mais velho, que foi por mais de trinta anos professor da rede pública de ensino de Sergipe, tendo ocupado cargos de direção escolar e de direção regional de educação, além de ter sido vereador por Lagarto entre os anos 1982 e 1988.</p>
<p>Para além disto, pude conhecer pessoalmente um dos mais novos talentos da cultura e da literatura sergipana, Priscilla Navas, autora dos livros “<em>Versos para acalmar o vento</em>” (2025) e “<em>Mulher ausente – derivações quase poéticas</em>” (2026). Poetisa e cronista, Navas dividiu aquele espaço comigo numa manhã leve e repleta de sentimentos, que foram da nostalgia da memória histórica e afetiva à emoção da cultura letrada. Como não acredito em coincidência, mas sim em providência, quis Deus que meu encontro com a autora, num dia em que eu lançava uma obra de um familiar muito amado, pudesse ser com alguém com quem tenho origens comuns, visto que a poetisa é neta de uma prima carnal de meu pai.</p>
<figure id="attachment_100550" aria-describedby="caption-attachment-100550" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-100550 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100.jpg" alt="" width="1280" height="719" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100.jpg 1280w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100-300x169.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100-1024x575.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100550" class="wp-caption-text">Priscilla Navas e Caudefranklin Monteiro na Escola do Legislativo, em Aracaju</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Priscilla Barreto Menezes Navas nasceu em Aracaju, no dia 28 de agosto de 1982. É filha de Pedro Menezes e Mara Rubia Menezes, pais, também, de Pedro Henrique Menezes. Ela fez toda a sua formação básica na capital sergipana, tendo estudado no Colégio Patrocínio de São José (até 4ª série), no Pueri Pax (a 5ª série), no Colégio Brasília (as 6ª e 7ª séries) e no Colégio Dinâmico (a 8ª série e metade do 1º ano do ensino médio, concluindo-o no Colégio Master. No ano de 2000, iniciou duas formações no Ensino Superior. Parou com o Jornalismo e seguiu somente com o Direito a partir de 2002, colando grau em fevereiro de 2005. É casada com Nirival Navas Neto, desde outubro de 2006, com quem teve as filhas Alice (2013) e Elisa (2015).</p>

			</div></div>
<p>Mas o que teria feito Priscilla Navas, uma mulher do Direito, escrever prosa e poesia e, portanto, se aventurar no campo literário? Vejamos:</p>
<blockquote><p><em>“Acho que sempre fui escritora, mas não declarada. Em 2020 comecei a levar mais a sério o que produzia, fiz cursos de escrita criativa, oficinas, participei de clubes de livro e fui ganhando mais familiaridade com este mundo, que também era meu, mas do qual eu vivi desconectada muitos anos”.</em></p></blockquote>
<p>Entre as poetisas que influenciaram a autora, destaque para Hilda Hilt, Silvia Plath, Cecília Meireles no passado; e numa literatura contemporânea mais do tempo presente: Aline Bei, Liana Ferraz, Lília Guerra, Paula Gicovate. “<em>Preponderantemente é a escrita de mulheres que me arrebata</em>”, afirma Priscilla.</p>
<p>Na dedicatória que me fez no livro “<em>Versos para acalmar o vento”, </em>é possível perceber e atestar a veia sensível da poetisa, quando diz<em>: “Para o primo Claudefranklin com muito carinho. Estes versos não acalmam ventos, mas espero que naveguem gentilmente seus mares de dentro</em>”. A obra é prefaciada por Alessandra Cavalcante Vasconcellos e composta por dezenas de versos, divididos em quatro capítulos: Desamar, Arrumar, (Me) Amar e Amar, ao longo de densas 196 páginas. Destaque para o que chamo de versos de fôlego curto (meus prediletos, seja no fazer, seja no ler), dado que exigem toda uma capacidade de síntese criativa para dizer, em poucas linhas, muita coisa, como no poema a seguir, na página 126:</p>
<p style="text-align: left;"><div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p style="text-align: center;"><em>escrevo lacunas e insignificâncias</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>para enxergar o brilho</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>dos meus desacontecimentos</em></p>

			</div></div>
<p>A autora repete o mesmo talento e toda a sua sutileza e singularidade poéticas no livro “<em>Mulher ausente – derivações quase poéticas”. </em>Entre os poemas, dou especial atenção a “<em>Infinita</em>” (p. 64): “<em>Contar a história da vida que não houve é dizer do tempo enlutado. / Todo dia sepultar aquele amanhã grávido de possibilidades</em>”. Este tipo de poema axiomático é uma das características da autora, nesta e na obra anterior. Prefaciado por Kelly Juste, esta segunda é dividida em duas partes, cada uma delas introduzidas por trechos de dois ícones da música popular brasileira: Cartola e Gonzaguinha.</p>
<p>A propósito da divulgação de “<em>Mulher ausente – derivações quase poéticas” </em>pela editora Patuá Epp (São Paulo), muito apropriadamente a instituição assim define a escritora sergipana e sua obra:</p>
<blockquote><p><em>Sua escrita transita entre delicadeza e densidade, explorando ausências que moldam e fragmentos que constroem inteirezas. Como autora contemporânea, Priscilla consolida uma voz feminina que transforma inquietação em linguagem e faz da palavra um gesto de resistência e permanência.</em></p></blockquote>
<p>Servidora pública do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, de 2005 a 2008, e atualmente do Ministério Público Federal, Priscilla Navas está entre as melhores poetisas da fornada mais recente da literatura sergipana, sem sombra de dúvidas. Sua presença no cenário cultural de nossa gente, além de ser motivo de muita satisfação para aqueles que torcem pelo fomento de novos talentos, se torna de igual modo um ponto a mais para o processo de empoderamento das mulheres no campo da arte literária, mais de perto da poética.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Clérigos sergipanos em terras alagoanas &#8211; O padre Allan Themistocles Galdino Ferreira</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/clerigos-sergipanos-em-terras-alagoanas-o-padre-allan-themistocles-galdino-ferreira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 12:39:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos &#160; Antes da criação do Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Aracaju, no dia 4 de abril de 1913, é sabido que a formação de padres sergipanos acontecia, primordialmente, na capital baiana. Ou mesmo, conforme nos apresenta a historiadora Raylane Andreza Dias Navarro Barreto (2011), no Seminário de João Pessoa &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>ntes da criação do Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Aracaju, no dia 4 de abril de 1913, é sabido que a formação de padres sergipanos acontecia, primordialmente, na capital baiana. Ou mesmo, conforme nos apresenta a historiadora Raylane Andreza Dias Navarro Barreto (2011), no Seminário de João Pessoa (PB). No Seminário de Nossa Senhora da Assunção (Maceió-AL), de igual modo, a exemplo do padre Floduardo de Brito (aracajuano, 1892-1929), que por lá estudou entre os anos 1907 e 1913.</p>
<p>Segundo Raylane Navarro (2012), tanto a Diocese de Alagoas (1900), quanto a Diocese de Aracaju (1910) nasceram num contexto de implantação do regime republicano no Brasil, quando da chamada “política de estadualização” (Miceli, 1988), empreendida pela Igreja Católica naquele início de século XX. Trata-se da “luta pela reconquista do espaço”, em razão da separação entre Igreja e Estado, por intermédio da Constituição Brasileira de 1891.</p>
<p>Entre os padres alagoanos com passagem pelo Seminário Sagrado Coração de Jesus, destaque para Avelar Brandão Vilela (natural de Viçosa, 1912-1986). Foi aluno da instituição entre 1931 e 1933, concluindo seus estudos em Olinda, em 1935. Aqui em Sergipe, retornando como padre, deu início a uma carreira clerical promissora, tendo sido professor e responsável pelas vocações sacerdotais na capital sergipana, redator do jornal <em><i>A Cruzada</i></em>, entre outros, e sagrado bispo de Petrolina, na Catedral de Aracaju, pelas mãos de dom José Thomas, em 1946.</p>
<p>O Seminário Maior Arquidiocesano Nossa Senhora da Assunção, em Maceió, foi criado em 15 de fevereiro de 1903 e inaugurado em 15 de fevereiro de 1904, por dom Antônio Manuel de Castilho Brandão, o primeiro bispo de Alagoas. Para além do padre Brito, num tempo recente, estudaram nesta instituição: da Diocese de Aracaju, o padre Melquíades de Jesus (Paróquia Santa Tereza d´Ávila; padre João Bosco Lima; e da Diocese de Estância, os padres José Adinaldo Pereira (Pároco da Paróquia de São Francisco de Assis – Estância), José Ediberto Lima (pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem – Samambaia/Tobias Barreto) e padre Raimundo Soares Diniz. Além de Boaventura e Ronildo (que deixaram o ministério) e dos padres falecidos Raimundo da Silva Leal (ex-prefeito de Cristinápolis) e Carlos Roberto Santana Prata. Entre os padres sergipanos ordenados em Maceió, tive notícia de dois casos. O cônego João José de Santana Neto, filho de Simão Dias (1999) e o cônego Walfran Fonseca da Silva, natural de Tomar do Geru.</p>
<p>Entre os lagartenses, até o fechamento do presente texto, encontrei três a quatro situações. Dom Paulo Celso Dias do Nascimento (bispo da Diocese de Itaguaí-RJ), que esteve no Seminário Maior Arquidiocesano Nossa Senhora da Assunção entre 1986 e a metade de 1987. O diácono permanente, Edvanio de Jesus Nascimento (Paróquia de Santa Luzia da Colônia Treze / Lagarto), que, quando seminarista (de fevereiro a dezembro de 2001), fez parte do propedêutico. E dessa mesma turma, o padre Izaias dos Santos Goes (que deixou o ministério, é casado, professor e mora em Indiaroba-SE) Segundo o diácono Edvanio, muitos outros filhos de Sergipe estiveram por aquela mesma época em Maceió, alguns hoje sacerdotes, outros não mais, sem falar naqueles que saíram do seminário ainda no propedêutico, a exemplo do também lagartense, Hélio Ribeiro.</p>
<p>Na manhã do último dia primeiro de agosto, mais um capítulo dessa história Alagoas-Sergipe foi escrito com galhardia. Refiro-me à ordenação sacerdotal do jovem <strong><b>Allan Themístocles Galdino Ferreira</b></strong>. A solenidade aconteceu na Catedral Metropolitana de Maceió (Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres), sob a presidência de dom Carlos Alberto Breis Pereira. Na oportunidade, ocorreu a abertura do Ano Sacerdotal Arquidiocesano, com o lema “<em><i>Eu vos darei pastores segundo o meu coração</i></em>” (Jr 3.15). Eu estive presente, ao lado dos familiares e amigos do neossacerdote, e pude testemunhar aquele momento, que enche os sergipanos e a nós lagartenses de muito orgulho e de alegria. Registro, também, a presença do padre Josimar Araújo (Pároco da Paróquia Espírito Santo – Indiaroba/SE).</p>
<figure id="attachment_100427" aria-describedby="caption-attachment-100427" style="width: 288px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786017802873-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-100427" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786017802873-288x300.jpg" alt="Padre Alan Dino" width="288" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786017802873-288x300.jpg 288w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786017802873-983x1024.jpg 983w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786017802873-768x800.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786017802873-1475x1536.jpg 1475w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786017802873-1966x2048.jpg 1966w" sizes="auto, (max-width: 288px) 100vw, 288px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100427" class="wp-caption-text">Padre Allan Dino</figcaption></figure>
<p>O padre Allan Dino, como é conhecido, nasceu em Lagarto no dia 29 de agosto de 1986. É filho de Paulo Jacobsson Inácio Ferreira (PE) e Edneuza Galdino Ferreira (AL), pais também de seu Richard Herald. Toda a sua formação básica foi realizada em terra natal: Unidade Pré-Escolar Mons. Marinho (1992-1993) e Colégio Estadual Sílvio Romero (1994-2001), o Ensino Fundamental; e Centro Federal de Educação Tecnológica de Sergipe (2002-2005 &#8211; Médio e Técnico em Construção Civil).</p>
<p>Foi meu aluno na Universidade Federal de Sergipe, formando-se em Licenciatura em História (2009) e Mestre em História (2019), com a defesa da dissertação “<em><i>Da Janela à Alcova: a Literatura Urbana Alencariana e as Estratégias Amorosas no Rio de Janeiro Oitocentista</i></em> (1856-1875)”, sob a orientação do Prof. Dr. Antonio Lindvaldo Sousa. Tive a honra de compor esta banca. Ainda no Nível Superior, fez as seguintes especializações: Educação Inclusiva (Fama/2011); História do Brasil (UCAM/2016) e Bíblia (UniItalo/2026).</p>
<p>Antes de se decidir pelo sacerdócio, profissionalmente, foi bancário na Caixa Econômica Federal e Oficial Administrativo do Governo de Sergipe. Aprovado em concurso público, tornou-se servidor da Universidade Federal de Sergipe.</p>
<p>Sua formação e atuação pastoral ocorreu na Paróquia Nossa Senhora da Piedade, onde foi batizado, fez a Primeira Comunhão e o Crisma, esta última no dia 19 de dezembro de 2001. Ali, foi Catequista de Crisma (2012-2020), fez parte da equipe de Liturgia e do Conselho Missionário Paroquial (COMIPA).</p>
<p>Sobre sua vocação, afirma:</p>
<blockquote><p><em><i> Foi uma verdadeira surpresa. Percebi aos 27 anos, já com carreira consolidada como servidor público federal. Foram anos de discernimento até a decisão de enfrentar o desafio e me submeter à formação eclesiástica. Padre Josimar Araújo foi uma peça fundamental no processo de discernimento. Deus foi misericordioso e providente. E cá estou, para servir.</i></em></p></blockquote>
<p>Depois de três meses no propedêutico da Diocese de Estância, partiu para Maceió, em 2017. Parou um tempo, para concluir o Mestrado, retornando em definitivo em 2020. Sobre esta decisão, afirma: <em><i>Eu precisei ir para outras terras, fora de meu contexto de trabalho, para facilitar minha concentração na nova vida. E Maceió surgiu providencialmente</i></em>. Ali, graduou-se em Filosofia (2020) e em Teologia (2024), no Seminário Arquidiocesano da capital alagoana. Teve como seu diretor espiritual, o padre Francisco Calheiros</p>
<p>Nesta quinta-feira, 6 de agosto, padre Allan Dino presidiu sua primeira missa em Lagarto, no Santuário Nossa Senhora da Piedade. Entre os presentes, de Maceió, os padres James Patrick e Lucas Cordeiro (que fez a pregação, com menções ao neo presbítero) e os diáconos Felipe e Macdowell. Fazendo as honras da casa, os padres Rodrigo Fraga e Paulo César. Presente, também, o padre Ueliton (da Paróquia de Santa Luzia do Alto da Boa Vista). Feliz da vida, sorriso franco e largo, de orelha a orelha, visivelmente emocionado, por estar ali, sob as bênçãos da Virgem Mãe, louvando a Deus e servindo no altar e na Igreja de Vosso Santo Filho. Ao ser questionado sobre sua expectativa a respeito da vida sacerdotal, afirma: <em><i>Servir e amar, de acordo com a vontade de Deus.</i></em></p>
<p><strong><b>Referências</b></strong></p>
<p>BARRETO, Andreza Dias Navarro. <strong><b>A formação de padres no Nordeste do Brasil (1894-1933)</b></strong>. Natal-RN: Editora da UFRN, 2011.</p>
<p>___________. <strong><b>Os padres de Dom José: O Seminário Sagrado Coração de Jesus (1913-1933)</b></strong>. Maceió-AL: Edufal, 2012.</p>
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		<title>O fiel e as mulheres</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-fiel-e-as-mulheres/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2026 12:55:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[Abraão]]></category>
		<category><![CDATA[Criador]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
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<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ara, Hagar, Rebeca, Lia e Raquel. O que há de comum na história dessas importantes mulheres do Antigo Testamento? Uma promessa. Um Deus amoroso e presente, que por meio de nossas existências não cessa de se revelar desde a criação dos nossos primeiros ancestrais, agindo em nossa história, ao passo que, também, nos deixa livres para tomarmos as nossas decisões e fazermos as nossas escolhas.</p>
<p>As trajetórias de vida dessas cinco mulheres deixam claro que elas estão longe de serem do tipo sexo frágil. Elas exerceram uma significativa influência nas decisões e ações de homens como Abraão, Isaac e Jacó. E de igual modo, em Esaú, Benjamin e José, o José do Egito, entre outros. Histórias comuns que se interconectam, colaborando não somente para a formação de um povo, como também de uma fé em um Deus único, capaz de mudar os destinos da história, com reflexos imediatos no tempo presente.</p>
<p>Sara e Hagar estão às voltas com a vida de Abraão, o pai da fé, como ficou conhecido. Tendo ouvido a voz de Deus, que lhe deu uma incumbência, partiu para a Terra Prometida, Canaã, a fim de iniciar o processo de afirmação de uma aliança entre o Criador e a criação, rompida com a desobediência de Adão e Eva. Sara, a mulher que não se curvava para ninguém, sequer a um homem, mas apenas para Deus, foi provada até os últimos dias de sua vida, para que nela se cumprisse a promessa que Deus fez a Abraão, gerando um filho em idade avançada: Isaac.</p>
<p>Antes disso, Sara também foi teimosa e impaciente, fazendo a serva egípcia Hagar deitar-se com Abraão e deste relacionamento gerar Ismael. Nesse particular, vemos que Deus respeita as nossas escolhas e atitudes, mas deixa claro que cada um é responsável por suas ações. O compromisso Dele era com Abraão e Sara e, portanto, o filho da promessa não era o primogênito, Ismael, mas Isaac. E disso decorre mais uma contenda entre irmãos, como já havíamos visto com Abel e Caim, embora o desfecho não tenha sido o mesmo.</p>
<p>Rebeca e Isaac tiveram filhos gêmeos. Esaú e Jacó. A julgar pelo direito da primogenitura, Esaú, impulsivo e inconsequente, seria o herdeiro do pai e continuador das promessas de Deus a Abraão (<em>farei seus descendentes tão numerosos quanto as estrelas</em>). Mas, a vontade de Deus era outra e manifestou isto não a Isaac, que preferia Esaú, mas a Rebeca. E esta teve que enfrentar inúmeras dificuldades, incompreensões, para fazer valer a vontade de Deus, que entendia que Jacó fosse mais talhado para a liderança.</p>
<p>Rebeca valeu-se até mesmo da astúcia para cumprir os designíos divinos, na famosa passagem bíblica de Gênesis 27, em que Isaac, cego e doente, abençoa Jacó achando que era Esaú. Episódio que forçou Jacó ao exílio, para as terras de origem dos avós (Sara e Abraão), o lugarejo de Harã (antiga região da Mesopotâmia, atual Síria). Ali, Jacó conheceu duas mulheres de fibra: Lia e Raquel (<em>duas irmãs, um só coração</em>, como costumavam dizer uma para a outra).</p>
<p>Jacó ficará muito tempo dividido entre o amor que Lia lhe tinha e o amor que ele tinha por Raquel. Com ambas, teve nove de seus doze/treze filhos. Com Lia, Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom e Diná, única fêmea da prole. Com Raquel, José e Benjamim, deste último, ela morreu no parto. Sem falar nas servas Bila (serva de Raquel e mãe de Dã e Naftali), e Zilpa (serva de Lia e mãe Gade de Aser).</p>
<p>Ao contrário de Caim e Abel, em que o primeiro matou o segundo, entre Esaú e Jacó (que depois virou Israel e fundou as doze tribos do povo judeu) e Raquel e Lia, depois de longa e ruidosa contenda, eles se conciliaram amorosamente e fizeram orgulhosos vossos pais e a Deus. Por isso, Ele não se fez de rogado em abençoar a todos eles e a todas elas, sendo-lhes Fiel, apesar de suas infidelidades, inclusive no que diz respeito às relações sexuais poligâmicas, tão comuns naquela época e só regulamentadas com os Dez Mandamentos.</p>
<p>Fato é que, Sara, Hagar, Rebeca, Lia e Raquel devem ser observadas com um olhar mais atento e menos misógino em nosso tempo. Mulheres destemidas e fortes, mas ao mesmo tempo, tementes a Deus, capazes de colaborar, tanto quanto os homens, nos desígnios de Deus para a humanidade, que sempre foram e serão os melhores possíveis, ainda que isto fira e confunda a lógica e a razão humanas.</p>
<p>A representação dessas mulheres fascinantes está presente na mais nova série da Netflix: &#8220;<a href="https://www.netflix.com/br-en/title/82646328" target="_blank" rel="noopener"><span style="color: #008000;"><em>The Faithful</em></span><span style="color: #000000;">&#8220;</span></a> (2026), com destaque para sua sinopse que diz: “<em>Histórias de família, amor, ciúme e poder sob a perspectiva das célebres matriarcas do Livro de Gênesis da Bíblia</em>”. Estrelada por atores e atrizes conceituados, como Alexa Davalos (de Fúria de Titãs, 2010) e Ben Robson (Herói da Liberdade, 2020), a série procura manter a fidelidade com a narrativa bíblica, mas ao mesmo tempo permite fazer uso da licença artística para contar, de forma fascinante, histórias que colaboraram, sobremaneira, para o empoderamento da figura feminina, ainda tão questionado em nosso tempo, passados tantos séculos.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Do Festival da Mandioca à Sombra da Jaqueira &#8211; marcos identitários do povo lagartense</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/do-festival-da-mandioca-a-sombra-da-jaqueira-marcos-identitarios-do-povo-lagartense/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 12:28:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Quando publiquei meu primeiro livro, Centrifugação (poema), em 1999, afora o poeta Assuero Cardoso, somente haviam enveredado por esta seara, até aquela presente data, os grandes nomes da cultura lagartense de tempos remotos e de tempos recentes, a exemplo de Sílvio Romero, Laudelino Freire, Abelardo Romero, Luiz &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">Q</span>uando publiquei meu primeiro livro, <em><i>Centrifugação</i></em> (poema), em 1999, afora o poeta Assuero Cardoso, somente haviam enveredado por esta seara, até aquela presente data, os grandes nomes da cultura lagartense de tempos remotos e de tempos recentes, a exemplo de Sílvio Romero, Laudelino Freire, Abelardo Romero, Luiz Antonio Barreto, Aglaé d´Ávila e Beatriz Gois Dantas. De lá para cá, a cultura livresca e os lançamentos de livros se tornaram comuns na cidade de Lagarto. Embora, ainda precisemos melhorar muito no que diz respeito à cultura da leitura e, também, na frequência e participação nesse tipo de evento.</p>
<p>Diante disso, pode-se hoje falar, sem sombra de dúvidas, da existência de uma historiografia lagartense consolidada, bem como de uma literatura do mesmo gênero, seja em profusão, seja em qualidade e compromisso com a cultura local. Isto, particularmente, me alegra, pois não me sinto mais sozinho e cheguei à grata conclusão de que estamos num bom caminho, sobretudo no que se refere ao nosso amadurecimento intelectual, artístico, educacional e cultural, além da promoção do saber e do saber fazer. Que a máxima do livro que diz que, na estante de um lagartense, livro só serve para decorar ou para juntar poeira caia por terra, em definitivo.</p>
<figure id="attachment_100134" aria-describedby="caption-attachment-100134" style="width: 952px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Captura-de-tela-2026-07-24-074559.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-100134 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Captura-de-tela-2026-07-24-074559.png" alt="" width="952" height="706" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Captura-de-tela-2026-07-24-074559.png 952w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Captura-de-tela-2026-07-24-074559-300x222.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Captura-de-tela-2026-07-24-074559-768x570.png 768w" sizes="auto, (max-width: 952px) 100vw, 952px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100134" class="wp-caption-text">Autores e organizador do livro Na Sombra da Jaqueira: da esquerda para a direita, Jean Francisco, José Canoa, Roberta, Yasmin, Catarina, André e Rita</figcaption></figure>
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<p>Dito isto, na última sexta-feira, dia 17 de julho, no Rotary Club de Lagarto, foram lançados dois livros de uma só vez: <em><i>Na sombra da jaqueira</i></em> e <em><i>Festival da Mandioca (Lagarto-SE), uma ideia que ficou na história</i></em>. O primeiro foi organizado pela Profª Drª Rita de Cássia Barcellos Bittencourt, docente da Universidade Federal de Sergipe (Campus Lagarto). A obra reúne textos de seis autores, a saber: André Barbosa de Santana, Catarina da Costa Santos de Alexandria, José Canoa dos Santos, Roberta Amaral de Jesus Santos, Jean Francisco Oliveira Souza e Yasmim Carvalho Freitas de Figueiredo.</p>
<p>Fiquei lisonjeado com as referências feitas à minha pesquisa histórica local nos textos de Rita de Cássia Barcellos Bittencourt (Uma breve história de Lagarto) e de Catarina da Costa de Alexandria (Lagarto: coração do centro sul sergipano).  <em><i>Na sombra da jaqueira </i></em>discorre, ainda, sobre temáticas como o termo “papa-jaca” (alcunha identitária do povo lagartense), a presença da África em Lagarto (Quilombolas e outros), Taieira, Parafusos e outras manifestações folclóricas, iguarias (a exemplo da maniçoba), musicalidade, silibrina e quadrilhas e festas juninas. Como se vê, notadamente, uma análise sobre a cultura popular local, em seus aspectos diversos.</p>
<p>Há algum tempo, venho sendo acionado e provocado para discorrer sobre o Festival da Mandioca, como em reportagem recente feita pelos alunos do curso de Jornalismo da UFS, intitulada <a href="https://portalcontextoufs.wixsite.com/zonacontexto/post/cultura-local-ou-tradi%C3%A7%C3%A3o-inventada" target="_blank" rel="noopener"><span style="color: #008000;">Cultura local ou tradição</span> </a><em><span style="color: #008000;">inventada?<span style="color: #000000;">;</span></span></em> e, entre tantos escritos a respeito, destaco um artigo que publiquei no portal <em><i>Lagarto Notícias</i></em> para pontuar a importância do saudoso José Valmir Monteiro para este evento  &#8211;<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.lagartonoticias.com.br/2024/06/06/festival-da-mandioca-para-lagarto-se-a-valmir-monteiro-o-que-e-de-valmir-monteiro/" target="_blank" rel="noopener"> Festival da Mandioca &#8211; Para Lagarto-SE, a Valmir Monteiro o que é de Valmir Monteiro</a></span>. Na ocasião, faço, inclusive, um apanhado histórico do festival.</p>
<p>Pedro Ivo Luís de Andrade, fotógrafo profissional da <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.facebook.com/people/Impact-Formaturas/100065221191779/#" target="_blank" rel="noopener">Impact Formaturas e Fotografias</a></span> (Lagarto-SE) é organizador da segunda obra que cito neste texto: <em><i>Festival da Mandioca (Lagarto-SE), uma ideia que ficou na história. </i></em>Obra que conta com as participações e textos de André Barbosa de Santana e Catarina da Costa Santos de Alexandria, responsáveis, também, pela pesquisa histórica. O livro é um primor visual, contendo imagens marcantes do festival e com fotografias, em estúdio, das Rainhas da Mandioca, incluindo um portfólio biográfico para cada uma delas. Vale destacar que o festival surgiu em 2008, graças a iniciativa dos jovens André Barbosa, George da Colosso e do empresário Charles Brício, estes últimos estiveram presentes ao evento, quando puderam dar seu testemunho e estimular a continuidade e valorização do evento, independentemente da cor político-partidária que esteja à frente da gestão municipal. Dado que, o Festival da Mandioca, hoje, além de ser apartidário, é um marco identitário significativo de nossa gente.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Entre as inúmeras pessoas presentes ao lançamento das obras, num evento bastante concorrido, além deste que vos escreve, destaco o professor Rusel Barroso, o empresário Charles Brício (como já disse) e sua esposa, Elciane, o vereador Josivaldo da Equoterapia, Matheus Corrêa e a ex-prefeita de Lagarto, Hilda Ribeiro. Foi uma noite muito intensa e movimentada, na qual pudemos, além de prestigiar as novas publicações e seus autores e autoras, também as apresentações da Banda Arrasta Pé, do Grupo Folclórico Parafusos e da Quadrilha Unidos em Arrasta Pé, além da abertura da exposição fotográfica Rainhas, de Érica Karem e curadoria de André Barbosa.</p>

			</div></div>
<p>Reitero meus cumprimentos a todos os envolvidos nestes projetos, de igual modo aos familiares, parceiros e colaboradores, e ressalto, como última observação, que as publicações destas obras só foram possíveis em razão do financiamento público da cultura brasileira, por meio de recursos federais disponibilizados pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Projeto este, que só em Lagarto, nos últimos dois anos, promoveu lançamentos de outras obras, peças teatrais, audiovisuais, performances musicais, entre outros produtos culturais que tornam a cidade de Lagarto ainda mais pujante no cenário sergipano e nacional.</p>
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		<title>Laços fraternos entre a Cidade Ternura e a Princesa do Sertão</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/lacos-fraternos-entre-a-cidade-ternura-e-a-princesa-do-sertao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 10:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; A relação entre Sergipe e Bahia, em outros tempos, nem sempre foi das melhores. Não somente por conta do processo de emancipação política do primeiro para com o segundo, sacramentando-se no dia 8 de julho de 1820, mas também em função das querelas envolvendo disputas por limites &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">A</span> relação entre Sergipe e Bahia, em outros tempos, nem sempre foi das melhores. Não somente por conta do processo de emancipação política do primeiro para com o segundo, sacramentando-se no dia 8 de julho de 1820, mas também em função das querelas envolvendo disputas por limites e territórios. Mas, o tempo aparou as arestas e, mais irmanados, ao longo das últimas décadas, têm vivido momentos de irmandade e de afeto mútuo.</p>
<p>Eu, particularmente, inúmeras vezes já atestei isso nas oportunidades em que tive que escrever algo a respeito, sendo um dos agraciados com esta acolhida do povo baiano. Primeiro, da relação de amizade (para além dos estudos que desenvolvo) com a família Macêdo, mais de perto com a turma do Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar. Em seguida, por pessoas que Deus colocou em minha vida que agregaram valor à minha existência e tornaram a minha carreira acadêmica ainda mais promissora e feliz, a exemplo dos professores Cândido da Costa e Silva (falecido em 2025), Anselmo Ferreira Machado Carvalho e Milton Araújo Moura.</p>
<p>Definitivamente, “<em><i>A Bahia me deu régua e compasso</i></em>” (Gilberto Gil, 1969). E nessa toada, além de me acolher como sócio correspondente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), sediado em Salvador, agora também, com muita generosidade, me dá a graça de fazer parte de uma das suas mais expressivas instituições culturais, a exemplo da Academia Feirense de Letras, de igual modo, na condição de membro correspondente. Instituição esta que celebra agora, em 2026, seu primeiro meio século de fundação, sob a promissora presidência do médico, Dr. João Batista de Cerqueira.</p>
<p>Feira de Santana, cuja alcunha é a “Princesa do Sertão” (Ruy Barbosa, 1919), é uma das principais cidades baianas. Recentemente, tive a oportunidade de perscrutar um pouco de sua história, em razão da pesquisa e da publicação do livro que fiz em torno da trajetória de vida do professor e pastor Josué da Silva Mello (<em><i>O Poder Libertador da Escola</i></em>, 2023). Na cidade desde o dia 8 de janeiro de 1965, aonde chegou com sua esposa Tecla e a primeira filha do casal (Cilene), Josué Mello é a melhor representação e atestado de afeição entre Sergipe e Bahia. Sem deixar de mencionar, claro, casos de tempos distantes, como os de Thetis Nunes e José Calasans, e até mesmo contemporâneos, a exemplo do centenário médico Dr. Geraldo Leite.</p>
<p>O professor Josué Mello mora até a presente data em Feira de Santana (onde nasceu Susana, a segunda filha do casal). Ele é natural de Lagarto (cuja alcunha, mais remota, é a <em><i>Cidade Ternura</i></em> – hoje <em><i>Capital Nacional da Vaquejada</i></em>). Coube a ele, portanto, firmar este laço de fraternidade entre nós, os papa-jacas, com a “Princesa do Sertão”. Não bastasse tomar conta de um de nós com tanto cuidado e zelo, agora também me acolhe como vosso filho adotivo, no colo e no coração das letras feirenses, tão bem representada por intelectuais de relevo e envergadura nacionais, com talentos e habilidades que as colocam na condição de possuir um dos mais significativos sodalícios do país.</p>
<figure id="attachment_99995" aria-describedby="caption-attachment-99995" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Design-sem-nome-17.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99995 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Design-sem-nome-17.jpg" alt="Academia Feirense de Letras" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Design-sem-nome-17.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Design-sem-nome-17-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Design-sem-nome-17-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Design-sem-nome-17-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Design-sem-nome-17-660x330.jpg 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99995" class="wp-caption-text">Evento concorrido da posse de novos membros da Academia Feirense de Letras</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nesse clima de harmonia e congraçamento entre identidades, transcorreu, na noite do último dia 10 de julho, numa solenidade leve, serena e bastante concorrida, a posse de novos membros da Academia Feirense de Letras, nas dependências do belíssimo Casarão Fróes da Motta.</p>
<blockquote><p>Entre os <strong>efetivos</strong>: Adel Ruy Dantas de Cerqueira, Carlos Kruschewsky de Miranda, Dimas Boaventura de Oliveira, Laila Geovana Moreira Beirão, José de Assis Freitas Filho, Jucélia Figueredo da Silva, conhecida como Celiah Zaiin, e Weslley Moreira de Almeida. E entre os <strong>correspondentes</strong>, além deste que vos escreve: Mwewa Lumbwe, Múleka Dítoka wa Kalenga, Aleilton Fonseca, Celeste Andrade, Ricardo Carvalho, Lícia Soares de Souza, Wesley Correia, Palmira Heine, Karine Teixeira Damasceno, Liomar Pereira da Silva, George Saad, Cécile Dolisane Ebosse Nyambe, Marie-Rose Abomo-Maurin, Mohamed Mahiout, Karine Rouquet e Vahid Nejad Mohammand.</p></blockquote>
<p>A mim, só me resta agradecer por tamanha generosidade do povo feirense. Em tempo, também parabenizar a Academia Feirense de Letras por alcançar 50 anos de existência, tão bem consolidada, atuante e importante no fomento de políticas públicas de salvaguarda do patrimônio cultural local e baiano, notadamente, o arquitetônico e o histórico, mas, de modo muito especial, na propagação da cultura livresca, no hábito da leitura e no pensar Feira de Santana como lugar de memória, morada do saber humano e ponte para o devir.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Degenal de Jesus da Silva – Novas perspectivas históricas sobre a educação na Primeira República a brasileira</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/edegenal-de-jesus-da-silva-novas-perspectivas-historicas-sobre-a-educacao-na-primeira-republica-a-brasileira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 11:37:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; São 512 páginas muito bem escritas, cirurgicamente fundamentadas e ricas em informações sobre um dos períodos históricos mais estudados no campo da historiografia brasileira, sobretudo quando o assunto é instrução escolar, notadamente, pública. Em seu novo livro, A  PRIMEIRA REPÚBLICA E SEUS INVISÍVEIS, o Prof. Dr. Degenal &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ão 512 páginas muito bem escritas, cirurgicamente fundamentadas e ricas em informações sobre um dos períodos históricos mais estudados no campo da historiografia brasileira, sobretudo quando o assunto é instrução escolar, notadamente, pública. Em seu novo livro, A  PRIMEIRA REPÚBLICA E SEUS INVISÍVEIS, o <strong><b>Prof. Dr. Degenal de Jesus da Silva</b></strong> foca a sua atenção, desta feita, nos trabalhadores e em outros grupos sociais na busca por reconhecimento nas festas cívicas do Brasil (1890-1930).</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<blockquote><p>Natural de Aracaju (em 18 de dezembro de 1982), é filho de Reinaldo Gomes da Silva (in memoriam) e Rita Francisca de Jesus. Fez toda a sua formação básica em Lagarto, como aluno da rede pública municipal e do antigo CEFET (atualmente, Instituto Federal de Sergipe – IFS). Notabilizou-se por sua dedicação aos estudos, dono de uma lhaneza sem igual e de uma capacidade toda singular de se comunicar e de expressar suas ideias, seja oralmente, seja por escrito.</p></blockquote>

			</div></div>
<p>Tive a satisfação de ser seu professor em três oportunidades diferentes. Primeiro, no Ensino Fundamental, em Lagarto, no Colégio Municipal Frei Cristóvão de Santo Hilário. Depois, no Curso de Licenciatura em História da Faculdade José Augusto Vieira, entre os anos de 2004 e 2009, também em Lagarto. Ali, pude testemunhar seu crescimento e amadurecimento intelectual. Na FJAV, esteve aos cuidados do Prof. Dr. Magno Francisco de Jesus, que o encaminhou à pesquisa sobre História da Educação.</p>
<p>Aliás, em 2024, Magno Francisco, eu, Degenal e o professor João Paulo Gama, organizamos e publicamos o livro “<em><i>Temas de História da Educação no Brasil</i></em>”, que além de contar com textos de nossa autoria, teve a participação de inúmeros pesquisadores de algumas partes do país, a exemplo de São Paulo, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Pernambuco e Pará. É comercializado nacionalmente pelas principais plataformas.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Dionisio-Republicano.webp"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-99790 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Dionisio-Republicano-209x300.webp" alt="" width="174" height="249" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Dionisio-Republicano-209x300.webp 209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Dionisio-Republicano.webp 348w" sizes="auto, (max-width: 174px) 100vw, 174px" /></a>Mais tarde, a vida tornou a me presentear com a sua convivência, desta feita como seu orientador no Mestrado em História da Universidade Federal de Sergipe, quando, em 2015, defendeu com galhardia a dissertação <strong><b>Dionísio Republicano: as Festas dos Grupos Escolares Sergipanos e os Outros Olhares (1911-1930)</b></strong>. Em 2021, a pesquisa foi publicada em formato de livro, o qual tive a honra de apresentar. Neste trabalho, Degenal pontuou sua contribuição no campo da historiografia sergipana e alçou voos ainda maiores.</p>
<p>É especialista em História do Brasil pela Faculdade PIO X (2012) e doutor em História pela Universidade Federal  de Juiz de Fora (2025), tendo sido orientado pela Profª Drª Cláudia Viscari. Nesta instituição, esteve plenamente envolvido nas atividades do grupo de pesquisa do Laboratório de História e Política Social, sob a coordenação do Prof. Dr. Odilon Caldeira Neto. Foi ali que ele gestou o livro que ora apresento, mote da apresentação do presente texto.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/A-Primeira-Republica-e-os-seus-invisiveis.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-99789 aligncenter" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/A-Primeira-Republica-e-os-seus-invisiveis-203x300.jpg" alt="" width="231" height="341" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/A-Primeira-Republica-e-os-seus-invisiveis-203x300.jpg 203w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/A-Primeira-Republica-e-os-seus-invisiveis.jpg 675w" sizes="auto, (max-width: 231px) 100vw, 231px" /></a></p>
<p>Dividido em sete capítulos, A PRIMEIRA REPÚBLICA E SEUS INVISÍVEIS se propõe a analisar a dinâmica social que emergiu com a Proclamação da República no Brasil, tendo como aporte investigativo e lugar de investigação as festas institucionalizadas pelo novo regime, de modo particular as festas cívicas (de que ele já havia tratado tão bem no primeiro livro). Para tanto, vale-se de um conceito muito importante, qual seja o da invisibilidade social dos grupos subalternos e alijados pelo Estado da noção e projeto de pátria, nação, sociedade, entre outros.</p>
<p>Polígrafo, sem ser divagante, erudido sem ser chato e enfadonho, ou mesmo cabotino, Degenal de Jesus da Silva atravessa o período que vai do ano de 1890 a 1930, em seu  A PRIMEIRA REPÚBLICA E SEUS INVISÍVEIS, dando conta de deslindar seu objeto de pesquisa de forma muito pertinente e eficiente, valendo-se da discussão sobre as festas cívicas daquele Brasil, das festas cívicas em Sergipe, apurando a sua lente para os grupos escolares da época de Graccho Cardoso.</p>
<p>O livro é um deleite para quem se aventura a lê-lo, pois há que se ter fôlego para a empreitada. Mas, Degenal colabora em muito, com uma escrita objetiva, analítica é bem verdade, e ao mesmo tempo fluida, capaz de prender a atenção do leitor, seja ele interessado na temática, acadêmico ou até mesmo não necessariamente desse matiz. A obra é ilustrada com imagens, fontes jornalísticas e também tabelas, que ajudam em sua compreensão.</p>

			</div></div>
<p>Nós agradecemos ao jovem Prof. Dr. Degenal de Jesus da Silva, que de forma tão honrosa nos representa muito bem na seara dos estudos sobre História da Educação no Brasil e em Sergipe. Seu novo livro, sem sombra de dúvidas, não demorará muito para estar entre os mais importantes dos últimos anos, sobre o assunto ao qual ele se propôs a debater e provocar novas investidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Paulo Corrêa, Forró Caju e o País do Forró</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/paulo-correa-forro-caju-e-o-pais-do-forro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 10:59:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Em 2021, a convite dos professores Dilton Cândido Santos Maynard e Vivian Cruz Monteiro, escrevi um capítulo para o livro por eles organizado, “Lugares, personagens e outras coisas de Sergipe”. No texto “Forró Caju (festa)”, às páginas 102 e 103, para além de uma explicação semântica do &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpaulo-correa-forro-caju-e-o-pais-do-forro%2F&amp;linkname=Paulo%20Corr%C3%AAa%2C%20Forr%C3%B3%20Caju%20e%20o%20Pa%C3%ADs%20do%20Forr%C3%B3" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpaulo-correa-forro-caju-e-o-pais-do-forro%2F&amp;linkname=Paulo%20Corr%C3%AAa%2C%20Forr%C3%B3%20Caju%20e%20o%20Pa%C3%ADs%20do%20Forr%C3%B3" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpaulo-correa-forro-caju-e-o-pais-do-forro%2F&amp;linkname=Paulo%20Corr%C3%AAa%2C%20Forr%C3%B3%20Caju%20e%20o%20Pa%C3%ADs%20do%20Forr%C3%B3" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpaulo-correa-forro-caju-e-o-pais-do-forro%2F&amp;linkname=Paulo%20Corr%C3%AAa%2C%20Forr%C3%B3%20Caju%20e%20o%20Pa%C3%ADs%20do%20Forr%C3%B3" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpaulo-correa-forro-caju-e-o-pais-do-forro%2F&#038;title=Paulo%20Corr%C3%AAa%2C%20Forr%C3%B3%20Caju%20e%20o%20Pa%C3%ADs%20do%20Forr%C3%B3" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/paulo-correa-forro-caju-e-o-pais-do-forro/" data-a2a-title="Paulo Corrêa, Forró Caju e o País do Forró"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>m 2021, a convite dos professores Dilton Cândido Santos Maynard e Vivian Cruz Monteiro, escrevi um capítulo para o livro por eles organizado, “<em><i>Lugares, personagens e outras coisas de Sergipe</i></em>”. No texto “Forró Caju (festa)”, às páginas 102 e 103, para além de uma explicação semântica do termo, pude me aprofundar em sua trajetória histórica, cujo pontapé se deu no ano de 1993. Iniciado de forma módica, o evento ganhou proporções gigantes e, a partir do ano 2000, se consolidou na região dos mercados da cidade de Aracaju com um grande espetáculo.</p>
<p>Minha primeira vez no “Forró Caju” aconteceu no último dia 26 de junho. Por incrível que pareça, mesmo conhecendo a festa em sua teoria e residindo em Sergipe, nunca havia vivido a experiência de estar nos espaços reservados e cuidadosamente preparados para os amantes da cultura nordestina. Na oportunidade, fomos (eu e minha esposa, a professora Patrícia Monteiro) gentilmente e carinhosamente acolhidos pelo casal Paulo Corrêa e Kaline Elizabete. Foi uma noite agradabilíssima, na qual pudemos viver momentos significativos e marcantes de diversão, identidade, sociabilidades e pertença.</p>
<p><strong><b>Paulo Corrêa Sobrinho</b></strong> é natural de Lagarto, filho do carismático comerciante e político José Corrêa Sobrinho (falecido em 2015) e que foi casado por 63 anos com a senhora Orlette. Paulo é jornalista, produtor cultural, pesquisador da música popular brasileira e da música nordestina. Dono de um carisma todo singular, construiu ao longo dos anos uma biografia digna de reconhecimento e de aplausos, à frente da idealização de projetos importantes, tais como “Marinete do Forró” e “Fórum de Forró de Aracaju” (até a presente data, com dezenove edições), afora o Programa “Nação Nordestina”, que vai ao ar pela Rádio Aperipê FM, 106.1, nas manhãs de domingo, das 08h às 10h.</p>
<p>Paulo Corrêa é secretário municipal de Cultura de Aracaju há cerca de um ano, na gestão de sua irmã, a prefeita Emília Corrêa, e tem feito um hercúleo trabalho à frente da pasta, criada em maio de 2025. Esta foi a primeira vez que ele esteve presente no processo de montagem e discussão do Forró Caju, segundo ele, iniciado com a realização do “Fórum de Forró de Aracaju”, que teve como tema &#8220;Cancioneiro da Resistência&#8221;. Na oportunidade, prestou-se homenagem aos cantores e compositores Flávio José e Sergival.</p>
<p>Para Paulo Corrêa, foi um grande desafio realizar mais uma edição do Forró Caju. Embora saibamos que não é só a Secretaria Municipal de Cultura que toma todas as decisões, ele lutou e não abriu mão para que o evento pudesse seguir dando valor à cultura nordestina e aos talentos de nossa terra. Nesse sentido, além das atrações nacionais de grande apelo popular, um enorme diferencial da festa, além de sua descentralização (levando a festa para alguns bairros da capital), certamente, foi o “Barracão Clemilda”. Por ali passaram e se apresentaram no palco “Gerson Filho”, inúmeros artistas locais e também de outras partes do país, ao som do forró pé de serra.</p>
<figure id="attachment_99642" aria-describedby="caption-attachment-99642" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Barracao-Clemilda-e-Palco-Gerson-Filho-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99642 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Barracao-Clemilda-e-Palco-Gerson-Filho-scaled.jpg" alt="Barracão Clemilda e Palco Gérson Filho" width="2560" height="1922" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Barracao-Clemilda-e-Palco-Gerson-Filho-scaled.jpg 2560w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Barracao-Clemilda-e-Palco-Gerson-Filho-300x225.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Barracao-Clemilda-e-Palco-Gerson-Filho-1024x769.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Barracao-Clemilda-e-Palco-Gerson-Filho-768x577.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Barracao-Clemilda-e-Palco-Gerson-Filho-1536x1153.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Barracao-Clemilda-e-Palco-Gerson-Filho-2048x1537.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99642" class="wp-caption-text">Barracão Clemilda e Palco Gérson Filho</figcaption></figure>
<p>O “Barracão Clemilda” (em homenagem à cantora sergipana de forró), localizado na conhecida “Passarela das Flores”, nos Mercados Centrais de Aracaju, é um lugar para antropólogos, sociólogos e historiadores se deliciarem, graças aos diversos tipos humanos que por ali passam e frequentam o espaço para dançar e se divertir. Realmente, um espaço democrático, onde ricos e pobres, gêneros, etnias e condições sociais diversas se reúnem para celebrar os Santos Juninos.</p>
<p>Como lagartense, amante da cultura e entusiasta da história musical do Nordeste, Paulo Corrêa agregou à festa seu entusiasmo e sua conhecida dedicação pelo assunto. Aliás, isso é típico de nós, os lagartenses: emprestar mais viço e vida a tudo a que nos prontificamos a fazer ou pelo que somos demandados. E quando o assunto é cultura, então. O mesmo não podemos dizer, infelizmente, do nosso tradicional “Festival da Mandioca” deste ano, prejudicado pelas querelas político-partidárias locais e, também por uma certa falta de planejamento e organização, coisas das quais Aracaju dá aula e show.</p>
<figure id="attachment_99641" aria-describedby="caption-attachment-99641" style="width: 1922px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Claudefranklin-Monteiro-Dorgival-Dantas-e-Patricia-Monteiro-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-99641 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Claudefranklin-Monteiro-Dorgival-Dantas-e-Patricia-Monteiro-scaled.jpg" alt="Claudefranklin Monteiro, Dorgival Dantas e Patrícia Monteiro" width="1922" height="2560" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Claudefranklin-Monteiro-Dorgival-Dantas-e-Patricia-Monteiro-scaled.jpg 1922w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Claudefranklin-Monteiro-Dorgival-Dantas-e-Patricia-Monteiro-225x300.jpg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Claudefranklin-Monteiro-Dorgival-Dantas-e-Patricia-Monteiro-769x1024.jpg 769w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Claudefranklin-Monteiro-Dorgival-Dantas-e-Patricia-Monteiro-768x1023.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Claudefranklin-Monteiro-Dorgival-Dantas-e-Patricia-Monteiro-1153x1536.jpg 1153w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/07/Claudefranklin-Monteiro-Dorgival-Dantas-e-Patricia-Monteiro-1538x2048.jpg 1538w" sizes="auto, (max-width: 1922px) 100vw, 1922px" /></a><figcaption id="caption-attachment-99641" class="wp-caption-text">Claudefranklin Monteiro, Dorgival Dantas e Patrícia Monteiro</figcaption></figure>
<p>E por falar em show, não poderia encerrar este texto sem mencionar a apresentação do cantor potiguar, Dorgival Dantas naquela noite. Que encanto! Que exemplo de simplicidade e talento juntos. Tive o privilegiado de fazer um registro fotográfico com ele e, também, de trocar algumas ideias. Uma figura singular, que respira a cultura nordestina e nos presenteia com sua genialidade, seja no canto, seja na performance no palco, como também pelo nível (alto nível) de suas canções, que deram a ele a merecida alcunha de “poeta”.</p>
<p>Que venham outras edições do “Forró Caju”. No Estado que é considerado o país do forró (assim batizado e sacramentado pelo saudoso cantor sergipano Rogério, 1957-2014), sua capital não poderia ser diferente. Para além do “Arraiá do Povo” (orla de Atalaia, promovido pelo Governo de Sergipe), o tradicional evento aracajuano se apresenta como a joia de nossas festas juninas, mantendo vivo, seja pela resistência, seja pela resiliência, o melhor do talento de nosso povo.</p>
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