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	<title>Arquivo para Outras palavras - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 23 Oct 2026 13:03:26 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Toda forma de poder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 13:03:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[cultura brasileira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Há quarenta anos, a banda Engenheiros do Hawaii lançava o seu primeiro disco, intitulado “Longe demais das capitais”. Além de sucessos como “Todo mundo é uma ilha”, “Segurança” e “Beijos pra torcida”, o álbum se destacou pela canção “Toda forma de poder”, de autoria do vocalista e &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/toda-forma-de-poder/">Toda forma de poder</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftoda-forma-de-poder%2F&amp;linkname=Toda%20forma%20de%20poder" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftoda-forma-de-poder%2F&amp;linkname=Toda%20forma%20de%20poder" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftoda-forma-de-poder%2F&amp;linkname=Toda%20forma%20de%20poder" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftoda-forma-de-poder%2F&amp;linkname=Toda%20forma%20de%20poder" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftoda-forma-de-poder%2F&#038;title=Toda%20forma%20de%20poder" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/toda-forma-de-poder/" data-a2a-title="Toda forma de poder"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á quarenta anos, a banda <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/engenheirosdohawaii/?hl=pt-br" target="_blank" rel="noopener"><strong><em>Engenheiros do Hawaii</em></strong></a></span> lançava o seu primeiro disco, intitulado “<em>Longe demais das capitais</em>”. Além de sucessos como “<em>Todo mundo é uma ilha</em>”, “<em>Segurança</em>” e “<em>Beijos pra torcida</em>”, o álbum se destacou pela canção “<em>Toda forma de poder</em>”, de autoria do vocalista e líder do grupo, Huberto Gessinger. Ele, Marcelo Pitz e Augusto Licks (formação original) entraram para a história do rock nacional com melodias provocativas e reflexivas, todas elas ainda bastante atuais.</p>
<figure id="attachment_102139" aria-describedby="caption-attachment-102139" style="width: 259px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35.jpeg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-102139 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35-220x300.jpeg" alt="Historiadora Wanessa Fonseca" width="259" height="353" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35-220x300.jpeg 220w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35-751x1024.jpeg 751w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35-768x1047.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35.jpeg 868w" sizes="(max-width: 259px) 100vw, 259px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102139" class="wp-caption-text">Historiadora Wanessa Fonseca: trabalho de conclusão de curso sobre Engenheiros do Hawaii Foto: Acervo pessoal</figcaption></figure>
<p>Fundado em 1985, <em>Engenheiros do Hawaii</em> surgiu num contexto de transição de um regime autoritário para um regime democrático no Brasil. Nesse sentido, recomendo a leitura do trabalho de conclusão de curso da professora e historiadora Wanessa Fonseca de Goes (Licenciatura em História da Universidade Federal de Sergipe, 2019): <em>Por que o mundo não acabou nos anos 80: Engenheiros do Hawaii e a narrativa histórica de uma época. </em>Em sua pesquisa, ela mostra como o grupo se utiliza de suas letras e canções para traduzir a história do país e do mundo, como na lendária canção <em>O Papa é pop</em> (1990).</p>
<p>À época do surgimento da banda gaúcha, eu estava saindo da infância e entrando na adolescência. Foi um tempo de grande efervescência cultural, notadamente no campo da cultura pop, cuja realização da primeira edição do <em>Rock in Rio</em> (1985) foi um divisor de águas. Reprimida por vinte anos, a criatividade do povo brasileiro, particularmente da juventude, explodiu com outros grupos, a exemplo de Legião Urbana, Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e RPM. Todos eles dizendo, cantando e gritando, em alto e bom som: DITADURA NUNCA MAIS!</p>
<p>Eu cresci nesse ambiente e pude experimentar o que é viver num país democrático. E, nesse sentido, a canção <em>Toda Forma de Poder</em> e tantas outras da banda <em>Engenheiros do Hawaii</em> têm muito a nos dizer, em especial nas vésperas da realização do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, onde, em jogo, não estão apenas duas candidaturas (uma de esquerda e outra de extrema direita), mas o destino da democracia brasileira. Estaria ela, após quarenta anos, fadada a ser colocada novamente em escanteio em nome de mais uma aventura autoritária?</p>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Para além de discorrermos um pouco mais sobre <em>Toda Forma de Poder</em>, vale ressaltar outras passagens icônicas da discografia do grupo, que incluem doze discos, a saber:  Longe Demais das Capitais (1986); A Revolta dos Dândis (1987); Ouça o Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém (1988); O Papa É Pop (1990); Várias Variáveis (1991); Gessinger, Licks &amp; Maltz (1992); Filmes de Guerra, Canções de Amor (1993); Simples de Coração (1995); Minuano (1997); !Tchau Radar! (1999); Surfando Karmas &amp; DNA (2001); Dançando no Campo Minado (2003).</p>

			</div></div>
<p>Destes, estão entre meus prediletos <em>O Papa É Pop</em> e <em>Várias Variáveis</em>, álbuns que trazem versos incríveis como:</p>
<blockquote><p>“<em>Em livros de história / Seremos a memória dos dias que virão / Se é que eles virão</em>”; “<em>Todo mundo é moderno como um relógio antigo</em>”; “<em>Somos suspeitos de um crime perfeito / Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos</em>”; “<em>Toda catedral é populista / É macumba pra turista</em>”; “<em>Na visão da macro-história nada gera um general / A visão do microscópio é o ópio do trivial</em>”; “<em>O povo pena, mas não para</em>”; “<em>A pátria à flor da pele, pede passagem</em>”; “<em>Campos desertos que não geram pão / Onde a ganância anda de rédeas soltas</em>” e “<em>Nas grande cidades de um país violento / Os muros e as grades nos protegem de quase tudo</em>”.</p></blockquote>
<p>Em <em>A Violência Travestida faz seu Trottoir</em>, a presença sutil da violência nas mais diversas situações da vida, como em “<em>Armas de brinquedo, medo de brincar</em>”. Em <em>Nunca mais Poder</em>, recomendo a leitura de <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://jornaldodiase.com.br/velhas-novidades/" target="_blank" rel="noopener">um artigo de minha autoria</a></span></strong> publicado no Jornal do Dia no dia 23 de agosto de 2020.</p>
<p>Por fim, em <em>Toda Forma de Poder</em>, uma profunda reflexão sobre o poder, suas seduções e consequências, desde “<em>Toda forma de poder /É uma forma de morrer por nad</em>a” a “<em>Toda forma de conduta / Se transforma numa luta armada</em>”. O sucesso da canção foi tema do personagem Raí (Taumaturgo Ferreira), na novela <em>Hipertensão</em> (Globo, 1986). Tocou em todas as emissoras de rádio. Todo jovem em minha idade, ao ouvi-la se sentia empoderado no melhor sentido da palavra. E o sentimento de empoderamento da juventude voltou a ser a tônica de nossos tempos, quando estudantes voltam às ruas para dar novos e velhos recados presentes na letra da canção:</p>
<blockquote><p>“<em>Eu presto atenção no que eles dizem/ Mas eles não dizem nada</em>”; “<em>E eu começo a achar normal que algum boçal / Atire bombas na embaixada</em>”. E, de modo muito particular e especial: “<em>E o fascismo é fascinante/ E deixa gente ignorante fascinada</em>”</p></blockquote>
<p>Se tudo passa, como nos lembra <em>Engenheiros do Hawaii</em> nesta canção, que não tenham sido inúteis todas as lutas pela reconquista e manutenção da democracia no Brasil. Que nem eu, minha geração e tantas outras anteriores a mim, não se esqueçam da importância de se viver num país livre, democrático e justo. Não caiamos na ilusão de que “<em>É tão fácil ir adiante e se esquecer / Que a coisa toda tá errada</em>”. Lembremos, sigamos e lutemos!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sobre a teologia do perdão a leste do Éden</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sobre-a-teologia-do-perdao-a-leste-do-eden/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 12:31:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[A Leste do Éden]]></category>
		<category><![CDATA[Caim e Abel]]></category>
		<category><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></category>
		<category><![CDATA[John Steinbeck]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[rejeição familiar]]></category>
		<category><![CDATA[relações familiares]]></category>
		<category><![CDATA[teologia do perdão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Há no livro de Gênesis, precisamente em seu capítulo 4, a conhecida passagem dos irmãos Caim e Abel, filhos de Adão e Eva. Desta história se depreenderam, ao longo dos anos, inúmeras interpretações e até mesmo equívocos, entre eles o que buscava justificar de forma “religiosa e &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á no livro de Gênesis, precisamente em seu capítulo 4, a conhecida passagem dos irmãos Caim e Abel, filhos de Adão e Eva. Desta história se depreenderam, ao longo dos anos, inúmeras interpretações e até mesmo equívocos, entre eles o que buscava justificar de forma “religiosa e cristã” a escravidão do homem negro africano, pois Deus ao, “amaldiçoar” Caim, o marcou. Afora isso, a própria demonização deste por ter matado o irmão, num ato de fúria.</p>
<figure id="attachment_102005" aria-describedby="caption-attachment-102005" style="width: 282px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-16-081029.png"><img decoding="async" class=" wp-image-102005" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-16-081029-213x300.png" alt="Capa do livro A Leste do Eden" width="282" height="397" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-16-081029-213x300.png 213w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-16-081029.png 487w" sizes="(max-width: 282px) 100vw, 282px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102005" class="wp-caption-text">Capa do livro A Leste do Éden, de John Steinbeck</figcaption></figure>
<p>A série <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.youtube.com/watch?v=-kI117KmYB4" target="_blank" rel="noopener">“A Leste do Éden”</a></span> (Netflix, 2026), baseada no romance homônimo de John Steinbeck (1952), levanta uma reflexão que nos conduz à uma teologia do perdão, que, em grande medida, nos ajuda a entender por que há tantas sedições no mundo e, notadamente, no tempo presente. Talvez as raízes disso tudo estejam não no crime de Caim, mas na rejeição que ele sofreu em razão da oferta que fez a Deus, que não lhe agradou tanto quanto a oferta de Abel.</p>
<p>Mas, antes de prosseguir neste raciocínio, permitam-me tecer algumas considerações sobre a referida obra/série. Como já disse, trata-se de uma adaptação para a televisão, em sete episódios, de um romance. John Steinbeck foi um escritor norte-americano que viveu entre os anos 1902 e 1968, Prêmio Nobel de Literatura em 1962. “A Leste do Éden” está entre as mais importantes de suas obras, que incluem ainda o clássico “As vinhas da ira” (1939).</p>
<p>A série procurou fazer um roteiro que fosse fiel ao original, cuja responsabilidade ficou a cargo de Garth Davis e Laure de Clermont-Tonnerre. Destaque para o talento interpretativo de Zoe Kazan, atriz e escritora norte-americana, 43 anos, no papel de Cathy Ames, em torno da qual gira o enredo da obra, que envolve ainda dois irmãos, Adam Trask (Christopher Abbott) e Charles Trask (Mike Faist), às voltas com os encantos maléficos que a levaram ao mundo da prostituição. Afora os seus filhos gêmeos (Caleb e Aron), que teve com Adam Trask.</p>
<p>Sobre a relação entre a rejeição e as contendas e dilemas que o mundo vive há anos, é importante discorrermos sobre a personagem Cathy Ames, abusada na infância e educada de forma dura e severa pelo pai, que, para a sociedade, fazia as vezes de homem bom e devoto a Deus, preso a princípios e convenções sociais. Na adolescência, Cathy mata os pais e foge de casa para um prostíbulo. A cada ano, sua personalidade só piora, a ponto sofrer graves lesões físicas por tentar passar a perna num cafetão.</p>
<p>Acolhida quase morta por Adam, sob a desconfiança vigilante de seu irmão Charles, Cathy conheceu o amor, mas não fez dele sua redenção. Casa-se com Adam, mas o trai com o irmão. Ao parir os gêmeos, surta e tenta matar o marido, foge e volta à “natureza original” de perversão e maldade. Ao contrário de Adam, que com ajuda do cozinheiro e sábio sino-americano Lee (Hoon Lee), tenta recomeçar a sua vida com seus filhos Caleb e Aron.</p>
<p>Adam, ao contrário de Charles, era o predileto do pai, Cyrus Trask (um veterano da Guerra Civil Americana), rígido e duvidoso eticamente, tendo roubado a pensão de outros veteranos de guerra, mas pousando de herói para a sociedade e para os filhos. Charles e Cathy têm em comum a mesma ideia de rejeição dos pais, o que, pela linha do livro/série, seria responsável por moldar o mau-caratismo de ambos.</p>
<p>Nesse mesmo movimento, estava se dando a trajetória do gêmeo Caleb, preterido por Adam em favor de Aron. Isto, até uma sequência de tragédias pessoais e familiares se abaterem por toda a família Trask, não menos diferente sobre Cathy Ames. Foi a deixa para que o perdão falasse mais alto que a rejeição, quando Caleb recebe a bênção do pai, no leito de morte, à luz da palavra hebraica <em>&#8220;timshel&#8221; </em>(tu podes, Gênesis 4,7):</p>
<blockquote><p><em>“Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se procederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo.”</em></p></blockquote>
<p>A bem da verdade, a grande lição da série/obra está na premissa que diz: <strong><em>não abandone os seus e não faça acepção deles</em></strong>. Sou pai de dois rebentos. Como pai, seria um erro grave e inconsequente amar mais um e desprezar o outro. Os efeitos sobre a vida deste seriam os piores possíveis, em particular se não tiveres a maturidade suficiente para lidar com isso (<em>tu podes</em>).</p>
<p>Há quinze dias de falecer, mãe de sete filhos, minha genitora me disse com abertura de alma que seu predileto era o mais velho, falecido antes dela. Não me senti rejeitado, pois sabia e me sentia amado por ela sempre e desde a tenra idade. Predileção não é um ato que rejeita. No caso dela, totalmente compreensivo por aquele filho que renunciou a tudo para cuidar dela em sua viuvez precoce. Mas, até hoje, fico pensando em como os demais irmãos administrariam aquela declaração dela.</p>
<p>Fato é que a rejeição é nociva, sobretudo na criação dos filhos e no convívio social. A literatura atesta isto e a vida de igual modo, seja por meio do bullying, seja pelo ato de rotular e separar. Já vimos isso, por exemplo, com a história do Patinho Feio (Hans Christian Andersen, 1843), embora o futuro do rejeitado tenha sido o de se tornar cisne. Ao contrário de Cathy e de Charles. E, nesse sentido, poderíamos mergulhar no campo da índole ou da personalidade, nem sempre por si só suficientemente esclarecedores.</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="file:///C:/Users/anton/Downloads/A-Leste-do-Eden-John-Steinbeck.pdf" target="_blank" rel="noopener">“A Leste do Éden”</a> </span>é, portanto, um convite a refletirmos sobre isso. Sobre os perigos da rejeição. E mais, sobre a necessidade da prática da teologia do perdão. Deus, sendo misericordioso, não se agradou da oferta de Caim a fim de rejeitá-lo. Mas da forma como ele ofertou e como reagiu ao “desagrado” do Senhor. Via de regra, a teologia do perdão nos ajuda a enfrentar os demônios das rejeições diversas, sejam aquelas das quais somos vítimas, sejam aquelas que criamos procedendo mal, não dominando nossos impulsos, que muitas vezes dão protagonismo ao patinho feio que insiste em conduzir e determinar o que é rejeição ou aceitação dentro de nós.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O Seminário Nossa Senhora da Conceição e os Meninos que querem ser padres</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-seminario-nossa-senhora-da-conceicao-e-os-meninos-que-querem-ser-padres/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 12:30:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Na última quarta-feira, 7 de outubro, o Seminário Nossa Senhora da Conceição celebrou trinta e dois anos de fundação. Em 2024, dom José Genivaldo Garcia e o professor José Ginaldo de Jesus organizaram e publicaram um livro que fez um importante balanço histórico sobre essa trajetória, de &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a última quarta-feira, 7 de outubro, o Seminário Nossa Senhora da Conceição celebrou trinta e dois anos de fundação. Em 2024, dom José Genivaldo Garcia e o professor José Ginaldo de Jesus organizaram e publicaram um livro que fez um importante balanço histórico sobre essa trajetória, de uma instituição que vem formando sacerdotes com compromisso teológico e zelo pastoral. Da obra “<em>Seminário Maior de Aracaju – 30 anos formando Padres para a Igreja povo de Deus</em>”, destaco uma passagem do texto da Irmã Annete Havenne que ressalta o trabalho incansável dos padres reitores e das equipes de formação, com dedicação e aprofundamento espiritual (p. 66).</p>
<p>Contando com as presenças de inúmeros sacerdotes e leigos, colaboradores seminaristas, do padre Anderson Pina (atual reitor do seminário), e dos bispos de Sergipe, Dom Josafá Menezes da Silva, Dom Jefferson Santos Pinheiro, Dom George Luís Amaral Muniz e Dom José Genivaldo Garcia, a comemoração dos trinta e dois anos da instituição contou com a realização de uma Missa de Ação de Graças, seguida do lançamento do livro “<em>Immaculata Conceptionis: Excetos de Memória Histórica, Filosofia e Teologia – Vol. 1”, </em>organizado por mim, pelo professor José Ginaldo de Jesus e pelo Padre Ronny Dennyson Monteiro Santana.</p>
<figure id="attachment_101858" aria-describedby="caption-attachment-101858" style="width: 207px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Imacullata.webp"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-101858" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Imacullata-207x300.webp" alt="Livro Imacullata" width="207" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Imacullata-207x300.webp 207w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Imacullata.webp 353w" sizes="(max-width: 207px) 100vw, 207px" /></a><figcaption id="caption-attachment-101858" class="wp-caption-text">Capa do livro Immaculata <em>Conceptionis: Excetos de Memória Histórica, Filosofia e Teologia – Vol. 1 </em></figcaption></figure>
<p>A obra, inclusive, reúne cerca de onze textos de seminaristas, a saber: Admilton Barbosa Lima Júnior, Clayton Mateus da Silva, David Sandro Vieira da Silva, Everton de Alencar Santos, Francisco Luan dos Santos, Geová de França Cravo Júnior, Guilherme Garcia dos Santos, Jonielson da Silva Lins, Samuel Moraes Santos Filho, Thiago Rômulo Santos Souza e Yuri Ribeiro de Farias. Além de trabalhos de seus organizadores, do professor Emerson da Silva Santos e de Dom José Genivaldo Garcia.</p>
<p>“<em>Immaculata Conceptionis: Excetos de Memória Histórica, Filosofia e Teologia – Vol. 1 </em>é resultado de uma parceria do Seminário Nossa Senhora da Conceição com a Universidade Federal de Sergipe, que juntos também promovem, anualmente, as edições da Semana de Teologia e da Semana de Filosofia. A ponte entre as duas instituições era feita antes de mim, pelo Prof. Dr. Péricles Andrade. Quando este me convidou para a missão, entendi que era necessário estimular no seminário, entre a equipe formativa e os alunos, o gosto pela cultura livresca e pela produção editorial.</p>
<p>Nesse sentido, além desta obra, o seminário lançou este ano, também, o livro “<em>Meninos que querem ser padres</em>”, organizado pelo Padre Ronny Dennyson Monteiro Santana (diretor acadêmico), que, a exemplo de<em> Immaculata Conceptionis, </em>circula nacionalmente pela editora Dialética, podendo ser adquirido nos principais canais de venda digital, a exemplo da Amazon. Reúne contos e poemas de Admilton Barbosa Lima Júnior, Antônio Marcelo Santos Vieira, Dauãnn Silva Oliveira, Gabriel Santos de Jesus, Jonielson da Silva Lins, Lucas Malta de Souza, Luiz Eduardo Reis Santana, Samuel Santana, Vitor Lima e de seu organizador.</p>
<figure id="attachment_101856" aria-describedby="caption-attachment-101856" style="width: 209px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/52839049-1eb3-4263-8f66-44c2b7d2043e_cover.webp"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-101856" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/52839049-1eb3-4263-8f66-44c2b7d2043e_cover-209x300.webp" alt="Capa do livro" width="209" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/52839049-1eb3-4263-8f66-44c2b7d2043e_cover-209x300.webp 209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/52839049-1eb3-4263-8f66-44c2b7d2043e_cover.webp 357w" sizes="auto, (max-width: 209px) 100vw, 209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-101856" class="wp-caption-text">Capa do livro Meninos que querem ser padres</figcaption></figure>
<p>“<em>Meninos que querem ser padres</em>” é uma corruptela do livro de Antônio Francisco de Jesus (Saracura), “Meninos que não queriam ser padres” (2011). Um romance que gira em torno de um diário secreto de um seminarista, interiorano de Itabaiana-SE, que se viu envolvido com um ambiente (de formação) totalmente diferente do seu, causando-lhe dificuldades de adaptação, dúvidas sobre a vocação e outros embates de ordem emocional e espiritual.</p>
<p>Prefaciado pelo professor José Araújo Filho, “<em>Meninos que querem ser padres</em>” nasceu no contexto de vivência do Clube de Leitura <em>Os Idiotas</em>, do Seminário Nossa Senhora da Conceição, cuja missão, destaca o Padre Ronny, é incentivar os jovens em formação sacerdotal à prática da leitura e da produção de textos. Na obra, seus autores, para além da prosa e da poética, se valem de recursos criativos que vão do cordel ao humor, retratando a cotidianidade de suas vidas, ávidas por encontrar Cristo na missão sacerdotal.</p>
<p>Encerrando seu ciclo de seis anos agora no final de 2026, o Padre Ronny deixa um legado importante e que merece uma continuidade. Sobretudo, se levarmos em consideração a necessidade de agregar valor e valor acadêmico e literário à formação de nossos seminaristas. A leitura e a escrita, para além dos aspectos curriculares obrigatórios (filosóficos e teológicos), colaboram para a humanização destes jovens, calejando-os para os desafios do tempo presente.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Por que desenterrar defunto velho?</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/por-que-desenterrar-defunto-velho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Oct 2026 13:00:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Uma das melhores e mais precisas definições de alienado é a que diz ser uma pessoa afastada da realidade. A poucos dias da eleição que definirá o atual ou o mais novo presidente do Brasil, além de novos e velhos governadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores, &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">U</span>ma das melhores e mais precisas definições de alienado é a que diz ser uma pessoa afastada da realidade. A poucos dias da eleição que definirá o atual ou o mais novo presidente do Brasil, além de novos e velhos governadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores, há, ainda, uma massa considerável de pessoas que está nessa condição, cujos atos podem colocar em risco a democracia, reconquistada a duras penas em meados dos anos oitenta.</p>
<p>Em que pese termos avançado muito nos últimos quarenta anos, um cheiro de carniça insiste em apodrecer o ambiente político do país. Ideias e ideologias que julgávamos sepultadas, ganham vida novamente, saindo dos piores lugares da história, das criptas ao esgoto. O que me admira e me assusta é que em meio a tantas pessoas que defendem a volta da monarquia e da ditadura, por exemplo, têm nível superior e gozam de prestígio social como pessoas cultas e doutas, além de serem “exemplarmente” cristãs. Tementes a Deus, mas ao mesmo tempo flertam com o demônio.</p>
<p>Há uma semana, estive num programa de rádio da Sergimix FM (93,9), cujas atividades iniciaram em dezembro de 2025, com o nome original de Serigy FM. Sua sede é na cidade de Lagarto. Apresentado por Marcos Silva e produzido por Ubiratan Júnior, o quadro <em>Nortecast</em> convida profissionais de diversas áreas para, didaticamente, discorrer sobre uma determinada temática. Minha missão foi tratar do seguinte assunto: “<em>Política sem complicação – como o Brasil funciona</em>?” Na oportunidade, pude falar sobre a importância da política, como ela pode ajudar uma comunidade e um país, o porquê dos jovens e das pessoas de boa índole se desencantarem com a política partidária, e, também, da alienação política e dos extremismos partidários.</p>
<p>Em linhas gerais, vale destacar que dos 137 anos da existência do regime republicano no Brasil, somente nas seguintes situações gozamos de algum tipo de liberdade ou de experiência democrática: 1946-1964 e 1985-2026. Portanto, cerca de 60 anos, apenas. Isto revela que o país tem uma forte tradição autocrática e autoritária. Por isso mesmo, vira e mexe temos que defender a democracia, graças a essa turma que, geralmente, desconhece as consequências de viver sob o medo, a perseguição, a truculência e as armas. E quando não desconhecem, querem impor todas essas coisas à nação.</p>
<p>Em diversas oportunidades, já escrevi sobre os riscos de o país voltar para as mãos de militares e civis radicais, como foi no período de 1964 a 1985. Sob a desculpa de combater o comunismo e impor a ordem para que haja progresso, essa gente acha que é impondo suas vontades e colocando seus interesses pessoais e classistas acima do bem coletivo que vão se resolver os problemas, como os de falta de segurança, carestia, desemprego. Fosse isso verdade, aquele asqueroso momento da história do Brasil teria deixado legados formidáveis de desenvolvimento, de paz e de justiça social. Pelo contrário, até hoje mães e pais e mesmo filhos não sabem o que é ter o direito de velar o corpo de seu ente querido e sequer sepultá-lo decentemente.</p>
<p>Mas, há ainda um outro defunto velho a assombrar o país nos últimos anos. Refiro-me ao nazifascismo. Ideologia totalitária e sanguinária que colocou o mundo em polvorosa na primeira metade do século XX, com dolorosas e traumáticas consequências para a vida humana e para a civilização. Como disse, julgávamos essa praga morta e enterrada faz tempo. Mas, como afirma Umberto Eco (1932-2016):</p>
<blockquote><p>“<em>ainda está ao nosso redor, às vezes em trajes civis</em>”. Por isso mesmo, segue o historiador italiano: “<em>Nosso dever é desmascará-lo e apontar o dedo para cada uma de suas novas formas &#8211; a cada dia, em cada lugar do mundo</em>”.</p></blockquote>
<p>Em especial, chamo a atenção para a máxima “Deus, Pátria e Família”, expressão intimamente e historicamente associada a ideologias de extrema direita. A propósito, disse o papa Leão XIV esta semana que tais ideologias são incompatíveis com os ideais cristãos. Slogan adotado pela Ação Integralista Brasileira (AIB), em 1932, cujo fundador foi Plínio Salgado, “Deus, Pátria e Família” além de se basear no <em>modus operandi</em> nazifascista, sonhava com um Brasil dominado pelo extremismo, pelo totalitarismo, pela ideia de Estado onipotente, militarista e de culto à personalidade.</p>
<p>De “Deus, Pátria e Família”, tão somente a pele a disfarçar o lobo. Trata-se, pois, de uma das maiores ciladas já produzidas pelo ser humano em toda a sua existência. Uma expressão hipócrita, desprovida de Cristianismo no que ele tem de melhor, longe de se preocupar com a nação e tampouco com a família. Um canto de sereia que já arrastou centenas de milhares de pessoas para o inferno. E segue arrastando. De pobres de direita a ricos arrogantes, afora os “tementes” a Deus. Que segue contaminando as instituições e, em particular, a Igreja e a religião Cristã. Já dizia, profeticamente, o papa Paulo VI, em 29 de junho de 1972: “<em>fumaça de satanás entrou por alguma fresta</em>”.</p>
<p>Vejamos um trecho maior que nos dá o contexto dessa afirmação:</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p style="text-align: right;"><em>“…Diríamos que, por alguma fresta misteriosa – não, não é misteriosa; por alguma fresta, a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus. Há dúvida, há incerteza, há problemática, há inquietação, há insatisfação, há confronto”.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>“Não se confia mais na Igreja. Confia-se no primeiro profeta profano que vem nos falar em algum jornal, para correr atrás dele e lhe perguntar se tem a fórmula para a vida verdadeira. Entrou, repito, a dúvida em nossa consciência. E entrou por janelas que deviam estar abertas à luz: a ciência!”.</em></p>

			</div></div>
<p>Enfim, os riscos ainda estão postos em nosso tempo. Segue uma parcela da sociedade a propugnar orgulhosamente a expressão “Deus, Pátria e Família”. Uns, creio eu até mesmo por ignorância. Mas outros, ao que parece ser certo por expressar o que tem de pior em sua índole: ruim e carcomida pela desinteligência, hipocrisia e insensatez. Bem dizia, com toda força, verdade e atualidade Nelson Rodrigues (1912-1980):</p>
<blockquote><p>“<em>Por trás de todo paladino da moral, vive um canalha</em>&#8220;.</p></blockquote>
<p>Por enquanto, as urnas estão aí. A democracia de igual modo. A oportunidade de pôr uma pá de cal em velhos defuntos ainda nos é possível. Quem sabe até incinerá-los para que não sobrem nem as cinzas. Mas, enquanto os vermes não roerem totalmente as carnes podres do sistema, seu fantasma continuará assombrando a nação. Entristece-me a possibilidade real de um dia voltarmos a sermos governados por zumbis da vida política brasileira e mundial. Por gente que, como nos lembra Jesus, são sepulcros caiados: lindos por fora e podres por dentro.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Igreja Católica, democracia e soberania</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/igreja-catolica-democracia-e-soberania/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 10:00:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Análise aborda o papel da Igreja Católica na defesa da democracia e da soberania e as orientações da CNBB para as eleições de 2026 &#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) Frente à constante instrumentalização da religião pela política, notadamente entre alguns segmentos evangélicos, muitos se perguntam se a Igreja Católica também não faz o &#8230;</p>
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<h4 data-pm-slice="1 1 []"><em><span style="color: #008000;">Análise aborda o papel da Igreja Católica na defesa da democracia e da soberania e as orientações da CNBB para as eleições de 2026</span></em></h4>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p data-pm-slice="1 1 []"><span class="dropcap ">F</span>rente à constante instrumentalização da religião pela política, notadamente entre alguns segmentos evangélicos, muitos se perguntam se a Igreja Católica também não faz o mesmo, sobretudo nesta semana em que a instituição, no Brasil, resolveu publicar, como sempre faz quando necessário, diversas manifestações em defesa da democracia e da soberania brasileiras. Isto, ao contrário do que preconiza o Direito Canônico, não significa tomar partido ou indicar alguém que mereça um voto. Nem tampouco, por meio do púlpito e se valendo da Palavra de Deus (como fazem alguns “pastores”), tocar o terror entre os fiéis e, a fórceps, ferindo a liberdade que temos desde a nossa criação, obrigá-los a votar num candidato que se apresenta como o salvador da pátria.</p>
<p>Longe de desobedecer ao Direito Canônico, o que a Igreja Católica fez e faz está expresso na Doutrina Social da Igreja. E mais, reflete as ideias contidas nos Santos Evangelhos, sobretudo de defesa da dignidade humana, garantindo-a para todos, sobretudo para os pobres. E isto passa, obviamente (pelo menos para quem tem o mínimo de sensibilidade e inteligência), pela defesa da democracia e da soberania nacionais. Não pode haver um país livre sem soberania, nem tampouco um país ser soberano em um regime que não seja democrático. E a Igreja Católica, a meu ver, não poderia ficar isenta disso. Se esta postura incomoda quem defende a interferência externa (leia-se, norte-americana) e flerta com ideologias sectárias e autoritárias, reveja urgentemente seu conceito de católico. Pois, no seguimento de Jesus, não há lugar para quem faz acepção de pessoas, propaga o ódio, divide a sociedade e as famílias, julga e condena e pratica o farisaísmo.</p>
<p>Entre as diretrizes apresentadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.cnbb.org.br/" target="_blank" rel="noopener">CNBB</a></span>), para as eleições de 2026, destacam-se: a neutralidade partidária; a política como lugar da prática da caridade; o voto consciente, com vistas a desestimular a abstenção. Nesse particular, entende a Igreja que abster-se do processo eleitoral pode dar espaço para soluções nada cristãs, embora revestidas como tais. Além disso, como venho dizendo, a defesa da democracia brasileira, fazendo um apelo para a necessidade urgente de se respeitar a Constituição, reforçando a independência dos poderes e a integridade de nosso processo eleitoral, por meio das urnas eletrônicas (constantemente questionadas por um segmento político-partidário).</p>
<p>A CNBB também denuncia práticas como a corrupção, a compra de votos, os abusos de poder econômico e político, o uso indevido dos recursos públicos e a disseminação de fake news. Todas deveriam ser, conscientemente, vistas por nós cristãos, independentemente de sermos católicos ou não, como coisas que não emanam de Deus. E aqueles que delas fazem uso para chegar ou se manter no poder são tão diabólicos quanto o próprio diabo, mas, em geral, se apresentam como pessoas de bem, tementes a Deus e defensoras dos bons costumes e da família.</p>
<p>Além disso, a CNBB chama a atenção para os critérios de discernimento que o eleitor deve cultivar na hora de decidir sobre seu voto. Deve analisar a trajetória e o histórico do candidato, verificar se ele que está alinhado à Lei da Ficha Limpa, se defende os vulneráveis e se apresenta propostas de políticas públicas que lhes garantam dignidade, se proteje a Amazônia, os povos originários e o meio ambiente e a soberania nacional. Neste particular, ressalto a fala do arcebispo dom Orlando Brandes, da Arquidiocese de Aparecida (SP), em missa do último dia 7 de setembro: “Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, não deve mandar aqui. Aqui é nossa soberania, aqui é nossa casa, aqui é nossa pátria”.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Fato é que a Igreja Católica, longe de fazer uso instrumental da política, exerce um papel importante ao orientar seu povo, o povo de Deus. No seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, deve-se levar em consideração sempre o bem comum, a concórdia e a fraternidade, e a política pode e deve ser, também, esse lugar. Aliás, que bom seria que católicos autênticos ocupassem mais espaços de representação política e de poder, mesmo. Não para impor a sua ideologia, como querem outros segmentos religiosos, mas para propagar o amor de Deus por meio das instituições humanas, sacralizando-as e livrando-as de oportunistas, fariseus e lobos travestidos em peles de cordeiro.</p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A formação do professor de História em tempos de Enade</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-formacao-do-professor-de-historia-em-tempos-de-enade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 12:35:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; No próximo domingo, 20, o Ministério da Educação irá realizar uma nova edição do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE). Criado em 14 de abril de 2004, substituiu o chamado Provão. Entre as suas finalidades está a de avaliar e acompanhar o processo de aprendizagem e o &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p class="isSelectedEnd"><span class="dropcap ">N</span>o próximo domingo, 20, o Ministério da Educação irá realizar uma nova edição do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enade" target="_blank" rel="noopener">ENADE</a></span>). Criado em 14 de abril de 2004, substituiu o chamado Provão. Entre as suas finalidades está a de avaliar e acompanhar o processo de aprendizagem e o desempenho acadêmico dos estudantes em relação aos conteúdos de sua graduação. Trata-se de um programa governamental consolidado, o qual tem surtido valiosos efeitos para o Ensino Superior no Brasil.</p>
<p class="isSelectedEnd">No que se refere ao Curso de Licenciatura em História, em Sergipe, há pelo menos vinte anos sou detentor de uma série de experiências no campo da formação de <strong>professores que me garantem</strong> perceber como o ENADE vem influenciando na busca pela qualidade dos nossos futuros professores. Trabalhando mais de perto com disciplinas como Prática de Ensino de História, Fundamentos de Estágio e Estágio Supervisionado em Ensino de História, tanto na modalidade presencial <strong>como</strong> na modalidade EAD, noto uma preocupação maior de nossos alunos naquilo que deve ser a essência dos cursos de licenciatura: o alto nível de transposição didática. Geralmente, saber e ser capaz de transmitir o que sabe com alegria, entusiasmo e compromisso social.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ao longo desses anos, lido basicamente com intelectuais e especialistas que lançam luzes sobre o desafio de formar o professor de história. Dentre os quais, destaco Circe Maria Bittencourt (81 anos), com importantes obras publicadas nesta seara, a exemplo de “Ensino de História: fundamentos e métodos”; “O saber histórico na sala de aula”. No que diz respeito ao Ensino de História de nosso tempo, ela afirma e adverte:</p>
<blockquote>
<p class="isSelectedEnd">“<em>A avaliação do ensino torna-se uma tarefa externa à sala de aula a ser exercida por intermédio de materiais didáticos majoritariamente tecnológicos produzidos também por empresas internacionais e por sistemas avaliativos que limitam a atuação e o poder dos professores</em>” (2018, p. 144).</p>
</blockquote>
<p class="isSelectedEnd">Isto, na outra ponta, já com o profissional formado. E na ponta de cá, quando se forma o professor para encarar esta realidade destacada por Bittencourt, como podemos avaliar e refletir, à luz da realização do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes? Este, em grande medida, tem sido o desafio dos cursos de licenciatura no país, notadamente de História, do qual, como já disse, falo de cátedra e, sobretudo, do chão da escola de nível superior. Em linhas gerais, a ideia é mostrar que melhoramos consideravelmente, mas que ainda podemos avançar muito mais, frente aos novos desafios do tempo presente, como o avanço da Inteligência Artificial, em vários aspectos, não sendo diferente na sala de aula e no seu entorno, como também na sociedade.</p>
<p class="isSelectedEnd">No que diz respeito à formação, para além das teorias, didáticas e psicologias, entendo que a prática é a melhor maneira. No meu caso, em particular, meus alunos têm pelo menos duas oportunidades, que <strong>eles podem</strong> fazer ao mesmo tempo (no semestre letivo). Na experiência de estágio, propriamente dita, quando <strong>eles vão a campo</strong> para enfrentar a realidade de uma sala de aula (pública ou privada) e dar seus primeiros passos como <strong>professores</strong>. E, por meio de simulações de aula, feitas para mim e para seus colegas. Aqui, a vivência laboratorial é ainda mais interessante, porque o formando tem o retorno imediato das suas necessidades de melhora, como trabalhar o domínio de conteúdo, a transmissão, as técnicas de ensino, a impostação da voz, a postura e o uso adequado dos recursos didáticos. Digo sempre para eles nestes momentos:</p>
<blockquote>
<p class="isSelectedEnd">“<em>ousem ousar</em>”; não se limitem à prática pela prática, ou à fórmula “cuspe e giz” e conteudista.</p>
</blockquote>
<p class="isSelectedEnd">Vale salientar <strong>que, em ambas as situações,</strong> o formando deve pensar, elaborar e praticar à luz do que preconiza a Base Nacional Comum Curricular (<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/base-nacional-comum-curricular-bncc" target="_blank" rel="noopener">BNCC</a></span>), sem que, <strong>para tanto,</strong> ele renuncie a fatores cruciais como autonomia, criatividade, foco na história local, criticidade e leveza. Sim, leveza. A meu ver, não se pode lecionar, sobretudo História, com sofrimento. Lecionar, <strong>em que pese encarar</strong> e enfrentar coisas como a desvalorização da profissão do professor, deve ser um ato de amor e, portanto, de alegria e de realização pessoal. Pelo menos é o que eu penso e vivo há mais de trinta e dois anos.</p>
<p class="isSelectedEnd">Fato é que <strong>todo</strong> este esforço tem se transformado em resultados satisfatórios. Numa primeira instância, ao nível de concursos de seleções para pós-graduação e concursos públicos para docência. Neste último, em particular, como nossos alunos se sentem mais seguros e à vontade na parte prática das seleções, notadamente no saber e saber fazer um plano de aula e até mesmo no seu desempenho de docência, efetivamente. E, no que se refere ao ENADE, de igual modo. Entre os fatores que <strong>colaboraram</strong> para que, recentemente, o Curso de Licenciatura em História da UFS alcançasse o conceito 5, junto ao MEC, <strong>esteve</strong> o excelente <strong>desempenho</strong> de nossos alunos egressos na prova do ENADE.</p>
<p>Entre novos tempos, novas demandas, nós, professores de História (e futuros), seguimos naquela toada de Lecy Brandão, na canção “Anjos de Guarda”, que diz:</p>
<blockquote><p>“<em>Professores, protetores / Das crianças do meu país / Eu queria, gostaria / De um discurso bem mais feliz / Porque tudo é educação / É matéria de todo tempo / Ensinem a quem sabe de tudo / A entregar o conhecimento</em>”.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sem tempero e fermento (STF)</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sem-tempero-e-fermento-stf/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 13:11:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Foi-se o tempo em que a envergadura de uma toga impunha respeito? Ou o nosso tempo demonstra que a roupa não faz a pessoa? A desfaçatez desnuda os mais bem vestidos e, não necessariamente, belos, mas com certeza muito bem pagos. Fato é que as últimas semanas &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">F</span>oi-se o tempo em que a envergadura de uma toga impunha respeito? Ou o nosso tempo demonstra que a roupa não faz a pessoa? A desfaçatez desnuda os mais bem vestidos e, não necessariamente, belos, mas com certeza muito bem pagos. Fato é que as últimas semanas foram terrivelmente ruins para o Supremo Tribunal Federal. A instituição está numa situação que também pode levar o futuro da democracia no Brasil a reboque, fortalecendo narrativas golpistas e autoritárias, das quais não conseguimos nos livrar.</p>
<p class="isSelectedEnd">Se eu pudesse resumir a situação atual do STF (sem querer jogar pedra em cachorro morto), me valeria de um bordão jornalístico local, daqui de Lagarto, pertencente à figura de Aloísio Andrade (Juventude FM), mais conhecido como Prefeitinho, que diz: “<em>o bolo é grande</em>”, em especial para se referir a situações tensas, complexas, bombásticas. Bolo este (clima atual do STF), cuja receita está longe de dispor de tempero e fermento, pelo menos no que diz respeito ao que tem de melhor o melhor dos bolos. Consequentemente, se continuar desse jeito, sem sal e sem graça, também.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p class="isSelectedEnd">Criado em 26 de fevereiro de 1891, no nascedouro do regime republicano brasileiro, o Supremo Tribunal Federal, na prática, substituiu o que teria sido o Poder Moderador durante o regime monárquico. Não necessariamente na sua acepção, mas ao menos na capacidade de equilibrar as forças. Ao longo dos anos, ganhou status de uma instituição séria, composta de grandes nomes da ciência e da prática jurídica, em particular, defensora da constitucionalidade.</p>

			</div></div>
<p class="isSelectedEnd">Isto, até a maldita política partidária e os interesses partidários meterem seu bedelho na composição e no funcionamento da instituição. Durante o regime militar brasileiro, por exemplo, foi acusado de ter sido tímido e até conivente com os desmandos autoritários dos militares, inclusive nos famigerados atos institucionais, a exemplo do sanguinário AI-5.</p>
<p class="isSelectedEnd">Com a redemocratização do país, o STF recuperou seu lugar histórico, procurou se impor às investidas de momento, foi essencial em situações fundamentais, como na salvaguarda da democracia em tempos recentes, mas se deixou contaminar por poder, política, vaidade, soberba e dinheiro. Não é regra, é bem verdade, mas os maus exemplos colocam em risco a percepção do todo, conforme nos recordava Rui Barbosa (1849-1923) ao afirmar que:</p>
<blockquote>
<p class="isSelectedEnd">“<em>Um juiz indigno corrompe o direito, ameaça a liberdade e a fortuna, a vida e a honra de todos, ataca a legalidade no coração, inquieta a família, leva a improbidade às consciências e a corrupção às almas</em>”.</p>
</blockquote>
<p class="isSelectedEnd">Sou de uma época em que uma decisão judicial era, no mínimo, sagrada, dada a vida correta dos juízes. Que houvesse erros e, portanto, contestações, afinal, são humanos. Mas os últimos acontecimentos têm sido vergonhosos e imorais. E a coisa está tão estranha que me faz lembrar a máxima que diz “o sujo falando do mal lavado”. O STF comparado à “casa da mãe Joana” e até mesmo a um cabaré! Não. Isto não pode acontecer pelo bem de todos os poderes e da nação. Se o STF perder a vergonha, quem irá respeitar as leis e as autoridades? O caos só interessa a extremistas.</p>
<p class="isSelectedEnd">A Suprema Corte do país não pode se apequenar e continuar refém de credo religioso, de grupo, de partido, do capital financeiro ou mesmo de ideologias. Do STF espera-se, sobretudo, FIRMEZA, CORAGEM, isenção, correção, lisura e justiça. De outro modo, perde a sua essência conceitual e funcional, cai no senso comum, como já disse e reitero, perde a vergonha e o respeito. E o que é pior, fica refém de criminosos, mentirosos, oportunistas, falsos moralistas e de pessoas sem nenhum compromisso com o país, muito menos com as leis e com a justiça.</p>
<p>O tempo exige uma postura firme daqueles que ainda honram seus diplomas, seu conhecimento jurídico, suas trajetórias de vida e suas togas. A institucionalidade do STF precisa ser recuperada e normalizada, e sua credibilidade também. Até porque, mais do que a vitória do candidato A ou do candidato B para a Presidência da República, o que está em jogo é o país e, insisto, a garantia do regime democrático, bem ou mal, ainda o que há de melhor para vivermos. Qualquer coisa fora deste escopo é uma aventura perigosa e que pode custar vidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Ele, João Alves Filho, descrito por eles</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/ele-joao-alves-filho-descrito-por-eles/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 10:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Ele]]></category>
		<category><![CDATA[Ele descrito por eles]]></category>
		<category><![CDATA[João Alves Filho]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[Marlene Alves Calumby]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Em novembro de 2020, pelo jornal Correio de Sergipe, publiquei um artigo sobre a importância de João Alves Filho (1941-2020) para a cidade de Lagarto. Na oportunidade, de modo particular, destaquei uma data: julho de 1986. Quando, como resultado de sua preocupação com a melhora das condições &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>m novembro de 2020, pelo jornal <em>Correio de Sergipe</em>, publiquei um artigo sobre a importância de João Alves Filho (1941-2020) para a cidade de Lagarto. Na oportunidade, de modo particular, destaquei uma data: julho de 1986. Quando, como resultado de sua preocupação com a melhora das condições do homem do campo por meio do projeto Chapéu de Couro, ele inaugurou a Barragem Dionísio de Araújo Machado, represando cerca de 15 bilhões de m<sup>3</sup> das águas do Rio Piauí. O feito ocorreu na gestão do prefeito Artur de Oliveira Reis (1983-1988), obra que segue sendo fundamental para a região até hoje.</p>
<p>Em 2022, foi publicada a sua primeira biografia, de autoria dos escritores Déborah Pimentel e Igor Salmeron, intitulada <em>João Alves Filho: A Saga de um Político Nordestino. </em>Um calhamaço com mais de quatrocentas páginas, que cobre as diversas fases do Negão, como era conhecido carinhosamente pelo seu povo e admiradores, incluindo suas gestões como prefeito de Aracaju, Ministro de Estado e governador de Sergipe.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/images.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-100994 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/images-233x300.jpg" alt="" width="233" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/images-233x300.jpg 233w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/09/images.jpg 490w" sizes="auto, (max-width: 233px) 100vw, 233px" /></a>Agora é a vez dela, sua irmã Marlene Alves Calumby, de trazer à tona outros aspectos da trajetória de vida de João Alves Filho. Para tanto, contou com a colaboração de outros (eles e elas), para organizar a obra <em>Ele, descrito por eles</em>. De antemão, estes trocadilhos pronominais são propositais, dado que, na minha leitura e percepção do livro, pude estar diante de inúmeros <em>Joões</em>.  Do João de Anderson Nascimento ao João da organizadora, que teve o privilégio de viver com o homenageado em sua intimidade e de, também, trabalhar com ele nas lides administrativas e da política.</p>
<p>Em trezentos e setenta e seis páginas, impressas pela J Andrade, os colaboradores nos convidam a conhecer João Alves Filho sob diversas facetas, todas elas se encontrando na figura de um homem público devotado às causas populares. Para tanto, Marlene Calumby convocou alguns confrades da Academia Sergipana de Letras, políticos, juristas, empresários, profissionais liberais e clérigos para compor um expressivo itinerário: José Anderson Nascimento (prefácio e capítulo), Igor Leonardo Moraes Albuquerque (apresentação e capítulo), Aglaé Fontes, Artêmio Barreto, Aurélio Belém, Carlos Batalha, Hermínio de Aguiar, Carlos Pinna Júnior, Dilson Barreto, Eduardo Lima, Etélio de Carvalho, Flamarion d´Ávila Fontes, Georlize Oliveira, Gilmar Melo, José Carlos Machado, padre José Lima Santana, Mendonça Prado, Osório de Araújo Ramos Filho, Saumíneo Nascimento, Sérgio Silva, padre Vatewan Cruz, Venâncio Fonseca. Afora os anexos, com textos de João Alves, Ângela Margarida, Jane Guimarães e Lilian Gomes. Há textos dela também, na obra.</p>
<p>Entre eles, os Joões, é possível percebê-los não somente na perspectiva da política, seu mote existencial: “<em>o Pelé da política sergipana</em>”, como bem define Venâncio Fonseca. Mas também sua contribuição no campo cultural, por exemplo, a partir dos textos da professora Aglaé, da sua preocupação, enquanto gestor público, com destaque para o Teatro Tobias Barreto, uma das principais casas culturais até a presente data. O João escritor, por José Anderson Nascimento, que lhe valeu uma cadeira na Academia Sergipana de Letras. O João da educação, da economia, da agricultura, da saúde, do turismo, das grandes obras (inclusive, estruturais), da segurança pública, da engenharia e o João da Imaculada Conceição, sua madrinha de batismo.</p>
<p>Como bem define José Anderson Nascimento, <em>Ele, descrito por eles</em> é um “<em>livro sobre feitos</em>” (p. 8). Em que, reforça Igor Leonardo Moraes Albuquerque, “<em>suas ideias, conquistas e realizações permanecem na vida e no imaginário do sergipano</em>” (p. 11). E nesse diapasão, do imaginário, sobretudo no meu de criança e adolescente em Lagarto, o João das inesquecíveis campanhas municipais e governamentais: o homem de óculos escuros (daqueles que caminhoneiro gosta de usar), sorriso alvo e largo, chapéu de couro na cabeça, de discurso forte, preciso e persuasivo. Ou ainda, como bem arremata Marlene Calumby, “<em>um homem de êxito cuja ambição foi sempre construir, permanecendo em movimento</em>” (p. 16).</p>
<p>Enfim, ela, eles e elas foram muito felizes em descrevê-lo para nós, agregando valor à biografia de um dos maiores líderes políticos sergipanos e da vida pública nacional. Perfis como o de João Alves Filho estão em extinção. Discorde ou não de suas práticas ou mesmo ideologias, foi e é reverenciado até hoje, inclusive por aqueles que lhe fizeram oposição. O João da arte de fazer política, o João da ponte, o João do povo, enfim, o João descrito por eles.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Artur de Oliveira Reis – Uma síntese biográfica</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/artur-de-oliveira-reis-uma-sintese-biografica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 10:00:39 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Progresso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Artur de Oliveira Reis, ao longo da história de Lagarto-SE, tornou-se um sinônimo de palavra empenhada (sim, sim; não, não). A visão comercial aguçada, o espírito empreendedor e a firmeza de caráter lhe renderam a alcunha de “homem do gavião”, uma referência ao povoado onde nasceu, no &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">A</span>rtur de Oliveira Reis, ao longo da história de Lagarto-SE, tornou-se um sinônimo de palavra empenhada (sim, sim; não, não). A visão comercial aguçada, o espírito empreendedor e a firmeza de caráter lhe renderam a alcunha de “homem do gavião”, uma referência ao povoado onde nasceu, no dia 29 de agosto de 1926, filho de José Oliveira Reis e Mariana de Oliveira.</p>
<p>Criado na zona rural do município de Lagarto, herdou dos pais a dedicação ao trabalho e às regras fundamentais da vida humana, em especial a caridade e a religiosidade. Aspectos como compromisso, responsabilidade e perseverança o absorveram na lida diária com a terra. A vida dura e a renda escassa da família o obrigavam a dividir os estudos e o trabalho, boa parte dessa rotina vivenciada no antigo povoado Horta.</p>
<p>Ao lado de Raimunda Rodrigues Nascimento Reis (falecida aos 40 anos, no dia 7 de junho de 1966), viveu um relacionamento sólido e constituiu uma família promissora. Seus rebentos figuram ainda hoje na sociedade lagartense, com destaque, nas mais variadas esferas: comercial, educacional, empresarial e política. Um pai que imprimiu em seus filhos as marcas que estão acima da prosperidade financeira que adquiriram. Ainda assim, deixou marcas que a terra não sepulta e que a história imortaliza.</p>
<p>Notável comerciante, concentrou negócios no bairro Cidade Nova, onde residiu por muitos anos. Também foi dono e fundador da “<em>A Elegante Calçados</em>”, com seu irmão Décio, em 1962. Foi fabriqueiro (administrador e contador) da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, entre os anos 60 e 70, colaborando nas gestões de monsenhor Jason Barbosa Coelho e monsenhor Mario Rino Sivieri.</p>
<p>Artur Reis levou para a vida pública, entre os anos 80 e 90, as lições aprendidas no seio da família e da Igreja Católica. Encontrou percalços, mas imprimiu um jeito todo singular de administrar e de fazer política. A pujança do prefeito de Lagarto (1982-1988) e do deputado estadual (1991-2003), bem como do fundador do Grupo Saramandaia (1976), colaborou para consagrar a sua marca registrada: o progresso.</p>
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<p>Inumeráveis ações foram desenvolvidas por Seu Artur. A Cidade Nova, em especial, lega ao seu mentor as mais sinceras homenagens, para onde levou desenvolvimento, emprego e educação. Foi sócio fundador do Rotary Club de Lagarto, fundador do Sistema Progresso de Comunicação, gestor do Hospital Nossa Senhora da Conceição e do Asilo Santo Antônio, construiu a Escola Frei Cristóvão de Santo Hilário e, com João Alves Filho, a Barragem Dionísio de Araújo Machado (seu padrinho político), entre outras iniciativas que o transformaram num dos mais atuantes e obreiros gestores públicos da história política de Lagarto.</p>

			</div></div>
<p>Após um tempo recluso e convalescendo em razão do agravamento de seu estado de saúde, Artur de Oliveira Reis morreu em  Aracaju, no dia 14 de agosto de 2021, aos 94 anos.</p>
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		<title>Palavra, fé e resistência –  excertos biográficos do professor Ricardo André de Souza</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/palavra-fe-e-resistencia-excertos-biograficos-do-professor-ricardo-andre-de-souza/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 13:54:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Claudefranklin Monteiro (*) &#160; Sou particularmente um entusiasta de seus textos, mas também de sua capacidade lúcida e cirúrgica de pensar, refletir e se expressar sobre a vida e sobre Deus, de igual modo de sua luta pela dignidade humana, expressas nas causas que defende, seja ao nível do Magistério Público, seja ao &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Claudefranklin Monteiro (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ou particularmente um entusiasta de seus textos, mas também de sua capacidade lúcida e cirúrgica de pensar, refletir e se expressar sobre a vida e sobre Deus, de igual modo de sua luta pela dignidade humana, expressas nas causas que defende, seja ao nível do Magistério Público, seja ao nível mesmo da existência e de suas suscetibilidades, sobretudo, no que diz respeito à superação de uma mentalidade racista e à aplicação dos princípios de respeito e de justiça social.</p>
<p>Refiro-me ao professor <strong>Ricardo André de Souza</strong>, natural do Cabo de Santo Agostinho-PE, aos 31 dias do mês de maio de 1973. É filho de Reginaldo André de Souza e Noêmia Cordeiro de Souza (in memoriam), pais de oito rebentos, sendo quatro homens e quatro mulheres. Uma família pernambucana de classe média, que viveu num ambiente simples, mas, segundo nosso biografado, “(&#8230;) <em>profundamente marcado pelo afeto, pela união e pelo respeito mútuo</em>”. De irmãos que se amam, que aprenderam desde cedo a dividir não apenas o espaço e os recursos, mas também os sonhos, as responsabilidades e as esperanças.</p>
<p>Ainda sobre essa ambiência familiar, base de sua formação, acrescenta:</p>
<blockquote><p>“<em>Nossa casa nunca foi abundante em bens materiais, mas sempre foi rica em valores. Meu pai, hoje aposentado, dedicou muitos anos de sua vida ao trabalho como operador de máquinas pesadas. Durante muito tempo, enfrentou a dependência do álcool, o que trouxe sofrimento e dificuldades para toda a família. Foram anos desafiadores, marcados por lutas silenciosas e aprendizados dolorosos. Contudo, na velhice, ele abandonou a bebida, e essa decisão transformou radicalmente o relacionamento entre ele e nós, aproximando-nos e restaurando vínculos que haviam sido fragilizados. Não obstante as dificuldades vividas, aprendemos com ele a importância do trabalho honesto, da perseverança e da responsabilidade. Minha mãe, que era do lar, desempenhou um papel igualmente fundamental: foi o coração da família, cuidando de cada detalhe da nossa formação, ensinando-nos princípios, fé, caráter e amor ao próximo</em>”.</p></blockquote>
<p>Esta base familiar marcada, especialmente, por simplicidade, superação e companheirismo formou e sedimentou a sua identidade e a de seus irmãos. Enfrentaram dificuldades, mas estas não os dividiram; ao contrário, os fortaleceram. Cada conquista individual sempre foi celebrada como uma vitória coletiva, porque aprenderam que família é esteio, abrigo e força para seguir adiante, ressalta Ricardo André.</p>
<blockquote><p>“<em>Tenho orgulho da história que construímos juntos e dos valores que recebemos. É dessa família simples, trabalhadora e resiliente que venho — e é nela que encontro minhas raízes, minha inspiração e meu maior patrimônio</em>”.</p></blockquote>
<p>Por tudo isto, ele não poderia ter tido uma infância infeliz, mas muito e verdadeiramente feliz, o que lhe causa saudosismo até a presente data. Ele cresceu numa época em que não havia tecnologia e bens materiais sofisticados, tão valorizados em nosso tempo e que têm roubado a pureza das crianças. Sua alegria, portanto, estavam com pequenas coisas, em amizades sinceras e das brincadeiras na rua com os amigos do bairro onde morou.</p>
<blockquote><p><em>“Não tive brinquedos eletrônicos, como videogames, que hoje fazem parte da rotina de tantas crianças. Ainda assim, nunca me senti privado. Nossa diversão era construída com imaginação e companheirismo. Brincávamos de esconde-esconde, pega-pega, amarelinha, bola de gude e tantas outras brincadeiras que transformavam a rua em nosso grande parque de diversões. Eram momentos de liberdade, risadas e descobertas, que ajudaram a moldar meu caráter e a fortalecer laços de amizade que guardo com carinho na memória”.</em></p></blockquote>
<figure id="attachment_100745" aria-describedby="caption-attachment-100745" style="width: 223px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-100745" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-223x300.jpg" alt="A infância de Ricardo" width="223" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-223x300.jpg 223w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-762x1024.jpg 762w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-768x1032.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia.jpg 770w" sizes="auto, (max-width: 223px) 100vw, 223px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100745" class="wp-caption-text">A infância de Ricardo</figcaption></figure>
<p>Realizou todo o seu Ensino Fundamental na Escola Municipal Tancredo Neves, situada no Bairro São Francisco — onde nasceu e cresceu. Foi ali que deu seus primeiros passos na vida escolar, construiu amizades, viveu experiências marcantes e começou a compreender o valor da educação. Concluiu essa etapa em 1992, ainda que com atraso. Ao longo do percurso, enfrentou dificuldades que resultaram na reprovação em dois anos letivos e, em outros dois momentos, acabou desistindo temporariamente dos estudos. “<em>Foram períodos de instabilidade e imaturidade, mas também de aprendizado sobre minhas próprias limitações e desafios</em>”, relembra Ricardo André.</p>
<p>No Ensino Médio, ele já morava em Lagarto. Era o ano de 1993, quando iniciou essa etapa de sua formação no Colégio Estadual Abelardo Romero Dantas. Teve problemas inúmeros, de ordem pessoal, e isso acabou atrapalhando seu desempenho. Não conseguia acompanhar adequadamente os conteúdos, especialmente os das disciplinas de Matemática e Ciências da Natureza. Os reveses o forçaram a abandonar aquele ano letivo. No ano seguinte, novamente esbarrou-se em dificuldades e, novamente, não concluiu o ano.</p>
<p>Em 1995, resolveu mudar de ares e matriculou-se no Colégio Cenecista Laudelino Freire, onde se formou no Magistério, em 1997. As coisas mudaram consideravelmente e ele redefiniu sua vida e redirecionou seus focos e objetivos. Foi por essa época que eu o conheci, na condição de meu aluno, onde tive uma curta experiência como professor de Cultura e História Sergipana. Sobre isto, testemunha:</p>
<blockquote><p><em>Foi ali que reencontrei o sentido dos estudos e redescobri minha confiança. Nesse período, tive o privilégio de ser aluno do Professor Claudefranklin Monteiro, meu professor de História, cuja dedicação, domínio do conteúdo e paixão pelo ensino exerceram profunda influência sobre mim. Sua postura ética e seu compromisso com a formação crítica dos alunos tornaram-se referência em minha caminhada. Posteriormente, também tive a honra de tê-lo como professor na Faculdade — e hoje, ao participar desta entrevista conduzida por ele, sinto-me duplamente honrado. Sua presença em momentos decisivos da minha formação acadêmica é motivo de gratidão e reconhecimento, pois foi, sem dúvida, uma inspiração determinante na construção da minha identidade como educador.</em></p></blockquote>
<figure id="attachment_100744" aria-describedby="caption-attachment-100744" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-100744" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-300x300.jpg" alt="Professor Ricardo André de Souza" width="300" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-768x768.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100744" class="wp-caption-text">Professor Ricardo André de Souza conta sua história</figcaption></figure>
<p>Em 2002, Ricardo André, embevecido pelo conhecimento, concluiu o curso de Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, instituição cearense que, durante alguns anos, ofertou turmas no município de Lagarto, ampliando o acesso ao ensino superior para muitos estudantes da região. Nesse ínterim, entrou em contato mais profundo com o pensamento do educador Paulo Freire (1921-1997), cuja pedagogia crítica e método de alfabetização transformaram sua maneira de compreender a educação. Ele se apaixonou por sua visão humanizadora, dialógica e libertadora sobre o processo educativo.</p>
<blockquote><p><em>Suas concepções tornaram-se minha maior referência teórica e prática. Considero-me, portanto, “freiriano”, procurando aplicar em meu fazer pedagógico os princípios do diálogo, da consciência crítica e da educação como prática de liberdade. O curso de Pedagogia não apenas me concedeu um diploma, mas ampliou minha compreensão sobre o papel social da escola e sobre a responsabilidade ética que acompanha o exercício do magistério.</em></p></blockquote>
<p>Em 2010, retornou ao Nível Superior onde fez a Licenciatura em História pela Faculdade José Augusto Vieira (fundada em 2024, atualmente desativada). A escolha pela História dialogava com sua paixão pela disciplina e com a influência de mestres que marcaram sua formação, fortalecendo nele o desejo de contribuir para a construção de uma consciência histórica e crítica nos seus alunos.</p>
<p>Sobre as instituições que lhe permitiram uma formação superior, ressalta:</p>
<blockquote><p><em>É verdade que nenhuma das duas instituições era considerada de ponta ou amplamente reconhecida no cenário nacional. Contudo, foram elas que me acolheram, me formaram e me proporcionaram as bases teóricas e práticas necessárias para o exercício da docência. Mais do que diplomas, essas experiências acadêmicas ajudaram a construir minha identidade como educador, moldaram minha visão de mundo e me capacitaram a exercer o magistério com dignidade, compromisso e responsabilidade social.</em></p>
<p><em>Entendo que a grandeza de uma formação não está apenas no prestígio institucional, mas na seriedade do processo formativo e na disposição do estudante em aproveitar as oportunidades que lhe são oferecidas. Foi assim que essas instituições se tornaram parte essencial da minha caminhada profissional e da missão que abracei na educação.</em></p></blockquote>
<p>Profissionalmente, as primeiras oportunidades logo lhe apareceram e ele abraçou com afinco. Em 1998, foi aprovado no concurso público do município de Lagarto para o cargo de professor.  Alguns anos depois, em 2004, prestou concurso, desta feita, para a rede estadual de ensino e obteve nova aprovação. Tornar-se professor consolidou a sua carreira e ampliou sua responsabilidade como educador.</p>
<blockquote><p><em>Ao longo desse tempo, uma experiência tem sido especialmente significativa: hoje ensino filhos de ex-alunos, o que me faz perceber concretamente o quanto estou envelhecendo (risos), a passagem das gerações e a extensão do trabalho realizado ao longo dos anos. É profundamente gratificante também encontrar ex-alunos na rua ou em outros espaços e ser abordado com carinho, gratidão e respeito. Esses encontros espontâneos são, para mim, uma das maiores recompensas da profissão, pois revelam que o trabalho realizado deixou marcas positivas.</em></p></blockquote>
<p>Para além de professor e educador consagrado, sua trajetória de vida é marcada pela fé. Com 11 anos, tornou-se membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, após participar de uma série de estudos bíblicos em um evangelismo público realizado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, em sua cidade natal. Segundo ele, “(&#8230;) <em>um acontecimento marcante que deu um significado ainda mais profundo à minha infância</em>”.  Com os estudos das Escrituras, convenceu-se de que os ensinos e as crenças adventistas estavam em harmonia com a Bíblia.</p>
<figure id="attachment_100748" aria-describedby="caption-attachment-100748" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-100748" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-300x225.jpg" alt="Ricardo, o adventista" width="300" height="225" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-300x225.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-1024x768.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-768x576.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-1536x1152.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100748" class="wp-caption-text">Ricardo, o adventista</figcaption></figure>
<p>Aos 12 anos, no dia 17 de agosto de 1985, decidiu batizar-se. Em tenra idade, tinha a firme convicção de que estava tomando a melhor decisão da sua vida. Sentia claramente que Cristo o conduzia em seus passos naquela escolha. “<em>Aquele foi um dos dias mais felizes da minha trajetória, um marco que ficou gravado de maneira indelével em minha história”, </em>destaca.</p>
<p>Ao longo dessa caminhada de fé, teve a oportunidade de servir à Igreja em diferentes funções, sempre procurando fazê-lo com dedicação, espírito de serviço e senso de responsabilidade cristã. Exerceu o cargo de ancião na Igreja Lagarto I (2000 a 2008), e posteriormente na Igreja Central de Lagarto (2010 a 2019). Na estrutura da Igreja Adventista, o ancião é um líder leigo eleito pela comunidade local para auxiliar o pastor na condução espiritual da igreja. Entre suas atribuições estão o cuidado pastoral dos membros, a participação na liderança administrativa, a pregação da Palavra, a coordenação de atividades religiosas e o fortalecimento da unidade e da missão da igreja. Trata-se de uma função de elevada responsabilidade espiritual, que exige equilíbrio, testemunho cristão e compromisso com os princípios bíblicos.</p>
<p>Ainda na Igreja Adventista, atuou como Diretor de Publicações e como Diretor do Minicentro de Pesquisas Ellen G. White da IASD Central de Lagarto, entre 2016 e 2020. Nessas funções, trabalhou incentivando a leitura e a circulação de literatura cristã, bem como promovendo o estudo dos escritos de Ellen G. White (1987-1915), reconhecida pelos adventistas como uma das pioneiras do movimento e importante voz na orientação espiritual e educacional da igreja. Atualmente, serve como líder de Pequeno Grupo e professor da Escola Sabatina. Nessas atividades, dedica-se ao fortalecimento espiritual dos membros, à promoção do estudo sistemático da Bíblia e ao incentivo à comunhão e à missão. “<em>Para mim, servir à igreja não é apenas ocupar cargos, mas participar ativamente da construção de uma comunidade de fé comprometida com o evangelho e com a esperança cristã</em>”.</p>
<p>A essa altura, sobretudo quem conhece Ricardo André, está se questionando: o que fez um homem de formação familiar sólida e adventista optar por orientações e posicionamentos políticos de esquerda? As respostas tornam esse personagem ainda mais fascinante, confirmando, com sua vida, que coisas como fé e política / fé e ciência podem conviver harmonicamente e gerar frutos positivos para o mundo.</p>
<blockquote><p><em>Quando alcancei a adolescência, por volta dos 16 anos, passei a ser tomado por inquietações profundas de natureza social. Eu havia nascido e crescido em um bairro periférico da cidade de Cabo de Santo Agostinho, onde a pobreza era uma realidade cotidiana. Centenas de crianças e jovens viviam em situação de vulnerabilidade social, convivendo com limitações materiais, poucas oportunidades e perspectivas reduzidas de ascensão social. Ao me dar conta desse cenário, começaram a surgir perguntas que não me deixavam em paz: por que alguns acumulam riqueza enquanto outros mal têm o necessário para viver? Por que uns podem estudar até a universidade e outros precisam trabalhar desde cedo para ajudar no sustento da família? É justo que poucos tenham tanto e muitos tenham tão pouco? De onde vêm as desigualdades sociais?</em></p></blockquote>
<p>O professor Ricardo André adota como referência teórico-metodológica o materialismo histórico, procurando interpretar os fatos a partir das relações de classe, das condições materiais de existência e das disputas por direitos e reconhecimento profissional. Mais do que descrever eventos, ele procura evidenciar as determinações estruturais que influenciaram a organização coletiva dos professores, compreendendo o movimento sindical como expressão concreta das tensões e conflitos presentes na sociedade.</p>
<figure id="attachment_100749" aria-describedby="caption-attachment-100749" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante-.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-100749" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante--300x221.jpg" alt="Militante do Sintese" width="300" height="221" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante--300x221.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante--768x565.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante-.jpg 978w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100749" class="wp-caption-text">Militante do Sintese</figcaption></figure>
<p>Dois anos após a sua aprovação no concurso do Município de Lagarto, sentiu a necessidade de se filiar ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (SINTESE), tornando-se um militante comprometido. Em 2008, tornou-se dirigente sindical. Entre 2008 e 2010, exerceu a função de Delegado Sindical da base estadual. Desde 2022, exerce o cargo de Diretor Regional do Departamento de Base Estadual do SINTESE.</p>
<p>Afora isso, é militante negro, coordenando o núcleo do Movimento Negro Unificado em Lagarto, desde o ano passado.</p>
<p>Ainda sobre como ele consegue conciliar esquerda e religião, destaca:</p>
<blockquote><p><em>Particularmente, não vejo contradição alguma entre minha fé cristã e o desejo de viver em uma sociedade que não esteja alicerçada na exploração de uma classe por outra — prática que, à luz da Bíblia, é expressão do pecado. A própria tradição profética do Antigo Testamento denuncia com vigor as injustiças sociais. No capítulo 1 do livro de Isaías, por exemplo, encontramos uma severa repreensão à corrupção e à rebeldia de Israel. Embora o povo mantivesse uma religiosidade formal, seus líderes exploravam os mais vulneráveis e se enriqueciam às custas dos pobres. Deus, por meio do profeta, conclama o povo ao arrependimento e à prática concreta da justiça: “Aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva” (Is 1:17). A promessa de perdão estava vinculada a uma mudança real de postura diante da injustiça.</em></p></blockquote>
<p>Tal como eu, quem quiser conhecer um pouco mais sobre como pensa o professor, o sindicalista, o cristão, o político e o historiador Ricardo André de Souza, recomendo suas atividades em ambientes digitais. Ele mantém o blog “<em>A Verdade Como é em Jesus</em>”, espaço no qual publica artigos de caráter religioso fundamentados nas Sagradas Escrituras. “<em>Trata-se de um ambiente de reflexão teológica e espiritual, onde procuro expor, de maneira clara e fundamentada, minhas convicções de fé, dialogando com temas bíblicos, doutrinários e contemporâneos à luz da Palavra de Deus</em>”. O blog nasceu do seu desejo de compartilhar conhecimento, fortalecer a fé cristã e contribuir para um debate respeitoso e edificante sobre questões religiosas.</p>
<p>É, ainda, bastante ativo nas redes sociais, especialmente no Facebook e no Instagram. Nessas plataformas, manifesta sua opinião sobre acontecimentos políticos, sociais e religiosos que ganham repercussão nacional. Procura sempre fundamentar suas análises em argumentos consistentes, buscando estimular a reflexão crítica e o diálogo responsável.</p>
<blockquote><p><em>Meu propósito ao utilizar esses espaços digitais não é apenas expressar posicionamentos pessoais, mas também contribuir para o enfrentamento da desinformação e para a promoção de debates mais qualificados. Entendo que, no contexto atual, marcado pela circulação rápida de informações e opiniões, é fundamental exercitar a responsabilidade intelectual e ética na comunicação pública.</em></p></blockquote>
<p>Ricardo André é casado com a lagartense Ana Cláudia de Santana Souza, desde o dia 29 de setembro de 2002. Dessa união, nasceu em 29 de dezembro de 2006, o filho único, Martin Luther King Santana Souza. “<em>Ele é a expressão mais bela do nosso amor e, para mim, o negro mais bonito de toda a cidade</em>”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong>Fontes e Referências: </strong></p>
<p><strong><br />
</strong>Entrevista com Ricardo André de Souza, por Claudefranklin Monteiro Santos. Lagarto-SE, 21 de fevereiro de 2026.</p>
<p>Blog <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://averdade-emjesus.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener">A Verdade Como é em Jesus</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/ricardoandresouza/" target="_blank" rel="noopener">@ricardoandresouza</a></span></p>
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