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	<title>Arquivo para Articulistas - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Um café em Lisboa à espera de Fernando Pessoa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2026 12:54:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Desembarquei em Lisboa em uma tarde fria. Deixei a caliente Ilha do Amor, onde os termômetros acusavam 32°. Vim no voo inaugural da TAP de São Luís a Lisboa. O voo começou no aeroporto Cunha Machado, em São Luís, nas primeiras horas do dia 27/10, com uma &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/um-cafe-em-lisboa-a-espera-de-fernando-pessoa/">Um café em Lisboa à espera de Fernando Pessoa</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p data-pm-slice="1 1 []"><span class="dropcap ">D</span>esembarquei em Lisboa em uma tarde fria. Deixei a caliente Ilha do Amor, onde os termômetros acusavam 32°. Vim no voo inaugural da TAP de São Luís a Lisboa. O voo começou no aeroporto Cunha Machado, em São Luís, nas primeiras horas do dia 27/10, com uma escala de trinta minutos no aeroporto Salgado Pinto, em Fortaleza. Deixei para trás um Brasil em ebulição, após a eleição presidencial no segundo turno. Um país polarizado e dividido.</p>
<p>Como sempre faço, cheguei cedo ao aeroporto, um costume adquirido após perder um voo no longínquo ano de 1989. No aeroporto, autoridades e convidados estavam presentes para dar as boas-vindas aos passageiros que chegavam de Lisboa e aos que embarcavam no voo que já fez história. Muitos conhecidos estavam cruzando o Atlântico com destino às terras lusitanas.</p>
<p>Enquanto aguardava o início do check-in, na fila, um senhor passou por mim e citou meu nome. Olhei-o, tentando lembrar de onde o conhecia. “Leio suas crônicas todas as semanas no Jornal Pequeno. Gosto muito da sua forma de escrever”, disse ele. Citou inclusive os nomes dos meus filhos, Rodrigo e Frederico, algumas vezes citados nas crônicas. “Muito obrigado”, respondi. Fui o primeiro a fazer check-in, e ele e a esposa, os segundos.</p>
<p>Com tempo livre, entabulamos uma conversa. “Sou Carlos Armando, médico ortopedista”, apresentou-se. “Luiz Thadeu. Prazer em conhecê-los”, respondi. Já na sala de embarque, soube que eles estavam indo para Portugal visitar o filho e os netos. Acompanhado da esposa Eloísa, veio visitar o filho Carlos Armando, que tem o mesmo nome do pai. O filho é um globetrotter como eu, gosta de viajar pelo mundo e já morou em diferentes países.</p>
<p>Devido ao meu acidente e às consultas com diversos ortopedistas, passamos em revista vários deles que conhecemos. Despedimo-nos no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Como preciso de assistência, não demorou a chegar Cipriano Luís, um angolano que me buscou na porta da aeronave e que reside em Lisboa há três anos. Ele transporta pessoas em cadeiras de rodas.</p>
<p>Ele fala com entusiasmo sobre os brasileiros, especialmente as brasileiras, a quem ele chama de “as minas mais belas do mundo”, citando gíria carioca. Em dezembro, ele embarca para o Brasil. Vai para o Nordeste; quer conhecer uma brasileira “com fogo na saia”, diz sorrindo. “As moças daqui são muito frias; gosto do jeito caliente das brasileiras. Aqui as moças não têm sal”, no que concordo plenamente. Se tem uma coisa que nos distingue em todo o mundo, são as mulheres.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Design-sem-nome-9.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-102366 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Design-sem-nome-9-300x300.jpg" alt="Café" width="249" height="249" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Design-sem-nome-9-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Design-sem-nome-9-1024x1024.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Design-sem-nome-9-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Design-sem-nome-9-768x768.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Design-sem-nome-9.jpg 1080w" sizes="(max-width: 249px) 100vw, 249px" /></a>Hospedo-me no centro histórico de Lisboa, um lugar que respira e inspira história. Da janela vejo telhados de casas centenárias. A temperatura em torno de 18°C convida a caminhar por esta cidade, que é uma das que mais amo no mundo. Mais um dia se encaminha para o fim. Após caminhar por ruas estreitas, chego ao Café Martinho da Arcada, localizado nos arcos da Praça do Comércio. Foi nesse café, e na mesa que me acolhe, que Fernando Pessoa escreveu muitos dos seus belos poemas. Olho para o salão e tenho a impressão de que Fernando Pessoa pode aparecer a qualquer momento.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Nunca antes na história deste país</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2026 11:29:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Na segunda-feira, após o resultado do primeiro turno das eleições gerais no Brasil, sobretudo no que diz respeito à disputa pela presidência, atento aos pronunciamentos do candidato Flávio Bolsonaro, uma máxima bíblica me veio logo à mente e não saiu mais até se confirmar no segundo turno: &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">N</span>a segunda-feira, após o resultado do primeiro turno das eleições gerais no Brasil, sobretudo no que diz respeito à disputa pela presidência, atento aos pronunciamentos do candidato Flávio Bolsonaro, uma máxima bíblica me veio logo à mente e não saiu mais até se confirmar no segundo turno: “<em>A soberba precede à ruína; e o orgulho, à queda</em>” (Provérbios 16,18). Ciente de que venceria, o primogênito de Jair Messias Bolsonaro revelou o que ele de fato é, seja por palavras, seja por gestos, despertando descontentamentos os mais diversos e a fúria, no melhor sentido da palavra, dos principais polos da vida: juventude e maturidade.</p>
<p>Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu com 64,2 milhões de votos, o equivalente a 51,78%. Uma diferença de 4,4 milhões de votos para seu opositor, que havia vencido no primeiro turno. Lula, que já havia cravado seu nome na história política do Brasil, quebra novos recordes e supera novamente tabus, como o de um candidato nunca ter virado a eleição após perder no primeiro turno. Vale lembrar que ele, com a vitória em 2022, havia, também, derrotado um incumbente na presidência, coisa que não havia acontecido até então. Sem deixar de mencionar que vai para seu quarto mandato, recebeu a maior quantidade de votos de toda a sua carreira política, de vir a ser o presidente mais velho (81 anos) a ser eleito e de participar de sete disputas presidenciais e ganhar quatro (sem nunca ter contestado os resultados das quais ele perdeu).</p>
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<p>O que explica este fenômeno e esta virada histórica? Durante esta semana, vários especialistas apontaram inúmeras causas, até mesmo para explicar o questionamento dos derrotados de onde teriam vindo cerca de 11 milhões de votos a mais do primeiro para o segundo turno. De tudo que se disse até então, comungo com a ideia da reação dos estudantes que ocuparam as ruas, sob o comando do deputado federal Janones nas redes sociais e, muito especialmente, da disposição dos idosos de exercerem, novamente, a cidadania do voto, após terem sido suas capacidades subestimadas. Mas nada foi mais decisivo do que a soberba de Flávio Bolsonaro, seu cinismo, sua infantilidade, suas mentiras, sua postura etária e capacitista.</p>

			</div></div>
<p>Afora tudo isso, coisa que venho escrevendo há algum tempo, o risco de nosso regime democrático vir a ser substituído por mais uma aventura autoritária. Risco este que estará sempre em questão se a sociedade brasileira não se livrar de vez do extremismo, necessariamente o de direita. Se a direita e a esquerda não se unirem em prol de um ambiente sadio de disputa eleitoral, como sempre foi desde a redemocratização, a tendência é o radicalismo e a cisão do país aumentarem. O Brasil não pode continuar à mercê dos interesses de uma família. O bolsonarismo é um mal político para o país, como foram o integralismo, e, em nível internacional, o nazifascismo. E isto não é um exagero. Alguns dos acontecimentos violentos que vimos nestas eleições e o que estamos vendo agora (perseguição trabalhista aos eleitores de Lula e preconceito a pobres e nordestinos) só demonstram o que estou dizendo.</p>
<p>Não bastasse tudo isso, com ministros do Supremo a favor (tentando bagunçar a disputa), impressa corporativa, big techs, governos de Donald Trump e Milei, bets, mercado financeiro, fundamentalistas religiosos evangélicos e católicos, o candidato derrotado Flávio Bolsonaro foge para os Estados Unidos da América, contesta o resultado do segundo turno e se autoproclama “o verdadeiro presidente eleito dos Estados Unidos do Brazil”. <strong>Um mal perdedor jamais poderá ser um bom ganhador</strong>. Demonstra que não tem maturidade e força moral para governar uma nação. Com 59.826.041 votos (48,21%), ele deveria ser grato aos seus eleitores, permanecer no Brasil (com S), liderar a oposição e tentar uma outra vez, como o sistema democrático permite.</p>
<p>Quanto a Luiz Inácio Lula da Silva, este se consagra, em definitivo, como a maior liderança política de todos os tempos da História do Brasil. Seja com erros, seja com acertos, com suas qualidades e defeitos. Terá a chance, a exemplo de Pelé, de pendurar as chuteiras em alto nível. Tem problemas a serem resolvidos no país? Claro que sim. Muitos. Mas, melhor que eles sejam discutidos e resolvidos num ambiente democrático do que sob o cutelo de uma insanidade autoritária e delirante. Que o futuro do país nos reserve novas disputas eleitorais, livres e saudáveis, e que novas e comprometidas lideranças surjam, sejam de direita ou de esquerda, ou mesmo de centro, mas jamais de extremos. Toda extremidade é pouco inteligente, tosca, vazia, egoísta e autoritária.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title> Esta eleição trouxe nova semente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Valtenio Paes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 18:30:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Valtênio Paes (*) Quem viveu a manifestação popular pelas “Diretas Já” entre março de 1983 e abril de 1984 lembrará uma das maiores manifestações populares do Brasil. O povo foi para as ruas; artistas, representantes de categorias profissionais, estudantes e políticos se uniram por um único lema.  Defendiam as eleições diretas contra as indiretas &#8230;</p>
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<span class="dropcap ">Q</span>uem viveu a manifestação popular pelas “Diretas Já” entre março de 1983 e abril de 1984 lembrará uma das maiores manifestações populares do Brasil. O povo foi para as ruas; artistas, representantes de categorias profissionais, estudantes e políticos se uniram por um único lema.  Defendiam as eleições diretas contra as indiretas controladas pelos militares por vinte anos. Era a manifestação latente que fervilhava nas ruas. Políticos e líderes sociais de várias tendências ideológicas se uniram num mesmo palanque na defesa de pauta única. A emenda foi rejeitada, porém a ditadura ruiu.</p>
<p>Nomes históricos se destacaram pela capacidade de argumentação sem perderem suas tendências ideológicas. Num mesmo palanque, todos se respeitavam, exercitando a tolerância em prol das eleições, como objetivo maior. Mais de 40 anos se passaram, os líderes desapareceram, deixando Lula como sobrevivente. O uso das redes digitais hipnotizou o povo e influencers se tornaram políticos. Cada um, mentindo para sua bolha e ficando rico.</p>
<p>O movimento agregou diversos setores da sociedade brasileira. Participaram inúmeros partidos políticos de oposição ao regime ditatorial, além de lideranças sindicais, civis, artísticas, estudantis e jornalísticas. Dentre eles, segundo a Enciclopédia Livre, destacaram-se:</p>
<p>“<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Tancredo_Neves">Tancredo Neves</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Leonel_Brizola">Leonel Brizola</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Arraes">Miguel Arraes</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Richa">José Richa</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ulysses_Guimar%C3%A3es">Ulysses Guimarães</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Franco_Montoro">Franco Montoro</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Dante_de_Oliveira">Dante de Oliveira</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Covas">Mário Covas</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Gerson_Camata">Gerson Camata</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Orestes_Qu%C3%A9rcia">Orestes Quércia</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_In%C3%A1cio_Lula_da_Silva">Luiz Inácio Lula da Silva</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Suplicy">Eduardo Suplicy</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Freire_(pol%C3%ADtico)">Roberto Freire</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Carlos_Prestes">Luís Carlos Prestes</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Henrique_Cardoso">Fernando Henrique Cardoso</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_da_Cunha_Lima">Jorge da Cunha Lima</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcos_Freire">Marcos Freire</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Lyra">Fernando Lyra</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jarbas_Vasconcelos">Jarbas Vasconcelos</a> e <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Moreira_Franco">Moreira Franco</a> <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Diretas_J%C3%A1#cite_note-4"><sup>[4]</sup></a></span>. Dentre personalidades em geral, destacaram-se <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Her%C3%A1clito_Fontoura_Sobral_Pinto">Heráclito Fontoura Sobral Pinto</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3crates_(futebolista)">Sócrates (futebolista)</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Christiane_Torloni">Christiane Torloni</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Lago">Mário Lago</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Gianfrancesco_Guarnieri">Gianfrancesco Guarnieri</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Faf%C3%A1_de_Bel%C3%A9m">Fafá de Belém</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Buarque">Chico Buarque</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Taiguara">Taiguara</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Beth_Carvalho">Beth Carvalho</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Martinho_da_Vila">Martinho da Vila</a>, <a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Osmar_Santos">Osmar Santos</a>, </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Juca_Kfouri"><span style="color: #008000;">Juca Kfouri</span></a>, entre outros. A música “Coração de Estudante” de Wagner Tiso e Milton Nascimento tornou-se hino popular na rua, no rádio e na TV.</p>
<figure id="attachment_102290" aria-describedby="caption-attachment-102290" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/ulysses-guimaraes.webp"><img decoding="async" class="wp-image-102290 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/ulysses-guimaraes.webp" alt="Ulysses Guimarães" width="1170" height="700" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/ulysses-guimaraes.webp 1170w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/ulysses-guimaraes-300x179.webp 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/ulysses-guimaraes-1024x613.webp 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/ulysses-guimaraes-768x459.webp 768w" sizes="(max-width: 1170px) 100vw, 1170px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102290" class="wp-caption-text">Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas Arquivo/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Logo depois, os militares se afastaram do poder. Veio a eleição, ainda indireta, de Tancredo Neves que falecera antes de assumir a presidência, sendo substituído por José Sarney, seguido da eleição do Congresso Constituinte. Com o novo Legislativo, novamente a participação popular ativa através das instituições, com 122 propostas de emendas populares e mais de 61.000 apresentadas pelos parlamentares. O apoio popular na elaboração de nova Carta Magna ensejou o título de Constituição Cidadã. Ulysses Guimarães, cognominado “Senhor Diretas” afirmara em seu discurso de promulgação:</p>
<blockquote><p>&#8230;. “Há, portanto, representativo e oxigenado sopro de gente, de rua, de praça, de favela, de fábrica, de trabalhadores, de cozinheiras, de menores carentes, de índios, de posseiros, de empresários, de estudantes, de aposentados, de servidores civis e militares, atestando a contemporaneidade e autenticidade social do texto que ora passa a vigorar”&#8230;</p></blockquote>
<p>Nos últimos vinte anos, o povo foi saindo paulatinamente das ruas por força da calmaria política e do crescimento econômico. O país chegara a ocupar o posto de sexta economia do mundo em 2013, enquanto lideranças e participação popular declinavam. Aos poucos, já na segunda eleição da presidenta Dilma, o declínio foi cedendo lugar à polarização entre o ódio conservador e a insistência de manutenção de um discurso carente de renovação.  Uma onda conservadora ocupou espaço sob a influência externa de países e empresas digitais. Lideranças progressistas sem criatividade não atualizaram a relação do discurso com a prática.</p>
<p>Por outro lado, a lógica da frente ampla conservadora começa a varrer o planeta. Argentina, Chile, Equador, Colômbia, Peru, Paraguai, Bolívia, Costa Rica, Alemanha, além de fortes influências nas assembleias da França, Espanha, Portugal e no Parlamento Europeu. Todos esses fenômenos se explicam facilmente pela mesma razão que explica a política de &#8220;frente ampla&#8221; dos protestantes. Com a percepção de que a esquerda está no controle da academia, das elites globais, do mundo corporativo e dos organismos multilaterais, a direita é hoje a &#8220;contracultura&#8221;.</p>
<p>Nada original! Tudo começou com o movimento luterano da Europa para o mundo, porém, nos dias atuais, o negacionismo ousa confrontar a diversidade brasileira. Nas artes, na política, na música, na culinária, no esporte, com a amplidão territorial e o clima, amplamente diferentes dos de outros países, ficará difícil impor o rigor negacionista ou conservador. Muito difícil enquadrar capilaridades sociais diferentes, que se conectam naturalmente, de um povo, porque é a própria diversidade que gera unidade e força. Resta saber como esta onda conservadora, e até negacionista, reagirá à resistência do Brasil nesta eleição.</p>
<p>Independentemente de qualquer resultado final do pleito de <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/apuracao-das-eleicoes-2026/" target="_blank" rel="noopener">25 de outubro de 2026,</a></span> o Brasil não será o mesmo porque as sementes das manifestações populares no segundo turno germinarão. Teremos consequências das manifestações populares que apareceram nas ruas. Parece que o povo acordou da anestesia das redes digitais.</p>
<p>Atente-se para o fato de que ataques às universidades federais de Roraima, Alagoas, Pernambuco, Rio de Janeiro, <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.metropoles.com/brasil/imagens-mostram-correria-apos-tiro-em-ato-pro-lula-em-universidade-de-sergipe" target="_blank" rel="noopener">tiros próximos da UFS</a></span>, dentre outras ações criminosas, levaram a geração Z para as ruas. Tal fato levou ao encontro entre os jovens e os veteranos adeptos da participação popular em defesa de uma sociedade mais justa, humana e menos desigual socialmente. Curiosamente, o que estava sendo antídoto contra as manifestações nas ruas foi usado como combustível para a revitalização. Somente a história dirá a durabilidade e a eficácia, porém a semente da participação popular, que estava adormecida, sinaliza que está germinando. Adubemos este terreno para que o ódio e a desigualdade sejam sepultados.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Quem tem medo de &#8220;O Capital&#8221;? — Sobre mitificada leitura da monumental &#8220;Crítica da economia política&#8221;, de Karl Marx</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2026 16:16:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Incidental — Considerações Estéticas a Qualquer Momento]]></category>
		<category><![CDATA[crítica ao capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[economia política]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia política]]></category>
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		<category><![CDATA[Karl Marx]]></category>
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		<category><![CDATA[O Capital]]></category>
		<category><![CDATA[pensamento marxista]]></category>
		<category><![CDATA[teoria da mais-valia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; &#8220;Hegel observa em uma de suas obras que todos os grandes fatos e personagens da história universal aparecem, por assim dizer, duas vezes. Mas esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.&#8221; Karl Marx — O 18 Brumário de Napoleão Bonaparte &#8220;Dominar a metodologia de pesquisa científica de Marx é &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/quem-tem-medo-de-o-capital-sobre-mitificada-leitura-da-monumental-critica-da-economia-politica-de-karl-marx/">Quem tem medo de &#8220;O Capital&#8221;? — Sobre mitificada leitura da monumental &#8220;Crítica da economia política&#8221;, de Karl Marx</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Hegel observa em uma de suas obras que todos os grandes fatos e personagens da história universal aparecem, por assim dizer, duas vezes. Mas esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Karl Marx — O 18 Brumário de Napoleão Bonaparte</strong></p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Dominar a metodologia de pesquisa científica de Marx é o problema-chave para quem deseja assimilar a teoria marxista de forma criativa e aplicá-la corretamente na explicação dos fenômenos da vida social do nosso tempo.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Vitaly Solomonovich Vygodsky — História de uma Grande Descoberta</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A </span>o responder à provocação meia-boca que inicia o título, digo: é aquela coisa&#8230; Ninguém ama o que não conhece. Por vezes odeia, o que livra o sujeito do compromisso, ou gosta, sem saber bem por que gosta.</p>
<p>A pergunta é referência bem-humorada à obra dramatúrgica (teatro) &#8220;Quem Tem Medo de Virgínia Wolf?&#8221;. Peça que até virou filme, com Burton e Taylor, salvo engano.</p>
<figure id="attachment_102248" aria-describedby="caption-attachment-102248" style="width: 353px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-102248" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-300x300.jpeg" alt="O Capital" width="353" height="353" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-300x300.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-1024x1024.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-150x150.jpeg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-768x768.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-1536x1536.jpeg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 353px) 100vw, 353px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102248" class="wp-caption-text">Edição de &#8220;O Capital&#8221;, em espanhol, publicada pela Editora Siglo Vinte e Uno</figcaption></figure>
<p>Ninguém tem medo de &#8220;O Capital&#8221;. E isto é fato. E por que cargas d&#8217;água, como diriam os intrépidos marujos portugueses, ter-se-ia medo?</p>
<p>Não, medo, não. Nem dos escritos em vida, nem dos escritos póstumos. Muito menos dos escritos de seus seguidores. Entre estes, alguns, como Erich Fromm e Hans-Georg Flickinger, manifestaram-se bem incisivos em suas críticas a Marx.</p>
<p>Outros que adotaram a perspectiva marxista para analisar e explicar, até mesmo, o fenômeno Literatura, optaram por adaptar o pensamento de Marx, a exemplo de György Lukács e de Terry Eagleton, proeminentes críticos literários.</p>
<p>A obra (normalmente, em três volumes) é densa e, de modo justificado, sem dúvidas, prolixamente didática. Seu conteúdo, como o próprio Marx adverte, foi construído aos poucos, incluindo os conceitos.</p>
<p>Ah, pra começo de conversa, seja qual for a tendência ideológica do(a) pretenso(a) intelectual coerente e consciente, o mais comum é ouvir deste(a) que &#8220;O Capital&#8221; é obra de tal densidade, de tal complexidade, de tal, até obscuridade, que sua leitura representa um quase intransponível obstáculo que desafia até o mais arguto exegeta.</p>
<p>Nada disso, homi! Nada disso, muié! Marx não escreveu &#8220;O Capital&#8221;, &#8220;A Ideologia Alemã&#8221;, &#8220;A Questão Judaica&#8221;, &#8220;A Miséria da Filosofia&#8221;, &#8220;O 18 Brumário de Napoleão Bonaparte&#8221; e &#8220;A Diferença entre a Filosofia da Natureza de Demócrito e a de Epicuro&#8221; (sua tese de doutorado), para não ser compreendido. O corpo textual é complexo, entretanto, não é irremediavelmente complicado.</p>
<p>Marx, de início, com a publicação do volume um, e Engels, com a edição/publicação dos dois outros volumes, certamente tinham ciência de que estavam a entregar, por assim dizer, ao mundo uma obra para aquele presente, mas, também, para o futuro que logo chegou e que prossegue ainda hoje, independentemente das notórias deturpações promovidas pela canalhada d&#8217;ambos lados e centros.</p>
<figure id="attachment_102250" aria-describedby="caption-attachment-102250" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-102250" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-1-300x272.jpeg" alt="Livros de sociologia e filosofia" width="300" height="272" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-1-300x272.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-1-1024x927.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-1-768x695.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-1-1536x1390.jpeg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.09.16-1.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102250" class="wp-caption-text">Livros do psicanalista, psicólogo social, sociólogo e filósofo humanista germano-americano Erich Fromm Foto: Acervo particular</figcaption></figure>
<p>Juntem-se a isso as publicações dedicadas à Teoria da Mais-Valia, realizadas não mais por Engels, que falece em 1895, mas, sim, por Karl Kautsky, entre o final do século 19 e início do século 20. Estas últimas foram, ao longo dos anos, sob críticas à forma um tanto &#8220;livre&#8221; pela qual Kautsky reuniu os escritos póstumos, reorganizadas e republicadas.</p>
<p>A produção pragmático-teórica de Karl Marx foi, é, e ainda será, por muito tempo, como bem observava meu saudoso e grande mestre Eurico Amado (in memoriam, antigo PCB), a magistral decodificadora das abstrações reais que constituem parte considerável da sociedade capitalista.</p>
<p>Não significa, bem entendido, que outras percepções adotadas, como as de Keynes, Hayek, Böhm-Bawerk (este, recomendo em especial), não tenham elaborado interpretações muito interessantes e elegantes. E são leituras essenciais num estudo cuidadoso e comparativo.</p>
<p>Todavia, Marx ainda ocupa o posto de popstar. E pode ser compreendido, sim. Há objetividade flagrante no que concerne ao rigor científico e metodológico. Assim, se há algo que marca indelevelmente o modus operandi do genial renano-trevirense, é a preocupação com a clareza, com a concretude, com as fontes consultadas e verificadas.</p>
<p>Some-se, também, em meio a outras observações significativas, a teoria sobre o fenômeno &#8220;fetichização da mercadoria&#8221;. Algo genial, pois, quando apresentado e explicado por Marx, nos faz pensar: &#8220;Olha só! Não é que é mesmo?&#8221;. Em tempo: outros pensadores, no campo da filosofia político-econômica, rebaterão, a exemplo de Baudrillard, e sua denominada virada conceitual. Quem ganha, e muito, com isso, é o leitor zeloso.</p>
<figure id="attachment_102251" aria-describedby="caption-attachment-102251" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.36.13.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-102251 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.36.13.jpeg" alt="Erich Fromm" width="1200" height="597" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.36.13.jpeg 1200w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.36.13-300x149.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.36.13-1024x509.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-27-at-10.36.13-768x382.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102251" class="wp-caption-text">Erich Fromm foi um dos principais sociólogos marxista Foto: Wikipedia</figcaption></figure>
<p>Então, ler e estudar &#8220;O Capital&#8221;, de Karl Marx, requer o que requer qualquer obra de interesse, notadamente as grandes obras clássicas e universais, seja qual for o gênero: leitura lenta e atenta. Ou seja, exige estudo sistemático, permanente, recorrente.</p>
<p>Oh, sim, reconheço: e isso é chato, exaustivo&#8230; Porém, inexistente leitor destas mal traçadas linhas, supere com galhardia as dificuldades do volume um, e a leitura dos dois seguintes transcorrerá de boas.</p>
<p>Não que se torne água com açúcar, de modo algum. Porém, a base obtida mediante o primeiro volume ajudará muito na compreensão do restante.</p>
<p>Enfim, minha desimportante intenção é, sob quixotesca lente, talvez induzir uma só pessoa a tomar a decisão de ler, de verdade, cada volume de &#8220;O Capital&#8221;. E digo ler bem aos poucos, sem pressa, concedendo a si um prazo justo e confortável. Uns dezoito meses, quiçá. Equivale a um volume a cada seis meses.</p>
<p>No entanto, o prazo, o tempo, torna-se um pouco maior: para além da leitura de cada volume, há as anotações, a busca dos aportes teóricos de boa procedência (alerta, inexistente leitor <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/26a0.png" alt="⚠" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> — fuja do David Harvey, se quiser, de fato, compreender a obra, o pensamento de Marx).</p>
<p>Bem, este presente e mísero fólio é fruto de uma inquietude, a qual, nos últimos anos, tem acossado minha depauperada pessoa, provocada pelo intermitente e lamentável caso: o de, vez por outra, ouvir pseudo-meiaoitistas (há-os às miríades) citar Marx, &#8220;O Capital&#8221;, e os grandes (tão somente os decentes e coerentes, bem entendido) teóricos marxistas, de Engels (incluindo o indispensável V.S.Vygodsky) a Althusser.</p>
<p>Seja à direita (para negá-lo, desqualificá-lo) ou à esquerda (para incensá-lo, mitificá-lo), os equívocos, as bobagens, as mentiras, as idiotices proliferam, não de hoje, mas até hoje, à larga, quanto à obra e ao autor. E desde há muito perduram.</p>
<p>Ignorar algo, no caso, aqui, um clássico da filosofia político-econômica, não é pecado, não significa mancha moral na alma e nem na trajetória pessoal de vida de cada um. Digo, inclusive, por mim, que desconheço tanto de tantas coisas sobre o assunto&#8230; Há, como diria Nietzsche, tantas auroras que jamais vi e tantas outras que jamais verei&#8230;</p>
<p>Erro crasso é palrar a todo momento sem conhecimento de causa. É estufar o peito, com arrogância, sem, de fato, conhecer bem, ou razoavelmente, sobre o que fala e propaga. Fui e ainda sou pobre vítima idosa e indefesa desses exterminadores da boa conversa abalizada.</p>
<p>Explico: volta e meia, querendo tão somente manter-me a sós, com minha muito amada Imperatriz, num prosaico momento à mesa dum boteco, bebendo uma pilsen (sim, eu sei: cerveja de amador), sou surpreendido (nem tanto) por um indignado que, sem ter lido coisa alguma e sem permissão, teima em sentar e destilar sua logicice diarreica (Ops! dialética, quis dizer) por horas. Oh, tortura única!</p>
<p>Oremos!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O Colégio Invisível, a origem da Royal Society  e da ciência moderna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Gonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2026 08:00:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; &#160; Dedico este artigo, &#8220;O Colégio Invisível, a origem da Royal Society e da ciência moderna&#8221;, ao inestimável amigo, professor, doutor e engenheiro Josafá de Oliveira Filho, filho de Josafá Freire de Oliveira, uma das pessoas mais gentis, generosas e íntegras que tive o privilégio de conhecer. Um mentor, mestre e pai, na essência &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/o-colegio-invisivel-a-origem-da-royal-society-e-da-ciencia-moderna/">O Colégio Invisível, a origem da Royal Society  e da ciência moderna</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-colegio-invisivel-a-origem-da-royal-society-e-da-ciencia-moderna%2F&amp;linkname=O%20Col%C3%A9gio%20Invis%C3%ADvel%2C%20a%20origem%20da%20Royal%20Society%20%20e%20da%20ci%C3%AAncia%20moderna" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-colegio-invisivel-a-origem-da-royal-society-e-da-ciencia-moderna%2F&amp;linkname=O%20Col%C3%A9gio%20Invis%C3%ADvel%2C%20a%20origem%20da%20Royal%20Society%20%20e%20da%20ci%C3%AAncia%20moderna" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-colegio-invisivel-a-origem-da-royal-society-e-da-ciencia-moderna%2F&amp;linkname=O%20Col%C3%A9gio%20Invis%C3%ADvel%2C%20a%20origem%20da%20Royal%20Society%20%20e%20da%20ci%C3%AAncia%20moderna" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-colegio-invisivel-a-origem-da-royal-society-e-da-ciencia-moderna%2F&amp;linkname=O%20Col%C3%A9gio%20Invis%C3%ADvel%2C%20a%20origem%20da%20Royal%20Society%20%20e%20da%20ci%C3%AAncia%20moderna" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fo-colegio-invisivel-a-origem-da-royal-society-e-da-ciencia-moderna%2F&#038;title=O%20Col%C3%A9gio%20Invis%C3%ADvel%2C%20a%20origem%20da%20Royal%20Society%20%20e%20da%20ci%C3%AAncia%20moderna" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/o-colegio-invisivel-a-origem-da-royal-society-e-da-ciencia-moderna/" data-a2a-title="O Colégio Invisível, a origem da Royal Society  e da ciência moderna"></a></p><p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Dedico este artigo, &#8220;O Colégio Invisível, a origem da Royal Society e da ciência moderna&#8221;, ao inestimável amigo, professor, doutor e engenheiro <strong>Josafá de Oliveira Filho</strong>, filho de Josafá Freire de Oliveira, uma das pessoas mais gentis, generosas e íntegras que tive o privilégio de conhecer. Um mentor, mestre e pai, na essência do seu significado, que ilumina meu caminho com sua sabedoria e exemplo.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p> Jorge Antônio Vieira Gonçalves (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">N</span>a Londres do século XVII, onde superstição e ciência se entrelaçavam numa relação complexa, os limites entre alquimia e química, astrologia e astronomia ainda não estavam claramente definidos, um grupo de homens extraordinários lançou as sementes da maior revolução intelectual desde o Renascimento. O chamado <strong>Colégio Invisível</strong>, semente da <strong>Royal Society</strong>, surgiu como uma irmandade intelectual que desafiava o conhecimento estabelecido. Seus encontros secretos em Oxford e Londres, realizados durante os anos turbulentos da Guerra Civil Inglesa, representavam uma ruptura radical com a tradição acadêmica medieval.</p>
<figure id="attachment_102180" aria-describedby="caption-attachment-102180" style="width: 247px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Oliver_Cromwell_by_Samuel_Cooper-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-102180" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Oliver_Cromwell_by_Samuel_Cooper-247x300.jpg" alt="Oliver Cromwell" width="247" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Oliver_Cromwell_by_Samuel_Cooper-247x300.jpg 247w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Oliver_Cromwell_by_Samuel_Cooper-843x1024.jpg 843w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Oliver_Cromwell_by_Samuel_Cooper-768x933.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Oliver_Cromwell_by_Samuel_Cooper-1264x1536.jpg 1264w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Oliver_Cromwell_by_Samuel_Cooper-1686x2048.jpg 1686w" sizes="auto, (max-width: 247px) 100vw, 247px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102180" class="wp-caption-text">Oliver Cromwel, o Lord Protector<br />Imagem: Wikipedia</figcaption></figure>
<p>Estamos no ano de 1642. A Inglaterra, mergulhada em profunda instabilidade, vê o estopim da <strong>Guerra Civil Inglesa</strong>. Um conflito que duraria quase uma década, dividindo o país entre os partidários do <strong>rei Carlos I</strong> e os defensores do <strong>Parlamento</strong>. O desfecho foi devastador: em janeiro de 1649, Carlos I foi julgado, condenado e teve sua cabeça cortada. A monarquia fora abolida. Em seu lugar, surgia a <strong>República de Inglaterra, Escócia e Irlanda</strong>, sob o controle totalitário de<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Oliver_Cromwell" target="_blank" rel="noopener"> <strong>Oliver Cromwell</strong>.</a></span> Autoproclamado <strong>Lorde Protetor</strong>, Cromwell instaurou um regime que combinava autoritarismo político com uma severidade religiosa. Cromwell era puritano, e sua visão moral teve efeitos profundos sobre a sociedade. Os puritanos buscavam expurgar qualquer resquício de catolicismo da Igreja Anglicana. Suas crenças eram inflexíveis. O lazer era considerado pecado. O teatro, símbolo da cultura, foi fechado. As festas populares foram banidas. Jogos, bebidas e até o Natal foram abolidos por lei. Nas ruas, o cinza do vestuário combinava com o clima opressivo da vigilância moral. Viver era obedecer.</p>
<p>Nesse cenário sombrio, surgiam os primeiros sinais de uma nova luz. Nas universidades de <strong>Oxford</strong> e <strong>Cambridge</strong>, homens curiosos começaram a se reunir de forma discreta e informal, afastados das disputas políticas e dos dogmas religiosos, com um objetivo claro e ousado para sua época: <strong>compreender o mundo por meio da experiência</strong>. Não buscavam respostas em tradições antigas ou em textos sagrados, mas na observação direta da natureza, na experimentação cuidadosa e no raciocínio matemático.</p>
<figure id="attachment_102181" aria-describedby="caption-attachment-102181" style="width: 301px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Robert_Boyle_0001.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-102181" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Robert_Boyle_0001-237x300.jpg" alt="Robert Boyle" width="301" height="381" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Robert_Boyle_0001-237x300.jpg 237w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Robert_Boyle_0001.jpg 523w" sizes="auto, (max-width: 301px) 100vw, 301px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102181" class="wp-caption-text">Robert Boyle, químico e filósofo  Imagem: Wikipedia</figcaption></figure>
<p>Foi o químico e filósofo natural <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Boyle" target="_blank" rel="noopener"><strong>Robert Boyle</strong> </a></span>quem, em cartas escritas entre 1646 e 1647, usou pela primeira vez a expressão <strong>Colégio Invisível</strong> para se referir a essa rede informal de estudiosos que compartilhavam ideias e descobertas à distância, sem sede oficial, sem estatuto e sem reconhecimento público, apenas guiados por uma curiosidade comum. Esses registros, preservados pela Royal Society, mostram que esse Colégio Invisível não era uma instituição, mas um ambiente de pensamento livre, formado por homens como <strong>Boyle, Hooke, Wren</strong> e outros igualmente brilhantes, que se reuniam em capelas desativadas, gabinetes privados e salas emprestadas, onde discutiam fenômenos naturais, repetiam experimentos, desenhavam diagramas, escreviam cartas e formulavam hipóteses, construindo, sem plena consciência, uma nova forma de pensar que mais tarde seria chamada de ciência experimental.</p>
<p>Em 1658, com a morte de <strong>Oliver Cromwell</strong>, o governo começou a ruir. Seu filho, <strong>Richard Cromwell</strong>, foi incapaz de manter a autoridade. O exército, dividido, acabou aceitando a restauração da monarquia. Em 1660, <strong>Carlos II,</strong> filho do rei decapitado, retornou triunfante do exílio. A monarquia estava de volta. Mas Carlos II não era um monarca qualquer. Tendo vivido em Paris e Haia, era cosmopolita, amante das artes, tolerante em matéria de religião e entusiasta da ciência. Ainda assim, o ressentimento que nutria por <strong>Oliver Cromwell</strong> era profundo e, num gesto de vingança simbólica, mandou exumar o corpo do antigo governante, enforcá-lo em praça pública e decapitá-lo postumamente. A cabeça de Cromwell permaneceu por anos exposta em uma lança no Westminster Hall. A velha ordem puritana estava enterrada.</p>
<p>Essa mudança abriu espaço para que os membros do antigo <strong>Colégio Invisível</strong> formalizassem sua atividade. Em novembro de 1660, uma reunião decisiva ocorreu no <strong>Gresham College</strong>, em Londres. Ali, com o apoio implícito do rei, foi fundada a <strong>Royal Society of London for the Improvement of Natural Knowledge.</strong> Dois anos mais tarde, em 1662, a instituição recebeu sua carta patente de <strong>Carlos II</strong>, que conferia legitimidade oficial às suas atividades e garantia autonomia para nomear membros, organizar encontros e publicar descobertas científicas. Era o nascimento definitivo da mais antiga academia científica moderna do mundo. Seu lema, <strong><em>Nullius in verba</em></strong>, “<strong>não acreditar apenas nas palavras de alguém</strong>”, era uma afronta direta ao autoritarismo da tradição e da autoridade religiosa, e afirmava, de forma inequívoca, que a ciência moderna se ergueria sobre provas.</p>
<p>Com a fundação oficial da Royal Society, a ciência ganhava não apenas uma casa, mas um propósito renovado. A cidade de Londres, contudo, logo seria tragicamente colocada à prova. Em 1665, a peste bubônica voltou a assolar a capital inglesa. A Grande Peste de Londres matou cerca de cem mil pessoas, aproximadamente um quinto da população. Ruas foram interditadas, portas marcadas com cruzes vermelhas, cadáveres transportados em carroças durante a noite e despejados em valas comuns. O medo era absoluto. As universidades foram fechadas e a Royal Society, ainda em sua infância, teve de suspender suas atividades.</p>
<p>Entre os que se isolaram durante a peste estava um jovem de mente insaciável, ainda desconhecido fora dos muros de Cambridge, refugiado na casa da mãe, em Woolsthorpe. Seu nome era <strong>Isaac Newton</strong>. Foi ali, entre 1665 e 1666, que esse jovem solitário lançaria as bases da física moderna, reformulando o modo como compreendemos o movimento dos corpos, a gravidade e a luz.</p>
<p>Na madrugada de 2 de setembro de 1666, uma padaria localizada na estreita rua Pudding Lane foi tomada por chamas. Era a padaria de <strong>Thomas Farrinor,</strong> padeiro do rei, e acredita-se que faíscas de um forno ainda aceso atingiram lenha mal armazenada. Apesar de Farrinor e sua família escaparem, a empregada não teve a mesma sorte e foi considerada a primeira vítima da tragédia. As condições para o desastre eram perfeitas. A cidade, em sua maioria construída com madeira seca e coberta por piche, era um barril de pólvora. A sequência de casas contíguas, a presença de depósitos com óleo e bebidas alcoólicas, e ventos fortes vindos do leste alimentaram as labaredas com fúria incontrolável.</p>
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<figure id="attachment_102182" aria-describedby="caption-attachment-102182" style="width: 851px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/grande-incendio-de-londres.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-102182 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/grande-incendio-de-londres.jpg" alt="Grande incêndio de Londres em 1666" width="851" height="389" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/grande-incendio-de-londres.jpg 700w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/grande-incendio-de-londres-300x137.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 851px) 100vw, 851px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102182" class="wp-caption-text">Grande incêndio de Londres em 1666 Imagem: Wikipédia</figcaption></figure>
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<p>Durante quatro dias, o fogo devastou Londres. As técnicas rudimentares de combate às chamas, baseadas em baldes d&#8217;água e barreiras improvisadas, mostraram-se inúteis. A hesitação do prefeito em autorizar a demolição de casas para conter o avanço do fogo contribuiu para o agravamento da catástrofe. Somente após a intervenção do rei Carlos II, que ordenou a destruição controlada de edifícios para criar barreiras, houve algum êxito, mas já era tarde. Mais de treze mil residências, oitenta e sete igrejas e edifícios públicos foram destruídos. A antiga Catedral de São Paulo virou ruínas. Cerca de oitenta por cento da <strong>City de Londres</strong> foi consumida pelas chamas. Curiosamente, os registros oficiais apontaram apenas dezenas de mortos, número que muitos historiadores consideram simbólico, dado o tamanho da devastação e a precariedade dos registros funerários da época. E ainda que a tragédia tenha deixado a cidade em escombros, ela abriu caminho para uma nova Londres, com ruas mais largas, prédios de pedra e uma visão renovada de arquitetura e urbanismo.</p>
<p><strong>Christopher Wren</strong>, na juventude, desfrutava de privilégios. Estudou em Westminster, foi aluno de Cambridge e teve como companheiro de infância o próprio Carlos II, agora rei restaurado da Inglaterra. Era um jovem prodígio, com vasto interesse por matemática, anatomia, astronomia e engenharia. Em Oxford, mergulhou nos estudos científicos com uma curiosidade insaciável. Aproveitando a abundância de cadáveres deixados pela guerra, conduziu investigações diretas sobre o corpo humano. Seus desenhos do cérebro, entre os primeiros da história, com precisão científica, impressionavam os médicos de sua época. Mas seu olhar não se limitava à forma. Queria compreender também a função.</p>
<p>Em um experimento que hoje nos causa desconforto, mas que foi pioneiro à época, Wren decidiu testar a função do baço. Acreditava-se que o órgão fosse vital, mas ele quis comprovar. Amarrando um cão spaniel a uma mesa, fez uma incisão no abdômen, removeu o baço e suturou os vasos. O animal sobreviveu. Com isso, Wren demonstrou que nem tudo o que se dizia na medicina era verdadeiro. <strong>A verdade, concluía, estava no experimento.</strong></p>
<p>Sua curiosidade parecia não ter limites. Interessava-se por tudo, das fases da Lua ao comportamento das abelhas. Antes de dedicar-se à arquitetura, mergulhou na astronomia e na óptica. Incomodado com as limitações dos telescópios da época, decidiu estudar a fundo a lente natural por excelência, o olho. Dissecou o globo ocular de um cavalo e, a partir dessa anatomia, compreendeu como a luz era refratada. Usando esse conhecimento, ajustou suas próprias lentes e obteve imagens inéditas da Lua. Um novo mundo, detalhado e crivado de crateras, descortinava-se diante de seus olhos.</p>
<p>Na época, a profissão de arquiteto, tal como a conhecemos hoje, ainda não existia. Construir era tarefa de pedreiros, mestres de obras e engenheiros militares. Wren, com sua formação científica e domínio matemático, transcendeu as fronteiras desses ofícios. A combinação rara de astrônomo, anatomista e técnico, capaz de transformar os segredos da geometria em soluções mecânicas, encontrou expressão máxima <strong>na monumental cúpula da nova Catedral de São Paulo</strong>. Isaac Newton, que não distribuía elogios com facilidade, considerava Wren um dos maiores geômetras de sua geração. Wren, membro fundador da Royal Society, integrante do grupo que formalizou os ideais do antigo Colégio Invisível.</p>
<figure id="attachment_102186" aria-describedby="caption-attachment-102186" style="width: 348px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Christopher_Wren_by_Godfrey_Kneller_1711.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-102186 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Christopher_Wren_by_Godfrey_Kneller_1711-236x300.jpg" alt="Christopher_Wren" width="348" height="443" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Christopher_Wren_by_Godfrey_Kneller_1711-236x300.jpg 236w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Christopher_Wren_by_Godfrey_Kneller_1711-804x1024.jpg 804w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Christopher_Wren_by_Godfrey_Kneller_1711-768x978.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Christopher_Wren_by_Godfrey_Kneller_1711.jpg 1206w" sizes="auto, (max-width: 348px) 100vw, 348px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102186" class="wp-caption-text">Sir Christopher Wren: exemplo de virtude Imagem: Wikipedia</figcaption></figure>
<p><strong>Curiosidade sobre <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Christopher_Wren" target="_blank" rel="noopener">Christopher Wren</a></span>:</strong> exaltado em obras maçônicas clássicas como exemplo de virtude, sabedoria e serviço à Coroa, seu nome figura entre os pilares simbólicos da tradição maçônica inglesa. Um registro de valor inestimável nesse sentido aparece na obra <strong>Ahiman Rezon</strong>: A Constituição dos Maçons Antigos, escrita por <strong>Laurence Dermott</strong> em 1778 e traduzida com comentários por <strong>Kennyo Ismail</strong> na edição brasileira de 2024. Nela, lê-se o seguinte sobre Wren: &#8220;<em>O famoso Sir Christopher Wren, Cavaleiro (Mestre em Artes pela Universidade de Wadham, professor de astronomia em Gresham e Oxford, Doutor em Direito Civil, Presidente da Royal Society, Grão-Mestre da Mais Antiga e Honorável Fraternidade de Maçons Livres e Aceitos, Arquiteto da Coroa, que construiu a maioria das igrejas em Londres, lançou a primeira pedra da gloriosa catedral de São Paulo, e viveu para terminá-la) serviu à Coroa por mais de cinquenta anos, foi (aos noventa anos de idade) exonerado em favor do Sr. William Benson, que foi feito topógrafo de edifícios etc., da Sua Majestade, o Rei George I”</em>. Mais do que uma homenagem, trata-se de um registro que confirma o lugar de Wren como figura central na arquitetura, na ciência e na tradição maçônica inglesa.</p>
<p>Quando o Grande Incêndio de Londres reduziu a cidade a cinzas, em setembro de 1666, Wren já era reconhecido como um dos cientistas mais brilhantes de sua geração. Entre os nomes convocados para liderar a reconstrução da capital estava o próprio Wren, agora prestes a tornar-se o arquiteto da nova Londres. Seu projeto urbanístico moderno, apresentado poucos dias após o incêndio, propunha ruas largas e quarteirões geométricos. Embora o plano tenha sido parcialmente rejeitado, Wren foi encarregado da reconstrução de dezenas de igrejas, entre elas a nova Catedral de São Paulo, hoje ícone da capital inglesa. Seu parceiro nessa empreitada foi <strong>Robert Hooke</strong>, outro membro fundador da Royal Society.</p>
<p>Robert Hooke foi uma das figuras mais extraordinárias da Royal Society, um homem cuja mente parecia habitar muitas disciplinas ao mesmo tempo. Anatomista, físico, geólogo, inventor, astrônomo e desenhista de precisão extraordinária, Hooke deixou uma contribuição duradoura para a ciência moderna. Em 1665, pouco antes da peste e do incêndio que devastariam Londres, publicou <strong>Micrographia</strong>, uma obra revolucionária que revelou ao público inglês um mundo invisível. Utilizando um microscópio desenvolvido por ele, desenhou com espantosa nitidez a estrutura de insetos, tecidos, cristais e plantas. Foi o primeiro a empregar o termo “<strong>célula</strong>”, ao observar os poros da cortiça. Seu trabalho causou fascínio imediato. Samuel Pepys, secretário do Almirantado, registrou em seu diário que passou a noite em claro, hipnotizado pelas imagens do livro.</p>
<p>Após o Grande Incêndio de 1666, Hooke foi chamado para integrar os planos de reconstrução da capital inglesa. Ao lado de Christopher Wren, com quem já compartilhava ideias e projetos desde os tempos do Colégio Invisível, participou da elaboração de um novo plano urbanístico para Londres. Sua formação técnica, sua compreensão das proporções geométricas e sua habilidade em transformar conhecimento científico em soluções práticas fizeram dele peça-chave na reconstrução da cidade. Hooke projetou mercados, praças, edifícios públicos, instrumentos de medição urbana e sistemas de drenagem. Mas foi com Wren que concebeu uma obra singular, carregada de simbolismo e ambição científica: <strong>o Monumento ao Grande Incêndio de Londres.</strong></p>
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<figure id="attachment_102185" aria-describedby="caption-attachment-102185" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Coluna-Dourada-na-Praca-Urbana.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-102185 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Coluna-Dourada-na-Praca-Urbana.png" alt="Monumento ao Grande Incêndio de Londres" width="1536" height="1024" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Coluna-Dourada-na-Praca-Urbana.png 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Coluna-Dourada-na-Praca-Urbana-300x200.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Coluna-Dourada-na-Praca-Urbana-1024x683.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Coluna-Dourada-na-Praca-Urbana-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1536px) 100vw, 1536px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102185" class="wp-caption-text">Monumento ao Grande Incêndio de Londres Foto: Wikipedia</figcaption></figure>
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<p>Erguido nas proximidades da padaria em Pudding Lane, onde o fogo teve início, o monumento é uma imponente coluna dórica com sessenta e um metros de altura, exatamente a distância entre sua base e o ponto de origem do incêndio. A estrutura foi concebida não apenas como memorial, mas também como instrumento científico. Hooke idealizou usá-la como um telescópio vertical, ou telescópio zenital, com o objetivo de medir a paralaxe estelar, o pequeno deslocamento aparente das estrelas quando observadas de dois pontos distintos da órbita terrestre, um dos métodos propostos para provar que a Terra se movia ao redor do Sol. Era uma tentativa ousada de aplicar arquitetura à astronomia. No entanto, a instabilidade provocada por vibrações do solo e do tráfego urbano impossibilitou observações precisas. Ainda assim, <strong>Hooke</strong>, sempre obstinado, chegou a residir temporariamente dentro do monumento e produziu diversos desenhos técnicos e científicos relacionados ao projeto. A ideia não prosperou como experimento astronômico, mas a coluna tornou-se um símbolo do renascimento das cinzas de Londres e do espírito científico da nova era.</p>
<p>Na Royal Society, Hooke exerceu o cargo de curador de experimentos, função que exigia não apenas erudição, mas inventividade e domínio técnico. Era ele quem idealizava os aparatos, organizava as demonstrações e registrava os resultados. Construiu barômetros, higrômetros, relógios de precisão, bombas de vácuo, lentes compostas e mecanismos que ampliaram os sentidos humanos. Sua mente estava sempre em movimento. No entanto, sua intensa atividade intelectual nem sempre era acompanhada de diplomacia. Ao longo dos anos, acumulou disputas com vários colegas. Seu relacionamento com Isaac Newton foi particularmente difícil. As divergências tornaram-se pessoais. Hooke acusava Newton de se apropriar de ideias sem dar crédito. Newton, por sua vez, desprezava o estilo combativo de Hooke. Após a morte de Hooke, em 1703, quando Newton já presidia a Royal Society, surgiram relatos de que todos os retratos do antigo rival foram destruídos. Nenhum retrato autêntico de Robert Hooke sobreviveu.</p>
<p>Entre os nomes que moldaram os fundamentos da nova ciência, poucos são tão reconhecidos quanto <strong>Robert Boyle</strong>. Ainda hoje lembrado por sua lei que relaciona a pressão e o volume dos gases, sua contribuição mais duradoura talvez tenha sido outra. Em 1661, Boyle publicou The Sceptical Chymist, O químico cético, obra que marca, para muitos, <strong>o nascimento da química moderna e o fim da alquimia.</strong> Até então, o pensamento sobre a matéria ainda era profundamente influenciado pela tradição aristotélica, segundo a qual o mundo era composto por quatro elementos fundamentais: <strong>Terra, Água, Ar e Fogo</strong>. Essa estrutura clássica fora complementada pela alquimia medieval, que introduziu uma trindade simbólica formada por <strong>Enxofre, Mercúrio e Sal,</strong> associados à <strong>combustão</strong>, <strong>volatilidade</strong> e <strong>fixidez</strong>. A matéria era, assim, explicada como uma combinação de princípios visíveis e invisíveis, físicos e espirituais.</p>
<p>Boyle rompeu com esse modelo. Em <strong>O químico cético</strong> rejeitou <strong>os quatro elementos de Aristóteles</strong> e <strong>a tríade alquímica</strong>, defendendo que toda substância era composta por partículas menores, <strong>os corpúsculos</strong>, capazes de se agrupar de diferentes formas para originar materiais distintos. Essa ideia, retomada após mais de dois milênios, remontava <strong>ao atomismo de Demócrito</strong> (c. 460 – c. 370 a.C.), mas com uma diferença crucial: os corpúsculos não precisavam ser indivisíveis. Inspirado por pensadores como <strong>Pierre Gassendi</strong>, Boyle via essas partículas como unidades mutáveis, cuja interação explicava os fenômenos químicos e sensoriais do mundo natural. Para Boyle, ideias não deveriam ser aceitas com base na tradição ou na autoridade, mas sim submetidas à prova, verificadas por experimentos repetíveis e publicadas. Era a consagração do método experimental.</p>
<p>A Royal Society acolheu com entusiasmo suas ideias, não apenas pelo conteúdo, mas pelo rigor do procedimento. A ciência passava a tornar-se uma linguagem baseada em observação, repetição e demonstração. Publicar, reproduzir, comprovar, eis o novo vocabulário do saber.</p>
<p>Curiosamente, Boyle nunca abandonou inteiramente o universo simbólico da alquimia. Ao contrário, via nela um campo de investigação complementar. Durante anos, manteve uma correspondência intensa com Isaac Newton, trocando cartas sobre substâncias purificadas, processos de transmutação e o papel espiritual da matéria. Essas cartas, muitas vezes escritas em latim e com vocabulário cifrado, revelam que mesmo os fundadores da ciência moderna mantinham vivo o fascínio por aquilo que não podia ser plenamente explicado. Entre a chama do forno e o silêncio da experiência, havia ainda espaço para o mistério.</p>
<p>O laboratório de Robert Hooke, na Gresham College, tornou-se o centro das investigações experimentais da Royal Society. Era ali que os membros se reuniam semanalmente para testemunhar demonstrações, discutir hipóteses e relatar descobertas vindas de diversas partes da Europa. Hooke, como curador oficial dos experimentos, montava os aparelhos, explicava os mecanismos e registrava cuidadosamente os resultados. Sua habilidade era notável. Foi ao lado de Boyle que Hooke construiu a primeira bomba de vácuo eficaz da Inglaterra. Com ela, demonstraram que o ar possuía peso, volume, elasticidade e pressão. Provaram, entre outras coisas, que uma vela se apaga na ausência de ar e que, sem oxigênio, um animal não sobrevive. Esses experimentos não apenas refutavam antigas doutrinas, como também afirmavam o ar como elemento essencial nas reações naturais. Pela primeira vez, as substâncias do mundo visível eram examinadas com instrumentos de precisão e submetidas a uma metodologia experimental.</p>
<p>Enquanto Robert Hooke e Robert Boyle exploravam os limites do infinitamente pequeno e das propriedades da matéria, outro jovem cientista, mais interessado nas alturas do céu do que nos elementos da terra, começava a se destacar. Seu nome era Edmund Halley. Nascido em 1656, filho de um comerciante próspero, Halley foi educado em Oxford, onde logo se destacou pela inteligência precoce e por um fascínio pelos corpos celestes. Com apenas vinte anos de idade, decidiu interromper temporariamente os estudos e embarcar em uma expedição ousada rumo à <strong>ilha de Santa Helena</strong>, no Atlântico Sul. Seu objetivo era observar e catalogar as estrelas do hemisfério sul, ainda praticamente desconhecidas dos astrônomos europeus. Levou consigo um sextante de grande abertura angular, um telescópio refrator e um relógio astronômico de precisão, instrumentos com os quais passou mais de um ano registrando a posição de 341 estrelas.</p>
<figure id="attachment_102187" aria-describedby="caption-attachment-102187" style="width: 276px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-24-102830.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-102187" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-24-102830-197x300.png" alt="Catalogus Stellarum" width="276" height="420" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-24-102830-197x300.png 197w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-24-102830.png 357w" sizes="auto, (max-width: 276px) 100vw, 276px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102187" class="wp-caption-text">Catalogus Stellarum</figcaption></figure>
<p>O resultado foi o <strong><em>Catalogus Stellarum</em></strong> do Hemisfério Sul, publicado em 1678, uma obra pioneira que ampliou o alcance da astronomia e ofereceu dados fundamentais para a navegação. Reconhecendo a importância estratégica de suas observações para a Marinha Real, <strong>o rei Carlos II</strong> interveio pessoalmente, solicitando à Universidade de Oxford que concedesse a Halley o título de mestre em artes, mesmo sem que ele tivesse concluído formalmente o curso. Era um gesto raro, mas plenamente justificado por uma contribuição científica inegável.</p>
<p>A precisão de suas medições passou a ser utilizada para refinar o posicionamento de navios e os cálculos de longitude, em uma época em que o domínio dos mares representava poder. Halley, aos vinte e dois anos, já era membro respeitado da Royal Society e símbolo de como a astronomia podia servir não apenas à curiosidade filosófica, mas também à política naval britânica.</p>
<p>Halley não se contentava apenas com a confecção de mapas estelares. Queria compreender as causas por trás dos movimentos celestes. Em 1684, em uma conversa com <strong>Hooke e Wren,</strong> ouviu de <strong>Hooke</strong> que já conhecia a explicação para as órbitas dos planetas, mas que não pretendia demonstrá-la. Sem se convencer, Halley decidiu consultar o único homem que julgava ter a capacidade matemática necessária para responder àquela questão. Viajou até Cambridge e perguntou diretamente a Isaac Newton: “<em>como ele achava que seria a curva descrita pelos planetas, supondo que a força de atração em relação ao Sol fosse o inverso do quadrado da distância entre eles</em>”.</p>
<p>Newton respondeu de imediato que seria uma elipse e disse que já havia feito os cálculos anos antes. Surpreso, Halley insistiu para que ele localizasse os manuscritos. Pouco tempo depois, recebeu um tratado breve, <strong><em>De motu corporum in gyrum</em></strong>, contendo os fundamentos de uma nova física. Halley compreendeu de imediato a profundidade da descoberta e incentivou Newton a desenvolver e publicar a obra completa. O resultado foi o <strong>Princípios Matemáticos da Filosofia Natural</strong>, publicado em 1687, um dos livros mais importantes da história da ciência moderna. No prefácio da obra, Halley registrou sua admiração em palavras memoráveis: “<em>um tratado divino, exaltando a razão humana a um ponto que é o máximo do esforço mental</em>”.</p>
<p>Quando a Royal Society informou que não dispunha de fundos para imprimir o volume, Halley assumiu pessoalmente os custos da publicação. Mais do que editor, ele foi o responsável por cada etapa do processo: acompanhou a impressão, revisou as provas, redigiu o prefácio e intercedeu nas tensões internas da Sociedade, especialmente no conturbado relacionamento entre Newton e Hooke. Sem Halley, um dos livros mais importantes da história da ciência moderna talvez jamais tivesse sido publicado, e a história da ciência poderia ter seguido um curso mais lento e nebuloso.</p>
<p>Com a morte de Carlos II, em 1685, subiu ao trono seu irmão Jaime II, um católico convicto em um país cada vez mais protestante. Muitos temiam o retorno do absolutismo e a restauração do catolicismo como religião oficial. Mas a resposta inglesa foi rápida, estratégica e, surpreendentemente, pacífica. Entre 1688 e 1689, ocorreu a chamada <strong>Revolução Gloriosa.</strong> Jaime II foi deposto sem grande resistência, e no seu lugar assumiram o trono <strong>Guilherme de Orange</strong> e sua <strong>esposa Maria Stuart</strong>, filha protestante de Jaime. Essa troca de monarcas representou uma transformação institucional profunda. Pela primeira vez, a monarquia ficou subordinada ao Parlamento. O poder absoluto foi abolido formalmente. O rei tornava-se guardião da legalidade, e não mais sua fonte. O resultado foi a construção de uma nova arquitetura política: <strong>uma monarquia constitucional com base parlamentar.</strong></p>
<p>Esse novo modelo de governo repercutiu diretamente sobre a ciência. Sem o temor da censura real ou da repressão religiosa, a Royal Society floresceu. A liberdade de pensar, experimentar e publicar passou a moldar o novo ideal da vida intelectual britânica. A Sociedade e seus membros estavam empenhados em aplicar o conhecimento baseado na experiência a todas as esferas da vida: <strong>cartografia, agricultura, construção naval, astronomia, medicina e reformas urbanas</strong> figuravam nas discussões de seus encontros. A ideia de que o saber científico podia melhorar concretamente a condição humana começava a se realizar.</p>
<div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Foram doze homens que assinaram a fundação da <strong>Royal Society</strong>, mas, por ora, conhecemos apenas quatro deles, aqueles que sempre me fascinaram e cujos nomes atravessaram os séculos: <strong>Christopher Wren, Robert Boyle, Robert Hooke e Edmund Halley.</strong></p>
<p><strong>Christopher Wren</strong> (1632–1723), matemático, anatomista, astrônomo e membro central da Royal Society, cuja genialidade uniu ciência, arte e arquitetura, projetando a nova Londres após o incêndio de 1666. Sua obra-prima, <strong>a Catedral de São Paulo</strong>, expressa o encontro entre proporção matemática, a transformação dos segredos da geometria na mecânica das construções, ciência aplicada e beleza na arte de construir. Newton o considerava um dos maiores geômetras de seu tempo.</p>
<p><strong>Robert Boyle</strong> (1627–1691), pioneiro da química experimental, rejeitou os modelos aristotélicos e alquímicos, defendendo que a matéria era composta por corpúsculos combináveis. Fundador do método empírico moderno, sua obra influenciaria gerações, inclusive por meio das Boyle Lectures, que seguiram promovendo o diálogo entre ciência e religião.</p>
<p><strong>Robert Hooke</strong> (1635–1703), primeiro curador de experimentos da Royal Society, revelou o universo microscópico em Micrographia, formulou a lei da elasticidade que leva seu nome e projetou instrumentos fundamentais para a pesquisa científica. Apesar dos conflitos, notadamente com Newton, seu legado permaneceu decisivo.</p>
<p><strong>Edmund Halley</strong> (1656–1742), astrônomo e navegador, foi o responsável direto pela publicação dos Principia. Convenceu Newton, financiou a impressão e editou o manuscrito que mudaria para sempre o pensamento científico. Halley determinou a órbita de um cometa e provou que sua trajetória era elíptica e previsível, regida pelas mesmas leis que governam os planetas. O cometa, por séculos temido como sinal de desgraça, foi batizado em sua homenagem, encerrando simbolicamente a era da superstição sob a luz da razão.</p>

			</div></div>
<p>A trajetória da Royal Society é, em essência, a história da transformação de um mundo dominado por crenças religiosas, superstições e terrores celestes para um mundo guiado pela razão. <strong>Uma marcha lenta e determinada da escuridão em direção à luz.</strong> Um mundo onde a visão de um cometa cruzando os céus já não era mais temida como sinal do fim dos tempos, mas medida, calculada e compreendida como parte de um cosmos ordenado.</p>
<p>Com a criação do <strong>Colégio Invisível</strong>, ainda nos dias sombrios da Guerra Civil Inglesa, começou a tomar forma uma nova maneira de compreender o mundo. Mesmo diante da peste que assolava as cidades e do incêndio que devastou Londres, aquelas reuniões semanais de pensadores, movidas por uma curiosidade incansável e pela recusa em aceitar verdades absolutas e impostas, transformaram-se na <strong>Royal Society</strong>, símbolo máximo do espírito científico moderno. Pelas inestimáveis contribuições de <strong>Newton, Wren, Hooke, Boyle e Halley</strong>, a ciência rompeu as correntes da superstição, separou-se definitivamente da astrologia, abandonou a alquimia e lançou as fundações sobre as quais repousa o mundo moderno.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong>REVISÃO BIBLIOGRÁFICA</strong></p>
<p>1.<strong>GONCALVES</strong>, Jorge Antonio Vieira. A Maçonaria para todos IV: Isaac Newton, o mago que desvendou o Universo. Sergipe: Criação Editora Aracaju, 2024. CRB: 8 8846.</p>
<ol start="2">
<li><strong> ROONEY</strong>, Anne. A História da Matemática: Desde a criação das pirâmides até a exploração do infinito. São Paulo: M.Books do Brasil Editora Ltda, 2012. ISBN: 978-85-7680-133-7.</li>
<li><strong>FLOOD</strong>, Raymond; WILSON, Robin. Os Grandes Matemáticos: as Descobertas e a Propagação do Conhecimento através das Vidas dos Grandes Matemáticos. São Paulo: M.Books do Brasil Editora Ltda, 2013. ISBN: 978-85-7680-216-7.</li>
<li><strong>ROONEY</strong>, Anne. A História da Física. São Paulo: M.Books do Brasil Editora Ltda, 2013. ISBN: 978-85-7680-217-4.</li>
<li><strong>GLEISER</strong>, Marcelo. A ilha do conhecimento: os limites da ciência e a busca por sentido. Rio de Janeiro: Record, 2014. ISBN: 978-85-01-05277-3.</li>
<li><strong>WEINBERG</strong>, Steven. Para explicar o mundo a descoberta da ciência moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. ISBN: 978-85-359-2625-5.</li>
<li><strong>GLEISER</strong>, Marcelo. O fim da Terra e do Céu: o apocalipse na ciência e na religião. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. ISBN: 978-85-359-2001-7.</li>
<li><strong>ROONEY</strong>, Anne. A História da Astronomia: Dos planetas e estrelas aos pulsares e buracos negros. São Paulo: M.Books do Brasil Editora Ltda, 2018. ISBN: 978-85-7680-299-0.</li>
<li><strong>ROONEY</strong>, Anne. A História da Química: Da Tabela Periódica à Nanotecnologia. São Paulo: M.Books do Brasil Editora Ltda, 2019. ISBN: 978-85-7680-310-2.</li>
<li><strong>NEWTON</strong>, Isaac, Sir. Principia: Princípios Matemáticos de Filosofia Natural &#8211; Livro I. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2020. ISBN: 978-85-314-0673-7.</li>
<li><strong>CLARK</strong>, Stuart. A Incrível Jornada da Humanidade: A História Contada Através das Estrelas. São Paulo: Universo dos Livros, 2021.</li>
<li><strong>BARTLETT</strong>, The Last Magician, 2013.</li>
<li><strong>DERMOTT</strong>, Laurence. Ahiman Rezon: a Constituição dos Maçons Antigos. 2. ed. Traduzido e comentado por <strong>Kennyo</strong> Ismail. [S. l.]: Kennyo Ismail, 2024. ISBN: 978-65-993785-8-4.</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O Brasil precisa de mudança; a mudança começa por nós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2026 12:11:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[consciência coletiva]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[mudança de comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[política brasileira]]></category>
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<blockquote><p>Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>o domingo, o Brasil irá às urnas para escolher o próximo presidente da República, que governará o país pelos próximos quatro anos. A eleição está polarizada até o último momento, tornando o desfecho imprevisível. Independentemente do resultado, que vença o menos ruim. Os finalistas estão muito aquém das mudanças necessárias para este imenso país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.</p>
<p>Ambos os candidatos prometem mudanças. O atual ocupante do cargo tem afirmado que o Brasil precisa mudar, enquanto o opositor promete mudanças radicais. Essas promessas fazem parte do jogo político.</p>
<p>No meu círculo social, vejo pessoas falando e compartilhando em redes sociais que o Brasil vai mudar após as eleições. E é verdade, o Brasil vai mudar, mas só quando os brasileiros mudarem. Vai mudar quando você devolver o troco errado para o caixa. Vai mudar quando você marcar consulta no SUS ou particular e comparecer. Vai mudar quando você respeitar as pessoas, suas opiniões e suas diferenças. Vai mudar quando as leis e regras forem respeitadas. Estamos muito longe disso.</p>
<p>Vai mudar quando você for à reunião da escola do seu filho. Vai mudar quando você parar de comprar um telefone com o valor maior que o seu salário. Vai mudar quando você valorizar os professores do seu filho.</p>
<p>A mudança começa quando você para de fazer gato na energia, na internet e na TV a cabo. Ela começa quando você para de cortar filas. Ela começa quando você deixa de se preocupar com a vida do vizinho e para de usar a vaga para pessoa com deficiência quando não precisa. Ela começa quando você para de reclamar que no mês não tem feriado e ensina para seu filho que o porteiro merece o mesmo respeito que um advogado. Ela começa quando você deixa de idolatrar jogadores de futebol, artistas e influenciadores e de incensar políticos, que são meros representantes nossos.</p>
<p>A mudança começa quando você promete pegar seu filho no final de semana e vai. Ela começa quando você para de dar brinquedos caros ao seu filho e senta no chão para brincar com ele. Ela começa quando você se respeita e valoriza as mulheres, com respeito acima de tudo. Ela começa quando você valoriza o trabalho que sua companheira realiza em casa, deixa de reclamar do preço cobrado pelo cabeleireiro e para de pedir desconto ao feirante. Ela começa quando você para de compartilhar mazelas nas redes sociais e sabe a diferença entre notícia com fundamento e fake news, sem compartilhar as falsas.</p>
<p>A mudança começa quando você vota em candidato sem pensar no que vai ganhar e quando pensamos no coletivo. Ela começa quando você para de compartilhar onde tem blitz e não usa a ignorância para mostrar que tem poder. Ela começa quando você pega o cocô do seu cachorro e entende que política não é só de 4 em 4 anos, mas sim que a política está até no pão com ovo que você come para pagar o carro do ano.</p>
<blockquote><p>Nenhum dos postulantes ao cargo máximo da política brasileira vai fazer a mudança. A mudança começa em mim e em você.</p></blockquote>
<p>Em um país onde a busca incessante por vantagens individuais prevalece, a sociedade como um todo sofre. Se essa tendência continuar, nos encontraremos em um estado de caos, onde o canibalismo e a antropofagia figuram como metáforas para a destruição mútua. Nenhum político pode transformar um país se a população não mudar suas atitudes. Os políticos que elegemos são um reflexo da sociedade que somos. Que vença o melhor, com a consciência de que foi eleito para governar para todos, com a missão de unir um país dividido por ideologias tolas e desnecessárias. Temos o privilégio de habitar um dos melhores países do mundo.</p>
<p>Avante! Viva o Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Toda forma de poder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 13:03:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[cultura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[democracia brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Engenheiros do Hawaii]]></category>
		<category><![CDATA[história do rock]]></category>
		<category><![CDATA[Humberto Gessinger]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade de expressão]]></category>
		<category><![CDATA[música e política]]></category>
		<category><![CDATA[resistência ao autoritarismo]]></category>
		<category><![CDATA[rock brasileiro dos anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[rock nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Toda Forma de Poder]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Há quarenta anos, a banda Engenheiros do Hawaii lançava o seu primeiro disco, intitulado “Longe demais das capitais”. Além de sucessos como “Todo mundo é uma ilha”, “Segurança” e “Beijos pra torcida”, o álbum se destacou pela canção “Toda forma de poder”, de autoria do vocalista e &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á quarenta anos, a banda <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/engenheirosdohawaii/?hl=pt-br" target="_blank" rel="noopener"><strong><em>Engenheiros do Hawaii</em></strong></a></span> lançava o seu primeiro disco, intitulado “<em>Longe demais das capitais</em>”. Além de sucessos como “<em>Todo mundo é uma ilha</em>”, “<em>Segurança</em>” e “<em>Beijos pra torcida</em>”, o álbum se destacou pela canção “<em>Toda forma de poder</em>”, de autoria do vocalista e líder do grupo, Huberto Gessinger. Ele, Marcelo Pitz e Augusto Licks (formação original) entraram para a história do rock nacional com melodias provocativas e reflexivas, todas elas ainda bastante atuais.</p>
<figure id="attachment_102139" aria-describedby="caption-attachment-102139" style="width: 259px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-102139 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35-220x300.jpeg" alt="Historiadora Wanessa Fonseca" width="259" height="353" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35-220x300.jpeg 220w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35-751x1024.jpeg 751w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35-768x1047.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/WhatsApp-Image-2026-10-23-at-08.26.35.jpeg 868w" sizes="auto, (max-width: 259px) 100vw, 259px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102139" class="wp-caption-text">Historiadora Wanessa Fonseca: trabalho de conclusão de curso sobre Engenheiros do Hawaii Foto: Acervo pessoal</figcaption></figure>
<p>Fundado em 1985, <em>Engenheiros do Hawaii</em> surgiu num contexto de transição de um regime autoritário para um regime democrático no Brasil. Nesse sentido, recomendo a leitura do trabalho de conclusão de curso da professora e historiadora Wanessa Fonseca de Goes (Licenciatura em História da Universidade Federal de Sergipe, 2019): <em>Por que o mundo não acabou nos anos 80: Engenheiros do Hawaii e a narrativa histórica de uma época. </em>Em sua pesquisa, ela mostra como o grupo se utiliza de suas letras e canções para traduzir a história do país e do mundo, como na lendária canção <em>O Papa é pop</em> (1990).</p>
<p>À época do surgimento da banda gaúcha, eu estava saindo da infância e entrando na adolescência. Foi um tempo de grande efervescência cultural, notadamente no campo da cultura pop, cuja realização da primeira edição do <em>Rock in Rio</em> (1985) foi um divisor de águas. Reprimida por vinte anos, a criatividade do povo brasileiro, particularmente da juventude, explodiu com outros grupos, a exemplo de Legião Urbana, Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e RPM. Todos eles dizendo, cantando e gritando, em alto e bom som: DITADURA NUNCA MAIS!</p>
<p>Eu cresci nesse ambiente e pude experimentar o que é viver num país democrático. E, nesse sentido, a canção <em>Toda Forma de Poder</em> e tantas outras da banda <em>Engenheiros do Hawaii</em> têm muito a nos dizer, em especial nas vésperas da realização do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, onde, em jogo, não estão apenas duas candidaturas (uma de esquerda e outra de extrema direita), mas o destino da democracia brasileira. Estaria ela, após quarenta anos, fadada a ser colocada novamente em escanteio em nome de mais uma aventura autoritária?</p>
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<p>Para além de discorrermos um pouco mais sobre <em>Toda Forma de Poder</em>, vale ressaltar outras passagens icônicas da discografia do grupo, que incluem doze discos, a saber:  Longe Demais das Capitais (1986); A Revolta dos Dândis (1987); Ouça o Que Eu Digo: Não Ouça Ninguém (1988); O Papa É Pop (1990); Várias Variáveis (1991); Gessinger, Licks &amp; Maltz (1992); Filmes de Guerra, Canções de Amor (1993); Simples de Coração (1995); Minuano (1997); !Tchau Radar! (1999); Surfando Karmas &amp; DNA (2001); Dançando no Campo Minado (2003).</p>

			</div></div>
<p>Destes, estão entre meus prediletos <em>O Papa É Pop</em> e <em>Várias Variáveis</em>, álbuns que trazem versos incríveis como:</p>
<blockquote><p>“<em>Em livros de história / Seremos a memória dos dias que virão / Se é que eles virão</em>”; “<em>Todo mundo é moderno como um relógio antigo</em>”; “<em>Somos suspeitos de um crime perfeito / Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos</em>”; “<em>Toda catedral é populista / É macumba pra turista</em>”; “<em>Na visão da macro-história nada gera um general / A visão do microscópio é o ópio do trivial</em>”; “<em>O povo pena, mas não para</em>”; “<em>A pátria à flor da pele, pede passagem</em>”; “<em>Campos desertos que não geram pão / Onde a ganância anda de rédeas soltas</em>” e “<em>Nas grande cidades de um país violento / Os muros e as grades nos protegem de quase tudo</em>”.</p></blockquote>
<p>Em <em>A Violência Travestida faz seu Trottoir</em>, a presença sutil da violência nas mais diversas situações da vida, como em “<em>Armas de brinquedo, medo de brincar</em>”. Em <em>Nunca mais Poder</em>, recomendo a leitura de <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://jornaldodiase.com.br/velhas-novidades/" target="_blank" rel="noopener">um artigo de minha autoria</a></span></strong> publicado no Jornal do Dia no dia 23 de agosto de 2020.</p>
<p>Por fim, em <em>Toda Forma de Poder</em>, uma profunda reflexão sobre o poder, suas seduções e consequências, desde “<em>Toda forma de poder /É uma forma de morrer por nad</em>a” a “<em>Toda forma de conduta / Se transforma numa luta armada</em>”. O sucesso da canção foi tema do personagem Raí (Taumaturgo Ferreira), na novela <em>Hipertensão</em> (Globo, 1986). Tocou em todas as emissoras de rádio. Todo jovem em minha idade, ao ouvi-la se sentia empoderado no melhor sentido da palavra. E o sentimento de empoderamento da juventude voltou a ser a tônica de nossos tempos, quando estudantes voltam às ruas para dar novos e velhos recados presentes na letra da canção:</p>
<blockquote><p>“<em>Eu presto atenção no que eles dizem/ Mas eles não dizem nada</em>”; “<em>E eu começo a achar normal que algum boçal / Atire bombas na embaixada</em>”. E, de modo muito particular e especial: “<em>E o fascismo é fascinante/ E deixa gente ignorante fascinada</em>”</p></blockquote>
<p>Se tudo passa, como nos lembra <em>Engenheiros do Hawaii</em> nesta canção, que não tenham sido inúteis todas as lutas pela reconquista e manutenção da democracia no Brasil. Que nem eu, minha geração e tantas outras anteriores a mim, não se esqueçam da importância de se viver num país livre, democrático e justo. Não caiamos na ilusão de que “<em>É tão fácil ir adiante e se esquecer / Que a coisa toda tá errada</em>”. Lembremos, sigamos e lutemos!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Academia Internacional de Maçons Imortais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rivaldo Frias]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2026 09:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Brasileira Maçônica de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Internacional de Maçons Imortais]]></category>
		<category><![CDATA[AIMI]]></category>
		<category><![CDATA[Arte Real]]></category>
		<category><![CDATA[cultura maçônica]]></category>
		<category><![CDATA[Espedicto Figueiredo Rillo]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Pereira Leite]]></category>
		<category><![CDATA[história da Maçonaria]]></category>
		<category><![CDATA[literatura maçônica]]></category>
		<category><![CDATA[Maçonaria]]></category>
		<category><![CDATA[Morivalde Calvet Fagundes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Rivaldo Frias dos Santos (*) &#160; Mais uma vez estou aqui para falar de história e, nessa oportunidade, uma história muito especial, pois se trata da Academia Internacional de Maçons Imortais, que, possuindo uma forte vinculação com a Maçonaria Brasileira e Universal, devido à participação ativa de maçons e às articulações com ideais &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Rivaldo Frias dos Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">M</span>ais uma vez estou aqui para falar de história e, nessa oportunidade, uma história muito especial, pois se trata da <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.masonic.com.br/trabalho/anmi/index.html" target="_blank" rel="noopener">Academia Internacional de Maçons Imortais</a></span>, que, possuindo uma forte vinculação com a Maçonaria Brasileira e Universal, devido à participação ativa de maçons e às articulações com ideais e propósitos bem definidos, delineados pela ordem maçônica universal, surge para possibilitar uma visão ainda por muitos desconhecida. Seus partícipes, usando suas experiências pessoais, profissionais e maçônicas, dois queridos irmãos, tecem, de maneira bem estruturada, um projeto de academia maçônica que resulta em uma rede de intelectuais e experts nas diversas artes que norteiam, em especial, a Arte Real.</p>
<figure id="attachment_102028" aria-describedby="caption-attachment-102028" style="width: 203px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-17-095142.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-102028" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-17-095142-203x300.png" alt="Presidente Hélio Pereira Leite" width="203" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-17-095142-203x300.png 203w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Captura-de-tela-2026-10-17-095142.png 255w" sizes="auto, (max-width: 203px) 100vw, 203px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102028" class="wp-caption-text">Presidente Hélio Pereira Leite</figcaption></figure>
<p>Com os espíritos cheios de luz e força, Hélio e Espedicto, os precursores deste projeto audacioso, buscam pares que os ajudem a dar corpo ao mesmo e, assim, selecionados com muito critério, 48 maçons se unem aos primeiros e, em 31 de maio de 2024, tomando vulto, nasce radiosa, do oriente para o ocidente, de norte a sul, a Academia Nacional de Maçons Imortais, atualmente Academia Internacional de Maçons Imortais. Em um primeiro momento, parece que o termo “MAÇONS IMORTAIS” fica meio que pretensioso, talvez até incompreensível ou fora de lógica para alguns.</p>
<p>No entanto, como a ideia principal é ser aos moldes das Academias de Letras, se enquadra perfeitamente no contexto, até porque, em uma Academia de Letras, pro forma, um &#8220;imortal&#8221; refere-se aos seus membros efetivos e perpétuos, ou seja, aqueles que, após serem empossados como efetivos, permanecem na instituição até a morte ou, então, por desligamento a pedido. Após um período, a vaga é declarada aberta, permitindo, nos padrões estatutários, a outro membro integrar o quadro.</p>
<p>No caso da Academia Internacional de Maçons Imortais, estipulou-se o critério de 50 cadeiras e que cada confrade fundador elegesse o seu patrono, o qual se tornou vitalício. Dessa forma, estando a cadeira vacante, quem a assumir, assumirá automaticamente o patrono ligado à mesma. Declarada aberta, a ANMI, ora AIMI, elegeu sua diretoria provisória, estando à frente dos trabalhos os confrades Hélio Pereira Leite, como presidente, e o seu vice, Espedicto Figueiredo Rillo. Durante esse primeiro ano de existência, as atividades foram muito ativas. Sem exagero, podemos afirmar que mais de 5.000 imagens e textos foram criados e divulgados amplamente.</p>
<p>Na AIMI, abriram-se, inicialmente, 60 vagas para membros correspondentes no Brasil, as quais, atualmente, foram ampliadas para 100 (estando, no momento, todas ocupadas), e 50 vagas de correspondentes no exterior, das quais 28 já estão ocupadas, além do quadro (ilimitado) de membros honorários AMI, hoje com 39 vagas ocupadas, o que aumentou o seu leque de divulgação de conhecimentos gerais. Foram criados e colocados em prática 25 projetos de suma importância, aos quais se reputa a maior relevância no contexto cultural e literário do Brasil e do exterior, conforme falaremos mais adiante. A Ata de Fundação da Academia Internacional de Maçons Imortais, bem como o seu Estatuto, com o empenho de diversos confrades, foram devidamente registrados, além do registro do CNPJ junto ao Ministério da Fazenda e da abertura de conta de pessoa jurídica em nome da mesma, tornando, assim, a Academia uma associação legal junto aos órgãos competentes.</p>
<p>Estar em uma comunidade implica uma conexão profunda entre pessoas que compartilham interesses, objetivos, valores ou um espaço em comum, criando um ambiente de apoio, cooperação e pertencimento. É mais do que apenas estar no mesmo local, mas sim ter uma relação íntima, em que a colaboração e a troca de experiências são valorizadas. Uma comunidade é construída por laços que vão além da simples convivência, gerando um sentimento de pertencimento e identificação entre seus membros. Dentro de uma comunidade, os membros se apoiam em momentos de dificuldade, compartilham conhecimentos e trabalham em conjunto para atingir objetivos comuns.</p>
<p>O sentimento de pertença é essencial para a construção e manutenção de uma comunidade, pois ele gera um forte laço emocional entre os membros, que os motiva a se engajarem e a contribuírem para o bem-estar coletivo. A cada dia, aumenta o meu orgulho em pertencer à AIMI, onde tenho nítido o sentimento de pertencimento, de satisfação e de conexão profunda com a sua organização. Essa comunidade se traduz em um envolvimento emocional e empenho no sentido de poder contribuir para o seu sucesso e crescimento. É mais do que simplesmente estar associado a algo; é ter um profundo significado pessoal e um desejo de fazer parte da história e do futuro deste seleto grupo.</p>
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<h3>Peculiaridades da AIMI</h3>
<p>1. A AIMI funciona no modo virtual, seguindo a tendência do momento, que começou no Brasil no período da pandemia, quando os contatos físicos entre humanos foram proibidos, restando buscar uma solução para que o país não parasse totalmente, surgindo daí as reuniões virtuais nos diversos setores de atividades, inclusive no ambiente maçônico.</p>
<p>2. A AIMI, por ser totalmente virtual, não adotará fardamento acadêmico, uma vez que seus confrades participarão de suas reuniões a partir do recesso de seus lares, ou seja, vestidos em trajes do seu dia a dia, evitando, com isso, despesa desnecessária e, por isso, adotou o seguinte slogan: O NOSSO FARDÃO É O AVENTAL.</p>
<p>3. A AIMI não cobrará taxa de admissão para ingresso de confrades e, atualmente, após votação em Assembleia, há obrigatoriedade de uma contribuição mensal de seus membros efetivos no valor de R$ 20,00 e, opcionalmente, os confrades correspondentes podem contribuir com o valor de R$ 10,00 mensais, sendo que, para os membros honorários, não há essa contribuição financeira. Em sua estrutura administrativa, há o diretor administrativo/financeiro para gerir receitas e respectivas despesas, atendendo às exigências da legislação civil brasileira com relação às associações civis sem fins lucrativos, além de um escritório contábil que faz a gestão contábil da AIMI.</p>
<p>4. A AIMI concedeu aos seus membros fundadores o direito de escolher o nome do patrono da cadeira que irão ocupar no sodalício, em vez de impor uma lista de nomes adredemente definida pelos idealizadores da entidade em gestação.</p>
<p>5. A AIMI dispensou a obrigatoriedade de o seu confrade ter escrito e publicado um livro, aliás, tendência que vem sendo adotada pela maioria das academias maçônicas e não maçônicas. No caso da AIMI, optou-se por escolher confrades maçons que são dedicados à cultura maçônica em geral, ou seja, estudiosos, pesquisadores, escritores ou não, poetas, jornalistas, educadores, professores, gestores, músicos, compositores e editores de livros maçônicos ou não etc.</p>
<p>6. A AIMI foi idealizada para atuar como um laboratório cultural maçônico e/ou não maçônico, no sentido de formular ideias, discutir, debater, propor e sugerir projetos e ações para a Maçonaria, para o Brasil e para o mundo como um todo. Até porque ela não está vinculada a nenhuma Potência Maçônica Regular com sede em nosso país. Seus organizadores procuraram escolher, no ambiente maçônico, irmãos com potencial individual em suas áreas de atuação maçônica ou não maçônica, os quais muito irão contribuir na produção de projetos culturais e/ou científicos para a Arte Real e para a nação brasileira.</p>

			</div></div>
<p>Na composição inicial da AIMI, têm-se: um Grão-Mestre Geral de Honra do GOB; dez Grão-Mestres Estaduais; dois Grão-Mestres Estaduais Adjuntos; quinze escritores; três advogados; cinco poetas; oito professores; dois editores; dois músicos e compositores; um empresário na construção naval; um pesquisador e Rosa Cruz; seis servidores públicos; um educador e gestor educacional; um jornalista e um comunicador social.</p>
<p>Com este universo eclético, seu presidente acredita que se pode transformar a AIMI num laboratório cultural e científico, donde poderão surgir grandes projetos (alguns já colocados em prática) destinados à melhoria, à modernidade e à racionalidade de atividades e procedimentos da Maçonaria no Brasil, no mundo e, em particular, em alguns setores da sociedade de forma geral. Desejam os seus dirigentes que o Grande Arquiteto do Universo ilumine a AIMI, seus confrades e todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuírem para o sucesso deste novo projeto literário e cultural maçônico.</p>
<h3>PATRONO DA AIMI</h3>
<p>Em decisão inédita e histórica, a AIMI elege seu patrono-mor. Hélio P. Leite, presidente da AIMI, nos relata: em 30 de novembro de 2024, a Academia Internacional de Maçons Imortais (AIMI) completou seis meses desde que foi fundada por 50 maçons, dedicados à literatura e à cultura em geral. E, para comemorar, seus membros resolveram eleger um patrono-mor para a Academia, que recaiu na pessoa do maçom MORIVALDE CALVET FAGUNDES, pelos relevantes serviços que prestou à Pátria Brasileira, como militar, tendo atingido o posto de general; como maçom, em razão dos diversos cargos que assumiu ao longo de mais de 50 anos dedicados à Ordem; e pela sua atuação como literato, com produção de vários livros sobre a Maçonaria, literatura maçônica e fatos históricos brasileiros etc.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/aqui-selo-mac.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-102043 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/aqui-selo-mac-198x300.png" alt="" width="198" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/aqui-selo-mac-198x300.png 198w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/aqui-selo-mac.png 582w" sizes="auto, (max-width: 198px) 100vw, 198px" /></a>E, principalmente, por ter fundado, em 21 de abril de 1972, a primeira Academia Maçônica de Letras, no Brasil e no mundo — a Academia Brasileira Maçônica de Letras, tendo sido seu primeiro presidente. Sodalício este que prestou inestimáveis serviços à literatura e à cultura maçônica no Brasil, dela surgindo as demais Academias Maçônicas de Letras. Patrono da AIMI, o irmão general Morivalde Calvet Fagundes promoveu e presidiu, no ano de 1981, o I Congresso Internacional de História e Geografia, no Rio de Janeiro, entre os dias 19 e 21 de março, do qual participaram maçons de vários países, além de maçons brasileiros.</p>
<p>Evento histórico que contou com o apoio da Academia Brasileira de Letras, na época presidida pelo cearense Austragésilo de Athayde. Falecido em 2000, na cidade do Rio de Janeiro, o irmão Morivalde Calvet Fagundes nos deixou um grande legado de vida militar, maçônica e como cidadão prestante à sociedade brasileira, cujos feitos entraram para a história da Maçonaria no Brasil e no mundo, ora esquecidos nos escaninhos das bibliotecas, os quais, em boa hora, agora, a Academia Internacional de Maçons Imortais houve por bem trazer de volta à cena maçônica, escolhendo-o para ser considerado seu patrono-mor.</p>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><strong>Endereço da Academia: SMDB – Setor de Mansões Dom Bosco – Conjunto 12, Bloco C, Sala 107, Lago Sul, Brasília, Distrito Federal, CEP 71680.</strong></p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Facademia-internacional-de-macons-imortais%2F&amp;linkname=Academia%20Internacional%20de%20Ma%C3%A7ons%20Imortais" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Facademia-internacional-de-macons-imortais%2F&amp;linkname=Academia%20Internacional%20de%20Ma%C3%A7ons%20Imortais" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Facademia-internacional-de-macons-imortais%2F&amp;linkname=Academia%20Internacional%20de%20Ma%C3%A7ons%20Imortais" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Facademia-internacional-de-macons-imortais%2F&amp;linkname=Academia%20Internacional%20de%20Ma%C3%A7ons%20Imortais" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Facademia-internacional-de-macons-imortais%2F&#038;title=Academia%20Internacional%20de%20Ma%C3%A7ons%20Imortais" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/academia-internacional-de-macons-imortais/" data-a2a-title="Academia Internacional de Maçons Imortais"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/academia-internacional-de-macons-imortais/">Academia Internacional de Maçons Imortais</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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		<title>Preocupações diante de um mundo em transformação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 13:22:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[candidatos]]></category>
		<category><![CDATA[carros]]></category>
		<category><![CDATA[celulares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Esses dias, um amigo me mandou uma mensagem expressando sua preocupação com as transformações que estamos testemunhando no mundo. Ele está apreensivo com tudo o que vê ao seu redor e teme o que o futuro reserva. Somos de uma geração que sobreviveu ao tempo, tendo testemunhado inúmeros &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpreocupacoes-diante-de-um-mundo-em-transformacao%2F&amp;linkname=Preocupa%C3%A7%C3%B5es%20diante%20de%20um%20mundo%20em%20transforma%C3%A7%C3%A3o" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpreocupacoes-diante-de-um-mundo-em-transformacao%2F&amp;linkname=Preocupa%C3%A7%C3%B5es%20diante%20de%20um%20mundo%20em%20transforma%C3%A7%C3%A3o" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpreocupacoes-diante-de-um-mundo-em-transformacao%2F&amp;linkname=Preocupa%C3%A7%C3%B5es%20diante%20de%20um%20mundo%20em%20transforma%C3%A7%C3%A3o" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpreocupacoes-diante-de-um-mundo-em-transformacao%2F&amp;linkname=Preocupa%C3%A7%C3%B5es%20diante%20de%20um%20mundo%20em%20transforma%C3%A7%C3%A3o" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpreocupacoes-diante-de-um-mundo-em-transformacao%2F&#038;title=Preocupa%C3%A7%C3%B5es%20diante%20de%20um%20mundo%20em%20transforma%C3%A7%C3%A3o" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/preocupacoes-diante-de-um-mundo-em-transformacao/" data-a2a-title="Preocupações diante de um mundo em transformação"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>sses dias, um amigo me mandou uma mensagem expressando sua preocupação com as transformações que estamos testemunhando no mundo. Ele está apreensivo com tudo o que vê ao seu redor e teme o que o futuro reserva. Somos de uma geração que sobreviveu ao tempo, tendo testemunhado inúmeros eventos ao longo dos anos. Passamos por várias crises mundiais e nacionais, e nossa experiência nos tornou resilientes em face de situações adversas. Como tudo na vida, essas transformações eventualmente se tornam história, mas ainda assim são assustadoras.</p>
<p>Conversamos sobre as eleições e os dois candidatos que avançaram para o segundo turno, competindo pela presidência da República nos próximos quatro anos. Também relembramos nossas discussões filosóficas, nas quais frequentemente nos referíamos ao sociólogo, filósofo e professor universitário polonês <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.institutoela.org.br/post/identidade-zygmunt-bauman?gad_source=1&amp;gad_campaignid=23828798795&amp;gbraid=0AAAAA_lD8-RId9ZWYmiwdAYTnJqXz6lGK&amp;gclid=CjwKCAjwoaLWBhAWEiwAnyituwmCDhMn1QkzaZ0whdMhJu4RdSUYwydR4n9Chr-BtyxwhHe-uOuCaxoCrNIQAvD_BwE" target="_blank" rel="noopener">Zygmunt Bauman</a></span>. Ele é uma figura proeminente nos estudos sobre pós-modernidade e é creditado com a criação do conceito de modernidade líquida.</p>
<figure id="attachment_102024" aria-describedby="caption-attachment-102024" style="width: 212px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Zigmunt_Bauman_na_20_Forumi_vydavcivCropped.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-102024" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Zigmunt_Bauman_na_20_Forumi_vydavcivCropped-212x300.jpg" alt="Zygmunt Bauman" width="212" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Zigmunt_Bauman_na_20_Forumi_vydavcivCropped-212x300.jpg 212w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Zigmunt_Bauman_na_20_Forumi_vydavcivCropped-725x1024.jpg 725w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Zigmunt_Bauman_na_20_Forumi_vydavcivCropped-768x1085.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Zigmunt_Bauman_na_20_Forumi_vydavcivCropped.jpg 934w" sizes="auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px" /></a><figcaption id="caption-attachment-102024" class="wp-caption-text">Zygmunt Bauman Foto: Wikipedia</figcaption></figure>
<p>Ao relermos as obras de <span style="color: #000000;">Zygmunt Bauman </span>somos lembrados de que uma das transformações mais significativas do século XX foi a mudança de uma sociedade de produtores para uma sociedade de consumidores. Essa mudança não teve impacto apenas na economia ou nos métodos de aquisição de produtos; ela também transformou a maneira como construímos nossa identidade, planejamos o futuro e nos relacionamos com os outros.</p>
<p>Na sociedade de produtores, a vida era vista como um projeto de longa duração, com objetivos bem definidos e um progresso gradual em direção a eles. Valorizava-se a permanência, a estabilidade e a construção de uma trajetória sólida. Na sociedade de consumidores, porém, essa continuidade se enfraqueceu. A vida passou a ser fragmentada em episódios, e a ideia de um único projeto para toda a existência tornou-se cada vez mais desafiadora.</p>
<p>Meu interlocutor expressa preocupação com o futuro de uma sociedade que não planeja mais. Para ele, o consumismo se tornou a nova religião. A cultura de consumo contribuiu para essa fragmentação, transformando as compras em algo além da mera satisfação de necessidades. Os produtos passaram a comunicar personalidade, sucesso, posição social e estilo de vida. Roupas, celulares, carros, viagens e experiências são usados para expressar quem somos ou quem gostaríamos de ser.</p>
<p>Nesse contexto, o valor pessoal passa a ser associado àquilo que podemos comprar, possuir e exibir. A identidade se torna uma espécie de vitrine, construída não apenas por valores, ideias, experiências e vínculos, mas também pela aparência e pela capacidade de acompanhar as tendências.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Segundo estudiosos, o problema reside no fato de que a satisfação proporcionada pelo consumo é passageira. Novos produtos, modelos e tendências surgem constantemente, fazendo com que aquilo que acabamos de adquirir logo pareça antigo, ultrapassado ou insuficiente. Consequentemente, o consumo não elimina o desejo, mas sim o perpetua, gerando novos desejos continuamente. Essa lógica de novidade e substituição também se estende aos relacionamentos. Bauman diferenciava a comunidade da rede. A comunidade envolve vínculos, responsabilidades e permanência, enquanto a rede é composta por conexões que podem ser facilmente criadas e encerradas.</p>

			</div></div>
<p>Bauman, falecido em janeiro de 2017, aos 91 anos, não chegou a testemunhar o cenário atual. Nas redes sociais, conectar-se com alguém é simples, assim como desconectar-se. Basta excluir, bloquear ou simplesmente ignorar. O que antes exigia conversa, justificativa e enfrentamento pode ser encerrado com um simples toque na tela. Tudo instantâneo. Com isso, corre-se o risco de tratarmos as pessoas de maneira semelhante aos produtos: descartáveis. Enquanto uma relação oferece prazer, atenção, reconhecimento ou satisfação, ela é mantida. No entanto, quando surgem conflitos, responsabilidades ou frustrações, a outra pessoa pode ser vista como algo que perdeu sua utilidade e pode ser facilmente substituída, ou simplesmente deletada.</p>
<p>O resultado é uma sociedade em que muitas pessoas acumulam contatos, seguidores e conexões, mas continuam se sentindo sozinhas. A quantidade de pessoas ao redor não garante a existência de vínculos verdadeiros. Podemos estar conectados o tempo inteiro e, ainda assim, não ter ninguém em quem realmente confiar. Isso explica o crescimento de pessoas solitárias.</p>
<p>Em um mundo de relacionamentos cada vez mais líquidos, é isso que causa confusão na cabeça do meu amigo e na minha também.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Do “Brasil que sonha” ao “Brasil que vence”: a disputa de narrativas entre Lula e Flávio Bolsonaro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Diego da Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 16:30:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Comunicação Assertiva]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação política]]></category>
		<category><![CDATA[disputa de narrativas]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[marketing político]]></category>
		<category><![CDATA[planos de governo]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Diego da Costa (*) &#160; No próximo dia 25 de outubro, os brasileiros voltarão às urnas para decidir quem comandará o país pelos próximos quatro anos. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Do outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL). O Tribunal Superior Eleitoral confirmou que os dois foram &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-brasil-que-sonha-ao-brasil-que-vence-a-disputa-de-narrativas-entre-lula-e-flavio-bolsonaro%2F&amp;linkname=Do%20%E2%80%9CBrasil%20que%20sonha%E2%80%9D%20ao%20%E2%80%9CBrasil%20que%20vence%E2%80%9D%3A%20a%20disputa%20de%20narrativas%20entre%20Lula%20e%20Fl%C3%A1vio%20Bolsonaro" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-brasil-que-sonha-ao-brasil-que-vence-a-disputa-de-narrativas-entre-lula-e-flavio-bolsonaro%2F&amp;linkname=Do%20%E2%80%9CBrasil%20que%20sonha%E2%80%9D%20ao%20%E2%80%9CBrasil%20que%20vence%E2%80%9D%3A%20a%20disputa%20de%20narrativas%20entre%20Lula%20e%20Fl%C3%A1vio%20Bolsonaro" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-brasil-que-sonha-ao-brasil-que-vence-a-disputa-de-narrativas-entre-lula-e-flavio-bolsonaro%2F&amp;linkname=Do%20%E2%80%9CBrasil%20que%20sonha%E2%80%9D%20ao%20%E2%80%9CBrasil%20que%20vence%E2%80%9D%3A%20a%20disputa%20de%20narrativas%20entre%20Lula%20e%20Fl%C3%A1vio%20Bolsonaro" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-brasil-que-sonha-ao-brasil-que-vence-a-disputa-de-narrativas-entre-lula-e-flavio-bolsonaro%2F&amp;linkname=Do%20%E2%80%9CBrasil%20que%20sonha%E2%80%9D%20ao%20%E2%80%9CBrasil%20que%20vence%E2%80%9D%3A%20a%20disputa%20de%20narrativas%20entre%20Lula%20e%20Fl%C3%A1vio%20Bolsonaro" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-brasil-que-sonha-ao-brasil-que-vence-a-disputa-de-narrativas-entre-lula-e-flavio-bolsonaro%2F&#038;title=Do%20%E2%80%9CBrasil%20que%20sonha%E2%80%9D%20ao%20%E2%80%9CBrasil%20que%20vence%E2%80%9D%3A%20a%20disputa%20de%20narrativas%20entre%20Lula%20e%20Fl%C3%A1vio%20Bolsonaro" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/do-brasil-que-sonha-ao-brasil-que-vence-a-disputa-de-narrativas-entre-lula-e-flavio-bolsonaro/" data-a2a-title="Do “Brasil que sonha” ao “Brasil que vence”: a disputa de narrativas entre Lula e Flávio Bolsonaro"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Diego da Costa (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>o próximo dia 25 de outubro, os brasileiros voltarão às urnas para decidir quem comandará o país pelos próximos quatro anos. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Do outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL).</p>
<p>O Tribunal Superior Eleitoral confirmou que os dois foram os candidatos mais votados no primeiro turno. Flávio Bolsonaro terminou com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.</p>
<p>Mas, antes de olhar apenas para números, pesquisas ou estratégias eleitorais, há uma pergunta que merece atenção especial: <strong>como cada candidato está contando a história do Brasil que pretende construir?</strong></p>
<p>Essa é uma questão de comunicação.</p>
<p>E os dois planos de governo apresentam diferenças bastante interessantes nesse aspecto.</p>
<p>Os documentos oficiais podem ser consultados diretamente no <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/propostas-de-governo-dos-candidatos-ao-cargo-de-presidente-da-republica-eleicoes-2026-segundo-turno?utm_source=chatgpt.com">Tribunal Superior Eleitoral – Planos de Governo do 2º turno</a></span>.</p>
<h3>Lula: a comunicação da esperança, da reconstrução e da continuidade</h3>
<p>O plano de governo de Lula começa por uma palavra extremamente poderosa no campo da comunicação: “sonho”.</p>
<p>O documento afirma que “o povo brasileiro sonha e almeja um futuro melhor” e apresenta a esperança como elemento mobilizador.</p>
<p>A narrativa construída é a de um país que passou por um período de ruptura e que precisa continuar um processo de reconstrução.</p>
<p>O plano trabalha conceitos como democracia, redução das desigualdades, direitos sociais, desenvolvimento sustentável, soberania nacional, valorização do trabalho e fortalecimento das políticas públicas.</p>
<p>Sua estrutura também revela uma determinada visão de Estado: um Estado que planeja, coordena, investe, protege direitos e atua para reduzir desigualdades.</p>
<p>A mensagem central, portanto, não é simplesmente “mudar o Brasil”.</p>
<p>É algo mais próximo de:</p>
<p>o Brasil começou uma reconstrução e precisa continuar avançando.</p>
<p>Essa escolha de comunicação é importante.</p>
<p>Lula procura falar para o cidadão, mas frequentemente parte de uma perspectiva mais ampla: a sociedade, o Estado, a democracia, a economia, o desenvolvimento e o projeto nacional.</p>
<p>É uma comunicação predominantemente coletiva.</p>
<p>O documento oficial de Lula pode ser consultado na íntegra no <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/arquivos/proposta-pt?utm_source=chatgpt.com">Plano de Governo Lula 2027–2030 no TSE</a></span>.</p>
<h3>Flávio Bolsonaro: a comunicação da segurança, da autonomia e da prosperidade</h3>
<p>No plano de Flávio Bolsonaro, a estratégia narrativa é bastante diferente.</p>
<p>Logo na organização do documento aparecem expressões curtas e fáceis de memorizar:</p>
<p>“Brasil sem Medo”.</p>
<p>“Brasil por Elas”.</p>
<p>“Brasil sem Fila”.</p>
<p>“Brasil Mais Barato”.</p>
<p>“Brasil que Prepara”.</p>
<p>“Brasil que Prospera”.</p>
<p>“Brasil que Cresce”.</p>
<p>Do ponto de vista da comunicação, existe aqui uma escolha clara: transformar grandes temas nacionais em promessas associadas à vida cotidiana.</p>
<p>Medo.</p>
<p>Fila.</p>
<p>Preço.</p>
<p>Trabalho.</p>
<p>Casa própria.</p>
<p>Empreendedorismo.</p>
<p>Família.</p>
<p>Segurança.</p>
<p>Prosperidade.</p>
<p>O plano começa colocando o cidadão diante de perguntas bastante concretas: como pagar as contas? Como conseguir um emprego melhor? Como cuidar dos filhos? Como ter segurança? Como sair da dependência de programas sociais? Como comprar uma casa? Como abrir um negócio?</p>
<p>É uma comunicação que procura partir da vida da pessoa para chegar ao projeto de país.</p>
<p>Essa diferença é significativa.</p>
<p>Enquanto Lula apresenta uma narrativa mais orientada para a transformação estrutural da sociedade, Flávio procura construir uma narrativa mais orientada para a experiência individual e familiar.</p>
<p>O plano oficial de Flávio Bolsonaro pode ser consultado no <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/arquivos/proposta-pl?utm_source=chatgpt.com">Plano de Governo Flávio Bolsonaro 2027–2030 no TSE</a>.</span></p>
<h3>Duas maneiras de contar o futuro</h3>
<p>É justamente aqui que a análise de comunicação fica mais interessante.</p>
<p>Os dois planos apresentam propostas para temas como economia, educação, saúde, segurança, infraestrutura, tecnologia, trabalho, meio ambiente e desenvolvimento.</p>
<p>Portanto, a diferença não está simplesmente nos assuntos abordados.</p>
<p>Está principalmente na forma de organizá-los e apresentá-los.</p>
<p>Lula utiliza uma linguagem de projeto nacional.</p>
<p>Flávio utiliza uma linguagem de benefício concreto para o cidadão.</p>
<p>Lula fala em reconstrução, democracia, direitos, desenvolvimento e soberania.</p>
<p>Flávio fala em segurança, liberdade, autonomia, redução de custos, trabalho e prosperidade.</p>
<p>Em outras palavras:</p>
<p>Lula comunica mais o país que pretende transformar.</p>
<p>Flávio comunica mais a vida que pretende mudar.</p>
<p>Essa talvez seja uma das principais diferenças narrativas entre os dois documentos.</p>
<h3>O poder das palavras simples</h3>
<p>Existe uma importante lição de comunicação no plano de Flávio Bolsonaro.</p>
<p>Expressões como “Brasil sem Fila” e “Brasil Mais Barato” funcionam porque transformam conceitos complexos em imagens mentais simples.</p>
<p>O eleitor não precisa necessariamente compreender toda a arquitetura administrativa de uma política pública para entender o que significa “sem fila”.</p>
<p>O mesmo acontece com “mais barato”.</p>
<p>É uma promessa comunicacional imediatamente compreensível.</p>
<p>Já a linguagem utilizada por Lula trabalha com conceitos que exigem maior contextualização: democracia, desigualdade, soberania, transformação estrutural, desenvolvimento sustentável, reconstrução do Estado.</p>
<p>Isso não significa que uma estratégia seja melhor ou pior.</p>
<p>Significa que elas utilizam códigos diferentes para disputar atenção e compreensão.</p>
<p>E comunicação política é, antes de tudo, uma disputa pela atenção das pessoas.</p>
<h3>Medo e esperança como gatilhos narrativos</h3>
<p>Há ainda outro contraste bastante evidente.</p>
<p>O plano de Lula utiliza fortemente a ideia de esperança.</p>
<p>O plano de Flávio utiliza fortemente a ideia de segurança diante do medo.</p>
<p>São dois sentimentos extremamente poderosos na comunicação.</p>
<p>A esperança olha para aquilo que podemos construir.</p>
<p>O medo olha para aquilo que precisamos evitar.</p>
<p>Um comunica a possibilidade de um futuro melhor.</p>
<p>O outro comunica a necessidade de recuperar segurança, controle e previsibilidade.</p>
<p>E aqui aparece uma regra clássica da comunicação:</p>
<p>Pessoas não se mobilizam apenas por informações. Elas se mobilizam também por sentimentos, valores e expectativas de futuro.</p>
<h3>O cidadão como protagonista</h3>
<p>Outra diferença merece atenção.</p>
<p>No plano de Lula, o protagonista da narrativa é frequentemente o povo brasileiro enquanto coletividade.</p>
<p>No plano de Flávio, o protagonista aparece muitas vezes como o indivíduo, a família, o trabalhador, a mulher, o empreendedor ou o cidadão que precisa recuperar autonomia.</p>
<p>É uma mudança importante de perspectiva.</p>
<p>De um lado:</p>
<p>“Que país queremos construir?”</p>
<p>Do outro:</p>
<p>“Que vida queremos proporcionar ao cidadão?”</p>
<p>As duas perguntas são legítimas.</p>
<p>Mas produzem narrativas diferentes.</p>
<p>Mais do que propostas, são histórias sobre o Brasil</p>
<p>Talvez esse seja o ponto mais importante desta eleição.</p>
<p>Um plano de governo não é apenas uma lista de medidas administrativas.</p>
<p>Ele também é uma história sobre o país.</p>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Toda candidatura precisa responder, explícita ou implicitamente, a três perguntas:</p>
<p>Onde estamos?</p>
<p>Onde queremos chegar?</p>
<p>Por que devemos acreditar que esse caminho é possível?</p>

			</div></div>
<p>Lula apresenta um Brasil que precisa continuar uma trajetória de reconstrução, inclusão social e fortalecimento do Estado.</p>
<p>Flávio apresenta um Brasil que precisa superar medo, burocracia, perda de poder de compra e dependência, avançando em direção à autonomia, segurança e prosperidade.</p>
<p>São duas interpretações diferentes sobre o presente e duas narrativas diferentes sobre o futuro.</p>
<p>E é justamente aí que a comunicação deixa de ser apenas comunicação.</p>
<p>Ela passa a ser posicionamento.</p>
<h3>A eleição também será uma disputa de narrativas</h3>
<p>Independentemente da preferência política de cada cidadão, existe uma lição importante para quem trabalha com gestão, marketing, comunicação ou liderança:</p>
<p>não basta ter uma proposta. É preciso saber explicar por que ela importa.</p>
<p>Uma política pública pode ter dezenas de páginas de fundamentação técnica.</p>
<p>Mas, se não conseguir responder à pergunta “o que isso muda na minha vida?”, terá dificuldade para conquistar atenção.</p>
<p>Da mesma maneira, uma promessa pode ser extremamente simples e emocional, mas precisará enfrentar outra pergunta:</p>
<p>“Como isso será realizado?”</p>
<p>É nesse equilíbrio entre emoção, proposta, credibilidade e execução que está o verdadeiro desafio da comunicação política.</p>
<p>No segundo turno de 2026, Lula e Flávio Bolsonaro apresentam não apenas dois conjuntos de propostas.</p>
<p>Apresentam também duas maneiras de explicar o Brasil.</p>
<p>Uma fala mais diretamente em esperança, reconstrução e transformação coletiva.</p>
<p>A outra fala mais diretamente em segurança, autonomia, liberdade e prosperidade individual e familiar.</p>
<p>No fim, a disputa de comunicação pode ser resumida em uma pergunta:</p>
<p><strong>Qual dessas narrativas será capaz de explicar melhor o futuro que o eleitor deseja para o Brasil?</strong></p>
<p>A resposta será dada nas urnas em 25 de outubro.</p>
<p>E, para quem observa a política sob a ótica da comunicação, talvez a grande lição seja outra:</p>
<p>antes de convencer alguém sobre uma proposta, é preciso conseguir fazê-lo entender por que aquela proposta importa para a sua vida.</p>
<p>Essa é a essência da Comunicação Assertiva.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>___________________</p>
<p><strong>Fontes oficiais:</strong></p>
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<p><a href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/propostas-de-governo-dos-candidatos-ao-cargo-de-presidente-da-republica-eleicoes-2026-segundo-turno?utm_source=chatgpt.com"><span style="color: #008000;">TSE – Planos de Governo dos candidatos no 2º turno</span></a></p>
</div>
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<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/arquivos/proposta-pt?utm_source=chatgpt.com">Plano de Governo de Lula – TSE</a></span></p>
</div>
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<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/arquivos/proposta-pl?utm_source=chatgpt.com">Plano de Governo de Flávio Bolsonaro – TSE</a></span></p>
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<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Outubro/flavio-bolsonaro-e-lula-vao-disputar-o-2o-turno-para-a-presidencia-da-republica?utm_source=chatgpt.com">TSE – Flávio Bolsonaro e Lula disputarão o 2º turno</a></span></p>
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<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.tse.jus.br/eleicoes/cde-2026?utm_source=chatgpt.com">TSE – Calendário das Eleições 2026</a></span></p>
<p>&nbsp;</p>
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</ul>
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