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	<title>Arquivo para Articulistas - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 23 Aug 2026 05:37:45 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Do filósofo ao sábio: Quando a virtude se torna natureza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alex Santana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2026 08:30:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[aperfeiçomento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Alex Santana (*) &#160; O filósofo Clóvis de Barros Filho, em uma de suas entrevistas, faz uma reflexão que, à primeira vista, parece simples, mas revela uma profunda verdade sobre a condição humana: “Sabemos quase nada sobre quase tudo.” A partir dessa afirmação, ele nos convida a reconhecer que existem inúmeros assuntos sobre &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/do-filosofo-ao-sabio-quando-a-virtude-se-torna-natureza/">Do filósofo ao sábio: Quando a virtude se torna natureza</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-filosofo-ao-sabio-quando-a-virtude-se-torna-natureza%2F&amp;linkname=Do%20fil%C3%B3sofo%20ao%20s%C3%A1bio%3A%20Quando%20a%20virtude%20se%20torna%20natureza" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-filosofo-ao-sabio-quando-a-virtude-se-torna-natureza%2F&amp;linkname=Do%20fil%C3%B3sofo%20ao%20s%C3%A1bio%3A%20Quando%20a%20virtude%20se%20torna%20natureza" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-filosofo-ao-sabio-quando-a-virtude-se-torna-natureza%2F&amp;linkname=Do%20fil%C3%B3sofo%20ao%20s%C3%A1bio%3A%20Quando%20a%20virtude%20se%20torna%20natureza" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-filosofo-ao-sabio-quando-a-virtude-se-torna-natureza%2F&amp;linkname=Do%20fil%C3%B3sofo%20ao%20s%C3%A1bio%3A%20Quando%20a%20virtude%20se%20torna%20natureza" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fdo-filosofo-ao-sabio-quando-a-virtude-se-torna-natureza%2F&#038;title=Do%20fil%C3%B3sofo%20ao%20s%C3%A1bio%3A%20Quando%20a%20virtude%20se%20torna%20natureza" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/do-filosofo-ao-sabio-quando-a-virtude-se-torna-natureza/" data-a2a-title="Do filósofo ao sábio: Quando a virtude se torna natureza"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Alex Santana (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p class="isSelectedEnd"><span class="dropcap ">O</span> filósofo <strong>Clóvis de Barros Filho</strong>, em uma de suas entrevistas, faz uma reflexão que, à primeira vista, parece simples, mas revela uma profunda verdade sobre a condição humana:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Sabemos quase nada sobre quase tudo.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">A partir dessa afirmação, ele nos convida a reconhecer que existem inúmeros assuntos sobre os quais nosso conhecimento é extremamente limitado.</p>
<p class="isSelectedEnd">Com exemplos do cotidiano, demonstra que, apesar dos avanços da humanidade, nossa compreensão da realidade ainda é pequena diante da imensidão do que existe para conhecer.</p>
<p class="isSelectedEnd">Essa constatação nos conduz a outra importante reflexão:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Ninguém deseja aquilo que acredita já possuir.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Assim, quem almeja a sabedoria precisa, antes de tudo, reconhecer que ainda não a alcançou. Afinal, somente busca o conhecimento aquele que tem consciência da própria ignorância. Na Maçonaria, essa verdade é profundamente simbólica. Ao ingressarmos na Ordem, somos convidados a reconhecer que somos uma <strong>Pedra Bruta</strong>, necessitada de contínuo aperfeiçoamento.</p>
<p class="isSelectedEnd">Cada sessão, cada instrução e cada reflexão representam mais um golpe do malho e do cinzel em direção ao nosso aprimoramento moral e espiritual. Mas surge uma pergunta inevitável:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Como se comporta um homem verdadeiramente sábio?</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Será que a sabedoria consiste apenas em acumular conhecimentos?</p>
<p class="isSelectedEnd">Ou ela se revela, sobretudo, na forma como agimos diante das situações mais simples da vida?</p>
<p class="isSelectedEnd">Para responder a essa pergunta, permitam-me compartilhar um antigo conto oriental, difundido pela professora <strong>Lúcia Helena Galvão</strong>, que ilustra, de maneira extraordinária, a diferença entre conhecer o bem e tornar-se, verdadeiramente, um homem bom.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h3>O Sábio e o Porco</h3>
<p class="isSelectedEnd">Certo dia, um filósofo, chamado de mestre, prometeu a dois de seus jovens aprendizes que os levaria ao ponto mais alto de uma montanha para conhecerem um sábio que por lá vivia.</p>
<p class="isSelectedEnd">Mas, para que isso pudesse acontecer, os dois teriam que se esforçar em suas atividades para conquistar aquele tão apreciado prêmio.</p>
<p class="isSelectedEnd">Era preciso mérito para uma vivência tão grandiosa.</p>
<p class="isSelectedEnd">Pois eles assim o fizeram por muitos dias seguidos, aprimorando seus conhecimentos e destacando-se nas atividades que lhes foram propostas, a tal ponto de conseguirem alcançar a recompensa.</p>
<p class="isSelectedEnd">Chegado o momento, o filósofo marcou um encontro com os dois aprendizes bem cedo, ao nascer do dia, para que, juntos, subissem aquela montanha em busca do tão esperado encontro com o sábio.</p>
<p class="isSelectedEnd">E, para não perderem nada, os dois aprendizes se adiantaram no horário, fazendo questão de chegar ao amanhecer ao ponto de encontro.</p>
<p class="isSelectedEnd">Enquanto esperavam, viam o movimento de pessoas que caminhavam para uma feira local.</p>
<p class="isSelectedEnd">Muita gente, carregada de coisas e animais.</p>
<p class="isSelectedEnd">Um jovem pastor conduzia vários porcos para serem comercializados. Entre eles havia um porco gigante, que caminhava com muita dificuldade, devido ao peso e a alguma ferida incômoda em uma das patas.</p>
<p class="isSelectedEnd">Isso fazia com que o comerciante se atrasasse e, por isso, estava extremamente irritado, dando uma surra no animal.</p>
<p class="isSelectedEnd">Vendo tudo aquilo, um ancião resolveu chegar perto do pastor e pedir sua autorização para que pudesse carregar o porco.</p>
<p class="isSelectedEnd">Assustado, o jovem permitiu, não acreditando que aquilo seria de fato realizado.</p>
<p class="isSelectedEnd">Como o jovem não se opôs, o ancião carregou o porco, com muita dificuldade, lambuzando-se com a sujeira do animal.</p>
<p class="isSelectedEnd">Os dois aprendizes viam aquilo perplexos.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Pois qual era a necessidade de fazer aquilo?</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Deixassem o animal sofrer. Afinal, era só um porco.</p>
<p class="isSelectedEnd">Naquilo, no fim do trajeto, não havia nenhum tipo de gratidão a olho nu.</p>
<p class="isSelectedEnd">O porco não agradeceria, pois não é da natureza dos porcos agradecer.</p>
<p class="isSelectedEnd">O jovem pastor e comerciante também não viu sentido naquilo e, por isso, fez-se de desentendido.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quando o filósofo chegou até os dois, o grupo foi subindo a montanha e comentando aquele estranho caso do ancião e do porco.</p>
<p class="isSelectedEnd">O filósofo, convicto, deu-lhes uma explicação:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>O ancião fez isso por ele mesmo.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Como a sua consciência indicava que aquilo seria o justo, se ele não o fizesse, todos os dias, quando se lembrasse daquele fato, lhe doeria.</p>
<p class="isSelectedEnd">Viria à sua mente que ele deveria ter feito o justo e não o fez.</p>
<p class="isSelectedEnd">Já no alto da montanha, numa casa simples, morava o tão respeitado sábio.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Quanta honra poder conhecer um sábio!</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Ao baterem à porta, foram logo recebidos pelo mesmo ancião que haviam visto na feira.</p>
<p class="isSelectedEnd">Os jovens ficaram assustados com a coincidência, mas não falaram nada.</p>
<p class="isSelectedEnd">Passaram um dia de aprendizado ali.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ao irem embora, já no fim da tarde, o sábio perguntou se poderia contribuir com eles em mais alguma coisa.</p>
<p class="isSelectedEnd">Eles ficaram relutantes, mas resolveram perguntar por que aquele ancião havia feito, na manhã daquele mesmo dia, todo aquele esforço para carregar um porco manco que era conduzido por seu pastor até a feira.</p>
<p class="isSelectedEnd">O sábio, com olhar sereno, disse:</p>
<p><strong>“Hoje de manhã? Porco? Que porco? Não estou lembrando de porco algum. Peço desculpas, mas não me recordo do que vocês estão relatando.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Os discípulos então agradeceram, despediram-se e desceram a montanha sem entender nada.</p>
<p class="isSelectedEnd">Foi quando o seu mestre, o filósofo, soltou uma risada para si mesmo.</p>
<p class="isSelectedEnd">Os discípulos perguntaram do que ele ria.</p>
<p class="isSelectedEnd">O mestre respondeu que havia atentado para um fato.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Aquele homem, diferente dele, era um sábio.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">E continuou:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Eu carregaria o porco por disciplina, mesmo estando em guerra interna, reclamando do porco e da má sorte de tê-lo encontrado.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Mas o sábio, não.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Ele carregou o porco com tanta naturalidade como quem respira, sem que a mente precisasse registrar aquilo como algo diferente da rotina do corpo.</p>

			</div></div>
<p class="isSelectedEnd"><strong>À primeira vista, pensamos que a história fala sobre um porco.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Mas ela nunca foi sobre um porco.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Ela fala sobre nós.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Quantas vezes fazemos o bem esperando reconhecimento?</p>
<p class="isSelectedEnd">Quantas vezes ajudamos alguém e ficamos decepcionados porque ninguém agradeceu?</p>
<p class="isSelectedEnd">Quantas vezes cumprimos nosso dever apenas porque entendemos que era nossa obrigação?</p>
<p class="isSelectedEnd">Existe uma enorme diferença entre fazer o bem por obrigação e fazer o bem porque nos tornamos pessoas boas.</p>
<p class="isSelectedEnd">É exatamente essa diferença que o filósofo apresenta aos seus discípulos.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ele reconhece:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Eu carregaria o porco por disciplina.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Que bela demonstração de humildade.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ele não se coloca no mesmo nível do sábio.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ele compreende que ainda existe um conflito dentro de si.</p>
<p class="isSelectedEnd">Uma parte de sua consciência sabe o que deve fazer.</p>
<p class="isSelectedEnd">Outra parte reclama.</p>
<p class="isSelectedEnd">Questiona.</p>
<p class="isSelectedEnd">Resiste.</p>
<p class="isSelectedEnd">E não é assim conosco?</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Quando alguém nos ofende&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Nossa razão diz:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Perdoe.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Mas nosso orgulho responde:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Não.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Quando somos chamados a servir&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Nossa consciência diz:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Ajude.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Mas nossa comodidade responde:</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>“Depois.”</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Quando devemos agir com paciência&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Nossa educação pede calma.</p>
<p class="isSelectedEnd">Mas nossas paixões querem reagir imediatamente.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>É exatamente esse conflito que caracteriza o homem em construção.</strong></p>
<h2>A visão maçônica</h2>
<p class="isSelectedEnd">Na Maçonaria, chamamos isso de <strong>desbastar a Pedra Bruta</strong>.</p>
<p class="isSelectedEnd">Não se trata apenas de aprender símbolos.</p>
<p class="isSelectedEnd">Nem de decorar rituais.</p>
<p class="isSelectedEnd">Muito menos de acumular conhecimento.</p>
<p class="isSelectedEnd">O verdadeiro trabalho acontece dentro de nós.</p>
<p class="isSelectedEnd">Toda sessão é um convite para lapidar nosso caráter.</p>
<p class="isSelectedEnd">Cada ensinamento recebido é mais um golpe de malho.</p>
<p class="isSelectedEnd">Cada reflexão é mais um uso do cinzel.</p>
<p class="isSelectedEnd">E, pouco a pouco, aquilo que antes exigia esforço&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd">começa a acontecer naturalmente.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>No início, somos honestos</strong> porque aprendemos que devemos ser.</p>
<p class="isSelectedEnd">Depois&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>nos tornamos honestos.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Primeiro somos pacientes por disciplina.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Depois&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>nos tornamos pacientes por natureza.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Primeiro perdoamos porque sabemos que é o correto.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Depois&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd">perdoar deixa de ser esforço e passa a ser parte de quem somos.</p>
<h2>O verdadeiro objetivo da iniciação</h2>
<p class="isSelectedEnd">Talvez aqui esteja um dos maiores equívocos que podemos cometer:</p>
<p class="isSelectedEnd">pensar que a Maçonaria existe para ensinar virtudes.</p>
<p class="isSelectedEnd">Não.</p>
<p class="isSelectedEnd">Virtudes podem ser aprendidas em muitos lugares.</p>
<p class="isSelectedEnd">A Maçonaria pretende algo muito maior.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ela deseja <strong>transformar a virtude em caráter.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Porque caráter não é aquilo que fazemos de vez em quando.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Caráter é aquilo que fazemos sem precisar pensar.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>É quando o bem deixa de ser uma escolha difícil&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>e passa a ser nossa própria natureza.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Foi exatamente isso que os discípulos perceberam no final da história.</p>
<p class="isSelectedEnd">O sábio nem sequer lembrava do porco.</p>
<p class="isSelectedEnd">Porque, para ele, aquilo não tinha sido um grande feito.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Foi apenas um ato natural.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Assim como respirar.</p>
<p class="isSelectedEnd">Assim como caminhar.</p>
<p class="isSelectedEnd">Assim como estender a mão.</p>
<h2>Aqui, uma reflexão para todos nós</h2>
<p class="isSelectedEnd">E eu lhes faço uma pergunta.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Quantos porcos ainda carregamos reclamando?</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Quantas vezes fazemos o bem esperando reconhecimento?</p>
<p class="isSelectedEnd">Quantas vezes cumprimos nosso dever alimentando internamente o ressentimento?</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Talvez ainda sejamos filósofos ou aprendizes.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">E isso não é um problema.</p>
<p class="isSelectedEnd">Porque todo sábio, um dia, também foi um filósofo.</p>
<p class="isSelectedEnd">O problema seria acreditar que já chegamos ao destino.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Meus Amados Irmãos,</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Nossa caminhada maçônica não termina quando recebemos um novo grau.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ela não termina quando ocupamos um cargo.</p>
<p class="isSelectedEnd">Ela não termina quando aprendemos novos símbolos.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Ela só termina quando aquilo que hoje exige disciplina&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>amanhã se transformar em natureza.</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">Quando a honestidade deixar de ser um esforço.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quando a fraternidade deixar de ser um dever.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quando a tolerância deixar de ser uma obrigação.</p>
<p class="isSelectedEnd">Quando servir deixar de ser um sacrifício.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>Nesse dia&#8230;</strong></p>
<p class="isSelectedEnd">talvez nem nos lembremos mais dos “porcos” que carregamos.</p>
<p class="isSelectedEnd">Porque teremos aprendido a fazer o bem sem esperar aplausos&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd">a servir sem desejar reconhecimento&#8230;</p>
<p class="isSelectedEnd">e a agir corretamente não por imposição, mas porque essa será a nossa essência.</p>
<p class="isSelectedEnd">E talvez possamos dizer que o verdadeiro objetivo da Iniciação não é formar homens que conheçam o bem.</p>
<p class="isSelectedEnd"><strong>É formar homens para os quais o bem se tornou tão natural quanto respirar.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Nem tudo está perdido</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/nem-tudo-esta-perdido/</link>
					<comments>https://www.sosergipe.com.br/nem-tudo-esta-perdido/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 22 Aug 2026 14:22:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[devolvido]]></category>
		<category><![CDATA[dinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[honestidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ilha do Amor]]></category>
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		<category><![CDATA[PIX]]></category>
		<category><![CDATA[praç.a do Jansen]]></category>
		<category><![CDATA[praça]]></category>
		<category><![CDATA[teste]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=100774</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Domingo, 16 de agosto. Final de tarde. Após dia quente, normal na Ilha do Amor, recebi mensagem de Rodrigo, meu filho, dizendo que estava a caminho, para nos encontrarmos na praça da Lagoa da Jansen, que fica em frente ao meu condomínio. Desço e encontro: Ana &#8230;</p>
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]]></description>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>omingo, 16 de agosto. Final de tarde. Após dia quente, normal na Ilha do Amor, recebi mensagem de Rodrigo, meu filho, dizendo que estava a caminho, para nos encontrarmos na praça da Lagoa da Jansen, que fica em frente ao meu condomínio.</p>
<p>Desço e encontro: Ana Paula, Rodrigo e Heitor, neto querido de um ano e meio, que está começando a andar e precisa de espaço. A praça é território da alegria. Quando arrefece o calor, é na praça que pais levam filhos e tutores seus pets. Algazarra garantida. Crianças e adolescentes com suas bicicletas, patinetes motorizados, patins, skates. Cuidado redobrado com Heitor, que corre ziguezagueado, sem medo do seu entorno. Em uma cidade carente de praças e áreas verdes, tenho o privilégio de morar em frente a um espaço razoavelmente bem cuidado pelo poder público. Não conheço nenhuma praça em São Luís que seja lavada regularmente pela prefeitura como a da Lagoa da Jansen. Além de policiada.</p>
<p>Acomodado no banco, eis que, de repente, um garoto, de no máximo 12 anos, passa em alta velocidade em sua bicicleta. Um aparelho celular cai. Ana Paula apanha o aparelho e chama o menino, para informá-lo de que deixara o celular para trás. O garoto acelerou; perdemo-lo de vista.</p>
<p>Logo em seguida, outro garoto, agora mais devagar, se aproxima. Pergunto se ele conhecia o garoto que havia deixado o celular que caiu. “Sim”, respondeu ele. Ana Paula entrega-lhe o aparelho.</p>
<p>Não demorou muito, o primeiro garoto retornou com o celular em mãos. “Vocês passaram no teste”, diz ele. “Que teste?”, pergunto.</p>
<p>“Nós estamos fazendo um experimento, deixamos o celular cair de propósito para saber se vão nos devolver”, diz ele e completa: “O celular é só a carcaça, não funciona”. E sai em nova disparada.</p>
<p>Fiquei surpreso e intrigado. Não sei o nome do garoto. Não sei se o teste é para um estudo sobre honestidade ou para fazer uma estatística sobre quem devolve ou não o aparelho de celular. Quem sabe, um trabalho para a escola.</p>
<p>Testes de honestidade em praças públicas são experimentos sociais comuns na internet e nas TVs. Neles, criadores de conteúdo deixam objetos de valor (como celulares, carteiras ou notebooks) sozinhos em bancos de praças e calçadões para gravar a reação dos pedestres com câmeras escondidas. A maioria das pessoas costuma ignorar o objeto ou devolvê-lo.</p>
<p>Geralmente, alguém finge deixar cair dinheiro ou uma carteira no chão da praça.</p>
<p>Um item caro, como um notebook ou celular, fica sobre um banco sem vigilância aparente. Uma equipe grava de longe para ver se quem passa devolve o item ou tenta furtar. Em muitos vídeos, pessoas devolvem o item perdido ou avisam o dono, surpreendendo quem duvidava da bondade alheia.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>A honestidade mora nas pequenas coisas do dia a dia, como devolver um troco errado na padaria ou falar a verdade quando ninguém está olhando. Ela parece fora de moda, mas é o fio invisível que segura a vida em paz. Ser honesto dá leveza à vida. São exemplos de civilidade, tão fora de moda atualmente.</p>

			</div></div>
<p>Recentemente, ao abrir a porta do apartamento, deparei-me com Josi, empregada dos vizinhos. Ela contava para a zeladora do prédio, Nilde, a angústia que passou até devolver uma quantia que depositaram indevidamente em sua conta, através de um Pix. “Enquanto não devolvi o dinheiro, não sosseguei”, disse Josi aliviada. “O dinheiro não era meu”.</p>
<p>São exemplos como o de Josi que provam que nem tudo está perdido. Certamente, esse dinheiro seria útil a Josi, mas ela preferiu devolver.</p>
<p>Fico feliz que o mundo que Heitor está conhecendo tenha gente honesta e ética.</p>
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		<title>Palavra, fé e resistência –  excertos biográficos do professor Ricardo André de Souza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 13:54:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Claudefranklin Monteiro (*) &#160; Sou particularmente um entusiasta de seus textos, mas também de sua capacidade lúcida e cirúrgica de pensar, refletir e se expressar sobre a vida e sobre Deus, de igual modo de sua luta pela dignidade humana, expressas nas causas que defende, seja ao nível do Magistério Público, seja ao &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Claudefranklin Monteiro (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ou particularmente um entusiasta de seus textos, mas também de sua capacidade lúcida e cirúrgica de pensar, refletir e se expressar sobre a vida e sobre Deus, de igual modo de sua luta pela dignidade humana, expressas nas causas que defende, seja ao nível do Magistério Público, seja ao nível mesmo da existência e de suas suscetibilidades, sobretudo, no que diz respeito à superação de uma mentalidade racista e à aplicação dos princípios de respeito e de justiça social.</p>
<p>Refiro-me ao professor <strong>Ricardo André de Souza</strong>, natural do Cabo de Santo Agostinho-PE, aos 31 dias do mês de maio de 1973. É filho de Reginaldo André de Souza e Noêmia Cordeiro de Souza (in memoriam), pais de oito rebentos, sendo quatro homens e quatro mulheres. Uma família pernambucana de classe média, que viveu num ambiente simples, mas, segundo nosso biografado, “(&#8230;) <em>profundamente marcado pelo afeto, pela união e pelo respeito mútuo</em>”. De irmãos que se amam, que aprenderam desde cedo a dividir não apenas o espaço e os recursos, mas também os sonhos, as responsabilidades e as esperanças.</p>
<p>Ainda sobre essa ambiência familiar, base de sua formação, acrescenta:</p>
<blockquote><p>“<em>Nossa casa nunca foi abundante em bens materiais, mas sempre foi rica em valores. Meu pai, hoje aposentado, dedicou muitos anos de sua vida ao trabalho como operador de máquinas pesadas. Durante muito tempo, enfrentou a dependência do álcool, o que trouxe sofrimento e dificuldades para toda a família. Foram anos desafiadores, marcados por lutas silenciosas e aprendizados dolorosos. Contudo, na velhice, ele abandonou a bebida, e essa decisão transformou radicalmente o relacionamento entre ele e nós, aproximando-nos e restaurando vínculos que haviam sido fragilizados. Não obstante as dificuldades vividas, aprendemos com ele a importância do trabalho honesto, da perseverança e da responsabilidade. Minha mãe, que era do lar, desempenhou um papel igualmente fundamental: foi o coração da família, cuidando de cada detalhe da nossa formação, ensinando-nos princípios, fé, caráter e amor ao próximo</em>”.</p></blockquote>
<p>Esta base familiar marcada, especialmente, por simplicidade, superação e companheirismo formou e sedimentou a sua identidade e a de seus irmãos. Enfrentaram dificuldades, mas estas não os dividiram; ao contrário, os fortaleceram. Cada conquista individual sempre foi celebrada como uma vitória coletiva, porque aprenderam que família é esteio, abrigo e força para seguir adiante, ressalta Ricardo André.</p>
<blockquote><p>“<em>Tenho orgulho da história que construímos juntos e dos valores que recebemos. É dessa família simples, trabalhadora e resiliente que venho — e é nela que encontro minhas raízes, minha inspiração e meu maior patrimônio</em>”.</p></blockquote>
<p>Por tudo isto, ele não poderia ter tido uma infância infeliz, mas muito e verdadeiramente feliz, o que lhe causa saudosismo até a presente data. Ele cresceu numa época em que não havia tecnologia e bens materiais sofisticados, tão valorizados em nosso tempo e que têm roubado a pureza das crianças. Sua alegria, portanto, estavam com pequenas coisas, em amizades sinceras e das brincadeiras na rua com os amigos do bairro onde morou.</p>
<blockquote><p><em>“Não tive brinquedos eletrônicos, como videogames, que hoje fazem parte da rotina de tantas crianças. Ainda assim, nunca me senti privado. Nossa diversão era construída com imaginação e companheirismo. Brincávamos de esconde-esconde, pega-pega, amarelinha, bola de gude e tantas outras brincadeiras que transformavam a rua em nosso grande parque de diversões. Eram momentos de liberdade, risadas e descobertas, que ajudaram a moldar meu caráter e a fortalecer laços de amizade que guardo com carinho na memória”.</em></p></blockquote>
<figure id="attachment_100745" aria-describedby="caption-attachment-100745" style="width: 223px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-100745" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-223x300.jpg" alt="A infância de Ricardo" width="223" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-223x300.jpg 223w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-762x1024.jpg 762w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia-768x1032.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Infancia.jpg 770w" sizes="(max-width: 223px) 100vw, 223px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100745" class="wp-caption-text">A infância de Ricardo</figcaption></figure>
<p>Realizou todo o seu Ensino Fundamental na Escola Municipal Tancredo Neves, situada no Bairro São Francisco — onde nasceu e cresceu. Foi ali que deu seus primeiros passos na vida escolar, construiu amizades, viveu experiências marcantes e começou a compreender o valor da educação. Concluiu essa etapa em 1992, ainda que com atraso. Ao longo do percurso, enfrentou dificuldades que resultaram na reprovação em dois anos letivos e, em outros dois momentos, acabou desistindo temporariamente dos estudos. “<em>Foram períodos de instabilidade e imaturidade, mas também de aprendizado sobre minhas próprias limitações e desafios</em>”, relembra Ricardo André.</p>
<p>No Ensino Médio, ele já morava em Lagarto. Era o ano de 1993, quando iniciou essa etapa de sua formação no Colégio Estadual Abelardo Romero Dantas. Teve problemas inúmeros, de ordem pessoal, e isso acabou atrapalhando seu desempenho. Não conseguia acompanhar adequadamente os conteúdos, especialmente os das disciplinas de Matemática e Ciências da Natureza. Os reveses o forçaram a abandonar aquele ano letivo. No ano seguinte, novamente esbarrou-se em dificuldades e, novamente, não concluiu o ano.</p>
<p>Em 1995, resolveu mudar de ares e matriculou-se no Colégio Cenecista Laudelino Freire, onde se formou no Magistério, em 1997. As coisas mudaram consideravelmente e ele redefiniu sua vida e redirecionou seus focos e objetivos. Foi por essa época que eu o conheci, na condição de meu aluno, onde tive uma curta experiência como professor de Cultura e História Sergipana. Sobre isto, testemunha:</p>
<blockquote><p><em>Foi ali que reencontrei o sentido dos estudos e redescobri minha confiança. Nesse período, tive o privilégio de ser aluno do Professor Claudefranklin Monteiro, meu professor de História, cuja dedicação, domínio do conteúdo e paixão pelo ensino exerceram profunda influência sobre mim. Sua postura ética e seu compromisso com a formação crítica dos alunos tornaram-se referência em minha caminhada. Posteriormente, também tive a honra de tê-lo como professor na Faculdade — e hoje, ao participar desta entrevista conduzida por ele, sinto-me duplamente honrado. Sua presença em momentos decisivos da minha formação acadêmica é motivo de gratidão e reconhecimento, pois foi, sem dúvida, uma inspiração determinante na construção da minha identidade como educador.</em></p></blockquote>
<figure id="attachment_100744" aria-describedby="caption-attachment-100744" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-100744" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-300x300.jpg" alt="Professor Ricardo André de Souza" width="300" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor-768x768.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-professor.jpg 960w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100744" class="wp-caption-text">Professor Ricardo André de Souza conta sua história</figcaption></figure>
<p>Em 2002, Ricardo André, embevecido pelo conhecimento, concluiu o curso de Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, instituição cearense que, durante alguns anos, ofertou turmas no município de Lagarto, ampliando o acesso ao ensino superior para muitos estudantes da região. Nesse ínterim, entrou em contato mais profundo com o pensamento do educador Paulo Freire (1921-1997), cuja pedagogia crítica e método de alfabetização transformaram sua maneira de compreender a educação. Ele se apaixonou por sua visão humanizadora, dialógica e libertadora sobre o processo educativo.</p>
<blockquote><p><em>Suas concepções tornaram-se minha maior referência teórica e prática. Considero-me, portanto, “freiriano”, procurando aplicar em meu fazer pedagógico os princípios do diálogo, da consciência crítica e da educação como prática de liberdade. O curso de Pedagogia não apenas me concedeu um diploma, mas ampliou minha compreensão sobre o papel social da escola e sobre a responsabilidade ética que acompanha o exercício do magistério.</em></p></blockquote>
<p>Em 2010, retornou ao Nível Superior onde fez a Licenciatura em História pela Faculdade José Augusto Vieira (fundada em 2024, atualmente desativada). A escolha pela História dialogava com sua paixão pela disciplina e com a influência de mestres que marcaram sua formação, fortalecendo nele o desejo de contribuir para a construção de uma consciência histórica e crítica nos seus alunos.</p>
<p>Sobre as instituições que lhe permitiram uma formação superior, ressalta:</p>
<blockquote><p><em>É verdade que nenhuma das duas instituições era considerada de ponta ou amplamente reconhecida no cenário nacional. Contudo, foram elas que me acolheram, me formaram e me proporcionaram as bases teóricas e práticas necessárias para o exercício da docência. Mais do que diplomas, essas experiências acadêmicas ajudaram a construir minha identidade como educador, moldaram minha visão de mundo e me capacitaram a exercer o magistério com dignidade, compromisso e responsabilidade social.</em></p>
<p><em>Entendo que a grandeza de uma formação não está apenas no prestígio institucional, mas na seriedade do processo formativo e na disposição do estudante em aproveitar as oportunidades que lhe são oferecidas. Foi assim que essas instituições se tornaram parte essencial da minha caminhada profissional e da missão que abracei na educação.</em></p></blockquote>
<p>Profissionalmente, as primeiras oportunidades logo lhe apareceram e ele abraçou com afinco. Em 1998, foi aprovado no concurso público do município de Lagarto para o cargo de professor.  Alguns anos depois, em 2004, prestou concurso, desta feita, para a rede estadual de ensino e obteve nova aprovação. Tornar-se professor consolidou a sua carreira e ampliou sua responsabilidade como educador.</p>
<blockquote><p><em>Ao longo desse tempo, uma experiência tem sido especialmente significativa: hoje ensino filhos de ex-alunos, o que me faz perceber concretamente o quanto estou envelhecendo (risos), a passagem das gerações e a extensão do trabalho realizado ao longo dos anos. É profundamente gratificante também encontrar ex-alunos na rua ou em outros espaços e ser abordado com carinho, gratidão e respeito. Esses encontros espontâneos são, para mim, uma das maiores recompensas da profissão, pois revelam que o trabalho realizado deixou marcas positivas.</em></p></blockquote>
<p>Para além de professor e educador consagrado, sua trajetória de vida é marcada pela fé. Com 11 anos, tornou-se membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, após participar de uma série de estudos bíblicos em um evangelismo público realizado pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, em sua cidade natal. Segundo ele, “(&#8230;) <em>um acontecimento marcante que deu um significado ainda mais profundo à minha infância</em>”.  Com os estudos das Escrituras, convenceu-se de que os ensinos e as crenças adventistas estavam em harmonia com a Bíblia.</p>
<figure id="attachment_100748" aria-describedby="caption-attachment-100748" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-100748" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-300x225.jpg" alt="Ricardo, o adventista" width="300" height="225" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-300x225.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-1024x768.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-768x576.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista-1536x1152.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-adventista.jpg 1600w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100748" class="wp-caption-text">Ricardo, o adventista</figcaption></figure>
<p>Aos 12 anos, no dia 17 de agosto de 1985, decidiu batizar-se. Em tenra idade, tinha a firme convicção de que estava tomando a melhor decisão da sua vida. Sentia claramente que Cristo o conduzia em seus passos naquela escolha. “<em>Aquele foi um dos dias mais felizes da minha trajetória, um marco que ficou gravado de maneira indelével em minha história”, </em>destaca.</p>
<p>Ao longo dessa caminhada de fé, teve a oportunidade de servir à Igreja em diferentes funções, sempre procurando fazê-lo com dedicação, espírito de serviço e senso de responsabilidade cristã. Exerceu o cargo de ancião na Igreja Lagarto I (2000 a 2008), e posteriormente na Igreja Central de Lagarto (2010 a 2019). Na estrutura da Igreja Adventista, o ancião é um líder leigo eleito pela comunidade local para auxiliar o pastor na condução espiritual da igreja. Entre suas atribuições estão o cuidado pastoral dos membros, a participação na liderança administrativa, a pregação da Palavra, a coordenação de atividades religiosas e o fortalecimento da unidade e da missão da igreja. Trata-se de uma função de elevada responsabilidade espiritual, que exige equilíbrio, testemunho cristão e compromisso com os princípios bíblicos.</p>
<p>Ainda na Igreja Adventista, atuou como Diretor de Publicações e como Diretor do Minicentro de Pesquisas Ellen G. White da IASD Central de Lagarto, entre 2016 e 2020. Nessas funções, trabalhou incentivando a leitura e a circulação de literatura cristã, bem como promovendo o estudo dos escritos de Ellen G. White (1987-1915), reconhecida pelos adventistas como uma das pioneiras do movimento e importante voz na orientação espiritual e educacional da igreja. Atualmente, serve como líder de Pequeno Grupo e professor da Escola Sabatina. Nessas atividades, dedica-se ao fortalecimento espiritual dos membros, à promoção do estudo sistemático da Bíblia e ao incentivo à comunhão e à missão. “<em>Para mim, servir à igreja não é apenas ocupar cargos, mas participar ativamente da construção de uma comunidade de fé comprometida com o evangelho e com a esperança cristã</em>”.</p>
<p>A essa altura, sobretudo quem conhece Ricardo André, está se questionando: o que fez um homem de formação familiar sólida e adventista optar por orientações e posicionamentos políticos de esquerda? As respostas tornam esse personagem ainda mais fascinante, confirmando, com sua vida, que coisas como fé e política / fé e ciência podem conviver harmonicamente e gerar frutos positivos para o mundo.</p>
<blockquote><p><em>Quando alcancei a adolescência, por volta dos 16 anos, passei a ser tomado por inquietações profundas de natureza social. Eu havia nascido e crescido em um bairro periférico da cidade de Cabo de Santo Agostinho, onde a pobreza era uma realidade cotidiana. Centenas de crianças e jovens viviam em situação de vulnerabilidade social, convivendo com limitações materiais, poucas oportunidades e perspectivas reduzidas de ascensão social. Ao me dar conta desse cenário, começaram a surgir perguntas que não me deixavam em paz: por que alguns acumulam riqueza enquanto outros mal têm o necessário para viver? Por que uns podem estudar até a universidade e outros precisam trabalhar desde cedo para ajudar no sustento da família? É justo que poucos tenham tanto e muitos tenham tão pouco? De onde vêm as desigualdades sociais?</em></p></blockquote>
<p>O professor Ricardo André adota como referência teórico-metodológica o materialismo histórico, procurando interpretar os fatos a partir das relações de classe, das condições materiais de existência e das disputas por direitos e reconhecimento profissional. Mais do que descrever eventos, ele procura evidenciar as determinações estruturais que influenciaram a organização coletiva dos professores, compreendendo o movimento sindical como expressão concreta das tensões e conflitos presentes na sociedade.</p>
<figure id="attachment_100749" aria-describedby="caption-attachment-100749" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante-.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-100749" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante--300x221.jpg" alt="Militante do Sintese" width="300" height="221" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante--300x221.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante--768x565.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/O-militante-.jpg 978w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100749" class="wp-caption-text">Militante do Sintese</figcaption></figure>
<p>Dois anos após a sua aprovação no concurso do Município de Lagarto, sentiu a necessidade de se filiar ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (SINTESE), tornando-se um militante comprometido. Em 2008, tornou-se dirigente sindical. Entre 2008 e 2010, exerceu a função de Delegado Sindical da base estadual. Desde 2022, exerce o cargo de Diretor Regional do Departamento de Base Estadual do SINTESE.</p>
<p>Afora isso, é militante negro, coordenando o núcleo do Movimento Negro Unificado em Lagarto, desde o ano passado.</p>
<p>Ainda sobre como ele consegue conciliar esquerda e religião, destaca:</p>
<blockquote><p><em>Particularmente, não vejo contradição alguma entre minha fé cristã e o desejo de viver em uma sociedade que não esteja alicerçada na exploração de uma classe por outra — prática que, à luz da Bíblia, é expressão do pecado. A própria tradição profética do Antigo Testamento denuncia com vigor as injustiças sociais. No capítulo 1 do livro de Isaías, por exemplo, encontramos uma severa repreensão à corrupção e à rebeldia de Israel. Embora o povo mantivesse uma religiosidade formal, seus líderes exploravam os mais vulneráveis e se enriqueciam às custas dos pobres. Deus, por meio do profeta, conclama o povo ao arrependimento e à prática concreta da justiça: “Aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva” (Is 1:17). A promessa de perdão estava vinculada a uma mudança real de postura diante da injustiça.</em></p></blockquote>
<p>Tal como eu, quem quiser conhecer um pouco mais sobre como pensa o professor, o sindicalista, o cristão, o político e o historiador Ricardo André de Souza, recomendo suas atividades em ambientes digitais. Ele mantém o blog “<em>A Verdade Como é em Jesus</em>”, espaço no qual publica artigos de caráter religioso fundamentados nas Sagradas Escrituras. “<em>Trata-se de um ambiente de reflexão teológica e espiritual, onde procuro expor, de maneira clara e fundamentada, minhas convicções de fé, dialogando com temas bíblicos, doutrinários e contemporâneos à luz da Palavra de Deus</em>”. O blog nasceu do seu desejo de compartilhar conhecimento, fortalecer a fé cristã e contribuir para um debate respeitoso e edificante sobre questões religiosas.</p>
<p>É, ainda, bastante ativo nas redes sociais, especialmente no Facebook e no Instagram. Nessas plataformas, manifesta sua opinião sobre acontecimentos políticos, sociais e religiosos que ganham repercussão nacional. Procura sempre fundamentar suas análises em argumentos consistentes, buscando estimular a reflexão crítica e o diálogo responsável.</p>
<blockquote><p><em>Meu propósito ao utilizar esses espaços digitais não é apenas expressar posicionamentos pessoais, mas também contribuir para o enfrentamento da desinformação e para a promoção de debates mais qualificados. Entendo que, no contexto atual, marcado pela circulação rápida de informações e opiniões, é fundamental exercitar a responsabilidade intelectual e ética na comunicação pública.</em></p></blockquote>
<p>Ricardo André é casado com a lagartense Ana Cláudia de Santana Souza, desde o dia 29 de setembro de 2002. Dessa união, nasceu em 29 de dezembro de 2006, o filho único, Martin Luther King Santana Souza. “<em>Ele é a expressão mais bela do nosso amor e, para mim, o negro mais bonito de toda a cidade</em>”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong>Fontes e Referências: </strong></p>
<p><strong><br />
</strong>Entrevista com Ricardo André de Souza, por Claudefranklin Monteiro Santos. Lagarto-SE, 21 de fevereiro de 2026.</p>
<p>Blog <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://averdade-emjesus.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener">A Verdade Como é em Jesus</a></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/ricardoandresouza/" target="_blank" rel="noopener">@ricardoandresouza</a></span></p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpalavra-fe-e-resistencia-excertos-biograficos-do-professor-ricardo-andre-de-souza%2F&amp;linkname=Palavra%2C%20f%C3%A9%20e%20resist%C3%AAncia%20%E2%80%93%20%20excertos%20biogr%C3%A1ficos%20do%20professor%20Ricardo%20Andr%C3%A9%20de%20Souza" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpalavra-fe-e-resistencia-excertos-biograficos-do-professor-ricardo-andre-de-souza%2F&amp;linkname=Palavra%2C%20f%C3%A9%20e%20resist%C3%AAncia%20%E2%80%93%20%20excertos%20biogr%C3%A1ficos%20do%20professor%20Ricardo%20Andr%C3%A9%20de%20Souza" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpalavra-fe-e-resistencia-excertos-biograficos-do-professor-ricardo-andre-de-souza%2F&amp;linkname=Palavra%2C%20f%C3%A9%20e%20resist%C3%AAncia%20%E2%80%93%20%20excertos%20biogr%C3%A1ficos%20do%20professor%20Ricardo%20Andr%C3%A9%20de%20Souza" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpalavra-fe-e-resistencia-excertos-biograficos-do-professor-ricardo-andre-de-souza%2F&amp;linkname=Palavra%2C%20f%C3%A9%20e%20resist%C3%AAncia%20%E2%80%93%20%20excertos%20biogr%C3%A1ficos%20do%20professor%20Ricardo%20Andr%C3%A9%20de%20Souza" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpalavra-fe-e-resistencia-excertos-biograficos-do-professor-ricardo-andre-de-souza%2F&#038;title=Palavra%2C%20f%C3%A9%20e%20resist%C3%AAncia%20%E2%80%93%20%20excertos%20biogr%C3%A1ficos%20do%20professor%20Ricardo%20Andr%C3%A9%20de%20Souza" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/palavra-fe-e-resistencia-excertos-biograficos-do-professor-ricardo-andre-de-souza/" data-a2a-title="Palavra, fé e resistência –  excertos biográficos do professor Ricardo André de Souza"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/palavra-fe-e-resistencia-excertos-biograficos-do-professor-ricardo-andre-de-souza/">Palavra, fé e resistência –  excertos biográficos do professor Ricardo André de Souza</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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		<title>Professor Uchôa – 90 anos: uma vida transformando educação em oportunidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Saumineo Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 14:30:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[balconistas]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento]]></category>
		<category><![CDATA[dirigente]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[faculdade]]></category>
		<category><![CDATA[Grupo Tiradentes]]></category>
		<category><![CDATA[inspetor]]></category>
		<category><![CDATA[Jouberto Uchoa]]></category>
		<category><![CDATA[tecelão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Saumíneo da Silva Nascimento (*) &#160; Em setembro de 2026, o professor Jouberto Uchôa de Mendonça completa 90 anos. A data oferece uma oportunidade especial para olhar para sua trajetória não apenas como a história de um educador, empreendedor e dirigente de uma das mais importantes instituições de ensino de Sergipe, a Universidade &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Saumíneo da Silva Nascimento (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>m setembro de 2026, o professor Jouberto Uchôa de Mendonça completa 90 anos. A data oferece uma oportunidade especial para olhar para sua trajetória não apenas como a história de um educador, empreendedor e dirigente de uma das mais importantes instituições de ensino de Sergipe, a Universidade Tiradentes (UNIT), mas como parte da própria história do desenvolvimento educacional do Estado.</p>
<p>Há vidas que podem ser medidas pelo tempo. Outras, pelo número de pessoas que foram alcançadas por elas. A trajetória de Uchôa pertence à segunda categoria.</p>
<p>Nascido em 17 de setembro de 1936, terceiro dos 11 filhos de Jacinto Uchôa de Mendonça e Cândida Rodrigues de Mendonça, o professor conheceu desde cedo as dificuldades de uma origem humilde. Antes de se tornar dirigente universitário, passou por diferentes ocupações profissionais, inclusive como tecelão, balconista, auxiliar de laboratório e funcionário público. Sua entrada no mundo da educação ocorreu de maneira igualmente simples: começou como vigia e, posteriormente, exerceu funções de servente, inspetor de alunos, professor de Matemática, secretário e diretor.</p>
<p>Essa origem ajuda a compreender uma das características mais marcantes de sua trajetória: a percepção de que educação não deve ser privilégio de poucos, mas caminho para transformar vidas.</p>
<p>A história de Uchôa é também a história de alguém que não permitiu que sua origem determinasse o limite de suas possibilidades. Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e posteriormente realizou estudos de pós-graduação, incluindo formação em Administração de Unidades de Ensino e Administração Pública.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_100705" aria-describedby="caption-attachment-100705" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-40.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-100705 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-40.jpg" alt="Universidade Tiradentes, no bairro Farolândia" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-40.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-40-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-40-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-40-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-40-660x330.jpg 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100705" class="wp-caption-text">Universidade Tiradentes, no bairro Farolândia</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 1962, fundou o Ginásio Tiradentes. A iniciativa cresceu, transformando-se em colégio e, posteriormente, em instituição de ensino superior. Em 1972, veio a autorização para o funcionamento da faculdade, inicialmente com os cursos de Administração, Economia e Ciências Contábeis. Em 1994, as Faculdades Integradas Tiradentes transformaram-se na Universidade Tiradentes — UNIT.</p>
<p>Sergipe possuía, naquele período, limitações importantes na oferta de educação superior. A expansão da iniciativa criada por Uchôa significou ampliar o número de jovens que poderiam ingressar no ensino superior sem necessariamente precisar deixar o Estado.</p>
<p>Por isso, sua contribuição não pode ser avaliada apenas pelo crescimento de uma instituição. Ela deve ser observada pelo efeito multiplicador da educação: um estudante formado torna-se profissional; esse profissional participa do mercado de trabalho; muitos tornam-se professores, gestores, empresários, servidores públicos e líderes comunitários; e suas trajetórias passam a influenciar novas gerações.</p>
<p>É essa capacidade multiplicadora que talvez melhor sintetize o legado de Uchôa, sendo ele um divisor de águas na educação sergipana.</p>
<p>Em publicação do Governo de Sergipe sobre sua biografia, o desembargador aposentado Osório Ramos afirmou que divide a história da educação sergipana em dois períodos: antes e depois de Uchôa. A afirmação traduz a dimensão atribuída à criação e à expansão da Tiradentes.</p>
<p>Em 2024, durante sessão da Assembleia Legislativa de Sergipe, o deputado Luciano Pimentel também destacou o impacto da trajetória de Uchôa, observando que é difícil encontrar uma família sergipana sem alguém que tenha estudado na UNIT.</p>
<p>Independentemente de avaliações individuais sobre instituições ou modelos educacionais, existe um fato histórico relevante: a expansão da educação superior privada em Sergipe ampliou significativamente as possibilidades de formação profissional no Estado. E o professor Uchôa foi protagonista desse processo.</p>
<p>Existe, entretanto, uma dimensão de sua trajetória que merece atenção especial: Uchôa não parece compreender educação apenas como transmissão de conhecimento ou obtenção de um diploma. Em seu discurso de posse na Academia Sergipana de Educação, em 2020, destacou que ser professor exige sensibilidade, aproximação com o aluno e capacidade de ajudá-lo a descobrir o melhor de si mesmo.</p>
<p>Essa concepção aproxima sua visão de educação de dois grandes pensadores brasileiros.</p>
<p>O primeiro é Anísio Teixeira, para quem a educação deveria estar associada à democracia e à construção de uma sociedade capaz de oferecer oportunidades efetivamente mais amplas aos seus cidadãos.</p>
<p>O segundo é Paulo Freire, cuja obra colocou no centro do processo educacional a dignidade do educando, o diálogo e a compreensão da educação como prática de transformação.</p>
<p>Uchôa não precisa ser colocado artificialmente na mesma dimensão intelectual desses autores para que se perceba uma convergência importante: a educação ganha sentido quando consegue transformar possibilidades em oportunidades concretas de vida.</p>
<p>No plano internacional, sua trajetória também pode ser aproximada da reflexão de Edgar Morin, especialmente de sua defesa de uma educação capaz de preparar as novas gerações para compreender a complexidade do mundo, estabelecer relações entre diferentes conhecimentos e desenvolver uma visão humana e responsável da sociedade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_100704" aria-describedby="caption-attachment-100704" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-39.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-100704 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-39.jpg" alt="Professor Uchôa" width="1209" height="1300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-39.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-39-279x300.jpg 279w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-39-952x1024.jpg 952w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-39-768x826.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100704" class="wp-caption-text">Professor Uchôa, na época do Colégio Tiradentes Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>A aproximação entre esses três pensadores — Anísio Teixeira, Paulo Freire e Edgar Morin — e a trajetória de Uchôa pode ser feita por uma ideia comum: educar é preparar pessoas para a vida, e não apenas para uma profissão.</p>
<p>A maturidade da trajetória de Uchôa também se expressa em sua participação em instituições de natureza acadêmica e cultural.</p>
<p>Ele integra a Academia Sergipana de Letras, ocupando a cadeira nº 23, sucedendo ao intelectual Luiz Antônio Barreto; é membro da Academia Sergipana de Letras Jurídicas, da Academia Sergipana de Administração e da Academia Sergipana de Educação. Em 2021, passou também a integrar a Academia Nacional de Economia, ocupando a Cátedra nº 33.</p>
<p>Sua entrada na Academia Sergipana de Educação possui um significado especial. A instituição foi criada justamente para reunir educadores, professores e intelectuais com o propósito de discutir caminhos para melhorar a educação sergipana e preservar a memória de personalidades que contribuíram para sua história.</p>
<p>O reconhecimento institucional, portanto, não é apenas honorífico. Ele revela que sua trajetória passou a fazer parte da memória intelectual e educacional de Sergipe.</p>
<p>O legado de Uchôa não se limita à formação de profissionais. A atuação do Grupo Tiradentes também esteve associada à pesquisa, à cultura, à preservação da memória sergipana e à aproximação entre educação, ciência e desenvolvimento.</p>
<p>O Instituto de Tecnologia e Pesquisa, por exemplo, foi destacado por representantes públicos como uma iniciativa com impacto científico e tecnológico e com relações nacionais e internacionais.</p>
<p>O Memorial de Sergipe Professor Jouberto Uchôa, criado em 1998 e reinaugurado em novas instalações em 2023, também expressa essa preocupação com a preservação da história e da cultura sergipanas, realizando exposições e ações educativas destinadas a fortalecer a identidade local e estimular as novas gerações a conhecer e valorizar seu patrimônio.</p>
<p>É uma característica importante de uma trajetória educacional madura: não formar apenas profissionais para o presente, mas preservar conhecimento para o futuro.</p>
<p>A preocupação com as novas gerações talvez seja justamente aqui que se encontre a maior atualidade da trajetória de Uchôa aos 90 anos.</p>
<p>Uma sociedade não pode construir seu futuro apenas olhando para aquilo que já realizou. Precisa formar pessoas capazes de continuar realizando.</p>
<p>O professor tem sido descrito por alunos, ex-alunos e colaboradores como alguém que incentiva permanentemente o estudo e a aprendizagem. A própria UNIT registra que uma de suas características mais lembradas é estimular as pessoas a manterem a disposição para aprender como caminho para progredir na vida profissional e pessoal.</p>
<p>Essa preocupação é particularmente importante em um mundo marcado pela inteligência artificial, pela transformação tecnológica, pelas mudanças no mercado de trabalho e pela necessidade crescente de aprendizagem ao longo da vida.</p>
<p>A grande pergunta contemporânea já não é somente quantas pessoas conseguimos formar. É também que tipo de cidadão estamos formando.</p>
<p>Nesse sentido, a experiência de Uchôa deixa uma mensagem atual: o investimento mais importante de uma sociedade continua sendo aquele realizado nas pessoas.</p>
<p>Celebrar os 90 anos do professor Jouberto Uchôa de Mendonça é, portanto, mais do que homenagear uma biografia. É reconhecer uma trajetória que saiu de uma origem humilde, atravessou diferentes profissões, chegou à sala de aula, passou pela gestão educacional e alcançou a construção de uma instituição universitária com presença nacional.</p>
<p>É reconhecer também alguém que compreendeu que uma escola ou universidade não termina quando entrega um diploma. Seu verdadeiro resultado aparece nas vidas que seus alunos conseguem construir depois dela.</p>
<p>Por isso, talvez a melhor maneira de homenagear Uchôa seja não apenas olhar para aquilo que ele fez, mas perguntar o que sua trajetória nos obriga a fazer daqui para frente, e imagino que a resposta passa necessariamente pela formação das novas gerações.</p>
<p>Sergipe precisa continuar formando professores, pesquisadores, médicos, engenheiros, administradores, economistas, advogados, profissionais de tecnologia, empreendedores e, sobretudo, cidadãos comprometidos com o desenvolvimento humano e social.</p>
<p>Aos 90 anos, Uchôa representa uma geração que acreditou que era possível ampliar os horizontes educacionais de Sergipe.</p>
<p>Seu maior legado, contudo, não está somente nos prédios, nos cursos, nas instituições ou nos títulos acadêmicos. Está nas pessoas.</p>
<p>Está em cada profissional que encontrou na educação uma oportunidade que talvez sua família não tivesse tido anteriormente.</p>
<p>Está em cada professor que continuou a multiplicar conhecimento.</p>
<p>Está em cada jovem que pôde permanecer em Sergipe para estudar e construir sua trajetória.</p>
<p>E está, principalmente, na ideia de que uma vida dedicada à educação pode produzir efeitos que ultrapassam em muito a existência de quem a dedicou.</p>
<p>Aos 90 anos, o Professor Jouberto Uchôa de Mendonça pode ser visto, portanto, como parte viva da história da educação sergipana — mas também como um convite para que essa história continue sendo escrita.</p>
<p>Porque o verdadeiro legado de um educador não é aquilo que ele deixa para trás. É aquilo que consegue fazer nascer nas gerações que vêm depois.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fprofessor-uchoa-90-anos-uma-vida-transformando-educacao-em-oportunidade%2F&amp;linkname=Professor%20Uch%C3%B4a%20%E2%80%93%2090%20anos%3A%20uma%20vida%20transformando%20educa%C3%A7%C3%A3o%20em%20oportunidade" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fprofessor-uchoa-90-anos-uma-vida-transformando-educacao-em-oportunidade%2F&amp;linkname=Professor%20Uch%C3%B4a%20%E2%80%93%2090%20anos%3A%20uma%20vida%20transformando%20educa%C3%A7%C3%A3o%20em%20oportunidade" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fprofessor-uchoa-90-anos-uma-vida-transformando-educacao-em-oportunidade%2F&amp;linkname=Professor%20Uch%C3%B4a%20%E2%80%93%2090%20anos%3A%20uma%20vida%20transformando%20educa%C3%A7%C3%A3o%20em%20oportunidade" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fprofessor-uchoa-90-anos-uma-vida-transformando-educacao-em-oportunidade%2F&amp;linkname=Professor%20Uch%C3%B4a%20%E2%80%93%2090%20anos%3A%20uma%20vida%20transformando%20educa%C3%A7%C3%A3o%20em%20oportunidade" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fprofessor-uchoa-90-anos-uma-vida-transformando-educacao-em-oportunidade%2F&#038;title=Professor%20Uch%C3%B4a%20%E2%80%93%2090%20anos%3A%20uma%20vida%20transformando%20educa%C3%A7%C3%A3o%20em%20oportunidade" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/professor-uchoa-90-anos-uma-vida-transformando-educacao-em-oportunidade/" data-a2a-title="Professor Uchôa – 90 anos: uma vida transformando educação em oportunidade"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/professor-uchoa-90-anos-uma-vida-transformando-educacao-em-oportunidade/">Professor Uchôa – 90 anos: uma vida transformando educação em oportunidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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		<title>Caráter e a ética social atual</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Valtenio Paes de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 12:19:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[ameaça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por  Valtênio Paes de Oliveira (*) &#160; Na seara popular, com o sutil preconceito, a aparência profissional era muito usada associada ao bom caráter. O sacerdote era conhecido pelo colarinho, o banqueiro pelo luxo, o monge pelo hábito, mas Rayn Holinday e Stephen  Hanselman afirmaram na obra Diário Estoico: “um estóico não se identifica &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por  Valtênio Paes de Oliveira (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a seara popular, com o sutil preconceito, a aparência profissional era muito usada associada ao bom caráter. O sacerdote era conhecido pelo colarinho, o banqueiro pelo luxo, o monge pelo hábito, mas Rayn Holinday e Stephen  Hanselman afirmaram na obra <em><strong>Diário Estoico:</strong></em> “um estóico não se identifica pelo uniforme e não se assemelha a nenhum estereótipo. Eles não são identificáveis por aspecto, pela visão ou pelo som. A única maneira de reconhecê-lo é pelo caráter”.</p>
<p>Tomás de Aquino dissera que caráter  “<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://sites.google.com/view/sbgdicionariodefilosofia/car%C3%A1ter" target="_blank" rel="noopener">é a marca da personalidade</a></span>”. Segundo a definição, “caráter vem do grego &#8220;charactér&#8221; de &#8220;charássein&#8221; = gravar. Como conjunto de disposições psicológicas e comportamentos habituais de uma pessoa, isto é, a personalidade concreta”. Caráter relacionado à vontade, e nesse caso conota as ideias de energia, honestidade e coerência. É nessa acepção que falamos aqui, em pessoa de caráter. Na psicologia pode ser o somatório de todos os traços na maneira predominante de agir de cada indivíduo. Para Aristóteles, o caráter “é resultado de hábitos cultivados pela prática de boas ações, moldando a excelência moral e o equilíbrio”. Para Kant, caráter deve ser guiado “pelo respeito às leis morais universais”.  Enfim, inúmeros outros filósofos, psicólogos, educadores, religiosos e familiares refletem conceitos sobre caráter.</p>
<p>No popular, falava-se “fulano é pessoa de caráter” quando se queria referenciar alguém como boa pessoa. Era o reconhecimento. No entanto, falha-se quando danos materiais de empresas acontecem contra pessoas e seus proprietários não são identificados. A imprensa informa apenas “a empresa”, ocultando  sempre quem é o responsável que busca sempre o lucro. O dono de uma empresa que traz danos materiais à saúde da população tem bom caráter?</p>
<p>Atente-se que a fragilidade humana decorrente do vício pelo uso das redes digitais está descaracterizando o caráter das pessoas. Valores morais estão sendo eliminados pela prática do imediatismo, do individualismo, do lucro, do consumismo e da violência.  Sabe-se que 45% dos jovens de 15 a 29 anos com ansiedade são decorrentes do vício nas redes digitais e 30% dos adultos têm risco de depressão segundo o Panorama da Saúde Mental 2024. O Brasil é o terceiro país do mundo que mais usa internet e a OMC alerta para os malefícios do uso prolongado.</p>
<p>Atualmente, com a plenitude da mentira, a violência e a busca inveterada pelo lucro nas redes digitais estão eliminando o exercício do bom caráter. Humanos se trancam numa tela esquecendo de praticar a virtude em detrimento do vício. Aprovar a virtude e rejeitar o vício é uma necessidade social. Priorizarmos a reflexão e a prática coerente do bom caráter na escola, na família, na política para que a sociedade ocidental retome a ordem ante o caos moral existente é de grande valia para o crescimento da virtude. Uma ética fundada no coletivo, um fortalecimento de valores sociais centrados no bem-estar social é imperativo na boa coerência humana.</p>
<p>Ledo engano para quem imagina ser possível viver humanamente saudável na bolha da rede digital. As doenças mentais crescem exponencialmente.  Os avanços nas comunicações estreitaram mundialmente os diálogos, mas afastaram a vivência humana que exercitava emoções, e sentimentos de valores morais. Vivência presencial, tolerância, respeito, emoções e sentimentos de amizade plena, tão inerentes aos humanos, estão relegados nos tempos presentes.  O desafio é escolher a bolha individualizada ou conviver sem se submeter. Esta ebulição contraditória empurrou a população ocidental para a violência, o consumismo e o individualismo, esgotando o caráter e sua relação com a ética. Somente uma ética social fundada no coletivo, portanto, para o bem de todas as pessoas, poderá amenizar este desafio da humanidade. Esperançar na prática é um bom caminho.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A Loja está coberta? Uma homenagem à ARLS Clodomir Silva nº 1477</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jorge Gonçalves]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Aug 2026 09:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[Clodomir Silva]]></category>
		<category><![CDATA[coberta]]></category>
		<category><![CDATA[Constâncio Vieira]]></category>
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		<category><![CDATA[goteira]]></category>
		<category><![CDATA[homenagem]]></category>
		<category><![CDATA[landmark]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Jorge Gonçalves (*) M uitos dos procedimentos ritualísticos que praticamos hoje em Loja têm origem em antigas tradições do Ofício, preservadas ao longo dos séculos, mesmo quando as razões que motivaram sua adoção já não são plenamente compreendidas[1]. Isso fica evidente logo na abertura de nossos trabalhos. O primeiro dever de determinado oficial é &#8230;</p>
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<p dir="auto" tabindex="-1">Por Jorge Gonçalves (*)</p>
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<div id="viewer-iqyzk62" class="n58GL wgYGg _3ea47 EsZzH" dir="auto" tabindex="-1">
<span class="dropcap ">M</span> uitos dos procedimentos ritualísticos que praticamos hoje em Loja têm origem em antigas tradições do Ofício, preservadas ao longo dos séculos, mesmo quando as razões que motivaram sua adoção já não são plenamente compreendidas<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn1">[1]</a></span>. Isso fica evidente logo na abertura de nossos trabalhos. O primeiro dever de determinado oficial é garantir que o Templo esteja devidamente protegido (“coberto”) e, em seguida, assegurar-se de que todos os presentes são maçons<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn2">[2]</a></span>. Embora, em nossas reuniões habituais, todos se conheçam, essa exigência possui uma profunda raiz histórica.</p>
<p>Para compreendê-la, devemos voltar à Escócia do final do século XVI, mais especificamente aos Estatutos de William Schaw, de 1598. Esse documento, essencial para a organização do Ofício, estabelecia rigorosas proibições contra os chamados <em>cowans</em>. Não há pretensão de traduzir esse antigo termo para o português, preservando integralmente seu significado histórico. Naquele período operativo, o <em>cowan</em> era o trabalhador que exercia, ou pretendia exercer, o ofício de pedreiro sem ter passado pelo aprendizado regular ou sem pertencer à corporação do ofício. Em termos modernos, poderíamos compará-lo a alguém que tenta exercer uma profissão regulamentada, como a Medicina, sem diploma ou sem a devida habilitação legal. Os <em>Estatutos de Schaw</em> puniam não apenas os <em>cowans</em>, mas também os pedreiros que lhes oferecessem trabalho ou permitissem que seus aprendizes trabalhassem ao seu lado<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn3">[3]</a></span>.</p>
<figure id="attachment_100566" aria-describedby="caption-attachment-100566" style="width: 323px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Contancio-Vieira.avif"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-100566" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Contancio-Vieira-225x300.avif" alt="Contâncio Vieira" width="323" height="430" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Contancio-Vieira-225x300.avif 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Contancio-Vieira-768x1024.avif 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Contancio-Vieira.avif 960w" sizes="auto, (max-width: 323px) 100vw, 323px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100566" class="wp-caption-text">Constâncio Vieira, foto restaurada por Jorge Gonçalves</figcaption></figure>
<p>Segundo o pesquisador Kennyo Ismail, o termo goteira consolidou-se, na Maçonaria brasileira, como equivalente de <em>cowan</em><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn4">[4]</a></span>. Em 1730, Samuel Prichard, em sua obra <em>Masonry Dissected</em>, escreveu: “Se um cowan (ou um ouvinte clandestino) for apanhado, como deverá ser punido?” E assim respondeu: “Deverá ser colocado sob o beiral de uma casa, em tempo chuvoso, até que a água escorra pelos ombros e saia pelos sapatos<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn5">[5]</a></span>.”</p>
<p>Não é por acaso que o oficial responsável por proteger o Templo recebe o nome de Cobridor, tradução do termo inglês <em>Tiler</em> (aquele que assenta telhas). Sua função consistia em “cobrir” a Loja, impedindo a entrada de intrusos ou de ouvintes clandestinos durante os trabalhos<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftn6">[6]</a></span>.</p>
<p>A documentação histórica revela que o rigor na identificação dos visitantes jamais teve por finalidade afastar Irmãos. Ao contrário, sempre existiu para garantir um dos maiores privilégios da Maçonaria: o direito de intervisitação entre Lojas. Trata-se de um direito imemorial, espontâneo e universalmente reconhecido, razão pela qual, em minha compreensão, constitui um verdadeiro <em>Landmark</em>, um marco tradicional e inalterável da Maçonaria.</p>
<p>Inestimáveis Irmãos, com muita gratidão, jamais esqueceremos a generosidade.</p>
<p>É exatamente esse privilégio que celebramos hoje, ao retribuirmos a honrosa visita da ARLS Clodomir Silva nº 1477 à ARLS Constâncio Vieira nº 3300, por ocasião da palestra do Ir.&#8217;. Cledson Cardoso.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<p>____________________</p>
<div id="viewer-iqyzk62" class="n58GL wgYGg _3ea47 EsZzH" dir="auto" tabindex="-1">
<p><strong>Notas de rodapé das Referências Bibliográficas:</strong></p>
<p><a href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref1"><span style="color: #008000;">[1]</span></a> CARR, Harry. <strong><em>O Ofício do Maçom: o guia definitivo para o trabalho maçônico</em></strong>. São Paulo: Madras, 2012. p.48.</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref2">[2]</a> </span>ANÔNIMO. <strong><em>Três Batidas Distintas (Three Distinct Knocks)</em></strong>. Londres: T. Hughes, 1760.</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref3">[3]</a></span> ISMAIL, Kennyo. <strong><em>Breviário Maçônico do Século XXI</em></strong>. Brasília: No Esquadro, 2024. p. 148, 368.</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref4">[4]</a></span> ISMAIL, Kennyo.<strong><em> Breviário Maçônico do Século XXI</em></strong>. Brasília: No Esquadro, 2024. p. 148, 368.</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref5">[5]</a></span> PRICHARD, Samuel. <strong><em>Masonry Dissected</em></strong>. Londres: J. Wilford, 1730.</p>
<p><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-loja-esta-coberta#_ftnref6">[6]</a></span> ISMAIL, Kennyo. <strong><em>Breviário Maçônico do Século XXI</em></strong>. Brasília: No Esquadro, 2024. p. 148, 368.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477%2F&amp;linkname=A%20Loja%20est%C3%A1%20coberta%3F%20Uma%20homenagem%20%C3%A0%20ARLS%20Clodomir%20Silva%20n%C2%BA%201477" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477%2F&amp;linkname=A%20Loja%20est%C3%A1%20coberta%3F%20Uma%20homenagem%20%C3%A0%20ARLS%20Clodomir%20Silva%20n%C2%BA%201477" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477%2F&amp;linkname=A%20Loja%20est%C3%A1%20coberta%3F%20Uma%20homenagem%20%C3%A0%20ARLS%20Clodomir%20Silva%20n%C2%BA%201477" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477%2F&amp;linkname=A%20Loja%20est%C3%A1%20coberta%3F%20Uma%20homenagem%20%C3%A0%20ARLS%20Clodomir%20Silva%20n%C2%BA%201477" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477%2F&#038;title=A%20Loja%20est%C3%A1%20coberta%3F%20Uma%20homenagem%20%C3%A0%20ARLS%20Clodomir%20Silva%20n%C2%BA%201477" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477/" data-a2a-title="A Loja está coberta? Uma homenagem à ARLS Clodomir Silva nº 1477"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/a-loja-esta-coberta-uma-homenagem-a-arls-clodomir-silva-no-1477/">A Loja está coberta? Uma homenagem à ARLS Clodomir Silva nº 1477</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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		<title>“A casca dourada e inútil das horas&#8230;”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Aug 2026 09:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[dias corridos]]></category>
		<category><![CDATA[horas]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Dias corridos, açambarcados de afazeres. Compromissos prementes e urgentes. Tudo para ontem. Tudo inadiável. Vida vivida das sobras do tempo. Tempo que não presta atenção a nada. Segue impávido, ziguezagueando na areia movediça da existência. Tudo o que vive, vive contra o relógio. A célula que &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>ias corridos, açambarcados de afazeres. Compromissos prementes e urgentes. Tudo para ontem. Tudo inadiável. Vida vivida das sobras do tempo. Tempo que não presta atenção a nada. Segue impávido, ziguezagueando na areia movediça da existência.</p>
<p>Tudo o que vive, vive contra o relógio. A célula que se divide, o corpo que se move, o pensamento que se forma, tudo isso acontece dentro de um prazo, e o prazo, por definição, é o caminho inescapável da libitina. O homem é, entre todos os seres, o único que sabe disso enquanto vive, o único que carrega, desde a infância, a certeza fria de que um dia deixará de existir, e é justamente dessa certeza insuportável que nasce o gesto mais estranho e mais singular da espécie humana, o existir.</p>
<p>Desde que nascemos, somos regidos pelas horas do relógio, pelo calendário, que nos delimita: dias, semanas, meses, anos. O tempo é criação de Deus; as horas, invenção dos homens. Somos regidos pelo calendário gregoriano, que se baseia no modelo solar criado em 1582 pelo Papa Gregório XIII para organizar os dias, os meses e os anos com base no movimento da Terra ao redor do Sol.</p>
<p>Das horas convencionadas não escapamos. Tudo cronometrado. Tudo fugidio. Tudo fugaz. Basta seguir o script e seguir em frente.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p style="text-align: center;">“A vida é o dever que trouxemos para fazer em casa.</p>
<p style="text-align: center;">Quando se vê, já são seis horas!</p>
<p style="text-align: center;">Quando se vê, já é sexta-feira!</p>
<p style="text-align: center;">Quando se vê, já é Natal…</p>
<p style="text-align: center;">Quando se vê, já terminou o ano…”,</p>
<p style="text-align: center;">cito o poeta gaúcho, Mário Quintana.</p>

			</div></div>
<p>Logo cedo ele enviou uma mensagem para ela: “Vem estar comigo, não faremos amor. Ele nos fará”. Ele acendeu a chama dela.</p>
<p>Mesmo corridos, eles se permitiram um tempo só para si.</p>
<p>Adiaram compromissos, desmarcaram urgências, fecharam agendas. Desligaram celulares. Estavam a sós com seus desejos, suas libidos, sua sexualidade, a compartilharem momentos únicos e especiais.</p>
<p>Entre um afazer e outro, uma reunião e outra, entre um evento e outro, finalmente, encontraram um tempo só para eles. Despiram-se de seus títulos, dos cargos que ocupam, das preocupações prementes. Nus, aproveitaram-na e degustaram as delícias de estarem vivos e bolinho. Bolinho e bolinando um ao outro, na descoberta magistral que seus corpos lhes oferecem. Cada gesto, uma descoberta. Com uma coreografia dos que perscrutam novas experiências. Corpos que aprenderam, com o tempo, a dar-se prazeres. Não havia palavras, somente sussurros. Uivos de gozos intensos. Conectados, se entregaram ao prazer selvagem. A geografia humana é um campo vasto de aprendizados e descobertas.</p>
<p>Ela, inteira, sensual, não se preocupou em desnudar-se para ele. Entrega total: ao ato, ao momento, sem olhar para o relógio, alheia ao calendário. Nada de afazeres. O instante exigia fazeres, entrega plena.</p>
<p>Ele, inteiro, feliz, maravilhado em presenciá-la chegar ao nirvana.</p>
<p>Suados, ofegantes, plenos, felizes, deitados lado a lado, eram animais saciados.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava para o relógio.</p>
<p>Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas&#8230;</p>
<p>Seguraria o amor que está à sua frente e diria que o amo&#8230;</p>
<p>E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.</p>
<p>Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.</p>
<p>A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará”, retorno a Mário Quintana em “Tempo”.</p>

			</div></div>
<blockquote><p>“Aprendi que o tempo não leva tudo. Ele deixa algumas coisas: um cheiro, uma palavra, um olhar, que ficou na memória. E é com isso que seguimos em frente “, diz Clarice Lispector.</p></blockquote>
<p>Quão bom é sentir a delícia das coisas mais simples, coisas que dependem apenas de nós. Bem-aventurado é todo aquele que encontra tempo para se dar prazer.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Encontro com a escritora Priscilla Navas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 13:22:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[cenário]]></category>
		<category><![CDATA[cultural]]></category>
		<category><![CDATA[escritora]]></category>
		<category><![CDATA[lançamento]]></category>
		<category><![CDATA[poetisa]]></category>
		<category><![CDATA[prima]]></category>
		<category><![CDATA[Priscilla Navas]]></category>
		<category><![CDATA[servidora]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Na última terça-feira, 11, tive a grata satisfação de participar de mais uma edição do projeto Encontro com o Escritor, a convite de Beneti Nascimento, coordenador de Assuntos Culturais da Escola do Legislativo de Sergipe, cujo patrono é João de Seixas Dória. Na oportunidade, com muita alegria, lancei &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a última terça-feira, 11, tive a grata satisfação de participar de mais uma edição do projeto <em>Encontro com o Escritor</em>, a convite de Beneti Nascimento, coordenador de Assuntos Culturais da Escola do Legislativo de Sergipe, cujo patrono é João de Seixas Dória. Na oportunidade, com muita alegria, lancei o livro “<em>Memórias em tons de verde e rosa – um perfil biográfico de José Cláudio Monteiro Santos (1954-2005)</em>”, uma homenagem que faço ao meu irmão mais velho, que foi por mais de trinta anos professor da rede pública de ensino de Sergipe, tendo ocupado cargos de direção escolar e de direção regional de educação, além de ter sido vereador por Lagarto entre os anos 1982 e 1988.</p>
<p>Para além disto, pude conhecer pessoalmente um dos mais novos talentos da cultura e da literatura sergipana, Priscilla Navas, autora dos livros “<em>Versos para acalmar o vento</em>” (2025) e “<em>Mulher ausente – derivações quase poéticas</em>” (2026). Poetisa e cronista, Navas dividiu aquele espaço comigo numa manhã leve e repleta de sentimentos, que foram da nostalgia da memória histórica e afetiva à emoção da cultura letrada. Como não acredito em coincidência, mas sim em providência, quis Deus que meu encontro com a autora, num dia em que eu lançava uma obra de um familiar muito amado, pudesse ser com alguém com quem tenho origens comuns, visto que a poetisa é neta de uma prima carnal de meu pai.</p>
<figure id="attachment_100550" aria-describedby="caption-attachment-100550" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-100550 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100.jpg" alt="" width="1280" height="719" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100.jpg 1280w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100-300x169.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100-1024x575.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/1786632520100-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a><figcaption id="caption-attachment-100550" class="wp-caption-text">Priscilla Navas e Caudefranklin Monteiro na Escola do Legislativo, em Aracaju</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Priscilla Barreto Menezes Navas nasceu em Aracaju, no dia 28 de agosto de 1982. É filha de Pedro Menezes e Mara Rubia Menezes, pais, também, de Pedro Henrique Menezes. Ela fez toda a sua formação básica na capital sergipana, tendo estudado no Colégio Patrocínio de São José (até 4ª série), no Pueri Pax (a 5ª série), no Colégio Brasília (as 6ª e 7ª séries) e no Colégio Dinâmico (a 8ª série e metade do 1º ano do ensino médio, concluindo-o no Colégio Master. No ano de 2000, iniciou duas formações no Ensino Superior. Parou com o Jornalismo e seguiu somente com o Direito a partir de 2002, colando grau em fevereiro de 2005. É casada com Nirival Navas Neto, desde outubro de 2006, com quem teve as filhas Alice (2013) e Elisa (2015).</p>

			</div></div>
<p>Mas o que teria feito Priscilla Navas, uma mulher do Direito, escrever prosa e poesia e, portanto, se aventurar no campo literário? Vejamos:</p>
<blockquote><p><em>“Acho que sempre fui escritora, mas não declarada. Em 2020 comecei a levar mais a sério o que produzia, fiz cursos de escrita criativa, oficinas, participei de clubes de livro e fui ganhando mais familiaridade com este mundo, que também era meu, mas do qual eu vivi desconectada muitos anos”.</em></p></blockquote>
<p>Entre as poetisas que influenciaram a autora, destaque para Hilda Hilt, Silvia Plath, Cecília Meireles no passado; e numa literatura contemporânea mais do tempo presente: Aline Bei, Liana Ferraz, Lília Guerra, Paula Gicovate. “<em>Preponderantemente é a escrita de mulheres que me arrebata</em>”, afirma Priscilla.</p>
<p>Na dedicatória que me fez no livro “<em>Versos para acalmar o vento”, </em>é possível perceber e atestar a veia sensível da poetisa, quando diz<em>: “Para o primo Claudefranklin com muito carinho. Estes versos não acalmam ventos, mas espero que naveguem gentilmente seus mares de dentro</em>”. A obra é prefaciada por Alessandra Cavalcante Vasconcellos e composta por dezenas de versos, divididos em quatro capítulos: Desamar, Arrumar, (Me) Amar e Amar, ao longo de densas 196 páginas. Destaque para o que chamo de versos de fôlego curto (meus prediletos, seja no fazer, seja no ler), dado que exigem toda uma capacidade de síntese criativa para dizer, em poucas linhas, muita coisa, como no poema a seguir, na página 126:</p>
<p style="text-align: left;"><div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p style="text-align: center;"><em>escrevo lacunas e insignificâncias</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>para enxergar o brilho</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>dos meus desacontecimentos</em></p>

			</div></div>
<p>A autora repete o mesmo talento e toda a sua sutileza e singularidade poéticas no livro “<em>Mulher ausente – derivações quase poéticas”. </em>Entre os poemas, dou especial atenção a “<em>Infinita</em>” (p. 64): “<em>Contar a história da vida que não houve é dizer do tempo enlutado. / Todo dia sepultar aquele amanhã grávido de possibilidades</em>”. Este tipo de poema axiomático é uma das características da autora, nesta e na obra anterior. Prefaciado por Kelly Juste, esta segunda é dividida em duas partes, cada uma delas introduzidas por trechos de dois ícones da música popular brasileira: Cartola e Gonzaguinha.</p>
<p>A propósito da divulgação de “<em>Mulher ausente – derivações quase poéticas” </em>pela editora Patuá Epp (São Paulo), muito apropriadamente a instituição assim define a escritora sergipana e sua obra:</p>
<blockquote><p><em>Sua escrita transita entre delicadeza e densidade, explorando ausências que moldam e fragmentos que constroem inteirezas. Como autora contemporânea, Priscilla consolida uma voz feminina que transforma inquietação em linguagem e faz da palavra um gesto de resistência e permanência.</em></p></blockquote>
<p>Servidora pública do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, de 2005 a 2008, e atualmente do Ministério Público Federal, Priscilla Navas está entre as melhores poetisas da fornada mais recente da literatura sergipana, sem sombra de dúvidas. Sua presença no cenário cultural de nossa gente, além de ser motivo de muita satisfação para aqueles que torcem pelo fomento de novos talentos, se torna de igual modo um ponto a mais para o processo de empoderamento das mulheres no campo da arte literária, mais de perto da poética.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
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		<title>Concorrência e Comunicação: quem sabe se comunicar também sabe competir</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Diego da Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 10:21:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Comunicação Assertiva]]></category>
		<category><![CDATA[cliente]]></category>
		<category><![CDATA[competir]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[comunicar]]></category>
		<category><![CDATA[concorrência]]></category>
		<category><![CDATA[confiança]]></category>
		<category><![CDATA[empresa]]></category>
		<category><![CDATA[faturamento]]></category>
		<category><![CDATA[líderes]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Diego da Costa (*) &#160; Nunca foi tão fácil abrir uma empresa. Nunca foi tão difícil fazer com que ela seja percebida, escolhida e lembrada. Vivemos em um ambiente empresarial marcado por concorrência intensa, consumidores mais informados, novas tecnologias, inteligência artificial, redes sociais e uma velocidade de transformação que desafia até mesmo empresas &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/concorrencia-e-comunicacao-quem-sabe-se-comunicar-tambem-sabe-competir/">Concorrência e Comunicação: quem sabe se comunicar também sabe competir</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Por Diego da Costa (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>unca foi tão fácil abrir uma empresa. Nunca foi tão difícil fazer com que ela seja percebida, escolhida e lembrada.</p>
<p>Vivemos em um ambiente empresarial marcado por concorrência intensa, consumidores mais informados, novas tecnologias, inteligência artificial, redes sociais e uma velocidade de transformação que desafia até mesmo empresas consolidadas.</p>
<p>Nesse cenário, uma pergunta precisa ser feita pelos empresários e líderes:</p>
<blockquote><p><strong>Se o meu concorrente oferece algo parecido com o que eu ofereço, por que o cliente deveria escolher a minha empresa?</strong></p></blockquote>
<p>A resposta pode estar na comunicação.</p>
<p>Durante muito tempo, comunicação foi tratada como uma atividade de apoio: publicidade, divulgação, redes sociais, assessoria de imprensa ou marketing. Hoje, ela precisa ser compreendida de maneira muito mais ampla.</p>
<p><strong>Comunicação é estratégia. Comunicação é posicionamento. Comunicação é relacionamento. E, quando bem utilizada, comunicação também é faturamento.</strong></p>
<h2>O mundo empresarial ficou mais competitivo</h2>
<p>A concorrência deixou de acontecer apenas na rua, no bairro ou na cidade.</p>
<p>Uma empresa local pode disputar o mesmo cliente com uma empresa de outra cidade, de outro Estado ou até com uma plataforma digital sediada do outro lado do mundo.</p>
<p>O consumidor compara preços, avaliações, experiências, reputação, atendimento e posicionamento antes de tomar uma decisão.</p>
<p>E existe outro fenômeno importante: <strong>a oferta aumentou, mas a atenção do consumidor não.</strong></p>
<p>Há milhares de empresas disputando os mesmos poucos segundos de atenção.</p>
<p>Por isso, não basta ser bom.</p>
<p>É preciso <strong>ser percebido como bom</strong>.</p>
<p>E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.</p>
<p>Uma empresa pode ter um excelente produto, uma equipe competente e um serviço de qualidade. Mas, se não consegue comunicar claramente seu valor, pode perder espaço para um concorrente que talvez entregue menos, mas saiba comunicar melhor.</p>
<h2>Comunicação não é falar mais. É comunicar melhor.</h2>
<p>É aqui que entra a Comunicação Assertiva.</p>
<p>Ser assertivo não significa falar bonito, falar muito ou publicar todos os dias.</p>
<p>Significa <strong>ter clareza sobre o que se quer comunicar, para quem se quer comunicar e qual percepção se deseja construir</strong>.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Uma empresa precisa responder com objetividade:</p>
<p><strong>Quem somos?</strong></p>
<p><strong>O que fazemos?</strong></p>
<p><strong>Para quem fazemos?</strong></p>
<p><strong>Qual problema resolvemos?</strong></p>
<p><strong>Por que somos diferentes?</strong></p>
<p><strong>Por que o cliente deve escolher a nossa empresa?</strong></p>

			</div></div>
<p>Quando essas respostas não estão claras dentro da própria organização, dificilmente estarão claras para o mercado.</p>
<p>E quando o mercado não entende o valor de uma empresa, ele tende a comparar pelo preço.</p>
<h2>Quando a comunicação impacta o faturamento</h2>
<p>Existe uma relação direta entre comunicação e vendas.</p>
<p>Uma comunicação mais clara pode aumentar a percepção de valor. Uma percepção de valor maior pode reduzir a dependência de descontos. Uma proposta mais bem apresentada pode aumentar a conversão. Um relacionamento melhor pode aumentar a fidelização.</p>
<p>É uma cadeia:</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><strong>Comunicação → Percepção → Confiança → Decisão → Venda → Relacionamento → Recorrência.</strong></p>

			</div></div>
<p>Por isso, comunicação não deve ser vista apenas como despesa de marketing.</p>
<p>Ela pode ser uma <strong>ferramenta de geração de receita</strong>.</p>
<p>Pense em duas empresas que oferecem produtos semelhantes, com preços semelhantes e qualidade semelhante.</p>
<p>Uma apresenta sua proposta de forma confusa, demora para responder, possui uma comunicação inconsistente e não consegue explicar claramente seus diferenciais.</p>
<p>A outra comunica com clareza, responde rapidamente, demonstra conhecimento, transmite segurança e consegue mostrar ao cliente o benefício daquilo que vende.</p>
<p>Qual delas terá maior probabilidade de fechar negócio?</p>
<p>A resposta parece óbvia.</p>
<h2>Comunicação também protege margem</h2>
<p>Existe ainda um aspecto pouco discutido.</p>
<p><strong>Comunicação ajuda a vender valor, e não apenas preço.</strong></p>
<p>Empresas que não conseguem comunicar seus diferenciais acabam entrando facilmente em guerras de preço.</p>
<p>“Quanto custa?”</p>
<p>“Meu concorrente faz mais barato.”</p>
<p>“Você consegue dar desconto?”</p>
<p>Quando a única informação que chega ao cliente é o preço, a empresa transforma seu produto em uma commodity.</p>
<p>Mas quando consegue comunicar experiência, qualidade, segurança, especialização, atendimento, tecnologia, conveniência, reputação ou resultado, começa a construir valor.</p>
<p>E valor percebido influencia diretamente a disposição do cliente de pagar.</p>
<p><strong>Quem não comunica seus diferenciais acaba permitindo que o mercado escolha apenas pelo preço.</strong></p>
<h2>A liderança de mercado começa na mente do consumidor</h2>
<p>Ser líder não significa necessariamente ser a maior empresa.</p>
<p>Liderança também é ocupar um espaço relevante na mente do consumidor.</p>
<p>Quando alguém pensa em determinado produto ou serviço e imediatamente lembra de uma empresa, existe ali um patrimônio extremamente valioso: <strong>top of mind</strong>.</p>
<p>Essa posição não acontece por acaso.</p>
<p>Ela é construída por consistência.</p>
<p>A empresa precisa repetir sua proposta de valor, manter coerência entre discurso e prática, entregar uma boa experiência e construir relacionamentos ao longo do tempo.</p>
<p>É por isso que comunicação e liderança de mercado caminham juntas.</p>
<p><strong>Quem quer liderar o mercado precisa primeiro aprender a liderar a própria narrativa.</strong></p>
<h2>E a comunicação interna?</h2>
<p>Existe ainda um ponto fundamental: não adianta comunicar muito bem para fora se a empresa comunica mal para dentro.</p>
<p>Funcionários precisam saber para onde a organização está indo.</p>
<p>Precisam entender seus objetivos, seus valores, seus produtos, seus diferenciais e, principalmente, qual papel desempenham na entrega da experiência ao cliente.</p>
<p>Uma equipe que não entende a estratégia dificilmente conseguirá comunicá-la ao mercado.</p>
<p>Por isso, comunicação interna também pode impactar vendas.</p>
<p>O vendedor precisa conhecer a proposta de valor. O atendimento precisa entender o posicionamento. O financeiro precisa compreender a relação com o cliente. A liderança precisa transmitir segurança.</p>
<p><strong>A comunicação externa começa dentro da empresa.</strong></p>
<h2>A nova disputa é pela confiança</h2>
<p>Talvez essa seja uma das maiores mudanças do mundo empresarial.</p>
<p>Em um ambiente onde informações estão disponíveis em abundância, o diferencial não é simplesmente ter informação.</p>
<p>É gerar <strong>confiança</strong>.</p>
<p>O cliente quer saber se a empresa entrega o que promete.</p>
<p>Quer saber se será bem atendido.</p>
<p>Quer ouvir outras pessoas que já compraram.</p>
<p>Quer perceber profissionalismo.</p>
<p>Quer sentir segurança.</p>
<p>E confiança não é construída apenas por uma campanha publicitária.</p>
<p>Ela é construída em cada contato.</p>
<p>No WhatsApp.</p>
<p>No Instagram.</p>
<p>No site.</p>
<p>Na reunião comercial.</p>
<p>Na proposta enviada.</p>
<p>No atendimento.</p>
<p>Na entrega.</p>
<p>No pós-venda.</p>
<p>Cada ponto de contato comunica alguma coisa.</p>
<h2>Comunicação assertiva é vantagem competitiva</h2>
<p>Talvez a grande mudança que empresários e gestores precisem fazer seja deixar de perguntar:</p>
<p><strong>“Quanto devo investir em comunicação?”</strong></p>
<p>E começar a perguntar:</p>
<p><strong>“Quanto estou deixando de faturar porque minha empresa não está conseguindo comunicar seu valor?”</strong></p>
<p>Essa pergunta muda completamente a perspectiva.</p>
<p>Porque comunicação deixa de ser apenas divulgação e passa a ser parte da estratégia empresarial.</p>
<p>Em um mercado cada vez mais competitivo, não basta ter bons produtos.</p>
<p>Não basta ter preço competitivo.</p>
<p>Não basta ter tecnologia.</p>
<p>Não basta ter uma boa equipe.</p>
<p>É preciso conseguir <strong>transformar tudo isso em percepção de valor para o mercado.</strong></p>
<p>E essa transformação passa pela comunicação.</p>
<h4><strong>A concorrência pode copiar seu produto.</strong></h4>
<h4><strong>Pode copiar sua tecnologia.</strong></h4>
<h4><strong>Pode acompanhar seu preço.</strong></h4>
<h4><strong>Pode até contratar profissionais semelhantes.</strong></h4>
<p>Mas construir uma marca confiável, uma reputação consistente e um relacionamento verdadeiro com o cliente leva tempo.</p>
<p>É justamente aí que a Comunicação Assertiva deixa de ser apenas uma ferramenta.</p>
<p><strong>Ela se transforma em estratégia de crescimento.</strong></p>
<p>No final, a pergunta não é apenas:</p>
<p><strong>“Quem é o meu concorrente?”</strong></p>
<p>A pergunta mais importante é:</p>
<p><strong>“O que o meu mercado entende quando pensa na minha empresa?”</strong></p>
<p>Porque, no mundo dos negócios, muitas vezes <strong>não vence quem tem mais para oferecer. Vence quem consegue comunicar melhor o valor que oferece.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Onde está seu irmão? Uma reflexão sobre fraternidade e responsabilidade moral</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/onde-esta-seu-irmao-uma-reflexao-sobre-fraternidade-e-responsabilidade-moral/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Andre Luiz Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2026 09:00:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[Abel]]></category>
		<category><![CDATA[atual]]></category>
		<category><![CDATA[Caim]]></category>
		<category><![CDATA[consciência]]></category>
		<category><![CDATA[diferença]]></category>
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		<category><![CDATA[irmão]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Maçonaria]]></category>
		<category><![CDATA[pergunta]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[transformação]]></category>
		<category><![CDATA[vaidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=100415</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Andre Luiz (*) &#160; A passagem bíblica de Caim e Abel, narrada em Gênesis, capítulo 4, está entre os relatos mais marcantes das Sagradas Escrituras. À primeira vista, parece apenas a história do primeiro homicídio da humanidade. Contudo, quando observada sob uma perspectiva filosófica e iniciática, revela uma profunda lição sobre a natureza &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Andre Luiz (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span> passagem bíblica de Caim e Abel, narrada em Gênesis, capítulo 4, está entre os relatos mais marcantes das Sagradas Escrituras. À primeira vista, parece apenas a história do primeiro homicídio da humanidade. Contudo, quando observada sob uma perspectiva filosófica e iniciática, revela uma profunda lição sobre a natureza humana, a responsabilidade moral e o verdadeiro significado da fraternidade.</p>
<h3>A vaidade, a inveja e o domínio das paixões</h3>
<p>Após oferecerem seus sacrifícios ao Grande Arquiteto do Universo, Abel teve sua oferta aceita, enquanto Caim viu a sua rejeitada. Em vez de examinar a si mesmo, reconhecer suas limitações e buscar o aperfeiçoamento, Caim permitiu que a vaidade ferida, a inveja e o orgulho dominassem seu coração.</p>
<blockquote><p>Antes mesmo do crime, Deus o advertiu:<br />
“Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Mas, se não procederes bem, o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4:7).</p></blockquote>
<p>Essa advertência revela uma das maiores lições da tradição iniciática: o homem é sempre responsável pelo domínio de suas paixões. Não são os acontecimentos externos que determinam seu destino, mas a forma como ele governa seu mundo interior. O verdadeiro combate sempre ocorre dentro de nós, onde a razão deve prevalecer e a virtude precisa vencer o orgulho.</p>
<p>Todavia, Caim ignorou a voz da consciência. Levou seu irmão ao campo e ali o matou.</p>
<h3>“Onde está o teu irmão?”: o chamado à responsabilidade</h3>
<p>Então Deus lhe dirige uma pergunta que atravessa os séculos e continua ecoando na consciência da humanidade: “Onde está o teu irmão?”</p>
<p>À primeira vista, parece uma pergunta simples. Entretanto, Deus não buscava informação, pois conhecia os fatos. A pergunta era um convite ao reconhecimento da responsabilidade moral.</p>
<blockquote><p>A resposta de Caim evidencia o rompimento completo da fraternidade:<br />
“Não sei. Sou eu o guardador do meu irmão?” (Gn 4:9)</p></blockquote>
<p>Essa talvez seja uma das frases mais trágicas já pronunciadas pelo homem. Ela representa a negação da responsabilidade pelo outro, o abandono da solidariedade e o triunfo do egoísmo.</p>
<p>Mas a pergunta divina vai muito além daquele momento da história. Ela não foi dirigida apenas a Caim; continua sendo dirigida a cada homem, em todos os tempos. Ela nos convida a uma reflexão profunda:</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>&#8211; Onde estou eu diante do meu irmão?<br />
&#8211; Tenho sido instrumento de união ou de divisão?<br />
&#8211; Tenho estendido a mão ou permanecido indiferente?<br />
&#8211; Tenho cultivado a humildade ou permitido que a vaidade dite as minhas ações?</p>

			</div></div>
<p>Essas perguntas revelam muito mais sobre o nosso caráter do que qualquer discurso que possamos fazer.</p>
<h3>Fraternidade na Maçonaria: o oposto de Caim</h3>
<p>Na Maçonaria, aprendemos exatamente o contrário da resposta dada por Caim. Desde nossos primeiros passos na Ordem, somos ensinados que nenhum homem se aperfeiçoa sozinho. Somos chamados Irmãos porque reconhecemos que caminhamos juntos na construção do Templo Interior e na edificação de uma sociedade mais justa.</p>
<p>A verdadeira fraternidade não consiste apenas em chamar alguém de Irmão, mas em agir como tal. Ser guardador de nosso irmão significa compartilhar suas alegrias, aliviar suas dificuldades, orientá-lo quando necessário e jamais permitir que o orgulho, a inveja ou a indiferença destruam os laços que unem os obreiros do mesmo templo.</p>
<p>Assim, quando Deus pergunta “Onde está o teu irmão?”, o Maçom também deve perguntar a si mesmo: “Quem sou eu diante do meu irmão?”. Está ele ao nosso lado, precisando de orientação? Está distante, aguardando uma palavra de incentivo? Está sofrendo em silêncio enquanto permanecemos indiferentes? Ou estará, muitas vezes, dentro de nós mesmos, representado pela parte da nossa consciência que abandonamos quando cedemos ao orgulho, à vaidade ou à indiferença?</p>
<h3>Quando o silêncio se torna cúmplice</h3>
<p>Infelizmente, em nossos dias ainda vemos cenas que lembram Caim e Abel dentro da própria Ordem. Vemos um Irmão “matando” outro com a calúnia, com a intriga, com a exclusão, com a vaidade que ergue muros onde deveriam existir pontes.</p>
<p>E o que fazemos? Muitas vezes nos acovardamos. Desviamos o olhar. Fingimos não ver. Dizemos para nós mesmos: “não é problema meu”, “não quero me envolver”, “deixa pra lá”.</p>
<p>Ao agir assim, repetimos a trágica resposta de Caim: “Sou eu o guardador do meu irmão?”.</p>
<p>Mas não podemos esquecer que a Maçonaria nos chama justamente para o contrário. Fomos iniciados não para sermos espectadores da injustiça, mas arautos da justiça e da verdade. Fomos chamados para ser a voz que impede a pedra de ser lançada, a mão que ergue quem caiu, a consciência que incomoda quando o silêncio se torna conivência.</p>
<p>Ser maçom é ter a coragem de interferir quando a fraternidade está em risco. É não aceitar que o orgulho de um destrua o trabalho de muitos. É lembrar que o Templo só se sustenta quando cada Pedra sustenta a outra.</p>
<p>O silêncio diante da injustiça é também uma forma de violência. E toda vez que nos calamos frente ao erro de um Irmão, permitimos que mais um “Abel” seja sacrificado no campo.</p>
<p>Que a pergunta “Onde está o teu irmão?” nos tire da zona de conforto. Que ela nos cobre ação, presença e coragem moral. Porque se não formos nós a defender a verdade e a fraternidade dentro da Ordem, quem será?</p>
<h3>Temor, justiça e retidão diante do Grande Arquiteto</h3>
<p>Acrescenta-se a essa reflexão o entendimento de que o homem, ao reconhecer a grandeza do Árbitro dos Mundos, é tomado pelo temor e respeito a Deus. Não se trata de um medo servil, mas de uma reverência que o coloca em seu devido lugar diante da Criação.</p>
<p>É esse temor que o conduz a andar na justiça e na retidão divina. Por reconhecer que existe uma lei maior que o governa, o homem busca agir com equidade, integridade e moral, pois sabe que suas ações estão sob o olhar do Grande Arquiteto do Universo.</p>
<p>Assim, a verdadeira fraternidade só se sustenta quando alicerçada nesse princípio: temer a Deus é, antes de tudo, respeitar o próximo. E respeitar o próximo é cumprir o dever de guardá-lo.</p>
<h3>A lição de Caim para os dias atuais</h3>
<p>A história de Caim demonstra que a vaidade é extremamente perigosa quando alimentada pelo orgulho. O problema não foi apenas a rejeição de sua oferta, mas sua incapacidade de aceitar que precisava melhorar. Enquanto Abel ofereceu o melhor de si, Caim preocupou-se mais consigo mesmo do que com o verdadeiro sentido da oferta.</p>
<p>Essa diferença permanece atual. Também hoje buscamos, muitas vezes, reconhecimento, cargos, honrarias ou elogios. Quando não os recebemos, surgem o ressentimento, a competição e a divisão.</p>
<p>No entanto, a verdadeira iniciação ensina exatamente o oposto: a grandeza do homem não está em ser superior ao seu irmão, mas em tornar-se superior ao homem que ele próprio foi ontem.</p>
<h3>Justiça, correção e transformação</h3>
<p>A justiça divina também se manifesta nesse relato. Depois do assassinato, Deus declara que o sangue de Abel clama desde a terra. A violência jamais permanece oculta. Toda ação produz consequências.</p>
<p>Contudo, mesmo diante da culpa de Caim, Deus não permite sua execução. Coloca sobre ele um sinal para que ninguém o matasse. Nesse gesto encontramos outra importante lição: a justiça divina não se confunde com vingança. Ela responsabiliza, corrige, mas preserva a possibilidade de transformação.</p>
<p>Esse princípio encontra profunda harmonia com os ideais maçônicos. A Maçonaria não busca condenar homens, mas transformá-los. Não combate pessoas; combate os vícios. Não destrói o homem imperfeito; procura lapidá-lo até que se torne uma Pedra Polida, útil à construção do Templo da Humanidade.</p>
<h3>Conclusão: um exame diário de consciência</h3>
<p>Assim, a pergunta “onde está o teu irmão?” deixa de ser apenas uma lembrança do passado e transforma-se em um exame diário de consciência.</p>
<p>Cada vez que ignoramos o sofrimento alheio, cada vez que permitimos que a inveja substitua a admiração, cada vez que a vaidade fala mais alto que a humildade, cada vez que julgamos antes de compreender, cada vez que preferimos competir quando deveríamos cooperar, a voz de Deus continua perguntando: “onde está o teu irmão?”.</p>
<p>Que jamais respondamos como Caim. Que possamos responder com nossas atitudes.<br />
Que nosso irmão esteja protegido por nossa lealdade. Fortalecido por nossa fraternidade. Inspirado por nosso exemplo. E acolhido por nossa justiça.</p>
<p>Porque, ao contrário do que afirmou Caim, somos, sim, guardadores de nossos irmãos.</p>
<p>&nbsp;</p>
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