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Por Nilton Santana (*)

 

Em um reino havia dois príncipes, um bom e outro mau. Ambos gêmeos. O mau almejava ser rei. E para isso usava dos maiores ardis para chegar cada vez mais perto da tão sonhada realeza. Planejava assassinatos, intrigas e variadas malevolências. O outro pelo contrário. Era um nobre que vivia sem luxo e compartilhava aquilo que tinha com familiares, amigos e populares do reino. Era muito bem-visto pelo povo e isso acendeu a ira do seu mau irmão.

Em uma noite, o irmão perverso tenta matar o seu bom irmão no palácio através de cortes e perfurações. Na tentativa se inicia uma luta intensa e ambos acabam morrendo por golpes de adagas. Pois, o bom irmão era prudente e sempre andava com uma adaga.

Após estarem mortos, as almas de ambos vão para outra dimensão. Na outra dimensão ambos se deparam com uma enorme fila. O mau irmão achou ultrajante ser colocado atrás de um carroceiro. Com todo o seu orgulho passa à frente na fila e diz ao porteiro:

— Quero falar com seu superior! Quem é?

— Ele é muito ocupado senhor. Por favor, volte para a fila.

Teve que voltar ao final da fila e esperar que todos fossem atendidos. Ao chegar a sua vez, o guardião chefe manda entrar os dois irmãos, e o perverso logo diz:

— Quero voltar para ser admirado entre os homens! Exijo meu direito! Fiz por merecer!

— Ambos irão retornar ao mesmo reino. E dentro de poucos anos ambos estarão sendo ovacionados por uma multidão feliz.

Após tais palavras do Grande Sábio ambos retiram-se, o irmão perverso retira-se eufórico e o irmão benevolente retira-se com a mesma paz que adentrou. Havia pedido ao Grande Sábio somente que tivesse o mesmo ímpeto para amar a sabedoria que antes. O Grande Sábio com bastante carinho disse que isso seria realizado.

E assim acontece. Ambos voltam à terra, nascem e atingem a idade adulta. E, finalmente, são ovacionados por uma multidão.

Mas para o perverso algo não tinha saído como planejado. O irmão que tinha péssimo caráter voltou como cavalo do rei e estava puxando a charrete real. Na charrete estava sua antiga mãe, e ao lado dela estava seu antigo pai e o seu antigo irmão que no futuro viria a ser o novo rei, o único herdeiro do trono. O cavalo morre em sua velhice e retorna outra vez como ser humano, dessa vez tendo aprendido a lição que a Lei Natural lhe passou.

 

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Nilton Santana

Nascido em Aracaju, professor de História, membro da Loja Estrela de Davi e amante dos estudos sobre religiosidades e mitologia

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