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A inconveniência do burocrata do argumento: egrégora e comunismo

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Valtênio Paes (*)

Já tínhamos perguntado em 27 de julho de 2020, nesta coluna, se “O prolixo era um chato?” Eis uma reflexão correlata. Sempre acontece numa roda de conversa amiga, numa reunião oficial, numa solenidade ou em grupo familiar. Tudo fluindo harmonicamente! Ele aparece se postando contra. Municia-se de lentes detalhistas para travar a convergência do diálogo e pousando de contribuidor. Recorre às conjunções adversativas, “porém ou mas…” etc. Troca esta última pelo advérbio “mais”, levanta questões vencidas, exige do grupo refazer o diálogo para impor sua visão individualista. Este é o burocrata do argumento, não ajuda, só atrapalha a harmonia no grupo.

Neste toar, vira “espinha de garganta”, quebra a egrégora, alimenta-se do inconveniente e deixa o grupo constrangido com persistências desnecessárias. Pode se intitular conservador ou progressista, mas não percebe que usar o “eu” como fundamento de argumento, isola o coletivo e constrange interlocutores. Pior ainda, em algumas situações, quando lhe falta argumento torna-se extremado de ignorância em detrimento do conhecimento.

Possivelmente esta postura tenha raízes no “penso, logo existo” do francês René Descartes do século XVII,   faltando o “conhece-te a ti mesmo” existente em inscrição na entrada do Oráculo de Delfos, atribuída a Sócrates no século IV antes de Cristo.  Falta ao tal “burocrata” compreensão e boa vontade para convergir desembaraçadamente.

Em que pese, dentre outros, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer ter escrito “A arte de Argumentar” propondo “como vencer qualquer debate sem ter razão”, pessoas na política e nas redes sociais denominam outras de “comunista” quase sempre, sem saber o significado da doutrina, tão pouco sua existência histórica. Em nossa publicação sob o título “Da direita e esquerda ao individualismo e intolerância no Brasil”, de 09 de dezembro de 2018, refletimos a inexistência histórica de países comunistas nos dias de hoje. Nosso propósito é refletir sobre a inconveniência daquele que usa o argumento para desarmonizar um ambiente ou fazer acusações sem fundamento.

Qualquer pessoa tem o direito de contraditar, pode professar a ideologia que quiser, mas não pode ser impositor de discurso num ambiente, cujos membros, priorizam a harmonia, nem tão pouco acusar terceiros de algo, que sequer, conhece a significação. É burocrata do argumento porque não abre mão de exigir de si mesmo a capacidade de confluência no diálogo.  Desconstrói a paz argumentativa em benefício do próprio ego, como se estivesse num embate de teses. Em ambas as situações, torna-se inconsequente, inoportuno e desconstrutor de egrégoras.

(*) Valtênio Paes de Oliveira , professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada -Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur – Editorial Dunken e Diálogos em 1970 – J Andrade.

** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.

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Valtenio Paes de Oliveira

(*) Professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada-Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

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