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	<title>Arquivo para sensibilidade - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 22 Mar 2026 14:05:58 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Carta ao juiz que condenou o Frei Enoque a 16 anos e seis meses</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/carta-ao-juiz-que-condenou-o-frei-enoque-a-16-anos-e-seis-meses/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Eduardo Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Mar 2026 14:05:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Eduardo Costa (*) &#160; Em memória de Frei Enoque Salvador de Melo. Texto escrito em 02/10/2015. &#160; Permita-me, senhor Juiz, levar-lhe estas considerações, e, se assim as faço públicas, é porque públicas sempre foram, por consequência do ofício, todas as minhas manifestações, sempre completadas pelo nome que nelas imprimo, traduzindo a responsabilidade &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcarta-ao-juiz-que-condenou-o-frei-enoque-a-16-anos-e-seis-meses%2F&amp;linkname=Carta%20ao%20juiz%20que%20condenou%20o%20Frei%20Enoque%20a%2016%20anos%20e%20seis%20meses" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcarta-ao-juiz-que-condenou-o-frei-enoque-a-16-anos-e-seis-meses%2F&amp;linkname=Carta%20ao%20juiz%20que%20condenou%20o%20Frei%20Enoque%20a%2016%20anos%20e%20seis%20meses" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcarta-ao-juiz-que-condenou-o-frei-enoque-a-16-anos-e-seis-meses%2F&amp;linkname=Carta%20ao%20juiz%20que%20condenou%20o%20Frei%20Enoque%20a%2016%20anos%20e%20seis%20meses" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcarta-ao-juiz-que-condenou-o-frei-enoque-a-16-anos-e-seis-meses%2F&amp;linkname=Carta%20ao%20juiz%20que%20condenou%20o%20Frei%20Enoque%20a%2016%20anos%20e%20seis%20meses" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcarta-ao-juiz-que-condenou-o-frei-enoque-a-16-anos-e-seis-meses%2F&#038;title=Carta%20ao%20juiz%20que%20condenou%20o%20Frei%20Enoque%20a%2016%20anos%20e%20seis%20meses" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/carta-ao-juiz-que-condenou-o-frei-enoque-a-16-anos-e-seis-meses/" data-a2a-title="Carta ao juiz que condenou o Frei Enoque a 16 anos e seis meses"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Luiz Eduardo Costa (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Em memória de Frei Enoque Salvador de Melo. Texto escrito em 02/10/2015.</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">P</span>ermita-me, senhor Juiz, levar-lhe estas considerações, e, se assim as faço públicas, é porque públicas sempre foram, por consequência do ofício, todas as minhas manifestações, sempre completadas pelo nome que nelas imprimo, traduzindo a responsabilidade que, há mais de 50 anos, pelas linhas que escrevo sempre assumi.</p>
<p>Faço-as com o respeito que devoto à Justiça, não apenas por querer ser fiel à memória de um pai e a de um avô, operadores da Justiça que, eles próprios, em tempos diversos e adversos, lhes viram faltar, quando o arbítrio desembestou-se em perseguí-los; mas, também, por ter sentido na própria carne, e em outro tempo, o opressivo e insuportável peso da ausência das leis, que o arbítrio suprimiu.</p>
<p>Por não ter a honra de conhecê-lo pessoalmente, imagino que o senhor seja um jovem magistrado, incendiado por aquele virtuoso sentimento de fazer cumprir a lei, diante da qual todos se devem igualar. Imagino, também, que o senhor, por ser jovem, não viveu um tempo historicamente recente, quando, ao desamparo da lei suprimida, tantos foram jogados em cubículos, porque o autoritarismo dominante assim o queria. Mas o senhor poderá aquilatar o silêncio mudo do desespero daqueles, órfãos da cidadania que lhes foi roubada.</p>
<p>Portador dessa sensibilidade, o senhor mesmo, consciente de que tomou a decisão acertada, poderá fazer uma ideia daquilo que se estará passando na cabeça de um homem ao transpor as portas de uma Penitenciária sentindo o dorido acicate daquele cilício torturante da dúvida sobre a justiça dos homens, e querendo sustentar a esperança de que o Deus em que ele crê, lhe cobrirá de indulgências, porque, se Ele existir, e se Ele estiver pressurosamente a acompanhar o que fazem os homens, saberá, que aquele homem pobremente vestido, se fez, todavia, ricamente ornado daquela virtude que um Seu mensageiro quis, sem muito sucesso, espalhar pela terra, quando ensinou: Amai-vos uns aos outros.</p>
<p>Aquele homem que o senhor condenou, senhor Juiz, errou sim, por acreditar que a solidariedade devida aos que sofrem, seria mais importante do que os rituais exigidos pelas formalidades da lei.</p>
<p>Aquele homem que o senhor condenou, senhor Juiz, se fez portador da santificada ascese de quem quer seguir o mandamento primeiro, o “amai-vos uns aos outros”, que a sociedade da competição, do egoísmo e da sofreguidão consumista há muito tempo relegou ao quase esquecimento.</p>
<p>Aquele homem que o senhor condenou, senhor Juiz, errou, ao imaginar que a pureza moral, a aversão aos bens materiais, seriam suficientes para justificar os seus atos, e errou ainda mais, ao supor, com a ingenuidade dos crédulos, que todos os que o rodeavam, seriam portadores, ou pelo menos seguidores dos sonhos sublimes que ele acalentava.</p>
<p>O homem subjugado, humilhado e destruído por ter naufragado no sonho etéreo de uma Justiça inconsútil, ao entrar na Penitenciária à qual o senhor o condenou em nome de uma Justiça concreta, real, deixa atrás de si o rastro esperançoso de uma caminhada, a “caminhada da cidadania” que, se não pôde modernizar a arcaica e sufocada economia do miseravelmente pobre Poço Redondo, conseguiu, porém, dar vida pulsante a um benfazejo embrião de sentimentos de autoestima, cidadania e solidariedade, traduzidos em atos como as doações feitas pelos pobres, todos os meses, para amenizar carências, tais como a incapacidade do poder público para manter um hospital.</p>
<p>Ficou, também, dessa caminhada, o exemplo de um missionário jovem que chegou ao sertão sergipano calçando as sandálias rústicas dos franciscanos. Para ele, ainda hoje, simbolizando muito mais do que um voto de pobreza feito na já distante juventude, quando deixou um curso de Direito no Recife para tornar-se apóstolo de uma verdade pela qual suportou e suportará todos os sacrifícios. A verdade, fanal, bússola e caminho da sua vida. A verdade que se fortalece na fé, e numa crença firme na capacidade que teria o homem para construir um mundo solidário. E, mais ainda, alcançar o milagre de uma utópica igualdade. Essa, a verdade que o caminhante dos sertões transformou em objetivo pelo qual já desgastou, tantas vezes, o couro rústico das alpercatas, na peregrinação dura pelas asperezas de uma terra, por muitas causas e motivos, secularmente martirizada. Pensando em diminuir esses martírios, telúricos e humanos, o caminhante tornou-se, por três vezes, prefeito, martirizado também, pela sensação da impotência de quem colocou o sonho largo da esperança bem além do espaço estreito das possibilidades e das circunstâncias.</p>
<p>Talvez agora, aos 72 anos, condenado a 16 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, numa Penitenciária, ele nem esteja a sentir desespero diante do castigo inconcebível, mas, tenha diante dele a vocação e o desejo de vivê-lo, com aquela resignação que só os mártires possuem.</p>
<p>Senhor Juiz, reiterando a minha impressão de que o senhor agiu convicto de que faria Justiça, digo, todavia, que a sua rigorosa sentença, para os que conhecem a vida desse homem chamado Enoque Salvador de Melo, fará surgir, em torno dele, a auréola justa de um mártir. E aos mártires, senhor Juiz, a História inapelavelmente os absolve.</p>
<p>Com respeito, Luiz Eduardo Costa.</p>
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<p><strong>PS.</strong> Permita-me sugerir-lhe, senhor Juiz, uma visita sua ao Cânion de Xingó, se ainda não o conhece. Na passagem, detenha-se um pouco em Poço Redondo, e pergunte aonde fica a casa do Frei Enoque. Haverá muitas pessoas solícitas, oferecendo-se para acompanhá-lo até a casa procurada. Lá chegando, o senhor verá como vive humildemente, numa despojada e rústica morada, o homem que o senhor condenou por improbidade. Se assim o desejar, entre, é fácil, a porta estará sempre aberta. Se o frei estiver, logo o atenderá, se o Sport joga, ele estará na sala da frente, sentado num banco de madeira, assistindo ao jogo e torcendo muito. A TV colorida foi um presente que ele recebeu de uma pessoa amiga, há uns 15 anos, para que aposentasse a branco e preto. Mas, com uma condição: que ele não leiloasse a TV, como fizera com um relógio de pulso que ganhou de Leonor Franco. O dinheiro do leilão serviu para comprar comida para os pacientes no hospital. Se ele estiver à mesa, logo o convidará. A casa é modesta, o Frei é sempre frugal, mas a refeição é farta, suprida com os presentes que o homem condenado recebe. São os frutos da terra, a ele oferecidos pelos pobres, como ele mesmo. Galinhas, capões, tatus-peba, cajaranas, rolinhas, nambu, mocós, doces de leite, de umbu, buchada, milho, carne de bode, tucunarés, tilápias e mandins, “cocada” de cabeça de frade, compota de ouricuri. A mesa do Frei Enoque, sempre compartilhada, é a própria metáfora da generosidade sertaneja. O senhor se sentirá bem e feliz se dela participar.</p>

			</div></div>
<p><strong>Frei Enoque faleceu no dia 13 de março de 2026. A sentença nunca foi executada, mas o condenou à angústia da descrença na justiça dos homens.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Adeus a Manoel Carlos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/adeus-a-manoel-carlos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jan 2026 20:16:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por  Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Sábado, 10/01, chego em casa, ligo a TV, vejo as homenagens iniciais a Manoel Carlos, após a divulgação de sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro. Maneco, como era carinhosamente chamado, morreu aos 92 anos, por complicações do Mal de Parkinson. A televisão brasileira se despediu &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por  Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ábado, 10/01, chego em casa, ligo a TV, vejo as homenagens iniciais a Manoel Carlos, após a divulgação de sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro. Maneco, como era carinhosamente chamado, morreu aos 92 anos, por complicações do Mal de Parkinson.</p>
<p>A televisão brasileira se despediu de Manoel Carlos, o autor que transformou o cotidiano em linguagem emocional coletiva. Sua obra ajudou gerações a entender relações, silêncios, afetos e contradições sem recorrer ao excesso, sempre com delicadeza e observação humana. A perda deixa um vazio criativo difícil de ser preenchido, não apenas pela quantidade de histórias que escreveu, mas pela forma como ensinou o público a olhar para si e para o outro.</p>
<p>Ao escrever com elegância, Manoel Carlos foi uma espécie de versão masculina das Helenas, as protagonistas de suas novelas, a maioria delas são mulheres ricas que vivem tragédias diante das quais o dinheiro pouco importa. A sequência de fatalidades que enfrentou atrás das telas contrasta com a de glórias na frente delas. Enquanto sua vida pessoal parece uma novela, a profissional é um verdadeiro documentário da história da televisão brasileira.</p>
<p>Ao todo, nove atrizes tiveram o privilégio de atuar com o nome que marcou a carreira de Manoel Carlos. Mulheres sempre abertas ao amor e à felicidade, capazes de cometer erros e acertos nessa caminhada. Cada Helena, com suas particularidades e características de mulheres reais, fez história na dramaturgia brasileira.</p>
<p>Quando interpretou a primeira Helena na novela Baila Comigo, Lilian Lemmertz não fazia ideia de que seria a precursora de uma série tão emblemática da teledramaturgia brasileira. A forma com a qual a atriz deu vida à dona de casa atormentada pelo segredo de ter separado os filhos gêmeos, depois de engravidar de um homem casado e rico, inspirou e moldou a lista das demais protagonistas de mesmo nome que vieram em sua homenagem.</p>
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<p>A partir de então, todas as suas protagonistas se chamariam Helena, entre elas as vividas por Regina Duarte em &#8220;História de Amor&#8221; (1995), &#8220;Por Amor&#8221; (1997) e &#8220;Páginas da Vida&#8221; (2006), Vera Fischer em &#8220;Laços de Família&#8221; (2000), Christiane Torloni em &#8220;Mulheres Apaixonadas&#8221; (2003), Taís Araújo em &#8220;Viver a Vida&#8221; (2009); Júlia Lemmertz protagonizou a última Helena, &#8220;Em família&#8221; (2014), ano em que Manoel Carlos deixou a Globo, de forma conturbada.</p>

			</div></div>
<p>Ao longo da carreira, Manoel Carlos viveu e compartilhou momentos marcantes, dentro e fora da ficção. Um deles foi sua participação no Conversa com Bial, em diálogo com Pedro Bial, quando abriu a própria vida com rara honestidade. Falou sobre perdas, criação, imaginação e sobre como a arte nasce da experiência vivida, sem filtros heroicos ou romantização da dor.</p>
<p>No roteiro de sua vida pessoal, estão os dramas da morte precoce e trágica da primeira mulher e dos três filhos. Maria de Lourdes, aos 37 anos, tropeçou e morreu ao cair da escada de casa. Tinham dois filhos, que também morreriam prematuramente. O mais novo, Ricardo, portador de HIV, com 32, em 1988, e o primogênito, Manoel Carlos Jr., de infarto, aos 58, em 2012.</p>
<p>Traumatizado, Maneco falava da alegria inesperada de ter tido, já aos 60 anos, um filho caçula, Pedro, do terceiro casamento, com Betty — eles tiveram também uma filha, a atriz Júlia Almeida. Era uma espécie de pai-avô e tinha 81 anos quando o garoto, aos 22, morreu de mal súbito, em 2014, menos de dois anos após o primogênito. Manoel Carlos também foi casado com a radialista Cidinha Campos.</p>
<p>Consagrado pela sensibilidade com que criava personagens femininos, escrevia com facilidade diálogos em que as mulheres falavam de sexo, casamento, filhos, carreira, envelhecimento. Era chamado de especialista na alma feminina. Costumava relacionar essa capacidade ao fato de ter tido uma relação muito forte com a mãe e, além dela, ter sido criado pelas duas avós e por duas tias solteiras, fora a convivência com as irmãs. Em uma reportagem, certa vez, foi chamado de &#8220;O Chico Buarque das novelas&#8221;.</p>
<p>&#8220;As mulheres têm mais força, são mais heroicas e têm mais caráter que os homens&#8221;, afirmou, ao comentar a preferência por personagens femininas. Foi escolhido pelo diretor Jayme Monjardim, que o chamava de &#8220;autor do coração das mulheres&#8221;, para roteirizar a minissérie &#8220;Maysa&#8221; (2009), sobre a famosa cantora de MPB, sua mãe.</p>
<p>Outra minissérie de Maneco, sucesso de repercussão e de audiência, foi &#8220;Presença de Anita&#8221; (2001), baseada em um romance de Mário Donato. Na TV, o triângulo amoroso entre uma garota (Mel Lisboa), um menino da sua idade (Leonardo Miggiorin) e um homem bem mais velho (José Mayer) foi regado a cenas ousadas de sexo e nudez.</p>
<p>Manoel Carlos Gonçalves de Almeida (São Paulo, 14 de março de 1933 – Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 2026).</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Do campo para o mundo: o empreendedorismo feminino é raiz que fortalece, cresce e dá frutos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Jun 2025 15:28:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Hugo Sidney Brandão (*) &#160; Coragem. Resiliência. Sensibilidade. Fé. Quatro valores que definem bem a história de superação de uma mulher empreendedora do interior sergipano que, com seu talento e abnegação, mudou a própria história, a da sua família e a de outras mulheres à sua volta. Falamos da agricultora Márcia Néris Santos &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Hugo Sidney Brandão (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">C</span>oragem. Resiliência. Sensibilidade. Fé. Quatro valores que definem bem a história de superação de uma mulher empreendedora do interior sergipano que, com seu talento e abnegação, mudou a própria história, a da sua família e a de outras mulheres à sua volta. Falamos da agricultora Márcia Néris Santos Santana, de Moita Bonita, a 64 km da capital que, começando com uma pequena roça num povoado da localidade, hoje capitaneia uma iniciativa que produz cerca de duas mil toneladas de batata-doce/ano, movimentando algo em torno de R$ 500 mil, gerando 12 postos de trabalho diretos, em sua maioria, familiares residentes no mesmo povoado.</p>
<p>Esse arranjo produtivo no povoado Moita de Cima, envolve praticamente todos os moradores, seja na produção de insumos como adubo orgânico, com diversas variedades produzidas lá mesmo, até a logística de escoamento da produção das espécies roxa e branca da batata-doce, comercializadas para os estados vizinhos como Bahia, Alagoas e Pernambuco, e estados do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro. Esse potencial fez de Moita Bonita a “Capital da Batata Doce”, a partir do projeto de lei complementar 05/2018, aprovado na Assembleia Legislativa.</p>
<figure id="attachment_90631" aria-describedby="caption-attachment-90631" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-27.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-90631 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-27.png" alt="Moita Bonita, plantação de batata" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-27.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-27-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-27-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-27-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-27-660x330.png 660w" sizes="(max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-90631" class="wp-caption-text">Moita Bonita tem, proporcionalmente, a maior área plantada do Estado, recebendo o título de &#8220;Capital da Batata-Doce&#8221;</figcaption></figure>
<p>“Nós já tivemos até encomendas que foram enviadas em caminhões refrigerados para a Argentina. Hoje focamos no aumento da produtividade. Buscamos modernizar e ampliar cada vez mais a produção, utilizando os recursos que temos em nossa terra”, revela Márcia Néris, cujo modelo de gestão inspirador já está sendo exposto nas redes sociais, onde conta com vídeos monetizados em sua conta no Youtube (<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.youtube.com/@marcianeris777/featured" target="_blank" rel="noopener">Márcia Neris_Meu Recanto Feliz</a></span>), e parcerias com outros empreendimentos comerciais da região, que também lhe rendem dividendos através da sua conta no Instagram (<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/marcia_neris_/" target="_blank" rel="noopener">@marcia_neris_</a></span>). Ela dá dicas de plantação em pequenos espaços, receitas gastronômicas com a batata doce e fala do seu cotidiano aos milhares de seguidores.</p>
<h3>Empoderamento e Criatividade</h3>
<p>Até chegar ao patamar atual, Márcia enfrentou diversas dificuldades e sempre buscou o conhecimento como o diferencial. “Tudo mudou quando eu participei de um curso do <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/se?codUf=27" target="_blank" rel="noopener">Sebrae</a></span> chamado “Aprender a Empreender”. Fiquei surpresa ao conhecer os mecanismos que poderiam fazer com que eu gerisse uma roça de batata doce como uma empresa. A consultora me explicou sobre a necessidade de organização, como conseguir crédito e fazer o negócio crescer através de parcerias. Minha vida se transformou ali”, conta a agricultora.</p>
<figure id="attachment_90636" aria-describedby="caption-attachment-90636" style="width: 414px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-14.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-90636" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-14-300x200.jpg" alt="Trabalho com batata doce" width="414" height="276" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-14-300x200.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-14.jpg 600w" sizes="(max-width: 414px) 100vw, 414px" /></a><figcaption id="caption-attachment-90636" class="wp-caption-text">Os frutos de um trabalho árduo, que concretizou sonhos e transformou vidas</figcaption></figure>
<p>Desde então, frequentemente, ela participa dos cursos, capacitações e iniciativas promovidas pela instituição, de onde sempre busca algo inovador para aplicar na prática do seu negócio.</p>
<p>As dificuldades até então vivenciadas com o cultivo de mandioca realizado por seu marido, cujo rendimento é substancialmente menor, e o desconhecimento de técnicas e recursos tecnológicos fundamentais ficaram para trás. Ela foi em busca de apoio técnico especializado, obteve linhas de crédito subsidiadas que permitiram a incorporação da irrigação, determinante para avançar na produtividade e qualidade do produto cultivado, bem como a utilização de recursos avançados como a energia solar, que proporcionaram um aumento de performance histórico. “Hoje, nosso povoado vive outro contexto. Todos melhoraram de vida, moram melhor, adquiriram bens e o trabalho árduo é recompensado com a qualidade de vida que conseguimos oferecer às nossas famílias”, descreve, realizada.</p>
<h3>Modelo Inspirador</h3>
<p>O avanço na produção, a melhoria na qualidade de vida e a transformação de uma mulher tímida da roça numa “persona” nas redes sociais, exerceu um efeito multiplicador que começou na própria família de Márcia, com sua irmã, que também participa, ao lado do seu marido, desse arranjo produtivo e, mais recentemente, da filha caçula de Márcia, Marina, de 20 anos, que já cursava universidade em outra área distinta, e retornou para o trabalho na sua própria localidade. “Com esse trabalho, ela já conseguiu edificar uma casa, tem uma moto nova e já avalia outro curso que consiga conciliar com o que realizamos aqui”, explica a mãe orgulhosa. Dos três filhos, dois atuam diretamente com a mãe no empreendimento. O filho mais velho, de 26 anos e a caçula, de 20 anos. A filha do meio cursa universidade na capital.</p>
<figure id="attachment_90635" aria-describedby="caption-attachment-90635" style="width: 383px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-15.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-90635" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-15-300x200.jpg" alt="Márcia e Marina" width="383" height="255" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-15-300x200.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-15-310x205.jpg 310w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Design-sem-nome-15.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px" /></a><figcaption id="caption-attachment-90635" class="wp-caption-text">Mãe, filha e familiares consolidando um arranjo produtivo de sucesso</figcaption></figure>
<p>“Eu vi como minha mãe mudou e conseguiu que toda a minha família mudasse através do trabalho. Ver minha mãe palestrando sobre o que passou na vida é de um orgulho inimaginável. É uma história linda que me mostrou o quanto podemos mudar nossas próprias vidas e a das pessoas em nossa volta”, descreve a jovem Marina Santos Santana, a representante de uma futura geração de mulheres empreendedoras.</p>
<p>Como diz a própria Márcia: “Onde há uma mulher empreendedora, há inovação, progresso e uma nova história sendo escrita”. Como é constatado por quem conhece o trabalho dessa cidadã de Moita Bonita, as mulheres do campo vêm mostrando a sua força, coragem e determinação, cultivando negócios e sonhos que alimentam o futuro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe loading="lazy" title="EMPREENDORISMO FEMININO" width="618" height="348" src="https://www.youtube.com/embed/FwAh0y2a6ys?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(*) Hugo Sidney Brandão é jornalista.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Governo do Estado alerta sobre conscientização e combate à hanseníase</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/governo-do-estado-alerta-sobre-conscientizacao-e-combate-a-hanseniase/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2025 13:20:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[avaliação]]></category>
		<category><![CDATA[casos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O primeiro mês do ano é marcado pela campanha Janeiro Roxo, dedicada à conscientização e combate à hanseníase. A iniciativa visa educar a população sobre a doença, suas formas de transmissão, sintomas e a importância do diagnóstico precoce para garantir o tratamento adequado. O Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde de Servidores do &#8230;</p>
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<p>O médico dermatologista Marcos Daniel Seabra explica que a hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. &#8220;A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, por meio de um contato íntimo e prolongado&#8221;, esclarece. Segundo o especialista, a enfermidade pode se manifestar de várias formas, incluindo manchas na pele, pequenas bolhas e comprometimento dos nervos periféricos. “Esses nervos são aqueles que, quando batemos, causam a sensação de choque. A bactéria se infiltra na pele e nos nervos, provocando dormência ou parestesia. A pessoa pode notar que desenvolve manchas onde perde a sensibilidade à temperatura e à dor. Para confirmar a suspeita, realizamos alguns testes no consultório&#8221;, orienta.</p>
<p>O dermatologista reforça a importância do diagnóstico precoce. “A hanseníase possui várias fases. Quando diagnosticada no início, o paciente consegue realizar o tratamento, obter a cura e evitar sequelas. Caso contrário, ela pode evoluir para complicações graves, como deformidades nos membros, perda total de sensibilidade, pele seca, sangramentos nasais e infiltrações nas orelhas e sobrancelhas&#8221;, informa.</p>
<p>O médico também alerta para o cuidado com os familiares e pessoas próximas de quem foi diagnosticado: “Quando alguém na família é diagnosticado, é fundamental que todos realizem exame e procurem um dermatologista para avaliação. Como se trata de uma doença contagiosa, é essencial investigar possíveis novos casos na família”.</p>
<p><strong>Tratamento</strong></p>
<p>O tratamento atual da hanseníase é feito com antibióticos disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Marcos Seabra lembra que, no passado, a hanseníase não tinha cura e os pacientes eram isolados, o que gerou estigmas e preconceitos que persistem até hoje devido à falta de informação. “Por isso, enfatizamos que o SUS oferece o tratamento completo. A informação é a chave para combater o preconceito e garantir que os pacientes busquem ajuda sem medo”, ressalta.</p>
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		<title>À flor da pela; a culpa é do ectoderma!</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-flor-da-pela-a-culpa-e-do-ectoderma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Charles Albuquerque]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Apr 2023 11:34:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[À Flor da Pele]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estou com os nervos à flor da pele! Quantas vezes você já se sentiu assim, com os nervos à flor da pele? Falou mais alto, explodiu! Olhou desconfiado, outra explosão! Levou um pequeno susto, solta um grande grito! Sempre que alguém está assim, costuma dizer que “está com os nervos à flor da pele”. O &#8230;</p>
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<p>Estou com os nervos à flor da pele!</p>
<p>Quantas vezes você já se sentiu assim, com os nervos à flor da pele?</p>
<p>Falou mais alto, explodiu!</p>
<p>Olhou desconfiado, outra explosão!</p>
<p>Levou um pequeno susto, solta um grande grito!</p>
<p>Sempre que alguém está assim, costuma dizer que “está com os nervos à flor da pele”.</p>
<p>O que pouca gente sabe é que todos nós temos os nervos à flor da pele. Nossos nervos estão sempre ali, porque nossa pele é, em última análise, uma extensão do sistema nervoso.</p>
<p>Durante a fase embrionária, entre a terceira e oitava semana de gestação, surgem os folhetos embrionários ou folhetos germinativos que são três camadas de agrupamentos de células (ectoderma, endoderma e mesoderma) que vão dar origem a todos os órgãos e tecidos do nosso corpo.</p>
<p>Por isso, a culpa é do ectoderma! Ele é a camada de células mais externa do folheto embrionário. É o responsável pela formação da epiderme (a flor da pele, uma fina camada de no máximo 0,6mm de espessura que está em contato com o mundo exterior). Além de formar a epiderme, o ectoderma também dá origem a unhas e pelos (chamados de anexos da epiderme), cavidades do corpo (boca, nariz, ânus) e, por fim, ao sistema nervoso.</p>
<p>Ou seja, nossa pele está, embriologicamente, ligada ao sistema nervoso, tornando-se uma extensão deste, capaz de fazer a conexão do mundo externo com o nosso mundo interior.</p>
<p>É nossa pele que faz essa interface de contato e fala ao nosso íntimo as fofocas sensitivas que nos cercam: “está quente”, “está frio”, “venta”, “está seco”, “arde”, “dói”, “alivia”, “tem um toque macio”, “acalma a alma”&#8230; não importa qual o estímulo, a pele, o maior órgão do corpo, vai falar para você aquilo que é essencial, consequentemente, invisível aos olhos&#8230; como diria Antoine de Saint-Exupéry.</p>
<p>Não se engane, toda essa sensibilidade esconde uma verdadeira fortaleza de proteção. Nossa pele não apenas fala com os nossos órgãos internos, mas os protege contra os milhares de ataques e agressões do dia a dia. Sem a pele, vírus, fungos, protozoários e bactérias poderiam nos matar em poucas horas&#8230; nossa flor de sensibilidade é também nossa fortaleza.</p>
<p>À FLOR DA PELE será nossa nova coluna no SÓ SERGIPE e trará para você informações importantes do mundo da saúde. Será sua interface de contato com temas que possam te deixar mais forte e sensível às questões relacionadas à sua saúde, à saúde da nossa cidade e da população em geral.</p>
<p>Espero que você goste e tire o melhor proveito dessas informações. Afinal, viver À FLOR DA PELE não é uma opção, é uma condição de todo ser vivo.</p>
<p>Um grande abraço.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>______________</p>
<p>(*) Médico, expert em feridas.</p>
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		<title>Arte e Sensibilidade</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/arte-e-sensibilidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Iginio Rivero Moreno]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Oct 2021 14:39:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução pela Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Arte no Jardim]]></category>
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		<category><![CDATA[benefício]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Falamos em textos anteriores que as artes representam a condição de consciência dos seres humanos. A espiritualidade “humana” é uma condição específica de um estado consciente dos processos cognitivos internos (psicológicos) e externos (relacionamentos sociais) da realidade existencial. Isso permite que a nossa atitude seja mais perceptiva, quer dizer, mais sensível. É assim que se &#8230;</p>
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<p>Falamos em textos anteriores que as artes representam a condição de consciência dos seres humanos. A espiritualidade “humana” é uma condição específica de um estado consciente dos processos cognitivos internos (psicológicos) e externos (relacionamentos sociais) da realidade existencial. Isso permite que a nossa atitude seja mais perceptiva, quer dizer, mais sensível.</p>
<p>É assim que se apresenta a necessidade de despertar a apreciação artística, não só como elemento de aprendizado, mas também como elemento de aprofundamento do cultivo da espiritualidade. Indistintamente do credo religioso que se professem, as artes vão fortalecer essa condição da sensibilidade que vão se tornar mesmo benefício da elevação espiritual do ser humano.</p>
<p>Daí que a vinculação com a apreciação artística desde cedo, numa curta idade, faz com que as pessoas consigam enxergar melhor a vida. Entendendo esta visão desde uma perspectiva holística quanto aos relacionamentos e às possibilidades de desenvolver atitudes proativas que vão permitir uma melhor integração humana e a possibilidade de sucesso nas atividades que se vincularem.</p>
<p>Pensando nisso, criamos uma equipe de profissionais das diferentes áreas artísticas e juntamos esforços para desenvolver um projeto que permita através de oficinas, cursos, conversas, enfim, numa ampla interação a possibilidade de compartilhar os nossos conhecimentos, principalmente orientados às crianças como foco, mas ampliado a incluir turmas com outras idades maiores.</p>
<p>Esses encontros vão se dar no espaço Jardim Secreto, sede do restaurante Ágape, na rua Itabaiana.</p>
<figure id="attachment_44664" aria-describedby="caption-attachment-44664" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-44664" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2021-10-14T112903.161.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2021-10-14T112903.161.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2021-10-14T112903.161-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2021-10-14T112903.161-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2021-10-14T112903.161-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2021-10-14T112903.161-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /><figcaption id="caption-attachment-44664" class="wp-caption-text">Oficinas infantis no Parque do Jardim desenvolvidas no dia 10 de outubro</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>(*)</strong> Poeta e artesão venezuelano. Licenciado em Educação, especializado em Desenvolvimento Cultural pela Universidade “Simón Rodríguez”, Venezuela.</p>
<p><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a).  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
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		<title>“A poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas”, acredita o escritor Germano Xavier</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Jul 2021 09:00:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“É urgente redesenhar o nosso percurso enquanto coletividade, enquanto humanidade”, ensina o escritor Germano Xavier, responsável pela coluna Literatura&#38;Afins, aqui no Portal Só Sergipe, que acaba de lançar seu segundo livro “O Homem Encurralado” (Penalux,2021), uma coletânea de 51 poemas, todos também traduzidos para o idioma francês. Ao pedir urgência no redesenhar do percurso, o &#8230;</p>
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<p>No resguardo em casa, em Caruaru, Pernambuco, durante essa pandemia – que insistentemente vai permanecendo -,  Germano teve a oportunidade de encontrar-se consigo mesmo. “Olhei mais para mim, mas olhei mais para os outros que compõem o todo da vida. Consegui ler mais e melhor. A pandemia atingiu as pessoas com tentáculos diferentes”, analisa o poeta, que também pensa “nas pessoas que não tiveram a oportunidade de parar um pouco, de ficar mais em casa, que não tiveram suas rotinas alteradas, que tiveram de continuar em suas prisões sistêmicas e diárias”.</p>
<p>Essas reflexões, em forma de poesia, estão  n’<strong>O Homem Encurralado</strong>, que faz parte de uma trilogia que está sendo gestada por Germano Xavier, cuja intenção é publicar o segundo livro em 2022.  Em 2006, o escritor, que é jornalista e mestre em Letras, publicou seu primeiro compêndio poético, Clube do Carteado, que para ele representou “um movimento de rebeldia, de nascedouro, de rompimento com a casca da vida literária”.</p>
<p>Leitor voraz e dono de uma  biblioteca rica de saberes, <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="http://nstagram.com/germanovianaxavier/">Germano</a></span></strong> lembra dos primeiros livros que chegaram às suas mãos: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-​Exupéry, e Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, os quais decifrou e devorou. A partir daí não parou mais de mergulhar nas mais variadas leituras, passando pelas obras de Gabriel Garcia Marquez, o inigualável Gabo, com seu realismo fantástico em Cem Anos de Solidão, aos brasileiros Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade, só para citar alguns dos seus companheiros de leitura. Ultimamente, Germano tem se dedicado à literatura contemporânea e também a livros cujos autores são negros.</p>
<figure id="attachment_41955" aria-describedby="caption-attachment-41955" style="width: 345px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-41955 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-300x300.png" alt="" width="345" height="345" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 345px) 100vw, 345px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41955" class="wp-caption-text">Blog O Equador das Coisas Foto: acervo pessoal</figcaption></figure>
<p>Idealizador e  mantenedor do blog <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/">O Equador das Coisas</a></span></strong>, Germano Xavier também tem um canal literário homônimo na plataforma <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.youtube.com/user/Germanovianaxavier">YouTube</a></span></strong>.</p>
<p>Esta semana Germano Xavier concordou em conceder uma entrevista ao <strong>Só Sergipe</strong> para falar um pouco de literatura e de  seus projetos. Na entrevista deste domingo existem duas novidades: a primeira é que a conversa com Germano também contou com a participação do jornalista e psicólogo <strong>Luís Osete Ribeiro Carvalho</strong> que, inclusive, faz a apresentação do livro “O Homem Encurralado”, <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/germano-xavier-lanca-seu-segundo-livro-de-poemas/">que pode ser lido clicando aqui.</a></span></strong> A segunda é a escritora luso-angolana <strong>Luísa Fresta,</strong> responsável por traduzir os poemas do livro para o francês, que também conversou com o <strong>Só Sergipe </strong> logo após a papo com Germano. E lá o leitor encontrará uma surpresa.</p>
<p>Vamos à entrevista.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Quais foram as suas motivações para retomar o formato do livro impresso com O Homem Encurralado, quinze anos depois de seu primeiro compêndio poético, Clube de Carteado? </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> Eu queria um recomeço. O Clube de Carteado (2006) representou um movimento de rebeldia, de nascedouro, de rompimento com a casca da vida literária. Era eu me descobrindo, me abrindo, me permitindo, me analisando. Porém, o livro é um apanhado de poemas que escrevi ainda na adolescência. Há poemas nele datados de 1998, para se ter uma ideia, de quando eu tinha 14 ou 15 anos de idade. Já com O Homem Encurralado (Penalux, 2021) foi diferente. O livro é um movimento só. Os 15 anos entre os dois, sem dúvida, ficam bem aparentes quando se faz alguma espécie de comparação.</p>
<p><strong><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-41938 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n.jpg" alt="" width="1944" height="1960" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n.jpg 1944w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-298x300.jpg 298w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-1016x1024.jpg 1016w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-768x774.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-1523x1536.jpg 1523w" sizes="auto, (max-width: 1944px) 100vw, 1944px" /></a>SÓ SERGIPE &#8211; Em O Homem Encurralado o sujeito poético expressa de forma muito intensa as faíscas trêmulas e recolhidas provenientes do contato de cada ser vivente com a beleza e os dissabores do mundo. Como foi a experiência de mergulhar na intimidade humana ao elaborar a poética presente no livro? </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER</strong> <strong>–</strong> O livro nasceu de um diálogo poético muito poderoso e significativo para mim. A falta de liberdade (ou a liberdade) pode ser considerada como sendo a temática-mor d’O Homem Encurralado. Aquele nosso universo repleto de fragilidades e temores, de medos, trancas e pesos, encarceramentos cotidianos, mas também um universo de esperanças várias, sempre me tocaram profundamente. Liberdade, tempo, amor,  morte, vida&#8230; tais grandezas humanas sempre foram e sempre serão motivações para o que escrevo. Aos poucos, fui sendo atraído pela ideia de um segundo livro. E, de uma hora para outra, ele surgiu. E surgiu em uma configuração de trilogia, a ser desenvolvida e finalizada nos próximos anos.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211;</strong> <strong>Durante a leitura, somos ambientados em nosso tempo pandemicamente enfermo, como tão bem observou Regina Correia no posfácio. Há referências às “vacinas invisíveis para o incurável”, ao “invisível vírus a castigar o corpo natural das coisas”, à “pandêmica existência construída em nadas”, entre tantos vestígios da “grande catástrofe” contemporânea. De que modo o seu fazer literário foi influenciado e atravessado por esse período de pandemia e quais lições poéticas foram possíveis assimilar até o momento?  </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER</strong> – Tive a oportunidade de me resguardar em casa durante a maior parte do tempo. A pandemia me colocou, novamente, em observação constante. Reparei em tantas minúcias que não andava a reparar mais. Uma espécie de redescobrimento das coisas e de suas mecânicas, de suas engrenagens, mesmo sendo um movimento forçado e doloroso. Olhei mais para mim, mas olhei mais para os outros que compõem o todo da vida. Consegui ler mais e melhor. A pandemia atingiu as pessoas com tentáculos diferentes. Fico pensando nas pessoas que não tiveram a oportunidade de parar um pouco, de ficar mais em casa, que não tiveram suas rotinas alteradas, que tiveram de continuar em suas prisões sistêmicas e diárias. Fico pensando no grande motor que move o Grande Tumor e a Grande Catástrofe. A poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas. Eu não vou sair ileso da pandemia. Fui marcado para sempre.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211;</strong> <strong>É difícil escapar ao encurralamento que emula os cinquenta e um poemas da obra, sobretudo porque as nossas fragilidades nunca estiveram tão expostas e viver encurralado tem sido fator sine qua non da nossa condição humana. Não por acaso, entre as dedicatórias do livro, estão ao autor e aos leitores, “homens encurralados, todos nós, sem exceção alguma”. Quais seriam, em sua opinião, os caminhos humanitários possíveis para criar fissuras nos currais e construir o homem libertado?  </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER</strong> – Criar a fenda essencial para se enxergar além dos muros é um desafio colossal no mundo contemporâneo. As amarras estão por todos os cantos e o homem está cada vez mais habituado a conviver com elas. Um fenômeno de inversão em tal panorama é algo que precisa partir de um grande bloco ideário, de uma imensa comunidade de pessoas, de uma unidade ampla de esclarecimentos. O mundo precisa mudar, a política precisa mudar, a vida precisa mudar. A gente precisa mudar. Mais diálogo e mais empatia ajudariam. Mais respeito pelas diferenças, mais solidariedade, mais acessibilidade, mais entendimento, menos guerras, menos consumismos, menos muitas outras coisas. Estamos à beira do precipício. Não podemos negar. Os oceanos já nos informam isso há bastante tempo. As geleiras, os raios solares cada vez mais fortes, o clima, os animais extintos, a natureza que clama. O homem está encurralado em currais de ódio, de ganância, de opressão, de violência&#8230; É urgente redesenhar o nosso percurso enquanto coletividade, enquanto humanidade.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; O Homem Encurralado é apresentado como a primeira parte da Trilogia do Centauro, que seguirá em edição bilíngue, na frutífera parceria com Luísa Fresta. O que é possível adiantar dos dois próximos livros que serão lançados? </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> O Homem Encurralado é a primeira parte de um projeto poético bilíngue que estou a construir ao lado da escritora e tradutora luso-angolana Luísa Fresta, amiga e parceira literária de longa data. Os próximos dois livros da trilogia ainda não foram finalizados, apenas pensados. Estou realizando um movimento de reescrita com poemas já existentes e escrevendo outros. Haverá uma unidade temática predominante, mas diferente da que foi aplicada em O Homem Encurralado. A ideia é lançar a segunda parte ainda em 2022. Depois disso, pensarei no terceiro. O certo mesmo é que os três conversarão entre si.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Há, também, projeto para publicar o livro de contos Sombras Adentro, finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura, de 2016?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> Sim. Penso que num futuro não muito distante voltarei ao Sombras Adentro, que foi belissimamente ilustrado pelo meu conterrâneo Marcel Gama e diagramado pela incrível Carol Piva. Reajustá-lo talvez seja necessário, mas realmente quero que um dia ele ganhe o mundo.</p>
<figure id="attachment_41959" aria-describedby="caption-attachment-41959" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-41959 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-300x300.png" alt="" width="300" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41959" class="wp-caption-text">Germano em Portugal num encontro com Luísa Fresta e a irmã Zeza Fresta,  em 2020 Foto: acervo pessoal</figcaption></figure>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>Como nasceu essa parceria frutífera com Luísa Fresta? Alguma razão especial para a escolha na língua francesa?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> Conheci Luísa Fresta por advento das redes sociais, tem já bem uma década. Uma entidade. Uma pessoa incrível. Coração muito humano e mente muito pulsante. Luísa nasceu em Portugal, estudou um tempo na França, morou em Angola, é uma mulher do mundo. A comunidade francófona sempre esteve em seus caminhos. Um dia ela me mostrou, sem antes me avisar, um poema meu traduzido para o francês. Começou assim. A ideia que tenho é antes a de um laboratório mesmo, de um laboratório poético. E, por consequência, conquistar leitores interessados em projetos desta natureza.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>O senhor é um leitor voraz. O senhor lembra do primeiro livro que leu e que mundo começou a descobrir a partir daquela leitura?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER </strong>– Lembro. Posso recordar fielmente do momento e dos dois primeiros livros que li na vida. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-​Exupéry, e Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos. Naquela época, minha cidade de origem não dispunha de biblioteca. Meu pai possuía livros, mas eram em sua maioria livros técnicos da área odontológica ou grandes coleções com temáticas específicas. Minha família não era muito dada à literatura em si. Coube a mim, ainda com menos de 10 anos de idade, começar a abrir picadas no matagal literário. Livreiros e mascates passavam com certa frequência oferecendo livros e almanaques. Foi assim que entrei em contato com esses livros. Daí em diante, um vasto mundo de possibilidades me surgiu. É um caminho sem volta. Com 15 anos já lia Dante, Cervantes, Melville&#8230; não parei mais.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>Quais são seus escritores e poetas prediletos? Charles Baudelaire, considerado pai do simbolismo e autor de Flores do Mal, é um deles?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> As Flores do Mal li na época em que morei no Vale do São Francisco, na plenitude de minha juventude. Rimbaud, Victor Hugo, Guy de Maupassant, Émile Zola e mais adiante, na faculdade, Mallarmé, foram algumas referências francesas que me acompanharam por muito tempo, e que ainda me causam rebuliços. Borges ainda é a maior das entidades literárias para mim. Através dele, cheguei aos grandes da América Latina: Gabo, Benedetti, Cortázar e tantos outros. No Brasil, preciso citar Drummond, João Cabral, Gullar, Bandeira, Manoel de Barros, Castro Alves, Clarice, Raquel, Hilda, Jorge de Lima, Patativa, Rosa, J.J. Veiga&#8230; é impossível citar todos que me marcaram eternamente. O Brasil tem uma seara vastíssima de grandes escritores e escritoras. Ultimamente tenho me voltado mais para a literatura contemporânea e também para livros de escritores negros. Estou descobrindo bons nomes.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>Desde 2007 o senhor comanda o blog “O Equador das Coisas” que já tem mais de 2.100 textos publicados. Como nasceu o portal e qual objetivo dele?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> A ideia do blog O Equador das Coisas nasceu durante uma aula na faculdade de jornalismo. Nele comecei a divulgar meus textos. Passados 14 anos, o meu blog segue vivo e terminou se ramificando para um jornal literário impresso e um canal literário homônimo na plataforma YouTube, onde conto com a colaboração de alguns amigos e amigas. Há também um blog coletivo. Todos esses suportes, bem como as minhas redes sociais, objetivam, de algum modo, aproximar leitores da literatura e vice-versa.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE </strong>– <strong>O senhor já encontrou ou está próximo do equador de todas as coisas?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> De todas as coisas, ainda não. Por isso, sigo escrevendo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> <div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
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<h2 style="text-align: center;">&#8220;Eu vejo-o como um autor perfecionista e cerebral&#8221;, diz Luísa Fresta sobre a obra de Germano Xavier</h2>
<figure id="attachment_41939" aria-describedby="caption-attachment-41939" style="width: 225px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-41939" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-225x300.jpeg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-225x300.jpeg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-768x1024.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-1152x1536.jpeg 1152w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17.jpeg 1439w" sizes="auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41939" class="wp-caption-text">Escritora Luísa Fresta</figcaption></figure>
<p>A escritora luso-angolana, <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/luisafresta/">Luísa Fresta</a></span></strong>, foi a responsável por traduzir do português o livro O Homem Encurralado (em francês, L’Homme Acculé), o que não foi  uma tarefa fácil, tarefa que começou “por puro prazer e bem devagar”. E ao fazê-lo, Luísa vê o escritor Germano Xavier como “um autor perfecionista e cerebral, o que não invalida de modo algum a sua capacidade de transmitir e recriar emoções vibrantes, mas de uma forma contida, implícita, subtil, quase austera”.</p>
<p>Luísa está pronta para continuar as traduções da trilogia de Germano Xavier. “É essa a minha intenção, e fá-lo-ei com muito gosto e determinação, desde que o autor continue a confiar na minha intuição e métodos, que têm um papel importante neste trabalho intimista e desde que essa escolha não belisque o belíssimo texto original”.</p>
<p>Ela viveu a maior parte da juventude em Angola e reside em Portugal desde 1993. É autora de uma série de crônicas sobre as décadas de 70/80, publicada no Jornal Cultura – Jornal Angolano de Artes e Letras, em Luanda.  Seus mais recentes livros são “A fabulosa galinha de Angola”, literatura infanto-juvenil, e <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="http://www.mallarmargens.com/2021/05/sapataria-e-outros-caminhos-de-pe-posto.html">&#8220;Sapataria e outros caminhos de pé posto”</a></span></strong>, um livro de contos.</p>
<p>Leia aqui alguns textos de Luísa Fresta, como &#8220;<strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.buala.org/pt/afroscreen/alda-e-maria-por-aqui-tudo-bem-um-filme-de-pocas-pascoal">Alda e Maria – por aqui tudo bem&#8221; &#8211; um filme de Pocas Pascoal</a></span></strong></p>
<p class="title entry-title"><strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://ogazzeta.blogspot.com/2018/07/filhos-de-deus-contos-e-monologos-de.html">Filhos de Deus, Contos e Monólogos &#8211; de Dina Salústio</a></span></strong></p>
<p>O <strong>Só Sergipe</strong> manteve as respostas de Luísa no português falado em Portugal.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – A senhora integra o projeto de Germano Xavier e traduziu para o francês os poemas do livro ‘O Homem Encurralado’. Como foi essa tarefa, já que tradução, principalmente de poemas, não é algo simples?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong>  Deixe-me, antes de mais, agradecer a oportunidade de tecer algumas considerações sobre esta obra. A tradução deve ser invisível, idealmente, e por arrasto o tradutor acaba por sê-lo também, pelo menos é assim que eu encaro este ofício.</p>
<p>Respondendo diretamente à sua pergunta confirmo que não se trata de uma tarefa fácil, mas pode ser facilitada. Tratando-se de poesia creio que há fatores específicos a ter em conta. Para além de tentar levar a mensagem do poeta a outro público, aos leitores francófonos, no caso, pretende-se que a essência se mantenha, o ritmo, a beleza, a rudeza, enfim, traduzir “sem atraiçoar” resulta de um conjunto de escolhas em cada texto, a cada verso. Os leitores julgarão se foram as mais adequadas em cada momento. Em todo o caso posso dizer-lhe que o facto de conhecer o autor há alguns anos e de acompanhar de muito perto a sua obra (em poesia e em prosa) permitiu-me talvez perceber melhor a sua intenção nestes textos intensos, despojados e também cheios de sombras, como a própria condição humana.</p>
<p>Por outro lado eu fui traduzindo aos poucos, praticamente à medida que os poemas foram sendo revelados, e esse sistema levou-me a contornar gradualmente as dificuldades sem conhecer, à partida, o tamanho da empreitada. Não sei se o próprio autor tinha noção da dimensão desta série de poemas, em termos quantitativos e de intensidade. Eu comecei a traduzi-los por puro prazer e bem devagar, de maneira que consegui conservar alguma serenidade — que não se tem quando se traduz sob pressão, com prazos apertados e autores que não conhecemos.</p>
<p>Surgiram algumas dúvidas pelo caminho, no texto em português (nomeadamente pelo facto de eu não ser brasileira e também devido ao carácter hermético e simbólico de algumas expressões), dúvidas que foram prontamente esclarecidas pelo Germano. Também tive algumas interrogações sobre pormenores da versão francesa; para ultrapassar esses obstáculos usei métodos convencionais ou mais criativos. Inclusive o recurso a aconselhamento pontual de outros tradutores e amigos professores que são falantes nativos de francês.</p>
<figure id="attachment_41961" aria-describedby="caption-attachment-41961" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-41961 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783.png" alt="" width="1000" height="600" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783.png 1000w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783-300x180.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783-768x461.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41961" class="wp-caption-text">O Homem Encurralado, traduzido para o francês</figcaption></figure>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Na tradução para o francês, a senhora diz que “procuramos outra voz para expressar o mesmo ambiente”. Nessa busca a senhora percebe uma musicalidade nos poemas?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong> Com certeza. A poesia de Germano tem ritmo de sobra e também melodia, a gente percebe isso mais claramente quando a lê em voz alta. Eu fico sempre fascinada quando vejo o gráfico de um áudio porque sou confrontada com a harmonia que existe no texto (dele): as pausas, os sons mais agudos ou mais graves. Esta percepção é meramente sensorial, mas creio que até uma pessoa que não entenda a nossa língua pode compreender a coerência sonora dos textos que compõem “O Homem Encurralado” e apreciá-la baseada unicamente nessa conjugação de notas. Uma pessoa das minhas relações, que nem fala português, comentou, certa vez, ao ouvir a leitura de um poema de Germano, que gostou da música e da sobriedade. Por vezes a sensibilidade abarca aquilo que o conhecimento não atinge.</p>
<p>Procurei que os textos em francês conservassem a musicalidade ou criassem outros esquemas melódicos potencialmente agradáveis ao ouvido.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Num trecho do prefácio do livro, a senhora diz que se “identificou plenamente com a ‘poíeses’ de Germano Xavier. A senhora poderia explicar melhor como se deu essa identificação?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong> Olhe, realmente a identificação com a criação e o resultado desse “fazer artístico” do Germano talvez tenha sido espontânea desde o início, quando eu me tornei leitora assídua dos seus textos, bem antes de “O Homem Encurralado”. O Germano tem uma forma de criar que eu julgo compreender, até onde me é possível, daí falar em “identificação”. O autor baseia-se muito no quotidiano, no pulsar da sociedade, nas relações entre pessoas, na ostracização, nas barreiras sociais e na indiferença, na observação do individualismo, para criar os seus ambientes e personagens. Este livro espelha bastante bem o processo, creio. Depois trabalha todo esse material como um escultor, burilando cada palavra ou ideia.</p>
<p>Eu vejo-o como um autor perfecionista e cerebral, o que não invalida de modo algum a sua capacidade de transmitir e recriar emoções vibrantes, mas de uma forma contida, implícita, subtil, quase austera. Eu revejo-me no método, nas fontes de inspiração e até na sobriedade e discrição com que Germano aborda uma infinidade de temas, com garra mas sem nunca perder o norte.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –  A senhora segue no projeto para traduzir os outros dois livros que comporão a trilogia?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong> É essa a minha intenção, e fá-lo-ei com muito gosto e determinação, desde que o autor continue a confiar na minha intuição e métodos, que têm um papel importante neste trabalho intimista e desde que essa escolha não belisque o belíssimo texto original. De qualquer maneira o facto de Germano ter permitido que eu seja a sua primeira tradutora enche-me de orgulho, ao qual acresce uma grande responsabilidade. O autor poderia ter escolhido um tradutor nativo de língua francesa mas optou por confiar no meu trabalho; essa confiança é determinante para que tudo corra o melhor possível.</p>
<p>Luísa Fresta declama Nulla, o primeiro poema do livro O Homem Encurralado de Germano Xavier:</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Luísa Fresta declamando o poema Nulla" width="618" height="348" src="https://www.youtube.com/embed/pdof_XS95Rk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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			</div></div></strong></p>
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