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	<title>Arquivo para O Equador das Coisas - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Ana C., aos seus próprios pés</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/ana-c-aos-seus-proprios-pes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Apr 2021 11:00:21 +0000</pubDate>
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<p style="text-align: justify;">Mulher alterada em muitos sentidos, estigmatizada e polida com diversos títulos e &#8220;encaixes tribais&#8221; &#8211; como por exemplo o de escritora &#8220;marginal&#8221; -, Ana Cristina Cesar ou simplesmente Ana C., como era mais conhecida, tinha tudo para não ser quem foi (alguns até acreditam no inverso, como eu). Mulher nascida em berço de ouro no Rio de Janeiro, ou quase de ouro, filha de pais protestantes e investida numa parcela da sociedade por demais jocosa e mesquinha, Ana C. tão logo cresceu foi adentrando na ciranda de pedra escondida por detrás da literatura. Sempre reclusa, fechada em cenhos, foi com esse instrumento nas mãos que Ana C. escreveria a sua curta e marcante história de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu livro A teus pés, originalmente publicado ainda antes de sua morte, Ana C. demonstra, sem deixar brechas no que tange a possíveis confundimentos, o quanto estava distante de toda estirpe de rotulagem literária em voga no seu tempo. É óbvio a aceitação da ideia de que ela bebeu do Tropicalismo, do modo de escrita &#8220;marginal&#8221; &#8211; diferente &#8211; de uma penca de escritores que estavam conquistando espaço no cenário das letras no Brasil, a tomar como exemplo Paulo Leminski, o Polaco, assim como de outros escritores que muito a influenciaram, como Katherine Mansfield, Clarice Lispector e T.S.Eliot, como também é evidente que a literatura produzida por essa carioca que veio ao mundo no ano de 1952 não se restringe a esses fatores simplesmente.</p>
<p style="text-align: justify;">A teus pés, livro que a consagra, diz de maneira nada morna a que se destinavam os versos tortos de Ana Cristina Cesar. Breves, intensos, intimistas, autobiográficos e com uma aura misteriosa sobre o corpo e o não-corpo de cada poema, é com conforto que se pode dizer que ela tracejou sua letra como quem adornava o fazer de uma literatura perene, que não iria morrer instantaneamente às vistas de uma primária decaída. A primeira impressão que é transportada ao leitor é a de que há uma escritora lutando consigo mesma, num duelo que não tem um fim estipulável mesmo quando as páginas findam, numa batalha que atravessa todo o tempo de escrita hipnotizando-nos por meio de uma sedução estética disforme e ímpar.</p>
<p style="text-align: justify;">A obra, que é aberta com uma belíssima coleção de fotografias e com prefácio de Armando Freitas Filho, entoa um canto que parece se autorrequerer e se autodenominar forte e destemido. Mesmo na falta de algo, a sugestão para a completude ou para o seu desejo é presente: &#8220;Eu tenho uma ideia./Eu não tenho a menor ideia./Uma frase em cada linha. Um golpe de exercício.&#8221;, diz no poema inicial, primeiro dentre muitos que não recebem título, o que dá ao conjunto textual um aspecto de interligações tanto no fator linguístico quanto no discursivo. Mulher transitiva, transitória, feita de transes, pouquíssimo apegada ao que quer que fosse, Ana C. começa a destilar um emaranhado de confissões que chegam aos olhos de quem lê como verdades absolutas.</p>
<p style="text-align: justify;">A linha limítrofe entre a poeta e a mulher sofre um desgaste importante na medida em que a leitura é realizada. &#8220;Muito sentimental./Agora pouco sentimental.&#8221;, diz, revelando-se, sem querer se revelar. Acreditar ou não, tudo isso é uma outra história. No poema Inverno Europeu, escreve prosaicamente: &#8220;Não sou personagem do seu livro e nem que você queira não me recorta no horizonte teórico da década passada.&#8221;, ou ainda em Marfim: &#8220;As aparências desenganam. Estou desenganada. Não reconheço você, que é tão quieta, nessa história. (&#8230;) Palavra que não mexe mais no barril de pólvora plantado sobre a torre de marfim.&#8221; Nesta sua intempestuosidade, Ana C. continua se dissecando, como se num esforço de autoconhecimento: &#8220;Te apresento a mulher mais discreta do mundo: essa que não tem nenhum segredo&#8221;, excerto do poema Noite Carioca.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Livro-A-teus-pes.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-39637 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Livro-A-teus-pes-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Livro-A-teus-pes-225x300.jpg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Livro-A-teus-pes-768x1024.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Livro-A-teus-pes.jpg 900w" sizes="(max-width: 225px) 100vw, 225px" /></a>O processo confessional que se dá em A teus pés é tão genialmente cerzido que, mesmo quando toda a confissão parece óbvia e reticente, a dúvida vigora como única percepção plausível. Quando diz &#8220;Sou fiel aos acontecimentos biográficos&#8221; e &#8220;Não imito a minha nostalgia&#8221;, ou em &#8220;É daqui que eu tiro versos, desta festa &#8211; com arbítrio silencioso e origem que não confesso&#8230;&#8221;, a escritora acaba se resguardando ainda mais, como quem espertamente se utiliza de uma bruma para escapar de alguma possível afetação. Surge então a imagem de uma mulher na contramão de tudo, principalmente de seu entendimento. Reluz cintilante a pessoa que é capaz de driblar a sua própria fé, de amar estranhamente, que possui em mãos a cartilha para todas as curas.</p>
<p style="text-align: justify;">Não obstante, Ana Cristina desliga-se de tudo: &#8220;Eu não estava nem aí. (&#8230;) Duvido muito.&#8221; Nesse ínterim, reforça ainda mais seu teor de rebeldia: &#8220;Não olho para trás e sai da frente que essa é uma rasante. Garras afiadas, e pernalta.&#8221;, como escreve no poema Atrás dos olhos das meninas sérias. Ana é talvez feita do ingrediente do &#8220;Tesão do talvez.&#8221;, que engole &#8220;&#8230; desaforos mas com sinceridade.&#8221;, que &#8220;Só e sempre procura essas frases soltas no seu livro que conta a história que não pode ser contada.&#8221;, verso do poema Duas Antigas I. Mulher que fez &#8220;misérias nos caminhos do conhecer.&#8221;, que hoje livra os outros da verdade e que escreve &#8220;coisas assim,/para pessoas que nem sei mais/quem são,/de uma doçura/venenosa/de tão funda&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">A teus pés é um livro escrito por uma poeta que em 29 de outubro de 1983 pulou do prédio onde seus pais Waldo Aranha e Maria Luiza moravam, escrevendo de uma vez por todas seu poema mais revelador: o suicídio. Ana morreria ali, nascendo como uma rosa que não consegue esconder a beleza de suas íntimas desgraças, e que tampouco refuta diante do instante de se desbravar o desconhecido. Porque assim havia de ser, como bem ela avisou em um de seus poemas em prosa: &#8220;Às vezes me despeço com brutalidade. Chego a parecer ingrata.&#8221; Talvez fosse tudo o que ela quisesse dizer naquele momento. E que disse. Ou apenas escondera as palavras sob o capacho na entrada de uma casa qualquer, labirinto-mundo.</p>
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<div style="text-align: justify;"><strong>*Germano Viana Xavier</strong> é mestre em Letras e jornalista profissional (DRT BA 3647). Desenvolve estudos e pesquisas sobre Literatura e Direitos Humanos – Comunicação e Cultura – Literatura e Letramentos – Língua Portuguesa – Linguística – Cinema – Educação e Educomunicação. Idealizador/Coordenador Geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS (ISSN 2357 8025), periódico fundado em março de 2012 e que circula no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Irlanda. Escreve desde 2007 o blog <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O EQUADOR DAS COISAS</a>,</span> cujo arquivo conta hoje com aproximadamente 2.000 textos de sua autoria. Em 2016, seu livro de contos SOMBRAS ADENTRO foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura. Possui publicações em livros, jornais e revistas literárias diversas. Baiano desterrado, natural da Chapada Diamantina, tem 35 anos e atualmente habita o agreste meridional pernambucano. Canal no YouTube: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.youtube.com/oequadordascoisas</a></span></div>
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<div>
<p style="text-align: justify;"><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  </em><em>Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
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		<title>Minhas 20 melhores leituras em 2020</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/minhas-20-melhores-leituras-em-2020/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Dec 2020 11:00:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O ano de 2020 definitivamente não foi fácil. No Brasil, a situação de penúria foi ainda mais amplificada e visível. Desgovernado desde os saguões de Brasília, o Trem-Brazil, vendido às incertezas de um neoliberalismo irresponsável, descarrilou e assim continua ribanceira abaixo. O real povo brasileiro penou. E penará. Presenciamos tragédias novas a cada dia, muitas &#8230;</p>
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<p style="text-align: justify;">O ano de 2020 definitivamente não foi fácil. No Brasil, a situação de penúria foi ainda mais amplificada e visível. Desgovernado desde os saguões de Brasília, o Trem-Brazil, vendido às incertezas de um neoliberalismo irresponsável, descarrilou e assim continua ribanceira abaixo. O real povo brasileiro penou. E penará. Presenciamos tragédias novas a cada dia, muitas delas advindas de um bestial antipresidente eleito. A sirene tocou mundo afora. Uma pandemia! Muitos foram para dentro de seus aposentos. Muitos, por não terem aonde ir, forçados pela própria necessidade e outros por negacionismos infames de ordens diversas, preferiram as ruas. Ao cabo de todos esses meses, o cansaço, a estafa mental.</p>
<p style="text-align: justify;">Todavia, algumas coisas foram fundamentais para me manter vivo. Falo por mim. Para além das aulas ministradas à distância, que se mostraram duras e ineficientes, foram os livros os maiores responsáveis pela manutenção do ar nos pulmões. Li razoavelmente bem durante todo o ano. Dei prioridade a livros que, de uma ou outra forma, falavam do processo pandêmico vigente, para me inteirar acerca de discussões sociais e políticas também atuais. Destaco aqui a coleção Pandemia Capital, da Editora Boitempo, que li quase toda.</p>
<p style="text-align: justify;">No mais, agradecer preciso a todos os amigos e todas as amigas que fazem comigo o canal literário <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas">O EQUADOR DAS COISAS no YouTube,</a></span> aos colaboradores do portal O GAZZETA, ao espaço concedido a mim no portal <strong>SÓ SERGIPE</strong> e a manutenção da parceria já antiga com o portal <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://entrementes.com.br/">ENTREMENTES</a></span>. Dizer também que o blog <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/">O EQUADOR DAS COISAS</a></span> e o jornal impresso O EQUADOR DAS COISAS continuam vivíssimos, em sonhos borbulhantes e em realidade. Para 2021, talvez algumas boas novidades surgirão. Sigamos, bucaneiros!</p>
<p style="text-align: justify;">E ninguém solta a mão de ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;"><div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h3 style="text-align: justify;">Poesia</h3>
<ol style="text-align: justify;">
<li>QUARENTA CLICS EM CURITIBA, de Paulo Leminski;</li>
<li>BUBUIA, de Jéssica Martins Costa;</li>
<li>ASA DE LAGARTA, de Vanessa Reis;</li>
<li>ALICE E OS DIAS, de Daniela Delias;</li>
<li>TRANS, de Age de Carvalho;</li>
<li>QUASE UMA ARTE, de Paula Glenadel;</li>
<li>À CIDADE, de Mailson Furtado;</li>
<li>GRAVANDO, de Aline Rocha;</li>
<li>ANTES QUE O MUNDO ACONTEÇA, de Daniel Baz;</li>
<li>CAPRICHOS &amp; RELAXOS, de Paulo Leminski.</li>
</ol>
<h3></h3>
<h3></h3>
<h3 style="text-align: justify;">Prosa</h3>
<ol style="text-align: justify;">
<li>A FABULOSA GALINHA DE ANGOLA, de Luísa Fresta;</li>
<li>REDEMOINHO EM DIA QUENTE, de Jarid Arraes;</li>
<li>CARTAS DE UM DIABO A SEU APRENDIZ, de C.S. Lewis;</li>
<li>O AMANHÃ NÃO ESTÁ À VENDA, de Ailton Krenak;</li>
<li>A CRUEL PEDAGOGIA DO VÍRUS, de Boaventura Sousa Santos;</li>
<li>SEJAMOS TODOS FEMINISTAS, de Chimamanda Ngozi Adichie;</li>
<li>O MASSACRE DA GRANJA SÃO BENTO, de Luiz Felipe Campos;</li>
<li>O VELHO E O MAR, de Ernest Hemingway (releitura);</li>
<li>SOBRE A ESTUPIDEZ, de Robert Musil;</li>
<li>ÚLTIMO REINO, de Pascal Quignard.</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">OBS. A ordem de numeração dos livros não quer dizer absolutamente nada.</p>

			</div></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Germano Viana Xavier</strong> é mestre em Letras e jornalista profissional (DRT BA 3647). Desenvolve estudos e pesquisas sobre Literatura e Direitos Humanos – Comunicação e Cultura – Literatura e Letramentos – Língua Portuguesa – Linguística – Cinema – Educação e Educomunicação. Idealizador/Coordenador Geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS (ISSN 2357 8025), periódico fundado em março de 2012 e que circula no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Irlanda. Escreve desde 2007 o blog <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O EQUADOR DAS COISAS</a>,</span> cujo arquivo conta hoje com aproximadamente 2.000 textos de sua autoria. Em 2016, seu livro de contos SOMBRAS ADENTRO foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura. Possui publicações em livros, jornais e revistas literárias diversas. Baiano desterrado, natural da Chapada Diamantina, tem 35 anos e atualmente habita o agreste meridional pernambucano. Canal no YouTube: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.youtube.com/oequadordascoisas</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
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		<title>Nossos verdes cabralinos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/nossos-verdes-cabralinos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Feb 2020 05:00:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[A Escola das Facas]]></category>
		<category><![CDATA[agreste]]></category>
		<category><![CDATA[Chapada Diamantina]]></category>
		<category><![CDATA[João Cabral de Melo Neto]]></category>
		<category><![CDATA[Letras]]></category>
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		<category><![CDATA[mestre]]></category>
		<category><![CDATA[Nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[O Equador das Coisas]]></category>
		<category><![CDATA[Penambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O coqueiro e a cana lhe ensinam, sem pedra-mó, mas faca a faca, como voar o Agreste e o Sertão: mão cortante e desembainhada.&#8221; (João Cabral de Melo Neto, em A Escola das Facas) Quando atravessei a Chapada Diamantina e me deparei com o Pernambuco do meu pai pela primeira vez, ali ainda em minha &#8230;</p>
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sem pedra-mó, mas faca a faca,<br />
como voar o Agreste e o Sertão:<br />
mão cortante e desembainhada.&#8221;</p>
<p style="text-align: right;">(João Cabral de Melo Neto, em A Escola das Facas)</p>
<figure id="attachment_25901" aria-describedby="caption-attachment-25901" style="width: 152px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-25901" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg" alt="" width="152" height="148" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg 409w" sizes="auto, (max-width: 152px) 100vw, 152px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25901" class="wp-caption-text">Germano  Viana Xavier</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Quando atravessei a Chapada Diamantina e me deparei com o Pernambuco do meu pai pela primeira vez, ali ainda em minha infância mais tênue e profunda, senti que aquele chão esbranquiçado e desmentido pelas sortes, de poeira mais fácil que a do solo baiano, impregnaria em mim com muita facilidade e quase nenhuma relutância. E não deu outra. Hoje, já bem crescido em idade e apesar da certidão chapadeira, sinto-me pernambucano em vários detalhes de alma, a começar pelo prazer que desenvolvi em ler a poesia deste “estado-trampolim”, como diria o incomensurável João Cabral de Melo Neto, autor do monumental A ESCOLA DAS FACAS.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/escola-das-facas-livro.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25596 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/escola-das-facas-livro-204x300.jpg" alt="" width="204" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/escola-das-facas-livro-204x300.jpg 204w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/escola-das-facas-livro.jpg 349w" sizes="auto, (max-width: 204px) 100vw, 204px" /></a>Lendo este livro, vi de perto a superação da palavra-imagem em transformação consoante ao que é real. Uma espécie de transposição das águas ficcionais em águas de beber, de viver e, principalmente, em águas de sobreviver. Sobre-ser. Digo por experiência própria que já adentrei os pernambucos por todos ou por quase todos os lados, vez ou outra vindo de Paulo Afonso-BA, outrora descendo pela Paraíba de João Pessoa ou por Campina Grande, e até enfrentando-o de frente pelas rodovias de Alagoas, e aquele mesmo verde-nervoso e balouçante do poeta João Cabral de Melo Neto tão bem traduzido em seus poemas respinga até hoje pelas telas e pelas paisagens do mundo pernambucano-nordestino a todo instante.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem verdade, faz-se necessário salientar, um verde já carcomido pela ação do tempo, principalmente em localidades por onde o “progresso” oriundo do funcionamento das grandes usinas de cana-de-açúcar deixou de herança apenas as ruínas de suas construções e o maquinário em ferrugem, como feridas abertas sob o sol. Porém, assim mesmo digo de relance: sou um homem transformado pelas transformações que meus olhos viram, um homem lapidado pela intersecção das caudalosas águas negras diamantinas e a secura latente de um agreste pernambucano aparentemente sempre à beira de um colapso. De um lado, a exuberância divinal das pedras úmidas, do outro o seixo inamovível das artérias agrestinas por onde o Rio Una passou. Una morto, nascituro e natimorto, que quase só existiu em mim sem nem conseguir existir direito.</p>
<p style="text-align: justify;">Em A ESCOLA DAS FACAS, de lírica extremamente cabralina, aceitei-me mais pelo que realmente sou ou pelo que me tornei ao longo da vida e de minhas caminhadas, quase sempre solitárias. Distanciei-me da surrealidade com a qual me afogo em alguns dias de nuvem. E vi o quanto isso foi bom, o quanto isso é bom. Livros assim são como pontes, fontes inquestionáveis de aprendizado e de des-razão. E até mesmo quando Cabral passeia seus versos verdes nada-verdes pela área metropolitana do Recife ou até pela própria capital, locais ainda muito incógnitos para mim, conferi em pessoa uma espécie de confiança nos passos já dados.</p>
<p style="text-align: justify;">Bahia e Pernambuco me inventaram, e eu inventei estes lugares. Por inventá-los, criei estradas e abri picadas no verde dos coqueirais e das canas e também na cor seca de suas paragens. Fui menino ali e acolá, ancorei banguês nos ombros dos dois orvalhos e bebi da melhor garapa dos engenhos múltiplos. Tive e tenho este privilégio. Nasci com dois sangues e duas almas e vivi em dois estados supremos deste gigante país. Vivi. E vivo. Dois povos, os sertões, os rios, os canaviais, os agrestes, as pedras, as cachoeiras, os diamantes, a sombra dos diamantes&#8230; E o que há de belo em todo este movimento alargado por minhas pernas é o fato de que beber dessas duas águas me fizeram suportar com serenidade as impostoras belezas que porventura outros mundos emprestaram-me aos olhos.</p>
<p style="text-align: justify;">João Cabral de Melo Neto completaria 100 anos se vivo fosse no dia 09 de janeiro de 2020. Hoje, com o início desta coluna sobre livros, literaturas e afins, um Sergipe aclarado pelo sol da belíssima Aracaju me abre portas para minhas visagens em formato-palavra. Estou implicado em meu dizer crítico-analítico, pois sei que várias são as tradições literárias e encarnados são os badalares do Tempo. Quero que meus leitores se apaixonem pela poesia, que os curiosos se intrometam e que algumas fomes humanas sejam saciadas. Num país que parece regressar às mais grotescas escuridões, trazendo à tona censuras e maldades as mais variadas para com seu já castigado povo, eu aposto na esperança. Aqui, neste espaço, recolheremos a própria Vida estampada nos livros, para que dela aprendamos a reproduzir somente as mais magníficas formas de se rebelar e de se tolerar.</p>
<p style="text-align: justify;">Referência<br />
NETO, João Cabral de Melo. A escola das facas. Rio de Janeiro: J.Olympio, 1982.<br />
Minibiografia</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Germano Viana Xavier</strong> é mestre em Letras e jornalista profissional (DRT BA 3647). Desenvolve estudos e pesquisas sobre Literatura e Direitos Humanos &#8211; Comunicação e Cultura &#8211; Literatura e Letramentos &#8211; Língua Portuguesa &#8211; Linguística &#8211; Cinema &#8211; Educação e Educomunicação. Idealizador/Coordenador Geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS (ISSN 2357 8025), periódico fundado em março de 2012 e que circula no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Irlanda. Escreve desde 2007 o blog <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O EQUADOR DAS COISAS</a></span>, cujo arquivo conta hoje com aproximadamente 2.000 textos de sua autoria. Em 2016, seu livro de contos SOMBRAS ADENTRO foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura. Possui publicações em livros, jornais e revistas literárias diversas. Baiano desterrado, natural da Chapada Diamantina, tem 35 anos e atualmente habita o agreste meridional pernambucano. Canal no YouTube: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.youtube.com/oequadordascoisas</a></span></p>
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