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	<title>Arquivo para crônicas - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Maio: mês de florescer e celebrar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 09:00:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Ao ler esta crônica, caro leitor, amiga leitora, maio já terá chegado. Um mês ameno, suave como a natureza em sua essência. Não é por acaso que maio é o mês escolhido pelos casais para seus enlaces, na esperança de dias felizes. É também o mês &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmaio-mes-de-florescer-e-celebrar%2F&amp;linkname=Maio%3A%20m%C3%AAs%20de%20florescer%20e%20celebrar" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmaio-mes-de-florescer-e-celebrar%2F&amp;linkname=Maio%3A%20m%C3%AAs%20de%20florescer%20e%20celebrar" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmaio-mes-de-florescer-e-celebrar%2F&amp;linkname=Maio%3A%20m%C3%AAs%20de%20florescer%20e%20celebrar" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmaio-mes-de-florescer-e-celebrar%2F&amp;linkname=Maio%3A%20m%C3%AAs%20de%20florescer%20e%20celebrar" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmaio-mes-de-florescer-e-celebrar%2F&#038;title=Maio%3A%20m%C3%AAs%20de%20florescer%20e%20celebrar" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/maio-mes-de-florescer-e-celebrar/" data-a2a-title="Maio: mês de florescer e celebrar"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>o ler esta crônica, caro leitor, amiga leitora, maio já terá chegado. Um mês ameno, suave como a natureza em sua essência. Não é por acaso que maio é o mês escolhido pelos casais para seus enlaces, na esperança de dias felizes. É também o mês das mães, as flores que embelezam e perfumam o mundo.</p>
<p>Sou da geração que cresceu ouvindo “Pra não dizer que não falei das flores” (também conhecida como “Caminhando”), composta e interpretada pelo paraibano Geraldo Vandré em 1968. Um hino de resistência com versos marcantes sobre luta e esperança, que se tornou um símbolo da liberdade de expressão. Apresentada no III Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, RJ, conquistou o segundo lugar, mas teve um impacto popular superior à vencedora, “Sabiá”, composta por Tom Jobim e Chico Buarque e interpretada por Cynara e Cybele.</p>
<p>Em tempos tão áridos, vamos falar de flores. Falar em plantar, germinar, florescer.</p>
<blockquote><p>“Enquanto houver vida neste mundo em chamas, haverá histórias a serem narradas, lidas e ouvidas. Não vivemos apenas no real, vivemos também no imaginário, nos sonhos, na literatura, nas artes, no teatro, essa arte viva, na experiência mística. Vivemos também no devaneio.”</p></blockquote>
<p>Com essas palavras, o escritor amazonense Milton Hatoum selou sua entrada oficial na Academia Brasileira de Letras, na sexta-feira, 24 de abril.</p>
<p>Em meio ao caos, busco incessantemente a tranquilidade. Observo as pessoas ao meu redor, todas apressadas, correndo de um lado para o outro. O mundo está cheio de indivíduos impacientes, que querem tudo no “agora”. Ninguém quer plantar, já quer colher. Esperar? Nem pensar! A vontade é maior que tudo. E quando a vida não acontece daquele jeitinho que elas planejaram, revoltam-se contra tudo e todos. Pode parecer um disparate, mas a vida não é sempre como se quer.</p>
<p>Existem coisas que têm mesmo o seu tempo. “Por vezes, é preciso fazer o que é possível e depois saber esperar, entregar ao Universo e confiar”, me diz Júlia, minha amiga esotérica. Júlia aprendeu a ser zen em um mundo em ebulição.  Esses dias, para minha felicidade, nos encontramos para um café, em um final de tarde chuvoso. Com sua pele muito clara, cheirosa e colorida, saia rodada, cabelos encaracolados e flores na cabeça, ela me fala dos livros que está lendo.  Menciona que assistiu a “Hamnet”, dirigido pela cineasta chinesa Chloé Zhao. Sensível, ela chorou o filme todo.</p>
<figure id="attachment_98477" aria-describedby="caption-attachment-98477" style="width: 888px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-98477 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif" alt="Cena do filme Hamnet" width="888" height="521" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif 888w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet-300x176.avif 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet-768x451.avif 768w" sizes="(max-width: 888px) 100vw, 888px" /></a><figcaption id="caption-attachment-98477" class="wp-caption-text">Cena do filme Hamnet</figcaption></figure>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“Hamnet” é um drama histórico sensível que aborda temas como luto, maternidade e criação artística. Conta a história de Agnes (Jessie Buckley), esposa de William Shakespeare (Paul Mescal), e a dor do casal após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, por peste bubônica, evento real que teria inspirado a peça “Hamlet”. O filme dá voz à esposa de Shakespeare, quase nunca lembrada, explorando sua conexão com a natureza e como ela lidou com a perda do filho.</p>

			</div></div>
<p>Júlia compartilha a dor da perda de seu irmão Ricardo, que faleceu aos 38 anos devido a um câncer devastador. A saudade e a melancolia de continuar sem sua presença são palpáveis. Após mais um gole de café, ela se refaz no celular, mostrando seu jardim, que lembra o jardim de Caio Fernando Abreu.</p>
<p>O jardim na casa de Caio Fernando Abreu, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, tornou-se um refúgio simbólico e físico nos últimos anos de sua vida. Lá, ele cuidava de girassóis, brincos-de-princesa e rosas, encontrando na jardinagem uma metáfora para paciência, a morte e o ciclo da vida, temas explorados em suas crônicas, como em “A Morte dos Girassóis”. A jardinagem era uma forma de carinho e conexão com a vida enquanto lutava contra a AIDS, um contraste com a “noite” e a boemia presentes em sua obra.  Caio Abreu registrou suas experiências com o jardim em crônicas, onde o cultivo de flores ensinava sobre o tempo da natureza, a paciência e a aceitação da finitude.</p>
<p>Ao observar Júlia, com sua alegria contida, percebo que a vida é um convite constante para olharmos e apreciarmos as flores. Vamos florir, florescer, sempre!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A Bahia é um estado de espírito</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-bahia-e-um-estado-de-espirito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Aug 2025 20:53:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Estive na Bahia, desembarquei em Salvador, onde passei dois dias. Fui para fazer palestra e entrevistas. Bahia, terra dos orixás, da magia, é encanto por toda parte. Me renovo quando lá aporto. Tenho longa ligação com essa terra fascinante. Lá trabalhei, lá namorei, com baianas de diferentes &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/a-bahia-e-um-estado-de-espirito/">A Bahia é um estado de espírito</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>stive na Bahia, desembarquei em Salvador, onde passei dois dias. Fui para fazer palestra e entrevistas.</p>
<p>Bahia, terra dos orixás, da magia, é encanto por toda parte. Me renovo quando lá aporto. Tenho longa ligação com essa terra fascinante. Lá trabalhei, lá namorei, com baianas de diferentes matizes, de diferentes cidades. Todas com algo em comum: alegria e bom astral. Tenho a impressão de que os baianos, por serem alegres, festivos e festeiros não têm problemas de cabeça. “Aqui, basta cair a tampa de panela no chão, para baiano sair atrás, como em um trio elétrico, em um enorme carnaval”, ouvi isso de uma baiana cor de jambo, olhos negros, sorriso lindo, quando por lá estive pela primeira vez.</p>
<p>Em que lugar do mundo, ao abordar uma pessoa para pedir uma informação, ela lhe olha nos olhos e responde: “Oh! Meu rei, é por ali”? Ser tratado de “meu rei”, em tempos tão escasso de atenção e carinho é um deleite que faz bem à alma.</p>
<p>Gosto do jeito baiano de ser. Da alegria e da leveza do povo. De Salvador, fui de ônibus para Itabuna. Oito horas de viagem.</p>
<p>À convite de Marcel Leal, jornalista, empresário da comunicação, e agitador cultural, fui para uma palestra. Marcel é um caldeirão efervescente de ideias. Dono da rádio Morena FM e do jornal <em>A Região</em>, que semanalmente publica minhas crônicas.</p>
<p>Marcel, que só conhecia pelas redes sociais, me apanhou na rodovia e foi meu cicerone por dois dias. Levou-me a Ilhéus, na beira do mar. Cosmopolita, é desses caras que você quer ter por perto, para conversar, trocar ideias, resenhar, tomar café, beber vinho, partilhar a mesa. Os assuntos nunca se esgotam.</p>
<p>Quando lhe disse que chegaria às 6:00 da manhã em Itabuna, logo avisou.</p>
<p>— Vou fazer uma concessão a você.</p>
<p>Notívago, Marcel tem por hábito varar madrugadas: lendo, ouvindo música, tomando vinho. Conquistou esses hábitos com o passar dos anos; coisa de gente que aprendeu a desfrutar as boas coisas da vida.</p>
<p>A palestra intitulada “Das muletas fiz asas” — mesmo nome do livro que lancei em 2022 — foi no auditório do CIEBETEC, no centro da cidade.</p>
<p>Auditório cheio, contei histórias de minhas andanças pelo mundo. Falei de literatura na terra de Jorge Amado. Alunos, professores e intelectuais na plateia, que saíram de suas casas para me ouvir falar sobre minha trajetória, minha visão de mundo.</p>
<p>Aos 66 anos, estou realizando um sonho antigo: viajar por esse enorme Brasil, falando de literatura. No outono da vida me tornei um Forrest Gump: andarilho e contador de histórias.</p>
<p>Dei duas entrevistas na rádio Morena FM, com ótima interação dos ouvintes, que fizeram várias perguntas.</p>
<div class="ujudUb">&#8220;Minha vida é andar por esse país<br aria-hidden="true" />Pra ver se um dia descanso feliz<br aria-hidden="true" />Guardando as recordações das terras onde passei<br aria-hidden="true" />Andando pelos sertões e dos amigos que lá deixei</div>
<div class="ujudUb">Chuva e sol, poeira e carvão<br aria-hidden="true" />Longe de casa, sigo o roteiro<br aria-hidden="true" />Mais uma estação<br aria-hidden="true" />E alegria no coração”, Luiz Gonzaga.</div>
<div></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eita Bahia maravilhosa. Eita Brasil danado de bom. Saí de lá renovado, com boas energias.</p>
<p>Avante! Sempre em frente.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sob as bênçãos de Éolo — Um verdadeiro clássico da Literatura em Sergipe: &#8220;Velas Pandas&#8221;</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sob-as-bencaos-de-eolo-um-verdadeiro-classico-da-literatura-em-sergipe-velas-pandas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Jun 2024 11:00:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Se comes, tu bebes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; &#8220;O amor é uma parcela essencial de nossa existência, e, portanto, deve ser buscado e valorizado de maneira global. Adicionalmente, a crescente falta de consciência em tomo dos escritos dos prístinos filósofos deve ser responsabilizada pela atitude negligente das pessoas de hoje em dia, no que diz respeito aos &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;O amor é uma parcela essencial de nossa existência, e, portanto, deve ser buscado e valorizado de maneira global. Adicionalmente, a crescente falta de consciência em tomo dos escritos dos prístinos filósofos deve ser responsabilizada pela atitude negligente das pessoas de hoje em dia, no que diz respeito aos reais valores inerentes à natureza humana&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Marcos Almeida</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">Q</span>ual o sentido, qual o significado de ainda considerarmos importante ler e ver, enfim, cultivar as produções artísticas e filosóficas clássicas na cotidiana vida hodierna?</p>
<p>Esse questionamento não é originalmente meu, sob nenhuma hipótese. Contudo irmano-me aos que se deixam, pelo menos por alguns momentos, levar ao sabor das correntes do pensamento que consideram os pontos relacionados, e que devem ser discutidos e examinados.</p>
<p>O médico, latinista, pesquisador, enófilo e escritor Marcos Almeida ocupa, sem dúvidas, lugar de destaque na exígua comunidade constituída por mentes brilhantes, as quais buscam responder, com fundamento, às interrogativas primeiras linhas deste modesto artigo.</p>
<p>&#8220;Velas Pandas&#8221; foi publicado em 2005. Quase vinte anos depois mantém a vetusta validade. Entre as Letras Sergipanas, tornou-se um clássico. E estou convicto de que Ítalo Calvino o aprovaria.</p>
<p>Minha leitura é tardia, admito. Mas nutro uma superstição bem clássica: tudo tem seu tempo. Não tivesse lido o que li, refletido sobre o que refleti, ao longo dos anos, certamente não teria condições intelectuais (não que sejam essa Coca-Cola toda) para ler a obra e apreender alguma coisa, por mínima que seja, quanto ao seu significado.</p>
<p>O que dizer a mais sobre o autor, Marcos Almeida, este que transita pela Via Appia Antica que vai de Horácio, passando por Erasmo de Roterdã até Shakespeare? E tudo isso com propriedade que logra intimidar o mais arguto dos exegetas!</p>
<p>Estamos tratando de um estudioso e escritor que lê diretamente as fontes sem ter de se submeter ao traiçoeiro exercício de tradução levado a efeito por outrem. Almeida detém a distintiva capacidade de entender o idioma no qual imortais registraram seus sistemas filosóficos, seus poemas, suas crônicas, seus relatos históricos, suas tragédias e comédias.</p>
<p>Munido de largo e profundo conteúdo teórico e estético, o autor de &#8220;Velas Pandas&#8221; sabe valer-se muito bem dos bons ventos. Generoso, inclui o leitor na tripulação, porém mantém mão segura ao leme, cartografando as águas da História, da Literatura, das Belas-Artes, da Filosofia, da Música, da Mitologia, compreendendo bem a vastidão deste oceano que é o Pensamento Clássico.</p>
<p>Sua bússola, seu astrolábio, sua linha de sonda? A cultivada Razão, a elevada Gnose.</p>
<p>O índice da obra diz mais do que apenas funcionar como uma lista pela qual o leitor correrá o dedo. Eu diria que é um índice conceitual, e que adverte sobre o que virá dali em diante.</p>
<p>Então, vejamos, dispondo, aqui na ordem tal qual apresentada no livro: &#8220;Prudência: Uma Virtude Negligenciada; Roma X Cartago: O Vencedor leva tudo; Roma e os mistérios Dionisíacos;  Erasmo de Roterdã : loucura ou insensatez; Ovídio, Shakespeare e um caso de amor em comum; Algumas palavras sobre o amor (descuidadamente rabiscadas).</p>
<p>Sei que não é de bom tom, vale dizer, não estaria a obedecer a etiqueta compatível com o contexto, se danasse, aqui, a destrinchar cada capítulo.</p>
<p>Estaria longe do pouco de paciência dos contados leitores.</p>
<p>Sinceramente, nem sei se teria capacidade para tanto. Portanto, selecionei três capítulos, no intuito de dar uma ideia geral da obra. Caso o leitor se interesse, adquirirá o livro. Vamos lá!</p>
<p>Em &#8220;Prudência: Uma Virtude Negligenciada&#8221;, Marcos Almeida diz, de imediato, a que veio. Hoje em dia, não será qualquer um que escapará ao insosso e seboso palavreado da autoajuda (Brrrrr!). Mas o autor que motivou este artigo não é um qualquer. Ele mesmo esclarece que: &#8220;Uma vez que é impossível abordar toda a filosofia em poucas palavras, optei por exarar ilações acerca da prudência. Essa virtude através da qual proporcionamos equilíbrio à natureza humana. Horácio (65 -8 a.C.), laureado poeta dos tempos de Virgílio, Mecenas e do imperador Otávio Augusto, certa vez escreveu: &#8220;est modus in rebus&#8217; (Sermones I, 106). A frase posteriormente se transformou em uma máxima, que veio a ser um paradigma da temperança. Embora se possa traduzi-la de diversas maneiras, eis a minha proposição: há uma justa medida em todas as coisas. Fica evidente, portanto, que se trata de uma exaltação à manutenção do equilíbrio face às vicissitudes. Realizações, desejos, e &#8211; por que não dizer? &#8211; vícios humanos. Faz-se ali, enfim, uma celebração das excelências do valor da prudência, e é justamente sobre essa virtude tão importante, que faremos breve divagação&#8221;.</p>
<p>Pois bem, que o incauto e seduzido leitor, eis-me assim, não caia nesta: a &#8220;breve divagação&#8221;, proposta por Marcos Almeida, se configura num verdadeiro tratado. Independentemente da extensão do escrito. Com parte do capítulo tendo como pano de fundo as &#8220;Guerras Púnicas&#8221;, o escritor, além dos grandes nomes já citados acima, recorrerá a André Comte-Sponville, Aristóteles, Sêneca, Boécio, Isidoro de Sevilha e o poeta romano Pérsio. E nenhum é incluído de forma gratuita. As informações, as explicações e as justificativas do autor funcionam à guisa de firmes arcabouços.</p>
<p>Em &#8220;Roma e os mistérios Dionisíacos&#8221;, o culto a Dionísio, na Grécia, e sua extensão com outras denominações, no Império Romano, Marcos Almeida demonstra ainda que, com toda certeza, não seja um adepto aos ritos orgiásticos (no sentido compreendido na Antiguidade Clássica), é indubitavelmente um escritor iniciado. Ele relata, mas, também, emite juízos provenientes da percepção pessoal que tem diante dos fatos que narra: &#8220;Mas que ninguém se iluda: as bacanais eram no princípio um ritual essencialmente religioso, noturno e secreto. Veja o que o coro informa bem no começo de &#8216;As Bacantes&#8217;: &#8220;aquele que, para a alegria de Baco, foi iniciado nos seus mistérios celestiais e leva uma vida de devoção unindo o seu coração e alma em festejos báquicos nas colinas, purifica a alma de todo o pecado&#8221;.</p>
<p>A conclusão desse capítulo é elegante e pedagógica. Almeida preocupa-se em reiterar que tentou, ao máximo, tornar os textos &#8220;originais&#8221; reproduzidos o mais palatável aos leitores comuns,  entre os quais me incluo, sem o lastro (na verdade, nem a metade deste) que o escritor possui. Disposto a exercitar a honestidade intelectual, o autor esclarece que: &#8220;Nosso objetivo não foi escrever uma apologia daqueles prístinos rituais da era pré-cristã, nem também um libelo de ataque fervoroso à concupiscência Diferente de tudo isso, esse ensaio visa lembrar-nos quem fomos, e desvendar os atavismos que nem sempre ousamos revelar, e enfatizar o progresso social e ético que realizamos através dos tempos&#8221;.</p>
<p>E, apesar de todos os capítulos de &#8220;Velas Pandas&#8221; primarem pela qualidade em forma e conteúdo, o outro capítulo, nesta sequência que estabeleci, selecionado por mim, intitulado &#8220;Ovídio, Shakespeare e um caso de amor em comum&#8221;, tornou-se o meu preferido.</p>
<p>Nele, Marcos Almeida, traduzindo diretamente do latim, versos do prolífico poeta romano, contidos em &#8220;Metamorfoses&#8221;, cuja escrita influenciou (segundo, também, o professor de história antiga, pesquisador e latinista indiano Nasib Singh Gill) Chaucer, Shakespeare, Dante e Milton.</p>
<p>Almeida, ainda que ele mesmo previna ser mais um exercício de acurácia, estabelece com elegância, precisão, legitimidade, paralelos entre os versos compostos por Ovídio, em &#8220;Metamorfoses&#8221;, dedicados a Píramo e Tisbe, sobre sua história, amantes envolvidos por um destino cruel, e a tragédia shakespeariana &#8220;Romeu e Julieta&#8221;. As convergências são notáveis. O capítulo é abundante em informações. Fica claro que, fosse da disposição e vontade do autor, o tema redundaria em uma obra tão somente dedicada ao tema.</p>
<p>Marcos Almeida, como os melhores entre os intelectuais que detêm, de fato, denso lastro clássico, é um sedutor, e sabe muito bem disso. Com sagacidade, conduz o leitor por um outro caminho que não o da superficialidade e das soluções fáceis. Contudo, não complica gratuitamente, de forma pedante, seus argumentos a favor da muito provável paridade. Informa e explica. Indica o &#8220;quando&#8221;, o &#8220;como&#8221; e o &#8220;onde&#8221; ao leitor. Abre-lhe a vista diante da trilha das pedras. Comprovo isso a partir do seguinte trecho: (&#8230;) &#8220;em Sonho de Uma Noite de Verão, Shakespeare apresenta uma &#8220;peça dentro da peça, que é justamente a lenda de Píramo e Tisbe! Tendo sido escrita por volta de 1595 (no mesmo ano de Romeu e Julieta), isso dirime, portanto, qualquer dúvida quanto ao fato do bardo inglês ter conhecido em profundidade os versos de Ovídio. Há, ainda hoje em dia, certa polêmica em torno do nível de entendimento em latim de Shakespeare, e se ele teria adquirido habilidade o bastante para ler confortavelmente as &#8220;Metamorfoses&#8221; de Ovídio no original, e não em inglês. Afinal, poemas do cancioneiro francês retratando os lendários amantes babilônicos eram por demais conhecidos na época. O certo é que o autor de Romeu e Julieta fazia eventualmente uso da língua latina, e dos temas apresentados nos versos de Ovídio&#8221;.</p>
<p>Do primeiro ao último capítulo está presente um fator comum, creio eu, a todos os estágios da Civilização, a saber: o amor.</p>
<p>Seja o amor ao poder, aos deuses, a um homem por uma mulher, a uma mulher por um homem; seja pela modéstia, ou amor pela filosofia clássica e pelas viagens, durante as quais é possível meditar, como no caso de Erasmo de Roterdã.</p>
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<p>Não sendo dado, outrossim, a reinventar a roda, decidi, como soe acontecer, afogar minhas cognitivas mágoas mediante duas seguidas garrafas de um maravilhoso Vinho Occhio Nero Chianti Superiore D.O.C.G.</p>
<p>Mas continuo sem esperanças. A História não me absolverá.</p>
<p>Santé!</p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Giramundos e contadores de (boas) histórias</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/giramundos-e-contadores-de-boas-historias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Oct 2022 13:28:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[acidente]]></category>
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		<category><![CDATA[viagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Segunda-feira, 10 de outubro, o ano de 2022 está se encaminhando para o final. Gosto dessa época do ano, tempo de começar a relaxar da correria, desacelerar. Ouço o canto dos pássaros que invadem a janela da casa à procura de água e grãos. Estou em casa, após dias girando pelo mundo. Caminhei pela América &#8230;</p>
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<p>Segunda-feira, 10 de outubro, o ano de 2022 está se encaminhando para o final. Gosto dessa época do ano, tempo de começar a relaxar da correria, desacelerar. Ouço o canto dos pássaros que invadem a janela da casa à procura de água e grãos.</p>
<p>Estou em casa, após dias girando pelo mundo. Caminhei pela América Central, norte do Brasil, e até na Guiana Inglesa, onde fiz um pit stop. Dias corridos e felizes. Cheguei a 151 países visitados desde que me lancei ao mundo após o acidente.</p>
<p>Pela manhã, logo cedo, recebo um amigo para um café e para uma conversa. À tarde ele embarca para São Paulo, e à noite segue viagem para os Estados Unidos, onde reside.</p>
<p>Ainda em viagem recebi uma mensagem de João Pedro, dileto primo e biógrafo, dizendo que Dorgival desembarcaria na Ilha do Amor no final de setembro.</p>
<p>Conheço Dorgival desde o final dos anos 70, através de primos. Nunca fomos próximos, tivemos apenas conversas cordiais e en passant.</p>
<p>João Pedro me informa que Dorgival pretende vender uma casa no centro da cidade.</p>
<p>Nutro, há tempos, o desejo de adquirir uma casa no centro histórico de minha querida São Luís do Maranhão para instalar uma biblioteca comunitária.</p>
<p>A biblioteca comunitária foi a maneira que encontrei para devolver à minha cidade o muito que recebi ao longo da vida. Ler faz bem. A leitura me fez desbravar o mundo.</p>
<p>Quando garoto, não existia livros em nossa casa. Foi na Biblioteca Pública Benedito Leite, majestoso prédio branco fincado na praça Deodoro, no centro da cidade, que mergulhei na leitura. Foi através dos livros que primeiramente conheci o mundo. Lembro, ainda garoto, aos doze anos, de ter lido a história de um jovem de Kathmandu, capital do Nepal, que foi estudar na Inglaterra. Tornou-se médico, voltou para sua aldeia no Vale de Bagmanti, para ajudar os mais necessitados. Aquela história me marcou de forma indelével.</p>
<p>No outono da vida, aos 60 anos, giramundo, após visitar uma centena de países, desembarquei no Aeroporto Internacional Tribhuvan, na capital do Nepal. Mistura de emoção e gratidão. Gratidão ao Deus Vivo que poupou minha vida, preservou minha saúde, permitindo que visitasse Kathmandu, que conhecia pelos livros.</p>
<p>A visita de Dorgival na manhã quente e de ventos fortes, comuns nesta época do  ano, foi um bálsamo. Dessas conversas que aquecem o coração.</p>
<p>A conversa fluiu, vários e variados assuntos: o trabalho voluntário que Dorgival faz nos EUA, no Haiti e em São Luís. O olhar brilha, a voz embarga, ele fala em acolhimento aos desvalidos. No dia anterior, ele foi à região do Mercado Central, no centro da cidade, onde ouviu pessoas, pregou a Palavra de Deus, distribuiu alimento para os necessitados. Fala da alegria em ajudar o próximo. Dorgival é um missionário.</p>
<p>Primogênito, assim como eu, fala da mãe, dos seis irmãos, fala de sua cidade, Bacabal. Cidadão do mundo, Bacabal é sua aldeia, a família é sua base.</p>
<p>Relembra a ida para Volta Redonda, no Rio de Janeiro, de onde partiu para os EUA e de lá para o mundo. De como aprendeu inglês, que lhe abriria portas, pavimentaria sua bem sucedida carreira profissional.</p>
<p>Como giramundo, fala de suas inúmeras viagens por esse mundão.</p>
<p>Conta os milagres que Deus operou em sua vida. De ser curado de uma hérnia, sem precisar de cirurgia, mesmo com recomendação médica. Do vultuoso cheque que recebeu de um amigo generoso, por um conselho dado. A quantia era exatamente o que precisava para quitar uma dívida. Assim como Dorgival, acredito em milagres. Deus opera milagres em nossas vidas, basta ter fé inabalável e estar atento.</p>
<p>Nas conversas, viajamos juntos para diferentes lugares do mundo. Selamos um acordo, para com as bênçãos de Deus, percorrermos juntos, no futuro, os cinco continentes. Velho sonho de ambos.</p>
<p>Oferto-lhe e dedico o livro “Das muletas fiz asas”, que lancei recentemente, contando como superei o grave acidente que sofri em julho de 2003. Sem Deus nada disso teria acontecido.</p>
<p>Estimulo-o a escrever artigos e crônicas contando suas histórias e vivências. Será um prazer publicá-los.</p>
<p>As três horas de conversa foram poucas para tantos assuntos e sonhos.  Foi o início de muitos encontros futuros, oxalá. Descobri que assim como eu, Dorgival tem “os sonhos como matéria-prima”.</p>
<p>Dorgival segue como um giramundo a rodar pelo mundo. Nos despedimos. Ele deixa nossa casa na companhia de Silvana Carvalho, a irmã que a vida lhe deu.</p>
<p>Sou caseiro, aproveito o tempo para organizar as finanças, planejar o futuro. Assim, na hora certa retomar as caminhadas, seguir como um giramundo a cumprir minha missão na terra.</p>
<p>Aprendi em minhas andanças que o mundo trata bem quem gosta e respeita o mundo.</p>
<p>Obrigado amigo pela visita.  Que Deus te abençoe e proteja, e que nunca te falte saúde, fé, paz, proteção divina e boas viagens.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>__________</p>
<p>(*) Luiz Thadeu Nunes e Silva é engenheiro agrônomo, palestrante, escritor, cronista e viajante. Autor do livro “Das muletas fiz asas”. O sul-americano mais viajado do mundo com mobilidade reduzida, visitou 151 países em todos os continentes do mundo.</p>
<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_46433" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Últimas do Lá vem história</span><div id="wplp_widget_46433" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="46433" style="" data-max-elts="10" data-per-page="3"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_46433" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_46433_100774" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/nem-tudo-esta-perdido/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;margin-left:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-45.jpg" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-45.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-45-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-45-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-45-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Design-sem-nome-45-660x330.jpg 660w" alt="Nem tudo está perdido" class="wplp_thumb" /></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/nem-tudo-esta-perdido/"  class="title">Nem tudo está perdido</a></div></div><div id="wplp_box_left_46433_100774" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_46433_100774" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_46433_100774" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="custom_fields">
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