Outras palavras

Riachão do Dantas-Se — terra de intelectuais de ontem, de hoje e atemporalmente

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Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)

 

Nas três últimas semanas, recebi excelentes notícias do mundo de lá — parafraseando aqui um trecho da canção “Encontros e Desencontros”, de autoria de Fernando Brant e Milton Nascimento (1985). Refiro-me às terras de Riachão do Dantas, com as quais nós, os lagartenses, temos uma dívida histórica, quando frades Carmelitas vieram em socorro da população embrionária de Lagarto, por volta de 1654, no povoado Santo Antônio.

Primeiramente, destaco a gentileza do escritor Ibarê Dantas de me enviar um exemplar de seu décimo quarto livro, intitulado Florentino Telles de Menezes – Pensamento e Ação, no qual, na dedicatória, mais gentilmente ainda, se refere a mim como um “prolífico escritor”. Isto para mim é uma bênção! Não pelo que a semântica da palavra “prolífico” enseja — qual seja, “produtivo” —, mas, sobretudo, “fecundo”.

Em seguida, duas importantes visitas à minha residência, de representantes da cultura e da gente riachãoense, na manhã do dia 2 de outubro. Da professora Edleide Santos Roza, presidente da Academia Riachãoense de Letras, Artes e Cultura (ARLAC) e do jovem historiador, João Eduardo Freire Coelho, futuro diretor do memorial da cidade, conhecido como Memorial Francisco Dantas. Na pauta, as relações históricas e patrimoniais entre Lagarto e Riachão do Dantas.

Prof. Dr. Jeferson Augusto da Cruz e Claudefranklin

Não bastasse tudo isso, na última terça-feira, 14, recebi em minha sala, no Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe, um dos meus mais proeminentes ex-alunos, o Prof. Dr. Jeferson Augusto da Cruz, de quem fiz questão de adquirir o livro, de sua autoria, Aracaju em páginas periódicas – a capital de Sergipe em Fon-Fon e o Malho (1902-1926), cujo lançamento ocorreu no dia 7, em solenidade concorrida, nas dependências do Museu da Gente Sergipana.

As notas acima mencionadas e destacadas reforçam a máxima de que Riachão do Dantas segue sendo a “terra dos intelectuais”, celebrando a memória do seu passado pujante, do seu presente promissor e de seu futuro garantido, quando o assunto é amor pelo conhecimento e defesa e proteção do patrimônio cultural local — exemplo que deve ser seguido por Lagarto, ainda ansiosa pela existência de seu memorial e pelo uso adequado do Grupo Escolar Sílvio Romero.

Por ocasião da escrita do presente texto, a cidade de Riachão do Dantas abria a programação de sua festa literária, a FLIRD, cujo tema é “Riachão – o orgulho de ser e a alegria de pertencer”. Que essa alegria de pertencer também nos mova e comova, a nós, os lagartenses, tão carentes de iniciativas como essas e tantas outras que os intelectuais e agentes culturais riachãoenses nos apontam — e por que não dizer, também, para todo o conjunto da sociedade sergipana. Miremos pois, todos nós, no exemplo dessa terra de Ibarê Dantas e de Jeferson Augusto, afora toda uma plêiade de gente sabida deste lugar, que semeia ideias, cultiva livros e promove o zelo e o amor pela cultura.

 

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Claudefranklin Monteiro

Professor doutor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe.

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