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Donald Trump contradição ou infidelidade ao capitalismo?

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Por Valtênio Paes de Oliveira (*)

 

O Consenso de Washington pregara a globalização. Certo é que a ideologia do capitalismo funda-se no liberalismo defensor da economia de mercado, propriedade privada e acúmulo de capital. Sabe-se também, que o capitalismo passou por sucessivas crises com reflexos sociais profundos no qual poucos ricos se protegem e a população pobre vai da miséria à morte.

Na contramão, o eleito presidente Trump dos EUA diz que cumprirá a bandeira de campanha da taxação das importações. Adam Smith, Locke, Thomas Malthus e tantos outros, defensores do livre mercado, com certeza estariam criticando o desejo do presidente eleito.

Como é possível defender o capitalismo e, ao mesmo tempo, dificultar sua liberdade com taxações? O livre trânsito dos produtos no mercado nos EUA pregado pelo Consenso de Washington será retido pelo novo presidente? Baita contradição para pensadores e defensores explicarem à luz das teorias econômicas.

Economistas e governantes tentando dar vida ao capitalismo propuseram no que Consenso de Washington com disciplina fiscal, reforma tributária, liberação de taxa de juros, taxa de juros competitivas e, principalmente, privatizações, liberação de investimento direto estrangeiro. Agora, Trump diz que vai taxar importações contrariando o discurso capitalista.  A depressão da década de 1870, crise de 1929, crise dos anos 1970 e o choque do petróleo, crise asiática de 1979, crise financeira de 2008 foram marcantes. Com certeza nova crise está chegando.

A globalização fracassou. No entanto, a Avenida Paulista — maior centro financeiro do nosso país — e demais capitalistas recebem mais de 90 bilhões de incentivos fiscais, e ainda pressionam governo contra gastos sociais. Ganância, poder e ostentação de poucos, miséria de morte de milhões. São 733 milhões subnutridos no planeta. Esperançar com o acordo de 84 países pelo pacto contra a fome assinado recentemente basta? Fiscalizemos o cumprimento.

O Brasil é o segundo país do G20 com maior número de pessoas abaixo da linha de pobreza. Na França, 01% vive abaixo da pobreza. Impossível ser cristão e aceitar a miséria e a fome como algo natural. Certo é que pessoas são responsáveis pelo modelo econômico voraz.

Conforme qualquer consulta ao dicionário, contradição e infidelidade estão presentes nas proposições do conservador extremado presidente eleito. O lucro é seu melhor prazer social e individual. A desconexão entre o pensar, o agir e a incoerência argumentativa são marcantes. Triste, mas o fato retrata momentos camaleônicos do eleito presidente.

 

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Valtenio Paes de Oliveira

(*) Professor, advogado, especialista em educação, doutor em Ciências Jurídicas, autor de A LDBEN Comentada-Redes Editora, Derecho Educacional en el Mercosur- Editorial Dunken e Diálogos em 1970- J Andrade.

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