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David Rocha, do Zahav Investimentos, propõe corte de gastos como medida para conter a inflação no Brasil

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“O Brasil precisa fazer a lição de casa para começar a reduzir a inflação e, talvez, apenas a Taxa Selic não seja suficiente. Um corte de gastos efetivo seria muito bem-vindo, mas, para isso, devemos aguardar os próximos capítulos”, afirmou David Rocha, sócio do Zahav Investimentos, escritório do Banco Safra em Sergipe, ao comentar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que, na última quarta-feira, 29, aumentou a taxa Selic para 13,25%.

Economista do Zahav Investimentos, David Rocha

“Não quero assustar, mas chamo a atenção para o fato de que muitos analistas acreditam que nossa taxa deveria estar em torno de 16% e não nos 13% atuais. Ou seja, o remédio deveria ser mais amargo”, completou David, que é assessor de investimentos. Ele lembrou que o próprio Copom já sinalizou a possibilidade de um novo aumento de 1 ponto percentual na próxima reunião, com o objetivo de tentar conter a inflação e atrair mais investimentos estrangeiros para o país.

O sócio do Zahav Investimentos questiona a eficácia dos aumentos sucessivos da taxa Selic. “Serão realmente eficazes no curto e médio prazo? Se analisarmos os índices econômicos do Brasil e do mundo, podemos concluir que, talvez, apenas o ajuste monetário não seja suficiente”, ressalta. Para ele, a principal dúvida sobre a efetividade do aumento da Selic está na política fiscal do governo brasileiro.

O impacto da política externa

Além do aumento da Selic, outros fatores também afetam a economia brasileira, como a gestão do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as guerras e as finanças americanas, “que poderão nos levar a enfrentar uma balança comercial mais desafiadora num primeiro momento.”

“Entretanto, nada disso afetará mais o Brasil do que a crise de confiança pela qual estamos passando. Apesar do país estar batendo recordes de arrecadação via impostos e alcançando o maior valor histórico de captação, ainda vemos déficits sucessivos, que também estão atingindo marcas recordes. Em um país com a economia fragilizada, qualquer vento externo acaba chegando aqui como uma tempestade perfeita”, afirmou David Rocha.

Divergências internas no governo

Dentro do próprio governo Lula, existem divergências em relação ao aumento da Selic. Na avaliação do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o controle da inflação não deve ser feito apenas com o aumento da taxa de juros, com a consequente restrição ao crédito e contração da atividade econômica, mas também com o aumento da produção.

“O combate à inflação não se dá apenas pela restrição ao crédito e aumento de juros. Também é necessário aumentar a produção para controlar a inflação a partir da oferta, e não pela restrição”, afirmou Marinho.

Esta foi a quarta alta consecutiva da Selic, que agora está no maior nível desde setembro de 2023, fixada em 13,25% ao ano. A elevação consolidou um ciclo de contração na política monetária. Entre os argumentos do Banco Central para justificar o aumento, estão a alta recente do dólar e as incertezas em torno da inflação e da economia global.

 

Com informações da Agência Brasil

 

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Antonio Carlos Garcia

Editor do Portal Só Sergipe

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