Corrida Cidade de Aracaju Foto: Michel Oliveira
Por Antônio Carlos Garcia (*)
ACorrida Cidade de Aracaju é uma das provas mais técnicas e desafiadoras do Brasil e exige dos atletas, sobretudo, força e estratégia. A avaliação é da professora Lívia Fernandes Pires, CEO do Lívia Team, que há dez anos prepara corredores para enfrentar o percurso entre São Cristóvão e Aracaju. Segundo ela, o trajeto pela rodovia João Bebe Água impõe 17 subidas e 17 descidas, tornando a prova um teste físico e mental. “A capacidade que o atleta precisa ter é força. O grande erro é se empolgar nas descidas, sair disparado, sem observar a biomecânica e o nível de cansaço. Isso torna o final muito mais desgastante”, alerta.
Marcada para 28 de março de 2026, a corrida é promovida pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Juventude e do Esporte (Sejesp), e deve reunir 12 mil atletas. A prova conta com três percursos — 5 km, 10 km e 24 km — com largadas previstas para as 16h (5 km), 16h10 (10 km) e 16h20 (24 km). Para Lívia, independentemente da distância escolhida, o planejamento da semana da prova é decisivo. “Não adianta tentar repor energia só no dia. O sono, a hidratação e a alimentação precisam estar ajustados. O atleta não pode largar com o tanque na reserva”, compara.
No trabalho de preparação, a treinadora afirma que leva os alunos a diferentes tipos de subidas e descidas para que ganhem experiência e autoconhecimento. “Quando eles largam e vivenciam cada momento, sabem como estão e conseguem chegar melhor, curtindo a conquista.” O crescimento da equipe nos 24 quilômetros mostra essa evolução: na primeira participação, eram entre três e cinco corredores. No ano passado, mais de 70 atletas do grupo encararam os 24 km, além dos inscritos nas provas de 5 e 10 km. Para este ano, a expectativa é manter o feito, com algo entre 60 e 75 alunos na distância mais longa.
Lívia ressalta ainda que o clima de Aracaju aumenta o grau de dificuldade. O calor e a umidade elevada fazem a frequência cardíaca subir mais rapidamente e ampliam a sensação de desgaste. “É uma das provas mais desafiadoras do Brasil. Mas quem treina bem enfrenta um quilômetro de cada vez, uma subida de cada vez, e ainda consegue chegar para um sprint final”, afirma.
Entre os atletas preparados para o desafio está o professor Genival de Melo, que completa 60 anos no próximo dia 2. Ele corre há pouco mais de 10 anos e já participou seis vezes da prova — esta será a sétima nos 24 quilômetros. “É uma corrida técnica e desafiadora física e psicologicamente. Mas nada que um bom treinamento não supere”, afirma. Embora diga que não corre focado em tempo, registra como melhor marca 2h18min19s. “Meu objetivo é chegar bem, estar bem”, resume. Integrante do Lívia Team há cerca de cinco anos, Genival destaca que a corrida o ajudou a atrair familiares e amigos para o esporte e se tornou ferramenta de equilíbrio emocional. “A gente quer chegar bem e depois festejar bem.”
A funcionária pública Clarissa Prata, 39 anos, treina há cinco anos e vai disputar os 24 quilômetros pela quarta vez. Seu melhor tempo foi 2h40min, e a meta agora é baixar para 2h15min. “Cada ano é uma experiência diferente. Você melhora os treinos, adquire mais conhecimento e quer evoluir”, conta. Após participar da Maratona de Aracaju, em outubro, ela retomou a preparação há dois meses. Hoje mantém acompanhamento com personal trainer para musculação, fisioterapeuta para liberação muscular, nutricionista e a orientação da professora Lívia. “Não é só colocar o tênis e correr. O corpo precisa se adaptar, e isso é um conjunto.”
Clarissa começou a correr incentivada por duas tias. “Eu ia, parava, voltava, e elas me incentivaram.” Hoje maratonista, celebra a trajetória da família no esporte: uma das tias é diabética e a outra tem problema cardíaco, mas continuam correndo dentro de seus limites. “Eu consegui evoluir mais, mas começou com elas.” Para ela, a Corrida Cidade de Aracaju representa superação e constância. “É difícil, mas é gratificante demais cruzar a linha de chegada.”
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