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Por LuizThadeu Nunes (*)

 

Dias corridos, excesso de afazeres, espiral de compromissos. Todos apressados, eu no meio. Na semana passada, para compromissos profissionais estive quatro dias em Brasília. Uma sucessão de reuniões, inclusive com ministro de Estado e chefes de autarquias. Fui para um curso de capacitação, e para a Marcha de Secretários de Turismo. A Marcha é um encontro anual. Retorno para a Ilha do Amor, com agenda cheia. Reuniões, encontros, simpósios; tudo para ontem. Fecho o dia e já tenho dificuldade em lembrar do que foi tratado nos encontros do dia anterior. Tenho respeito e admiração por quem guarda na memória: nomes, datas, locais e pautas. Desconfio que minha memória está gasta.

Para quem, como eu, que sempre se gabou de ter tempo para tudo, a coisa mudou.

Bastava me programar, que tinha tempo para o que gostava. Grande engano.

Tudo corrido, parece que o tempo acelerou, quando na verdade quem acelerou fui eu. O tempo é o mesmo. O tempo é imutável.

“Viver é algo tão espantoso que sobra pouco tempo para qualquer outra coisa”, escreveu Emily Dickinson.

Ouvi de um amigo sábio: “Você pode ter todo o dinheiro do mundo, mas nunca vai conseguir comprar o tempo. Cada instante vale muito”. Verdade!

Por causa dos compromissos assumidos pelo trabalho, adio o que me dá prazer. Não tenho lido os livros que se avolumam na estante. Não abro a garrafa de vinho que recebo, via Correios, com a assinatura, e que me garante meia dúzia de garrafas/mês.

Não visitei mais amigos queridos e familiares próximos. Semana corrida, chega o final de semana, o corpo pede para ficar em casa, de preferência de bobeira. Roupa gasta, pé no chão, uma rede por perto. Única coisa que não abro mão é de ouvir música, através da Alexa, que está rouca, e segue obediente tocando o que lhe ordeno.

Com as redes sociais ditando nosso dia, vejo mensagem chegando como disparo de metralhadora AK-47.

Não se tem mais sossego. A cada segundo chegam “demandas”, jargão dos novos tempos. Com o smartphone em mãos, fiquei refém de urgências, dos outros.

O tempo ensina que é preciso seguir, amadurecer e se fortalecer. É prudente usar o tempo com sabedoria. Valorizar os momentos, dos mais simples aos mais especiais, em busca de um propósito em tudo o que faz. O tempo não volta! O tempo mostra que as escolhas de hoje agem no futuro e podem mudar toda uma vida. Não despreze o tempo, não deixe para depois. O hoje é tudo o que você tem.

O tempo e a maré não esperam por ninguém. “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”, ensinou José Saramago.

O tempo não para nem volta atrás justamente para que sempre sigamos em frente!

“O tempo é um rato roedor das coisas, que as diminui ou altera no sentido de lhes dar outro aspecto”, cito Machado de Assis.

“Não procures esconder nada; o tempo vê, escuta e revela tudo”,  na antiguidade disse Sófocles.

“Chegou um tempo que a vida é uma ordem”, Carlos Drummond de Andrade.

“O Tempo só anda de ida. A gente nasce, cresce, envelhece e morre. É só amarrar o Tempo no Poste”, fico com a singeleza do poeta Manoel de Barros.

 

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Luiz Thadeu Nunes

Engenheiro Agrônomo, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas". E-mail: luiz.thadeu@uol.com.br

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