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	<title>Arquivo para Literatura&amp;Lugares - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sat, 26 Apr 2025 16:06:48 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Rosa Faria: arte e história como missão </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/rosa-faria-arte-e-historia-como-missao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Apr 2025 15:52:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[acervo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; Quero morrer ocupando minhas mãos.  Em uma delas, levarei o terço  que é a minha profissão de fé;  na outra, levo o pincel,  meu eterno e inseparável companheiro,  e lá de cima, eu ainda quero pintar o sete.  Rosa Faria &#160; A exposição de pinturas “Rosa Faria e a arte &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/rosa-faria-arte-e-historia-como-missao/">Rosa Faria: arte e história como missão </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Frosa-faria-arte-e-historia-como-missao%2F&amp;linkname=Rosa%20Faria%3A%C2%A0arte%C2%A0e%20hist%C3%B3ria%C2%A0como%20miss%C3%A3o%C2%A0" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Frosa-faria-arte-e-historia-como-missao%2F&amp;linkname=Rosa%20Faria%3A%C2%A0arte%C2%A0e%20hist%C3%B3ria%C2%A0como%20miss%C3%A3o%C2%A0" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Frosa-faria-arte-e-historia-como-missao%2F&amp;linkname=Rosa%20Faria%3A%C2%A0arte%C2%A0e%20hist%C3%B3ria%C2%A0como%20miss%C3%A3o%C2%A0" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Frosa-faria-arte-e-historia-como-missao%2F&amp;linkname=Rosa%20Faria%3A%C2%A0arte%C2%A0e%20hist%C3%B3ria%C2%A0como%20miss%C3%A3o%C2%A0" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Frosa-faria-arte-e-historia-como-missao%2F&#038;title=Rosa%20Faria%3A%C2%A0arte%C2%A0e%20hist%C3%B3ria%C2%A0como%20miss%C3%A3o%C2%A0" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/rosa-faria-arte-e-historia-como-missao/" data-a2a-title="Rosa Faria: arte e história como missão "></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Quero morrer ocupando minhas mãos. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Em uma delas, levarei o terço </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>que é a minha profissão de fé; </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>na outra, levo o pincel, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>meu eterno e inseparável companheiro, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>e lá de cima, eu ainda quero pintar o sete. </em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Rosa Faria</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_89039" aria-describedby="caption-attachment-89039" style="width: 146px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-8.png"><img decoding="async" class="wp-image-89039" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-8-169x300.png" alt="" width="146" height="259" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-8-169x300.png 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-8-576x1024.png 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-8-768x1365.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-8-864x1536.png 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-8.png 1080w" sizes="(max-width: 146px) 100vw, 146px" /></a><figcaption id="caption-attachment-89039" class="wp-caption-text">Foto: Blog Sergipe em Fotos</figcaption></figure>
<span class="dropcap ">A</span> exposição de pinturas <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.se.gov.br/noticias/educacao-cultura/palacio_museu_olimpio_campos_recebe_exposicao_rosa_faria_e_a_arte_de_retratar_aracaju_" target="_blank" rel="noopener">“Rosa Faria e a arte de retratar Aracaju”</a></span>, que esteve em cartaz no Palácio Olímpio Campos até o último dia 5 e homenageou os 170 anos da capital, foi, para mim, uma verdadeira viagem temporal. Seus quadros, azulejos e porcelanas me remeteram à casa/museu da artista e historiadora, que ficava a poucos metros dali, na praça da Catedral.</p>
<p>Um dia, a caminho da casa dos meus tios, na Rua de Santo Amaro, a curiosidade de estudante me fez transpor a porta do Museu de Arte e História Rosa Faria, o primeiro que conheceria na vida. E que contava com um acervo com uma característica bastante peculiar: todas as obras eram da sua autoria. O seu trabalho de retratar a História de Sergipe em telas, painéis, azulejos e pratos de porcelanas durou décadas, resultando em um milhar de peças.</p>
<figure id="attachment_89032" aria-describedby="caption-attachment-89032" style="width: 1000px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-5.png"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-89032 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-5.png" alt="" width="1000" height="610" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-5.png 1000w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-5-300x183.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-5-768x468.png 768w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-89032" class="wp-caption-text">Cine Teatro Rio Branco</figcaption></figure>
<p>Entrar no museu significava ser guiado pela própria artista. As inúmeras obras eram dispostas simetricamente até o teto, quase tocando umas nas outras, formando um mosaico imagético da nossa história. Apesar do acervo numeroso e do pouco espaço para armazenar as obras, Rosa Faria continuava pintando, e o forno, funcionando a todo o vapor.</p>
<p>Durante a visita guiada, <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://memoriassergipanas.wordpress.com/2016/05/12/personalidades-sergipanas-rosa-farias/" target="_blank" rel="noopener">Rosa</a></span> lia trechos dos seus painéis de azulejos e explicava alguns fragmentos. Eu olhava atentamente aquela jovem senhora de postura rígida, circunspecta, que, sem desperdiçar palavras, seguia impassível na sua missão de educar pela arte. Eu era jovenzinha, mas ela não fazia distinção de idade.</p>
<p>Em meio à sua fala, também citava as responsabilidades que envolvia aquele trabalho, levado adiante com recursos próprios. Mais de uma vez mencionou a urgência de ter um forno maior para secar a cerâmica, que aumentava cada vez mais, deixando entrever a necessidade de apoio institucional, ciente que era do seu papel social e do legado que estava construindo.</p>
<p>A poeta e professora Maria Lígia Madureira Pina, em texto publicado no blog Academia Literária de Vida, em 2012, corrobora esse aspecto: “Tudo com recursos próprios. Nunca contou com qualquer ajuda, pública ou particular. Nem as visitas ao museu ela cobrava. Seu único interesse era divulgar a sua arte e vê-la reconhecida”.</p>
<figure id="attachment_89035" aria-describedby="caption-attachment-89035" style="width: 179px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-26-at-11.16.34-4.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-89035 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-26-at-11.16.34-4-179x300.jpeg" alt="Rua Rosa Faria" width="179" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-26-at-11.16.34-4-179x300.jpeg 179w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-26-at-11.16.34-4-611x1024.jpeg 611w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-26-at-11.16.34-4.jpeg 764w" sizes="(max-width: 179px) 100vw, 179px" /></a><figcaption id="caption-attachment-89035" class="wp-caption-text">Homenageada com nome de rua, no bairro Inácio Barbosa Foto: Valéria Vieira</figcaption></figure>
<p>A minha admiração só aumentava no decorrer dos anos. Ainda mais ao acompanhar as celebrações do dia 17 de março em frente ao seu museu, momento em que recebia professores, estudantes e autoridades e fazia discursos veementes em defesa da preservação da memória histórica. Esses atos foram incorporados às comemorações de então, tornando-se parte dos eventos oficiais.</p>
<p>Um exemplo da sua dedicação nos é dado mais uma vez por Maria Lígia Pina, no blogue supra-citado: “Foi ela quem sensibilizou o prefeito Wellington Paixão para recolocar a estátua de Tobias Barreto no pedestal, que tinham colocado sobre a calçada numa reforma anterior. E acompanhou todo o trabalho, até a hora da reinauguração”. Paixão governou o município no período de 1989 a 1992.</p>
<p>Além do seu trabalho artístico, também compôs o Hino do 4° Centenário do início da colonização em Sergipe, cuja letra reproduzo aqui. Como o leitor poderá notar, é uma verdadeira declaração de amor à terra. A música é de Leozírio Guimarães. O texto foi publicado no <em>Jornal da Cidade</em> em 03/01/76.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p style="text-align: center;"><em>Sergipe quatrocentão</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Quem no teu berço nasceu</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Há de se orgulhar </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>de ser filho teu.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>I</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Há quatro séculos </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Jesus mandou,</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Gaspar Lourenço, </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Seu embaixador</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Fazer Cristão</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Foi sua missão</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Do grande Reino </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Do seu amor!</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>II</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Oh’ meu Sergipe </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Oh’ minha terra</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Meu grande mundo</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Meu lindo torrão</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>A dar a todos </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>os sergipanos</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Um mundo novo</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Um mundo irmão!</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>III</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Olhando a tela</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Da minha terra</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Sentindo o Cristo</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>A me proteger</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Pedindo a Ele</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Bênçãos divinas</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>No meu trabalho</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>No meu lazer!</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>IV</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Com meus amigos</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Com minha gente</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Com quem da vida </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Já se cansou</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>A dar semente</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>do amor da terra</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Onde Jesus</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Se hospedou!</em></p>

			</div></div>
<p>Antes de deixar a exposição <em>Rosa Faria e a arte de retratar Aracaju</em>, olho suas obras mais uma vez, para gravá-las na retina. Não são imagens isoladas. Com profunda leveza, elas costuram tempo e espaço e nos fazem dialogar com uma cidade anterior a nós mesmos, dando-nos uma geografia poética e afetiva.</p>
<figure id="attachment_89034" aria-describedby="caption-attachment-89034" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-7.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-89034 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-7.png" alt="Ponte do Imperador" width="1000" height="610" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-7.png 1000w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-7-300x183.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-7-768x468.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-89034" class="wp-caption-text">Ponte do Imperador</figcaption></figure>
<h3>Memorial de Sergipe/Universidade Tiradentes</h3>
<p>Anos depois, ao ver no acervo do Memorial de Sergipe o pequeno forno que usava, compreendi as suas palavras. Um equipamento mais acorde com o seu ritmo de trabalho teria significado, entre outras vantagens, encurtar a corrida contra o tempo na missão de abarcar a história em seu pincel.</p>
<p>Depois de falecer, em 1997, o museu foi fechado e o acervo passou a integrar o do Memorial. A acolhedora sala dedicada à retratista de Aracaju – Rosa Faria: o pincel do tempo &#8211; conta com inúmeras das suas porcelanas com preciosas imagens: paisagens urbanas, fatos históricos, breves perfis de vultos literários e políticos compõem a exposição permanente da instituição.</p>
<p>A Ponte do Imperador (1971), o Cine Theatro Rio Branco (s/d) e a Inauguração da Estátua do Dr. Fausto Cardoso (1973) e a fachada da casa de João Ribeiro, em Laranjeiras, por exemplo, são apenas alguns. Vale a pena a visita ao Memorial tanto pela diversidade temática quanto pela proposta museológica.</p>
<p>No que diz respeito ao acervo de Rosa Faria, é algo como estar num museu dentro de outro museu.</p>
<figure id="attachment_89026" aria-describedby="caption-attachment-89026" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-19.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-89026 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-19.png" alt="Forno de Rosa Faria" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-19.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-19-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-19-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-19-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-19-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-89026" class="wp-caption-text">Forno de Rosa Faria, em exposição no Memorial de Sergipe Foto: Valéria Vieira</figcaption></figure>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h3>A artista</h3>
<p>Rosa Faria (1917-1997) nasceu em Capela e aos 29 mudou-se para Aracaju, onde aprofundou seus estudos nas artes plásticas. Formada pela Escola Normal de Capela, foi professora, jornalista, escritora, taquígrafa, telegrafista e artista plástica. Especializava-se e atualizava-se constantemente. Num curso que teve lugar no Rio de Janeiro, foi aluna de Dom Hélder Câmara, do crítico literário Alceu Amoroso Lima e do matemático e escritor Malba Tahan (pseudônimo de Júlio César de Melo e Souza).</p>
<p>Pintou em telas, azulejos e porcelanato e suas pinturas refletiam paisagens de Aracaju como praças, ruas, casas, igrejas, bondes, festas populares, a maioria feita a partir de fotografias antigas. O acervo cresceu tanto que em 1968 criou a sua própria galeria, transformada no mesmo ano no Museu de Arte e História Rosa Faria.</p>
<figure id="attachment_89041" aria-describedby="caption-attachment-89041" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-9.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-89041 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-9.png" alt="" width="1000" height="610" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-9.png 1000w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-9-300x183.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Design-sem-nome-9-768x468.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-89041" class="wp-caption-text">Perfil de Tobias Barreto em prato de porcelana, por Rosa Faria</figcaption></figure>

			</div></div>
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		<title>Livro &#8220;Fantástico Sergipano&#8221; marca estreia de César Ribeiro como contista   </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/livro-fantastico-sergipano-marca-estreia-de-cesar-ribeiro-como-contista/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Apr 2025 15:43:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[culturais]]></category>
		<category><![CDATA[Fantástico sergipano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; Ver o regresso dos Parafusos é  como sentir que finalmente estamos  dando a devida importância  ao que pertence ao nosso estado,  à nossa história ao nosso legado.  Que bom que podemos mostrar aos outros  o nosso fantástico sergipano. &#160; Douglas, personagem do conto  ‘A volta dos Parafusos’, César Ribeiro &#160; &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/livro-fantastico-sergipano-marca-estreia-de-cesar-ribeiro-como-contista/">Livro &#8220;Fantástico Sergipano&#8221; marca estreia de César Ribeiro como contista   </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Ver o regresso dos Parafusos é </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>como sentir que finalmente estamos </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>dando a devida importância </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>ao que pertence ao nosso estado, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>à nossa história ao nosso legado. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Que bom que podemos mostrar aos outros </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>o nosso fantástico sergipano.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Douglas, personagem do conto</p>
<p style="text-align: right;"> ‘A volta dos Parafusos’, <strong>César Ribeiro</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>epois de um interregno involuntário, volto a esta coluna com o anúncio do lançamento de<em> Fantástico Sergipano,</em> de César Ribeiro, que trilha pela primeira vez a narrativa curta, mas já tem dois romances na algibeira. <strong>O lançamento está marcado para as 17h de hoje, 4 de abril, na Biblioteca Epifânio Dória</strong> e contará com um sarau lítero-musical antecedido por uma breve apresentação do livro.</p>
<p>O leitor não vai se arrepender. A partir de um olhar novo, os contos abordam elementos culturais de Sergipe pela perspectiva do gênero fantástico. O resultado são dez histórias com enredos que mesclam realidade e ficção, tradição e atualidade de uma forma original.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><strong><em>Fantástico Sergipano</em> </strong>chega por intermédio da Lei Paulo Gustavo, via edital da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju). Tem o selo da Editora Alarde e ilustrações do artista visual Renan Cassiano.</p>

			</div></div>
<p>Ao lançar mão do gênero fantástico, presente desde logo no título, o autor se utiliza dos elementos místicos e/ou sobrenaturais que são inerentes a várias festas culturais e religiosas. Mostra, então, os efeitos que as manifestações podem produzir nos seus partícipes, sendo a metamorfose e o duplo alguns deles.</p>
<p>O seu olhar sobre os eventos tradicionais, à medida que os atualiza e os insere na sociedade digital, confere-lhes novos contornos, reforça os aspectos culturais, sociais e econômicos. O Festival de Artes de São Cristóvão (<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://publicacao.saocristovao.se.gov.br/category/fasc" target="_blank" rel="noopener">FASC</a></span>) que o diga. As trocas materiais e simbólicas ocorridas ali representam ganhos extras para as comunidades locais e reafirmam a sua identidade cultural. Esses aspectos podem ser observados, por exemplo, no conto ‘Andrômeda’, cuja personagem compra uma dose de cachaça local no Pisa macio e paga em Pix.</p>
<p>O projeto editorial, tal como foi concebido, não poderia prescindir da pesquisa teórica e empírica. O autor percorreu dez municípios sergipanos para familiarizar-se com as manifestações e folguedos. Festa dos Caretas (Ribeirópolis), Parafusos (Lagarto), Taieiras (Laranjeiras), Bacamarteiros (Carmópolis), Barcos de fogo (Estância), Procissão dos Penitentes (Nossa Senhora das Dores), Reisado (Japaratuba), Chegança (Aracaju), Festa do Mastro (Capela) e o contexto do tradicional Festival de Artes de São Cristóvão (FASC) são as referências culturais escolhidas por ele.</p>
<p>Mas não se enganem. A pesquisa serviu para dar ambientação e verossimilhança às narrativas. Ao longo das 126 páginas o leitor vai encontrar sólidos textos de ficção que fazem uso de muita criatividade e recursos literários os mais diversos, o que, na minha opinião, resultou em um trabalho original.</p>
<p>&#8220;Quinze Almas e um Dedo de Prosa&#8221;, uma das histórias, faz referência à Procissão dos Penitentes, celebrada há mais de um século no município de Nossa Senhora das Dores. Durante a Semana Santa, os devotos se vestem de branco e pedem perdão pelos pecados.</p>
<p>No conto, o autor insere o personagem Tinhão, nesse contexto com uma contradição, no mínimo, curiosa. Um senhor com deficiência auditiva se dá conta de que é o único capaz de escutar os lamentos dos que já se foram. Seu papel é o de &#8216;ouvir&#8217; os defuntos e ser mediador entre estes e os vivos. “Mas como?”, pergunta-se o personagem. “O que faria? Tinha acordado com uma alma penada pedindo socorro ao pé do ouvido. (&#8230;) Ninguém acreditaria se contasse a verdade. Onde já se viu surdo ouvir coisas?” (p. 78).</p>
<p>No relato &#8220;Andrômeda&#8221;, uma jovem estilista chega ao FASC com o intuito de se reunir com amigos, mas o encontro com o seu duplo, que ocorre enquanto percorre os lugares emblemáticos da quarta cidade mais antiga do país, remete-a a questões mal resolvidas do seu passado.</p>
<p style="text-align: right;"><em>Era impressão ou a moça vestia a mesma roupa que ela? Algo improvável. Impossível seria a palavra mais adequada, pois o look era único e exclusivo, não havia a menor possibilidade de alguém o ter copiado uma vez que não o compartilhara com ninguém? Então, como?</em> (p. 22)</p>
<figure id="attachment_88157" aria-describedby="caption-attachment-88157" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-16.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-88157 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-16.png" alt="Parafusos" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-16.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-16-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-16-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-16-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Lojas-16-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-88157" class="wp-caption-text">Dança dos Parafusos Foto: Sílvio Rocha</figcaption></figure>
<p>&#8216;A volta dos Parafusos’, tem como elemento cultural a apresentação do grupo de mesmo nome e se origina no período colonial, quando os escravos fugitivos se disfarçavam com as anáguas das sinhás roubadas dos quaradouros. A luz da lua refletida sobre as roupas brancas fazia com que parecessem assombrações das quais ninguém queria se aproximar.</p>
<p>Com a abolição, os escravos livres ‘voltaram’ e desfilaram de anáguas nas ruas, fazendo movimentos em 360 graus nos sentidos horário e anti-horário, como parafusos. Assim teve início essa singular tradição, reconhecida desde 2020 como patrimônio imaterial do Estado.</p>
<p>Na narrativa, o autor transforma os integrantes do grupo em seres encantados, intangíveis. Parte da identidade coletiva, a sua aparição anual é aguardada ansiosamente pela comunidade. O recurso que atualiza o conto é a inserção de uma equipe de TV, que narra a história ao vivo e explora a expectativa geral em torno da volta dos Parafusos.</p>
<p>O que aconteceria com a população caso eles não aparecessem, é o que nos perguntamos após a leitura. A ‘resposta’ está indicada nas palavras de Nildo Lage sobre a cultura popular, que serviram como epígrafe do conto: &#8220;as novas gerações viveriam sob as trevas do anonimato”.</p>
<p>Ao falar sobre a obra, César se considera privilegiado: “Ela me proporcionou momentos profundos de contemplação. Quanto mais mergulhava nas pesquisas, mais me fascinava a potência de Sergipe no cenário cultural. Tenho muito orgulho de poder eternizar, à minha maneira de contar histórias, o meu amor por este estado.”</p>
<p>Vale a pena a leitura de <em>Fantástico Sergipano</em>, tanto pela sua originalidade quanto pelo diálogo cultural, que, como uma colcha de retalhos, fornece uma visão amalgamada de nós mesmos.</p>
<div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h3><strong><em>Quem é César Ribeiro</em></strong></h3>
<figure id="attachment_88139" aria-describedby="caption-attachment-88139" style="width: 154px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-04-at-11.29.27-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-88139" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-04-at-11.29.27-1-193x300.jpeg" alt="" width="154" height="239" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-04-at-11.29.27-1-193x300.jpeg 193w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-04-at-11.29.27-1-660x1024.jpeg 660w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-04-at-11.29.27-1-768x1192.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-04-at-11.29.27-1-990x1536.jpeg 990w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-04-at-11.29.27-1.jpeg 1031w" sizes="auto, (max-width: 154px) 100vw, 154px" /></a><figcaption id="caption-attachment-88139" class="wp-caption-text">Escritor César Ribeiro</figcaption></figure>
<p>Nascido em Salvador, mas residente de Aracaju há 26 anos, começou seu fascínio pelas artes na infância, passou pelo teatro, mergulhou na produção de jogos de RPG e histórias em quadrinhos, que desenhava e vendia para os colegas de sala. Foi durante a pandemia que se intensificou o hábito da escrita como terapia.</p>
<p>Nesse período, desenvolveu a criatividade por meio do universo fantástico, o que lhe possibilitou enredos originais, sem deixar de lado o teor político e social. Tem três romances publicados, sendo o primeiro deles finalista de dois prêmios literários. <strong>“Fantástico Sergipano” é a sua primeira coletânea de contos, vencedora do edital da Lei Paulo Gustavo. Atualmente, cursa Escrita Criativa na Escola Oficina de Artes Valdice Teles.</strong></p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Flivro-fantastico-sergipano-marca-estreia-de-cesar-ribeiro-como-contista%2F&amp;linkname=Livro%C2%A0%E2%80%9CFant%C3%A1stico%20Sergipano%E2%80%9D%C2%A0marca%C2%A0estreia%20de%C2%A0C%C3%A9sar%20Ribeiro%C2%A0como%20contista%C2%A0%C2%A0%C2%A0" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Flivro-fantastico-sergipano-marca-estreia-de-cesar-ribeiro-como-contista%2F&amp;linkname=Livro%C2%A0%E2%80%9CFant%C3%A1stico%20Sergipano%E2%80%9D%C2%A0marca%C2%A0estreia%20de%C2%A0C%C3%A9sar%20Ribeiro%C2%A0como%20contista%C2%A0%C2%A0%C2%A0" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Flivro-fantastico-sergipano-marca-estreia-de-cesar-ribeiro-como-contista%2F&amp;linkname=Livro%C2%A0%E2%80%9CFant%C3%A1stico%20Sergipano%E2%80%9D%C2%A0marca%C2%A0estreia%20de%C2%A0C%C3%A9sar%20Ribeiro%C2%A0como%20contista%C2%A0%C2%A0%C2%A0" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Flivro-fantastico-sergipano-marca-estreia-de-cesar-ribeiro-como-contista%2F&amp;linkname=Livro%C2%A0%E2%80%9CFant%C3%A1stico%20Sergipano%E2%80%9D%C2%A0marca%C2%A0estreia%20de%C2%A0C%C3%A9sar%20Ribeiro%C2%A0como%20contista%C2%A0%C2%A0%C2%A0" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Flivro-fantastico-sergipano-marca-estreia-de-cesar-ribeiro-como-contista%2F&#038;title=Livro%C2%A0%E2%80%9CFant%C3%A1stico%20Sergipano%E2%80%9D%C2%A0marca%C2%A0estreia%20de%C2%A0C%C3%A9sar%20Ribeiro%C2%A0como%20contista%C2%A0%C2%A0%C2%A0" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/livro-fantastico-sergipano-marca-estreia-de-cesar-ribeiro-como-contista/" data-a2a-title="Livro “Fantástico Sergipano” marca estreia de César Ribeiro como contista   "></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/livro-fantastico-sergipano-marca-estreia-de-cesar-ribeiro-como-contista/">Livro &#8220;Fantástico Sergipano&#8221; marca estreia de César Ribeiro como contista   </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A jaca, o verão e a vida </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-jaca-o-verao-e-a-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Mar 2025 09:00:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[estação]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[jaca]]></category>
		<category><![CDATA[leveza]]></category>
		<category><![CDATA[Ronaldson]]></category>
		<category><![CDATA[Verão]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; Numa mesa do quintal Sobre jornais velhos A jaca se abria em mil bagos amarelos Cheiro e resina colavam-se nas digitais. (&#8230;) Pinceladas de amarelo jaca No tabuleiro de xadrez Desenham calçadas aromáticas. Poética da jaca, Acácia Rios Uma crônica com a leveza da estação, é o que proponho &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por <span lang="PT-BR">Acácia Rios (*)</span></p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<div>
<p lang="PT-BR" style="text-align: right;">
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">Numa mesa do quintal</span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">Sobre jornais velhos</span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">A jaca se abria em mil bagos amarelos</span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">Cheiro e resina colavam-se nas digitais.</span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">(&#8230;)</span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">Pinceladas de amarelo jaca</span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">No tabuleiro de xadrez</span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">Desenham calçadas aromáticas.</span></em></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR" style="text-align: right;"><span lang="PT-BR">Poética da jaca, </span><strong><span lang="PT-BR">Acácia Rios</span></strong></p>
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<p lang="PT-BR">
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR"><span class="dropcap ">U</span>ma crônica com a leveza da estação, é o que proponho aqui, ao falar sobre uma fruta que, no verão, domina todas as outras – a jaca. É o momento em que as esquinas do centro da cidade sabem ao seu cheiro. Os carrinhos, que antes tinham apenas pedaços uniformes, agora carregam também bandejas, potes e sacos plásticos repletos de bagos amarelos, limpos e livres de visgo. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Mas na minha infância não era assim. Lembro que havia certa cerimônia quando se ia cortar a fruta. Eu assistia a tudo a certa distância. Jornais sobre a mesa para o visgo não grudar na madeira, óleo de cozinha para untar as mãos, uma peixeira e um pano de prato à mão para alguma eventualidade. Depois de eliminado o perigo do visgo no cabelo e na roupa das crianças, minha mãe retirava os bagos, punha-os numa vasilha e só então comíamos. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Para mim, ao contrário dos adultos, não importava se a fruta era dura ou mole, pois sempre era doce. Doce o aroma e a cor: amarelo-jaca, a cor preferida da minha mãe. </span></p>
</div>
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<figure id="attachment_86993" aria-describedby="caption-attachment-86993" style="width: 207px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-86993" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58-1-207x300.jpeg" alt="Litorâneos, Ronaldson Sousa" width="207" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58-1-207x300.jpeg 207w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58-1-706x1024.jpeg 706w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58-1-768x1114.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58-1-1059x1536.jpeg 1059w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58-1.jpeg 1103w" sizes="auto, (max-width: 207px) 100vw, 207px" /></a><figcaption id="caption-attachment-86993" class="wp-caption-text">Capa do livro Litorâneos, Ronaldson Sousa</figcaption></figure>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Eis que encontro-a majestosa no poema ‘Jaca galáxia’, de Ronaldson (</span><span lang="PT-BR">Litorâneos</span><span lang="PT-BR">, 2016, 2. ed), cujo título abarca a sua grandiosidade e beleza. Sempre me alegra muito revisitar esse livro porque, como um raio-X, ele reflete o autor e suas raízes. Uma das três partes da obra (Funduras&amp;frugais) é dedicada às frutas litorâ</span><span lang="PT-BR">neas, que se relacionam com os sabores da infância/adolescência. Uma delas, a jaca, evocada em um jogo imagético repleto de ambiguidade, erotismo e lirismo. </span></p>
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<p lang="PT-BR" style="text-align: right;"><em><span lang="PT-BR">“Jogada no chão da imensa cozinha/ naquele momento, solene,/ a fruta/ era o centro do espaço/ da casa de vovó, Dona Fia./ Acesos em seu cheiro, mais que fruta (de uma puta que acorda/ a sanha e o sonho dos bambinos) / mas pelo paladar não pelas virilhas.”</span></em><span lang="PT-BR"> (p. 89)</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Em meio à multiplicidade de imagens que a fruta sugere, Ronaldson completa a ideia do título e a desenvolve numa sequência de palavras do campo semântico de ‘galáxia’: meteoro, mundo, espaço, planetária, asteróides, cometas, via láctea, nebulosas. </span></p>
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<p lang="PT-BR" style="text-align: right;"><em><span lang="PT-BR">“A jaca é como galáxia / (seu </span><span lang="PT-BR">big bang</span><span lang="PT-BR"> de elastano) / sua gravitação de caroços e gomos / sua cola que segura risos / do açúcar que escorre da boca / impreciso.” </span></em><span lang="PT-BR">(p. 91)</span></p>
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<figure id="attachment_86994" aria-describedby="caption-attachment-86994" style="width: 188px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-86994" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58-188x300.jpeg" alt="História da Minha Infância, Gilberto Amado" width="188" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58-188x300.jpeg 188w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58-641x1024.jpeg 641w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58-768x1227.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-07-at-15.44.58.jpeg 903w" sizes="auto, (max-width: 188px) 100vw, 188px" /></a><figcaption id="caption-attachment-86994" class="wp-caption-text">Capa do Livro História da Minha Infância, Gilberto Amado</figcaption></figure>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Outras referências, desta vez na prosa, encontro em </span><span lang="PT-BR">História da minha infância </span><span lang="PT-BR">(1954), do escritor, jornalista e diplomata sergipano Gilberto Amado. Uma delas, quando descreve o sítio nos arredores de Itaporanga d&#8217;Ajuda, onde costumava passar as férias, destacando o seu forte olor. “(&#8230;) e em torno [da casa], as jaqueiras carregadas de jaca madura incomodando até de tanto cheirar.” (p. 71)</span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">A outra é quando fala sobre o ambiente escolar. Amado diz que “muitos alunos levavam no bolso, para comer na aula, caroços de jaca assados.” (p. 62). Na minha casa, embora a jaca ocupasse um lugar especial, nunca soube que se assasse ou cozinhasse a semente. Talvez fosse uma prática do interior ou um recurso utilizado por famílias pobres.</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">É uma fruta generosa, pois dela tudo se aproveita: para além dos seus deliciosos gomos amarelos, também chamados de ‘carne vegetal’, dado o seu poder nutricional, as cascas ou bagaço servem para o gado e seus caroços são assados.</span></p>
</div>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Há algum tempo não ouço a expressão “cair feito uma jaca”, mas ela sempre reverbera em mim quando o tema é essa fruta. Isso porque me faz lembrar Geralda Magela, amiga querida que há alguns anos nos deixou. Costumava contar uma anedota passada no interior de Minas Gerais, em que ela, depois de chocar-se com outra pessoa num tumulto, perdeu o equilíbrio e, citando aqui suas palavras, “caiu como uma jaca”. </span></p>
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<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Geralda divertia-se com a imagem da jaca esborrachada no chão e gostava de comparar-se a ela. Adorava todas as frutas e me ensinou a comê-las de manhã porque davam mais energi<wbr />a durante todo o dia. E assim o faço.</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Há outra referência, esta, relacionada à minha infância. Lembro do dia em que assisti a um episódio de </span><span lang="PT-BR">O sítio do pica-pau amarelo</span><span lang="PT-BR">, e</span><span lang="PT-BR">m que uma jaca cai sobre o Visconde de Sabugosa e o mata. Chorei muito e lamentei não tornar a ver aquele personagem sempre sensato e ao mesmo tempo terno, que aguentava pacientemente as grosserias da boneca Emília. </span></p>
</div>
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<p lang="PT-BR" style="text-align: right;"><em><span lang="PT-BR">“ — Pronto! — gritou ela [Emília]. Está achado o Viscondinho. Quando as duas jacas caíram, uma se abateu sobre mim, e a outra sobre ele. Mas como fiquei com as pernas de fora, todos me viram e correram a me salvar. Já o Visconde ficou totalmente soterrado ou “enjacado”, só com a cartolinha de fora, mas com aquela folha tapando.” </span></em><span lang="PT-BR">(Capítulo ‘A segunda jaca’)</span></p>
</div>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">No entanto – que maravilha que é a ficção &#8211; Monteiro Lobato faz com que a tia Nastácia providencie outro sabugo de milho e, depois de algumas ideias malucas de Pedrinho para recobrar-lhe a vida, eis que, para minha felicidade, o personagem ressurge.</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">No verão, é uma alegria sentir o cheiro de jaca nas ruas, espalhado pelo vento que vem da costa e atravessa o rio Sergipe, incensando tudo ao meu redor. No tabuleiro que é Aracaju, a jaca se plasma em memória atávica e vital.</span></p>
<p lang="PT-BR"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/jaca.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-87028 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/jaca.jpg" alt="jaca, fruta exótica" width="1209" height="500" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/jaca.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/jaca-300x124.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/jaca-1024x423.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/03/jaca-768x318.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
</div>
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<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-jaca-o-verao-e-a-vida%2F&amp;linkname=A%20jaca%2C%20o%20ver%C3%A3o%20e%20a%20vida%C2%A0" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-jaca-o-verao-e-a-vida%2F&amp;linkname=A%20jaca%2C%20o%20ver%C3%A3o%20e%20a%20vida%C2%A0" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-jaca-o-verao-e-a-vida%2F&amp;linkname=A%20jaca%2C%20o%20ver%C3%A3o%20e%20a%20vida%C2%A0" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-jaca-o-verao-e-a-vida%2F&amp;linkname=A%20jaca%2C%20o%20ver%C3%A3o%20e%20a%20vida%C2%A0" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-jaca-o-verao-e-a-vida%2F&#038;title=A%20jaca%2C%20o%20ver%C3%A3o%20e%20a%20vida%C2%A0" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-jaca-o-verao-e-a-vida/" data-a2a-title="A jaca, o verão e a vida "></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/a-jaca-o-verao-e-a-vida/">A jaca, o verão e a vida </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Hermes-Fontes: um poeta e gênio atormentado</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/hermes-fontes-um-poeta-e-genio-atormentado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Feb 2025 21:06:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[antologias]]></category>
		<category><![CDATA[Aracaju]]></category>
		<category><![CDATA[atormentado]]></category>
		<category><![CDATA[avenida]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[gênio]]></category>
		<category><![CDATA[Hermes Fontes]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[jornalista]]></category>
		<category><![CDATA[poeta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Acácia Rios (*) E saber que eu julguei que essa insensível  pudesse amar-me como a um seu irmão!  e possibilitei nesse impossível  dar forma eterna à minha aspiração!  Esfinge, esfinge! desgraçadamente. maior, mais vasto que o deserto ambiente  é o deserto que tens no coração. Esfinge, Hermes Fontes O nome Hermes-Fontes atravessa a vida dos &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fhermes-fontes-um-poeta-e-genio-atormentado%2F&amp;linkname=Hermes-Fontes%3A%20um%20poeta%20e%20g%C3%AAnio%20atormentado" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fhermes-fontes-um-poeta-e-genio-atormentado%2F&amp;linkname=Hermes-Fontes%3A%20um%20poeta%20e%20g%C3%AAnio%20atormentado" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fhermes-fontes-um-poeta-e-genio-atormentado%2F&amp;linkname=Hermes-Fontes%3A%20um%20poeta%20e%20g%C3%AAnio%20atormentado" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fhermes-fontes-um-poeta-e-genio-atormentado%2F&amp;linkname=Hermes-Fontes%3A%20um%20poeta%20e%20g%C3%AAnio%20atormentado" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fhermes-fontes-um-poeta-e-genio-atormentado%2F&#038;title=Hermes-Fontes%3A%20um%20poeta%20e%20g%C3%AAnio%20atormentado" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/hermes-fontes-um-poeta-e-genio-atormentado/" data-a2a-title="Hermes-Fontes: um poeta e gênio atormentado"></a></p><div>
<blockquote>
<p lang="PT-BR">Por Acácia Rios (*)</p>
</blockquote>
<p lang="PT-BR" style="text-align: right;"><em><span lang="PT-BR">E saber que eu julguei que essa insensível </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">pudesse amar-me como a um seu irmão! </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">e possibilitei nesse impossível </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">dar forma eterna à minha aspiração! </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">Esfinge, esfinge! desgraçadamente. </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">maior, mais vasto que o deserto ambiente </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">é o deserto que tens no coração.</span></em></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR" style="text-align: right;"><strong><span lang="PT-BR">Esfinge, Hermes Fontes</span></strong></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR">
</div>
<div>
<p><span lang="PT-BR"><span class="dropcap ">O</span> nome Hermes-Fontes atravessa a vida dos aracajuanos. As inúmeras placas ao longo dos seus 4 quilômetros, aproximadamente, não deixam esse sergipano de Boquim passar despercebido. Ainda mais para uma criança que acabara de aprender a ler. O mundo se me abria e as placas se tornavam parte do meu jogo do contente, que, no trajeto da antiga Cohab ao Centro, consistia em admirar as belas casas da avenida e memorizar os outros nomes com os quais a longa via fazia esquina. </span></p>
</div>
<div>
<figure id="attachment_86503" aria-describedby="caption-attachment-86503" style="width: 919px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avenida-hermes-fontes-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-86503" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avenida-hermes-fontes-300x139.jpg" alt="Hermes Fontes" width="919" height="426" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avenida-hermes-fontes-300x139.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avenida-hermes-fontes-768x355.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 919px) 100vw, 919px" /></a><figcaption id="caption-attachment-86503" class="wp-caption-text">Avenida Hermes Fontes Fotos: Saulo Vilella</figcaption></figure>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-scaled.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-86517 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-300x139.jpeg" alt="" width="300" height="139" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-300x139.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-1024x473.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-768x355.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-1536x709.jpeg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-2048x946.jpeg 2048w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Anos depois, Hermes-Fontes (o autor grafava seu nome com hífen, sintetizando assim o de batismo: Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes) saltaria da placa para a página de um livro. Eis que me vejo diante de ‘A taça’ (título pelo qual ficou conhecido), um poema visual que faz uma ode a esse objeto. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Tornou-se o poema mais conhecido dele, presente em várias antologias, uma delas a de José Costa, que foi meu professor de Literatura Brasileira na UFS e organizou o livro </span><span lang="PT-BR">Antologia poética de Hermes Fontes</span><span lang="PT-BR">, editada pela Secretaria de Estado da Cultura em 2004. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.08.19.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-86522 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.08.19-181x300.jpeg" alt="" width="86" height="142" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.08.19-181x300.jpeg 181w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.08.19.jpeg 617w" sizes="auto, (max-width: 86px) 100vw, 86px" /></a>A descrição da taça, que vai se confundindo progressivamente com uma mulher, é carregada de sensualidade e musicalidade. Começa e termina com versos dodecassílabos (doze sílabas), mas a métrica varia ao sabor do desenho da taça, estreitando a rima na haste, de forma que temos versos de apenas uma palavra, como o leitor pode observar. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">A característica heterométrica (métricas diferentes) é o que o aproxima da poesia moderna. Essa sua versatilidade (e criatividade poética, diga-se de passagem), permitia-o transitar entre escolas.</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR">
</div>
<div>
<p lang="PT-BR" style="text-align: center;"><span lang="PT-BR"><div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			</span></p>
<p lang="PT-BR" style="text-align: center;"><span lang="PT-BR">Pouco acima daquela alvíssima coluna</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">que é o seu pescoço, a boca é-lhe uma taça tal</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">que, vendo-a, ou vendo-a, sem, na realidade, a ver,</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">de espaço a espaço, o céu da boca se me enfuna</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">de beijos — uns, sutis, em diáfano cristal</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">lapidados na oficina do meu Ser;</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">outros — hóstias ideais dos meus anseios,</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">e todos cheios, todos cheios</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">do meu infinito amor&#8230;</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Taça</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">que encerra</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">por</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">suma graça</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">tudo que a terra</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">de bom</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">produz!</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Boca!</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">o dom</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">possuis</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">de pores</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">louca</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">a minha boca!</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Taça</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">de astros e flores,</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">na qual</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">esvoaça</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">meu ideal!</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Taça cuja embriaguez</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">na via-láctea do Sonho ao céu conduz!</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Que me enlouqueças mais&#8230; e, a mais e mais, me dês</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR" style="text-align: center;"><span lang="PT-BR">o teu delírio&#8230; a tua chama&#8230; a tua luz&#8230;</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">                                                                              
			</div></div></span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Multifacetado, era considerado ao mesmo tempo parnasiano (ou neoparnasiano, segundo Otto Maria Carpeaux), simbolista e pré-modernista. Esse hibridismo estético o caracterizava. Também pudera, viveu num momento não só de grande efervescência cultural o Rio de Janeiro como também de mudança estética na literatura, proporcionada pela Semana de Arte Moderna de 22. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">No Rio de Janeiro, conviveu com poetas de diferentes correntes e o ambiente de interlocução impregnou-o de diversas maneiras. A sua estreia, com o livro </span><span lang="PT-BR">Apoteoses</span><span lang="PT-BR">, projetou-o nacionalmente e chamou a atenção de João Ribeiro, Silvio Romero, Rocha Pombo e Olavo Bilac, só para citar alguns. “É Hermes-Fontes um moço, quase um menino, cujo livro </span><span lang="PT-BR">Apoteoses</span><span lang="PT-BR"> é uma revelação de força lírica.”, disse Bilac, conforme menciona Assis Brasil em seu livro </span><span lang="PT-BR">A poesia sergipana no século XX</span><span lang="PT-BR"> (1998).</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Além de poeta, jornalista e cronista, era caricaturista e letrista. Suas caricaturas apareciam nos jornais </span><span lang="PT-BR">O bibliógrafo</span><span lang="PT-BR">, </span><span lang="PT-BR">Tagarella</span><span lang="PT-BR"> e </span><span lang="PT-BR">Brasil Moderno.</span><span lang="PT-BR"> Por meio dessa linguagem, satirizou a vacina obrigatória, a lei do Expurgo e o Código Civil. Também se posicionou em relação à Campanha Civilista em favor de Rui Barbosa e, posteriormente, da Revolução de 30. </span><span lang="PT-BR">Quanto às s</span><span lang="PT-BR">uas composições ‘Luar de Paquetá’ e ‘À beira mar’, foram gravadas por Vicente Celestino e podem facilmente ser acessadas na internet. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Participou da organização da Academia Sergipana de letras e foi fundador da cadeira 16, cujo patrono foi Pedro de Calasans. Em seu </span><span lang="PT-BR">Dicionário Biobibliográfico sergipano </span><span lang="PT-BR">(1925), Armindo Guaraná nos informa que ele também foi membro correspondente da Academia Piauiense de Letras. </span></p>
<p lang="PT-BR"><div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
</div>
<div>
<h3 lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Um pouco do homem </span></h3>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">A biografia de Hermes-Fontes é comovente. Nasceu em Boquim, região sul de Sergipe, em 1888. Aprendeu as primeiras letras em pouco tempo e foi levado para estudar em Aracaju aos 8 anos. Sua genialidade chamou a atenção de professores e figuras conhecidas, notícia que logo se espalhou pelo estado. De acordo com Ana Medina, em </span><span lang="PT-BR">Cartas de Hermes Fontes: angústia e ternura</span><span lang="PT-BR"> (2006), “aos oito anos já era uma revelação, um prodígio de memória, lia jornais como se fosse um adulto e possuía grande talento para a música e o desenho”.</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Tanto talento junto chamou a atenção do então presidente do Estado, Martinho Garcez, que o adotou, levando para o Rio de Janeiro com apenas 10 anos. Na capital federal, os estudos avançaram às expensas da família Garcez, mas tão logo pôde buscou a sua independência. Fez um concurso para os Correios, passando em primeiro lugar. Entrou na faculdade de Direito e foi morar numa pensão, onde conheceu Alice, o amor da sua vida, que representa um capítulo à parte na sua história.</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">O poeta perdeu a mãe nos primeiros anos da infância e foi arrancado do seio familiar muito jovem. Se a capital sergipana já era uma separação da cidade natal, imagine o Rio de Janeiro. Nas cartas dirigidas à família (com quem manteve longa correspondência epistolar), relatava a saudade da terra. Isso está demonstrado no livro </span><span lang="PT-BR">Despertar!</span><span lang="PT-BR"> (1922), que ele dedica a “Sergipe, terra dos meu berço&#8221; e aos pais. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">As cartas, que estão no Museu Raimundo Fernandes da Fonseca, em Boquim, revelam também que ele era arrimo de família. Sistematicamente, enviava quantias junto com as correspondências, em que sempre pedia notícias dos familiares, vizinhos e amigos.</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Apesar de boa recepção crítica (publicou 11 livros em total) e de uma vida profissional intensa, Hermes-Fontes foi acumulando alguns dissabores ao longo da vida. Tentou entrar para a Academia Brasileira de Letras cinco vezes e, em todas elas, foi rechaçado. Também desejava ser Príncipe dos Poetas Brasileiros. No campo político, tentou ser deputado, mas não conseguiu. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Casou apaixonado, mas o sentimento não era correspondido à mesma altura. Sua mulher engravidou, mas perdeu a criança. Anos depois, soube que havia sido traído por ela e por pessoas próximas. Separaram-se, mas ainda nutria sentimentos por Alice. Além de tudo, tinha complexo de ‘físico acanhado’, pois media pouco mais de um metro e meio.</span> <span lang="PT-BR">Uma autorreferência à sua altura é o pseudônimo P.Q. Nino. Às vezes assinava com as iniciais H.F., ou F.H., invertidas. Leo-Zito, Leléo, Léo-Fábio, Rems, Rins e Roms também eram usados pelo poeta. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">O poema ‘Esfinge’, cuja estrofe encabeça esta crônica, foi escrito por ele com o coração dilacerado. Era um homem romântico e, mesmo depois da separação, ainda se preocupava com o bem estar da sua amada, apesar de o coração dela ser um deserto, como diz o último verso.</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Toda essa solidão, expressa na sua obra, culminou em uma profunda tristeza. Antes de suicidar-se com um tiro na cabeça, aos 42 anos, queixara-se com os amigos acerca do seu envolvimento na Revolução de 30. Mas diante da sua baixa autoestima e de tantas decepções, a amorosa sendo a pior de todas, tudo leva a crer na desilusão em relação à própria vida.</span></p>
<p lang="PT-BR">
			</div></div>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Cruzo diuturnamente a avenida Hermes Fontes, essa artéria sem a qual Aracaju não seria a mesma. Atravesso também as doze letras que compõem o seu nome e chego ao homem, esse poeta e gênio atormentado repleto de ternura.</span></p>
<p lang="PT-BR">
</div>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>São Cristóvão &#8211; Poética de uma cidade histórica </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Feb 2025 12:37:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[bricelets]]></category>
		<category><![CDATA[cidade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[histórica]]></category>
		<category><![CDATA[passeio]]></category>
		<category><![CDATA[São Cristóvão]]></category>
		<category><![CDATA[Sergipe]]></category>
		<category><![CDATA[turismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=85697</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; Não havia nada além dela ali,  parada na solidão daquela praça,  ouvindo o sibilar do vento por entre os  galhos das árvores.  Onde estavam os ruídos das festas?  Onde estavam as estrelas?  E as milhares de pessoas? E o Fasc?” César Ribeiro, Fantástico sergipano  São Cristóvão, a quarta cidade mais &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/sao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica/">São Cristóvão &#8211; Poética de uma cidade histórica </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica%2F&amp;linkname=S%C3%A3o%20Crist%C3%B3v%C3%A3o%20%E2%80%93%C2%A0Po%C3%A9tica%20de%20uma%20cidade%20hist%C3%B3rica%C2%A0" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica%2F&amp;linkname=S%C3%A3o%20Crist%C3%B3v%C3%A3o%20%E2%80%93%C2%A0Po%C3%A9tica%20de%20uma%20cidade%20hist%C3%B3rica%C2%A0" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica%2F&amp;linkname=S%C3%A3o%20Crist%C3%B3v%C3%A3o%20%E2%80%93%C2%A0Po%C3%A9tica%20de%20uma%20cidade%20hist%C3%B3rica%C2%A0" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica%2F&amp;linkname=S%C3%A3o%20Crist%C3%B3v%C3%A3o%20%E2%80%93%C2%A0Po%C3%A9tica%20de%20uma%20cidade%20hist%C3%B3rica%C2%A0" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica%2F&#038;title=S%C3%A3o%20Crist%C3%B3v%C3%A3o%20%E2%80%93%C2%A0Po%C3%A9tica%20de%20uma%20cidade%20hist%C3%B3rica%C2%A0" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/sao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica/" data-a2a-title="São Cristóvão – Poética de uma cidade histórica "></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<div class="gs">
<div class="">
<div id=":183" class="ii gt">
<div id=":184" class="a3s aiL ">
<div dir="ltr">
<div>
<p lang="PT-BR" style="text-align: right;"><em><span lang="PT-BR">Não havia nada além dela ali, </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">parada na solidão daquela praça, </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">ouvindo o sibilar do vento por entre os </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">galhos das árvores. </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">Onde estavam os ruídos das festas? </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">Onde estavam as estrelas? </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">E as milhares de pessoas? E o Fasc?”</span></em></p>
<p lang="PT-BR">
</div>
<div>
<p lang="PT-BR" style="text-align: right;"><strong><span lang="PT-BR">César Ribeiro</span><span lang="PT-BR">, Fantástico sergipano </span></strong></p>
<p lang="PT-BR">
</div>
<div>
<p lang="PT-BR">
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR"><span class="dropcap ">S</span>ão Cristóvão, a quarta cidade mais antiga do país, está ali, tão somente a 24 quilômetros de Aracaju. “É perto demais&#8221;, expressamos quase ao mesmo tempo Valéria e eu, enquanto tomávamos um expresso no Café <wbr />São Francisco e comentávamos o luxo de acessar tão facilmente aquele portal para o passado. Apesar da proximidade, não é todo dia que vamos a São Cristóvão e quase nos esquecemos da sua existência e força histórica e poética.  </span></p>
</div>
<div>
<figure id="attachment_85705" aria-describedby="caption-attachment-85705" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/briceletes.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-85705" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/briceletes-300x182.png" alt="" width="300" height="182" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/briceletes-300x182.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/briceletes-768x465.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/briceletes.png 976w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-85705" class="wp-caption-text">Os bricelets</figcaption></figure>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Continuamos, sem pressa, contemplando a praça, que foi transformada em Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 2010. Coincidentemente, naquel<wbr />e momento eu visitava a cidade com outra amiga, Silvinha. Estávamos de férias e a ideia era fazer turismo em nosso estado, ainda que isso significasse adicionar a esse tour apenas um par de lugares, incluindo Laranjeiras.</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">E lá se vão 15 anos do tombamento. De lá pra cá, São Cristóvão &#8211; a nossa cidade mãe &#8211; mudou em vários aspectos, mas as tradições continuam, felizmente. <span class="sigijh_hlt">Fomos em busca do que enche os nossos olhos: os bricelets (biscoito cuja receita foi trazida pelas freiras beneditinas há dois séculos e que já é patrimônio imaterial de Sergipe), a queijada, a padaria colonial, o artesanato.</span> Descobrimos que a cidade, apesar de pequena, já não pode mais ser percorrida em um dia. Os aspectos históricos, culturais<wbr /> e artísticos se somam à oferta gastronômica e à boemia, e não queremos deixar nada por explorar. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.49.49.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-85701 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.49.49-200x300.jpeg" alt="" width="200" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.49.49-200x300.jpeg 200w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.49.49-683x1024.jpeg 683w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.49.49-768x1152.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.49.49.jpeg 827w" sizes="auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px" /></a>Para além do cinema e da fotografia, a plasticidade do conjunto arquitetônico serve também à literatura. No conto ‘Andrômeda’, que compõe o livro </span><span lang="PT-BR">Fantástico sergipano</span><span lang="PT-BR"> (a sair em março próximo pela Editora Alarde), o autor César Ribeiro leva a personagem Alana ao tradicional Festival de Arte de São Cristóvão (FASC) e, com ela, passeamos pelas ruas históricas. A atmosfera barroca da cidade é ao mesmo tempo cenário e pretexto para o escritor trabalhar o gênero fantástico e as dimensões temporais que envolvem a personagem.</span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">“Seus amigos não estavam mais lá. Sequer havia a Igreja Matriz, embora outra se avolumasse ao redor. (&#8230;) Olhando em volta, [ela] encontrou-se sem muita dificuldade. Conhecia bem São Cristóvão. Igreja da Ordem Terceira do Carmo, mais precisamente em frente ao Museu dos Ex-votos.” Com a personagem de César, andamos vertiginosamente pelo <wbr />centro histórico. Dinâmica, a narrativa se passa enquanto a personagem percorre as ruas até chegar ao palco principal, onde se encontraria com seus amigos. Porém, durante o trajeto, vários acontecimentos retardam esse propósito.  </span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Mas não é só isso. No texto, podemos encontrar elementos simbólicos, como a cachaça Pisa Macio, por exemplo, que já é uma marca registrada da cidade. O narrador antecipa para o leitor desavisado a informação sobre a bebida. “Em 1985, Seu João começara a fabricação da cachaça artesanal apenas por diversão, mas logo sentira o [seu] potencial.” </span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Essa informação é respaldada pela personagem Alana, quando afirma: “FASC não é FASC sem um bom Pisa Macio”. Não à toa, a bebida se tornou recentemente patrimônio imaterial de Sergipe.</span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-16.36.03.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-85704 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-16.36.03-241x300.jpeg" alt="" width="241" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-16.36.03-241x300.jpeg 241w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-16.36.03-822x1024.jpeg 822w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-16.36.03-768x957.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-16.36.03.jpeg 1027w" sizes="auto, (max-width: 241px) 100vw, 241px" /></a>Ao inserir a cachaça no universo ficcional, César a eterniza, assim como fez Guimarães Rosa com a Januária, procedente da cidade mineira de mesmo nome e bastante apreciada pelos jagunços Riobaldo e Diadorim em </span><span lang="PT-BR">Grande Sertão Veredas</span><span lang="PT-BR">. “Tudo em mais paz, me ofereceram: bebi da januária azulosa ― um gole me foi: cachaça muito nomeada. Aquela noite, dormi conseguintemente.”, conta Riobaldo.</span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Gostaria de voltar aqui ao livro </span><span lang="PT-BR">États de Sergipe et Alagoas</span><span lang="PT-BR">, do autor francês Paul Walle (publicado em 1912),</span><span lang="PT-BR"> </span><span lang="PT-BR">objeto da minha crônica </span><span lang="PT-BR">“Aracaju no começo do século 20 vista por um cronista francês&#8221;. Em sua obra, </span><span lang="PT-BR">Walle refere-se a São Cristóvão, mas infelizmente dedica-lhe umas poucas linhas, limitando-se aos aspectos econômicos e estruturais. </span></p>
<figure id="attachment_85766" aria-describedby="caption-attachment-85766" style="width: 195px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.55.58.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-85766 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.55.58-195x300.jpeg" alt="" width="195" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.55.58-195x300.jpeg 195w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.55.58-664x1024.jpeg 664w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.55.58-768x1184.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.55.58-996x1536.jpeg 996w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-06-at-14.55.58.jpeg 1038w" sizes="auto, (max-width: 195px) 100vw, 195px" /></a><figcaption id="caption-attachment-85766" class="wp-caption-text">Praça São Francisco</figcaption></figure>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Apesar disso, vale a pena o registro: </span><span lang="PT-BR">“São Cristóvão, situada na margem esquerda do rio Vaza Barris ou Irapiranga, é uma pequena cidade comercial; ela se desenvolve rapidamente em razão da sua excelente localização, mas as vias de comunicação ainda não se comparam às das outras cidades”. (Tradução nossa). O viajante francês também menciona os engenhos de açúcar, que somavam 52 em todo o estado. Dos que havia em São Cristóvão à época, hoje restam duas capelas tombadas, porém, não muito bem preservadas. </span></p>
</div>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Deixamos a praça São Francisco com seus moradores sentados nas calçadas, cachorros deitados no passeio, turistas e expressiva movimentação nos museus. Dirigimo-nos a Aracaju levando no alforje bricelets, queijadinhas, pães, bolos e o calor das pessoas com quem interagimos, com a promessa de voltarmos em breve a essa cidade tão acolhedora, também chamada </span><span lang="PT-BR">mãe</span><span lang="PT-BR"><wbr />.</span></p>
</div>
</div>
<div class="yj6qo">Revisão: Joara Carvalho</div>
<div class="adL"></div>
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<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica%2F&amp;linkname=S%C3%A3o%20Crist%C3%B3v%C3%A3o%20%E2%80%93%C2%A0Po%C3%A9tica%20de%20uma%20cidade%20hist%C3%B3rica%C2%A0" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica%2F&amp;linkname=S%C3%A3o%20Crist%C3%B3v%C3%A3o%20%E2%80%93%C2%A0Po%C3%A9tica%20de%20uma%20cidade%20hist%C3%B3rica%C2%A0" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica%2F&amp;linkname=S%C3%A3o%20Crist%C3%B3v%C3%A3o%20%E2%80%93%C2%A0Po%C3%A9tica%20de%20uma%20cidade%20hist%C3%B3rica%C2%A0" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica%2F&amp;linkname=S%C3%A3o%20Crist%C3%B3v%C3%A3o%20%E2%80%93%C2%A0Po%C3%A9tica%20de%20uma%20cidade%20hist%C3%B3rica%C2%A0" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica%2F&#038;title=S%C3%A3o%20Crist%C3%B3v%C3%A3o%20%E2%80%93%C2%A0Po%C3%A9tica%20de%20uma%20cidade%20hist%C3%B3rica%C2%A0" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/sao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica/" data-a2a-title="São Cristóvão – Poética de uma cidade histórica "></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/sao-cristovao-poetica-de-uma-cidade-historica/">São Cristóvão &#8211; Poética de uma cidade histórica </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aracaju no começo do século 20 vista por um cronista francês  </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/aracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jan 2025 19:52:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[alemão]]></category>
		<category><![CDATA[Aracaju]]></category>
		<category><![CDATA[diplomáticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Sergipe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; O habitante de Sergipe  tem personalidade viva,  susceptível;  delicado em aparência e espírito,  é rancoroso e ao mesmo tempo prático. Paul Walle &#160; Na crônica de hoje, volto ao tema de minha primeira publicação neste portal (“Aracaju pelo olhar de um viajante alemão”) para falar, desta vez, de outro cronista europeu que &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Faracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances%2F&amp;linkname=Aracaju%20no%20come%C3%A7o%20do%20s%C3%A9culo%2020%C2%A0vista%20por%20um%20cronista%20franc%C3%AAs%C2%A0%C2%A0" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Faracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances%2F&amp;linkname=Aracaju%20no%20come%C3%A7o%20do%20s%C3%A9culo%2020%C2%A0vista%20por%20um%20cronista%20franc%C3%AAs%C2%A0%C2%A0" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Faracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances%2F&amp;linkname=Aracaju%20no%20come%C3%A7o%20do%20s%C3%A9culo%2020%C2%A0vista%20por%20um%20cronista%20franc%C3%AAs%C2%A0%C2%A0" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Faracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances%2F&amp;linkname=Aracaju%20no%20come%C3%A7o%20do%20s%C3%A9culo%2020%C2%A0vista%20por%20um%20cronista%20franc%C3%AAs%C2%A0%C2%A0" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Faracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances%2F&#038;title=Aracaju%20no%20come%C3%A7o%20do%20s%C3%A9culo%2020%C2%A0vista%20por%20um%20cronista%20franc%C3%AAs%C2%A0%C2%A0" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/aracaju-no-comeco-do-seculo-20-vista-por-um-cronista-frances/" data-a2a-title="Aracaju no começo do século 20 vista por um cronista francês  "></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;">Por Acácia Rios (*)</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>O habitante de Sergipe </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>tem personalidade viva, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>susceptível; </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>delicado em aparência e espírito, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>é rancoroso e ao mesmo tempo prático.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Paul Walle</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a crônica de hoje, volto ao tema de minha primeira publicação neste portal (“<strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/aracaju-pelo-olhar-de-um-viajante-alemao/#google_vignette" target="_blank" rel="noopener">Aracaju pelo olhar de um viajante alemão</a></span></strong>”) para falar, desta vez, de outro cronista europeu que passou por Sergipe na década de 1900, o geólogo e naturalista francês Paul Walle. Refiro-me aqui às suas impressões sobre o nosso Estado, retratadas em <span class="sigijh_hlt"><em>Au Brèsil. États de Sergipe et Alagoas</em> (E. Guilmoto, Éditeur, 1912) e que me chega às mãos por meio de um leitor da coluna.</span></p>
<p>C<a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/livro-frances.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-85156 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/livro-frances-235x300.jpg" alt="" width="235" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/livro-frances-235x300.jpg 235w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/livro-frances-768x979.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/livro-frances.jpg 781w" sizes="auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px" /></a>onforme assinala a capa do livro, o autor viajou pelo Brasil em missões diplomáticas atribuídas pelo Ministério do Comércio da França, do qual era funcionário. O objetivo era conhecer (ou espionar) as práticas comerciais e industriais de países concorrentes com os quais o Brasil mantinha relações econômicas, estudando novas formas de explorar as nossas riquezas.</p>
<p>Publicou as suas impressões em diferentes livros, divididos tematicamente por estados das regiões sudeste, norte e nordeste do Brasil. Também enveredou por outros países da América do Sul, como Bolívia e Peru. Algumas de suas edições podem ser encontradas (e encomendadas) nos dois idiomas no site do Senado Federal e facilmente localizáveis na biblioteca Palácio do Itamaraty, em Brasília.</p>
<p>Mas entremos no tema. Depois de destacar os municípios de Estância, Simão Dias, Laranjeiras, Itabaiana, Lagarto e São Cristóvão, Walle dedica algumas páginas à capital sergipana, espaço ao qual aludirei. Diferentemente do viajante alemão Robert Avé-Lallemont, que visitou Aracaju no século 19 e se deteve mais longamente nas características etnográficas e culturais, o francês enfatiza sobretudo os aspectos físicos, com especial destaque para a economia, geografia e uso de dados numéricos, sem ensaiar observações pessoais.</p>
<p>Apesar do teor burocrático, no entanto, é possível extrair diversas passagens descritivas que revelam o seu olhar sobre o mobiliário urbano do Centro, como no trecho a seguir: “As ruas são retas e paralelas, suficientemente largas. As principais são: Aurora, São Cristóvão, Laranjeiras, Itaporanga e Japaratuba. São geralmente longas e oferecem uma vista aprazível.” A rua Aurora, que já se chamou Tramanday, atualmente é a Avenida Ivo do Prado.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-85174 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Design-sem-nome-21-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p>Os edifícios públicos, para Walle, não são marcantes, mas destaca alguns deles, como a Catedral que, com sua fachada de duas torres quadrangulares, guarda certa originalidade. “É uma ampla construção em forma de paralelogramo, onde toda a arquitetura exterior é híbrida, em pesado estilo ogival alemão e cuja modesta escadaria dá acesso ao templo”. De fato, a Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, de1859, tem estilos neoclássico e neogótico.</p>
<p>Ler a sua descrição sobre a Igreja Matriz traz à memória a minha familiaridade com o seu entorno, o Parque Teófilo Dantas (que outrora abrigou o famoso Carrossel de Seu Tobias). Meus tios paternos moravam na rua Santo Amaro e, sempre que os visitava, meu pai me levava para brincar no parque e ver os peixes ornamentais do lago artificial que compunha o seu desenho paisagístico. Também comi muitos oitis das suas gigantescas e generosas árvores.</p>
<p>Outra grata lembrança é o vagão de trem (Expresso Abelha) que, salvo engano, se localizava bem em frente à Panificadora Sergipana (a preferida do meu pai, na esquina da rua Santo Amaro). Aos sábados pela manhã meu pai me deixava dentro daquele mundo colorido cheio de livros infantis, lápis de cor, tinta guache, pincéis e me esperava do lado de fora, pacientemente, até eu me dar por satisfeita das brincadeiras. Depois, íamos comprar o pão e eu voltava pra casa saboreando uma deliciosa broa de milho.</p>
<p>Mas voltando a Walle, sem deixar de mencionar as “simétricas faixas de palmeiras” da atual praça Fausto Cardoso, outro edifício que lhe chama a atenção é o Palácio do Governo (atual Museu Olympio Campos). “Uma boa construção de dois andares, sem grandes ornamentos, salvo as janelas e as armas da República no seu frontão e cujo interior é decorado com elegância e bom gosto”. De fato, é uma das nossas mais bonitas construções.</p>
<p>Em seguida, refere-se à Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), “um grande e claro edifício cuja fachada principal ostenta um frontão que repousa sobre duas colunas de estilo clássico”. A edificação citada é o atual Palácio Fausto Cardoso (vizinho ao Olympio Campos). Devido às demandas burocráticas, a sede da Alese foi transferida em 1987 para dali a alguns metros, na esquina onde se inicia a avenida Ivo do Prado.</p>
<figure id="attachment_85151" aria-describedby="caption-attachment-85151" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-85151" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador-300x220.jpg" alt="" width="300" height="220" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador-300x220.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador-1024x750.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador-768x562.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ponte-do-imperador.jpg 1056w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-85151" class="wp-caption-text">Ponte do Imperador</figcaption></figure>
<p><span class="sigijh_hlt">Mesmo sem mencionar a Ponte do Imperador, construída para recepcionar Dom Pedro II, as duas imagens fotográficas mostram-na da perspectiva do rio Sergipe.</span> Nota-se a ponte bem diferente da que conhecemos hoje, o que demonstra as mudanças pelas quais passou desde a sua inauguração, em 1860. As colunas se comunicavam formando um pórtico. Outro detalhe é que a proteção de concreto ao fundo tinha o formato de coreto.</p>
<p>A Aracaju descrita por Paul Walle nos ajuda a compor um quadro-síntese da capital e das suas transformações nos primeiros anos do século. Para além do seu tecnicismo, arriscaria dizer que nos dá um retrato, em outro ângulo, de como nos apropriamos do espaço e construímos valores identitários e culturais próprios.</p>
<p>(Todas as citações foram traduzidas livremente pela autora).]
<p>Revisão: Joara Carvalho</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A poética do cotidiano em Cama de Vento, de Ilda Rezende </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-poetica-do-cotidiano-em-cama-de-vento-de-ilda-rezende/</link>
					<comments>https://www.sosergipe.com.br/a-poetica-do-cotidiano-em-cama-de-vento-de-ilda-rezende/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jan 2025 13:45:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; Quando uma dona de casa&#8230;  Resolve ser poeta, ai ai, a coisa pega Pois os objetos caseiros passam a ter Vários outros significados. (&#8230;) A pia pirou ao ver o pinto pelado A tábua tapou o buraco da pia O tanque criou asa e voou com o sabão  O &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Quando uma dona de casa&#8230;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em> Resolve ser poeta, ai ai, a coisa pega</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Pois os objetos caseiros passam a ter</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Vários outros significados. (&#8230;)</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A pia pirou ao ver o pinto pelado</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A tábua tapou o buraco da pia</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>O tanque criou asa e voou com o sabão </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>O batedor de bife, mesmo desdentado ama a carne de boi</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>O rolo, quem diria amassou a massa e casou com a pizza</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>E aí, a dona de casa fez com que o forno elaborasse </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>essa baita poesia.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Ilda Rezende</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><span class="dropcap ">C</span>ama de vento e outros poemas</em>, de Ilda Rezende (Criação Editora, 2024), que veio a público em dezembro passado, tem apresentação da ensaísta Maruze Reis, orelha do poeta Ronaldson Sousa e delicada capa de Lau Rocha. A bem cuidada edição antecipa o prazer da leitura, em que podemos ver uma poética do cotidiano que abarca extensa linha temporal e as mudanças espaciais em virtude das demandas familiares.</p>
<figure id="attachment_84371" aria-describedby="caption-attachment-84371" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-84371" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende-300x225.png" alt="" width="300" height="225" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende-300x225.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende-1024x768.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende-768x576.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/ilda-rezende.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-84371" class="wp-caption-text">Ilda Rezende autografando um dos livros</figcaption></figure>
<p>O livro é dividido em duas partes, como o próprio título sugere. A primeira (Cama de vento), com 51 poemas e a segunda (Outros poemas), com 48. Os temas, tratados muitas vezes com bom humor, são variados: o cotidiano, a memória, as mudanças de cidade, velhas e novas paisagens, saudade, amor e perdas.</p>
<p>Cada poema é burilado, aperfeiçoado, enxuto. Basta compararmos, por exemplo, &#8216;Imagem virtual&#8217; (p. 50) e &#8216;Bye, bye juventude&#8217; (p. 35, grafado inicialmente &#8216;&#8230;Bye&#8230;Bye&#8230; Juventude&#8217;), ambos publicados originalmente em Poemas de Oficina (1992), primeira antologia da qual participei como poeta, mas não Ilda. Ela já vinha trilhando esse percurso e, pouco a pouco, foi consolidando a sua poesia. Ao comparar os poemas, percebo que a autora os revisitou e fez algumas alterações, o que demonstra seu esmero e amadurecimento 32 anos depois da primeira publicação.</p>
<p>Vale a pena citar as mudanças para comprovar que o processo criativo não se esgota quando escrevemos um poema ou um texto em prosa. Em &#8216;Imagem virtual&#8217;, a mais significativa é esta:</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><span class="sigijh_hlt">Primeira versão (1992) </span></p>
<p>A cidade está em paz</p>
<p>porém &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; (eu também estou assim).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Versão atual (2004): </span></p>
<p>A cidade está em paz</p>
<p>Porém inquieta</p>
<p>(eu também estou assim)</p>

			</div></div>
<p>O tempo cuidou de preencher os pontilhados com &#8216;inquieta&#8217;. Seguindo a lição do mestre Drummond, seu poeta de cabeceira, mergulhou no reino das palavras.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Já em &#8216;Bye, bye juventude&#8217;, a mudança é mais sutil, porém, demonstra que o poema não foi simplesmente trasladado de um livro para outro. &#8220;E se misturando ao vento que passou&#8221; passa a ser grafado assim: &#8220;Mistura-se ao vento que passou&#8221;, em que opta por eliminar o gerúndio, tornando o verso mais assertivo.</p>

			</div></div>
<p>Dito isso, observo também que a poeta se reinventa não apenas nos versos, mas também em seu próprio nome, passando a assinar os textos sem o último sobrenome, Costa, como fizera em diversas publicações.</p>
<p>Não se pode separar a escrita da vida. Mãe de seis filhos homens, nas horas de descanso lia Drummond, que lhe é referência explícita em &#8216;Dever de casa&#8217; (p.51): &#8220;Agora vou deixar um pouco essa lida&#8230; /Lendo Carlos Drummond de Andrade/É nela a poesia com que me deleito quase todos os dias/Se não fosse dona de casa, com certeza/Arrumaria versos.&#8221; (p. 51).</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/WhatsApp-Image-2025-01-01-at-21.59.24.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-84370 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/WhatsApp-Image-2025-01-01-at-21.59.24-225x300.jpeg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/WhatsApp-Image-2025-01-01-at-21.59.24-225x300.jpeg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/WhatsApp-Image-2025-01-01-at-21.59.24-768x1024.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/01/WhatsApp-Image-2025-01-01-at-21.59.24.jpeg 780w" sizes="auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px" /></a>Em &#8216;Toma tendência, oh! Ilda&#8217; (p.84), no entanto, há um diálogo menos óbvio com o &#8216;Poema de sete faces&#8217;, a partir do famoso verso &#8220;Vai, Carlos, ser gauche na vida&#8221;. Senão, vejamos. A poeta vive uma dualidade entre as obrigações domésticas e a sua paixão, que é a poesia. O eu lírico dialoga com Ilda, portanto, podemos afirmar que, assim como o de Drummond, seu poema é confessional e autobiográfico. Tomar tendência (variante de tenência, ou seja, tomar juízo) significa retomar o seu papel social e familiar e abandonar o seu lado gauche, rebelde. Afinal, quem já viu dona de casa escrever poemas?</p>
<p>Ilda é poeta forjada em oficinas de escrita. Tenho muita alegria em dizer que fomos alunas de Maruze Reis na antiga Fundação Estadual de Cultura (Fundesc) e, como é comum entre colegas de turma, acompanhamos os progressos mútuos. Naquele momento, compartilhávamos a grande mesa oval da sala com Ariesnelde, Berílio Vieira, Getúlio Ribeiro, Ieda Vilela, João Roberto Rezende Costa (filho de Ilda e meu amigo desde então), Lúcia Marques, Rosivaldo Andrade, Solange Galvão Sampaio, Sonia Barreto, Vagner Ferreira Freitas, Valdemir Ribeiro da Costa, Daniel Marcos Andrade.</p>
<p>Nascida em Porto da Folha e criada em Itabi (cidades sergipanas que, ao lado do Rio de Janeiro (Leblon, aeroporto Santos Dummont) e Aracaju aparecem repetidas vezes em seu livro), aos 87 anos, Ilda esbanja uma poesia de grande valor. Nos seus versos, a lida com a casa e o cotidiano anda <em>pari passu</em> com o exercício do olhar, que se renova ao sabor do vento.</p>
<div class="box note  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Texto revisado por Joara Carvalho (<strong><span style="color: #008000;">@profajoaracarvalho</span></strong>)</p>

			</div></div>
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		<title>Quem conta um conto &#8211; Sílvio Romero e suas múltiplas identidades </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/quem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Dec 2024 18:33:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
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		<category><![CDATA[terror]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=83912</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; Nem tudo os mestres ensinam aos seus aprendizes, respondeu o gato. &#8220;A onça e o gato&#8221;, conto popular recolhido por Sílvio Romero. &#160; Volto ao encontro da rua Sílvio Romero com a avenida João Ribeiro (mencionado na minha antepenúltima crônica) e às inúmeras possibilidades narrativas que esse cruzamento engendra. &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/quem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades/">Quem conta um conto &#8211; Sílvio Romero e suas múltiplas identidades </a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades%2F&amp;linkname=Quem%20conta%20um%20conto%20%E2%80%93%20S%C3%ADlvio%20Romero%20e%20suas%20m%C3%BAltiplas%20identidades%C2%A0" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades%2F&amp;linkname=Quem%20conta%20um%20conto%20%E2%80%93%20S%C3%ADlvio%20Romero%20e%20suas%20m%C3%BAltiplas%20identidades%C2%A0" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades%2F&amp;linkname=Quem%20conta%20um%20conto%20%E2%80%93%20S%C3%ADlvio%20Romero%20e%20suas%20m%C3%BAltiplas%20identidades%C2%A0" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades%2F&amp;linkname=Quem%20conta%20um%20conto%20%E2%80%93%20S%C3%ADlvio%20Romero%20e%20suas%20m%C3%BAltiplas%20identidades%C2%A0" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades%2F&#038;title=Quem%20conta%20um%20conto%20%E2%80%93%20S%C3%ADlvio%20Romero%20e%20suas%20m%C3%BAltiplas%20identidades%C2%A0" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/quem-conta-um-conto-silvio-romero-e-suas-multiplas-identidades/" data-a2a-title="Quem conta um conto – Sílvio Romero e suas múltiplas identidades "></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Nem tudo os mestres ensinam aos seus aprendizes,</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>respondeu o gato.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>&#8220;A onça e o gato&#8221;,</strong></em></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>conto popular recolhido por Sílvio Romero.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">V</span>olto ao encontro da rua Sílvio Romero com a avenida João Ribeiro (mencionado na minha antepenúltima crônica) e às inúmeras possibilidades narrativas que esse cruzamento engendra. Desta vez, para falar de <span class="sigijh_hlt">Sílvio Romero. Este ano sua morte completa 110 anos</span>, e não queria deixar essa data em branco na minha coluna. Mas antes vou contar uma historinha.</p>
<p>Filha única até os cinco anos, tive o privilégio de ter uma tia &#8211; Ana &#8211;  que era exímia contadora de histórias. Olhando para trás, vejo que algumas não acalentavam nem um pouco. Pelo contrário. Eram de terror e, mal fechava os olhos, me vinham imagens assustadoras dos seres e personagens descritos por ela: um defunto falante no meio da sala, uma mulher esganada por um gato vingativo com características humanas ou ainda uma madrasta má que enterrara vivas as enteadas. Mas também algumas fábulas; uma delas, sobre o gato e a onça, da qual me lembro com detalhes e cuja moral transcrevo na epígrafe deste texto.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-83914 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05-212x300.jpeg" alt="" width="212" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05-212x300.jpeg 212w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05-722x1024.jpeg 722w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05-768x1089.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.05.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px" /></a>Trago comigo essas histórias desde então. <span class="sigijh_hlt">Dito isso, qual não foi a minha alegria quando me reencontrei com uma delas no livro Contos populares do Brasil, de Sílvio Romero (publicado pela primeira vez em 1883). </span>Dividido em três partes, o autor organizou os contos populares pelas origens portuguesa, indígena e africana e mestiça. No prefácio, Sílvio Romero desenvolve a sua teoria de embranquecimento racial que é, no mínimo, contraditória, para usar um eufemismo.</p>
<p>Para além das suas defesas das teses de raça superior vigentes à época e da qual escaparam alguns poucos contemporâneos, o seu trabalho etnográfico é riquíssimo e, pode-se afirmar, inspirou e serviu de fonte para Mário de Andrade. Basta ver os Cantos populares do Brasil, músicas coletadas por Romero, dos quais o autor de Paulicéia desvairada faz uso e cujas pesquisas de campo pelo norte do Brasil foram importantes para registrar algumas de suas variantes.</p>
<p>Sergipano de Lagarto, Romero mudou-se muito jovem para o Rio de Janeiro. Considerado polímata (aquele que sabe muito) e autor de extensa obra, foi crítico, historiador da literatura, ensaísta, folclorista, polemista, professor do Colégio Pedro II e membro da Academia Brasileira de Letras. Admirador de Tobias Barreto (que, assim como ele, integrou a Escola do Recife, movimento intelectual da segunda metade do século XX), considerava-o poeticamente superior a Castro Alves.</p>
<p>Ai de quem falasse mal do seu conterrâneo e amigo. Na minha opinião, esse pode ter sido um dos motivos da briga com o crítico paraense José Veríssimo, de quem Sílvio era amigo e com quem passou a ter embates homéricos, ao ponto de reunir as suas críticas no livro Zeverissimações ineptas da crítica (1909). O título jocoso já antecipa o seu teor.</p>
<p>O mesmo ocorreu com Machado de Assis, que sofreu muitos ataques do escritor lagartense, como escritor e como homem. Uma verdadeira catilinária, como ressaltou Brito Broca.</p>
<figure id="attachment_83916" aria-describedby="caption-attachment-83916" style="width: 234px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-83916" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20-234x300.jpeg" alt="" width="234" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20-234x300.jpeg 234w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20-798x1024.jpeg 798w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20-768x986.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-20-at-14.49.20.jpeg 934w" sizes="auto, (max-width: 234px) 100vw, 234px" /></a><figcaption id="caption-attachment-83916" class="wp-caption-text">Sílvio Romero  Foto: Wikipedia</figcaption></figure>
<p>Além do percurso literário, Sílvio Romero também seguiu a carreira política, o que era comum entre alguns literatos no período republicano. Foi promotor em Estância, deputado na Assembleia da província de Sergipe e deputado federal no governo de Campos Sales e nunca se afastou da militância política. Nela, como na literatura, exerceu sua forte personalidade com tudo o que ela implicava em termos de virulência, afetação intelectual e vaidade, entre outros adjetivos.</p>
<p>Sílvio Romero morreu no Rio de Janeiro, mas recebeu diversas homenagens aqui no Estado. Além da estátua na praça principal de Lagarto e da placa indicando a casa onde nasceu, conta também com um busto na praça Camerino e, como não podia deixar de ser, foi membro da Academia Sergipana de Letras. Nada mais justo, pois segundo Brito Broca, sempre defendeu a abertura de academias em cidades pequenas.</p>
<p>Minha tia Ana encarnava o narrador e Walter Benjamin, que ressaltava o intercâmbio de experiências da arte de narrar e que se opunha à informação jornalística, considerada por ele transitória e superficial. Apesar do medo que sentia, as histórias que ela contava me atraíam e eu sempre escolhia as minhas preferidas. Elas fazem parte de mim e, puxando pela memória infantil, retransmito-as aos meus sobrinhos Renato e Paulo Emílio, que amam as histórias assustadoras e, como eu, têm também as suas favoritas. Pobre de mim se eu mudar uma vírgula, pois eles já as conhecem de cor e, mesmo assim, ouvem-nas com a mesma atenção da primeira vez.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>____________________</p>
<p><strong>A onça e o gato</strong></p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-83921 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21-169x300.png" alt="" width="101" height="179" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21-169x300.png 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21-576x1024.png 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21-768x1365.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21-864x1536.png 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/Design-sem-nome-21.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 101px) 100vw, 101px" /></a>A onça pediu ao gato para lhe ensinar a pular, e o gato prontamente lhe ensinou. Depois, indo juntos para a fonte beber água, fizeram uma aposta para ver quem pulava mais. Chegando à fonte encontraram lá o calango, e então disse a onça para o gato: “Compadre, vamos ver quem de um só pulo pula o camarada calango.” — “Vamos”, disse o gato. “Só você pulando adiante”, disse a onça. O gato pulou em cima do calango, a onça pulou em cima do gato. Então o gato pulou de banda e se escapou. A onça ficou desapontada e disse: “Assim, compadre gato, é que você me ensinou?! Principiou e não acabou&#8230;” O gato respondeu: “Nem tudo os mestres ensinam aos seus aprendizes”.</p>
<p>Contos populares do Brasil, Sílvio Romero.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>La traviata – primeira e única ópera encenada em Aracaju completa 30 anos </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Dec 2024 18:42:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[Aracaju]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[beleza]]></category>
		<category><![CDATA[binóculo]]></category>
		<category><![CDATA[espetáculo]]></category>
		<category><![CDATA[libreto]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[ópera]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar Wilde]]></category>
		<category><![CDATA[solitária]]></category>
		<category><![CDATA[Verdi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; Vamos beber, vamos beber nos cálices alegres Que a beleza adorna E que o efêmero momento se embriague de prazer. Brindemos aos doces tremores que o amor desperta. Libiamo ne’lieti calice, Verdi &#160; &#160; A voz do tenor Sabino Martemucci no meio da tarde bastou para me remeter a um momento &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Vamos beber, vamos beber nos cálices alegres</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Que a beleza adorna</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>E que o efêmero momento se embriague de prazer.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Brindemos aos doces tremores que o amor desperta.</em></p>
<p style="text-align: right;">Libiamo ne’lieti calice, <strong>Verdi</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_83332" aria-describedby="caption-attachment-83332" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.16.55.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-83332" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.16.55-300x225.jpeg" alt="" width="300" height="225" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.16.55-300x225.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.16.55-768x576.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.16.55.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-83332" class="wp-caption-text">Sabino Martemucci, tenor</figcaption></figure>
<span class="dropcap ">A</span> voz do tenor Sabino Martemucci no meio da tarde bastou para me remeter a um momento que considero singular em Aracaju: a montagem da ópera La traviata, de Giuseppe Verdi. O seu timbre ativou uma outra voz no fundo da minha memória: a do tenor Francisco Bento no papel de Alfredo Germont, no Teatro Atheneu, em 1994. O tempo suspenso daquele momento me levou à noite de estreia em que, deslumbrada, assistira pela primeira vez a uma ópera. E da qual saíra transformada.</p>
<p>Só veria outra montagem operística alguns anos depois, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, cuja arquitetura pretendia ser uma cópia da Ópera de Paris. Foi quando o conheci pela primeira vez. Estar ali era como antever o original, que conheci anos depois. Mas diferente da primeira experiência, fui paramentada com binóculos com os quais pude ver claramente a expressão dos atores, sentindo-me parte do espetáculo. <span class="sigijh_hlt">Verdade que, no século XIX, esse objeto também era usado no teatro para ver, ser visto e paquerar, como podemos notar em várias narrativas românticas.   </span></p>
<p><span class="sigijh_hlt">Naquele momento do Municipal, Salomé, de Oscar Wilde, também me remeteu a La traviata. </span>O tempo, no entanto, foi deixando-a lá atrás, até que a voz de Sabino e a atmosfera de Aracaju (também pudera, a Escola de Artes Valdice Teles, onde trabalhamos, localiza-se em frente ao Atheneu) trouxeram-na de volta. Fazendo as contas, lá se foram trinta anos.</p>
<figure id="attachment_83334" aria-describedby="caption-attachment-83334" style="width: 111px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.27.29.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-83334 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.27.29-111x300.jpeg" alt="" width="111" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.27.29-111x300.jpeg 111w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.27.29.jpeg 357w" sizes="auto, (max-width: 111px) 100vw, 111px" /></a><figcaption id="caption-attachment-83334" class="wp-caption-text">A Dama das Camélias</figcaption></figure>
<p>La traviata, posso dizer, se constituiu ao longo de tempo em uma obra com a qual passei a ter uma relação afetiva. Verdi é um dos autores de ópera mais populares e suas músicas são muito conhecidas, como as de Aída, Rigoletto, Il trovatore. <span class="sigijh_hlt">O meu interesse, no entanto, deu-se pela relação com a literatura. La traviata é inspirada no romance A dama das Camélias, de Alexandre Dumas, filho, que por sua vez inspirou Lucíola (1853), de José de Alencar</span>, cuja personagem principal era leitora de Dumas, como podemos ver no capítulo XV desta obra:</p>
<p style="text-align: right;"> <em>Era um livro muito conhecido— A Dama das Camélias. Ergui os olhos para Lúcia interrogando a expressão de seu rosto. Muitas vezes lê-se não por hábito e distração, mas pela influência de uma simpatia moral que nos faz procurar um confidente de nossos sentimentos, até nas páginas mudas de um escritor. Lúcia teria, como Margarida, a aspiração vaga para o amor? Sonharia com as afeições puras do coração? </em></p>
<p>Portanto, a tríade Dumas – Verdi – Alencar se configura em uma relação estreita de intertextualidade. Conhecer as semelhanças e diferenças de cada texto aprofunda a relação com os enredos e também nos dá o retrato de uma época. Não me estenderei aqui sobre as interrelações, mas não posso deixar de elencá-las, pois compõem o entendimento narrativo. Em suma, temos três personagens femininas que são cortesãs e se apaixonam por nobres ou por homens socialmente bem colocados. Ao subverter o padrão de comportamento esperado delas, passam a enfrentar os preconceitos e obstáculos para viverem o seu amor.</p>
<p>Aquela havia sido uma aventura solitária, pois nem todos do meu círculo de amigos tinham interesse em assistir à ópera. Por isso, durante muito tempo não pude compartilhar essa experiência com ninguém. No entanto, ao perguntar a Marília Teixeira – doutora em canto lírico e colega da Escola -, sobre La traviata, disse-me que tinha participado do coro. Por fim, pude dividir com outra pessoa o que eu tinha vivenciado naquela noite. Consultamos o libreto e, um a um, ela identificou os artistas. Naquele momento, a memória da ópera deixava de ser individual.</p>
<p>Marília, na época estudante de Direito, lembra daquele momento com emoção. “Tudo era novidade. Quando terminamos os ensaios no conservatório e fomos para os bastidores do teatro, foi a maior euforia. Imagine a gente se deparar com o figurino da ópera, trazido especialmente do Rio de Janeiro por Sergio Domingos, figurinista do Teatro Municipal”, lembra.</p>
<p>Mas ela recorda também dos desafios estruturais para encenar uma ópera. “O teatro Atheneu não tem fosso, que é o lugar onde fica a orquestra. Por isso, a encenação foi só com o pianista Larry Fontana, também do Rio. Outro desafio foi a seleção de cantores líricos. Como havia poucos profissionais, o coro teve que ser composto praticamente por leigos”, conta.</p>
<figure id="attachment_83333" aria-describedby="caption-attachment-83333" style="width: 135px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.37.52.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-83333" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.37.52-135x300.jpeg" alt="" width="135" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.37.52-135x300.jpeg 135w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.37.52-461x1024.jpeg 461w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.37.52-691x1536.jpeg 691w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/12/WhatsApp-Image-2024-12-05-at-13.37.52.jpeg 720w" sizes="auto, (max-width: 135px) 100vw, 135px" /></a><figcaption id="caption-attachment-83333" class="wp-caption-text">Marília Teixeira (Violeta) e Sabino Martemucci (Alfredo), no Conservatório de Música de Sergipe, cantando &#8220;Libiamo ne&#8217; lieti calice&#8221;</figcaption></figure>
<p>Adriano José dos Santos, que atuou como tenor, também recorda daquele momento com muito carinho. “Eu estava acostumado a participar de agrupações corais e pude experimentar estar ao lado de grandes cantores e cantoras líricas do país. Pessoalmente, representou um salto qualitativo”, conta, apesar de não ter seguido a carreira.</p>
<p>Não posso deixar de mencionar uma passagem anedótica. Era estudante de Jornalismo e, quando soube da montagem, me pareceu algo tão excepcional, que eu também queria contribuir para a memória daquele evento. Entrevistei a produtora Rosalina Barreto e publiquei uma matéria no antigo Cinform. Ela me convidou para a noite de estreia. A caminho do teatro, pensei: e se ela se esqueceu de pôr meu nome na lista de convidados?” Ora, simplesmente daria meia volta e pegaria meu ônibus para casa. Mas isso não ocorreu, felizmente.</p>
<p>No último dia 28, no encerramento das comemorações dos 79 anos do Conservatório de Música de Sergipe, Marília Teixeira e Sabino Martemucci interpretaram Violeta e Alfredo. <span class="sigijh_hlt">Cantaram apenas o intróito “Libiamo ne’ lieti calici” (de cuja letra extraí a epígrafe deste artigo e que marca o momento em que Alfredo faz um brinde à vida) mas foi suficiente para lembrar daquele momento em que, no balcão do Atheneu, me senti enlevada pela forma dramática e poética com que a vida estava ali representada.  </span></p>
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<p>___________________</p>
<h2>La traviata</h2>
<p>Inspirada no romance A dama das Camélias, de Alexandre Dumas, filho (1848), La traviata (1853), que pode ser traduzida por “a mulher caída”, conta a história de Violeta Valéry, uma dama de companhia que se apaixona pelo nobre Alfredo Germont. Depois de altos e baixos, o relacionamento se deteriora, assim como a saúde de Violeta, que morre de tuberculose. A história é dividida em três atos.</p>
<p>O tenor e doutor em Ópera e canto Sabino Martemucci, que dirigiu La traviata três vezes, não considera esta a melhor obra de Verdi. No entanto, reconhece o lugar que ela ocupa no imaginário popular, pois o enredo se vale de aspectos emocionais do ser humano. “Nessa obra há paixão, amor, ardil, romantismo, humilhação, luxo, alegrias, tristeza e doença. Os aspectos sócio-políticos são evidentes e destacam-se pela diferença de níveis sociais de Violeta e Alfredo”, analisa.</p>
<p>O libreto, de autoria de Francesco Piave, é parecido com o romance, que tem muitos elementos autobiográficos. Dumas, como autor realista, faz alusão aos valores burgueses mostrando a hipocrisia da sociedade, que só aceita o relacionamento entre uma cortesã em um nobre desde que ele não ultrapasse certos limites pré-estabelecidos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>__________________</p>
<h2>Produção</h2>
<p>Primeira e única montagem de uma ópera em palco sergipano, a ideia partiu de Rosalina Xavier de Almeida Barreto, que criou a SIC Produções com o intuito de inserir no estado eventos relacionados à música clássica.</p>
<p>Antes da montagem da ópera, a produtora fez uma espécie de prévia: um Duo Camerístico com o maestro Larry Fountain, do Rio de Janeiro e o tenor sergipano Francisco Bento. O público lotou o Teatro Atheneu, demonstrando interesse pelo clássico. “Este estímulo nos levou a dar próximo passo e, apesar de todas as dificuldades, decidimo-nos por trazer La traviata”, explica Rosalina, cuja produtora tinha como objetivo colocar Sergipe no cenário cultural nacional.</p>
<p>Para isso, também foi criada na época uma Oficina de Ópera, que seria um núcleo de produção de futuros espetáculos, já vislumbrando, na época, a inauguração do Teatro Tobias Barreto.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>João Ribeiro e Sílvio Romero: dois gigantes sergipanos e suas efemérides </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Nov 2024 11:13:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[efemérides]]></category>
		<category><![CDATA[escritores]]></category>
		<category><![CDATA[gigantes]]></category>
		<category><![CDATA[intelectuais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; A rua é um fator de vida das cidades, a rua tem alma! (&#8230;)   A rua é a transformadora das línguas.   A rua continua matando substantivos,   transformando a significação dos termos,   impondo aos dicionários as palavras que inventa,   criando o calão que é o patrimônio   clássico dos léxicons futuros”.   João do Rio, &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>A rua é um fator de vida das cidades, a rua tem alma! (&#8230;)  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A rua é a transformadora das línguas.  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A rua continua matando substantivos,  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>transformando a significação dos termos,  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>impondo aos dicionários as palavras que inventa,  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>criando o calão que é o patrimônio  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>clássico dos léxicons futuros”.  </em></p>
<p style="text-align: right;">João do Rio, <strong>A alma encantadora das ruas</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">C</span>hama a minha atenção o encontro entre a avenida João Ribeiro e a rua Sílvio Romero, no bairro Santo Antônio. Esses proeminentes sergipanos de Laranjeiras e Lagarto, respectivamente, foram amigos em vida e continuam juntos na posteridade, em confábulo, quiçás tendo a colina como confidente.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Compendio-de-Historia-da-Literatura-Brasileira-SR-e-JR-1906.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-82531 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Compendio-de-Historia-da-Literatura-Brasileira-SR-e-JR-1906-205x300.jpg" alt="" width="177" height="259" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Compendio-de-Historia-da-Literatura-Brasileira-SR-e-JR-1906-205x300.jpg 205w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Compendio-de-Historia-da-Literatura-Brasileira-SR-e-JR-1906.jpg 341w" sizes="auto, (max-width: 177px) 100vw, 177px" /></a></p>
<p>São 90 anos da morte de João Ribeiro e 110 da de Sílvio Romero. Datas redondas que pedem uma reflexão acerca do lugar que ocupam na crítica literária e na historiografia. Vou à página da Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual eram membros, mas encontro uma referência apenas à efeméride de João Ribeiro. Estou enganada ou, já quase em dezembro, estas datas passarão em branco?</p>
<p>Recém chegado ao Rio de Janeiro, João Ribeiro confiou a Sílvio Romero a leitura de Idílios modernos, seu primeiro livro de poemas, cuja crítica saiu na Revista Brasileira em 1881. <span class="sigijh_hlt">Juntos, publicariam alguns anos depois o Compêndio de História da Literatura Brasileira (1906), pela editora Francisco Alves</span>. Ambos participaram ativamente da vida literária brasileira, contribuindo para o debate em vários campos do conhecimento. Neste texto, porém, vou me restringir ao laranjeirense. Oportunamente me dedicarei a Sílvio Romero.</p>
<h4><strong>Multifacetado</strong></h4>
<p>João Ribeiro (1860-1934) foi poeta, filólogo, poliglota, tradutor, historiador, gramático, jornalista, pintor, músico, professor e folclorista. Era considerado um gênio por muitos de seus contemporâneos. O historiador e memorialista Brito Broca, em <em>A vida literária no Brasil &#8211; 1900</em> (José Olympio Editora), cita-o inúmeras vezes, demonstrando o seu trânsito entre os demais literatos e intelectuais, os debates e polêmicas nas quais se envolvia (não tantas, porém, quanto Sílvio Romero) e o respeito que se tinha por ele.</p>
<figure id="attachment_82805" aria-describedby="caption-attachment-82805" style="width: 350px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Transforme-clientes-em-fas-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-82805" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Transforme-clientes-em-fas-2-300x200.png" alt="A avenida João Ribeiro e a rua Sílvio Romero" width="350" height="233" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Transforme-clientes-em-fas-2-300x200.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Transforme-clientes-em-fas-2-310x205.png 310w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Transforme-clientes-em-fas-2.png 600w" sizes="auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82805" class="wp-caption-text">Fotos: Saullo Vilela</figcaption></figure>
<p>Era um classicista que buscava manter-se com a mente aberta para a modernidade. Nem sempre foi uma luta fácil, como se pode observar em sua biografia. No entanto, como gramático e filólogo, defendia uma língua nacional. Foi defensor do Acordo Ortográfico de 1907 encabeçado pela ABL. Não à toa João do Rio dedica-lhe A alma encantadora das ruas. Ambos sabiam muito bem que “a rua é a transformadora das línguas” e que o léxico de Portugal já se distanciava, e muito, do nosso.</p>
<p>Foi ao sair da rua São João que me dei conta do encontro. Com o amigo e fotógrafo Saulo Villela, retorno num sábado à tarde para fazer o registro dos nomes nas placas. Há muito não experimentava a placidez das ruas do centro e da zona norte num dia ‘inútil’, ou seja, num fim de semana. O movimento silencioso (onde estão as pessoas?) das ruas contribui para o ar melancólico que caracteriza a cidade. Sim, Aracaju é melancólica.</p>
<p>O passo seguinte foi ir à Casa de Cultura João Ribeiro, em Laranjeiras, onde estive pela primeira vez quando era universitária. Percorri os seus generosos cômodos e me debrucei sobre uma das seis janelas frontais que dão para uma quase ladeira estreita e caudalosa. Assim como em Aracaju, em que a avenida que tem seu nome está no entorno da rua São João (nasceu no dia 24 de junho, por isso foi batizado com o nome desse santo), também na sua cidade natal, a rua onde nasceu e leva o seu nome está ligada a essa data, tendo sido campeã do concurso de ornamentação dos festejos juninos no ano de 1993.</p>
<p>Com a biografia João Ribeiro, <em>Sempre</em>, de Núbia Marques (Editora da Universidade Federal de Sergipe – Edufs, 1996), em mãos, percorremos a cidade. O que sobressai da sua personalidade, segundo Marques, é ter demonstrado a capacidade de rever as suas opiniões críticas em relação às obras autores que em um primeiro momento foram recepcionadas negativamente por ele. É muito difícil julgar os contemporâneos, pois a crítica carece do distanciamento temporal. Além disso, os sentimentos em relação ao outro podem interferir no julgamento.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82802 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14.png" alt="casa de cultura João Ribeiro" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p><span style="color: #2b2b2b; font-size: 16px;">Apesar das minhas ressalvas com relação a esse livro, tenho muito carinho pelo trabalho da escritora e pesquisadora Núbia Marques. E também porque o livro passou pela equipe de revisão coordenada por Antônio Carlos Viana, da qual eu fazia parte como estagiária. Na época, a Edufs funcionava na Praça Camerino (atualmente, sedia a 5ª Vara da Justiça Federal), onde também tive o privilégio de integrar a equipe do professor João Costa, de quem tinha sido aluna.</span></p>
<p>Órfão de pai, João Ribeiro foi educado pelo avô, admirador do escritor português Alexandre Herculano e que também inspirou o jovem em formação. Estudou no Colégio Ateneu e na Faculdade de Medicina de Salvador, mas não concluiu esse curso. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se matriculou na Escola Politécnica. Entre outras atividades, foi professor de História Universal do Colégio Pedro II, ao mesmo tempo em que colaborava para diversos jornais (muitas vezes sob os pseudônimos de Xico-Late, Nereu e Rhizophoro) e escrevia gramáticas e livros de história, obras didáticas consideradas best-sellers para a época. A sua percepção da História não era factual, mas científica. Viajou bastante pela Europa, detendo-se durante algum tempo na Alemanha, onde reforçou a sua ligação com a cultura germânica.</p>
<p>O escritor Humberto de Campos, de quem falei na minha última coluna, cujo título é <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/amizades-vegetais-humberto-de-campos-e-seu-amigo-cajueiro/" target="_blank" rel="noopener">&#8220;Amizades vegetais – Humberto de Campos e seu amigo cajueiro&#8221;</a></span></strong>, quando da sua morte em 1934, referiu-se a ele de maneira muito afetuosa: “Com João Ribeiro caiu o jequitibá do sertão”. De árvores o autor maranhense entendia: o jequitibá é forte, gigante, resistente e longevo. Ironicamente, João Ribeiro morreu na rua da Laranjeiras, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Subimos a colina do Santo Antônio. Ali, onde a cidade começou, podemos ver as transformações da paisagem, alteradas sobretudo pela ponte Aracaju-Barra. Olho para o centro e de lá se destacam, quase se deslocando do chão, o Maria Feliciana. Pouco depois, o edifício fantasma do INSS. Para além destes, muitos prédios erguidos ao longe. A cidade, porém, continua predominantemente horizontal. Um vento sussurrante chega à colina quebrando o silêncio daquela tarde.</p>
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