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Por Manuel Luiz Figueiroa (*)

 

O comportamento de rezar e a prática da caridade são caminhos que nos levam à conexão com o divino. Através da oração, nos aproximamos do Criador, permanecendo no templo da existência e exercitando atividades humanas que têm como objetivo o bem-estar do próximo, o que nos conecta ao sagrado. Um sorriso, um olhar, uma palavra amiga, um abraço fraterno e tantos outros gestos são formas de estabelecer essa conexão.

O ato de dar o que de graça recebemos é a compreensão de que os bens acumulados de nada servirão ao final da missão terrena. O ato de compartilhar o que se tem é muito mais significativo do que simplesmente ceder os excedentes. O acúmulo de bens e riqueza material, que muitos tornam prioridade de vida, só faz sentido se estiver a serviço de todos.

A vida começa com a concepção e, por nove meses, permanece no ventre materno, preparando-se para o momento mágico do nascimento, quando se inicia a caminhada que, com certeza, terá um final, pois quem nasce, morrerá. Três são as fases da vida: nascimento, trajetória e morte. Das três fases, nascimento e morte já estão determinadas; no entanto, o caminhar é o que define a rota a ser seguida, e, sem dúvida, é a parte mais difícil.

Por que a jornada do ponto N, nascimento, ao ponto M, morte, apresenta tantas pedras no caminho, dificultando a rota reta que encurtaria o tempo de percurso? A conclusão imediata é que nenhum ser humano deseja chegar rapidamente a este ponto M de destino.

As pedras no caminho, que trazem momentos de dificuldade, devem ser encaradas como uma necessidade de desvio da rota planejada, da mesma forma que um piloto de aeronave se afasta das cumulus nimbus, CB, nuvens perigosas para a aviação. Assim, os problemas que enfrentamos ao longo da vida devem ser considerados como desafios, que, quando superados, nos fortalecem para os que virão, assim como o piloto ganha habilidade ao contornar nuvens perigosas.

Portanto, as pedras do caminho — doenças, incompreensões, discordâncias etc. — devem ser encaradas com naturalidade e aceitas como sinais de que uma mudança de rota se faz necessária. Não se deve entender a utilização de atalhos como uma fuga diante das dificuldades, mas sim como uma estratégia para um bom combate a ser travado ao longo da vida.

A natureza costuma dar lições: em caso de chuvas fortes com relâmpagos, procure abrigo; se estiver na cidade, busque um prédio com para-raios; se no campo, prefira o banho de chuva à copa de uma árvore.

A vida é uma dinâmica do caminhar, e esse processo de aprendizado acumula conhecimentos, exigindo a continuidade da obra através da sua divulgação. O conhecimento, em todas as áreas, precisa ser compartilhado. Que a caminhada da humanidade se transforme em uma escola com a função de ensinar e aprender.

Entenda que o processo da vida é um caminhar solitário, e aprender com exemplos alheios e com seus próprios erros o tornará mais forte em sua solidão. Siga em frente, contorne montanhas, retroceda se necessário, e melhore sua percepção de ser humano para garantir dignidade na chegada ao ponto M de destino.

 

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Manuel Luiz Figueiroa

Professor Manuel Luiz Figueiroa é mestre maçom da Loja Maçônica Clodomir Silva e integrante da Academia Maçônica Sergipana da Artes, Ciências e Letras.

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