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Café ainda engatinha em Sergipe, mas avança com novos produtores

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No Dia Mundial do Café, celebrado nesta data, um levantamento inédito da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) revela que a cafeicultura no estado ainda está em estágio inicial, mas já começa a desenhar um cenário promissor. O primeiro Censo da Cafeicultura, realizado em 2025, identificou plantios em 17 municípios e trouxe à tona uma atividade até então invisível nas estatísticas oficiais, abrindo caminho para políticas públicas e organização produtiva.

Jean Carlos Nascimento, diretor de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa da Emdagro / Foto: Ascom Seagri

De acordo com o diretor técnico da Emdagro, Jean Nascimento Ferreira , o objetivo do levantamento foi justamente evitar que o crescimento da cultura ocorra de forma desordenada. “Sergipe está engatinhando. A gente percebeu que havia distribuição de mudas sem orientação, com risco de prejuízo futuro. Por isso, fomos identificar onde estava sendo plantado, para acompanhar e orientar”, explicou.

Segundo ele, a preocupação surgiu após a constatação de que produtores estavam perdendo mudas por falta de irrigação e manejo adequado. “O café é exigente em água. Em muitos locais, sem irrigação, a planta não resiste. Além disso, havia o risco de uso de variedades inadequadas, o que poderia comprometer a produção no futuro”, afirmou.

O censo mapeou 37 propriedades, somando cerca de 20,7 mil plantas em pouco mais de 20 hectares. A produção é majoritariamente familiar e de pequena escala, com predominância do café arábica, especialmente das variedades Catuaí Amarelo e Catuaí Vermelho. Apesar disso, nenhum dos produtores conta atualmente com assistência técnica estruturada, o que reforça a necessidade de políticas de apoio.

A Emdagro já planeja uma atualização do levantamento ainda este ano. “A gente quer acompanhar de perto, porque há previsão de expansão, principalmente no sul e centro-sul do estado. Em novembro e dezembro vamos atualizar os dados para entender como essa cultura está evoluindo”, destacou Jean.

Produção experimental

Luiz Henrique, produtor de café

Entre os produtores que apostam na cultura está o empreendedor rural Luiz Henrique Cunha Andrade, que cultiva café em sistema agroflorestal no interior do estado. Para ele, o plantio surgiu como consequência de um modelo produtivo sustentável. “O café se encaixou bem porque é uma planta que se adapta ao sombreamento. Aqui a gente trabalha com várias culturas juntas, sem uso de insumos químicos, e o objetivo é produzir um café orgânico e agroflorestal”, explicou.

O cultivo começou de forma experimental há cerca de três anos, mas já há planos de expansão. A expectativa é chegar a aproximadamente um hectare plantado, com cerca de três mil mudas. Mesmo assim, a proposta não é produção em larga escala. “Não é um café para supermercado. A ideia é agregar valor, vender com marca própria e oferecer a experiência para quem visitar o sítio”, disse.

Além do café, o produtor mantém outras culturas e aposta no turismo rural como complemento de renda, mostrando um modelo diversificado que pode ser caminho para a agricultura familiar no estado.

Do consumo ao negócio

Heuller Roosewelt

Na outra ponta da cadeia, o café também tem impulsionado novos negócios urbanos. O empresário Heuller Roosewelt Silva Melo decidiu investir no setor  e montou a cafeteria Barba de Caju após descobrir o universo dos cafés especiais. “Eu sempre tive contato com café, mas só passei a gostar de verdade quando conheci o café especial. Antes era só uma bebida amarga. Depois disso, virou paixão”, contou.

A mudança de percepção levou à abertura de uma cafeteria, inicialmente como complemento à venda de produtos artesanais. “A gente participava de feiras com biscoitos e levava café. Sempre acabava tudo. Um puxava o outro. Foi aí que decidimos abrir o espaço e focar na bebida”, relatou.

O negócio, inaugurado recentemente em Aracaju, reforça o potencial de crescimento do mercado consumidor local, que começa a valorizar qualidade e experiência.

Apesar dos desafios — como falta de assistência técnica, baixa tecnificação e ausência de mercado estruturado —, o diagnóstico da Emdagro aponta que a cafeicultura pode se consolidar como alternativa de renda em Sergipe.

Experiências como o plantio consorciado e iniciativas empreendedoras indicam que, com planejamento e apoio, o café pode deixar de ser uma cultura incipiente para ocupar espaço relevante na diversificação da produção agrícola do estado.

O café é a segunda bebida mais consumida no mundo, perdendo apenas para a água. É o segundo produto mais comercializado globalmente, atrás apenas do petróleo. No Brasil, Minas Gerais é o estado que lidera a produção nacional

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Antônio Carlos Garcia

CEO do Só Sergipe

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