Professor Josenito: “Além de estimular o consumo, o recurso pode ser usado estrategicamente para sair do vermelho"
Mais de 340 mil aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Sergipe começaram a receber a antecipação do 13º salário desde o último dia 25 de abril e prossegue até 7 de junho. A medida vai injetar aproximadamente R$ 318 milhões na economia do estado, impulsionando o consumo, fortalecendo o comércio e contribuindo para o pagamento de dívidas, especialmente nos municípios do interior, onde boa parte da renda circulante vem dos benefícios previdenciários.
Em todo o Brasil, o governo federal estima que a antecipação do 13º salário do INSS injete aproximadamente R$ 73 bilhões na economia até o mês de junho. O pagamento, que normalmente acontece no segundo semestre, foi antecipado como medida para estimular a atividade econômica e mitigar os efeitos da inflação sobre itens essenciais.
O economista e professor da Universidade Tiradentes (Unit), Josenito Oliveira, destaca que o impacto é ainda mais forte em cidades pequenas, onde o benefício pode representar a principal fonte de renda familiar.
“Como cerca de 70% dos aposentados recebem até um salário-mínimo, esse dinheiro tende a ser usado principalmente para alimentação, saúde e pagamento de dívidas. Isso movimenta o comércio local, favorece a geração de empregos temporários e fortalece os serviços”, explica.
Segundo ele, mesmo sendo uma ação pontual, a antecipação gera efeitos relevantes no curto prazo. “Em muitos municípios do interior, a economia gira em torno da aposentadoria. Esse tipo de medida traz fôlego para o mercado local e aumenta a arrecadação municipal por meio de impostos como o ISS e o ICMS.”
A liberação dos valores segue cronograma escalonado, com base no número final do benefício. Os primeiros a receber foram os segurados com renda de até um salário mínimo. A segunda parcela será paga entre os dias 26 de maio e 7 de junho, também de forma escalonada.
O economista afirma que cerca de 377 setores da economia serão impactados positivamente. “Esse recurso, que normalmente só entra no orçamento no fim do ano, está sendo disponibilizado agora para estimular a economia ainda no primeiro semestre. É uma forma de compensar a perda de poder de compra da população com os efeitos da inflação”, afirma Josenito.
Apesar do estímulo, ele alerta que o impacto inflacionário deve ser pequeno. “Pode haver uma leve pressão sobre os preços, mas sem risco de descontrole. E o Banco Central tem instrumentos para conter eventuais oscilações, se necessário.”
Josenito orienta os beneficiários a agirem com planejamento e cautela. Para quem tem dívidas, o ideal é utilizar o valor para quitá-las. Já quem está com as finanças equilibradas pode aproveitar para formar uma reserva de emergência.
Ele sugere a aplicação da regra do “4-3-2-1” para organizar o uso do recurso:40% para necessidades básicas (alimentação, moradia); 30% para contas fixas mensais; 20% para poupança de emergência; 10% para lazer.
Com cerca de 70% das famílias brasileiras endividadas, a antecipação do 13º salário representa também uma oportunidade para reorganizar o orçamento doméstico.
“Além de estimular o consumo, o recurso pode ser usado estrategicamente para sair do vermelho. E é importante lembrar que o começo do próximo ano traz novas despesas. Usar esse dinheiro agora com inteligência evita problemas financeiros futuros”, conclui o economista.
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