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Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)

 

Esses dias recebi, logo cedo, uma mensagem do amigo Luiz Fernando Linhares, colega dos bancos da faculdade de Agronomia, coisa de quase cinquenta anos. Luiz Fernando perguntava como iam as coisas: “Como está a vida nesses dias de mar revolto da política?”

Enquanto tomo café da manhã, a tela da TV cospe as notícias do dia: guerras pelo mundo, corrupção de novos políticos e gestores, violência urbana, feminicídios em diferentes cidades desse imenso Brasil. Ministros do Supremo, em suprema desfaçatez, se lambuzando por vaidades e desatinos.

Viver não é para os fracos. “O que a vida quer da gente é coragem”, cito João Guimarães Rosa em “Grande Sertão: Veredas”. Cresci ouvindo minha mãe, Maria da Conceição, dizer, todas as vezes que alguém lhe contava algo inusitado: “Cada dia com sua agonia”. Haja agonia a cada dia. Se viva fosse, minha mãe veria que a agonia agonizou ainda mais.

Dentre as diferentes crises que vivemos e vivenciamos, uma em particular explica a que pontos chegamos. Não temos mais estadistas no mundo. São todos mequetrefes, homens e mulheres despreparados que nos dirigem. Que se apequenam diante das adversidades que o momento exige. Não têm olhar de futuro.

Não fazem Política, com P maiúsculo, mas politicagem rasteira, para se manterem no poder. Custe o que custar. O último estadista que o mundo teve foi uma mulher, a ex-chanceler alemã (2005-2021), Angela Dorotheia Merkel.

Como exemplo, cito: quando a Segunda Grande Guerra acabou na Europa, em 1945, com o mundo destroçado, precisando ser reconstruído, foi criado o Plano Marshall americano (1947-1951), que forneceu bilhões para reconstruir a infraestrutura dos países afetados. Os Acordos de Bretton Woods (1944) definiram o sistema financeiro internacional do pós-guerra, com a criação do FMI e do Banco Mundial. A Carta das Nações Unidas (1945) estabeleceu a ONU, com o objetivo de promover a paz internacional e evitar novos conflitos globais. Em tese, o acordo de Bretton Woods tinha como principais objetivos promover a cooperação econômica, facilitar o comércio internacional, padronizar as políticas cambiais e construir um sistema financeiro multilateral entre os países. À frente havia homens: Harry Truman, 33° presidente americano, e George Catlett Marshall, secretário de Estado dos EUA.

Os mesmos EUA que ajudaram a reerguer o mundo após a Segunda Grande Guerra Mundial estão a destroçá-lo, tendo à frente um doidivana alaranjado, mercurial e irascível.  Estamos à deriva em mar revolto sem boia salva-vida. Tudo está fora da ordem mundial.

Com sua metralhadora giratória, o iracundo Donald Trump, que não aceita críticas, sobrou até para o Papa Leão XIV, que ainda não mostrou a que veio. Em uma entrevista a bordo do Air Force One, chamou o pontífice de “fraco” e “muito liberal”. E, para completar a sandice, Donald Trump publicou em suas redes sociais uma figura produzida por IA simulando ser Jesus Cristo. Desrespeito e heresia. Mas exigir respeito de Trump é querer demais.

O comportamento errático e as declarações extremas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas últimas semanas reacenderam o debate sobre sua saúde mental — uma discussão que o acompanha desde que entrou na cena política nacional, há uma década. Falas desconexas, difíceis de acompanhar e, por vezes, carregadas de termos ofensivos culminaram na ameaça de que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, ao se referir ao Irã na semana passada, e em um ataque contundente ao Papa Leão XIV no domingo, a quem chamou de “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. As declarações deixaram muitos com a impressão de um líder desequilibrado. As sandices de Trump seriam engraçadas se atingissem apenas seus leitores e adoradores, mas não. São perversas e destruidoras.

Definitivamente, estamos vivendo e vivenciando tempos esdrúxulos.

Senhor Deus, tenha piedade de nós.

 

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Luiz Thadeu Nunes

Engenheiro Agrônomo, jornalista, escritor e globetrotter. Autor do livro “Das muletas fiz asas”. E-mail: luiz.thadeu@uol.com.br

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