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	<title>Arquivo para prosa - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>De prato e copo com Charles Dickens</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/de-prato-e-copo-com-charles-dickens/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Sep 2024 11:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Se comes, tu bebes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; O homem tem sua parte animal, que é o que o traz de volta à realidade. Mas o que havia para comer? Onde e como? O Homem que Ri, Victor Hugo   Tem de beber comigo antes de ir; Creio poder saudá-lo nesta casa, Onde é provável que tenhamos &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fde-prato-e-copo-com-charles-dickens%2F&amp;linkname=De%20prato%20e%20copo%20com%20Charles%20Dickens" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fde-prato-e-copo-com-charles-dickens%2F&amp;linkname=De%20prato%20e%20copo%20com%20Charles%20Dickens" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fde-prato-e-copo-com-charles-dickens%2F&amp;linkname=De%20prato%20e%20copo%20com%20Charles%20Dickens" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fde-prato-e-copo-com-charles-dickens%2F&amp;linkname=De%20prato%20e%20copo%20com%20Charles%20Dickens" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fde-prato-e-copo-com-charles-dickens%2F&#038;title=De%20prato%20e%20copo%20com%20Charles%20Dickens" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/de-prato-e-copo-com-charles-dickens/" data-a2a-title="De prato e copo com Charles Dickens"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>O homem tem sua parte animal, que é o que o traz de volta à realidade. Mas o que havia para comer? Onde e como?</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>O Homem que Ri, Victor Hugo</strong></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong> </strong></em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Tem de beber comigo antes de ir;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Creio poder saudá-lo nesta casa,</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Onde é provável que tenhamos festa.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>A Megera Domada, William Shakespeare</strong></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong> </strong></em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A sociedade vitoriana encontra em Charles Dickens o seu retrato.</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Cultura Geral, Dietrich Schwanitz</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>inguém é, decerto, obrigado a ler o que não gosta, o que não lhe causa interesse algum. E é sobre ler Literatura (Literatura literária, bem entendido) que estou a dizer. Este ou aquele título, este ou aquele autor, na minha perspectiva, não têm de ser de leitura impreterível, inescusável&#8230;</p>
<p>Salvo em momentos técnicos e estratégicos, quando há de se ler o que é para ler, sem negociação, melhor ler o que é de gosto, o que atrai e fascina. Estou de acordo com tal premissa e ponto.</p>
<p>Entretanto, ou talvez por isso mesmo, se o sujeito deseja fazer parte do universo literário, dispondo de mais alicerce e estofo, faz-se, creio, sensato e ajuizado deitar atentos olhos sobre as linhas escritas pelos gênios da narrativa. Sim, entra neste balaio a poesia, também, como contraponto da prosa. Mas é em nome da prosa, do texto corrido, que me ponho, hoje, a adubar as caraminholas.</p>
<p>Para tanto, selecionei um autor, o qual, se não é unanimidade (torço para que não o seja), detém alto poder como referência. Estou a apresentar a você, improvável leitor, Charles Dickens.</p>
<p>Motivo? O homem, além de competentíssimo escritor, era um gourmand, vale dizer, amava a boa mesa.</p>
<p>E tal amor, tal apreço, tal preferência refletiam-se em sua maravilhosa produção literária.</p>
<p>Comecemos por uma das suas obras mais populares: “Um Conto de Natal”. Valho-me, para este desiderato da edição publicada, em português, pela L&amp;PM Pocket, acho que de 2004.</p>
<p>Ali, pela página 14, lê-se: “O prefeito, em sua poderosa prefeitura, dava ordens a seus cinquenta cozinheiros e empregados, para garantir que o Natal fosse comemorado com toda a fartura que merecia a casa oficial. E até o alfaiate, que havia sido multado por andar bêbado pelas ruas, preparava a massa para o bolo de Natal em sua pequena casa, enquanto sua esposa magrela saía com o filhinho para comprar carne”.</p>
<p>Fartura&#8230; Ou, pelo menos, um bolo e um pouco de carne. Quem conhece o natalino conto sabe que este trecho é um implacável, um cruel contraponto com um trecho anterior. Inverti a ordem para que vossas senhorias tenham uma ideia mais clara, se assim posso dizer.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Leiamos portanto:</p>
<figure id="attachment_80804" aria-describedby="caption-attachment-80804" style="width: 180px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.36.35.jpeg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-80804" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.36.35-180x300.jpeg" alt="" width="180" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.36.35-180x300.jpeg 180w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.36.35.jpeg 300w" sizes="(max-width: 180px) 100vw, 180px" /></a><figcaption id="caption-attachment-80804" class="wp-caption-text">Capa do livro</figcaption></figure>
<p>“<strong>Cavalheiros beneficentes</strong> – Estamos tentando recolher fundos para dar algo de comer e beber para os pobres, e o mínimo para que possam se aquecer, porque estamos convencidos de que essas instituições têm muito pouco a dar para aliviar as necessidades da mente e do corpo dessa gente. Escolhemos esta época do ano porque, entre todas, é aquela na qual a Necessidade mais se faz sentir duramente e a Abundância tem mais prazer em dividir. Qual será a sua contribuição? Que quantia posso colocar em seu nome?</p>
<p><strong>Scrooge</strong> – Nenhuma.</p>
<p><strong>Cavalheiros beneficentes</strong> – Prefere que o seu nome não apareça?</p>
<p><strong>Scrooge</strong> – Prefiro que me deixem em paz. Já que os senhores querem saber o que penso, eis minha resposta: não festejo o Natal e não me dou ao luxo de alegrar vagabundos. Contribuo para o sustento das instituições de que falei antes, e isto é o bastante. Quem estiver passando necessidade, que procure por elas.</p>
<p><strong>Cavalheiros beneficentes</strong> – Muitos não podem fazer isso, e outros preferem a morte.</p>
<p><strong>Scrooge</strong> – Que morram. Ajudarão, ao menos, a evitar o excesso da população. E além do mais, desculpem, mas estou me lixando para tudo isso”.</p>

			</div></div>
<p>Nada agradável, pois. Dickens amava comer. E seu amor gastronômico era uma resposta ao tempo, quando criança e adolescente, em que passou fome. Quando teve de sustentar a família, aos doze anos, numa fábrica de graxa.</p>
<p>Seu pai se endividava frequentemente. Por isso foi condenado à prisão. Alguns pesquisadores afirmam que, não somente o pai, mas, toda a família, exceto Dickens e uma irmã, foi sentenciada. Passou um ano na “Prisão Para Devedores”, em Marshalsea, por uma dívida de quarenta libras e dez xelins a um padeiro.</p>
<p>Dickens foi encarregado da tarefa de fazer dinheiro para sua família endividada.</p>
<p>O futuro escritor já era sensível à percepção estética do mundo, criança inteligente, e que já havia demonstrado ser criativa. Submeter-se às duras condições de um trabalho desta natureza, era para que perdesse todas as esperanças. Quase aconteceu isso. Mas, e eis o paradoxo, a terrível experiência o levou a definir sua personalidade, sua visão diante das contradições inerentes à vida em sociedade.</p>
<p>Dickens tinha um especial e bem proporcionado talento para defender o homem comum em suas histórias, sem resvalar para o panfletarismo militante, um estilo de escrita que eventualmente ficou conhecido como dickensiano. Seus romances despertam compaixão pelos sobrecarregados e mal pagos. Tendo vivido tempos difíceis, Dickens equiparou comida e bebida à abundância, à realização, à felicidade, sentimentos evidenciados em quase todas as histórias que escreveu.</p>
<p>Recordemo-nos de que Charles John Huffam Dickens veio ao mundo em 1812, na movimentada cidade portuária de Portsmouth, Inglaterra. Nasceu em meio ao cenário das Guerras Napoleônicas e cresceu em um ambiente repleto de incertezas domésticas e grandes convulsões globais.</p>
<p>Suas experiências durante seus anos de formação, especialmente a prisão de seu pai e seu período na fábrica de graxa, haviam marcado nele uma empatia palpável pelos oprimidos.</p>
<p>Não é meu propósito, no momento, neste artigo, de desenvolver uma tese socioeconômica a partir dos escritos de Dickens. O assunto aqui é comida e bebida. Mas dar uma ideia do cenário não será de todo mau. Quem já leu Dickens sentir-se-á em casa. Quem não o fez talvez se sinta tentado.</p>
<p>Voltemos ao Conto de Natal.</p>
<p>Ao ser guiado pelo “Espírito dos Natais Passados”, Scrooge volta no tempo e se encontra, de repente, diante de uma “sombria casa de tijolos vermelhos, com uma pequena torre com um catavento em cima e um sino dependurado. Era uma casa grande, mas parecia em ruínas”.</p>
<p>Neste lugar o avarento reencontra sua alegre irmã, Fanny. Ela o saúda de forma efusiva. É pura felicidade. Repentinamente, “o diretor da escola apareceu em pessoa, olhando o jovem Scrooge com uma condescendência feroz, deixando-o atordoado com seu aperto de mão. Em seguida, levou os dois até a sala mais velha e gelada que havia, onde até os mapas nas paredes e os globos celeste e terrestre, perto da janela, pareciam congelados de frio. Ali, desencavou uma garrafa de um vinho muito suave e fatias de um bolo muito pesado e ofereceu-os em pequenas porções a cada um dos jovens. Ao mesmo tempo, mandou que uma empregada franzina oferecesse um copo de “qualquer coisa” ao cocheiro, que agradeceu muito, dizendo que preferia não tomar nada”.</p>
<p>Sim, aos alunos, “vinho muito suave”; ao cocheiro, “qualquer coisa”. E o cocheiro, em sua dignidade, recusa o copo. Eis Charles Dickens em toda sua perspicácia e elegância no narrar.</p>
<p>Ainda em “Um Conto de Natal”, mais adiante, lemos (diria quase assistimos, quase vemos, dados os detalhes, a riqueza da descrição) o trecho em que é descrito o encontro de Scrooge com o imenso “Espírito do Natal”. O avarento havia ouvido um chamado. Seguindo a voz, chegou ao próprio quarto: “Era seu próprio quarto, não havia a menor dúvida, mas tinha sofrido uma transformação surpreendente. As paredes e o teto estavam tão cobertos de vegetação que mais parecia um bosque, com frutinhas coloridas brilhando por toda parte. As folhas verdes do azevinho e da hera refletiam a luz, como se fossem cacos de espelho espalhados por todos os lados. Um fogo potente ardia na lareira, tão forte como jamais aquela triste construção de pedra havia visto, nem na época de Scrooge nem na de Marley, ou em inverno algum do passado. Empilhados no chão, na forma de um trono, havia perus, gansos, caças, aves, pernis, grandes pedaços de carne, leitões, longas tripas de linguiça, pastelões de carne, pudins de ameixa, barris de ostras, castanhas assadas, maçãs vermelhas, laranjas suculentas, peras apetitosas, imensas tortas natalinas e vaporosas poncheiras que perfumavam a peça com um cheiro delicioso”.</p>
<p>O que Dickens nos oferece nesta curta passagem? Um qualificadíssimo rol de itens comestíveis. Atentemo-nos: são comidas da época. Era o que se comia, desde que se tivesse condições materiais para tanto.</p>
<p><span class="sigijh_hlt"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05.jpeg"><img decoding="async" class=" wp-image-80806 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05-300x300.jpeg" alt="" width="379" height="379" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05-300x300.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05-1024x1024.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05-150x150.jpeg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05-768x768.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-19-at-08.56.05.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 379px) 100vw, 379px" /></a>Hum&#8230; Se comes, tu bebes&#8230;</span></p>
<p>Vou citar o vinho. Porém, antes é preciso fazer jus ao paladar etílico de Dickens. Sua bebida preferida era o Gin Punch. E ele elaborou sua própria receita. Gostava muito mesmo. Em cartas, chegou a firmar que tomaria desta mesma bebida durante noventa anos.</p>
<p>Como observa David Wondrich, uma das maiores autoridades do mundo na história do coquetel e um dos fundadores do movimento moderno de coquetéis artesanais: “poucas coisas são mais dickensianas do que uma tigela de ponche. Um grande amante de bebidas, Dickens combinou ingredientes com rara competência. Temos, sempre que bebermos sua mistura, termos consciência de que estamos bebendo o Ponche de Charles Dickens”.</p>
<p>Em “Um Conto de Duas Cidades” lemos: “Aqueles eram dias de muita bebida e a maioria dos homens bebia além da conta. Tão grande foi o progresso que o tempo trouxe em relação a tais hábitos, que qualquer estimativa moderada da quantidade de vinho e ponche, que um homem engoliria, no decurso de uma noite, sem detrimento de sua reputação de perfeito cavalheiro, pareceria, nos dias de hoje, um ridículo exagero”.</p>
<p>Mais adiante&#8230; “O dia fora de um calor opressivo e, após o jantar, Lucie propôs que o vinho fosse levado para fora sob o plátano, e que se sentassem ali, ao ar livre. Como ela era o eixo em torno do qual tudo girava, eles se acomodaram debaixo da árvore e ela levou o vinho, para especial benefício do senhor Lorry; ela se havia nomeado, algum tempo antes, como guardiã do copo do senhor Lorry. Assim, ali sentados sob o plátano, encarregou-se de mantê-lo sempre cheio”.</p>
<p>Impensável degustar a literatura de Charles Dickens sem levar em consideração as bebidas destiladas e fermentadas. Junto aos pratos: pães com carne de boi ou de porco. Pastéis de carne de carneiro, bolos, cafés, ostras, camarões, língua, vitela, torta de peito de pombo, laranjas e sopas.</p>
<p>Minha opinião crítica sobre a produção literária de Charles Dickens tem e terá sempre algo de apologético. Ciente da minha pequenez, muno-me de cuidados ao comentar a lavra dum gigante. Com eventos, vinhos, gins, ponches, chás, o escritor tece a estética da generosidade com toques gastronômicos devidamente temperados. Tudo na justa medida, não há excessos. Há quem até mesmo diga que “generosidade” é seu sistema filosófico.</p>
<p>O que faz da alta literatura uma alta literatura? Ela é bonita, maravilhosa e induz à constante releitura.</p>
<p>O sucesso de público e de crítica chega até relativamente cedo para Charles Dickens. Sua primeira novela, “As Aventuras do Sr. Pickwick”, foi publicada em fascículos pela Chapman &amp; Hall, de março de 1836 a até novembro de 1837. A primeira edição desta novela vendeu quinhentas cópias, a última, na época, vendeu quarenta mil.</p>
<p>Os títulos de Dickens possuem o poder de comover, de tocar e de transformar. Quando os releio, sinto sempre a vontade de preparar um sanduíche, assar uma costela de porco, beber alguma coisa que tenha a ver, como a cerveja, o vinho, o ponche&#8230; O autor nos convida a beber e comer o que for mais fácil e o que estiver mais à mão no momento em que nos pusermos a correr as páginas de uma das suas extraordinárias obras.</p>
<p>Farei isso, hoje. Exorto ao improvável leitor que tente fazer algo parecido.</p>
<p>Santé</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O estupendo Ziraldo</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-estupendo-ziraldo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Apr 2024 12:44:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
		<category><![CDATA[antropólogo]]></category>
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		<category><![CDATA[Ziraldo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luciano Correia (*) &#160; De vez em quando, a morte de uma pessoa nos impacta e nos impõe a constatação de que estamos cada vez mais pobres de grandes homens e mulheres. Ziraldo é o mais recente dos desaparecidos que nos traz essa sensação. Eu era um garoto que amava a música e a &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/o-estupendo-ziraldo/">O estupendo Ziraldo</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>e vez em quando, a morte de uma pessoa nos impacta e nos impõe a constatação de que estamos cada vez mais pobres de grandes homens e mulheres. Ziraldo é o mais recente dos desaparecidos que nos traz essa sensação. Eu era um garoto que amava a música e a cultura de forma geral e começava a me interessar por política. Foi quando ingressei no curso de Engenharia Química da UFS, aos 18 anos. Logo nos primeiros meses entrei para o movimento estudantil e o Diretório Acadêmico se tornou minha segunda casa. Foi onde entrei em contato com outros discos maravilhosos, autores e livros, e com o semanário Pasquim.</p>
<p>O Pasquim foi o esteio de toda uma geração crítica, aliás, mais que isso, de gente de todas as áreas que na época resistia à ditadura, razão pela qual sofreu sucessivas represálias e levou à prisão alguns dos seus colaboradores. O Pasquim fazia o jornalismo que os jornalões não tinham peito ou interesse em fazer. Por isso, renovou a linguagem dos jornais impressos, influenciando colunas e editorias a serem mais vibrantes, menos chatos e mais independentes em relação ao poder político. E era um esculacho só, do início ao fim. Os militares e seus serviçais jamais conseguiram turvar o excelente bom humor do jornal em qualquer situação.</p>
<p>O Pasquim era informação refinada, feita por colaboradores de altíssima qualidade, com muitas fotos, cartuns e entrevistas absolutamente geniais. Ali conheci e me apaixonei de imediato pelo texto literário de Fausto Wolf, me encantei com Paulo Francis e Ivan Lessa e curti as tirinhas de Henfil. Nunca esqueço de uma entrevista com Elomar, ainda na década de 1980, uma verdadeira tese sobre nossa culta e bela língua portuguesa. E de outra em particular, com o antropólogo Nunes Pereira, uma das figuras mais geniais da cultura brasileira, infelizmente ofuscado pelos holofotes que só viram Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro.</p>
<p>No centro e no turbilhão desse luminoso oásis na história da imprensa brasileira, a mão forte e bem humorada de Ziraldo e Jaguar, fazendo arte também nas edições semanais, mas cuidando, sobretudo, na manutenção do sonho. O velho Pasca sobreviveu até quando pôde, ou até quando foi possível, numa sociedade já livre da ditadura, mais aberta e com muitos novos atores emergindo na cena miditática. Calhou também que o tempo chegou para seus criadores. No caso de Ziraldo, além do Pasquim, trilhou desde cedo outros caminhos em revistas da grande imprensa, publicação de quadrinhos e de livros de prosa.</p>
<p>Fui entrevistá-lo em Aracaju quando comandei um programa na extinta TV Caju, um canal por assinatura que desapareceu sem que nenhum intelectual, ou, vá lá, um reles jornalista, tenha acusado seu lamentável desaparecimento. Sempre fui avesso a paparicos com celebridades – já entrevistei vários artistas e três presidentes da República, sem sofrer do complexo de vira-latas. Mas não consegui reagir ao irresistível encanto pessoal de Ziraldo, uma figura brilhante, afetuosa, de inteligência rara e rápida.</p>
<p>Ziraldo foi durante toda a vida, a exemplo de Millôr Fernandes, um grande ganhador de dinheiro, um homem que sempre soube dar seu preço e cobrá-lo sem concessões. E era ao mesmo tempo essa figura iluminada, como dizem alguns, uma pessoa espiritualizada. Talvez por isso tenha desde cedo compreendido a linguagem das crianças, criando personagens e fazendo histórias, com uma ternura que poucos poetas tradicionais alcançaram. Dentro desse oceano de obras infantis, do Menino Maluquinho ao Flicts, a invenção de uma cor, uma em particular me comoveu: o romance Vito Grandam, a comovente história de um sobrinho cujo herói é um tio um pouco mais velho. O tio já se encaminha para uma idade adulta, mas vive as últimas aventuras de uma criança fabulosa, cheia de histórias, estripulias e sonhos. Quando li, fiquei pensando como um homem já de meia idade, jornalista calejado pela perseguição da ditadura, conseguiu entrar daquela forma no universo psíquico e lúdico de duas crianças, criando uma coisa tão bela e simples ao mesmo tempo.</p>
<p>Certamente foi por essas qualidades de Ziraldo, essa capacidade de ser sincero e ir tão fundo em tudo o que realizou, que fez a vida lhe soar como algo leve, sem mágoas guardadas e com uma capacidade incrível de extrair poesia das coisas banais do cotidiano. Para uma pessoa assim, até a perseguida (e difícil) arte de ganhar dinheiro vem na gravidade, sem nunca ter sido uma obsessão. No fim, nem importa muito, porque as coisas materiais, para gente assim, nunca são as primeiras coisas, sobretudo, como dizia Pessoa, quando a alma não é pequena. E a alma de Ziraldo era do tamanho do mundo.</p>
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		<title>Minhas melhores leituras de 2021 </title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/minhas-melhores-leituras-de-2021/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Dec 2021 13:41:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bem como o 2020, o ano de 2021, definitivamente, não foi fácil. E não tem como escrever algo diferente do que escrevi há 1 ano. O fluxo continua o mesmo&#8230; “No Brasil, a situação de penúria foi ainda mais amplificada e visível. Desgovernado desde os saguões de Brasília, o Trem-Brazil, vendido às incertezas de um &#8230;</p>
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<p>Bem como o 2020, o ano de 2021, definitivamente, não foi fácil. E não tem como escrever algo diferente do que escrevi há 1 ano. O fluxo continua o mesmo&#8230; “No Brasil, a situação de penúria foi ainda mais amplificada e visível. Desgovernado desde os saguões de Brasília, o Trem-Brazil, vendido às incertezas de um neoliberalismo irresponsável, descarrilou e assim continua ribanceira abaixo. O real povo brasileiro penou. E penará. Presenciamos tragédias novas a cada dia, muitas delas advindas de um bestial antipresidente eleito. A sirene tocou mundo afora. Uma pandemia! (Sim, a pandemia não acabou&#8230;) Muitos foram para dentro de seus aposentos. Muitos, por não terem aonde ir, forçados pela própria necessidade e outros por negacionismos infames de ordens diversas, preferiram as ruas. Ao cabo de todos esses meses, o cansaço, a estafa mental. Todavia, algumas coisas foram fundamentais para me manter vivo. Falo por mim. Para além das aulas ministradas à distância, que se mostraram duras e ineficientes, foram os livros os maiores responsáveis pela manutenção do ar nos pulmões. Li razoavelmente bem durante todo o ano”.</p>
<p>No mais, agradecer preciso a todos os amigos e todas as amigas que fazem comigo o canal literário O Equador das Coisas, no Youtube, aos colaboradores do portal O Gazzeta, ao espaço concedido a mim no portal Só Sergipe. Dizer também um muito obrigado para aqueles que apostaram suas fichas literárias em meu mais recente livro, intitulado de O Homem Encurralado (Penalux, 2021) e que contou com tradução para o francês realizada por Luísa Fresta. 2022 nos reserva grandes emoções. Sigamos, bucaneiros!</p>
<p>E, de novo, ninguém solta a mão de ninguém.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h2>Minhas leituras:</h2>
<h3>Poesia</h3>
<p>ELOGIO DO CARVÃO, Marcus Vinicius Quiroga;</p>
<p>RUA DA PADARIA, de Bruna Beber;</p>
<p>CIDADE FINADA, de Thiago Medeiros;</p>
<p>ARAME FARPADO, de Lisa Alves (releitura);</p>
<p>POEMAS RUPESTRES, de Manoel de Barros (releitura);</p>
<p>26 POETAS HOJE, org. Heloísa Buarque de Hollanda;</p>
<p>SENTIMENTAL, de Eucanaã Ferraz;</p>
<p>EM NOME DOS RAIOS, de João de Moraes Filho (releitura);</p>
<p>CARTAS DE NAVEGAÇÃO, de Nuno Gonçalves (releitura);</p>
<p>ARIEL, de Sylvia Plath (releitura).</p>
<h3>Prosa</h3>
<p>A IMENSIDÃO ÍNTIMA DOS CARNEIROS, de Marcelo Maluf;</p>
<p>O ALIENISTA (EM CORDEL), Machado de Assis/Rouxinol do Rinaré;</p>
<p>PANDEMIA: COVID-19 E A REINVENÇÃO DO COMUNISMO, de Slavoj Žižek;</p>
<p>O MENINO GRAPIÚNA, de Jorge Amado;</p>
<p>TORTO ARADO, de Itamar Vieira Junior;</p>
<p>O GARIMPEIRO DO RIO DAS GARÇAS, de Monteiro Lobato;</p>
<p>EVANGÉLICOS E PANDEMIA, de Pierre Salama;</p>
<p>TODO DIA A MESMA NOITE, de Daniela Arbex;</p>
<p>PARAÍSO PERDIDO, de John Milton/ Versão em quadrinhos de Pablo Auladell;</p>
<p>LULA (Volume 1), de Fernando Morais.</p>
<p>OBS. A ordem de numeração dos livros não quer dizer absolutamente nada.</p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
<div>(*) <strong>Germano Xavier</strong> nasceu em Iraquara, Chapada Diamantina-Bahia, em 1984. É jornalista pela UNEB e mestre em Letras pela UPE. Publicou o livro Clube de Carteado (Franciscana, 2006). Seu livro de contos intitulado Sombras Adentro (ainda não publicado) foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura (2016). Em 2021, publicou o livro O Homem Encurralado (Penalux), que compreende a primeira parte da Trilogia do Centauro. Escreve para encontrar o equador de todas as coisas.</div>
<div></div>
<div><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  </em><em>Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></div>
<div></div>
<div>
<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_46365" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Últimas do Literatura & Afins</span><div id="wplp_widget_46365" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="46365" style="" data-max-elts="10" data-per-page="3"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_46365" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_46365_77884" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;margin-left:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91.png" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-660x330.png 660w" alt="Nivaldo Tenório e as camadas do conto" class="wplp_thumb" /></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/"  class="title">Nivaldo Tenório e as camadas do conto</a></div></div><div id="wplp_box_left_46365_77884" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_46365_77884" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_46365_77884" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="custom_fields">
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