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	<title>Arquivo para poeta - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Cuidar é um verbo que se conjuga com afeto&#8230;</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/cuidar-e-um-verbo-que-se-conjuga-com-afeto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 13:08:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[amigo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; De férias, desembarquei em Seattle, EUA, em um final de tarde frio. Doze graus. Apanhei o trem no aeroporto e 25 km depois, desci na estação Sinfonia, próxima ao hotel. Fiz check-in. Chaves nas mãos, me encaminhei para o quarto. Desarrumei a mala à procura da necessaire, &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/cuidar-e-um-verbo-que-se-conjuga-com-afeto/">Cuidar é um verbo que se conjuga com afeto&#8230;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcuidar-e-um-verbo-que-se-conjuga-com-afeto%2F&amp;linkname=Cuidar%20%C3%A9%20um%20verbo%20que%20se%20conjuga%20com%20afeto%E2%80%A6" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcuidar-e-um-verbo-que-se-conjuga-com-afeto%2F&amp;linkname=Cuidar%20%C3%A9%20um%20verbo%20que%20se%20conjuga%20com%20afeto%E2%80%A6" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcuidar-e-um-verbo-que-se-conjuga-com-afeto%2F&amp;linkname=Cuidar%20%C3%A9%20um%20verbo%20que%20se%20conjuga%20com%20afeto%E2%80%A6" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcuidar-e-um-verbo-que-se-conjuga-com-afeto%2F&amp;linkname=Cuidar%20%C3%A9%20um%20verbo%20que%20se%20conjuga%20com%20afeto%E2%80%A6" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcuidar-e-um-verbo-que-se-conjuga-com-afeto%2F&#038;title=Cuidar%20%C3%A9%20um%20verbo%20que%20se%20conjuga%20com%20afeto%E2%80%A6" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/cuidar-e-um-verbo-que-se-conjuga-com-afeto/" data-a2a-title="Cuidar é um verbo que se conjuga com afeto…"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>e férias, desembarquei em Seattle, EUA, em um final de tarde frio. Doze graus. Apanhei o trem no aeroporto e 25 km depois, desci na estação Sinfonia, próxima ao hotel. Fiz check-in. Chaves nas mãos, me encaminhei para o quarto. Desarrumei a mala à procura da necessaire, com os produtos de higiene. Banho tomado, dentes escovados; ao sair, a porta do banheiro veio com força. Como de hábito, escorei com o calcanhar. Na parte inferior da porta, havia um protetor de flandres, que golpeou o calcanhar, ejetando bastante sangue. Adepto do Vick Vaporub, versátil companheiro para todas as ocasiões, passei-o no corte, estancando o sangue. O entusiasmo do andarilho superava a dor. O corte carecia de pontos. Não prestei atenção no talho profundo. Coisa insana.</p>
<p>Jantei no hotel e saí pelas cercanias, pisando com dificuldade. Nos dias seguintes, caminhei pela cidade, como turista ávido por novidades. Repouso, zero. Visitei museus, andei de barco na baía que abraça a cidade. Fiz city tour caminhando por pontos turísticos. Sempre com muita dor.</p>
<p>Retornei para o Brasil, com stop over de dez horas em Orlando. Novas andanças. Voos longos, conexões demoradas, finalmente desembarquei em São Luís.</p>
<p>Ao chegar em casa, após dores lancinantes, procurei um ortopedista, que atestou fratura de um osso do calcanhar. Receitado, comprei os fármacos prescritos e continuei minha lida. Quando precisei ir ao consultório médico, já pronto para sair, recebi a ligação de um dileto amigo, perguntando se carecia de ajuda. Disse que tinha hora marcada com o ortopedista. Perguntou como estava, narrei o ocorrido e ele prontificou-se a me levar ao hospital, poupando-me de mais esforços.</p>
<p>O amigo Rinaldo, poeta em tempo integral, generoso por vocação e formação, levou-me ao hospital, esperando-me, calmamente, por três longas horas. Na saída, fomos à sua casa, onde uma mesa farta, preparada por ele, aguardava-me. Pecuarista, a carne do gado curraleiro pé duro, de sua cria, harmonizava com legumes e queijo, reforçando seu lado de chef dedicado.</p>
<p>Coisa boa é ter atenção, carinho, gentileza e generosidade de um amigo. Coisa de qualidade é ter alguém que disponibiliza seu tempo para cuidar do outro.</p>
<p>Caro leitor, amiga leitora, caso encontre um amigo, guarde-o. Os amigos, a sério, são pérolas verdadeiras, que só encontramos em conchas raras, daquelas que só o coração consegue abrir. Se encontrares alguém que torça por ti, que vibre com a tua felicidade, que esteja sempre pronto para te ouvir e ajudar, guarde essa bênção. Não há tesouro maior. Se encontrares alguém que pule de alegria quando vences um obstáculo, que grite bem alto, achaste um amigo. Caso tenhas quem bata palmas com teu sucesso e que seja sempre a tua claque incondicional, agradeça. Não há maior riqueza que um amigo.</p>
<figure id="attachment_99523" aria-describedby="caption-attachment-99523" style="width: 189px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/van-gogh.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-99523" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/06/van-gogh-150x150.jpg" alt="van gogh" width="189" height="189" /></a><figcaption id="caption-attachment-99523" class="wp-caption-text">Vincent van Gogh</figcaption></figure>
<p>Artista, o poeta Rinaldo, fã de Vincent Van Gogh, leva-me a citar o que o pintor holandês escreveu no livro “Cartas a Théo”, o irmão:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) Se continuarmos a amar sinceramente o que na verdade é digno de amor, e não desperdiçarmos nosso amor em coisas insignificantes, nulas e insípidas, obteremos pouco a pouco mais luz e nos tornaremos mais fortes”.</p></blockquote>
<p>A amizade não se faz, se conquista! Uma amizade não é uma coleção de segredos, e sim uma cumplicidade! Uma amizade não são só palavras, e sim gestos! A verdadeira amizade é a amizade fraterna! A amizade é a melhor coisa que a vida pode nos proporcionar! Cuidar é um verbo que se conjuga com afeto&#8230;</p>
<p>Bem-aventurado todo aquele que tem um amigo de verdade. Obrigado, amigo poeta.</p>
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		<item>
		<title>Para quem viver é escrever, cada palavra é uma história</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/para-quem-viver-e-escrever-cada-palavra-e-uma-historia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 11:31:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Há trinta anos, publiquei meu primeiro texto. Com o título “História Consciente, Geração Consciente”, no dia 27 de junho de 1996,  fiz minha estreia no jornal Folha de Lagarto, numa coluna chamada “História e Estórias de Lagarto”. Eu tinha acabado de concluir o curso de Licenciatura em &#8230;</p>
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]]></description>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á trinta anos, publiquei meu primeiro texto. Com o título “História Consciente, Geração Consciente”, no dia 27 de junho de 1996,  fiz minha estreia no jornal <em><i>Folha de Lagarto</i></em>, numa coluna chamada “História e Estórias de Lagarto”.</p>
<p>Eu tinha acabado de concluir o curso de Licenciatura em História pela <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.ufs.br/" target="_blank" rel="noopener">Universidade Federal de Sergipe.</a></span> Logo, minha única pretensão, doravante, era ser professor e viver de meu ofício. Jamais pensei ou sequer almejei ser historiador, escritor e mesmo articulista de jornais e de revistas magazines. Sequer poeta, ideia à qual ainda resisto em assumir, preferindo dizer que às vezes reclamo da vida em versos.</p>
<p>Fato é que naquele ano de 1996, estimulado pelos  professores José Cláudio Monteiro Santos, Assuero Cardoso Barbosa e Emerson da Silva Carvalho, e com o apoio de Raimundinho do <em><i>Folha de Lagarto</i></em>, assumi a missão de, para além de lecionar, contar história, escrever, me expressar à luz da ciência histórica. E, com toda tranquilidade, consciência e vontade, contribuir para com a historiografia local, sergipana e, porque não, nacional. E afirmo isto sem o menor cabotinismo.</p>
<p>Com a presente crônica, alcanço um número de publicações do gênero que vai além da estatística ou ostentação curricular. Cerca de 887 textos/artigos publicados (até a presente data) sobre inúmeros assuntos: de História de Lagarto a História Cultural, sendo atravessados por religião, religiosidade, festa, carnaval, música, cinema, literatura, memória, patrimônio cultural, futebol, política, arte, teologia e aquilo que a inspiração me presenteia generosamente.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Aqui, aproveito para citar e agradecer a todos os jornais revistas que me abriram um espaço para expor meu pensamento. Em cada um destes veículos, tive a liberdade necessária para me expressar, nem sempre agradando, mas nunca abrindo mão de princípios éticos, de formação familiar e religiosos. Além do jornal <em><i>Folha de Lagarto</i></em>, Lagarto Hoje, Sergipe Hoje, Gazeta dos Municípios, Folha Sergipana, Correio de Sergipe, Jornal do Dia, Cinform, Correio da Bahia. Afora as revistas Tribuna Municipal, Cidade, Realce, Perfil, Sergipe TradeTour, Revista Sergipe Nossa Terra e Revista Literária de Sergipe. E os portais Lagartense, Lagartonet, Lagarto Notícias e <strong><b><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/category/articulistas/outras-palavras/" target="_blank" rel="noopener">Só Sergipe</a></span>. </b></strong></p>
<p>Sem deixar de mencionar as chamadas revistas científicas e acadêmico-culturais, tais como: Revista Brasileira de História, Revista Brasileira de História das Religiões, Revista de Teologia e Ciências da Religião da UNICAP, Práxis Pedagógica, Revista de Extensão da UFS, História Agora, Diálogo, Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Revista Tempo Histórico, Clio, Revista do Memorial do Poder Judiciário de Sergipe,  Revista Eletrônica FJAV, Desvendando a História, Cadernos UFS, Ponta de Lança, Revista da Academia Brasileira de Letras e Revista da Academia Lagartense de Letras, Candeeiro e Cumbuca,</p>
<p>Além dos textos, fui agraciado com inúmeras oportunidades de publicar e organizar livros e capítulos de livros, mantendo o mesmo compromisso, notadamente, com aqueles que desejam conhecer, aprender e também se aventurar na arte de escrever. Da sala de aula para as páginas impressas e digitais, nesse pêndulo que é a vida, no que ela tem de mais fascinante desafiadora e bela.</p>

			</div></div>
<p>Mais do que dinheiro e fama, as três décadas na labuta da oficina de historiador me deram sentido, propósito e foco profissional e pessoal. As palavras e o pensamento têm sido para mim grandes aliados, me garantindo o viço necessário à minha existência humana. Tornou, literalmente, uma eficiente terapia. De tal sorte, que não é exagero quando digo que <em><i>escrevo com a mesma necessidade que respiro</i></em>.</p>
<p>Tenho, portanto, muito orgulho e alegria pelo que faço, pelo que já fiz e anseio ainda fazer. Mais do que uma auto homenagem, autopromoção ou autoelogio, trata-se de uma celebração da memória, uma prestação de contas (talvez), e, também, uma ode agradecida e realizada pelos dons que Deus, generosamente, me concedeu e concede até a presente data. Que venham outras palavras!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Ah, sim&#8230; Componho uns poemas&#8230;</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/ah-sim-componho-uns-poemas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 10:00:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Incidental — Considerações Estéticas a Qualquer Momento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Léo Mittaraquis (*) Sim, meu amigo: à sua provocação, destilada de um jeito &#8216;maraud&#8217;, como quem quer tão somente levar a efeito boa conversa [destas que, sem maiores pretensões, acodem ao longo de certa jornada noite adentro, regadas a copos e copos de brandy ou taças e taças de vinho e anônimo tira-gosto], respondo &#8230;</p>
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<p>Sim, meu amigo: à sua provocação, destilada de um jeito &#8216;maraud&#8217;, como quem quer tão somente levar a efeito boa conversa [destas que, sem maiores pretensões, acodem ao longo de certa jornada noite adentro, regadas a copos e copos de brandy ou taças e taças de vinho e anônimo tira-gosto], respondo que, sim, continuo a compor e publicar, sem tão amplo alcance, uns versos sobrepostos a outros versos, assemelhando-os, assim, a algo que, por distração hermenêutica, pode ser considerado poema.</p>
<p>Este artigo tem jeito de carta aberta, eu o sei. Porém sem a menor pretensão de representar a transformação da experiência subjetiva em verdade universal.</p>
<p>É resposta, apenas: oh, continuo, sim, capcioso amigo, a compor poemas.</p>
<p>Por que o faço?</p>
<p>Primeiramente, quero fazê-lo. Vontade mesmo, no sentido que tomo sem autorização, ao modo desavergonhado, de Henri Bergson, vale dizer, respondendo ao mundo de forma orgânica, munido de reflexão e  consciência.</p>
<p>Posso, também, suponho, afirmar que, mal parafraseando Miklos Vetö, este pensador metafísico da interioridade humana, que faço-o, isto é, prossiga quixotescamente, a compor poemas em nome da vontade por ela mesma, pelo seu objeto primeiro e maior, homogeneidade suprema: deter o poder de ser vontade de ser a vontade.</p>
<p>Portanto, alçando a labuta, vale dizer, o compor poemas, ao status de ação livre [esta que emana do cerne do espírito, que se abaliza no fluido do intelecto, dotando a percepção estética de gratidão ao patrimônio crítico-cognitivo], extraio do acumulado nos anos, das orientações sólidas, fundamentadas, dos grandes mestres, o estímulo que me faz levar a efeito a concretude da intenção presente a conceber coisa sincera — meus poemas.</p>
<p>Ou, se você quiser, inquisidor amigo: a vontade de compor o poema [não &#8216;um&#8217; poema], deve, na minha limitada percepção, manifestar-se como, digamos, movimento interior, como aquilo que me orienta a saber de mim mesmo, em nome de alguma plenitude e, quiçá, de alguma transcendência.</p>
<p>Em segundo lugar [não por valor hierárquico, mas, sim, pela exigida sequências do discurso], componho poemas pelo fato, percebido apenas por mim e por pessoas muitíssimo próximas, de que significa a manutenção da minha pouco restante sanidade.</p>
<p>Em terceiro, creio, prumode ser produção apreciada meio à meia dúzia de elegantes mentes iniciadas, partícipes de um mundo cada vez menor, dentro dos demais mundos deste Mundo. Redução de campo, diga-se de passagem, salutar, pois, a convivência fraterno-intelectual detém a mais alta qualificação.</p>
<p>Portanto, açulador confrade, vejo-me levado à larga no tocante a invocar musas e lavrar versos. Em seguida, fazendo jus à notória vaidade e à característica arrogância, publico-os na expectativa de que, pelo menos, duas ou três pessoas os considerem obras-primas.</p>
<p>Assim, sigo entre motes, termos e estrofes. A dizer de mim e de outrem. A ouvir considerações até que razoáveis sobre meus pobres cantos.</p>
<p>Não sou digno, reconheço, de ingressar num bando de bardos. Deambulo por fora, bem à margem mesmo.</p>
<p>A título de arremate, desencavo este poema, por mim censurado, já com, salvo engano, uns três anos de molho:</p>
<p style="text-align: center;"><div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p style="text-align: center;">Réu confesso — cometi a um mal poema.</p>
<p style="text-align: center;">Veredito: sopro de cal e cinza</p>
<p style="text-align: center;">a ferir língua.</p>
<p style="text-align: center;">Palavra à solta, faz-se agulha,</p>
<p style="text-align: center;">perfura d&#8217;inocente papel a derme.</p>
<p style="text-align: center;">Folha ao vento d&#8217;impensado ato.</p>
<p style="text-align: center;">Não há norte qual franca via,</p>
<p style="text-align: center;">apenas frieza insossa.</p>
<p style="text-align: center;">Quando palavra quisera pão, fora farelo.</p>
<p style="text-align: center;">Quando dito quisera voz, fora veio vazio, esgotado de gemas.</p>
<p style="text-align: center;">Entre rotos versos, neste sulco de sal, nada mais a minerar.</p>
<p style="text-align: center;">Estreitos, termos emudecem.</p>
<p style="text-align: center;">Impera o não-dizer.</p>
<p style="text-align: center;">Quisera sepultar este poema.</p>
<p style="text-align: center;">Fora porém seduzido ao vago vazio,</p>
<p style="text-align: center;">Este que m&#8217;é inútil nomear&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;">
			</div></div>
<p style="text-align: left;">Bem, eis mais um poema. Não sei se o escreveria hoje em dia. Julgo-o um tanto execrável.</p>
<p>C&#8217;est la vie!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Paredes – poemas de Assuero Cardoso Barbosa para desanuviar</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/paredes-poemas-de-assuero-cardoso-barbosa-para-desanuviar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 12:34:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[Assuero Cardoso Barbosa]]></category>
		<category><![CDATA[desanuviar]]></category>
		<category><![CDATA[Lagarto-SE]]></category>
		<category><![CDATA[lançamento]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[paredes]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poeta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; “Minha mãe correu ferrolhos”. Este é o verso que inicia uma das estrofes mais belas e profundas do novo livro do poeta lagartense Assuero Cardoso Barbosa. E escolho este verso em especial pela carga de memória e afeto que me trouxe ao lê-lo. Imediatamente, o título do &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">“M</span>inha mãe correu ferrolhos”. Este é o verso que inicia uma das estrofes mais belas e profundas do novo livro do poeta lagartense Assuero Cardoso Barbosa. E escolho este verso em especial pela carga de memória e afeto que me trouxe ao lê-lo. Imediatamente, o título do poema “Desanuviar” (p. 29) me fez lembrar alguns dos dizeres de dona Claudemira (minha mãe). Aliás, um dos meus prediletos e do qual me valho em diversas situações da vida, sobretudo quando as coisas estão tensas ou quando estou sob pressão, pois sinto a necessidade, e busco, de me libertar um pouco, respirar, distensionar, enfim, desanuviar.  Como dizia dona Mira: “retirar aquela nuvem sombria que embaça a alegria da vida”.</p>
<figure id="attachment_98458" aria-describedby="caption-attachment-98458" style="width: 189px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-scaled.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-98458" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-225x300.jpg" alt="Assuero Cardoso Barbosa, autografando o livro &quot;Paredes&quot;" width="189" height="252" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-225x300.jpg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-769x1024.jpg 769w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-768x1023.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-1153x1536.jpg 1153w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-1538x2048.jpg 1538w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-scaled.jpg 1922w" sizes="(max-width: 189px) 100vw, 189px" /></a><figcaption id="caption-attachment-98458" class="wp-caption-text">Assuero Cardoso Barbosa autografando o seu livro &#8220;Paredes&#8221; Fotos: Acervo pessoal</figcaption></figure>
<p>E foi com esse sentimento que li e mergulhei nos poemas do livro “Paredes”, lançado numa noite emocionante, leve e concorrida do dia 25 de abril, sábado último, no hall de entrada da Casa de Cultura Sílvio Romero (antigo Grupo Escolar, 1923), na cidade de Lagarto-SE. O livro com 131 poemas que revelam um poeta maduro e ainda mais sensível e criativo. Resultado da Política Nacional Aldir Blanc (MINC – Governo Federal), a produção do livro contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Lagarto, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, na pessoa do titular da pasta, o artista plástico José Antônio Prata Neto (Nenê), que tem feito, com sua equipe dedicada, um excelente trabalho de difusão, estímulo e valorização da cultura lagartense.</p>
<p>Nascido em Lagarto, no dia 13 de setembro de 1965, Assuero Cardoso Barbosa está entre os maiores poetas da história cultural de Sergipe. Despontou para a arte poética no início dos anos 1980, conquistando seu primeiro prêmio de destaque em 1984, com o terceiro lugar no II Concurso de Poesia Falada de Lagarto. Daí em diante foi uma ascendência meteórica, construindo uma carreira firme e sólida, inclusive na docência. As premiações se seguiram, seja em nível de Sergipe (Aracaju, Propriá, Estância, Tobias Barreto) seja em nível nacional, a exemplo de Penedo-AL, São Paulo-SP, Mococa-SP, Cachoeira- ES e Gramado-RS).</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Publicou seu primeiro livro de poesia, “Nu e Noturno”, em 1991. Até a presente data, além de “Paredes”, também publicou “Tribo” (1997), “Lua Lírica” (2001), “A cerca de vidros” (2009), “Lagarto em Verso e Trova” (2012), “Um quarto de hora” (2014), “A saga de Zefa Ninguém” (2016) e “Antologia Poética” (2021). Sem deixar de mencionar o livro “O espectro no espelho” (2005), de contos e crônicas, e “Das atrações às traições” (2024), que reúne contos e minicontos. Ao todo foram 10 livros lançados, afora inúmeras participações em antologias e outros livros.</p>

			</div></div>
<p>Com ele, tive a grata satisfação de dividir alguns projetos editoriais, a saber: “Limites Democráticos do Brasil, de Abelardo Romero Dantas” (2009); “Monsenhor João Batista de Carvalho Daltro” (2011); “Nos bailes da vida” (2013), em comemoração aos cinquenta anos da Banda Los Guaranys; na edição Centenária do livro “O Triunfo”, de autoria de Ranulfo Prata (2019); em “Letras em Movimento” (2019); e “Laudelino Freire – Ensaios, História e Memória” (2023).</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Por toda essa trajetória bem-sucedida, não faltaram reconhecimentos por seu trabalho, com participações em agremiações literárias e também honrarias, tais como: Auditório Assuero Cardoso Barbosa (Centro Cultural Adalberto Fonseca – Lagarto/SE) &#8211; 2000; Comenda Sílvio Romero (Câmara de Vereadores de Lagarto, 2001); membro correspondente da Academia Cachoeirense de Letras – ES, 2012; Comenda Monsenhor Daltro (Prefeitura Municipal de Lagarto, 2012); Destaque da Educação – EDUCAR-SE, 2012; Membro fundador da Academia Lagartense de Letras (2013); Dia Municipal da Poesia – Prefeitura Municipal de Lagarto, dia 13 de maio – Lei nº 756 de 2017; membro da Academia de Letras Brasil/Suíça (Núcleo Sergipe, 2020); Moção de Congratulação da Câmara de Vereadores de Lagarto, 2021; membro honorário e título de comendador pela Academia Tobiense de Letras, 2021; Prêmio REALCE 2022/2023; menção honrosa da Academia Riachãoense de Letras, Artes e Cultura, 2023; Medalha Mérito Educacional Manoel José Bomfim – Assembleia Legislativa de Sergipe, 2024; e Sócio Honorário da Academia Riachãoense de Letras, Artes e Cultura, 2025.</p>

			</div></div>
<figure id="attachment_98457" aria-describedby="caption-attachment-98457" style="width: 169px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio.webp"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-98457" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-169x300.webp" alt="Claudefranklin e esposa com o poeta Assueredo" width="169" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-169x300.webp 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-576x1024.webp 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-768x1365.webp 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-864x1536.webp 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio-1152x2048.webp 1152w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Acervo-Proprio.webp 1206w" sizes="(max-width: 169px) 100vw, 169px" /></a><figcaption id="caption-attachment-98457" class="wp-caption-text">CaudefranKlin e a esposa, Patrícia Monteiro</figcaption></figure>
<p>Conheço Assuero Cardoso Barbosa desde agosto de 1994, quando de nossa convivência professoral no Colégio Cenecista Laudelino Freire, em Lagarto, onde nasceu uma amizade fraterna que sobreviveu às vicissitudes do tempo e das relações humanas e a todas as suas mazelas, incluindo mexericos, ruídos de comunicação e malquereres, posto que foi um sentimento de afeto, amor recíproco e de gratidão que prevaleceu. Devo a ele e ao saudoso professor José Cláudio Monteiro Santos tudo que me tornei, sobretudo no campo das letras e da arte de escrever.</p>
<p>Com sua bondade, desprendimento, aversão à vaidade e generosidade, aliados ao talento singular e inconteste, Assuero Cardoso Barbosa é hoje o nosso “<strong>poeta-mor</strong>”, “mor”, como disse na noite do lançamento de “Paredes” no que a etimologia tem de melhor para além de “maior” <em>(maiorem – latim)</em>. Também o é “amor” (aférese). E a noite em que “Paredes” foi apresentada não poderia ter sido melhor, pois o céu, estrelado, pediu licença à chuva, desanuviou-se, e a lua lírica (como frisou o confrade José Uesele, cerimonialista na oportunidade) veio dar o ar da graça e saudar o nosso poeta.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Não posso amarrar o tempo no poste</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/nao-posso-amarrar-o-tempo-no-poste/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Feb 2026 15:07:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[acordar]]></category>
		<category><![CDATA[amarrado]]></category>
		<category><![CDATA[amarrar]]></category>
		<category><![CDATA[poeta]]></category>
		<category><![CDATA[Porteiro]]></category>
		<category><![CDATA[poste]]></category>
		<category><![CDATA[sorumbático]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Sexta-feira, 20/02. Acordei sorumbático, com preguiça pelo corpo todo. Tenho resistência a sair da cama. O corpo pede calma, pede silêncio, pede sossego. Olho para a parede, e o relógio me mostra o tempo seguindo seu curso. “O mais feroz dos animais domésticos é o relógio &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>exta-feira, 20/02. Acordei sorumbático, com preguiça pelo corpo todo. Tenho resistência a sair da cama. O corpo pede calma, pede silêncio, pede sossego. Olho para a parede, e o relógio me mostra o tempo seguindo seu curso.</p>
<p style="text-align: right;">“O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família&#8221;, escreveu, com singeleza contumaz, o poeta de Alegrete, no Rio Grande do Sul, Mário Quintana.</p>
<p style="text-align: right;">Não posso “amarrar o tempo no poste”, diz o poeta cuiabano, Manoel de Barros, “o poeta das infâncias”.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“A infância não é um tempo, não é uma idade,  é uma coleção de memórias. A infância é quando ainda não é demasiado tarde. É quando estamos disponíveis para nos surpreendermos, para nos deixarmos encantar. Quase tudo se adquire nesse tempo em que aprendemos o próprio sentimento do tempo”, cito o escritor moçambicano, Mia Couto, com quem tomei café da manhã, em uma manhã de abril de um ano que o tempo se encarregou de levar.</p>

			</div></div>
<p>Os passarinhos vêm me desejar feliz dia, ao cantarem na janela do quarto, no bebedouro que ali coloquei. Felizes, não sabem o que são as horas.</p>
<p>Reluto um pouco mais em colocar-me em pé. O telefone toca, vejo um número que desconheço, não atendo. Quiçá fosse notícia boa. Provavelmente não seria. Passo o dia recebendo ligações de bancos, onde não tenho conta, muito menos dinheiro, e de operadoras de telefonia móvel. A tecnologia, que tanto otimiza a vida, também atrapalha.</p>
<p>Penso mais um pouco. Vejo que não tenho que terminar minhas tarefas em um só dia.</p>
<p>Que a vida está passando e absolutamente nada a impede. Que tudo pode acabar num piscar de olhos. Entendi que o material nunca foi importante. O mais importante é o tempo que nos resta pela frente.</p>
<p>Se eu não estiver no trabalho, me substituem. Não tenho importância alguma.</p>
<p>Mas minha saúde emocional é insubstituível e importa. Entendi que não preciso ajoelhar-me ao dar uma caminhada e ver a paisagem.</p>
<p>Entendi que a comida pode preencher o vazio do estômago, mas não o da alma.</p>
<p>Que eu tenho direito a desfrutar cada segundo do que eu tenho.</p>
<p>Que o dinheiro pode comprar viagens, mas não tempo. Sei quanto tenho de dinheiro, mas nunca saberei quanto tempo terei pela frente.</p>
<p>Que, quando eu preciso de espaço, me retiro.</p>
<p>Que, quando quero gritar, grito.</p>
<p>Que, quando quero ficar na cama, fico.</p>
<p>Que, quando eu quero dançar, eu danço.</p>
<p>E, quando quero chorar, choro.</p>
<p>Aprendi a me ouvir atentamente e dar prioridade às minhas necessidades. Desde que o faço, já meu café não sabe a pressa. Não bebo café frio.</p>
<p>O interfone toca, não posso mais ficar refastelado na cama; tenho que me levantar.</p>
<p>Atendo, o porteiro ligou errado, pede desculpa. Agradeço, pois, graças ao erro da ligação, consegui levantar e começar o dia. O tempo não espera por mim. Tenho muita coisa para resolver.</p>
<p>O tempo segue seu rumo. Tenho que engrenar para seguir o meu.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Luis Osete, ganhador do Prêmio Jabuti 2025, sobre Maracujá Interrompida, revela: “O que mais desejo é que o leitor sinta o livro como um convite à escuta”</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/luis-osete-ganhador-do-premio-jabuti-2025-sobre-maracuja-interrompida-revela-o-que-mais-desejo-e-que-o-leitor-sinta-o-livro-como-um-convite-a-escuta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Nov 2025 08:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[agressões]]></category>
		<category><![CDATA[doméstica]]></category>
		<category><![CDATA[Dores]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[Luis Osete]]></category>
		<category><![CDATA[Maracujá Interrompida]]></category>
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		<category><![CDATA[Prêmio Jabuti]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[situação]]></category>
		<category><![CDATA[theatro]]></category>
		<category><![CDATA[Violência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Antônio Carlos Garcia (*) &#160; O pé de maracujá que crescia no quintal da casa de Luis Osete, em Cardeal da Silva, no Litoral Norte da Bahia, parecia apenas mais uma planta comum — até que o gesto de seu pai, ao cortá-lo, tornou-se o símbolo de um rompimento que o poeta jamais esqueceria. &#8230;</p>
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<blockquote><p>Antônio Carlos Garcia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> pé de maracujá que crescia no quintal da casa de <strong><b>Luis Osete</b></strong>, em Cardeal da Silva, no Litoral Norte da Bahia, parecia apenas mais uma planta comum — até que o gesto de seu pai, ao cortá-lo, tornou-se o símbolo de um rompimento que o poeta jamais esqueceria. Essa imagem de perda e renascimento deu origem ao livro <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.amazon.com.br/Maracuj%C3%A1-interrompida-Luis-Osete-ebook/dp/B0DVTBQ9N3/ref=sr_1_1?crid=1Y8SHR3UXFN11&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.2GYb6dOZm3kIHPxj7QIH4Q.f71j5eLCBOcDM5mimU-oJB-d2x2yeo0jYwtTFlsQioE&amp;dib_tag=se&amp;keywords=maracuj%C3%A1+interrompida&amp;qid=1762084744&amp;sprefix=maracuj%C3%A1+%2Caps%2C283&amp;sr=8-1" target="_blank" rel="noopener"><em><i>Maracujá Interrompida</i></em></a></span>, obra de estreia que conquistou o <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.premiojabuti.com.br/jabuti/premiados-por-edicao/premiacao/?ano=2025" target="_blank" rel="noopener"><strong><b>Prêmio Jabuti 2025</b></strong> </a></span> —  Eixo Inovação, categoria “Escritor Estreante – Poesia” (Editora Cepe).</p>
<p><strong>Luis Osete</strong> explicou que a metáfora do pé de maracujá arrancado reflete também as histórias de mulheres vítimas de violência que ele acompanhou enquanto atuava como psicólogo na atenção básica de Petrolina (PE). “Essas vozes não me deixaram. Eram silêncios muito profundos. E eu entendi que a poesia poderia ser uma forma de escutá-las, mesmo quando já não estavam ali”, contou. O livro, portanto, é um entrelaçamento entre memória, empatia e o ato de resistir pela palavra.</p>
<p>“Eu anotava frases, imagens, gestos. Muitas coisas não cabiam nos relatórios, mas cabiam na poesia”, explica. Essa convivência entre o rigor técnico e a sensibilidade artística deu ao livro uma dimensão híbrida — ao mesmo tempo confessional e social. “A poesia tem uma força de cuidado. Escrever foi, para mim, uma tentativa de replantar o que tinha sido arrancado”, diz o autor.</p>
<p><strong><b>Luis Osete</b></strong> também falou sobre o significado do Jabuti em sua trajetória. “É um reconhecimento que vem do coração da literatura brasileira, mas eu o recebo como um prêmio coletivo. É um prêmio para o Nordeste, para quem escreve das margens, para quem acredita que a palavra ainda pode transformar”, afirmou. Ele ressaltou que o prêmio amplia a visibilidade da produção poética nordestina, muitas vezes sub-representada nas grandes editoras.</p>
<p>Durante a cerimônia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, <strong><b>Osete</b></strong> viveu momentos marcantes. Ele estava acompanhado do escritor pernambucano <strong><b>Marcelino Freire</b></strong>, finalista na categoria Romance Literário, e com quem tem forte amizade literária. Foi Marcelino quem leu <em><i>Maracujá Interrompida</i></em> antes mesmo da premiação e o encorajou com palavras generosas: “O livro tem força, sonoridade e imagens surpreendentes”, contou o poeta baiano.</p>
<p>No evento, <strong><b>Osete</b></strong> também teve a oportunidade de conversar com o escritor indígena <strong><b>Daniel Munduruku</b></strong>, vencedor na categoria Literatura Infantil. A troca, ainda que breve, o tocou profundamente. “Ele trouxe a ideia de que a arte precisa servir à vida. Isso me atravessou muito. Escrever, para mim, é também uma forma de cuidar do que somos e do que podemos ser”, relatou.</p>
<p>Sobre suas referências literárias, o poeta explicou que é influenciado por muitos autores, mas evita citar nomes. “As leituras que faço me atravessam de forma tão profunda que muitas vezes não sei mais o que é meu ou do outro. A poesia é um fluxo”, disse. A fala revela uma busca por autenticidade e pela construção de uma voz poética própria, ainda que em diálogo constante com a tradição.</p>
<p>Com lirismo e simplicidade, <strong><b>Luis Osete</b></strong> reafirma a força de uma poesia que brota do real — do chão, da memória e das relações humanas — e convida o leitor a reconhecer que há beleza e sentido nas miudezas do mundo. “A planta foi cortada, mas a raiz ficou. É assim com a vida, com a dor e com a arte: a gente floresce de novo, de outro jeito”, resume o poeta, deixando entrever que o seu próximo livro já está sendo gestado — como uma nova flor prestes a nascer.</p>
<figure id="attachment_94635" aria-describedby="caption-attachment-94635" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Do-min-go-66.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-94635 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Do-min-go-66.jpg" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Do-min-go-66.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Do-min-go-66-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Do-min-go-66-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Do-min-go-66-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Do-min-go-66-660x330.jpg 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-94635" class="wp-caption-text">Os vencedores do Prêmio Jabuti 2025 Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p>Confira, agora, a entrevista que <strong>Luis Osete</strong> concedeu ao <strong><em data-start="581" data-end="593">Só Sergipe</em></strong>, logo após receber o Prêmio Jabuti 2025.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Parabéns pela vitória no Prêmio Jabuti. Como você descreve o momento em que soube que havia sido o vencedor? E qual o primeiro pensamento que lhe veio à mente ao subir no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro para receber o troféu?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211; </strong>Agradeço a felicitação. Eu estava muito sereno, ao lado de Brena Duarte, uma amiga querida de Juazeiro que havia chegado um dia antes para assistir ao show de João Gomes. Quando ouvi o nome do livro, o primeiro pensamento foi: “Nossa, vou ter que subir no palco do Theatro Municipal!” Levantei, peguei a ecobag do Prêmio Jabuti e caminhei até lá, tentando fazer tudo direitinho, e o mais rápido possível. O clima de competição entre obras literárias sempre me deixa um pouco constrangido. Sinceramente, eu preferiria outro formato de celebração do livro, algo mais próximo de um sarau, de uma festa literária, de um encontro em que as pessoas pudessem partilhar o que escrevem e o que as move a escrever.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Na sua avaliação, o que esse reconhecimento representa — para você pessoalmente, para sua trajetória e para a poesia nordestina — e como você o vê no contexto do mercado literário brasileiro?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> Por ser meu primeiro livro, é natural que eu tivesse uma certa insegurança quanto à sua qualidade literária. Receber esse reconhecimento me faz sentir que a mensagem foi acolhida, e isso fortalece o sentido da caminhada. Para a minha trajetória, representa um impulso a mais para seguir na trilha da escrita. Quanto à poesia nordestina, considero significativo que o público que acompanha a premiação reconheça a vitalidade e a invenção que vêm surgindo no Nordeste, onde há tanta força criativa e desejo de renovação da linguagem. No contexto do mercado literário brasileiro, confesso que ainda me sinto em processo de descoberta. É o meu primeiro livro, e não sei o que virá.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Como foi participar do evento, estar junto de outros autores e da comunidade literária? Houve algum momento ou encontro que lhe marcou especialmente?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE  &#8211;</strong> Eu tenho a sorte de ser amigo de Marcelino Freire, um escritor pernambucano que conhece todo mundo. Encontrá-lo é sempre muito especial. Ele estava finalista na categoria Romance Literário com Escalavra, e combinamos de nos encontrar em frente ao Theatro. Logo ali, antes mesmo da cerimônia, ele já começou a me apresentar a vários amigos e amigas escritores. É tudo muito rápido: a gente se cumprimenta, troca duas ou três palavras e logo o evento começa. Mas, depois de tudo, fomos ao bar Amarelinho para resenhar. Foi ali que pude conversar com mais calma e encontrar pessoas queridas, num clima leve e afetuoso de encontro.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; O senhor teve a oportunidade de conversar ou trocar ideias com autores mais veteranos, como Ruy Castro, por exemplo? O que essas trocas significaram para o senhor?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> Com Ruy Castro, infelizmente, não tive a oportunidade de conversar. Além de Marcelino Freire, troquei apenas algumas palavras com Daniel Munduruku, que venceu na categoria Infantil. Acho que o evento poderia promover mais momentos de integração entre os autores, mas, na prática, não é bem assim que acontece. De todo modo, conversar com escritores mais experientes é sempre enriquecedor. O próprio Marcelino, por exemplo, leu <em>Maracujá Interrompida</em> antes da premiação e me disse que tinha gostado, que o livro tinha força, sonoridade e imagens surpreendentes. Receber esse retorno de alguém que acompanho e admiro há tanto tempo foi muito gratificante.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Sobre o livro <em>Maracujá Interrompida</em>: ele é descrito como um longo poema sobre o luto e a figura materna. Pode nos contar como nasceu a metáfora do “pé de maracujá interrompido” e como ela se conecta às vozes que você escutou em seu estágio de Psicologia, em Petrolina?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> Entre 2020 e 2021, morei novamente com meus pais, em Cardeal da Silva, minha cidade natal. No quintal havia um pé de maracujá que se tornou um refúgio e uma companhia. Eu me sentava ali todos os dias, observando o nascimento das flores, como quem busca um respiro poético em meio ao luto coletivo da pandemia.</p>
<p>Um dia, soube que meu pai havia cortado o pé de maracujá. Fiquei triste, mas resolvi apenas observar o que acontecia com aquele pé morto e, nesse gesto de permanecer, começaram a brotar em mim as lembranças das mulheres que atendi anos antes, quando estagiava como psicólogo na atenção básica, em Petrolina, muitas delas vítimas de violência doméstica. Essas vozes voltaram com força e me ensinaram sobre afeto, coragem e resistência.</p>
<p>O livro nasceu desse encontro entre o maracujá interrompido e as histórias interrompidas dessas mulheres. Ambas continuaram florescendo em mim de outro modo. Ao longo da escrita, as referências literárias que me formaram também se entrelaçaram a essas vozes, como um modo de transformar a escuta em gesto de criação.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211;  Essa escuta — de pesquisador e de poeta — ajuda a transformar dor em palavra?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> A escuta sempre foi, pra mim, uma forma de cuidado e também de aprendizado. Essas experiências me marcaram profundamente.  No início, o que eu sentia era impotência diante da dor; depois, entendi que transformar a escuta em palavra podia ser também um modo de elaborar e de continuar cuidando. Em <em>Maracujá Interrompida</em>, essa escuta se torna matéria poética.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; <em>Maracujá Interrompida</em> já havia sido premiado com o <a href="https://www.cultura.pe.gov.br/canal/literatura/maracuja-interrompida-de-luis-osete-conquista-o-premio-jabuti-2025/#:~:text=O%20livro%20%E2%80%9CMaracuj%C3%A1%20Interrompida%E2%80%9D%2C,%E2%80%93%20Escritor%20Estreante%20(Poesia)." target="_blank" rel="noopener"><span style="color: #008000;">Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura</span></a> antes do Jabuti. Como o senhor percebe essa trajetória de reconhecimento — primeiro regional e agora nacional?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> O Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura foi o que tornou possível a publicação do livro. Quando saiu o resultado, fiquei muito feliz, não apenas por ter o livro finalmente publicado, mas também porque Petrolina voltava a ter um escritor premiado. Era a oitava edição do prêmio, e a cidade só havia tido um representante na primeira. Foi um reconhecimento que me deixou profundamente lisonjeado.</p>
<p>Com o Prêmio Jabuti, senti que o livro passou a representar também o próprio Hermilo, fortalecendo a importância de políticas públicas voltadas ao fomento da produção literária. Esse percurso, do regional ao nacional, mostra como iniciativas como o Hermilo podem fazer ecoar outras histórias, outros mundos e outras vozes que merecem se espalhar.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Há uma história de que o senhor escreveu o poema, o deixou guardado, deu para uma amiga ler e foi ela quem o incentivou a transformar em livro. É verdade?</strong></p>
<figure id="attachment_94518" aria-describedby="caption-attachment-94518" style="width: 154px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/maracuja-livro.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-94518" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/maracuja-livro-197x300.jpg" alt="Capa do livro Maracujá Interrompida" width="154" height="235" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/maracuja-livro-197x300.jpg 197w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/maracuja-livro.jpg 262w" sizes="auto, (max-width: 154px) 100vw, 154px" /></a><figcaption id="caption-attachment-94518" class="wp-caption-text">Capa do livro Maracujá Interrompida</figcaption></figure>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> É verdade. Quando voltei a morar em Petrolina, no início de 2021, recebi em casa por alguns dias Lia Rezende Domingues, uma amiga andarilha que conheci numa caminhada de 180 quilômetros pelo norte de Minas, em 2018. Lia havia publicado em 2020 um livro belíssimo sobre a convivência com a avó, <em>Minha Vida com Tê</em>, para o qual escrevi o prefácio. Sempre confiei muito na opinião dela.</p>
<p>Naquele período, eu estava escrevendo <em>Maracujá Interrompida</em>, que também é feito a partir da minha própria experiência pandêmica, e pedi que Lia lesse. Eu não sabia se o texto já estava pronto, se era mesmo um livro. Lia leu, gostou e me incentivou a inscrever o manuscrito no prêmio literário. Preciso até avisá-la que ganhei o prêmio. A última notícia que tive é que ela estava nas bordas do <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Lago_Titicaca" target="_blank" rel="noopener">Lago Titicaca.</a></span></p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Sendo sua estreia em livro, você vê <em>Maracujá Interrompida</em> como um ponto de chegada ou como o início de uma trajetória literária?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE  &#8211;</strong> Vejo <em>Maracujá Interrompida</em> como um ponto de começo e continuidade. Escrevo há alguns anos, mas ainda não me sentia pronto para publicar um livro. Por isso, essa estreia não é exatamente um início, é parte de uma travessia.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; E quais são os próximos passos? Já há novos poemas, ideias de livros ou até um romance em andamento?</strong></p>
<p><strong>UUIS OSETE &#8211;</strong> No momento, tenho me dedicado a concluir minha tese de doutorado, que precisa ser entregue em fevereiro do próximo ano. Meu desejo é que ela se desdobre em algo que eu possa devolver às crianças com as quais realizo a pesquisa. Ainda não sei o que será. Acho que, antes de qualquer coisa, preciso terminar a tese. Depois, deixo que ela me conte o que quer ser.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Você nasceu em Cardeal da Silva, na Bahia, e viveu entre Juazeiro e Petrolina. Como essa origem e essa paisagem sertaneja influenciam sua escrita e sua voz poética?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> Os territórios onde vivi estão entranhados na minha escrita, não como paisagens, mas como modos de sentir e de me relacionar com o mundo. Cardeal da Silva é o ponto de partida: o quintal e a infância, o lugar das primeiras imagens e lembranças, dos primeiros silêncios e esquecimentos. Já Juazeiro e Petrolina me formaram de maneiras muito distintas. Tenho a sensação de que Juazeiro é pra fora: é a rua, o movimento, o rumor da vida cotidiana, o espaço do olhar e da escuta do mundo. Petrolina, ao contrário, é pra dentro: é o recolhimento, o tempo do silêncio e da elaboração. Acho essa complementaridade a grande riqueza de viver nesse trânsito entre as margens, nessa ponte simbólica que liga o fora e o dentro, a rua e o silêncio, e tento aprender com os atravessamentos que ela provoca em mim e na minha forma de escrever.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Que tipo de leitor você espera alcançar com <em>Maracujá Interrompida</em>? E que tipo de reação — ou talvez de incômodo — deseja provocar?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETTE &#8211;</strong> Eu não escrevi <em>Maracujá Interrompida</em> pensando em um leitor específico. Acho que o livro busca quem se dispõe a mergulhar com todos os sentidos em um pé de maracujá interrompido que se funde a histórias de mulheres em relações familiares complexas.</p>
<p>Mais do que provocar incômodo, o livro talvez provoque deslocamento, aquele movimento interior que acontece quando algo nos atravessa e nos faz ver o mundo por outro ângulo. Se houver algum incômodo, que seja o de perceber o quanto ainda silenciamos certas existências.</p>
<p>O que mais desejo é que o leitor sinta o livro como um convite à escuta: das mulheres que me inspiraram e daquilo que, mesmo interrompido, ainda insiste em florescer.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Você é jornalista, psicólogo e doutorando em Educação. Como essas formações se cruzam quando o senhor está frente à página em branco?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> Essas formações se cruzam de forma muito natural na minha escrita. Do Jornalismo, herdei o olhar atento para o cotidiano e o desejo de registrar o que acontece ao redor. Da Psicologia, vem a escuta, a atenção ao que é dito e, principalmente, ao que não é possível dizer. E da Educação, o entendimento de que toda escrita é também um gesto de partilha, uma tentativa de construir sentido junto com o outro. Quando estou diante da página em branco, esses três modos de ver o mundo se misturam. Escrevo como quem observa, escuta e aprende.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Como foi o processo editorial com a Cepe Editora — desde o contato inicial até a revisão e a publicação final?</strong></p>
<figure id="attachment_94636" aria-describedby="caption-attachment-94636" style="width: 381px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Design-sem-nome-13.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-94636" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Design-sem-nome-13-300x235.jpg" alt=" Presidente da Cepe, João Freire, e o escritor Luis Osete" width="381" height="299" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Design-sem-nome-13-300x235.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Design-sem-nome-13.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 381px) 100vw, 381px" /></a><figcaption id="caption-attachment-94636" class="wp-caption-text">Luis Osete com o presidente da Cepe, João Freire Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> Foi um processo muito tranquilo. Primeiro, a equipe da Cepe Editora me pediu que fizesse uma revisão geral. Foi uma experiência curiosa reler o livro mais de dois anos depois de tê-lo escrito.</p>
<p>Depois da minha leitura, o revisor da editora marcou alguns pontos no arquivo, basicamente para confirmar se certas escolhas, como aglutinações, ausência de hífen ou grafias específicas, eram intencionais. Gostei muito desse cuidado na leitura.</p>
<p>Quando o livro foi lançado, infelizmente não pude estar presente. A data foi marcada em cima da hora, e não consegui me organizar para ir ao Recife. Mas todo o processo editorial foi feito com muito respeito e atenção ao texto e isso foi muito importante.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; O poema tem um fluxo contínuo, quase narrativo. Em algum momento você pensou em fragmentá-lo, ou sempre quis manter essa voz ininterrupta, como um “fio de memória”?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> Desde o início, eu quis que o poema seguisse uma estrutura próxima a um diário, como foi, de fato, no momento em que comecei a registrar as mudanças do pé de maracujá depois que ele foi cortado. Essa voz ininterrupta dava a fluidez necessária para acompanhar o fluxo das lembranças e das imagens. Era como se interromper o texto fosse também interromper o próprio processo de elaboração do luto. Por isso, mantive o fio contínuo: um fluxo de memória que se constrói enquanto escreve.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Houve alguma leitura, autor ou obra que serviu de referência — poética ou afetiva — durante a construção do livro?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> Felizmente, eu nunca escrevo desacompanhado. Tudo o que eu estava lendo naquele momento, e também o que já havia lido antes, acabou me atravessando de algum modo. Há referências que aparecem ao longo do livro, às vezes discretamente, e que alguns leitores mais atentos podem reconhecer.</p>
<p>Tenho sempre receio de citar nomes e esquecer outros, mas posso dizer que me sinto acompanhado por uma constelação de vozes que admiro.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Que importância você atribui a representar Cardeal da Silva e a literatura nordestina num palco como o do Jabuti?</strong></p>
<p><strong>LUIS OSETE &#8211;</strong> Representar Cardeal da Silva e a literatura nordestina em um palco como o do Jabuti tem um significado profundo pra mim. É gratificante poder levar comigo o nome da minha cidade, da minha região, e sentir que, de algum modo, outras vozes também estão sendo ouvidas junto com a minha.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Quando o amor vira saudade</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/quando-o-amor-vira-saudade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 17:48:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Silêncio, uma mãe partiu. Quando uma mãe parte, o mundo fica mais triste. Disse um poeta que “as mães não deveriam morrer nunca, poderiam ser eternas”. Infelizmente, não é assim. Perdi minha mãe quando tinha 17 anos. Faz 49 anos que ela partiu, dormindo, de um infarto fulminante. &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ilêncio, uma mãe partiu. Quando uma mãe parte, o mundo fica mais triste. Disse um poeta que “as mães não deveriam morrer nunca, poderiam ser eternas”. Infelizmente, não é assim.</p>
<p>Perdi minha mãe quando tinha 17 anos. Faz 49 anos que ela partiu, dormindo, de um infarto fulminante. O coração de minha mãe não aguentou. O tempo passou, e a saudade só aumenta. No outono da vida, velho, sou órfão de mãe. Carente do seu amor, de seu zelo, de seu cuidar, de seu olhar. O tempo, esse senhor impiedoso, que nunca para, levando tudo para frente, tenta me afastar de minha mãe. Minha memória, todos os dias, a traz de volta. Até hoje, quando algo não dá certo, quando tudo fica turvo, era no colo de minha mãe que gostaria de me abrigar. Ali estaria seguro.</p>
<p>Não há no mundo amor maior do que o de mãe. São elas que nos geram em seus ventres, são elas que nos protegem de todos os males. Dizem que o tempo arrefece a saudade; não é verdade. O tempo apenas nos ensina a seguir em frente, mutilado, sem sua presença, no caminhar necessário para o continuar da vida.</p>
<p>São as mães que colocam na mesa o prato favorito dos filhos quando regressam. São elas que guardam as fotografias de quando somos pequenos, sempre lembrando que nunca deixamos de ser criança para elas. Elas conhecem todos os nossos gostos. Somente as mães rezam todas as noites por suas crias, como se a oração pudesse protegê-los do mundo. Porque, no fundo do coração, uma mãe nunca deixa de se preocupar. Os filhos já adultos, elas aprendem a fazê-lo a partir da sombra. Do canto. Da oração em silêncio. É uma forma de amor invisível, mas que sustenta tudo.</p>
<p>Ser mãe de um filho adulto é aceitar que já não é o centro da vida dele…. e, mesmo assim, amá-lo como se ainda fosse. Porque existe um amor que nunca desaparece — apenas aprende a esperar pacientemente. Esse é o amor de mãe. Em silêncio.</p>
<p>Há presenças que não precisam de palavras para fazerem sentido. Basta saber que estão ali, mesmo em silêncio, mesmo à distância, para que o peso dos dias difíceis se torne mais leve. As pessoas que amamos, e que nos amam, funcionam como âncoras silenciosas: não evitam a tempestade, mas impedem que nos percamos no meio dela. A mera existência delas na nossa vida suaviza os impactos, dá novo fôlego à esperança e devolve-nos a certeza de que não estamos sós, mesmo quando tudo parece desabar. É no afeto partilhado que encontramos refúgio. É na presença sentida que renascemos.</p>
<p>A verdade é que a vida tem uma habilidade invejável de desmentir nossas convicções. A certeza, essa senhora elegante que costuma nos acompanhar com ar de sabedoria, vira e mexe nos abandona na beira da estrada. Às vezes, ela até muda de lado e passa a ser exatamente a certeza que a gente mais temia, a que não queria, a que preferia nunca ter sabido. E quando ela chega, com a força cruel das constatações inevitáveis, tem o gosto amargo das palavras que evitamos, dos sinais que ignoramos, das intuições que sufocamos.</p>
<p>A verdade é que ninguém nos prepara para o silêncio que açoita quando uma mãe parte, deixando respostas nunca respondidas para trás&#8230;</p>
<p>Não é só o silêncio do quarto vazio, do lugar à mesa… mas aquele que se instala suavemente no coração. Quando já não temos a quem pedir um conselho, a quem perguntar o que fazer…</p>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Nesta hora em que o amor atende pelo nome de saudade… quero deixar meu abraço para Renato, Lereno e Rinaldo — meu poeta amigo —, e dizer que vocês tiveram o privilégio, a honra e a dádiva de terem a melhor mãe do mundo, presente de DEUS.  Dona Gercina partiu, deixando de viver entre nós para viver em nós. E em todos aqueles que desfrutaram de sua companhia mansa, serena e sábia.</p>

			</div></div>
<p>Parafraseando Santo Agostinho, digo: “A tristeza de perdê-la não diminui a alegria de tê-la”.  Que DEUS console vossos corações: Renato, Lereno e Rinaldo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Marcelo — Mais uma vez, um ribeirão de histórias</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/marcelo-mais-uma-vez-um-ribeirao-de-historias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Apr 2025 14:56:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[canudos]]></category>
		<category><![CDATA[conselheiro]]></category>
		<category><![CDATA[encegueirado]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[interpretações]]></category>
		<category><![CDATA[investigou]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[mitificação]]></category>
		<category><![CDATA[poeta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Há temas sobre os quais, erroneamente, afirma-se, de maneira superficial e aligeirada, respectivo esgotamento. Ou seja, nada mais além dizer. O fenômeno Canudos [leia-se Antônio Conselheiro] é um destes. Decerto muito sobre o local, a carismática figura, o conflito armado, muito e muito já se falou, se disse, se &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á temas sobre os quais, erroneamente, afirma-se, de maneira superficial e aligeirada, respectivo esgotamento. Ou seja, nada mais além dizer. O fenômeno Canudos [leia-se Antônio Conselheiro] é um destes.</p>
<p>Decerto muito sobre o local, a carismática figura, o conflito armado, muito e muito já se falou, se disse, se escreveu.</p>
<p>Contudo, as múltiplas percepções, que redundam em diversas interpretações, longe de deterem o poder de dar o caso por encerrado, quando sob luz de uma mente atenta, dotada de acurado discernimento, com disposição de ir às fontes [sejam as já visitadas, sejam as até então ignoradas], capaz de produzir cuidadosa e rica narrativa, revelam lacunas e incertezas.</p>
<figure id="attachment_88812" aria-describedby="caption-attachment-88812" style="width: 205px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-88812" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36-236x300.jpeg" alt="livro" width="205" height="260" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36-236x300.jpeg 236w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36-806x1024.jpeg 806w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36-768x976.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36.jpeg 840w" sizes="auto, (max-width: 205px) 100vw, 205px" /></a><figcaption id="caption-attachment-88812" class="wp-caption-text">Capa do livro</figcaption></figure>
<p>Por isso saúdo, com raro entusiasmo, ao escritor, pesquisador, memorialista Marcelo Ribeiro pela exaustiva, contudo, prazerosa produção literária mais recente: &#8220;Calasans e Conselheiro&#8221;.</p>
<p>Notório é o fato de que centenas de pesquisadores [sistemáticos ou bissextos], arvoram-se &#8220;proprietários&#8221; do fenômeno Canudos/Conselheiro. O apelo popular, a mitificação, as interpretações esdrúxulas, que tonificam este ou aquele aspecto, sem levar em consideração a cadeia de eventos anteriores e posteriores, fazem do tema terreno movediço. Passo em falso, e o discurso pode afundar sob a lama de confusos e infundados argumentos.</p>
<p>Marcelo Ribeiro, experiente, preocupado em chegar à verdade ou ao mais próximo dela, investigou, sopesou, comparou, confrontou, discordou, convergiu, sempre a partir da mais profunda e comprometida reflexão quanto ao fenômeno. E assim é que tem de ser.</p>
<p>O único senão, e eu disse diretamente ao autor, na minha humilde opinião [e é só uma opinião], é o exacerbado, por vezes encegueirado, amor por Sergipe, pelo Nordeste. Ardor quase a enquadrar-se nas qualificações duma apologia. Mas, bom frisar, é a cabruquenta regalia do autor. Estou apenas a pôr-me sibite e meter o bedelho. Marcelo demonstra, ao lado do rigor de pesquisa e construção da tese, um carinho pela memória dos acontecimentos.</p>
<p>Paul Ricoeur decerto sairia em defesa do autor. O fenomenólogo e hermeneuta compreende bem o poder documental das reminiscências: &#8220;Se a história tem um início distinto em termos de conhecimento, marcado por nomes famosos, Heródoto, Tucídides e fontes ainda mais antigas, seus maiores problemas, e, para ser franco, suas dificuldades, suas dificuldades vêm de muito antes dela, da memória&#8221;.</p>
<p>Muito bem escrito, de narrativa apaixonada [C&#8217;est l&#8217;amour!], cuidado para com as fontes. Eis algumas das melhores características da obra. Marcelo, bem o sabem seus costumeiros leitores, está longe de ser um neófito no campo das Letras, da História e da Memória. É de praxe o autor entregar ao público bons livros.</p>
<p>A data de lançamento ainda não está definida. Na verdade, o livro se encontra em finalização editorial. Ou seja, nem chegou ainda aos prelos.</p>
<p>Tive o privilégio de acessar o original, e disso me orgulho. Sem pejo, incorro em desavergonhada jactância, pois, após proceder com um texto crítico [que não é este], receber a notícia, diretamente do autor, Marcelo Ribeiro, desde que minhas mal traçadas linhas serão incluídas como posfácio.</p>
<p>Portanto, leitores, entendam este artiguete como a um teaser. Uma preparação do espírito dos amantes de boas obras, ante o que virá durante o segundo semestre de 2025.</p>
<p>Marcelo Ribeiro, sabedor de sua responsabilidade sobre o tema, demonstrou segurança, coragem e honestidade.</p>
<p>Além do mais, e não menos importante, é, reitero, muito bem escrito mesmo. Um refrigério para leitores atentos como eu diante de tanta coisa ruim publicada nos últimos tempos.</p>
<p>Ecce viri!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Escritor Antônio Camilo é eleito para a Academia Sergipana de Letras</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/escritor-antonio-camilo-e-eleito-para-a-academia-sergipana-de-letras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Apr 2025 12:42:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[biógrafo]]></category>
		<category><![CDATA[contista]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[imortal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; A Academia Sergipana de Letras (ASL) realizou  na tarde desta segunda-feira, 7, uma eleição para a entrada do mais novo membro da instituição. O escritor, advogado e analista judiciário do Tribunal de Justiça de Sergipe, Marco Antônio Camilo dos Santos, conhecido no meio literário como Antônio Camilo, passará a ocupar a Cadeira de número &#8230;</p>
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<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>A Academia Sergipana de Letras (<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://letrassergipanas.com.br/" target="_blank" rel="noopener">ASL</a></span>) realizou  na tarde desta segunda-feira, 7, uma eleição para a entrada do mais novo membro da instituição. O escritor, advogado e analista judiciário do Tribunal de Justiça de Sergipe, Marco Antônio Camilo dos Santos, conhecido no meio literário como Antônio Camilo, passará a ocupar a Cadeira de número 9, que está vaga desde dezembro de 2024, em virtude do falecimento do médico José Abud. A posse na Academia deverá ocorrer na primeira semana de maio.</p>
<p>Antônio Camilo é natural de Aracaju, filho da professora Maria Consuelo Camilo dos Santos e do servidor público federal Juarez Camilo dos Santos. O futuro imortal da ASL oferecerá sua contribuição à cultura sergipana desde 1987, tendo publicado seu primeiro livro em 2013. É poeta, cronista, contista, memorialista e biógrafo, já tendo publicado um total de 9 livros.</p>
<p>Atualmente, o autor é considerado um dos mais destacados escritores de Sergipe e o mais produtivo biógrafo. Tem livros prefaciados e apresentados pelo ex-presidente da República José Sarney; pelo ex-senador e ex-governador do Rio Grande do Sul, Pedro Simon; pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto; pelo ex-senador Francisco Guimarães Rollemberg; pelo ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Augusto César Leite de Carvalho, dentre outras personalidades.</p>
<p>Seu livro &#8220;A  família do Coração Imaculado de Maria no Brasil&#8221; foi traduzido para o idioma italiano, sendo lançado em 2023 em Portugal e na Itália. Suas obras &#8220;Rochinha &#8211; Decano da Humildade&#8221; e &#8220;Antonio Carlos Valadares &#8211; O Realizador de Sonhos&#8221; foram selecionadas para integrar o acervo da Library of Congress, a Biblioteca do Congresso Americano.</p>
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<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h3>Conheça as obras literárias do escritor Antônio Camilo</h3>
<p>* &#8220;Um presente de Deus &#8211; Histórias em Versos&#8221;</p>
<p>* &#8220;Contos de pérola&#8221;</p>
<p>* &#8220;Getúlio Sávio Sobral &#8211; Fé, Trabalho e Perseverança&#8221;</p>
<p>* &#8220;Elysio Carmelo &#8211; Um Homem Admirável&#8221;</p>
<p>* &#8220;A família do Coração Imaculado de Maria no Brasil&#8221;</p>
<p>* &#8220;Rochinha &#8211; Decano da Humildade&#8221;</p>
<p>* &#8220;Antonio Carlos Valadares &#8211; O Realizador de Sonhos&#8221;</p>
<p>* &#8220;Carlos Magalhães &#8211; Pode me chamar de Magá que eu não me incomodo&#8221;</p>
<p>* &#8220;José Trindade &#8211; Um homem singular. Um ser especial&#8221;</p>

			</div></div>
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</div>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Hermes-Fontes: um poeta e gênio atormentado</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/hermes-fontes-um-poeta-e-genio-atormentado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Feb 2025 21:06:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[antologias]]></category>
		<category><![CDATA[Aracaju]]></category>
		<category><![CDATA[atormentado]]></category>
		<category><![CDATA[avenida]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[gênio]]></category>
		<category><![CDATA[Hermes Fontes]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[jornalista]]></category>
		<category><![CDATA[poeta]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=86498</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Acácia Rios (*) E saber que eu julguei que essa insensível  pudesse amar-me como a um seu irmão!  e possibilitei nesse impossível  dar forma eterna à minha aspiração!  Esfinge, esfinge! desgraçadamente. maior, mais vasto que o deserto ambiente  é o deserto que tens no coração. Esfinge, Hermes Fontes O nome Hermes-Fontes atravessa a vida dos &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/hermes-fontes-um-poeta-e-genio-atormentado/">Hermes-Fontes: um poeta e gênio atormentado</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote>
<p lang="PT-BR">Por Acácia Rios (*)</p>
</blockquote>
<p lang="PT-BR" style="text-align: right;"><em><span lang="PT-BR">E saber que eu julguei que essa insensível </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">pudesse amar-me como a um seu irmão! </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">e possibilitei nesse impossível </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">dar forma eterna à minha aspiração! </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">Esfinge, esfinge! desgraçadamente. </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">maior, mais vasto que o deserto ambiente </span></em></p>
</div>
<div style="text-align: right;">
<p lang="PT-BR"><em><span lang="PT-BR">é o deserto que tens no coração.</span></em></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR" style="text-align: right;"><strong><span lang="PT-BR">Esfinge, Hermes Fontes</span></strong></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR">
</div>
<div>
<p><span lang="PT-BR"><span class="dropcap ">O</span> nome Hermes-Fontes atravessa a vida dos aracajuanos. As inúmeras placas ao longo dos seus 4 quilômetros, aproximadamente, não deixam esse sergipano de Boquim passar despercebido. Ainda mais para uma criança que acabara de aprender a ler. O mundo se me abria e as placas se tornavam parte do meu jogo do contente, que, no trajeto da antiga Cohab ao Centro, consistia em admirar as belas casas da avenida e memorizar os outros nomes com os quais a longa via fazia esquina. </span></p>
</div>
<div>
<figure id="attachment_86503" aria-describedby="caption-attachment-86503" style="width: 919px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avenida-hermes-fontes-scaled.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-86503" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avenida-hermes-fontes-300x139.jpg" alt="Hermes Fontes" width="919" height="426" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avenida-hermes-fontes-300x139.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/avenida-hermes-fontes-768x355.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 919px) 100vw, 919px" /></a><figcaption id="caption-attachment-86503" class="wp-caption-text">Avenida Hermes Fontes Fotos: Saulo Vilella</figcaption></figure>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-scaled.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-86517 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-300x139.jpeg" alt="" width="300" height="139" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-300x139.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-1024x473.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-768x355.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-1536x709.jpeg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.07.44-2048x946.jpeg 2048w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Anos depois, Hermes-Fontes (o autor grafava seu nome com hífen, sintetizando assim o de batismo: Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes) saltaria da placa para a página de um livro. Eis que me vejo diante de ‘A taça’ (título pelo qual ficou conhecido), um poema visual que faz uma ode a esse objeto. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Tornou-se o poema mais conhecido dele, presente em várias antologias, uma delas a de José Costa, que foi meu professor de Literatura Brasileira na UFS e organizou o livro </span><span lang="PT-BR">Antologia poética de Hermes Fontes</span><span lang="PT-BR">, editada pela Secretaria de Estado da Cultura em 2004. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.08.19.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-86522 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.08.19-181x300.jpeg" alt="" width="86" height="142" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.08.19-181x300.jpeg 181w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/WhatsApp-Image-2025-02-21-at-17.08.19.jpeg 617w" sizes="auto, (max-width: 86px) 100vw, 86px" /></a>A descrição da taça, que vai se confundindo progressivamente com uma mulher, é carregada de sensualidade e musicalidade. Começa e termina com versos dodecassílabos (doze sílabas), mas a métrica varia ao sabor do desenho da taça, estreitando a rima na haste, de forma que temos versos de apenas uma palavra, como o leitor pode observar. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">A característica heterométrica (métricas diferentes) é o que o aproxima da poesia moderna. Essa sua versatilidade (e criatividade poética, diga-se de passagem), permitia-o transitar entre escolas.</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR">
</div>
<div>
<p lang="PT-BR" style="text-align: center;"><span lang="PT-BR"><div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			</span></p>
<p lang="PT-BR" style="text-align: center;"><span lang="PT-BR">Pouco acima daquela alvíssima coluna</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">que é o seu pescoço, a boca é-lhe uma taça tal</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">que, vendo-a, ou vendo-a, sem, na realidade, a ver,</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">de espaço a espaço, o céu da boca se me enfuna</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">de beijos — uns, sutis, em diáfano cristal</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">lapidados na oficina do meu Ser;</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">outros — hóstias ideais dos meus anseios,</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">e todos cheios, todos cheios</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">do meu infinito amor&#8230;</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Taça</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">que encerra</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">por</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">suma graça</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">tudo que a terra</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">de bom</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">produz!</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Boca!</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">o dom</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">possuis</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">de pores</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">louca</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">a minha boca!</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Taça</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">de astros e flores,</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">na qual</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">esvoaça</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">meu ideal!</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Taça cuja embriaguez</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">na via-láctea do Sonho ao céu conduz!</span></p>
</div>
<div style="text-align: center;">
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Que me enlouqueças mais&#8230; e, a mais e mais, me dês</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR" style="text-align: center;"><span lang="PT-BR">o teu delírio&#8230; a tua chama&#8230; a tua luz&#8230;</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">                                                                              
			</div></div></span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Multifacetado, era considerado ao mesmo tempo parnasiano (ou neoparnasiano, segundo Otto Maria Carpeaux), simbolista e pré-modernista. Esse hibridismo estético o caracterizava. Também pudera, viveu num momento não só de grande efervescência cultural o Rio de Janeiro como também de mudança estética na literatura, proporcionada pela Semana de Arte Moderna de 22. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">No Rio de Janeiro, conviveu com poetas de diferentes correntes e o ambiente de interlocução impregnou-o de diversas maneiras. A sua estreia, com o livro </span><span lang="PT-BR">Apoteoses</span><span lang="PT-BR">, projetou-o nacionalmente e chamou a atenção de João Ribeiro, Silvio Romero, Rocha Pombo e Olavo Bilac, só para citar alguns. “É Hermes-Fontes um moço, quase um menino, cujo livro </span><span lang="PT-BR">Apoteoses</span><span lang="PT-BR"> é uma revelação de força lírica.”, disse Bilac, conforme menciona Assis Brasil em seu livro </span><span lang="PT-BR">A poesia sergipana no século XX</span><span lang="PT-BR"> (1998).</span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Além de poeta, jornalista e cronista, era caricaturista e letrista. Suas caricaturas apareciam nos jornais </span><span lang="PT-BR">O bibliógrafo</span><span lang="PT-BR">, </span><span lang="PT-BR">Tagarella</span><span lang="PT-BR"> e </span><span lang="PT-BR">Brasil Moderno.</span><span lang="PT-BR"> Por meio dessa linguagem, satirizou a vacina obrigatória, a lei do Expurgo e o Código Civil. Também se posicionou em relação à Campanha Civilista em favor de Rui Barbosa e, posteriormente, da Revolução de 30. </span><span lang="PT-BR">Quanto às s</span><span lang="PT-BR">uas composições ‘Luar de Paquetá’ e ‘À beira mar’, foram gravadas por Vicente Celestino e podem facilmente ser acessadas na internet. </span></p>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Participou da organização da Academia Sergipana de letras e foi fundador da cadeira 16, cujo patrono foi Pedro de Calasans. Em seu </span><span lang="PT-BR">Dicionário Biobibliográfico sergipano </span><span lang="PT-BR">(1925), Armindo Guaraná nos informa que ele também foi membro correspondente da Academia Piauiense de Letras. </span></p>
<p lang="PT-BR"><div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
</div>
<div>
<h3 lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Um pouco do homem </span></h3>
</div>
<div>
<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">A biografia de Hermes-Fontes é comovente. Nasceu em Boquim, região sul de Sergipe, em 1888. Aprendeu as primeiras letras em pouco tempo e foi levado para estudar em Aracaju aos 8 anos. Sua genialidade chamou a atenção de professores e figuras conhecidas, notícia que logo se espalhou pelo estado. De acordo com Ana Medina, em </span><span lang="PT-BR">Cartas de Hermes Fontes: angústia e ternura</span><span lang="PT-BR"> (2006), “aos oito anos já era uma revelação, um prodígio de memória, lia jornais como se fosse um adulto e possuía grande talento para a música e o desenho”.</span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Tanto talento junto chamou a atenção do então presidente do Estado, Martinho Garcez, que o adotou, levando para o Rio de Janeiro com apenas 10 anos. Na capital federal, os estudos avançaram às expensas da família Garcez, mas tão logo pôde buscou a sua independência. Fez um concurso para os Correios, passando em primeiro lugar. Entrou na faculdade de Direito e foi morar numa pensão, onde conheceu Alice, o amor da sua vida, que representa um capítulo à parte na sua história.</span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">O poeta perdeu a mãe nos primeiros anos da infância e foi arrancado do seio familiar muito jovem. Se a capital sergipana já era uma separação da cidade natal, imagine o Rio de Janeiro. Nas cartas dirigidas à família (com quem manteve longa correspondência epistolar), relatava a saudade da terra. Isso está demonstrado no livro </span><span lang="PT-BR">Despertar!</span><span lang="PT-BR"> (1922), que ele dedica a “Sergipe, terra dos meu berço&#8221; e aos pais. </span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">As cartas, que estão no Museu Raimundo Fernandes da Fonseca, em Boquim, revelam também que ele era arrimo de família. Sistematicamente, enviava quantias junto com as correspondências, em que sempre pedia notícias dos familiares, vizinhos e amigos.</span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Apesar de boa recepção crítica (publicou 11 livros em total) e de uma vida profissional intensa, Hermes-Fontes foi acumulando alguns dissabores ao longo da vida. Tentou entrar para a Academia Brasileira de Letras cinco vezes e, em todas elas, foi rechaçado. Também desejava ser Príncipe dos Poetas Brasileiros. No campo político, tentou ser deputado, mas não conseguiu. </span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Casou apaixonado, mas o sentimento não era correspondido à mesma altura. Sua mulher engravidou, mas perdeu a criança. Anos depois, soube que havia sido traído por ela e por pessoas próximas. Separaram-se, mas ainda nutria sentimentos por Alice. Além de tudo, tinha complexo de ‘físico acanhado’, pois media pouco mais de um metro e meio.</span> <span lang="PT-BR">Uma autorreferência à sua altura é o pseudônimo P.Q. Nino. Às vezes assinava com as iniciais H.F., ou F.H., invertidas. Leo-Zito, Leléo, Léo-Fábio, Rems, Rins e Roms também eram usados pelo poeta. </span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">O poema ‘Esfinge’, cuja estrofe encabeça esta crônica, foi escrito por ele com o coração dilacerado. Era um homem romântico e, mesmo depois da separação, ainda se preocupava com o bem estar da sua amada, apesar de o coração dela ser um deserto, como diz o último verso.</span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Toda essa solidão, expressa na sua obra, culminou em uma profunda tristeza. Antes de suicidar-se com um tiro na cabeça, aos 42 anos, queixara-se com os amigos acerca do seu envolvimento na Revolução de 30. Mas diante da sua baixa autoestima e de tantas decepções, a amorosa sendo a pior de todas, tudo leva a crer na desilusão em relação à própria vida.</span></p>
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<p lang="PT-BR"><span lang="PT-BR">Cruzo diuturnamente a avenida Hermes Fontes, essa artéria sem a qual Aracaju não seria a mesma. Atravesso também as doze letras que compõem o seu nome e chego ao homem, esse poeta e gênio atormentado repleto de ternura.</span></p>
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