<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo para mosaico - Só Sergipe</title>
	<atom:link href="https://www.sosergipe.com.br/tag/mosaico/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.sosergipe.com.br/tag/mosaico/</link>
	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 30 Nov 2020 12:10:52 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>
	<item>
		<title>Verdades vazias, cegueiras e mortes: as conflagrações retalhadas em Mosaico de Rancores, de Márcia Barbieri</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/verdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Nov 2020 10:47:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Afins]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[autora]]></category>
		<category><![CDATA[D'Or]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Casmurro]]></category>
		<category><![CDATA[existência]]></category>
		<category><![CDATA[impressões]]></category>
		<category><![CDATA[leitor]]></category>
		<category><![CDATA[ler]]></category>
		<category><![CDATA[literário]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[Lolita]]></category>
		<category><![CDATA[Márcia Barbieri]]></category>
		<category><![CDATA[mistério]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[mosaico]]></category>
		<category><![CDATA[Mosaico de Rancores]]></category>
		<category><![CDATA[ódio]]></category>
		<category><![CDATA[palavra]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=34713</guid>

					<description><![CDATA[<p>                                                                                               “Tento mergulhar, os olhos me impedem”.     &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/verdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri/">Verdades vazias, cegueiras e mortes: as conflagrações retalhadas em Mosaico de Rancores, de Márcia Barbieri</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&#038;title=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/verdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri/" data-a2a-title="Verdades vazias, cegueiras e mortes: as conflagrações retalhadas em Mosaico de Rancores, de Márcia Barbieri"></a></p><figure id="attachment_25901" aria-describedby="caption-attachment-25901" style="width: 127px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-25901" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg" alt="" width="127" height="124" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg 409w" sizes="(max-width: 127px) 100vw, 127px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25901" class="wp-caption-text">Germano Viana Xavier (*)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><em>                                                                                               “Tento mergulhar, os olhos me impedem”.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>                                                                                                              (Malu, em Mosaico de Rancores)</em></p>
<p style="text-align: justify;">A literatura é uma espécie de ferida, cuja dor é sentida na pele pelo sujeito-leitor, um dos principais elementos de ativação dos sentidos das palavras. Chagas invadem os olhos de quem ousa ler as páginas de um bom livro. É assim, simplesmente. Do bem e do mal, para aquém ou para além, uma força nada qualquer. Para sempre, nódoas ficarão. Na alma, nos olhos. Literatura. Arrebol de sangue e pulso. Víveres. E a literatura de Márcia Barbieri, mais especificamente em seu MOSAICO DE RANCORES (Terracota, 2013), é mais uma boa demonstração viva do que venho a tratar aqui nestas minhas impressões. A obra é um bruto recorte metafórico em prosa acerca de sentimentos bastante humanos, obtido prioritariamente a partir das visões da personagem Malu, que, cega de ciúmes por Lúcio, altera toda uma órbita existencial em prol de um alucinante arremate de ódio e amor ao convívio interpessoal.</p>
<p style="text-align: justify;">“Ultimamente é para isso que me servem as palavras, para estancar meu sangue pisado”, fraseia Malu em uma das passagens do livro, personagem que na obra em si funciona como um <em>narrador não confiável</em>, termo cunhado em meados do século XX pelo crítico literário estadunidense Wayne C. Booth para designar a presença de um narrador &#8211; no caso de Mosaico de Rancores, uma personagem-narradora &#8211; sem credibilidade ou com sua legitimidade argumentativa comprometida. Como manda o figurino para tal efetivação de recurso, o elemento literário que narra apresenta-se em primeira pessoa. Ao contrário do que possa parecer, não há uma maior aproximação do leitor perante a obra por conta disso, mas sim um brando afastamento. Este tipo de narrador torna tudo questionável. A verdade torna-se uma calamidade, quase uma imposição. Chega-se ao ponto de não acreditar em nenhuma das personagens que transpassam o livro. E tudo se mostra inquieto.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo fato de toda a realidade exposta na obra de Barbieri caber-se isolada em vários pontos e entender-se distorcida em essência e até propositalmente, à semelhança do que acontece em Dom Casmurro, de Machado de Assis e, também, em Lolita, de Vladimir Nabokov, o leitor, pois, vê-se automaticamente inserido num vasto e vago e largo mistério em minúcias. E mistérios não são fáceis de desvendar. Com uma prosa muito poética, que é, antes de tudo, uma extensão de diálogo com o que há de mais primitivo no ser humano, Barbieri supera a mera escrita formal para expor o que quase sempre fica retido nas campânulas do Homem. E que, por tanto escondermos, dores, angústias, máculas, infernos, enxergamos romper daí várias formas de cegueira, até aquela que insistimos em não querer ver, como em moldes de ditado popular, a dizer de um rio a brotar “incoerente nas veias de um cardíaco”. Um mosaico de situações que corroboram alusões à <em>menipeia</em>, já que há no livro um jogo que enovela o cômico e o trágico, o livre linguajar e o conceito filosófico, o sagrado e o universal, misturados à loucura, à impressão da morte e ao sonho. <em>Prosimetrum</em> em monólogos: diálogos internos com a própria imagem. Narciso bem presente.</p>
<figure id="attachment_34732" aria-describedby="caption-attachment-34732" style="width: 206px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-34732" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores-200x300.jpg" alt="" width="206" height="309" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores-200x300.jpg 200w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores-681x1024.jpg 681w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores-768x1154.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores-1022x1536.jpg 1022w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-mosaico-de-rancores.jpg 1105w" sizes="(max-width: 206px) 100vw, 206px" /></a><figcaption id="caption-attachment-34732" class="wp-caption-text">Capa de Mosaico de Rancores</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">“O amor é assim, arrumação de camas, ruas sem saída, novelos de uma Ariadne perdida no labirinto”. A primeira parte do livro MOSAICO DE RANORES, intitulada de OLHOS DE CÃO, é uma espécie de introdução ao desconhecido – ou aos desconhecidos da alma da personagem Malu, aparentemente uma mulher sem controle sobre seus próprios sentimentos e sentidos. Uma mulher cujo alfabeto é lido e pronunciado através do olhar e da visão. “Tenho centenas de olhos cobrindo meu corpo e nenhum deles é capaz de prever a verdade”, expira Malu. Uma mulher que, aparentemente, espelha seus parcos momentos de felicidade e gozo na figura de Lúcio, seu par, fotógrafo e amante dos jardins de delícias da vida. Malu é Sísifo, condenada ao absurdo de viver a tarefa sem sentido da vida. A pedra parece sempre rolar sobre seus ombros. A pedra Lúcio? Lúcio não é também a própria Malu? Para Malu, “o desconhecido é uma puta oferecida” e ela crê “apenas na condição do poço”.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal qual Tirésias, em vaticínio edipiano, Malu parece somente encontrar a felicidade nos instantes em que não enxerga absolutamente nada. Então, abrir os olhos já significaria sofrer. Correndo “em disparada em direção ao descaminho”, a jovem Malu amargura-se ao ser presenteada por Deus não com um, mas com dois buracos negros em si. É o que ela pensa. Castigo? Por qual motivo? Querer a presença de Lúcio seria a razão legal de tanto sofrimento? Mas sentir que agora os “desejos rastejam feito cobras mansas, sem veneno”, não seria aporte para as suas mais recentes e apoteóticas condutas? Quem pode falar por Malu a não ser ela mesma? Quem é Lúcio aos olhos cegos de Malu? Por estar só, ou aparentar estar assim, Malu sente a morte, que “não sente o cheiro das flores nem vê a empáfia dos urubus”. A morte é um ser dissonante e “mil órbitas me observam”, pensa. “A morte avança em progressão geométrica”. Malu está cercada. Por quem?</p>
<p style="text-align: justify;">Caronte e sua barca, o morto e sua moeda na boca, Cérbero, Estige, o estranho da foice, todos presentes. Malu parece narrar, ao longo de toda a primeira parte de Mosaico de Rancores, o ritual de sua própria morte, mesmo quando vida. “A morte dói, mas a vida são agulhas torturando as pontas dos dedos”, retruca. E nisso tudo, o leitor a ver navios fica, também perseguido pela suposta loucura de Malu. Tudo cinde. Malu é Mnemósine, mas não quer ser memória, não deseja tê-la. Memória é pavor, agrura, memória é morte, é dor. Malu, para quem até os fantasmas são providos de carne e para quem a dor é inerente à carne&#8230; A carne que é mais símbolo de morte do que de vida, propriamente. E para quem Lúcio é muitas vezes a encarnação viva da morte, da sua morte. Diária ou eventual, mas a sua morte em particular. O leitor também se encarna. E vive a sandice metafórica da jovem. De novo, a dualidade vida X morte. A vida parece ser menor, pois “a morte é mais excitante, são cavalos vermelhos e selvagens”. A morte, assim como a vida, escondida por debaixo de panos coloridos. Enfim, Malu cria Nepente, a bebida do esquecer. Consegue?</p>
<p style="text-align: justify;">MOSAICO DE RANCORES é mais que simplesmente um título que versa sobre o ciúme, tão bruscamente retratado por Malu, que vocifera aos brados que “a dor dos ciúmes que eu esmago todas as noites entre meus dedos” é a sua diária oração, “uma queda brusca de estrelas”. Ao mesmo tempo em que se mostra indiferente ao mundo que a cerca, Malu representa a desobediência, o desordenamento. A desobediência de quem é deveras coerente com aquilo que pensa, apesar de tudo. “Tudo está enquadrado em uma foto que não posso ver”. E lembrar se torna insuportável. Mas o que faz com que Malu se sinta tão cega, a ponto de enxergar que seus fantasmas são assim, tão palpáveis, concretos e reais? Estar cego é ver demais? O que explica tão avessa disparidade?</p>
<p style="text-align: justify;">“Olhos parados, sem expressão, olhos de pouco ver”. Seria Lúcio a des-visão de Malu, o ver-pouco e/ou o excesso? Lúcio, “o fotógrafo de mil poses”, é um sujeito até certo ponto maltratado pela mente “diabólica” de Malu, que despeja todos os seus ranços na provável conduta promíscua de seu parceiro. Lúcio é um alguém sem sangue se comparado a Malu, corpo distante e alma de incertezas. Na primeira parte do livro, Lúcio é também boa parcela da memória de Malu, cuja vida se dá numa explosão de inquéritos. Um elemento que não está sempre presente, que some, que volta, que é impermanente e que quando volta é pego pelos braços-aranha de Malu. “Lúcio pensa que sou idiota, que não percebo suas estratégias de fuga. Poderia voltar correndo, entrar naquele estúdio e picar todas aquelas fotos indecentes”, verbaliza Malu. “O que posso fazer? Me fingir de idiota como a maioria? Fingir que sou cega?”, complementa num capítulo adiante. Lúcio parece sempre estar fugindo, apesar de sempre estar por perto. “Eu tinha certeza do seu sumiço e agora ele aparece dono de mim e eu procuro os pedaços que me roubaram”. Malu convive com as fugas de Lúcio, no sempre, pois “há vários labirintos entre o Gênesis e o Apocalipse”. Malu não aceita. Malu não aceita?</p>
<p style="text-align: justify;">“E cada pedaço de mim cavalga em tigres selvagens”. E a cada regresso de Lúcio, uma pausa. Uma Malu que também retorna. Malu o ama, não há dúvidas. Não. Há dúvidas! <em>Dubito, ergo cogito, ergo sum</em>. “Amá-lo é mergulhar com os bolsos cheios de pedras num rio verde e calmo, onde descansam libélulas e fantasmas de Virginia Woolf”. Por tudo o que lhe acomete, Malu diz cometer vários suicídios todos os dias. Seu corpo está enferrujado, não consegue mais “mastigar com ternura a singularidade das coisas”. O tempo a massacra. O ciúme, em determinado ponto, parece-lhe inútil. A tristeza, até ela!, parece se ausentar. Joga-se ao alcance de todos e não há quem a agarre. Uma queda eterna. Malu cai diante de si mesma, várias, incontáveis vezes, em luta incessante contra o amor, entidade que “traz restos de outras carnes, gosto de outras almas, salivas espessas de outras bocas, cascos galopantes de outras mãos”. Por isso, traiçoeiro. Malu é também o retrato de quem ama.</p>
<p style="text-align: justify;">“A cegueira me fez forte, me fez perversa. Tateio os seios da multidão. Retiro as vísceras do dia, nada sobra”. O amor de Lúcio a machuca. Malu é somente abismos. Olhos sempre abertos. Olhos de peixe. Luiz surge. Uma pequena redenção. Malu-Capitu? Quem trai quem? Big Bang. Malu se perde? Quem se perde? Há humanidade no amor, e na paixão? Um estrangeiro no leito. Vingança? Malu arrefece? Malu incendeia? Malu duvida. Malu testa a si mesma. Malu sofre com a conclusão de René Descartes. Cogito, cogito, cogito&#8230; Quem é Malu, afinal? A que ama Lúcio, a que não ama ninguém? A que ama a todos? Malu finge. Malu pode ser o disfarce perfeito. Trafica-se. Traficante de amor. Uma luta contra Deus. Renasce. “Erva daninha”. Malu é a imagem do pai. Seio de mais-morte. Um ponto de interrogação. Aliás, “tudo que pulsa presume a dor da existência”. Quando Malu gesta sua morte?</p>
<p style="text-align: justify;">“Malu precisa aprender a lidar com a realidade, está tão acostumada a manipular seus fantasmas que se esqueceu da consistência porosa da carne humana. Das dentadas que deixam marcas sobre a pele. Dos tombos, dos joelhos ralados, dos tapas no meio da cara. Dessa loucura cotidiana que arromba nosso esfíncter”. Na segunda parte do livro, intitulada de CLAREIRAS, Lúcio provoca: “Malu nunca será feliz. Precisamos ser medianos pra conseguir a felicidade e ela tem dificuldade em simplificar as coisas. Épica. Começa as narrativas pelo fim, percorre as entrelinhas e se perde. Nunca sabemos o início de suas histórias”. Lúcio é a morte. Malu é a vida, contorcida, imprevisível. Não se pode domar a vida, este mosaico. De rancores.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Cinco perguntas sobre o MOSAICO DE RANCORES:</strong></p>
<figure id="attachment_34733" aria-describedby="caption-attachment-34733" style="width: 218px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Marcia-Barbieri.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-34733" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Marcia-Barbieri-162x300.jpg" alt="" width="218" height="404" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Marcia-Barbieri-162x300.jpg 162w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Marcia-Barbieri.jpg 517w" sizes="(max-width: 218px) 100vw, 218px" /></a><figcaption id="caption-attachment-34733" class="wp-caption-text">Márcia Barbieri e sua cria</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>Germano Xavier &#8211;</strong> Em seu livro Mosaico de Rancores, os passos da narrativa são marcados de dois modos diferentes, ora como uma construção de metáforas nada brandas sobre a vida ora como a voz irascível e tempestuosa das personagens Malu e Lúcio sobre a inaptidão perante a possibilidade do convívio. De que modo a cegueira dos dois, em seus tons passionais e demasiado humanos, ultrapassa o enredo e desemboca no leitor como sendo uma ferida de todos?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Márcia Barbieri &#8211;</strong> <em>De certo modo, a narrativa foi escrita pensando na inaptidão dos homens viverem em comunhão, da monstruosidade dos relacionamentos&#8230; é extremamente difícil conviver com alguém, cada indivíduo é uma singularidade, um cosmos. Além disso, o outro me parece um espelho mórbido, sempre reflete nossos piores defeitos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GX &#8211;</strong> A impressão é a de que todos os personagens no livro são cegos, por motivos díspares e semelhantes ao mesmo tempo. O amor é grosseiro, o ciúme é delator, o sexo é artifício, a dor é mansidão. Ao final, é a morte quem amamenta a vida ou é o contrário?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MB – </strong><em>Imagino que seja a morte que amamenta a vida porque sempre nos pautamos e contabilizamos a vida a partir da ideia que temos da morte.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GX &#8211;</strong> Curiosidade vaga. Como surgiu a ideia do livro? E como se deu o seu processo de escrita?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MB –</strong> <em>Não posso negar que a ideia inicial se deu pela minha própria inadequação em relação aos relacionamentos amorosos, assim como minha inaptidão para entender o sentimento de posse. O livro foi escrito de forma bem lenta, porque eu estava mais acostumada às narrativas curtas, quase desisti de terminá-lo, depois de um tempo voltei a ele e finalizei.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GX &#8211;</strong> “Tudo que pulsa presume a dor da existência”, frase presente no “rancor” número 92 do livro. Dizem que toda experiência humana fornece subsídios literários, Barbieri. Você concorda? O inverso é também verdadeiro?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MB –</strong> <em>Concordo plenamente, a vida serve de subsídio para a arte, assim como a arte serve de inspiração à vida.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GX &#8211;</strong> Referências inúmeras a poetas, escritores, pintores, cineastas e artistas em geral estão expostas nas páginas de Mosaico de Rancores. Parece-me que tal recurso ajuda a engrossar o caldo de contemporaneidade da obra em questão, Márcia. Isso se justifica? Qual a sua visão sobre este ponto?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MB –</strong> <em>Não acredito em ideia genuína, somos o tempo inteiro influenciados por outros artistas, tanto clássicos quanto contemporâneos. No “Mosaico de Rancores” queria mostrar com quais artistas dialogava.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>GX &#8211;</strong> Muito além de Malu, Lúcio e Luiz, Elenir e o pai de Malu muito me intrigaram. Qual a importância destes personagens para o todo do Mosaico?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MB –</strong> <em>Elenir é um papel bem secundário, Luiz era importante para mostrar as fraquezas do relacionamento de Malu e Lúcio, e o pai de Malu era importante para evidenciar o quanto nos equivocamos ao longo do tempo&#8230; Temos olhos viciados.</em></p>
<p><strong>
			</div></div></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Germano Viana Xavier</strong> é mestre em Letras e jornalista profissional (DRT BA 3647). Desenvolve estudos e pesquisas sobre Literatura e Direitos Humanos – Comunicação e Cultura – Literatura e Letramentos – Língua Portuguesa – Linguística – Cinema – Educação e Educomunicação. Idealizador/Coordenador Geral do Jornal de Literatura e Arte O EQUADOR DAS COISAS (ISSN 2357 8025), periódico fundado em março de 2012 e que circula no Brasil, Portugal, Estados Unidos e Irlanda. Escreve desde 2007 o blog <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O EQUADOR DAS COISAS</a>,</span> cujo arquivo conta hoje com aproximadamente 2.000 textos de sua autoria. Em 2016, seu livro de contos SOMBRAS ADENTRO foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura. Possui publicações em livros, jornais e revistas literárias diversas. Baiano desterrado, natural da Chapada Diamantina, tem 35 anos e atualmente habita o agreste meridional pernambucano. Canal no YouTube: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/oequadordascoisas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.youtube.com/oequadordascoisas</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>** Esse texto é de responsabilidade exclusiva do autor.  Não reflete, necessariamente, a opinião do Só Sergipe.</em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&amp;linkname=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fverdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri%2F&#038;title=Verdades%20vazias%2C%20cegueiras%20e%20mortes%3A%20as%20conflagra%C3%A7%C3%B5es%20retalhadas%20em%20Mosaico%20de%20Rancores%2C%20de%20M%C3%A1rcia%20Barbieri" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/verdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri/" data-a2a-title="Verdades vazias, cegueiras e mortes: as conflagrações retalhadas em Mosaico de Rancores, de Márcia Barbieri"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/verdades-vazias-cegueiras-e-mortes-as-conflagracoes-retalhadas-em-mosaico-de-rancores-de-marcia-barbieri/">Verdades vazias, cegueiras e mortes: as conflagrações retalhadas em Mosaico de Rancores, de Márcia Barbieri</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quanto vale o chão em que pisas?</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/quanto-vale-o-chao-em-que-pisas/</link>
					<comments>https://www.sosergipe.com.br/quanto-vale-o-chao-em-que-pisas/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Feb 2020 12:08:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Tatu no Toco]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[capitalista]]></category>
		<category><![CDATA[densidade econômica]]></category>
		<category><![CDATA[geógrafo]]></category>
		<category><![CDATA[IBGE]]></category>
		<category><![CDATA[mosaico]]></category>
		<category><![CDATA[Nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[recuperação automática]]></category>
		<category><![CDATA[Sergipe]]></category>
		<category><![CDATA[trajetória]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=25246</guid>

					<description><![CDATA[<p>Uma tradicional medida de riqueza em Economia é o Produto per capita, onde a soma de todos os bens e serviços destinados somente ao consumo, gerados por uma localidade num determinado período tempo, ponderados por seus respectivos valores de mercado, é dividida por sua população residente. Mesmo que seja alvo de uma série de críticas &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/quanto-vale-o-chao-em-que-pisas/">Quanto vale o chão em que pisas?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquanto-vale-o-chao-em-que-pisas%2F&amp;linkname=Quanto%20vale%20o%20ch%C3%A3o%20em%20que%20pisas%3F" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquanto-vale-o-chao-em-que-pisas%2F&amp;linkname=Quanto%20vale%20o%20ch%C3%A3o%20em%20que%20pisas%3F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquanto-vale-o-chao-em-que-pisas%2F&amp;linkname=Quanto%20vale%20o%20ch%C3%A3o%20em%20que%20pisas%3F" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquanto-vale-o-chao-em-que-pisas%2F&amp;linkname=Quanto%20vale%20o%20ch%C3%A3o%20em%20que%20pisas%3F" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquanto-vale-o-chao-em-que-pisas%2F&#038;title=Quanto%20vale%20o%20ch%C3%A3o%20em%20que%20pisas%3F" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/quanto-vale-o-chao-em-que-pisas/" data-a2a-title="Quanto vale o chão em que pisas?"></a></p><figure id="attachment_25274" aria-describedby="caption-attachment-25274" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tatu-no-toco-news-novo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25274" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tatu-no-toco-news-novo-300x183.jpg" alt="" width="300" height="183" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tatu-no-toco-news-novo-300x183.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tatu-no-toco-news-novo-1024x625.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tatu-no-toco-news-novo-768x469.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tatu-no-toco-news-novo-1536x937.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tatu-no-toco-news-novo-2048x1250.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25274" class="wp-caption-text">Por Emerson Sousa e (*)<br />Fábio Salviano (*)</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Uma tradicional medida de riqueza em Economia é o Produto <em>per capita</em>, onde a soma de todos os bens e serviços destinados somente ao consumo, gerados por uma localidade num determinado período tempo, ponderados por seus respectivos valores de mercado, é dividida por sua população residente.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo que seja alvo de uma série de críticas por conta de sua imprecisão, já que ela disfarça as desigualdades (ou iniquidades) da distribuição dessa medida, o Produto <em>per capita</em> ainda serve como um parâmetro de comparação entre as localidades. Contudo, ele não é o único.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/livro-a-produção-capitalista-do-espaço.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25249 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/livro-a-produção-capitalista-do-espaço-204x300.jpg" alt="" width="204" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/livro-a-produção-capitalista-do-espaço-204x300.jpg 204w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/livro-a-produção-capitalista-do-espaço.jpg 341w" sizes="auto, (max-width: 204px) 100vw, 204px" /></a>Outro indicador que permite uma analogia plausível entre as espacialidades é a chamada Densidade Econômica, que mensura o grau de riqueza médio gerado por uma determinada área mínima. No mais das vezes, ele se apresenta por meio da relação entre unidades monetárias e quilômetros quadrados. No caso brasileiro, essa dimensionalidade poderia ser expressa em termos de R$/Km<sup>2</sup>.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com o geógrafo britânico <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/David_Harvey">David Harvey,</a></span> em sua obra <em>A Produção do Espaço Capitalista</em>, a Densidade Econômica pode servir como uma expressão da evolução produtiva de um espaço e do seu próprio nível de dinamicidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Dessa forma, a curiosidade permite a formulação do seguinte questionamento: em que pé anda a Densidade Econômica do Brasil, da região Nordeste, dos seus estados e dos seus municípios.</p>
<h3></h3>
<h3 style="text-align: justify;">AS DENSIDADES DEMOGRÁFICAS DO BRASIL E DO NORDESTE</h3>
<p style="text-align: justify;">Cruzando-se dados disponibilizados pelo Sistema IBGE de Recuperação Automática (<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://sidra.ibge.gov.br/home/ipca15/brasil">SIDRA</a></span>), obviamente fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativos ao Produto Interno Bruto dos municípios brasileiros, às estimativas populacionais e à variação anual do <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://desafios.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2140:catid=28&amp;Itemid=23">Deflator do Produto</a>,</span> é possível fazer uma série de considerações sobre a referida grandeza macroeconômica.</p>
<p style="text-align: justify;">Com dados atualizados para o ano de 2017 por esse mesmo índice, a Densidade Econômica brasileira, no ano de 2002, quando do início da vigência da atual sistemática de mensuração do produto utilizada pelo IBGE, ficou estipulada em R$ 542,8 mil/Km<sup>2</sup>.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando em comparação com o próprio ano de 2017, quando essa medida chegou a R$ 774,3 mil/Km<sup>2</sup>, a valores da época, é identificado um crescimento real da ordem de 42,6% no período ou de 2,4% anuais.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse desempenho é inferior ao da região Nordeste, que variou a uma taxa real de 3,1% por ano. Por essa época, a Densidade Econômica , também corrigida pelo deflator do produto, nordestina saiu de R$ 388,6 mil/Km<sup>2 </sup>(2002) e foi a R$ 613,2 mil/Km<sup>2</sup> (2017).</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente, no âmbito da região, o estado de Alagoas é o de maior Densidade Econômica, com um valor de R$ 1.902,3 mil/Km<sup>2</sup>, espelhando uma variação anual real de 2,6%, quando em cotejo com o ano de 2002, época em que essa medida estava em R$ 1.287,4 mil/Km<sup>2</sup>.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, Sergipe com uma Densidade Econômica de R$ 1.857,1 mil/Km<sup>2</sup>, em 2017, decaiu para a segunda posição, sendo que, no início do Século XXI, ele estava na primeira, quando essa medida orbitava a faixa de R$ 1.461,3 mil/Km<sup>2</sup> – atualizados para 2017 – o que resulta num crescimento de apenas 1,6% anuais.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa trajetória, no entanto, nem de longe se assemelha àquela experimentada pelo Piauí que, nesses quinzes anos, mais que duplicou a sua Densidade Econômica. Se, em 2002, essa equivalia a R$ 87,8 mil/Km<sup>2</sup> corrigidos, em 2017, ela disparou para R$ 180,3 mil/Km<sup>2</sup>, num crescimento real de 4,9% ao ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Por sinal, além dele, ganha destaque o crescimento do Maranhão – cuja Densidade, em 2017, é de R$ 269,7 mil/Km<sup>2</sup> – que foi de 4% anuais e do Ceará, que atualmente possui uma riqueza espacial de R$ 993,1 mil/Km<sup>2</sup> e a viu esse índice variar a uma taxa média de 3,4% reais a cada ano.</p>
<p style="text-align: justify;">No pódio da região, ao lado de Alagoas e Sergipe, está Pernambuco que, com uma Densidade de R$ 1.849,8 mil/Km<sup>2</sup>, em 2017, obteve um crescimento de 81,4% em seu valor, resultando numa variação real de 3,3% anuais. Por outro lado, o trio de lanternas é formado pelo Piauí, pelo Maranhão e pela Bahia, que cresceu 2,6% ao ano nesse intervalo e chegou a uma marca de R$ 475,7 mil/Km<sup>2</sup>.</p>
<p style="text-align: justify;">Para fins de complemento, no ano de 2017, a Paraíba apresenta um índice de R$ 1.104,8 mil/Km<sup>2</sup>, com uma performance anual de 3,1%, e o Rio Grande do Norte, detendo um crescimento de 2,9% anuais, retorna uma Densidade de 1.217,5 mil/Km<sup>2</sup>.</p>
<p style="text-align: justify;"><div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h3 style="text-align: justify;">NORDESTE: UM MOSAICO DE REALIDADES DISTINTAS</h3>
<p style="text-align: justify;">Da combinação entre o indicador atual e a sua taxa de crescimento desde 2002, é possível separar os estados nordestinos em três grupos distintos:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Maranhão, Piauí e Bahia – com baixos volumes de Densidade Econômica, com os dois primeiros mostrando um desempenho acima da média dos nove estados e o último, estando abaixo desse patamar;</li>
<li>Ceará, Paraíba e R. G. do Norte – com valores medianos de Densidade e desempenho próximos aos valores médios desse conjunto de unidades federativas;</li>
<li>Pernambuco, Alagoas e Sergipe – sendo os de maiores índices dentre todos os estados, tem na economia pernambucana o melhor perfil de crescimento nesses quinzes anos nesse agrupamento. Os outros dois, por sua vez, possuem uma conduta abaixo da média.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">
			</div></div>
<p style="text-align: justify;">Grosso modo, dado as suas particularidades, é possível sugerir um conjunto de objetivos específicos para cada um desses lugares, no que se refere às tendências de suas respectivas Densidades Econômicas.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao Maranhão e ao Piauí deve interessar manter o perfil de evolução até aqui obtido, ao passo em que à Bahia apresenta-se a necessidade de ampliar seu nível de dinamicidade para uma altura próxima ao de Ceará e Pernambuco.</p>
<p style="text-align: justify;">Já para o Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba pode ser reservado o papel de fomentadores do crescimento do indicador geral na região, principalmente para os dois últimos, tendo em vista que a sua taxa de crescimento anual ficou abaixo da média.</p>
<p style="text-align: justify;">Por seu turno, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, passam a ter por obrigação de se manterem entre as três maiores Densidades Econômicas da região Nordeste, uma vez que esse também é um fator de atração de investimentos, ou seja, um fenômeno que se retroalimenta.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto ao Nordeste, abordado como uma unidade, emerge o imperativo de continuar valorando o solo em que vive acima das taxas promovidas pelo resto do país, como vem fazendo desde o raiar do Século XXI, caso queira ampliar os níveis de bem-estar do seu povo.</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo, essa não é uma tarefa fácil. Afinal, apenas para se igualar ao índice nacional, mesmo que mantenha o diferencial de crescimento até aqui existente entre o Brasil e o Nordeste, ainda seriam necessárias algumas décadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, a Densidade Econômica, mesmo que de forma incompleta, é eficaz em dimensionar os graus de riquezas das espacialidades e, quando aplicado à realidade dos estados nordestinos, se vê que há muito chão ainda para se caminhar.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tabela-I-densidade.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-25247 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tabela-I-densidade.jpg" alt="" width="886" height="464" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tabela-I-densidade.jpg 615w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tabela-I-densidade-300x157.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 886px) 100vw, 886px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tabela-II-densidade.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-25248 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tabela-II-densidade.jpg" alt="" width="850" height="428" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tabela-II-densidade.jpg 582w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/tabela-II-densidade-300x151.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Emerson Souza – Economista</p>
<p>Fábio Salviano – Sociólogo</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquanto-vale-o-chao-em-que-pisas%2F&amp;linkname=Quanto%20vale%20o%20ch%C3%A3o%20em%20que%20pisas%3F" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquanto-vale-o-chao-em-que-pisas%2F&amp;linkname=Quanto%20vale%20o%20ch%C3%A3o%20em%20que%20pisas%3F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquanto-vale-o-chao-em-que-pisas%2F&amp;linkname=Quanto%20vale%20o%20ch%C3%A3o%20em%20que%20pisas%3F" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquanto-vale-o-chao-em-que-pisas%2F&amp;linkname=Quanto%20vale%20o%20ch%C3%A3o%20em%20que%20pisas%3F" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fquanto-vale-o-chao-em-que-pisas%2F&#038;title=Quanto%20vale%20o%20ch%C3%A3o%20em%20que%20pisas%3F" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/quanto-vale-o-chao-em-que-pisas/" data-a2a-title="Quanto vale o chão em que pisas?"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/quanto-vale-o-chao-em-que-pisas/">Quanto vale o chão em que pisas?</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sosergipe.com.br/quanto-vale-o-chao-em-que-pisas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
