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	<title>Arquivo para leitor - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Ter memória é ter vida</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/ter-memoria-e-ter-vida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 10:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Sábado, final de tarde. Aproveito que estou sem compromissos e resolvo percorrer parte da cidade. Sou andarilho em minha aldeia e turista pelo mundo. Atravesso a ponte que liga a ilha ao continente e faço uma viagem no tempo. Cruzo a cidade para visitar lugares por &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>ábado, final de tarde. Aproveito que estou sem compromissos e resolvo percorrer parte da cidade. Sou andarilho em minha aldeia e turista pelo mundo. Atravesso a ponte que liga a ilha ao continente e faço uma viagem no tempo. Cruzo a cidade para visitar lugares por onde não caminhava há anos. Lugares onde já pertenci. Hoje, não mais. Tempos da infância, da adolescência. Pululam memórias. Lembranças de pessoas que já se foram. Tenho a impressão de vê-las novamente sentadas na porta, em cadeiras de macarrão colorido, a palavrear, sem se preocuparem. Tempo manso, sem pressa.</p>
<p>Olho para as casas que continuam lá, mas que não se lembram de mim. Eram casas de muro baixo, sem gradil, sem alarmes. Hoje, vejo essas coisas horrendas: cercas, grades, muros altos, câmeras por todo lado; lembram fortalezas. Tempos de isolamento. Tempos de distanciamento.</p>
<p>O passado continua vivo na memória, mas agora tudo tão estranho. Tudo mudou. O tempo seguiu seu curso. O tempo serpenteia, calmo e elegante; quando percebo, deixou tudo para trás. Graças à memória resgato um pouco de uma época que se foi, que se alojou no passado. Me entristece a pandemia de demências que vejo no meu entorno. Quando se perde a memória, joga-se fora a vida; acabam-se as referências. Por isso a importância dos amigos. São os amigos — guardiões de nossas memórias — parte fundamental da vida para sentirmo-nos vivos e, assim, seguirmos em frente.</p>
<p>A vida não avisa quando vai mudar, quando vai apertar, quando vai apartar. Quando vai tirar a gente do caminho que parecia seguro. E é justamente por isso que nos sentimos perdidos… porque tentamos controlar aquilo que nunca esteve sob nosso controle.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-97960 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4-300x194.jpg" alt="" width="257" height="166" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4-300x194.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4-1024x664.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4-768x498.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/04/A-morte-e-a-vida-estao-no-poder-da-lingua-4.jpg 1080w" sizes="(max-width: 257px) 100vw, 257px" /></a>Eventos acontecem. Pessoas mudam. Situações saem do eixo. Tudo muda continuamente. A vida é movimento. “Não podemos amarrar o tempo no poste”, escreveu o poeta da simplicidade, Manoel de Barros. E você, caro leitor, amiga leitora, como reage? E é aqui que começa a diferença. Porque, na prática, não é o que acontece que define o rumo de nossas vidas… é a forma como eu ou você nos posicionamos diante do que acontece.</p>
<p>A vida passa depressa demais. Se não paramos para olhar em volta de vez em quando, podemos perdê-la. A vida é como água que pegamos com as mãos, mas que escorre entre os dedos, sem poder segurá-la.</p>
<p>Tudo tão corrido. Sigo isso aqui muitas vezes. E tem dias em que a vida parece mesmo passar-nos ao lado. Parece&#8230; e passa.</p>
<p>Por vezes, somos nós que a deixamos passar. Sim, deixamos passar a vida quando não nos permitimos viver. Deixamos passar a vida quando nos deixamos afogar no meio dos problemas e perdemos a vontade de encontrar soluções. Deixamos passar a vida quando perdemos a esperança e deixamos de ter sonhos. Deixamos passar a vida quando não curamos as nossas dores e ficamos reféns delas.</p>
<p>É pena quando paramos de viver, porque deixamos de olhar para as coisas bonitas que a vida nos dá. Só temos de ver a vida com gratidão e esperança. A vida é breve. Passa depressa, sim, mas aproveitemos bem o que ela nos oferece.</p>
<p>“Verdadeiramente, nada em mim sinto. Há uma desolação. Enquanto eu sinto. Se vivo, parece que minto. Não sei do coração. Outrora, outrora, fui feliz, embora só hoje saiba que o fui. E este que fui e sou, à margem, tudo passou, porque flui”, escreveu Fernando Pessoa.</p>
<p>Ter memórias é ter vida, e isso me acalanta.</p>
<p><strong>É Páscoa, tempo de renascer, de esperançar. Feliz Páscoa para todos.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Espelho d&#8217;Alma</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/espelho-dalma/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Oct 2025 12:07:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História de Bodega]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; “O espelho não mente; devolve aos nossos olhos a imagem de nossos desejos e nossas dores.”                                           Paul Valery &#160; Adeodato acabara de limpar e polir o balcão: tirara a poeira com pano seco. A madeira apresentara manchas suspeitas em alguns pontos. O bodegueiro usara, então, pano levemente umedecido com &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>“O espelho não mente; devolve aos nossos olhos a imagem de nossos desejos e nossas dores.”</em></p>
<p style="text-align: right;">                                          Paul Valery</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>deodato acabara de limpar e polir o balcão: tirara a poeira com pano seco. A madeira apresentara manchas suspeitas em alguns pontos. O bodegueiro usara, então, pano levemente umedecido com álcool puro. Depois, com outro pano limpo e seco, passara Old English em movimentos circulares e, com este método, obtivera brilho desejado.</p>
<p>Pendurara pano no ombro, recuou um passo e observara reflexo tênue da luz sobre tampo. Gostava daquele instante silencioso, quando o cheiro de álcool, lustra-móveis e madeira encerada parecia marcar o fim de um pequeno ofício.</p>
<p>Fez menção de tirar um cigarro da carteira que estava sobre o &#8220;Caixinha, Obrigado&#8221;, mas preferiu apenas respirar fundo. O balcão, agora reluzente, dava-lhe uma sensação de ordem e sossego que, até onde soubera eu, raramente encontrava fora dali.</p>
<p>Era coisa de antes das sete da manhã. Adeodato não se sentira disposto para levar operação descrita acima no dia anterior. A bodega fechara tarde. Pelo que lembro, por volta das duas e vinte da manhã.</p>
<p>Sei da aplicada atenção de Adeodato ao balcão, sei do seu estado d&#8217;espírito, porque chegara antes de todos . A costumeira e amigueira insônia houvera por bem me fazer companhia por parte da madrugada.</p>
<p>Ante o inexorável, optara por reler a biografia de Beethoven, publicada, há pouco tempo, na época, pela Editora Cosmos, ouvindo, ao mesmo tempo, sua tempestuosa e shakespeariana Sonata nº 17.</p>
<p>Pegara no sono depois das três e acordara quase às seis, ciente de que não dormiria mais.</p>
<p>Estou, já percebeu o atento leitor, a voltar e a adiantar a fita: tempo e evento não obedecem, aqui, necessariamente, a cronologia.</p>
<p>Então, banho. Embaixo do chuveiro, copo de brandy apoiado no vitrô do box. Entre uma esfregadela e outra, um trago.</p>
<p>Banho tomado, cabelo devidamente glostorado, cara escanhoada, duas passadas de Old Spice After Shave. Bermuda e camisa de linho, tons azuis, carteira de Philip Morris no bolso, montara na minha Raleigh, a magrela, pedalando devagar, me dirigira à bodega para tomar café&#8230;</p>
<p>&#8230;E lá chegara eu, como dissera antes, surpreendendo, por assim dizer, Adeodato aos carinhos com o balcão. Concedera-me uma olhadela. Finalizara tudo. Postara-se um tanto distante, como um artista após concluir pintura ou escultura, a admirar sua obra de arte.</p>
<p>Bem, me valho do futuro mais que perfeito no intuito de relatar fatos com a devida e romântica distância.</p>
<p>A lembrança se torna suave, as dores se dissolvem em palavras, as quais, à semelhança do bodegueiro e seu balcão, o tempo poliu. Assim, transformo o vivido em narrativa, o instante em eco, a saudade em estilo. O futuro mais que perfeito me concede o poder de reescrever o passado com ternura e elegância. E, ao fazê-lo, descubro que recordar é também uma forma delicada de continuar existindo.</p>
<p>Como se voltasse à realidade, como se acordasse de um sonho, Adeodato me cumprimentara. Voltara os olhos mais uma vez para a superfície lustrosa, até um tanto espelhada. Dera as costas, fora até a Victoria Arduino, famosa pelo design de luxo em cobre e latão com águia no topo, que adquirira por uma pechincha&#8230;</p>
<p>Pusera café moído no porta-filtro de metal, já encaixado no bico extrator. Acionara a alavanca, fazendo com que água quente e vapor passassem pelo pó. Barista nato, sabia do ponto certo pelo som e pela cor do café.</p>
<p>Fizera menção de levantar da mesa e ir ao balcão. Mas Adeodato, num gesto, praticamente ordenara que eu ficasse onde estava. Enchera xícara, cortara pão, passara generosa quantidade de Manteiga do Estado, trouxera tudo até a mim. Incluindo açucareiro.</p>
<p>Pão feito por ele mesmo. No forno pequeno. Quantidade para atender aos moradores próximos. Casca bem tostada&#8230; Era bom.</p>
<p>Ao voltar para trás do balcão, ligou o Telefunken, iluminado de dentro para fora, luzinhas no interior da caixa feita de latão, madeira e baquelite. O espaço foi inundado pela voz leve e marcante de Charles Trenet a cantar &#8220;La Mer&#8221;.</p>
<p>Naquele momento chegou Nunes, atendente irregular, ajudante meia-boca do qual valia-se Adeodato no início do dia, quando a clientela da &#8220;média e pão com manteiga&#8221;, passava de uma dezena.</p>
<p>Adeodato fixara olhos sobre recém-chegado, no entanto este, meio alheio ao entorno, se aproximara do balcão carinhosamente polido. No momento em que Nunes deu volta pela estreita passagem entre a extremidade do balcão e a parede caiada, denominada por Goulart, boticário deveras culto, de Trilha de Anopeia, Adeodato postara-se atento como um gato a andar entre cactos.</p>
<p>Na opinião de Goulart, por ele mesmo dita &#8220;abalizada&#8221; Adeodato vivia ao &#8220;estilo espartano&#8221;, sendo Nunes &#8220;o tragicômico contraponto&#8221;. Seja lá o que tal dito significasse.</p>
<p>A título de manter equilíbrio, Nunes estendera braço esquerdo com mão espalmada para se apoiar no balcão. Foi quando, numa reação felina, Adeodato tomou-lhe o pulso, sustendo o braço cada vez mais para cima.</p>
<p>Nunes não esboçara mínima reação. Deixara-se levar. Adeodato o direcionou para a grande pia de estanho e chumbo, ainda plena de copos, pratos, talheres da noite passada.</p>
<p>A esta hora, outros vezeiros se faziam presente, e parecera que somente então Adeodato tomara consciência disto. Correndo os olhos pelos semblantes espantados bradou de maneira teatral: &#8220;Que ninguém manche meu balcão, meu duplo, meu espelho d&#8217;alma!&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O cheiro dos livros desesperados</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-cheiro-dos-livros-desesperados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Feb 2025 14:00:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
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		<category><![CDATA[estante]]></category>
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		<category><![CDATA[livros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Embora o mote do presente texto seja parte da letra da canção “Reconvexo” (1989), de autoria de Caetano Veloso — que fez para o álbum Memória da Pele, de sua irmã Maria Bethânia, que está celebrando 60 anos de carreira agora em 2025 —, achei por bem &#8230;</p>
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]]></description>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>mbora o mote do presente texto seja parte da letra da canção “Reconvexo” (1989), de autoria de Caetano Veloso — que fez para o álbum Memória da Pele, de sua irmã Maria Bethânia, que está celebrando 60 anos de carreira agora em 2025 —, achei por bem ater-me, refletidamente, sobre o seu sentido ou sobre os seus sentidos. Refiro-me à frase e não à música (risos despretensiosos e até mesmo bobos).</p>
<figure id="attachment_86091" aria-describedby="caption-attachment-86091" style="width: 319px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Gratidao-10.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-86091 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Gratidao-10-300x250.png" alt="Estante livros" width="319" height="266" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Gratidao-10-300x250.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Gratidao-10.png 600w" sizes="auto, (max-width: 319px) 100vw, 319px" /></a><figcaption id="caption-attachment-86091" class="wp-caption-text">Estante repleta de obras ávidas por leitores</figcaption></figure>
<p>A imagem que veio à minha mente, inicialmente, foi a de uma estante empoeirada, contendo toda sorte de títulos de romances, compêndios, best sellers, didáticos, religiosos, técnicos, históricos, votivos, biográficos, regionais, teóricos, ecléticos, clássicos, canônicos, colecionáveis, catequéticos, instrutivos, populares, infantis, esportivos, memoráveis e autorais.</p>
<p>Não estou falando, e ao mesmo tempo sim, do meu ambiente de trabalho em casa. Mas, de outras estantes repletas de obras ávidas por leitores. Que também anseiam por limpeza, pois o pó insiste em assentar-sobre as prateleiras e sobre os dorsos de algumas páginas amareladas, normalmente por desuso.  Ou ainda por esquecimento, desimportância, mania de acúmulo e, em alguns casos, por ostentação e falsa erudição.</p>
<p>Meus livros, desesperadamente, clamam por meus dedos, mãos e olhos. Canetas e marca-textos também. Algumas nódoas aqui ou ali. E nesse sentido, não se trata de abandono, mas da falta de tempo para sorvê-los tantos quantos são em quantidade e qualidade.</p>
<p>Para além de peças decorativas de um legado importante da cultura material, os livros reúnem assuntos que desejo devorar para, antropofagicamente, parir outros assuntos, linhas, versos, textos, semântica, e também outros livros dispostos a reiniciarem o processo, em estantes, no sofá, nas mãos de quem se apodera do que não é mais meu, posto que nascido, criado é doado (pra bem da verdade, herdados ou roubados) a quem se interessar possa.</p>
<p>Celulose e mofo, tinta e lentes, lágrimas e risos, histórias e estórias, desesperadamente tocando as trombetas do apocalipse da leitura, da escrita cursiva e do texto corrido, inteligível e criativo, impactante, inquietante, tedioso ou provocante, que tira e dá paz, se não verossímil, ao menos com verossimilhança, com a espada de São Jorge rasgando a garganta da inteligência artificial, sob a luz de uma linda noite de lua cheia.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Gratidao-7.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-86072 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Gratidao-7-300x250.png" alt="" width="144" height="120" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Gratidao-7-300x250.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Gratidao-7.png 600w" sizes="auto, (max-width: 144px) 100vw, 144px" /></a>Eu na rede, longe das redes digitais e da TV, tateando letras digitais, com um opúsculo sobre meu colo, esperando findar este texto de fôlego curto, para, enfim, saciar a sua esperança de ter-me novamente de volta, ter a minha atenção, meus olhos e mentes cansados de um dia intenso. E assim, à meia luz, num quarto amplo, ventilador ligado, porta-retrato caído, como a um anjo amaldiçoado, completa-se a cena com este leitor atencioso, fazendo as vezes de escriba temporária e caetanamente inspirado.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Palavras</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/palavras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Nilton Santana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Feb 2025 11:40:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Domingo em Desbaste]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[arguto]]></category>
		<category><![CDATA[beijo]]></category>
		<category><![CDATA[experiência]]></category>
		<category><![CDATA[leitor]]></category>
		<category><![CDATA[Otimismo]]></category>
		<category><![CDATA[palavras]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[sabedoria]]></category>
		<category><![CDATA[signos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; &#160; Por Nilton Santana (*) &#160; O otimismo é uma palavra que possui um grandioso significado. As palavras são compreendidas facilmente pela nossa razão, porém, somente são intimamente conhecidas ou verdadeiramente conhecidas quando a “vivemos” de alguma forma. Algumas palavras precisam ter vivência para serem conhecidas. Quer um exemplo? O beijo. Podemos definir o &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Nilton Santana (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> otimismo é uma palavra que possui um grandioso significado. As palavras são compreendidas facilmente pela nossa razão, porém, somente são intimamente conhecidas ou verdadeiramente conhecidas quando a “vivemos” de alguma forma.</p>
<p>Algumas palavras precisam ter vivência para serem conhecidas. Quer um exemplo? O beijo. Podemos definir o beijo como a ação de toque da boca em outra pessoa ou objeto. Frio, não é? Te dei uma definição racional sobre o beijo? Sim! Mas eu falei toda a verdade sobre o beijo? Claro que não! Qualquer pessoa que tenha beijado outra com enorme afeto ou desejo saberá que no beijo há intensas sensações que somente saberá quem realmente “beija”. Somente saberá quem passou pela experiência de beijar intensamente quem ama.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/A-sabedoria-pode-ser-adquirida-pela-nossa-experiencia-e-reflexao-mas-tambem-pela-experiencia-e-reflexao-de-quem-ja-estava-aqui-antes-de-nos.-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-85691 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/A-sabedoria-pode-ser-adquirida-pela-nossa-experiencia-e-reflexao-mas-tambem-pela-experiencia-e-reflexao-de-quem-ja-estava-aqui-antes-de-nos.-1-150x300.png" alt="" width="157" height="314" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/A-sabedoria-pode-ser-adquirida-pela-nossa-experiencia-e-reflexao-mas-tambem-pela-experiencia-e-reflexao-de-quem-ja-estava-aqui-antes-de-nos.-1-150x300.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/A-sabedoria-pode-ser-adquirida-pela-nossa-experiencia-e-reflexao-mas-tambem-pela-experiencia-e-reflexao-de-quem-ja-estava-aqui-antes-de-nos.-1.png 300w" sizes="auto, (max-width: 157px) 100vw, 157px" /></a>Mas é somente a experiência que nos diz o que é o beijo? Não somente a experiência. Mas a experiência acompanhada de reflexão. Quando temos alguma experiência e refletimos, estamos adquirindo aquilo que o humano poderá ter de mais valioso: a sabedoria. Palavra que inclusive deveria ser mais estudada. A sabedoria pode ser adquirida pela nossa experiência e reflexão, mas também pela experiência e reflexão de quem já estava aqui antes de nós. Por isso que dou um tremendo valor aos livros sagrados. Possuo o Baghavad Gita, o Ramayana, o Dhammapada, a Torá, o Alcorão, o Nahjul Balaghah, a Pequena Filocalia, e claro, a Bíblia. Os textos sagrados possuem milênios de sabedoria acumulada! A vida humana em qualquer tempo e espaço possui os mesmos estágios e as mesmas necessidades. Somos unos neste sentido!</p>
<p>O arguto leitor de textos sagrados saberá observar o que deve aprender de tais textos. Existe a leitura literal dos mitos sagrados, porém, não se deve ficar apenas nisso. Aliás, a verdadeira riqueza de um escrito sagrado está em seus símbolos e metáforas. Os símbolos e as metáforas possuem a força necessária para avançar no tempo e influenciar diversos povos. A humanidade não teria avançado tanto se não tivesse criado os símbolos. O nosso sistema político, a nossa forma de governo, o nosso ensino, o nosso comércio é constituído por símbolos. O comércio? Sim! Afinal de contas, a moeda é uma ferramenta simbólica de trocas. Atribuímos o valor a um pedaço de metal ou papel. E ultimamente atribuímos valor a algo que nem sequer tocamos porque a maioria das trocas são feitas por meio virtual.</p>
<p>As palavras são signos, quando transformadas em ideias e convencionadas coletivamente se transformam também em símbolos. Ser humano é isto, produzir símbolos. Somos intrinsecamente animais simbólicos. O símbolo está presente onde o ser humano estiver.</p>
<p>As palavras possuem grandioso poder de explicar símbolos, emoções, sentimentos, raciocínios, experiências sapienciais. Entretanto, quanto maior for o poder de uma palavra, mais ela é irresponsavelmente usada. O maior exemplo seria a palavra “amor”. Quantas pessoas fazem uso responsável da palavra “amor”? Quantas pessoas sabem o que é o amor “ágape” tão referido em textos sagrados? E o amor “philos”? E o amor “eros”? E o ainda menos conhecido amor “storge”?</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><strong>Storge</strong> é o amor mais instintivo, aquele que nasce de forma natural, porque é a tradução para o “amor familiar”. Em seguida nós temos o <strong>Philos</strong>, sendo o amor que nasce da “amizade”. O <strong>Eros</strong> seria o amor proveniente do desejo, aquele que almeja a união com o outro, é o amor da “atração sexual”. E o <strong>ágape</strong> é o amor incondicional, é o amor conhecido por aqueles que se “tornaram amor”, é aquele amor que não é sentimento, é o amor que é “ação”. Todas as ações amorosas do ágape são praticadas por pessoas que vivem no “estado de amor”. O ágape engloba todas as demais formas de amor.</p>

			</div></div>
<p>Todas as formas de amor mencionadas acima são válidas! Todas as formas de amor são sagradas! Todas conduzem para Deus! Aliás, Deus é outra palavra não muito compreendida. Quando pergunto acerca de Deus para alguém, passo a saber de forma indireta como essa pessoa enxerga o mundo. Alguns dirão que Deus é o amor, a bondade, já outros vão dizer que Deus é a justiça, e há ainda aqueles que acreditam que Deus seja uma energia, uma vibração, uma entidade não personificada. Visões monoteístas de Deus, visões politeístas de Deus, visões panteístas de Deus e visões panenteístas de Deus. E claro, não posso esquecer da visão gnóstica de Deus.</p>
<p>No fundo, tudo vai de como associamos a palavra “Deus”. Quais associações em nossas mentes fazemos quando pensamos na palavra “Deus”? Até mesmo um ateu ou um agnóstico fará algumas associações ao pensar na palavra “Deus”. A palavra “Deus” possui uma carga simbólica, psicológica e histórica muito acentuada, muito forte! É impossível pensar na palavra “Deus” sem que um turbilhão emocional seja ativado. Sendo de um ponto de vista negativo ou positivo, a palavra Deus possui uma influência enorme em nossa mente.</p>
<p>Não estou entrando aqui no mérito de que Deus existe ou não. Não dou grande importância a essa indagação. Diga primeiro o que é Deus para você, e daí eu digo se concordo ou não. Mas não vou julgar seu ateísmo ou seu teísmo. Existem pessoas que se dizem religiosas e são fervorosas ateias, e existem pessoas que se dizem ateias e que são religiosas. Religiosidade aqui é aplicado no sentido de espiritualidade. Não estou me referindo a religião institucionalizada.</p>
<p>O ser humano quando não compreende o mundo ao seu redor, quando não compreende a vida que possui, acaba “deusificando” ideologias, celebridades, personagens ou partidos políticos.</p>
<p><strong><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/A-sabedoria-pode-ser-adquirida-pela-nossa-experiencia-e-reflexao-mas-tambem-pela-experiencia-e-reflexao-de-quem-ja-estava-aqui-antes-de-nos.-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-85690 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/A-sabedoria-pode-ser-adquirida-pela-nossa-experiencia-e-reflexao-mas-tambem-pela-experiencia-e-reflexao-de-quem-ja-estava-aqui-antes-de-nos.-2-150x300.png" alt="" width="157" height="314" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/A-sabedoria-pode-ser-adquirida-pela-nossa-experiencia-e-reflexao-mas-tambem-pela-experiencia-e-reflexao-de-quem-ja-estava-aqui-antes-de-nos.-2-150x300.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/A-sabedoria-pode-ser-adquirida-pela-nossa-experiencia-e-reflexao-mas-tambem-pela-experiencia-e-reflexao-de-quem-ja-estava-aqui-antes-de-nos.-2.png 300w" sizes="auto, (max-width: 157px) 100vw, 157px" /></a>Mas e a palavra otimismo?</strong> Podemos pensar no motivo dela ser importante. O otimista muitas vezes é confundido como um ingênuo. Mas não penso assim. Os pessimistas também podem ser tão iludidos quanto os otimistas. Aliás, ser realista não é ver o lado negativo de tudo, na verdade, ser realista é ter uma visão ampla da vida, observando os riscos e as oportunidades. O realista é pessimista para observar os riscos e otimista para observar as oportunidades. Durante muito tempo, eu confesso que acalentei o pessimismo, porém, digo que o pessimismo pode te fazer perder chances valiosas na vida.</p>
<p>O pessimismo te congela, o otimismo te leva para a ação! Mas esta ação tem que ser balanceada com a prudência. A prudência te leva a refletir e a tomar as devidas ações em momentos certos. Sem o otimismo, a humanidade jamais teria chegado onde chegou. Não teríamos construído a civilização se não fôssemos otimistas. A civilização e todo o seu conforto foi historicamente construída por otimistas.</p>
<p>O otimismo é a força que nos mantém firmes mediante as adversidades que possamos enfrentar. O otimismo é o que nos faz ter grandes conquistas. É o que nos faz traçar estratégias, táticas para conseguir melhorar a nossa situação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/RG-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-85693 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/RG-2-300x50.png" alt="" width="300" height="50" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/RG-2-300x50.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/RG-2-1024x169.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/RG-2-768x127.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/02/RG-2.png 1209w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Aprenda com o passado, aproveite o presente e seja otimista para conquistar o que quiser no futuro.</strong> Paradoxalmente, somente aprende com o passado, aquele que está vivendo o presente. Somente traça boas estratégias para o futuro, aquele que vive no presente. Aproveite todo o processo de aprendizado do passado, ele acontece no presente, tenha prazer nisso. Delineie as estratégias para o futuro, isso também acontece no presente, inclusive tenha prazer em cada momento que foi tracejado. E claro, <span class="sigijh_hlt">lembre de desfrutar cada momento de lazer com aqueles que te amam, estes são os melhores momentos da vida</span>. Sei que o idioma português nos permite expressar com precisão e beleza muitos pensamentos e sentimentos. Mas a vida é em qualquer idioma “inefável”! Assim como Deus, a vida é inefável, em outras “palavras”, não podemos descrever a vida por causa de toda a sua beleza.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpalavras%2F&amp;linkname=Palavras" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpalavras%2F&amp;linkname=Palavras" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpalavras%2F&amp;linkname=Palavras" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpalavras%2F&amp;linkname=Palavras" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fpalavras%2F&#038;title=Palavras" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/palavras/" data-a2a-title="Palavras"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/palavras/">Palavras</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>A série Vaga-lume e o prazer de ler boas histórias — a ilha como espaço de aventuras fantásticas</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-serie-vaga-lume-e-o-prazer-de-ler-boas-historias-a-ilha-como-espaco-de-aventuras-fantasticas/</link>
					<comments>https://www.sosergipe.com.br/a-serie-vaga-lume-e-o-prazer-de-ler-boas-historias-a-ilha-como-espaco-de-aventuras-fantasticas/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 17:40:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
		<category><![CDATA[beijo]]></category>
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		<category><![CDATA[sergipano]]></category>
		<category><![CDATA[série]]></category>
		<category><![CDATA[Vaga-lume]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160;   Logo que cheguei ao convés, na manhã seguinte, o aspecto da ilha modificara-se por completo.  (&#8230;) Os montes suspendiam-se acima da vegetação como campanários de rocha nua.  Todos tinham formas bizarras e o monte do Óculo,  que dominava todos os outros por uma diferença de mais de cem &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/a-serie-vaga-lume-e-o-prazer-de-ler-boas-historias-a-ilha-como-espaco-de-aventuras-fantasticas/">A série Vaga-lume e o prazer de ler boas histórias — a ilha como espaço de aventuras fantásticas</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"> <em> Logo que cheguei ao convés, na manhã seguinte, o aspecto da ilha modificara-se por completo. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>(&#8230;) Os montes suspendiam-se acima da vegetação como campanários de rocha nua. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Todos tinham formas bizarras e o monte do Óculo, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>que dominava todos os outros por uma diferença de mais de cem metros, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>era igualmente o de configuração mais estranha, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>subindo a pino de quase todos os lados e terminando de súbito no cume cortado, </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>como se fosse um pedestal para pôr uma estátua.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Robert Louis Stevenson, A ilha do tesouro </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>e tem uma coleção cuja memória é compartilhada por milhares de leitores intergeracionais, ela se chama Vaga-lume, da editora Ática. Capas, títulos e ilustrações contribuem para seduzir o leitor em formação, ávido por percorrer páginas sempre cheias de aventuras. Ela é um capítulo à parte na história editorial brasileira e integrou a nossa trajetória estudantil de uma maneira irreversível. Estas são algumas das minhas divagações quando me deparo com <em>O outro lado da ilha (1995)</em>, de José Maviael Monteiro (1931-1992), em exposição para trocas na Biblioteca Municipal Ivone de Menezes, e que integra a referida série.</p>
<p>Eu já lia muito quando me apaixonei pela coleção, mas ela me ajudou, sobretudo, a sistematizar a leitura em termos didático-pedagógicos, pois eu era uma leitora indisciplinada. Começar, por exemplo, com <em>A Ilha perdida</em> (1973, publicada pela primeira vez em 1944 pela Brasiliense), que é uma aventura divertida, e chegar a <em>Éramos seis</em> (obra de 1943 mas que passou a integrar a coleção), ambos de Maria José Dupré, significava ao mesmo tempo um aprofundamento temático e um amadurecimento no processo de leitura, preparando-nos, assim, para títulos ainda mais complexos vida afora.</p>
<p>Traduzido para outros idiomas e adaptado para a televisão, <em>Éramos seis</em> me arrancou lágrimas, mas também reflexões. O enredo parte da família como núcleo social e a integra<span style="color: #ff0000;"> </span>a um sistema mais complexo que é a sociedade. Perdas afetivas, econômicas, separações, solidão e a finitude fazem parte da dinâmica dessa família e, ver as transformações dos personagens na história, nos alerta desde a adolescência para a transitoriedade da vida.</p>
<p>Mas só percebi isso depois. A essa altura, eu já tinha passado por <em>Memórias póstumas de Brás Cubas</em>, de Machado, <em>Amor de perdição</em>, do português Camilo Castelo Branco e por uma antologia de Fernando Pessoa, cujo poema &#8216;Autopsicografia&#8217; me impressionou bastante, mesmo sem entendê-lo muito bem. As palavras &#8216;calhas, deveras, &#8216;comboios&#8217;, por exemplo (algumas obras com palavras que pareciam quase outro idioma), para não falar em &#8216;ósculo&#8217; (beijo), foram formando parte de mim pela repetição. Sempre voltava aos mesmos livros, até que fui montando a minha própria biblioteca. Mas até então, esses eram alguns dos títulos que estavam à minha disposição e que eu ia lendo e relendo ao sabor do dia. Obviamente, sem nenhum critério lógico ou didático.</p>
<p>Talvez <em>O outro lado da ilha </em>não seja uma das histórias mais conhecidas da série, mas ela me fascinou devido à referência a caranguejos gigantes, supostamente pré-históricos, maiores até do que o da Passarela do Caranguejo, na praia de Atalaia. Intrigante a princípio, tudo ganha mais sentido quando leio a biografia do autor e vejo que se trata de um sergipano. Apesar de não ser conhecido entre muitos de nós (saiu muito novo de Aracaju e morou no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde começou a sua trajetória nas letras), vê-se logo uma relação atávica com a cultura do caranguejo, presente no nosso DNA, que fez com que o autor o levasse ao plano da ficção, dando-lhe uma dimensão mítica. Digo isso porque, na minha infância, era comum toparmos com caranguejos perdidos atravessando o jardim ou a casa, construída sobre seu habitat. E essas imagens perduram.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-30.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-81118 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-30.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-30.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-30-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-30-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-30-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-30-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<figure id="attachment_81121" aria-describedby="caption-attachment-81121" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-31.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-81121 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-31.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-31.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-31-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-31-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-31-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Design-sem-nome-31-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-81121" class="wp-caption-text">Fotos: Sílvio Rocha</figcaption></figure>
<p>A ilha como acidente geográfico, desde os descobrimentos, teve uma representação simbólica envolta em lendas, mistérios, piratas, tesouros, animais fantasiosos e perigosos e histórias de assombração, o que servia para afastar da posse outros aventureiros. A medievalista francesa Claude Kapller, em seu livro <em>Monstros, demônios e encantamentos no fim da Idade Média</em> (1994, Martins Fontes) descreve o mundo insular como um lugar onde &#8220;os objetos animam-se, deslocam-se, metaformoseiam-se (&#8230;). Os viajantes andam no rastro dos viajantes sobrenaturais, cruzam seus caminhos (&#8230;). O mundo está tão saturado de coisas espantosas que sempre é possível encontrar uma maravilha tão convincente quanto aquela de que se está falando, ou até mais (&#8230;). No entanto, longe de serem indiferentes, ou desencantados, esses viajantes conservam uma maravilhosa capacidade de espantar-se e admirar-se e uma amável propensão a continuar fabulando em suas próprias narrativas.&#8221;</p>
<p>Ao trazer a ilha como espaço de desenvolvimento do enredo no mundo contemporâneo, José Maviael Monteiro, formado em História Natural, retoma o tema (marcado em nossa memória, sobretudo, por Stevenson em <em>A ilha do tesouro</em>), e nos leva a uma reserva natural que tem apenas um lado explorado cientificamente. Dessa forma, atiça a curiosidade dos jovens personagens que acompanham o cientista e também a dos leitores para o que pode haver do outro lado da ilha, aumentando, assim, a atmosfera de mistério.</p>
<p style="text-align: right;"> <em> — Não foi sonho&#8230; Eu vi&#8230; </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Vi o caranguejo enorme ali na janela querendo entrar&#8230;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em> Aquela bocona batendo na janela&#8230; </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Acordei com o barulho dele batendo no vidro&#8230; </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Não foi sonho&#8230; </em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>O outro lado da ilha, José Maviael Monteiro</strong></p>
<p>No que diz respeito à apresentação visual, a contra-capa dos exemplares tem uma colagem de quase todos os títulos e ela servia como um guia. Quase podíamos obedecer à sequência cronológica, e isso fazia com que aumentasse a vontade de chegar logo ao final da lista, onde estavam as histórias policiais como <em>O mistério do cinco estrelas </em>e <em>O rapto do garoto de ouro</em> (1982), ambos de Marcos Rey (que passou a ser o escritor preferido do meu irmão David) e ainda <em>O escaravelho do diabo</em> (1974), de Lúcia Machado de Almeida<em>.</em> Isso sem falar n&#8217;<em>As aventuras de Xisto e</em> <em>Xisto no espaço</em>, da mesma autora, ambos publicados em 1982. Não posso deixar de mencionar o meu prazer em colecioná-los. Outra lembrança é que, entre os colegas da sala, havia trocas de alguns títulos. Circulavam entre nós, inclusive, alguns menos didáticos&#8230; Clandestinamente, claro. Mas essa é outra história.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-03-at-11.37.10-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-81117 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-03-at-11.37.10-1-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-03-at-11.37.10-1-199x300.jpg 199w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/10/WhatsApp-Image-2024-10-03-at-11.37.10-1.jpg 585w" sizes="auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px" /></a>Agora falemos em números. A Vaga-lume foi criada em 1973. Inicialmente a Ática publicava títulos já lançados por outras editoras e, pouco a pouco, foi formando o catálogo com histórias escritas especialmente para a coleção. De acordo com a Wikipédia, até 2008 a série tinha mais de 100 obras. Formada por 43 escritores, até 2021 tinha vendido 8 milhões de exemplares. Repassada a outro grupo editorial, a Vaga-lume passou por uma reformulação na sua programação visual, como podemos notar nas últimas publicações. Na minha opinião, menos atraentes que a original.</p>
<p>Dentre os inúmeros títulos da Biblioteca Ivone de Menezes, onde estive numa tarde de quarta-feira entre atividades de leitura e escrita com os alunos do Colégio Estadual Jornalista Paulo Costa, saí pensando n&#8217;<em>O outro lado da ilha,</em> nos caranguejos gigantes criados pelo meu conterrâneo e em como me isso remeteu ao nosso imaginário. Também pudera. Os nascidos em Aracaju dormimos sobre mangues e não é de se estranhar se sonhamos com os seus habitantes. Viventes, quiçás, do outro lado de nós mesmos.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O milagre nascido da dor &#8211; sobre &#8220;O prazer de cozinhar só para você&#8221;, de Judith Jones</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 May 2024 11:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Se comes, tu bebes]]></category>
		<category><![CDATA[Anne Frank]]></category>
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		<category><![CDATA[cozinha]]></category>
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		<category><![CDATA[viúva]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=77470</guid>

					<description><![CDATA[<p>Por Léo Mittaraquis (*) &#160; &#8220;Tive dificuldade em encontrar muita coisa na cozinha de Judith que parecesse vir de algum dos catálogos que lotam a maioria de nossas caixas de correio. Tudo é resistente e bem utilizado, sem ser complicado&#8221; Sara Kate Gillingham, fundadora do blog The Kitchn &#160; O título deste artigo é um &#8230;</p>
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]]></description>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Tive dificuldade em encontrar muita coisa na cozinha de Judith que parecesse vir de algum dos catálogos que lotam a maioria de nossas caixas de correio. Tudo é resistente e bem utilizado, sem ser complicado&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Sara Kate Gillingham, fundadora do blog The Kitchn</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O</span> título deste artigo é um descarado plágio. &#8220;O milagre nascido da dor&#8221; é título de um ensaio sobre Katherine Mansfield, escritora inglesa, pela qual sou apaixonado, publicado ao final do decênio 70. E que também tem tudo a ver com culinária. Katherine Mansfield, também segundo o supracitado ensaio, em tempos de quase extrema pobreza e dolorosa solidão, durante determinado período, assava arenques valendo-se de pequenos fogareiros, não raro em becos frios e sujos.</p>
<p>A eclosão da Primeira Grande Guerra também a afetou de maneira profunda e dolorosa.</p>
<p>Faltava de tudo, principalmente comida.</p>
<p>Ela que, por melancólica ironia, mantinha perspectivas paralelas quanto ao significado de escrever e de comer.</p>
<p>Talvez, mais adiante, haja eu por bem escrever sobre isto.</p>
<p>Voltemos a Judith Jones, que nasceu em 1924 e faleceu em 2017: no caso dela, a dor se refere ao fato de ter ficado viúva. Estava acostumada a cozinhar para o companheiro. E isto durante décadas.</p>
<p>Além disso, seu marido, Evan Jones, atuou como coautor de algumas publicações culinárias.</p>
<p>Ela mesma confessa que, após a morte do esposo, viu-se em dúvidas se voltaria a cozinhar. Mas entendeu que poderia cozinhar só para si mesma, e encontrar nesta atividade motivos de contentamento e alegria.</p>
<p>A propósito: sua habilidade não se restringiu apenas à produção de livros de culinária. Antes de disso, já como hábil e sensível editora, &#8220;desenterrou&#8221; e defendeu vivamente um manuscrito que se encontrava numa pilha de documentos e livros velhos destinados ao descarte: o diário escrito por uma jovem alemã que morreu no Holocausto. Nada mais, nada menos do que o Diário de Anne Frank.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Era cozinheira e, em simultâneo, leitora atenta e de alto nível intelectual.</span></p>
<p>No que diz respeito ao livro desta notável mulher, ao qual dedico o presente artigo, diria, antes de tudo, que é uma obra de importância fundamental para quem quer aprender a cozinhar apenas para si, levando em consideração quantidade, variedade, possibilidades. Até porque o livro nasceu dos questionamentos, das consultas, dirigidos à autora. Segundo Jones: &#8220;Fiquei particularmente feliz porque jovens que moram sozinhos me abordaram pela primeira vez, me perguntando como começar e quais conceitos e utensílios básicos deveriam ter&#8221;.</p>
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<p><span class="sigijh_hlt">O livro é dividido em seis seções: 1ª — Cozinhando durante a semana; 2ª — Sopas para todas as estações; 3ª — A magia dos ovos e a sedução dos queijos; 4ª — Improvisando com hortaliças, saladas e molhos; 5ª — Arroz, massas, grãos e leguminosas; 6ª — Lanches, doces e extravagâncias.</span></p>
<p>Creio que seja o bastante para induzir ao leitor sentir água na boca e ouvir a barriga roncar.</p>
<p>Quanto ao conceito geral da obra, a autora nos brinda com reflexões ao mesmo tempo funcionais e poéticas: &#8220;Geralmente finalizo meu jantar com um bom queijo e algumas frutas. Mas, às vezes, tenho vontade de comer algo doce, principalmente uma sobremesa caseira que evoque lembranças gustativas tão fortes que, na primeira mordida, você se transporta misteriosamente&#8221;.</p>
<p>Culta e competente, Judith Jones demonstrou, ao longo de sua vida ativa e fascinante, que é possível exercer o rigor técnico sem renunciar ao amor puro e simples pelas coisas belas e boas da vida.</p>
<p>Sim, cozinhar deve ser, sempre que possível, um prazer. Seja para comer sozinho ou acompanhado.</p>
<p>Judith Jones nos presenteou com um guia fácil e prático. Resta-nos honrar sua memória seguindo suas sugestões e orientações.</p>
<p>Santé!</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Origem, Natureza e Prato: Sobre &#8220;Comida e Cozinha — Ciência e Cultura da Culinária”</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/origem-natureza-e-prato-sobre-comida-e-cozinha-ciencia-e-cultura-da-culinaria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Apr 2024 11:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[aquática]]></category>
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		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; “A gastronomia é o conhecimento racional de tudo           que respeito ao homem quando se alimenta” Jean Anthelme Brillat-Savarin &#160; &#160; Este livro, de quase mil páginas, nasceu após despretensioso questionamento durante um jantar. Segundo o autor, &#8220;certo amigo, de Nova Orleans&#8221;, perguntou, em tom de conjectura, por que &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>“A gastronomia é o conhecimento racional de tudo</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>          que respeito ao homem quando se alimenta”</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Jean Anthelme Brillat-Savarin</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>ste livro, de quase mil páginas, nasceu após despretensioso questionamento durante um jantar. Segundo o autor, &#8220;certo amigo, de Nova Orleans&#8221;, perguntou, em tom de conjectura, por que o feijão era uma comida tão problemática e por que o ato de comer feijão-roxo com arroz nos custava algumas horas de desconforto e, às vezes, nos fazia passar vergonha&#8221;.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/WhatsApp-Image-2024-04-04-at-08.22.51.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-76445 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/WhatsApp-Image-2024-04-04-at-08.22.51-201x300.jpeg" alt="" width="201" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/WhatsApp-Image-2024-04-04-at-08.22.51-201x300.jpeg 201w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/04/WhatsApp-Image-2024-04-04-at-08.22.51.jpeg 335w" sizes="auto, (max-width: 201px) 100vw, 201px" /></a>Harold McGee considerou a questão deveras interessante e curiosa. Dias depois, quando se encontrava numa biblioteca, decidiu por buscar a resposta sobre a indagação gastronômica do amigo. Ao consultar livros e mais livros, passou a saber de muita coisa sobre alimentação. Quanto ao feijão e a incômoda produção de gases no nosso organismo, percebeu que havia alguma informação, porém, havia espaço para ampliá-la. O mais interessante é que McGee não se limitou ao feijão. Seu livro, elaborado com base nos seus sérios e profundos estudos, aos quais deu prosseguimento, se tornaria o mais importante guia sobre &#8220;Ciência e Cultura da Culinária&#8221; em todo o mundo. A primeira edição foi publicada em 1984. Meu artigo crítico comenta a segunda edição, de 2014.</p>
<p>A obra oferece ao leitor uma viagem alimentícia (mas, também, filosófica, geográfica, estética e histórica) desde leite e lacticínios até as quatro moléculas básicas dos alimentos.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">A questão básica que sustenta todo o trabalho de McGee é: o que há na comida e na bebida que nos dá esse prazer e como o vivenciamos?</span></p>
<p>O autor, mesmo que não de maneira radical, absoluta, leva em consideração, também, as suas experiências com alimentos que se deram durante a infância. A manga madura e o sorvete de café que saboreou pela primeira vez. E o momento em que se viu numa cozinha. Desde cedo, então, as inquietações culinárias o acompanharam: como se dão estes processos?</p>
<p>Há no fazer, no servir e no comer, a transcendental subjetividade com a qual nos relacionamos com a comida, reconhecendo nesta o status de grande arte, levando em consideração a estética que define a montagem do prato que vai à mesa e as harmonizações entre o prato e vinhos. Some-se os molhos, as especiarias e a sobremesas.</p>
<p>Para além das referências poéticas, o alimento, desde sua condição in natura até a transformação por que passa na cozinha, são, de acordo com o autor, &#8220;misturas de diferentes substâncias químicas, e as qualidades que buscamos influenciar quando cozinhamos — gosto, aroma, textura, cor, valor nutritivo — são todas manifestações de propriedades químicas&#8221;.</p>
<p>Ainda que seja, então, um ato de amor, de pura satisfação, cozinhar se mantém como um diálogo constante entre a cultura e a natureza. Entretanto, tomar ciência disso não se configura em demérito algum. Pelo contrário, saber, em maior detalhe, como se dá o processo, empresta maior capital ao mesmo e a nós.</p>
<p>Humanos e mamíferos que somos, temos, na origem da nossa alimentação, o leite e seus derivados. McGee soube muito bem valorizar esse fato: o primeiro capítulo é rico em história e informações técnicas sobre a secreção nutritiva de cor esbranquiçada e opaca produzida pelas glândulas mamárias das fêmeas.</p>
<p>O autor aborda o leite, bebida tão comum, de maneira a nos reapresentá-la. Ao lê-lo, passamos a ter, pelo menos, a impressão de que a bebida diária tem muito mais a nos dizer. Concedamos palavra a McGee: &#8220;O leite é alimento para o ser que está começando a comer, uma essência deglutível sintetizada pela mãe a partir de sua dieta mais variada e difícil de digerir&#8221;.</p>
<p>Mais adiante, é o ovo que se destaca. E o autor nos fornece dados, sobre esta célula reprodutiva (em geral nas aves) madura e não fecundada usada na alimentação, mais do que importantes, pois, alguns nos afiguram como pitorescos, estranhos, fascinantes.</p>
<p>O capítulo nos toma pela mão e percorremos gustativa linha do tempo, desde a evolução do ovo até técnicas chinesas de se produzir ovos em conserva.</p>
<p>E mais: inclui receitas medievais com ovos para omelete e creme inglês.</p>
<p>McGee não tem a menor intenção de se pôr contra o glamour, contra certa mística que cercam a culinária. Apenas (e, neste caso, apenas significa muito) diz de forma, ao mesmo tempo técnica e elegante, que o amar cozinhar pode ganhar muito se a este agregarmos &#8220;o como e o porquê&#8221; os fenômenos que resultam em delícias irresistíveis acontecem.</p>
<p>E se ovo e leite protagonizam, em largo aspecto, a cultura culinária, a carne não fica, de modo algum, para trás. Afinal somos seres carnívoros. O autor nos lembra de que: &#8221; A carne tornou-se elemento previsível da dieta humana há cerca de nove mil anos, quando os povos do Oriente Médio conseguiram domesticar um punhado de animais selvagens — primeiro os cães, depois cabras e ovelhas e, por fim, porcos, bovinos e cavalos — e criá-los junto de si&#8221;.</p>
<p>Entre os pontos que constituem o capítulo do livro dedicada à carne, McGee inclui uma indagação ao leitor: &#8220;Por que as pessoas adoram comer carne?&#8221;. E ele mesmo responde em parte: &#8220;a satisfação mais profunda em comer carne vem do instinto e da biologia&#8221;.</p>
<p>O autor é generoso. E o leitor, caso se mostre grato a isso, prosseguirá, chegando aos peixes e frutos do mar.</p>
<p>McGee, fiel ao propósito de aprofundar nosso conhecimento, discorre sobre &#8220;A vida aquática e a natureza particular dos peixes&#8221;. E, também, sobre os frutos do mar.</p>
<p>Li, maravilhado. Aprendi, e muito, ao adotar uma atitude humilde e manter o entendimento de que estava (e estou) com um tesouro nas mãos. E se sempre amei cozinhar, principalmente, para minha muito amada imperatriz, após a leitura desta obra monumental, esta paixão, este amor, fortaleceram-se, consolidaram-se. E a isto agradeçamos, e a isto comamos, e a isto bebamos. Evoé!</p>
<p><strong>&#8220;Comida e Cozinha — Ciência e Cultura da Culinária&#8221;</strong> impõe sua importância tão somente pelo conteúdo direto, detalhado e rico. Sem nenhum apelo a mais. E é assim que grandes produções literárias devem ser.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>29 de fevereiro, um dia a mais, aproveite</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/29-de-fevereiro-um-dia-a-mais-aproveite/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 09:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Um dos maiores ativos que temos é o fator tempo, além de ser extremamente democrático. A beleza não é democrática: uns são feios, a maioria; poucos são bonitos. A saúde não é democrática: uns morrem com cem anos, de velhice; outros, morrem jovens, com alguma doença. A inteligência &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">U</span>m dos maiores ativos que temos é o fator tempo, além de ser extremamente democrático. A beleza não é democrática: uns são feios, a maioria; poucos são bonitos. A saúde não é democrática: uns morrem com cem anos, de velhice; outros, morrem jovens, com alguma doença. A inteligência não é democrática: a maioria é tapada, uns poucos são inteligentes. Sábios são aqueles que usam a inteligência a seu favor. O dinheiro, então, não é nada democrático. Somente poucos sabem lidar com o vil metal, durante toda a vida. A grande maioria, no mundo todo, não consegue encontrá-lo. Onde o dinheiro está, eles não estão. Para muitos “dinheiro na mão é vendaval”, canta Paulinho da Viola.</p>
<p>Mas, o tempo, esse, sim, é democrático. Caro leitor, amiga leitora, assim como eu, e o presidente dos EUA, segundo alguns, o homem mais poderoso do mundo, temos o mesmo tempo. Nosso dia tem 24 horas, 1.440 minutos, 86.400 segundos. Ninguém tem um segundo a mais. O que nos difere é como escolhemos gastá-lo.</p>
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<p>Tenho visto algumas pessoas no meu entorno dedicando parte de seu tempo para acompanhar um zoológico humano televisivo, que há 24 anos abre o calendário da TV brasileira. Segundo li, o reality show BBB, que durante 90 dias confina pessoas “na casa mais vigiada do Brasil”, é um ótimo caça níquel para a emissora Vênus Platinada. Na edição 23, o faturamento da Globo foi de um bilhão de reais com o programa. Do meu bolso não saiu um real, procuro gastar meus escassos caraminguás com coisas mais úteis. E como gosto não se discute…</p>

			</div></div>
<p>Quando vejo alguém discutindo o comportamento dos que ali estão enjaulados, penso com meus botões: Oh! coitado, estás desperdiçando o que tem de muito precioso, seu precioso tempo. O tempo não volta, só anda prá frente. Ontem, eu era um garoto: correndo atrás de papagaio, jogando bola na rua, colocando barquinho de papel para descer na enxurrada na sarjeta, em frente de casa. Hoje, aos 65 anos, vejo como o tempo escorreu entre os dedos das mãos, sem puder pegá-lo.</p>
<p>Esses dias li um ótimo artigo sobre o ditado popular, “a grama do vizinho é mais verde do que a nossa”. O autor, um psicólogo, falava sobre o fator tempo, e dizia: “A grama do vizinho é mais verde”. Sabe por quê? Porque ele não perde tempo com a vida dos outros. Ele gasta o tempo regando, aparando a grama de sua casa”. Perfeito! Simples, assim.</p>
<p>Com o tempo perdi o interesse de acompanhar a vida de parentes, amigos e conhecidos. Quanto menos sei da vida de alguém, melhor vivo. Isso se chama saúde mental. Estudos mostram que muitas pessoas estão depressivas porque acompanham a vida de parentes, amigos e conhecidos nas redes sociais; e por não terem uma “vida tão interessante”, se deprimem.</p>
<p>Cito o tempo, para falar de ano bissexto; o ano ao qual é acrescentado um dia extra, ficando com 366 dias, um dia a mais do que os anos normais de 365 dias, ocorrendo a cada quatro anos. Isto é feito com o objetivo de manter o calendário anual ajustado com a translação da Terra e com os eventos sazonais relacionados às estações do ano. Foi o ditador romano Júlio César que definiu que o calendário teria 365 dias, em 12 meses, e a cada quatro anos teria um dia extra. A inclusão desse dia extra tem o objetivo de corrigir o descompasso entre o calendário gregoriano, que é o mais utilizado no mundo atualmente, e o ano solar, ou seja, o tempo que a Terra leva para completar uma órbita ao redor do Sol.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">“Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado”,  diz Gandalf, O Senhor dos Anéis &#8211; A Sociedade do Anel (2001)</span></p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta. Então – para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa – eu cultivo um certo tédio. Degusto assim cada detestável minuto. E cultivo também o vazio silêncio da eternidade da espécie. Quero viver muitos minutos num só minuto”, afirma Clarice Lispector.</p>

			</div></div>
<p>Como temos um dia a mais, cabe a cada um de nós saber como gastá-lo.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Aproveite da melhor forma possível o 29 de fevereiro, o próximo só daqui a quatro anos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Tobias, o cu-rioso</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/tobias-o-cu-rioso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Feb 2024 20:44:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[curioso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luiz Thadeu Nunes (*) &#160; Desde cedo Tobias mostrou a que veio, era diferente de todos os garotos de sua idade, e até dos mais velhos. Excessivamente curioso, tinha perguntas desconcertantes para todos, o tempo todo. Seu baú de perguntas nunca acabava. Sempre renovadas. Ainda pequeno, na aula de catecismo, perguntou: &#8211; Professora, é &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">D</span>esde cedo Tobias mostrou a que veio, era diferente de todos os garotos de sua idade, e até dos mais velhos. Excessivamente curioso, tinha perguntas desconcertantes para todos, o tempo todo. Seu baú de perguntas nunca acabava. Sempre renovadas.</p>
<p>Ainda pequeno, na aula de catecismo, perguntou:</p>
<p>&#8211; Professora, é verdade que fomos feitos à semelhança de Deus?</p>
<p>&#8211; Sim, Tobias. Somos criaturas de Deus, feitos à sua semelhança.</p>
<p>&#8211; Quem disse isso, professora?</p>
<p>&#8211; A Bíblia, as Sagradas Escrituras.</p>
<p>&#8211; Então, professora, se somos igual a Deus, me responda, Deus solta pum? Deus faz xixi e cocô?</p>
<p>Riso geral na turma. A professora, atônita, não sabia o que responder, mas não podia perder o controle da turma.</p>
<p>&#8211; Professora, se Deus soltar um pum, ele acaba com tudo. Seria o maior estrondo do mundo.</p>
<p>Mais risos, as crianças em polvorosa, e a professora perdida.</p>
<p>&#8211; Crianças, vamos para o recreio.</p>
<p>Ela foi até a coordenadora e relatou o que ouviu de Tobias.</p>
<p>&#8211; Minha Nossa Senhora, vixe Maria,  nunca pensei nisso. Como vamos responder isso para esse garoto.</p>
<p>A professora voltou para a sala, entreteu a turma com jogos e terminou a aula. Tobias foi brincar com os colegas.</p>
<p>Assim cresceu Tobias, com muitas curiosidades e inúmeras indagações.</p>
<p>Todos no seu entorno achavam, e até apostavam que Tobias seria cientista. Já o viam na NASA, colocando os estudiosos de lá no bolso. Mas Tobias era apenas um curioso, especialmente do sistema digestivo, não passou disso. Para arranjar uma namorada era problema sério. As perguntas desconcertantes afugentavam as pretendentes. Sempre com uma pergunta estapafúrdia, ruborizava as moças, que picavam a mula.</p>
<p>Mas, como dizia minha avó Olindina: “sempre há um sapato velho para um pé descalço”, Tobias encontrou Gonocélia, falante e perguntadeira. Gonocélia era o terror dos pais. Observadora astuta, vivia a colocá-los em situação difícil.</p>
<p>Visitar os parentes, levando Gonocélia junto era certeza de embaraços e algumas vergonhas.</p>
<p>Moradores da periferia, aos domingos à tarde, era sagrado a família de Gonocélia visitar os parentes mais afortunados, que moravam no centro da cidade. No caminho, mil recomendações para a menina:</p>
<p>&#8211; Por favor te comportas, não fica olhando muito para as pessoas e nem para as coisa. Não suja o vestido, senta de perna fechada.</p>
<p>Olhar perdido, Gonocélia fingia que não era com ela.</p>
<p>&#8211; Só come se te oferecem, nada de perguntar por merenda. Entendeu, Gonocélia?</p>
<p>Era só chegar à casa dos parentes que Gonocélia perguntava.</p>
<p>&#8211; Mãe, que horas vamos merendar? Aqui não é casa dos parentes ricos?</p>
<p>&#8211; Menina, olhas os modos, nós acabamos de chegar. Fica quieta.</p>
<p>&#8211; Mas eles vão servir alguma coisa?</p>
<p>A mãe com os olhos a sacar da órbita:</p>
<p>&#8211; Menina, desse jeito teus tios vão pensar que tu passas fome lá em casa.</p>
<p>Assim cresceu Gonocélia; já adulta começou a namorar Tobias.</p>
<p>Com o passar do tempo, cada um ficou especialista em fazer perguntas capciosas para o outro.</p>
<p>Morando juntos, no café da manhã, Gonocélia tomava calmante seu desjejum, quando Tobias à queima-roupa lhe perguntou.</p>
<p>&#8211; Quantas pregas tem um c*?</p>
<p>&#8211; O meu ou o teu?</p>
<p>&#8211; Assim tu me desconcerta, Gonocélia.</p>
<p>&#8211; Nós que gostamos de fazer perguntas, não podemos ter vergonha. Tu envergonhado é algo novo pra mim.</p>
<p>&#8211; Pergunta pra Alexa, disse ela.</p>
<p>&#8211; Alexa, quantas pregas tem um c*?</p>
<figure id="attachment_75144" aria-describedby="caption-attachment-75144" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/mobile-4370502_1280.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-75144 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/mobile-4370502_1280-300x288.png" alt="" width="300" height="288" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/mobile-4370502_1280-300x288.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/mobile-4370502_1280-1024x984.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/mobile-4370502_1280-768x738.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/mobile-4370502_1280.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-75144" class="wp-caption-text">O Google responde</figcaption></figure>
<p>&#8211; Desculpe, mas essa pergunta não vou lhe responder.</p>
<p>Com o smartphone em mãos, Tobias digita no Google: “Quantas pregas tem o c*?</p>
<p>Resultados da pesquisa! Trecho da Web em destaque:</p>
<div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“Aproximadamente 6 a 10 dobras verticais da mucosa, submucosa e camada muscular circular. Encontradas na metade superior do lúmen do canal anal”.</p>

			</div></div>
<p>Assim, graças ao Google, Tobias, Gonocélia, você, caro leitor, amiga leitora e eu ficamos sabendo quantas pregas temos no ofício circular, rugoso, localizado na parte inferior lombar da região glútea de um indivíduo. Inclusive no meu e no seu.</p>
<p>Podemos até não gostar de um cu-rioso, mas graças a ele, que não tem vergonha de perguntar, ficamos sabendo de muitas coisas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftobias-o-cu-rioso%2F&amp;linkname=Tobias%2C%20o%20cu-rioso" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftobias-o-cu-rioso%2F&amp;linkname=Tobias%2C%20o%20cu-rioso" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftobias-o-cu-rioso%2F&amp;linkname=Tobias%2C%20o%20cu-rioso" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftobias-o-cu-rioso%2F&amp;linkname=Tobias%2C%20o%20cu-rioso" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Ftobias-o-cu-rioso%2F&#038;title=Tobias%2C%20o%20cu-rioso" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/tobias-o-cu-rioso/" data-a2a-title="Tobias, o cu-rioso"></a></p><p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/tobias-o-cu-rioso/">Tobias, o cu-rioso</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Marcelo Ribeiro em Dois Tempos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/marcelo-ribeiro-em-dois-tempos/</link>
					<comments>https://www.sosergipe.com.br/marcelo-ribeiro-em-dois-tempos/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Feb 2024 11:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[cronista]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
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		<category><![CDATA[leitor]]></category>
		<category><![CDATA[leitura crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Luíza]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Ribeiro]]></category>
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		<category><![CDATA[poeta]]></category>
		<category><![CDATA[signo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*)                                                                        “Quando escrevo,                                                                         respiro a solidão                                                                         dos que ainda se calam                                                                         por dever de ofício”                                                                 &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmarcelo-ribeiro-em-dois-tempos%2F&amp;linkname=Marcelo%20Ribeiro%20em%20Dois%20Tempos" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmarcelo-ribeiro-em-dois-tempos%2F&amp;linkname=Marcelo%20Ribeiro%20em%20Dois%20Tempos" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmarcelo-ribeiro-em-dois-tempos%2F&amp;linkname=Marcelo%20Ribeiro%20em%20Dois%20Tempos" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmarcelo-ribeiro-em-dois-tempos%2F&amp;linkname=Marcelo%20Ribeiro%20em%20Dois%20Tempos" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmarcelo-ribeiro-em-dois-tempos%2F&#038;title=Marcelo%20Ribeiro%20em%20Dois%20Tempos" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/marcelo-ribeiro-em-dois-tempos/" data-a2a-title="Marcelo Ribeiro em Dois Tempos"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p style="text-align: right;">                                                                       “Quando escrevo,</p>
<p style="text-align: right;">                                                                        respiro a solidão</p>
<p style="text-align: right;">                                                                        dos que ainda se calam</p>
<p style="text-align: right;">                                                                        por dever de ofício”</p>
<p>                                                                                                                                                            Marcelo Ribeiro</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">M</span>arcelo Ribeiro é médico, nasceu em Aracaju, Sergipe, em 1949. É membro da Academia Sergipana de Medicina e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, dentre outras instituições. Escritor prolífico, firmou-se um dos nomes mais importantes da literatura em Sergipe e no Nordeste. Meu artigo crítico desta semana revisita duas de suas obras.</p>
<p>O título nada traz de original. Eu o sei e folgo por isso. Tenho horror à pretensão à originalidade. Pouca coisa, muito pouca coisa no mundo, pode ser considerada original. E, creio, estou em uníssono ao autor, nestas mal traçadas letras, a ser criticado: Marcelo Ribeiro – poeta, cronista, novelista. Sua lavra é única em muitos sentidos, mas bebe em águas diversas. Não esconde, por exemplo, sua grande admiração por Manoel de Barros, poeta pantaneiro. Há de se notar algumas aproximações, porém, não é assunto para agora.</p>
<p>Num acesso de preguiça extrema, decidi por reproduzir, aqui, em dois tempos, considerações sobre dois livros de Marcelo Ribeiro: “Quem não sabe ler, leva carta pra morrer” e “Nem que seja só – Torquato Neto &amp; Tropicália”.</p>
<p>Não só por preguiça, confesso. Também porque minha opinião não mudou quanto aos dois livros desde que os li.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>PRIMEIRO TEMPO</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>LUÍZA, UMA EPOPEIA DO CABRUNCO – A PROPÓSITO DE “QUEM NÃO SABE LER, LEVA CARTA PRA MORRER”</strong></p>
<p>Eleger, como personagem principal da obra literária, como alma em torno da qual translada o mundo do autor, alguém dentre os tantos e únicos em si, que compõem o universo de gente humilde, não é, decerto, algo incomum.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.55.58.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-74959 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.55.58-221x300.jpeg" alt="" width="221" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.55.58-221x300.jpeg 221w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.55.58.jpeg 552w" sizes="auto, (max-width: 221px) 100vw, 221px" /></a>Porém, mesmo às mãos de um escritor e poeta calejado, como Marcelo Ribeiro, constitui-se, a meu ver, notável tour de force. Exige-se a maestria do bem aplicar às devidas proporções, na qual o pitoresco deve escapar, com elegância, ao caricato. Tranquilizo, nesse sentido, o leitor: Marcelo logra pleno êxito.</p>
<p>Contudo, é também considerável esforço, ainda que em menor magnitude, quando comparado ao ato mesmo da criação, o pôr-se a ler pelo viés crítico – impulso temerário, desavergonhadamente disfarçado de abordagem analítica racional.</p>
<p>Tanto mais quando o título da obra é, também, um alerta técnico e moral, devidamente recoberto pelo doce verniz da ironia: “Quem não sabe ler, leva carta pra morrer”.</p>
<p>Mais ainda pela dimensão epopeica da obra, vale dizer, pela capacidade do autor em nos envolver numa sucessão de eventos extraordinários, de ações gloriosas, retumbantes, provocando a admiração, a surpresa, o maravilhar-se.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Nesta cria recente de Marcelo Ribeiro, o rebuliçoso núcleo, a promover deliciosos abalos sísmicos nas searas gramatical e moral [e há uma sem outra?], a fornecer linguajar muito bem aproveitado pelo escritor, é Luíza, personagem no qual, já de batismo, pespegaram-lhe, mediante nome, a sina. Em sua origem nórdica, renascida nordestina, Luíza é nome a carregar honrosos significados: “combatente gloriosa”, “ilustre guerreira”&#8230;</span></p>
<p>Não por acaso, creio, que, já a primeira narrativa, transcorra por longa e insone jornada noite adentro. Falta de sono? Oh, sim, batalha das batalhas. Insônia, impiedosa deidade que, nos corações e mentes, cultiva o pesadelo das noites em claro. É na cama, campo de disputa, que Luíza luta.</p>
<p>Bate-se, plena de ira, de desejo carnal, de impaciência. E a trilha sonora, tão essencial à estruturação dessa peça matizada de incidentes, é constituída pelo descontínuo e tonitruante tráfego caminhoneiro. E deitada insone que se preza, tem de ser agourada pela presença, real ou imaginária, duma coruja a piar, “a furar o escuro da noite”.</p>
<p>É de primeira que Marcelo Ribeiro demonstra, mais uma vez, saber lavrar sob o signo da pertinência. A valer-se de inconveniente vigília a acossar Luíza, Marcelo a apresenta. As duas sentenças entrelinhadas, «Esta é Luíza» e «Eu sou Luíza», evitam a descrição antropológica, distanciada, bem ao gosto dum François Laplatine, mas, que, neste caso, resvalaria para o maçante.</p>
<p>O leitor [posso afirmar, pelo menos, por mim], torna-se sabedor íntimo sobre quem é Luiza. Corpo e alma radiografados com raras habilidade e delicadeza. Sem excesso de mística e nem de gordura.</p>
<p>A segunda narrativa, de nome “Luíza”, não apresenta a mulher mais uma vez. Desnecessário. Nos vemos, isso sim, diante do evento, a título de ponto de partida, que provocará as ondas espaciotemporais subsequentes. Estas que trarão, nas águas da existência, a significação maior, humana, diária, por vezes espantosas do contagiante ‘thauma luizaniano’. Luíza, imersa em sua vida, e a perscrutar as demais sem pretensão ao profundo. O conhecer Luíza, o conviver com Luíza, o [re]conhecer o mundo mediante aqueles olhos livres.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Luíza também rebatiza: antigas culturas nos proporcionaram meios de compreendermos, inclusive numa perspectiva transcendental, o alto valor de dois significados: do nome e do ato de nomear. A recordar Foucault, em “As Palavras e as Coisas”, Luíza é hábil na arte da linguagem, em “fazer signo e de significar, ou seja, de nomear”.</span></p>
<p>Luíza nomeia as pessoas com as quais, em diferentes situações, se defronta. Na verdade, renomeia, subsume nomes de batismo e registro numa identificação mais ampla, mais instrumental, denominando aquele e aquela de acordo com as características, a seu ver, inerentes e intransferíveis. E o faz pelo assuntar do jeito e do falar das pessoas. Não pretende ultrapassar o aparente. O logos, como diria Heráclito, fala a Luíza. O discurso diz, por ela, o que coisas e pessoas são.</p>
<p>Com o título “Frustração”, a terceira narrativa é mais uma armadilha de visgo para arisco pássaro ledor como eu. Às primeiras linhas, deparo-me com “Segunda Guerra Mundial” e “Lupicínio Rodrigues”. Seria de bastar para manter este velho leitor, aqui, docemente emaranhado nos fios da bem urdida trama prosadora de Marcelo Ribeiro. Linhas abaixo, dou de cara com um nome muito querido: Ezequiel Monteiro. Devo sustar as lágrimas que lentamente assomam? Não, não&#8230; Sou tomado pela melancolia. Lembro do semblante grave do autor de “Contos de Jornal”, livro meio que de contos, meio que de crônicas. Entre os maravilhosos escritos de Ezequiel, neste livro, nutro predileção por “Menino Regressivo”, refinada alusão a “Ulisses”, de Joyce.</p>
<p>Marcelo Ribeiro, o poeta, o escritor, o memorialista&#8230; Patentes que se confundem.</p>
<p>Por falar em memória, Marcelo registra, no cartório poético e literário, o nascimento de Luíza, a anti-amélia: “Sua vida seca, dura e áspera hipertrofiou a independência e altivez inatas, embora circunstancialmente sufocadas pelo meio em que foi jogada no mundo”.</p>
<p>Os acontecimentos que, em seguida, nos são passados, legitimam à larga o título “Frustração”, esse sentimento de insatisfação, de contrariedade, causados pela não concretização dos desejos. E se manifesta mediante várias situações: cuidar de crianças e da roça, por isso não estudar; encher a cara e, bêbeda, apalavrar venda da própria casinha por mixaria&#8230;</p>
<p>Mas, a Vênus Luíza não se deixa derrotar. Volta por cima, emerge, boticcelliana, sobre as ondas do tempestuoso, escuro como o vinho, oceano das doloridas memórias, merecedora das mais altas honrarias.</p>
<p>E então chego, feliz com leitura tão da boa, à quarta narrativa, “Três por quatro”.</p>
<p>Os dois primeiros parágrafos compõem seu retrato falado. Calete,</p>
<p>indumentária, ritual de maquiagem, vazões oníricas&#8230;</p>
<p>Luíza, a convite dos patrões, vai a Recife, até Nova Jerusalém, assiste à Paixão de Cristo. Dá-se a catarse, fenômeno tão bem explorado pela clássica cultura grega: Luíza sofre ao lado do Filho do Homem, durante a tragédia encenada.</p>
<p>Ao voltar para Sergipe, ainda sob efeito do “explícito” sofrimento pelo qual passou o Nosso Senhor, cai de cama, purificada e enferma.</p>
<p>“Casamento”, a quinta narrativa, é um renascimento existencial. Contudo, o vir à luz pela segunda vez não se dá de maneira fácil, menos dolorida. Pelo contrário, é à torquês, rediviva pela extração de si por si do insalubre contexto em que se afundava. A venusiana Luíza torna-se seletiva, tática e estratégica. Mediante a própria experiência, habilita-se, devidamente certificada pelas agruras e suavidades física e mentalmente processadas, a traçar, com perícia, perfis femininos.</p>
<p>Tão hábil quanto, além de cavalheiro, põe-se Marcelo a permitir, como diria Steinbeck, que a história apenas escorra.</p>
<p>A sexta narrativa, “Liberdade e desejo”, ao contrário do que poder-se-ia especular, não é uma apologia ao comportamento tipo “banda voou”. O escritor concede palavra a uma Luíza [embora fogosa, sequiosa, no que concerne ao namoro, ao sexo] equalizadora. A buscar equilíbrio, dentro do possível, entre a atávica pulsão pagã e a razão de fé. A apaixonada e devota ao filho de Afrodite, soube, ainda assim, honrar a si, a administrar impulso, trabalho e reflexão.</p>
<p>“Treta”, sétima narrativa. A eficiência bem recebida, com simpatia, pelo leitor, do híbrido relatar, tão bem explorado por Marcelo, é forte aspecto notado nas sete páginas componentes. Um complexo mundo feminino, representado por ajuntado de conversaria, expõe dramas humanos dos mais diversos, todos a girar em torno dum eixo tragicômico. Mas a massa presencial das falantes não fermenta de súbito animada por aparecer gratuito. Se sabemos dessas vidas, é porque Luíza conta, relembra, revela. E o faz em louvor à satisfação à qual sente-se obrigada a dar à doutora que lhe deu emprego. É divertido e interessante a confissão enquanto ardil usado para conseguir o trabalho.</p>
<p>“Intuição”, a oitava narrativa em torno da mulher de batom. Douta, por ser ciente da sua ignorância, no tocante às letras, principalmente, afina cordas e lâminas da percepção instintiva dos dados imediatos, elabora sua posição no mundo e, sendo a fêmea pegadora de “rato” que é, estabelece “leis naturais”, no ato permanente de responder aos anseios do corpo e às obrigações para com sua fé.</p>
<p>Como se fosse pouco, defende a ativa vida sexual como fator salutar em todos os aspectos. Prescreve, à sua maneira, boticária do amor e do prazer, recorrência sistemática ao “divirtimento”. Para tanto, é necessário, evidentemente, a parceria bem combinada entre mulher e homem [o “rato”]. Nesse sentido, prossegue num hilário discurso classificatório. A mim coube o rir e rir: o escritor, pela boca de Luíza, exercita uma taxiologia dos homens a partir das suas condições e características sexuais.</p>
<p>“Jovina”, assim intitulada a nona narrativa, traz o nome da irmã querida de Luíza. Marcelo recria personagem e universo. Jovina, mana querida da analfabeta Luíza, é gente letrada, humanizada pela poesia. Sabedora de que a “beleza salvará o mundo”. Se não todo o mundo, ao menos o dela e o da irmã Luíza. Por isso leva ao conhecimento da impetuosa e excitada morena, com delicada paciência, a mínima ilustração: “Oferecia-se como instrumento para lhe arejar o espírito, ampliar a visão do mundo, não a deixar restrita ao lavor e à cama”.</p>
<p>Um quê de Weltanschauung joviniana. Instrumento para tanto? Ora, os poetas! Com predileção pelo matuto, que nem elas duas, Manoel de Barros e suas “ignoranças”.</p>
<p>Luíza, por vezes, ela tão pulsional, resiste às líricas licenças e racionaliza, recusando-se a aceitar situações impossíveis descritas em versos. E, sem que se desse conta, Jovina caiu nas boas graças de Suzy, a cadelinha. Ao ouvir, declamadas e explicadas, palavras tão a si familiares, Suzy passou a acompanhar tais conversas com grato interesse.</p>
<p>A cachorra apreciando poesia? Oh, sim. É o universo pessoal, porém compartilhado, finamente elaborado por Marcelo. Nesse campo, tudo o quanto existe toca e canta sob regência do escritor demiurgo. Cenários pautados pela cotidiana banalidade mesclam-se com outros em que algo de realismo mágico descentraliza o foco, às vezes, excessivamente racional do leitor, numa inconsciente tentativa de reorganização não autorizada do andar das coisas.</p>
<p>“Um mundo de quintal” [“Eu tenho um ermo enorme dentro do olho”, Manoel de Barros]. Se o escritor brilha no comando do seu universo, por ele criado, logra êxito, também, ao demonstrar sensível competência de interpretar o alheio, tão complexo quanto, construído por outro poeta: Marcelo nos oferece, em boa embalagem e excelente conteúdo, o mundo do Manoel de Barros. É quando percebemos que a nona narrativa, “Jovina”, opera como nota introdutória, como uma síntese ritualística de iniciação.</p>
<p>Quintalesca nomenclatura é coisa dos dois competentes “emes”: Manoel e Marcelo. Este último não dana a explicar o primeiro. Não é menino bobo, não há de meter mãos pelos pés. “Um mundo de quintal” é hábil exercício de metaverbalização. Nós que nos viremos para tornarmo-nos dignos do poder de ver, ouvir, apreender e compreender. A chave é a compaixão. Esse sentimento benévolo e solidário manifesta-se pleno em Marcelo Ribeiro. Vale dizer, no caso aqui, sua lavra abraça, convida, senta-se à mesa conosco, compartilha a mesma garrafa de vinho&#8230; E mais uma.</p>
<p>Ou uma cachacinha. É uma poética da paciência, do compreender, do pragmático ao abstrato, o que seu leitor é e o que pode passar a ser após comer e beber das palavras, das [im]possibilidades da língua, da escrita. Marcelo faz-se digno de transitar pelo quintal do sinhô Manuel. Tem a permissão do amigo poeta, de desimperaltada infância, de sentar-se no mesmo banco, de saber dos mistérios&#8230;</p>
<p>Ora, sim, certo, tudo muito bonito, como diria Erza Pound, mas, e quanto à Luíza? Hum&#8230; Embora não citada por explícito, la donna libidinosa paira sobre as linhas. Seu suor, seu batom, seu dizer, estão ali, bem ali. Deidade merece pompas e circunstâncias. A ela, a música, a recitação encomiástica.</p>
<p>Na décima primeira narrativa, “Secura de Vidas”, a incandescente luzivenusiana é homenageada por menestrel de altitude. Resumo biográfico muito bem deitado em versos. Marcelo, com muito jeito, dá o alerta: se há vidas severinas, há, no conversor transmutante do escritor, igualmente, um viver graciliano. À Luíza é apresentada obra de primeira linha, o cordelista convidado fala-lhe, pondo-a, em certa medida, mais elevada que Fabiano: mais mulher, por ser mulher; bem mais homem do que ele.</p>
<p>As duas narrativas seguintes, “Suzy” e “A vida que poderia ter sido”, tratam da vida e da morte da cadela Suzy. Quanto a estas não me alongarei. É frouxidão, confesso. Basta a imensa e profunda dor que os eventos me fizeram sentir no coração e na alma. Já me debulhei em lágrimas. Me doeram e dilaceraram porque são muito bem elaboradas. Construção cortante e delicada. Diante dessas duas histórias, não sou tão forte como Luíza e sou ainda menos homem que Fabiano. Exumaram, em mim, remorsos nem tão mortos, nem tão esquecidos. Sei, contudo, que mais adiante, as lerei, e o farei mais de uma vez.</p>
<p>Poder, como reconhecimento da autoridade e da moral com as quais alguém é investido, é coisa bem entendida, até pela mente mais simples. E eis que, de repente, Luíza é promovida: funcionária do consultório médico. Na décima quarta narrativa, “A funcionária”, não obstante atuar, então, num lugar de ciência, onde predomina o ato de interpretar a linguagem da biologia em cada corpo feminino examinado, não abre mão do procedimento ritualístico, do convocar das forças espirituais positivas contra as negativas, manifestadas mediante ação nefasta dos “vizinho cu de chumbo que bota oio”. Enverga uniforme, doravante. Leva a sério a diferenciação, a simbologia, a concessão de posto. Ante tal responsabilidade, não fez feio, reafirmando sua natureza de ser grata, zelosa e fiel.</p>
<p>Em mãos inábeis, o preâmbulo da décima quinta narrativa, “Religião e Sexo”, tornar-se-ia, para minha decepção, mero panfleto. O que, felizmente, não acontece. Marcelo, também dotado de lastro clínico, sabe dosar bem o grau de indignação no que toca a situação trágica do sertanejo “diante das agruras”. Realidade climática inclemente, fator ideal para o cultivo concomitante do desespero infernal e da fé inabalável na proteção divina, a conjuntura descrita leva em consideração a injustiça, a pobreza, a violenta imposição dos interesses dos abastados sobre os humildes desprovidos de quase tudo.</p>
<p>Dada ciência ao leitor, cumpre narrar o papel de Luíza nesse contexto, levando em consideração ser ela também uma sertaneja acossada por dissabores semelhantes. Todavia, é indiscutível que, nela, o místico e o visceral atuam com força redobrada. Um esforço sincero em contemplar ambas as possibilidades. Diz respeito ao sentimento religioso, que prevê, no caso, a purificação mediante a sublimação dos desejos carnais e, também, o natural, atávico clamor do sexo.</p>
<p>Luíza, fogo e paixão, também é crente, é devota, “apegada a Deus”. Mas não reconhece a instituição religiosa, a Igreja. Respeita as “leis divinas e as leis dos homens”. Porém traçou seu próprio caminho, numa perspectiva sincrética, a qual lhe permite incluir cultuar a rainha das águas.</p>
<p>Como já assinalei mais acima, o sexo, a “lambada”, na concepção de vida de Luíza é, lembrando, aqui, Jean-Pierre Vernant, “restauradora e curandeira” no que concerne às necessidades do corpo e, em certa medida, do espírito. Quando em falta, “o sofrer é grande. Fica impaciente. Um maltrato”.</p>
<p>Lampião e Maria Bonita, emblemática dupla, inseparável do imaginário popular sertanejo, são os notáveis coadjuvantes da décima sexta narrativa. Luíza, à cata de nome para um casal de cágados que adotara, resolve-se por aqueles. Coerente, entendendo o sexo como motor central dos eventos pelo mundo, atenta para esse aspecto da quelônia convivência.</p>
<p>Impressiona-se e brinca ao comentar o jeito do «divirtimento” dos retráteis animais. Enxerga, ao mesmo tempo, vantagens em criar bichos que ficam quietos na maior parte do tempo. Nesses tímidos representantes de um passado habitado por gigantes monstruosos, Luíza, talvez, veja um jeito de vida boa e simples, condições pelas quais já se revelou radicalmente afeita. Em tempo: a história dos cágados traz um quê de incidental cômico e curioso ao longo da composição que dá corpo ao livro. Mas não fica deslocada. Na minha opinião, atua quase como uma pausa. Um vagar, um desocupar-se, por instantes.</p>
<p>Em tom de reflexão socioantropológica, mas, preservando o lirismo, a firmar divisas entre campo de ciência humana e a literatura, a penúltima narrativa, “Boa Noite, Cinderela” traz o melhor das possibilidades oferecidas pelos gêneros crônica e ficção. Mais uma vez, o traquejo memorialista, documental, de Marcelo Ribeiro nos contempla de forma generosa. O périplo cobre, numa síntese abrangente, nossa formação nacional [o que implica na cultural] sob a ótica da música e da religião; da crítica social, da distorção intelectual da realidade a descambar em preconceito.</p>
<p>Para, mais uma vez, deixar claro sobre o quê e quem se trata “Quem não sabe ler, leva carta pra morrer”, coisa de oito páginas mais adiante, ressurge Luíza. Tudo o que fora dito antes revela-se como pano de fundo para o evento memorável que irá coroar uma fase da vida dessa incomum personagem criada a partir do meio mais comum.</p>
<p>Todo escritor sabe que é ao final da exposição de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos mais ou menos encadeados, reais ou imaginários, que dar-se-á o veredito do leitor. Recordo de Borges revelando que iniciava seus contos pelo começo e pelo fim. Depois resolveria o meio. O bardo argentino sabia bem das armadilhas. Uma má conclusão pode ser o fim do reconhecimento ao escritor como escritor. Morre-se na praia, como dizem.</p>
<p>Marcelo Ribeiro conclui seu livro de maneira feliz. A última narrativa, “Cupim 19” aborda o fenômeno da pandemia. Luíza, como sempre, nomeará a coisa como a coisa merece: cupim.</p>
<p>Metáfora das mais acertadas. Comendo de dentro para fora, invisível, por vezes letal, o coronavírus solapou grande parte das instituições, remodelou comportamentos, aterrorizou os espíritos mais serenos, desafiou a ciência ao extremo, inspirou discursos apocalípticos e populistas. Impôs distâncias.</p>
<p>Sim, Luíza, mais uma vez, exibe perícia semântica. Entre o que é ficção e o que é realidade, Marcelo retrata a mulher que decide “tomar as rédeas do destino”. Nela, ainda que haja a batalhadora, a insubmissa, há, também, a pessoa boa e generosa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>SEGUNDO TEMPO</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>NUNCA SERÁ SÓ&#8230; — A PROPÓSITO DE &#8220;NEM QUE SEJA SÓ&#8221;</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.57.43.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-74960 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.57.43-226x300.jpeg" alt="" width="274" height="364" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.57.43-226x300.jpeg 226w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-07-at-10.57.43.jpeg 559w" sizes="auto, (max-width: 274px) 100vw, 274px" /></a></strong>Exumar terríveis dores de consciência. Mediante leitura atenta, eis minha percepção de &#8220;Nem que seja só&#8221;, do poeta, cronista, pesquisador e memorialista Marcelo Ribeiro — Os &#8220;títulos&#8221; são mais que justos e legítimos. E Marcelo os traz, sem ostentação, heráldicos sob o signo da verdade e da honra.</p>
<p>Voltando à obra: creio que, do que li, até agora, da produção de Marcelo, esta é a que ele mais se dedicou a compor cuidadosas construções frasais, às quais agrega-se, de imediato, um bem aplicado verniz filosófico, emprestando ao livro, de forma elegante, leveza estética e densidade de exposição dos dados e dos argumentos. E, então, sim, Marcelo exuma, vale dizer, retira das insuspeitas galerias subterrâneas da história, o que se encontrava guardado, desfigurado, maquiado, escondido.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Marcelo Ribeiro não nos relata um acontecido de forma distante, com imparcialidade pedante, num &#8220;toma aí, e veja o que acha&#8221;. O autor se compromete, se envolve, toma partido, mas, de maneira honesta, contando o que foi do jeito que foi.</span></p>
<p>Isso quer dizer que não interpreta? Maneira alguma afirmo tal disparate. Marcelo o faz e, como bem orienta a Crítica da Razão Literária, se interpreta o faz contra alguém ou contra alguns. O sentido do que se ouve, do que se lê ou vê [ou todas essas possibilidades ao mesmo tempo], de acordo com cada um, do modo como se vê as coisas do e no mundo, seja sempre contraposto a outros sentidos. É uma tomada de posição.</p>
<p>Em todo o livro, duma forma equilibrada, manifesta-se as atitudes, as opiniões do escritor diante das situações descritas. E o que poder-se-ia considerar, numa desavisada percepção, como mera digressão é, em verdade, composição de contextos que bem fundamentam, como de certa forma este crítico aqui já observou mais acima, o que é mencionado, denunciado, revelado.</p>
<p>Destacara eu, às primeiras linhas, o cuidado formal com o qual Marcelo Ribeiro produziu o texto. O autor é notório conhecedor da língua portuguesa. Transita bem pelo linguajar popular e pelo tecido complexo do discurso adloquial, aqui e ali, sem, contudo, incorrer no rebuscamento gratuito.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Marcelo também é poeta, não nos esqueçamos. Domina, como poucos, aos estados metálicos, físico-químicos de rigidez, de maleabilidade, de inércia, sabendo, muitíssimo bem, aplicar a força motriz sob medida exata. É de conhecimento de todos nós que tivemos e temos algum contato proveitoso com os clássicos: quem bem domina a palavra, domina os fatos – sejam os pertencentes à mais comum realidade operatória, sejam os revisitados pelo escritor.</span></p>
<p>O núcleo duro de &#8220;Nem que seja só&#8221; é a breve, todavia marcante, existência de Torquato Neto no cenário político-cultural dos anos 50 e 60. Décadas emblemáticas, queiramos ou não.</p>
<p>As coisas ocorrem entre o Rock&#8217;n&#8217;roll da Poesia, a Poesia Concreta e o movimento Tropicália. Ou seja: pós-guerra da Coreia, bipolarização ideológica e consequentemente guerra fria; guerra do Vietnam e revolução cubana.</p>
<p>O Brasil contribui com a inauguração de Brasília e com os &#8220;anos de chumbo&#8221;. Há muito mais, evidentemente. Cito, em retalhos, pequenas partes de imenso cenário.</p>
<p>Marcelo Ribeiro o sabe muito melhor do que eu. Ele viveu, diretamente, o que eu soube pelos livros e pelas pessoas.</p>
<p>Portanto, é a composição narrativa do autor que é interessante, acima de tudo, nestas pobres linhas que traço. Sua veia de pesquisador, investigador, desentranhador de coisas olvidadas, enfiadas, varridas para baixo do tapete, recontadas, reescritas, o leva a percorrer e desenredar labirintos.</p>
<p>Na leva de tantas e tantas quase perdidas ocorrências — pois, ignorar, esquecer, também é perder —, velados pontos ao longo da trama do tempo e do espaço, é provável que emane, dos acontecimentos, &#8220;uma estranha energia das coisas quando elas precisam acontecer, mas não é incomum fazer-se raridade a ela apor o mérito devido&#8221;.</p>
<p>Marcelo cuida de que o fenômeno ocorra livremente. E tudo o que pode ser e foi observado por Marcelo recebeu, deste, o valor ao qual fez jus. <span class="sigijh_hlt">A Tropicália é descrita numa fascinante dinâmica: “No longo e sinuoso caminho, não se mostraria firme o amor como começara. Tisnou-se o mar de água clara, alva, muito clara. Por outros mares de loucura, foi”. Pois é: a cambraia viu-se em trapos e manchada, o vermelho não mais era apenas do cravo, senão, da mágoa, do inferno interior e do ressentimento.</span></p>
<p>Marcelo Ribeiro deita e rola dentre paráfrases competentes, oportunas, bem encaixadas. Fez o dever de casa: ouviu e leu as letras; ouviu e leu depoimentos&#8230; Enxergou entre as linhas e entre os acordes. Soube compreender quando o compositor e cantor baiano disse sim ao sim e não ao não. Caetano não bebeu, sem refletir, o anarquismo-cocacólatra. Tipo: derrubem prateleiras, sim; porém, não as minhas. &#8220;Auto exigente, perfeccionista e imodesto, não admitia ser mais um; buscava trabalho forte, singular, qualidade internacional&#8221;.</p>
<p>Página a página, o livro de Marcelo Ribeiro é exposição de capas de vinis no sebo da memória. Pelo menos na dos que ainda a detêm. E, neste sentido, o exumar/recordar/recolocar Torquato começa no capítulo quatro. Experiente, sagaz, Marcelo, apesar de assumidamente &#8220;agoniado&#8221;, não se deixa levar pela pressa, não atropela o andar duma carruagem que já andou, já percorreu o caminho da História. Aquele poeta e compositor e, em breve, suicida, entra em cena aos poucos. A figura que se fará presente sem saber o que fazer da própria presença no mundo, o deixará, sem planejamento, traços indeléveis.</p>
<p>Enquanto isso, à sombra da dupla superbacana Cae &amp; Gil, outras figurinhas se movimentavam com maior ou menor timidez: Nara, Tom Zé, Capinan, Gal&#8230; Betânia tratava de si.</p>
<p>Mas, as brincadeiras trópico-anarco-antropofágicas são levadas muito a sério pelos governantes militares. E o tempo fechou.</p>
<p>Marcelo soube aproveitar muito bem o &#8220;tudo ao mesmo tempo e agora&#8221;. A realidade política da época é retratada num estilo tragicômico sem carregar nas tintas.</p>
<p>Em &#8220;Nem que seja só&#8221;, o fenômeno Tropicália/Tropicalismo, o buscar dum sentido existencial pela juventude politizada, o efeito devastador das constantes ondas de choque cultural — contra ou a favor, a depender dos valores e perspectivas —, os processos criativos, os conceitos de família, nação, identidade, liberdade, são coisas descritas e avaliadas não com pretensões à imparcialidade, mas, sim, com a condução segura do leme da nave na qual o capitão é o autor, dando um chega prá lá crítico, embora não violento, valendo-se dum remanso bem calculado, naquela, a outra, a Navilouca.</p>
<p>Torquato Neto, autor da letra da qual Marcelo Ribeiro, de forma perspicaz, extraiu o título do livro [&#8220;Pra Dizer Adeus&#8221;], ganha mais destaque no epílogo, página 69. Nada mais adequado, com o toque, sem exageros, de melancolia. Ele, Torquato, que, mal chegando ao Rio de Janeiro, já é acordado com a notícia da tomada de poder pelos militares.</p>
<p>Marcelo Ribeiro traça com economia e riqueza a trajetória do poeta e compositor piauiense. Sua personalidade sanguínea, sua capacidade reconhecida de compor com maestria, mesmo não sendo músico.</p>
<p>Alcoólatra, por vezes dotado de simplicidade extrema, a manifestar falta de senso prático, Torquato ergue bandeiras contra a corrupção, a canalhice, em nome da liberdade, contra o regime militar, mergulhando nas experiências alucinógenas.</p>
<p>Imolou-se rompido com o mundo.</p>
<p>Querem saber como, por que e quando? Leiam &#8220;Nem que seja só&#8221;, do escritor e memorialista de altíssimo calibre, Marcelo Ribeiro. Por enquanto é &#8220;apenas&#8221; um livro. Desconfio de que, para todos os que o lerem com atenção, não permanecerá somente isso.</p>
<p>Sou leitor da lavra de Marcelo Ribeiro, e não é d’oje. Aprendi a admirar o escritor polivalente, na linha dos que sabem fazer bem seja em qual for o gênero no qual decidem por produzir sua literatura.</p>
<p>E o homem, irrequieto, “agoniado” ainda teima em nos oferecer novos e deliciosos títulos. Aguardemos.</p>
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