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	<title>Arquivo para jornada de trabalho - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Senado aprova fim da escala 6&#215;1 e muda jornada de trabalho após 38 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2026 11:48:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A aprovação da PEC abre, assim, um novo capítulo nas relações de trabalho no Brasil, com a perspectiva de mais tempo para o descanso, a família e a vida fora do emprego &#160; Em uma mudança histórica nas relações de trabalho no Brasil, o Senado Federal aprovou, na noite desta quarta-feira (14), o fim da &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Em uma mudança histórica nas relações de trabalho no Brasil, o Senado Federal aprovou, na noite desta quarta-feira (14), o fim da escala 6&#215;1, modelo em que o empregado trabalha seis dias por semana e tem apenas um de folga. A decisão, tomada em dois turnos, estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e diminui a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. A medida representa a maior alteração na duração da jornada de trabalho desde a Constituição de 1988.</strong></p>
<p>A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221/2019 recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Para ser aprovada, a matéria precisava de pelo menos 49 votos. Segundo o painel de votação, 77 dos 81 senadores registraram presença em plenário.</p>
<p>Com a aprovação, a jornada máxima passará a seguir o modelo 5&#215;2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado. Entretanto, a implementação ocorrerá de forma gradual, ao longo de 14 meses.</p>
<p>Pelo texto, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, as empresas deverão adotar a escala 5&#215;2 e reduzir a jornada máxima para 42 horas semanais. Depois de mais 12 meses, o limite cairá para 40 horas por semana.</p>
<p>A mudança representa um marco na luta pelos direitos trabalhistas. Desde a Constituição de 1988, quando a jornada semanal foi reduzida de 48 para 44 horas, não havia uma alteração dessa dimensão. Além disso, o novo modelo assegura aos trabalhadores com carteira assinada um dia adicional de descanso, ampliando as possibilidades de convivência familiar, lazer, estudos e recuperação física.</p>
<p>&#8220;Eu tenho certeza que, desde a Constituinte de 1988, esta é a maior conquista dos trabalhadores brasileiros&#8221;, afirmou o senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da matéria no Senado.</p>
<p>O parlamentar manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados há cinco meses. Dessa forma, a proposta não precisará retornar à Casa e poderá seguir diretamente para promulgação.</p>
<p>A votação dos dois turnos na mesma noite foi possível graças à aprovação simbólica de um requerimento de calendário especial, apresentado por líderes partidários. A medida dispensou a realização de novas sessões deliberativas para análise da PEC.</p>
<p>A proposta havia sido <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-05/camara-aprova-em-dois-turnos-pec-pelo-fim-da-escala-6x1">aprovada pela Câmara dos Deputados em maio</a></span> e chegou ao Senado em agosto. Na Casa, passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ser levada à discussão em plenário, na semana passada, após <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-10/alcolumbre-anuncia-sessoes-para-discutir-e-votar-fim-da-escala-6x1">compromisso assumido pelo presidente do Senado</a></span>, Davi Alcolumbre (União-AP).</p>
<h2>Debate no Senado reúne apoio e preocupações</h2>
<p>A sessão deliberativa começou pouco depois das 14h e se estendeu até aproximadamente 22h, quando o resultado da votação foi anunciado. Ao longo do debate, praticamente todos os senadores que ocuparam a tribuna manifestaram apoio à proposta, embora alguns tenham apresentado críticas pontuais.</p>
<p>&#8220;Estamos escrevendo este capítulo ao lado de cada trabalhador que acorda antes do sol nascer, de cada mãe e cada pai que querem acompanhar o crescimento de seus filhos, de quem deseja estudar, cuidar da saúde, encontrar os amigos, estar com a família ou descansar&#8221;, afirmou a senadora Tereza Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado.</p>
<p>O senador Eduardo Braga (MDB-AM), por sua vez, destacou as transformações ocorridas nas relações de trabalho nas últimas décadas. &#8220;A jornada de 44 horas semanais vigora desde a Constituição de 1988 e não reflete mais a realidade do mundo do trabalho, profundamente transformado pela tecnologia, pela automação, por novas normas e formas de organização produtiva&#8221;, comentou.</p>
<p>Para dimensionar o alcance da mudança, a senadora Leany Lemos (PSD-DF) apresentou dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>
<p>Segundo os números citados pela parlamentar, 36,2 milhões de vínculos empregatícios com carteira assinada possuem jornada contratada superior a 40 horas semanais no Brasil. Isso corresponde a praticamente 80% dos vínculos celetistas analisados.</p>
<p>Os dados permitem dimensionar o alcance da redução da jornada e identificar os setores mais afetados pela mudança. Entretanto, trabalhar mais de 40 horas semanais não significa, necessariamente, cumprir a escala 6&#215;1.</p>
<p>Em um dos momentos mais emocionados da sessão, o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que não conseguia conter a emoção diante da aprovação.</p>
<p>&#8220;Quando eu olho para trás, para 30, 40, 50 anos, eu me sinto aqui, agora, um menino negro e pobre que esperou 50 anos para este momento acontecer. Quem operou, trabalhou, em fundições, em fábricas, em marcenarias, em fábricas de barro e de vasos, como eu e tantos trabalhadores, sabe que este momento é especial&#8221;, afirmou.</p>
<h2>Impactos para micro e pequenas empresas</h2>
<p>Apesar do amplo apoio à PEC, a discussão também trouxe preocupações sobre os possíveis efeitos econômicos da redução da jornada.</p>
<p>O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), embora favorável à proposta, alertou para o risco de aumento dos custos trabalhistas e de impactos sobre micro e pequenas empresas, responsáveis pela contratação de boa parte dos profissionais que trabalham na escala 6&#215;1.</p>
<p>&#8220;Não podemos permitir que essa conquista se torne, a médio e longo prazos, em prejuízo para quem queremos proteger&#8221;, observou.</p>
<p>O Partido Liberal (PL), que havia se posicionado contrariamente à proposta durante o debate, decidiu liberar sua bancada para a votação.</p>
<p>Já o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), que também é empresário, relatou a experiência de suas empresas, nas quais a escala 6&#215;1 foi eliminada há mais de cinco anos. Segundo ele, a mudança ampliou a oferta de mão de obra e aumentou a produtividade.</p>
<p>&#8220;A única maneira que nós encontramos de resolver a falta de mão-de-obra, que há muitos anos assola esse país, não é de agora, foi flexibilizar o fim dessa jornada, que nas nossas empresas acontece há mais de 5 anos&#8221;, disse o parlamentar.</p>
<p>Ao final da votação, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a registrar voto contrário à PEC.</p>
<h2>Ausências e posicionamentos políticos</h2>
<p>Durante a sessão, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), criticou a ausência dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN) no plenário destinado à votação da proposta.</p>
<p>&#8220;Eu olho para o painel do Senado e ainda não vejo a presença do senador Flávio Bolsonaro, nem do coordenador de campanha dele, o senador Rogério Marinho. Eles haviam dito primeiro que eram contra [o projeto]. Diziam eles que era eleitoreiro, mas mudaram de posição&#8221;, afirmou.</p>
<p>Flávio Bolsonaro cumpriu agenda de campanha no Rio Grande do Sul durante o dia, mas registrou presença em plenário para participar remotamente da votação. No painel, seu voto apareceu como favorável à PEC.</p>
<p>Rogério Marinho, por outro lado, não registrou presença e constou como ausente.</p>
<h2>Fim da escala 6&#215;1 deve beneficiar 26,8 milhões de trabalhadores</h2>
<p>O alcance da mudança também foi dimensionado por pesquisas sobre o mercado de trabalho brasileiro.</p>
<p>Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), elaborado com base em informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), mostrou que 80% dos vínculos empregatícios com jornadas superiores a 40 horas semanais apresentavam salários contratuais de até dois salários mínimos, atualmente equivalentes a R$ 3.242.</p>
<p>Quando considerado o limite de três salários mínimos, correspondente a R$ 4.863, esse percentual chegava a 90%.</p>
<p>A pesquisa também identificou diferenças expressivas de remuneração conforme a duração da jornada. Os vínculos com contratos de até 40 horas semanais registravam salário mensal médio de R$ 6.211,16. Em contrapartida, os trabalhadores contratados para jornadas de 44 horas recebiam, em média, R$ 2.627,32, o equivalente a aproximadamente 42,3% daquele valor.</p>
<p>Outro aspecto identificado foi a relação entre escolaridade e tempo de trabalho. Mais de 83% dos vínculos de trabalhadores com ensino médio completo ou escolaridade inferior tinham jornadas superiores a 40 horas semanais. Entre os profissionais com ensino superior completo, a proporção era de 53%.</p>
<p>Além disso, um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontou que o fim da escala 6&#215;1 e a redução da jornada máxima para 40 horas semanais deverão beneficiar 26,8 milhões de trabalhadores brasileiros.</p>
<p>Desse total, 22 milhões são trabalhadores formais, o equivalente a 54% dos empregados com carteira assinada. Outros aproximadamente 4,8 milhões são trabalhadores informais que atualmente cumprem jornadas superiores a 40 horas por semana.</p>
<p>O levantamento foi elaborado com base nos dados de 2025 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE.</p>
<p>Segundo o Dieese, mais da metade dos trabalhadores formais brasileiros ainda cumpre jornadas superiores a 40 horas semanais.</p>
<p><strong>A aprovação da PEC abre, assim, um novo capítulo nas relações de trabalho no Brasil, com a perspectiva de mais tempo para o descanso, a família e a vida fora do emprego.</strong></p>
<p>Com informações da Agência Brasil</p>
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		<title>A Ucrânia e a maldade brasileira</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-ucrania-e-a-maldade-brasileira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Emerson Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Apr 2023 13:06:04 +0000</pubDate>
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<p>No ano de 2019, de acordo com dados compilados pelo <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://databank.worldbank.org/">Banco Mundial</a>,</span> a Ucrânia aparecia como um país com uma população total de 44,3 milhões de habitantes. Para fins de comparação, no Brasil esse quantitativo era de 211,8 milhões de residentes.</p>
<p>Nessa mesma data, a valores correntes, o povo ucraniano também possuía um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 154 bilhões. Por seu turno, as terras tupiniquins arregimentaram, na mesma época, um PIB de US$ 1,870 bilhões.</p>
<p>Ao se cruzar esses dados, o que se tem?</p>
<p>Bem, o resultado de que o PIB per capita do país eslavo é de US$ 3.5 mil por ano, ao passo que o do latino é de US$ 8.8 mil anuais.</p>
<p>Ou seja, em termos macroeconômicos, a Ucrânia é muito mais pobre do que o Brasil!</p>
<p>Todavia, uma coisa chama a atenção: a ex-república soviética tem um nível de pobreza bem menor do que aquele que existe no gigante sul-americano.</p>
<p>Saiba que, em 2019, na terra em que nasceu a escritora Clarice Lispector, apenas 7% da sua população vivia abaixo da Linha da Pobreza, que, para o Banco Mundial, era de US$ 6.85 por dia por pessoa.</p>
<p>Por sua vez, no país em que veio viver a autora de “<strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://gotasdeepifania.wordpress.com/2018/01/25/resenha-perto-do-coracao-selvagem-clarice-lispector/">Perto do coração selvagem</a></span></strong>”, essa proporção era de 26% do total de habitantes, quase quatro vezes mais.</p>
<p>A extrema pobreza (renda de até US$ 2.15 por dia por pessoa) foi erradicada por lá. Por aqui, voltou a crescer.</p>
<p>Segundo a <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.ilo.org/brasilia/lang--es/index.htm">Organização Internacional do Trabalho (OIT)</a></span></strong>, em 2019, 28% dos postos de trabalho no Brasil eram considerados vulneráveis. Na Ucrânia, essa partição era de 14% do mesmo total.</p>
<p>Na mesma pisada, trabalhadores com empregos formais no Brasil perfazem 66,9% dos vínculos, enquanto a Ucrânia atinge a marca de 85,1% desse volume.</p>
<p>No Brasil, a jornada de trabalho média é de 37,7 horas semanais por empregado, mas 12% desses trabalham 49 horas semanais ou mais, coisa bem diferente da Ucrânia, onde os trabalhadores encaram um expediente médio de 39 horas por semana, mas apenas 4% desse quantitativo precisam se ocupar por 49 ou mais horas semanais.</p>
<p>Isso quer dizer que, se, na Ucrânia, um importe de 845 mil pessoas se vê obrigado a trabalhar praticamente todos os dias, no Brasil, esse contingente é de quase 13 milhões de pessoas.</p>
<p>Sim, o Brasil consegue ser mais cruel com os filhos do seu solo do que a Ucrânia.</p>
<p>E não apenas mais cruel, mas, também, mais iníquo.</p>
<p>O rendimento mediano da economia ucraniana, medida que separa a população entre metade mais rica e metade mais pobre, é 11,5% inferior ao rendimento médio, já no âmbito da brasileira, a renda mediana está 40,4% abaixo da renda média.</p>
<p>Isso indica que ambos os circuitos produtivos concentram renda, mas o da ex-colônia lusitana o faz com maior intensidade do que o faz a sede do extinto Principado de Kiev.</p>
<p>Ademais, os ucranianos que estão entre os 10% mais pobres do seu país se apropriam de 4,1% da renda nacional enquanto, no Brasil, esse mesmo agrupamento social sobrevive com tão somente 0,9% desse agregado macroeconômico.</p>
<p>Em contrapartida, se, na Ucrânia, os 10% mais ricos se assenhoram de 22,3% da renda, no Brasil, esse mesmo estrato toma para si 41,9% de mesmo bolo.</p>
<p>Mas como diferença pouca é bobagem, a turma que habita a órbita do 1% mais rico captura 18% da renda nacional na Ucrânia e outros 25% no Brasil.</p>
<p>Nesse sentido, o Índice de Gini, que dimensiona níveis de desigualdade de um dado fenômeno, e que pode ir de 0 (total igualdade) a 1 ponto (total concentração em um único elemento), aplicado para a distribuição de renda nacional é de 0,266 pontos na Ucrânia e de 0,535 pontos no Brasil.</p>
<p>Em termos gerais, isso quer dizer que o Brasil, no ano de 2019, desfrutava de uma distribuição de renda muito mais desigual e desumana do que a Ucrânia.</p>
<p>Alguém pode até dizer que isso ocorre porque a estrutura econômica da Ucrânia é dona de uma maior produtividade do que a da brasileira. Logo, ela teria melhores condições de remunerar bem os seus trabalhadores.</p>
<p>Porém, isso não é verdade!</p>
<p>O PIB per capita por pessoa empregada – que serve como uma projeção da produtividade do país – era de US$ 27.7 mil anuais na Ucrânia enquanto que, no Brasil, ele era de US$ 33.8 mil anuais, em 2019.</p>
<p>Ou seja, esses valores mostram que o esforço produtivo do brasileiro é mais rentável do que o do ucraniano.</p>
<p>Também poderia se alegar que o Brasil é um país agrário e a Ucrânia, não.</p>
<p>Contudo, esse argumento também não se sustenta quando em face à realidade.</p>
<p>O setor agropecuário, extrativista e de pesca responde por 9% do produto da Ucrânia, proporção que é de apenas 4,2% no Brasil. E a economia brasileira é tão industrializada quanto a ucraniana, com a manufatura respondendo por algo em torno de 10,5% do PIB nas duas nações.</p>
<p>E se o Brasil possui um superávit comercial que orbita a casa dos 3% do PIB, respondendo por pouco mais de 1% das transações internacionais de exportação e importação, a Ucrânia cultiva déficits e mal chega a 0,3% do comércio mundial.</p>
<p>Esses números sugerem que, sob diversos aspectos, não há motivos para que o Brasil, em 2019, tivesse mais de 55 milhões de pessoas na Pobreza, porque na Ucrânia, com um perfil macroeconômico de menor relevância, se sofre menos com essa tragédia.</p>
<p>Não que o referido país, que agora enfrenta uma guerra insana, seja um mar de rosas ou que não possua suas próprias mazelas, mas a questão é que ele reforça a percepção de que o Brasil é inclemente e despótico.</p>
<p>Afinal, com menos recursos do que o jovem país meridional, a velha nação do leste europeu consegue prover aos seus cidadãos e cidadãs uma equidade jamais vistas nestes “<span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://super.abril.com.br/cultura/tristes-tropicos/">Tristes Trópicos</a></span>”.</p>
<p>E o peso dessa perversidade fica patente quando se descobre que, no ano de 2021, com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,754 pontos, a Ucrânia está dez posições à frente do Brasil (0,765), sendo ambos classificados como áreas de médio desenvolvimento. Todavia, quando esse indicador é ajustado pela Desigualdade Social, ele se vê perdendo 3 posições e ela, ganhando 33 posições, ficando a 46 posições de distância.</p>
<p>Então, por que o Brasil é mais cruel e iníquo do que a Ucrânia?</p>
<p>A resposta a essa simples pergunta é complexa, envolve uma diversidade de fatores e não tem feitio pronto, no entanto, não há como fugir da hipótese de que essa situação, muito provavelmente, seja fruto de uma opção política do povo brasileiro.</p>
<p>Por algum motivo, a nossa gente entende que o nosso circuito produtivo só consegue subsistir se mantiver em pé essa ímpia e injusta estrutura de distribuição de renda.</p>
<p>E, assim, nos esforçamos para mantê-lo nesse formato.</p>
<p>Por exemplo, a Constituição de 1988 foi desenhada para nos garantir a Proteção Social e a Cidadania, mas desde então, na maioria das vezes, nós temos votado em políticos que se empenharam em reduzir o alcance e a eficácia das Políticas Públicas Emancipatórias, por meio das mais maléficas e insensíveis propostas de “Reformas”.</p>
<p>Então, quem vê de fora, pode até vir a pensar que nossa economia – e nossa sociedade – só funciona se ela mantiver muito mais pobres os mais pobres e muito mais ricos os mais ricos, coisa que, ao que tudo indica, não ocorre na Ucrânia, não no nível do Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>_________</p>
<p>(*) É doutor em Administração pelo NPGA/UFBA  e mestre em Economia pelo NUPEC/UFS</p>
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		<title>Motoristas e cobradores têm jornada de trabalho reduzida; negociação entre Setransp e Sinttra continua</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/motoristas-e-cobradores-tem-jornada-de-trabalho-reduzida-negociacao-entre-setransp-e-sinttra-continua/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antonio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2020 15:24:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[cobradores]]></category>
		<category><![CDATA[demissão em massa]]></category>
		<category><![CDATA[jornada de trabalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os motoristas, cobradores e demais servidores do setor de transporte coletivo tiveram a carga de trabalho reduzida de oito para quatro horas diárias, assim como os salários. Essa nova jornada está valendo a partir de hoje, 1º de abril, fruto de uma negociação entre o Sindicato da Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) &#8230;</p>
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<figure id="attachment_26991" aria-describedby="caption-attachment-26991" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/04/miguel-belarmino-da-paixão.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-26991" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/04/miguel-belarmino-da-paixão-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/04/miguel-belarmino-da-paixão-300x225.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/04/miguel-belarmino-da-paixão.jpg 700w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-26991" class="wp-caption-text">Miguel Belarmino segue negociando com o Setransp</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">As negociações continuam porque,  segundo o presidente do Sinttra,  Miguel Belarmino da Paixão, “os empresários não querem pagar o ticket alimentação e o plano de saúde”.   Ele diz que já ocorreram seis videoconferências e outras ainda acontecerão até que se chegue a um consenso. “O nosso intuito é evitar demissão em massa. Em Recife, 600 funcionários de três empresas foram demitidos. Em Salvador, fecharam um acordo e as empresas pagam por 10 dias trabalhados, ao invés de 30. E no Rio Grande do Nordeste, a categoria foi afastada por 30 dias, sem vencimentos, para não perder o emprego”, explicou.</p>
<p style="text-align: justify;">O sindicalista lamentou que “nem o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, e nem o governador, Belivaldo Chagas, dão subsídios para pagar a mão de obra do setor como está ocorrendo em São Paulo”. Para Belarmino, ”com receita os empresários já choram na hora de negociar, sem receita choram mais ainda. São muitas lágrimas&#8221;.</p>
<h3 style="text-align: justify;">Desequilíbrio</h3>
<p style="text-align: justify;">Para o Setransp, desde que foi decretado o isolamento social para prevenção do coronavírus, a queda do número de passageiros do transporte público coletivo de Aracaju vem crescendo. Esse percentual de redução já chega a 78% e traz um desequilíbrio econômico com a incapacidade de cobrir custos do serviço, que está operando com 70% da sua frota em Aracaju, mas com uma demanda de apenas 22% do seu habitual.</p>
<figure id="attachment_22091" aria-describedby="caption-attachment-22091" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/10/alberto-almeida-presidente-setransp.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-22091" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/10/alberto-almeida-presidente-setransp-300x285.jpg" alt="" width="300" height="285" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/10/alberto-almeida-presidente-setransp-300x285.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/10/alberto-almeida-presidente-setransp-768x731.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/10/alberto-almeida-presidente-setransp-1024x974.jpg 1024w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-22091" class="wp-caption-text">Presidente do Setransp, Alberto Almeida: empresas preocupadas</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Só as despesas essenciais para manutenção do transporte coletivo, que são pessoal e diesel, representam 68% dos custos. E em Aracaju, já são 152 mil passageiros a menos por dia. Toda essa situação ameaça a sustentabilidade do transporte, que é um serviço essencial, não somente neste momento de quarentena, mas com previsão para o pós-pandemia também.</p>
<p style="text-align: justify;">O Setransp e as empresas de ônibus vêm realizando diversas reuniões com o Sinttra no intuito de buscar alternativas para preservação da maioria dos empregos.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com o presidente do Setransp, Alberto Almeida, o risco do setor entrar em colapso já é bastante preocupante. &#8220;Nesse momento precisamos focar nas alternativas possíveis de garantir a sobrevivência das empresas e dos postos de trabalho. O sistema de transporte já começou a sentir os graves reflexos negativos da pandemia, afetando empregos e a cobertura de custos. Nem mesmo os principais custos estão sendo cobertos&#8221;, enfatizou.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo com a alteração da jornada de trabalho dos colaboradores para 4 horas, o serviço de transporte coletivo continua a ser prestado com 70% da frota em dias úteis e 50 % nos finais de semana, conforme Decreto Municipal.</p>
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		<title>Sim, no Brasil, a mulher vale menos!</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sim-no-brasil-a-mulher-vale-menos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Emerson Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Mar 2020 12:54:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Emerson Sousa (*) No último  dia 7 de março, esta coluna procurou fazer um breve apanhado sobre as desigualdades sociais e geográficas que constituem o mosaico de iniquidades sociais brasileiro.  Leia: O Brasil é um país injusto (e por opção!) Com dados retirados de uma síntese de pesquisas disponibilizada pela página Cidades, na rede mundial &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsim-no-brasil-a-mulher-vale-menos%2F&amp;linkname=Sim%2C%20no%20Brasil%2C%20a%20mulher%20vale%20menos%21" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsim-no-brasil-a-mulher-vale-menos%2F&amp;linkname=Sim%2C%20no%20Brasil%2C%20a%20mulher%20vale%20menos%21" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsim-no-brasil-a-mulher-vale-menos%2F&amp;linkname=Sim%2C%20no%20Brasil%2C%20a%20mulher%20vale%20menos%21" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsim-no-brasil-a-mulher-vale-menos%2F&amp;linkname=Sim%2C%20no%20Brasil%2C%20a%20mulher%20vale%20menos%21" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsim-no-brasil-a-mulher-vale-menos%2F&#038;title=Sim%2C%20no%20Brasil%2C%20a%20mulher%20vale%20menos%21" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/sim-no-brasil-a-mulher-vale-menos/" data-a2a-title="Sim, no Brasil, a mulher vale menos!"></a></p><figure id="attachment_16764" aria-describedby="caption-attachment-16764" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/03/economia-herética.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16764 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/03/economia-herética-300x132.png" alt="" width="300" height="132" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/03/economia-herética-300x132.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/03/economia-herética-768x338.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/03/economia-herética-1024x450.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2019/03/economia-herética.png 1096w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-16764" class="wp-caption-text">Economia Herética</figcaption></figure>
<p>Emerson Sousa<strong> (*)</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">No último  dia 7 de março, </span><span style="font-weight: 400;">esta coluna procurou fazer um breve apanhado sobre as desigualdades sociais e geográficas que constituem o mosaico de iniquidades sociais brasileiro. </span></p>
<p style="text-align: justify;">Leia:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.sosergipe.com.br/o-brasil-e-um-pais-injusto-e-por-opcao/"> O Brasil é um país injusto (e por opção!)</a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Com dados retirados de uma síntese de pesquisas disponibilizada pela página </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pesquisa/45/82120"><span style="font-weight: 400;">Cidades</span></a></span><span style="font-weight: 400;"><span style="color: #0000ff;">,</span> na rede mundial de computadores, que é patrocinada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi mostrado o quanto oprimimos nosso povo. Lá foram trabalhados números relativos à realidade social brasileira no decorrer dos anos de 2018 e de 2019.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">No entanto, desta vez, abrindo uma série de textos que vão ampliar o foco de cada uma das dimensões ali tratadas, a abordagem se dará por meio de dados mais atualizados, como aqueles fornecidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (</span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://sidra.ibge.gov.br/home/pnadct/brasil"><span style="font-weight: 400;">PNADCT</span></a></span><span style="font-weight: 400;">), em sua edição do 4° trimestre de 2019.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Neste texto inicial, a análise vai recair sobre a situação da mulher brasileira no mercado de trabalho, sua presença e sua remuneração e, de modo resumido, pode ser afirmado que: a situação não é benfazeja.</span></p>
<h3 style="text-align: justify;"><strong>SIM, NO BRASIL, A MULHER VALE MENOS!</strong></h3>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Isso porque, de acordo com a referida pesquisa, no mês de novembro de 2019, a remuneração média do brasileiro, em todos os seus trabalhos, estava no patamar mensal de R$ 2.431,00.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Contudo, para o gênero masculino, essa medida está em R$ 2.671,00 por mês, ao passo em que, para o feminino, fica em R$ 2.120,00 mensais. Ou seja, o dia de trabalho de um homem vale, em média, quase R$ 20,00 a mais do que o da mulher. Sob uma perspectiva proporcional, elas percebem uma remuneração 20,9% menor do que a deles.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Do ponto de vista geográfico, essa diferença é maior no Sul do país, onde a mulher ganha 26,7% a menos do que o homem. Com uma remuneração média de R$ 2.938,00 por mês, o dia de trabalho deles, naquela região, vale R$ 26,13 a mais do que o delas, que ganham R$ 2.154,00 mensais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, é na região Norte que essa disparidade apresenta a sua menor extensão. Com uma diferença de apenas R$ 4,87 por dia trabalhado, os homens têm uma remuneração mensal 8,1% maior do que a das mulheres. Nos seus sete estados, o gênero masculino recebe, em média, R$ 1.807,00 ao mês, enquanto que o feminino, outros R$ 1.661,00 de remuneração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Entre esses extremos estão o Nordeste, onde as mulheres ganham 14,3% a menos do que os homens; o Centro-Oeste, onde esse hiato negativo é de 21,4% contra o gênero feminino e o Sudeste, onde elas recebem um salário 23,7% menor do que o deles.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">No âmbito das unidades federativas, a maior distância salarial entre os gêneros está no Mato Grosso, onde elas percebem uma renda 29,3% inferior a deles. Depois, aparece o Paraná, onde essa diferença é de 27,3% e, fechando o pódio, surge o Rio Grande do Sul, cuja remuneração masculina é 26,8% acima da feminina.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">No entanto, as menores disparidades estão localizadas nas economias de Alagoas, onde as mulheres recebem uma renda 4,9% abaixo da dos homens, do Amazonas, cujo descompasso é de 5,3%, e no Amapá, que registra uma perda feminina de 5,6%.</span></p>
<h3 style="text-align: justify;"><strong>Ela escolhe: pobreza ou defasagem salarial?</strong></h3>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Chama a atenção o fato de que esses números, dentre tantos outros, trazem em seu bojo uma triste constatação: no Brasil, desenvolvimento econômico é sinônimo de defasagem salarial feminina, uma vez que é nos estados mais ricos que se dá a ocorrência das maiores disparidades de renda entre gêneros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Entre os nove estados de maior Produto Interno Bruto (</span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.ibge.gov.br/explica/pib.php"><span style="font-weight: 400;">PIB</span></a></span><span style="font-weight: 400;">) </span><i><span style="font-weight: 400;">per capita</span></i><span style="font-weight: 400;">, a Mulher – que recebe uma remuneração média de R$ 2.304,22 por mês – detém um nível salarial geralmente 24,9% abaixo ao possuído pelos homens, que ganham R$ 3.059,11 em média. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">No conjunto dos nove estados intermediários, de acordo com o IBGE, cujo nível salarial feminino médio está em R$ 1.744,78 mensais, essa defasagem é de 13,6% em relação à remuneração masculina, que ocupa a faixa de renda de R$ 2.034,33 por mês.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Por sua vez, nas nove unidades federativas mais pobres, a força de trabalho da Mulher percebe um rendimento médio de R$ 1.466,33 contra os R$ 1.654,67 mensais que remuneram o esforço laborativo masculino, o que resulta numa defasagem de 11,2%.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, a mulher brasileira fica premida por duas realidades iníquas: ou sucumbe a um baixo nível remuneratório ou se submete a receber muito menos do que o homem. </span></p>
<h3 style="text-align: justify;"><strong>Um problema complexo com efeitos devastadores</strong></h3>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Esse é um mosaico cuja trama, bastante intricada, não pode ser resumida a um simples “Com licença, eu vou à luta!”. As origens de tais distorções estão em nossa própria formação sociológica e a sua solução requer a participação de todos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Além de toda a violência a que é exposta – que assume as mais diversas formas, das mais demoníacas às mais solertes – a própria sociedade brasileira resguarda à Mulher um papel subalterno e isso reflete em nossa injusta estrutura salarial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Afinal, mulheres estudam mais, são obrigadas a amadurecerem mais cedo, são mais cobradas no convívio social e profissional, possuem um código de conduta mais rígido do que o fornecido aos homens, porém as posições de comando são entregues a eles, da forma mais naturalizada possível.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">As mulheres não ganham menos do que os homens porque os patrões decidem na hora da contratação que assim será (não que isso não ocorra), mas que elas são levadas desde a mais tenra idade a se acostumarem com arranjos profissionais inferiores a ao dos seus “futuros maridos”. Não se engane, não é coincidência, é intencional!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Por exemplo, pode se supor que, no Norte e Nordeste, as diferenças são menores entre homens e Mulheres pelo fato de que, nessas localidades, as oportunidades são menores para todo o povo, mas no Centro-Sul, onde a riqueza nacional é gerada, o </span><i><span style="font-weight: 400;">filé</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dado a eles, que para isso são criados desde crianças.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Contudo, essas são tão somente conjecturas construídas a partir de nossa realidade remuneratória de gêneros. Torna-se necessário estudar mais o tema, aprimorar seus conceitos e análises e a começar a por em prática políticas públicas que objetivem mudar esse quadro.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Isso porque, é preciso ter claro que, no mercado de trabalho brasileiro, elas são treinadas e condicionadas para não terem “sonhos, apenas presságios”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>(*)</strong> <strong>Emerson Sousa é doutor em Administração pela NPGA/UFBA e mestre em Economia pelo NUPEC/UFS.</strong></p>
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