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	<title>Arquivo para intelectuais - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 17 Oct 2025 13:09:00 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Riachão do Dantas-Se — terra de intelectuais de ontem, de hoje e atemporalmente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Oct 2025 12:28:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
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		<category><![CDATA[escritor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Nas três últimas semanas, recebi excelentes notícias do mundo de lá — parafraseando aqui um trecho da canção “Encontros e Desencontros”, de autoria de Fernando Brant e Milton Nascimento (1985). Refiro-me às terras de Riachão do Dantas, com as quais nós, os lagartenses, temos uma dívida histórica, &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/riachao-do-dantas-se-terra-de-intelectuais-de-ontem-de-hoje-e-atemporalmente/">Riachão do Dantas-Se — terra de intelectuais de ontem, de hoje e atemporalmente</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Friachao-do-dantas-se-terra-de-intelectuais-de-ontem-de-hoje-e-atemporalmente%2F&amp;linkname=Riach%C3%A3o%20do%20Dantas-Se%20%E2%80%94%20terra%20de%20intelectuais%20de%20ontem%2C%20de%20hoje%20e%20atemporalmente" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Friachao-do-dantas-se-terra-de-intelectuais-de-ontem-de-hoje-e-atemporalmente%2F&amp;linkname=Riach%C3%A3o%20do%20Dantas-Se%20%E2%80%94%20terra%20de%20intelectuais%20de%20ontem%2C%20de%20hoje%20e%20atemporalmente" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Friachao-do-dantas-se-terra-de-intelectuais-de-ontem-de-hoje-e-atemporalmente%2F&amp;linkname=Riach%C3%A3o%20do%20Dantas-Se%20%E2%80%94%20terra%20de%20intelectuais%20de%20ontem%2C%20de%20hoje%20e%20atemporalmente" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Friachao-do-dantas-se-terra-de-intelectuais-de-ontem-de-hoje-e-atemporalmente%2F&amp;linkname=Riach%C3%A3o%20do%20Dantas-Se%20%E2%80%94%20terra%20de%20intelectuais%20de%20ontem%2C%20de%20hoje%20e%20atemporalmente" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Friachao-do-dantas-se-terra-de-intelectuais-de-ontem-de-hoje-e-atemporalmente%2F&#038;title=Riach%C3%A3o%20do%20Dantas-Se%20%E2%80%94%20terra%20de%20intelectuais%20de%20ontem%2C%20de%20hoje%20e%20atemporalmente" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/riachao-do-dantas-se-terra-de-intelectuais-de-ontem-de-hoje-e-atemporalmente/" data-a2a-title="Riachão do Dantas-Se — terra de intelectuais de ontem, de hoje e atemporalmente"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>as três últimas semanas, recebi excelentes notícias do mundo de lá — parafraseando aqui um trecho da canção “Encontros e Desencontros”, de autoria de Fernando Brant e Milton Nascimento (1985). Refiro-me às terras de Riachão do Dantas, com as quais nós, os lagartenses, temos uma dívida histórica, quando frades Carmelitas vieram em socorro da população embrionária de Lagarto, por volta de 1654, no povoado Santo Antônio.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Design-sem-nome-5.png"><img decoding="async" class=" wp-image-94217 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Design-sem-nome-5-214x300.png" alt="" width="243" height="341" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Design-sem-nome-5-214x300.png 214w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Design-sem-nome-5.png 400w" sizes="(max-width: 243px) 100vw, 243px" /></a>Primeiramente, destaco a gentileza do escritor Ibarê Dantas de me enviar um exemplar de seu décimo quarto livro, intitulado <em>Florentino Telles de Menezes – Pensamento e Ação</em>, no qual, na dedicatória, mais gentilmente ainda, se refere a mim como um “prolífico escritor”. Isto para mim é uma bênção! Não pelo que a semântica da palavra “prolífico” enseja — qual seja, “produtivo” —, mas, sobretudo, “fecundo”.</p>
<p>Em seguida, duas importantes visitas à minha residência, de representantes da cultura e da gente riachãoense, na manhã do dia 2 de outubro. Da professora Edleide Santos Roza, presidente da Academia Riachãoense de Letras, Artes e Cultura (ARLAC) e do jovem historiador, João Eduardo Freire Coelho, futuro diretor do memorial da cidade, conhecido como Memorial Francisco Dantas. Na pauta, as relações históricas e patrimoniais entre Lagarto e Riachão do Dantas.</p>
<figure id="attachment_94216" aria-describedby="caption-attachment-94216" style="width: 262px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Com-Jeferson-Cruz-14.10.2025.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-94216" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Com-Jeferson-Cruz-14.10.2025-282x300.jpg" alt="" width="262" height="279" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Com-Jeferson-Cruz-14.10.2025-282x300.jpg 282w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Com-Jeferson-Cruz-14.10.2025.jpg 720w" sizes="(max-width: 262px) 100vw, 262px" /></a><figcaption id="caption-attachment-94216" class="wp-caption-text">Prof. Dr. Jeferson Augusto da Cruz e Claudefranklin</figcaption></figure>
<p>Não bastasse tudo isso, na última terça-feira, 14, recebi em minha sala, no Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe, um dos meus mais proeminentes ex-alunos, o Prof. Dr. Jeferson Augusto da Cruz, de quem fiz questão de adquirir o livro, de sua autoria, <em>Aracaju em páginas periódicas – a capital de Sergipe em Fon-Fon e o Malho (1902-1926)</em>, cujo lançamento ocorreu no dia 7, em solenidade concorrida, nas dependências do Museu da Gente Sergipana.</p>
<p>As notas acima mencionadas e destacadas reforçam a máxima de que Riachão do Dantas segue sendo a “terra dos intelectuais”, celebrando a memória do seu passado pujante, do seu presente promissor e de seu futuro garantido, quando o assunto é amor pelo conhecimento e defesa e proteção do patrimônio cultural local — exemplo que deve ser seguido por Lagarto, ainda ansiosa pela existência de seu memorial e pelo uso adequado do Grupo Escolar Sílvio Romero.</p>
<p>Por ocasião da escrita do presente texto, a cidade de Riachão do Dantas abria a programação de sua festa literária, a FLIRD, cujo tema é “Riachão – o orgulho de ser e a alegria de pertencer”. Que essa alegria de pertencer também nos mova e comova, a nós, os lagartenses, tão carentes de iniciativas como essas e tantas outras que os intelectuais e agentes culturais riachãoenses nos apontam — e por que não dizer, também, para todo o conjunto da sociedade sergipana. Miremos pois, todos nós, no exemplo dessa terra de Ibarê Dantas e de Jeferson Augusto, afora toda uma plêiade de gente sabida deste lugar, que semeia ideias, cultiva livros e promove o zelo e o amor pela cultura.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>João Ribeiro e Sílvio Romero: dois gigantes sergipanos e suas efemérides </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Acacia Rios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Nov 2024 11:13:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura&Lugares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Acácia Rios (*) &#160; A rua é um fator de vida das cidades, a rua tem alma! (&#8230;)   A rua é a transformadora das línguas.   A rua continua matando substantivos,   transformando a significação dos termos,   impondo aos dicionários as palavras que inventa,   criando o calão que é o patrimônio   clássico dos léxicons futuros”.   João do Rio, &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Acácia Rios (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>A rua é um fator de vida das cidades, a rua tem alma! (&#8230;)  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A rua é a transformadora das línguas.  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A rua continua matando substantivos,  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>transformando a significação dos termos,  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>impondo aos dicionários as palavras que inventa,  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>criando o calão que é o patrimônio  </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>clássico dos léxicons futuros”.  </em></p>
<p style="text-align: right;">João do Rio, <strong>A alma encantadora das ruas</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">C</span>hama a minha atenção o encontro entre a avenida João Ribeiro e a rua Sílvio Romero, no bairro Santo Antônio. Esses proeminentes sergipanos de Laranjeiras e Lagarto, respectivamente, foram amigos em vida e continuam juntos na posteridade, em confábulo, quiçás tendo a colina como confidente.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Compendio-de-Historia-da-Literatura-Brasileira-SR-e-JR-1906.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-82531 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Compendio-de-Historia-da-Literatura-Brasileira-SR-e-JR-1906-205x300.jpg" alt="" width="177" height="259" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Compendio-de-Historia-da-Literatura-Brasileira-SR-e-JR-1906-205x300.jpg 205w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Compendio-de-Historia-da-Literatura-Brasileira-SR-e-JR-1906.jpg 341w" sizes="auto, (max-width: 177px) 100vw, 177px" /></a></p>
<p>São 90 anos da morte de João Ribeiro e 110 da de Sílvio Romero. Datas redondas que pedem uma reflexão acerca do lugar que ocupam na crítica literária e na historiografia. Vou à página da Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual eram membros, mas encontro uma referência apenas à efeméride de João Ribeiro. Estou enganada ou, já quase em dezembro, estas datas passarão em branco?</p>
<p>Recém chegado ao Rio de Janeiro, João Ribeiro confiou a Sílvio Romero a leitura de Idílios modernos, seu primeiro livro de poemas, cuja crítica saiu na Revista Brasileira em 1881. <span class="sigijh_hlt">Juntos, publicariam alguns anos depois o Compêndio de História da Literatura Brasileira (1906), pela editora Francisco Alves</span>. Ambos participaram ativamente da vida literária brasileira, contribuindo para o debate em vários campos do conhecimento. Neste texto, porém, vou me restringir ao laranjeirense. Oportunamente me dedicarei a Sílvio Romero.</p>
<h4><strong>Multifacetado</strong></h4>
<p>João Ribeiro (1860-1934) foi poeta, filólogo, poliglota, tradutor, historiador, gramático, jornalista, pintor, músico, professor e folclorista. Era considerado um gênio por muitos de seus contemporâneos. O historiador e memorialista Brito Broca, em <em>A vida literária no Brasil &#8211; 1900</em> (José Olympio Editora), cita-o inúmeras vezes, demonstrando o seu trânsito entre os demais literatos e intelectuais, os debates e polêmicas nas quais se envolvia (não tantas, porém, quanto Sílvio Romero) e o respeito que se tinha por ele.</p>
<figure id="attachment_82805" aria-describedby="caption-attachment-82805" style="width: 350px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Transforme-clientes-em-fas-2.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-82805" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Transforme-clientes-em-fas-2-300x200.png" alt="A avenida João Ribeiro e a rua Sílvio Romero" width="350" height="233" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Transforme-clientes-em-fas-2-300x200.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Transforme-clientes-em-fas-2-310x205.png 310w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Transforme-clientes-em-fas-2.png 600w" sizes="auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px" /></a><figcaption id="caption-attachment-82805" class="wp-caption-text">Fotos: Saullo Vilela</figcaption></figure>
<p>Era um classicista que buscava manter-se com a mente aberta para a modernidade. Nem sempre foi uma luta fácil, como se pode observar em sua biografia. No entanto, como gramático e filólogo, defendia uma língua nacional. Foi defensor do Acordo Ortográfico de 1907 encabeçado pela ABL. Não à toa João do Rio dedica-lhe A alma encantadora das ruas. Ambos sabiam muito bem que “a rua é a transformadora das línguas” e que o léxico de Portugal já se distanciava, e muito, do nosso.</p>
<p>Foi ao sair da rua São João que me dei conta do encontro. Com o amigo e fotógrafo Saulo Villela, retorno num sábado à tarde para fazer o registro dos nomes nas placas. Há muito não experimentava a placidez das ruas do centro e da zona norte num dia ‘inútil’, ou seja, num fim de semana. O movimento silencioso (onde estão as pessoas?) das ruas contribui para o ar melancólico que caracteriza a cidade. Sim, Aracaju é melancólica.</p>
<p>O passo seguinte foi ir à Casa de Cultura João Ribeiro, em Laranjeiras, onde estive pela primeira vez quando era universitária. Percorri os seus generosos cômodos e me debrucei sobre uma das seis janelas frontais que dão para uma quase ladeira estreita e caudalosa. Assim como em Aracaju, em que a avenida que tem seu nome está no entorno da rua São João (nasceu no dia 24 de junho, por isso foi batizado com o nome desse santo), também na sua cidade natal, a rua onde nasceu e leva o seu nome está ligada a essa data, tendo sido campeã do concurso de ornamentação dos festejos juninos no ano de 1993.</p>
<p>Com a biografia João Ribeiro, <em>Sempre</em>, de Núbia Marques (Editora da Universidade Federal de Sergipe – Edufs, 1996), em mãos, percorremos a cidade. O que sobressai da sua personalidade, segundo Marques, é ter demonstrado a capacidade de rever as suas opiniões críticas em relação às obras autores que em um primeiro momento foram recepcionadas negativamente por ele. É muito difícil julgar os contemporâneos, pois a crítica carece do distanciamento temporal. Além disso, os sentimentos em relação ao outro podem interferir no julgamento.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-82802 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14.png" alt="casa de cultura João Ribeiro" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Treino-de-natacao-Fotos-Alberto-CezarPMA-14-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p><span style="color: #2b2b2b; font-size: 16px;">Apesar das minhas ressalvas com relação a esse livro, tenho muito carinho pelo trabalho da escritora e pesquisadora Núbia Marques. E também porque o livro passou pela equipe de revisão coordenada por Antônio Carlos Viana, da qual eu fazia parte como estagiária. Na época, a Edufs funcionava na Praça Camerino (atualmente, sedia a 5ª Vara da Justiça Federal), onde também tive o privilégio de integrar a equipe do professor João Costa, de quem tinha sido aluna.</span></p>
<p>Órfão de pai, João Ribeiro foi educado pelo avô, admirador do escritor português Alexandre Herculano e que também inspirou o jovem em formação. Estudou no Colégio Ateneu e na Faculdade de Medicina de Salvador, mas não concluiu esse curso. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se matriculou na Escola Politécnica. Entre outras atividades, foi professor de História Universal do Colégio Pedro II, ao mesmo tempo em que colaborava para diversos jornais (muitas vezes sob os pseudônimos de Xico-Late, Nereu e Rhizophoro) e escrevia gramáticas e livros de história, obras didáticas consideradas best-sellers para a época. A sua percepção da História não era factual, mas científica. Viajou bastante pela Europa, detendo-se durante algum tempo na Alemanha, onde reforçou a sua ligação com a cultura germânica.</p>
<p>O escritor Humberto de Campos, de quem falei na minha última coluna, cujo título é <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/amizades-vegetais-humberto-de-campos-e-seu-amigo-cajueiro/" target="_blank" rel="noopener">&#8220;Amizades vegetais – Humberto de Campos e seu amigo cajueiro&#8221;</a></span></strong>, quando da sua morte em 1934, referiu-se a ele de maneira muito afetuosa: “Com João Ribeiro caiu o jequitibá do sertão”. De árvores o autor maranhense entendia: o jequitibá é forte, gigante, resistente e longevo. Ironicamente, João Ribeiro morreu na rua da Laranjeiras, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Subimos a colina do Santo Antônio. Ali, onde a cidade começou, podemos ver as transformações da paisagem, alteradas sobretudo pela ponte Aracaju-Barra. Olho para o centro e de lá se destacam, quase se deslocando do chão, o Maria Feliciana. Pouco depois, o edifício fantasma do INSS. Para além destes, muitos prédios erguidos ao longe. A cidade, porém, continua predominantemente horizontal. Um vento sussurrante chega à colina quebrando o silêncio daquela tarde.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sob as bênçãos de Éolo — Um verdadeiro clássico da Literatura em Sergipe: &#8220;Velas Pandas&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Jun 2024 11:00:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Se comes, tu bebes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; &#8220;O amor é uma parcela essencial de nossa existência, e, portanto, deve ser buscado e valorizado de maneira global. Adicionalmente, a crescente falta de consciência em tomo dos escritos dos prístinos filósofos deve ser responsabilizada pela atitude negligente das pessoas de hoje em dia, no que diz respeito aos &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;O amor é uma parcela essencial de nossa existência, e, portanto, deve ser buscado e valorizado de maneira global. Adicionalmente, a crescente falta de consciência em tomo dos escritos dos prístinos filósofos deve ser responsabilizada pela atitude negligente das pessoas de hoje em dia, no que diz respeito aos reais valores inerentes à natureza humana&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>Marcos Almeida</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">Q</span>ual o sentido, qual o significado de ainda considerarmos importante ler e ver, enfim, cultivar as produções artísticas e filosóficas clássicas na cotidiana vida hodierna?</p>
<p>Esse questionamento não é originalmente meu, sob nenhuma hipótese. Contudo irmano-me aos que se deixam, pelo menos por alguns momentos, levar ao sabor das correntes do pensamento que consideram os pontos relacionados, e que devem ser discutidos e examinados.</p>
<p>O médico, latinista, pesquisador, enófilo e escritor Marcos Almeida ocupa, sem dúvidas, lugar de destaque na exígua comunidade constituída por mentes brilhantes, as quais buscam responder, com fundamento, às interrogativas primeiras linhas deste modesto artigo.</p>
<p>&#8220;Velas Pandas&#8221; foi publicado em 2005. Quase vinte anos depois mantém a vetusta validade. Entre as Letras Sergipanas, tornou-se um clássico. E estou convicto de que Ítalo Calvino o aprovaria.</p>
<p>Minha leitura é tardia, admito. Mas nutro uma superstição bem clássica: tudo tem seu tempo. Não tivesse lido o que li, refletido sobre o que refleti, ao longo dos anos, certamente não teria condições intelectuais (não que sejam essa Coca-Cola toda) para ler a obra e apreender alguma coisa, por mínima que seja, quanto ao seu significado.</p>
<p>O que dizer a mais sobre o autor, Marcos Almeida, este que transita pela Via Appia Antica que vai de Horácio, passando por Erasmo de Roterdã até Shakespeare? E tudo isso com propriedade que logra intimidar o mais arguto dos exegetas!</p>
<p>Estamos tratando de um estudioso e escritor que lê diretamente as fontes sem ter de se submeter ao traiçoeiro exercício de tradução levado a efeito por outrem. Almeida detém a distintiva capacidade de entender o idioma no qual imortais registraram seus sistemas filosóficos, seus poemas, suas crônicas, seus relatos históricos, suas tragédias e comédias.</p>
<p>Munido de largo e profundo conteúdo teórico e estético, o autor de &#8220;Velas Pandas&#8221; sabe valer-se muito bem dos bons ventos. Generoso, inclui o leitor na tripulação, porém mantém mão segura ao leme, cartografando as águas da História, da Literatura, das Belas-Artes, da Filosofia, da Música, da Mitologia, compreendendo bem a vastidão deste oceano que é o Pensamento Clássico.</p>
<p>Sua bússola, seu astrolábio, sua linha de sonda? A cultivada Razão, a elevada Gnose.</p>
<p>O índice da obra diz mais do que apenas funcionar como uma lista pela qual o leitor correrá o dedo. Eu diria que é um índice conceitual, e que adverte sobre o que virá dali em diante.</p>
<p>Então, vejamos, dispondo, aqui na ordem tal qual apresentada no livro: &#8220;Prudência: Uma Virtude Negligenciada; Roma X Cartago: O Vencedor leva tudo; Roma e os mistérios Dionisíacos;  Erasmo de Roterdã : loucura ou insensatez; Ovídio, Shakespeare e um caso de amor em comum; Algumas palavras sobre o amor (descuidadamente rabiscadas).</p>
<p>Sei que não é de bom tom, vale dizer, não estaria a obedecer a etiqueta compatível com o contexto, se danasse, aqui, a destrinchar cada capítulo.</p>
<p>Estaria longe do pouco de paciência dos contados leitores.</p>
<p>Sinceramente, nem sei se teria capacidade para tanto. Portanto, selecionei três capítulos, no intuito de dar uma ideia geral da obra. Caso o leitor se interesse, adquirirá o livro. Vamos lá!</p>
<p>Em &#8220;Prudência: Uma Virtude Negligenciada&#8221;, Marcos Almeida diz, de imediato, a que veio. Hoje em dia, não será qualquer um que escapará ao insosso e seboso palavreado da autoajuda (Brrrrr!). Mas o autor que motivou este artigo não é um qualquer. Ele mesmo esclarece que: &#8220;Uma vez que é impossível abordar toda a filosofia em poucas palavras, optei por exarar ilações acerca da prudência. Essa virtude através da qual proporcionamos equilíbrio à natureza humana. Horácio (65 -8 a.C.), laureado poeta dos tempos de Virgílio, Mecenas e do imperador Otávio Augusto, certa vez escreveu: &#8220;est modus in rebus&#8217; (Sermones I, 106). A frase posteriormente se transformou em uma máxima, que veio a ser um paradigma da temperança. Embora se possa traduzi-la de diversas maneiras, eis a minha proposição: há uma justa medida em todas as coisas. Fica evidente, portanto, que se trata de uma exaltação à manutenção do equilíbrio face às vicissitudes. Realizações, desejos, e &#8211; por que não dizer? &#8211; vícios humanos. Faz-se ali, enfim, uma celebração das excelências do valor da prudência, e é justamente sobre essa virtude tão importante, que faremos breve divagação&#8221;.</p>
<p>Pois bem, que o incauto e seduzido leitor, eis-me assim, não caia nesta: a &#8220;breve divagação&#8221;, proposta por Marcos Almeida, se configura num verdadeiro tratado. Independentemente da extensão do escrito. Com parte do capítulo tendo como pano de fundo as &#8220;Guerras Púnicas&#8221;, o escritor, além dos grandes nomes já citados acima, recorrerá a André Comte-Sponville, Aristóteles, Sêneca, Boécio, Isidoro de Sevilha e o poeta romano Pérsio. E nenhum é incluído de forma gratuita. As informações, as explicações e as justificativas do autor funcionam à guisa de firmes arcabouços.</p>
<p>Em &#8220;Roma e os mistérios Dionisíacos&#8221;, o culto a Dionísio, na Grécia, e sua extensão com outras denominações, no Império Romano, Marcos Almeida demonstra ainda que, com toda certeza, não seja um adepto aos ritos orgiásticos (no sentido compreendido na Antiguidade Clássica), é indubitavelmente um escritor iniciado. Ele relata, mas, também, emite juízos provenientes da percepção pessoal que tem diante dos fatos que narra: &#8220;Mas que ninguém se iluda: as bacanais eram no princípio um ritual essencialmente religioso, noturno e secreto. Veja o que o coro informa bem no começo de &#8216;As Bacantes&#8217;: &#8220;aquele que, para a alegria de Baco, foi iniciado nos seus mistérios celestiais e leva uma vida de devoção unindo o seu coração e alma em festejos báquicos nas colinas, purifica a alma de todo o pecado&#8221;.</p>
<p>A conclusão desse capítulo é elegante e pedagógica. Almeida preocupa-se em reiterar que tentou, ao máximo, tornar os textos &#8220;originais&#8221; reproduzidos o mais palatável aos leitores comuns,  entre os quais me incluo, sem o lastro (na verdade, nem a metade deste) que o escritor possui. Disposto a exercitar a honestidade intelectual, o autor esclarece que: &#8220;Nosso objetivo não foi escrever uma apologia daqueles prístinos rituais da era pré-cristã, nem também um libelo de ataque fervoroso à concupiscência Diferente de tudo isso, esse ensaio visa lembrar-nos quem fomos, e desvendar os atavismos que nem sempre ousamos revelar, e enfatizar o progresso social e ético que realizamos através dos tempos&#8221;.</p>
<p>E, apesar de todos os capítulos de &#8220;Velas Pandas&#8221; primarem pela qualidade em forma e conteúdo, o outro capítulo, nesta sequência que estabeleci, selecionado por mim, intitulado &#8220;Ovídio, Shakespeare e um caso de amor em comum&#8221;, tornou-se o meu preferido.</p>
<p>Nele, Marcos Almeida, traduzindo diretamente do latim, versos do prolífico poeta romano, contidos em &#8220;Metamorfoses&#8221;, cuja escrita influenciou (segundo, também, o professor de história antiga, pesquisador e latinista indiano Nasib Singh Gill) Chaucer, Shakespeare, Dante e Milton.</p>
<p>Almeida, ainda que ele mesmo previna ser mais um exercício de acurácia, estabelece com elegância, precisão, legitimidade, paralelos entre os versos compostos por Ovídio, em &#8220;Metamorfoses&#8221;, dedicados a Píramo e Tisbe, sobre sua história, amantes envolvidos por um destino cruel, e a tragédia shakespeariana &#8220;Romeu e Julieta&#8221;. As convergências são notáveis. O capítulo é abundante em informações. Fica claro que, fosse da disposição e vontade do autor, o tema redundaria em uma obra tão somente dedicada ao tema.</p>
<p>Marcos Almeida, como os melhores entre os intelectuais que detêm, de fato, denso lastro clássico, é um sedutor, e sabe muito bem disso. Com sagacidade, conduz o leitor por um outro caminho que não o da superficialidade e das soluções fáceis. Contudo, não complica gratuitamente, de forma pedante, seus argumentos a favor da muito provável paridade. Informa e explica. Indica o &#8220;quando&#8221;, o &#8220;como&#8221; e o &#8220;onde&#8221; ao leitor. Abre-lhe a vista diante da trilha das pedras. Comprovo isso a partir do seguinte trecho: (&#8230;) &#8220;em Sonho de Uma Noite de Verão, Shakespeare apresenta uma &#8220;peça dentro da peça, que é justamente a lenda de Píramo e Tisbe! Tendo sido escrita por volta de 1595 (no mesmo ano de Romeu e Julieta), isso dirime, portanto, qualquer dúvida quanto ao fato do bardo inglês ter conhecido em profundidade os versos de Ovídio. Há, ainda hoje em dia, certa polêmica em torno do nível de entendimento em latim de Shakespeare, e se ele teria adquirido habilidade o bastante para ler confortavelmente as &#8220;Metamorfoses&#8221; de Ovídio no original, e não em inglês. Afinal, poemas do cancioneiro francês retratando os lendários amantes babilônicos eram por demais conhecidos na época. O certo é que o autor de Romeu e Julieta fazia eventualmente uso da língua latina, e dos temas apresentados nos versos de Ovídio&#8221;.</p>
<p>Do primeiro ao último capítulo está presente um fator comum, creio eu, a todos os estágios da Civilização, a saber: o amor.</p>
<p>Seja o amor ao poder, aos deuses, a um homem por uma mulher, a uma mulher por um homem; seja pela modéstia, ou amor pela filosofia clássica e pelas viagens, durante as quais é possível meditar, como no caso de Erasmo de Roterdã.</p>
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<p>Não sendo dado, outrossim, a reinventar a roda, decidi, como soe acontecer, afogar minhas cognitivas mágoas mediante duas seguidas garrafas de um maravilhoso Vinho Occhio Nero Chianti Superiore D.O.C.G.</p>
<p>Mas continuo sem esperanças. A História não me absolverá.</p>
<p>Santé!</p>

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<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sobre o Martín Fierro, de José Hernández</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Dec 2022 15:26:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“A ovelha não bale quando é morta; revira os olhos.” BORGES, Jorge Luís; GUERRERO, Margarita. O “Martin Fierro”. Porto Alegre: L&#38;PM, 2005. Em parceria com Margarita Guerrero, o escritor Jorge Luís Borges escreveu o seu parecer crítico acerca da obra Martín Fierro, de José Hernández. Num primeiro momento, os autores supracitados investem em um olhar sobre a &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-o-martin-fierro-de-jose-hernandez%2F&amp;linkname=Sobre%20o%20Mart%C3%ADn%20Fierro%2C%20de%20Jos%C3%A9%20Hern%C3%A1ndez" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-o-martin-fierro-de-jose-hernandez%2F&amp;linkname=Sobre%20o%20Mart%C3%ADn%20Fierro%2C%20de%20Jos%C3%A9%20Hern%C3%A1ndez" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-o-martin-fierro-de-jose-hernandez%2F&amp;linkname=Sobre%20o%20Mart%C3%ADn%20Fierro%2C%20de%20Jos%C3%A9%20Hern%C3%A1ndez" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-o-martin-fierro-de-jose-hernandez%2F&amp;linkname=Sobre%20o%20Mart%C3%ADn%20Fierro%2C%20de%20Jos%C3%A9%20Hern%C3%A1ndez" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fsobre-o-martin-fierro-de-jose-hernandez%2F&#038;title=Sobre%20o%20Mart%C3%ADn%20Fierro%2C%20de%20Jos%C3%A9%20Hern%C3%A1ndez" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/sobre-o-martin-fierro-de-jose-hernandez/" data-a2a-title="Sobre o Martín Fierro, de José Hernández"></a></p><p style="text-align: right;">“A ovelha não bale quando é morta; revira os olhos.”</p>
<p style="text-align: right;">BORGES, Jorge Luís; GUERRERO, Margarita. O “Martin Fierro”. Porto Alegre: L&amp;PM, 2005.</p>
<figure id="attachment_25901" aria-describedby="caption-attachment-25901" style="width: 195px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-25901" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg" alt="literatura" width="195" height="190" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier-300x293.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/02/germano-xavier.jpg 409w" sizes="auto, (max-width: 195px) 100vw, 195px" /></a><figcaption id="caption-attachment-25901" class="wp-caption-text">Germano Viana Xavier (*)</figcaption></figure>
<p><span class="sigijh_hlt">Em parceria com Margarita Guerrero, o escritor Jorge Luís Borges escreveu o seu parecer crítico acerca da obra Martín Fierro, de José Hernández</span>. Num primeiro momento, os autores supracitados investem em um olhar sobre a dita poesia gauchesca, que para eles tanto reflete a vida dos gaúchos quanto escancara a existência de muitos “homens da cidade” identificados com os hábitos e com a linguagem dos pampas. Este laço está descrito na presença de inúmeras batalhas e guerras regionais, que colocaram lado a lado homens citadinos e homens da campanha, porventura nos papéis de aliados ou de inimigos. E não sendo a arte coisa vã, uma nova forma de sonho se deu nas tintas de Hernández, haja posto.</p>
<p>Passeando por diversas fontes que analisaram, de uma ou outra maneira, tal obra e tal personagem, Borges e Margarita sugerem que o mito de Hernández fora “criado” num tempo anterior por Lussich, mas que o próprio Martín Fierro também o ajudou a se tornar no que é/foi desde a sua publicação. Cabe aqui salientar que José Hernández foi um homem sem grandes achaques, com atributos e convicções aparentemente normais para um escritor territorialmente instalado em tais paragens espaço-temporais, nascido a 10 de novembro de 1834 no distrito de San Martín.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Borges e Margarita &#8220;retiram&#8221; a pecha de caracterização épica dada por muitos ao livro de Hernández</span>, apesar da obra se aproximar bastante das formalidades de uma epopeia. O personagem Martín Fierro é um gaúcho bravio, que é levado para os fortins das fronteiras e por lá passa três sofridos anos. Quando regressa, aturdido e revoltado por motivos até justificáveis, percebe que perdeu a mulher para outro homem e que seus filhos se perderam pelas vastidões mundanas. Fierro, daí em diante, transforma-se da água para o vinho e se revela um touro-homem quase que indomável. A sociedade, então, logo o rotula de marginal, de delinquente.</p>
<p>Os críticos pontuam, também, a existência do sobrenatural na obra de José Hernández, e acrescentam ainda que é por esse e outros fatores que Martín Fierro faz parte da literatura tida como duradoura, que é capaz de vencer o tempo a todo custo. O personagem se atira num frenesi tresloucado, misto de violência e vingança, e termina por escancarar a besta, a fera, a fúria humana. Sobra, pois, até para a figura do índio, colocado em postura de malfeitor dentro do texto. As coisas do coração, o sentimento, a paixão, por sua vez, são colocadas numa dimensão de escanteamento no trotar dos versos de José Hernández.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Martin Fierro é tido por muitos, intelectuais ou não, literatos ou não, como o livro máximo da Argentina</span>, o livro que resume a figura emblemática do gaúcho ao pé da letra, o livro de um povo do sul. Parece ser o que Dom Quixote é para os espanhóis e o que a Chanson de Roland se tornou para os franceses, ou o que a Ilíada é para os gregos. Decerto que se transformou num exemplar privilegiado do cânone local. Para Borges e Margarita, mesmo com ressalvas várias, Martín Fierro é talvez o único livro que pode ser apontado como tal. Um poema-romance, épico, que exige perfeição das personagens, mas que também sabe conviver com e potencializar suas imperfeições. O personagem Martín Fierro, assaz-assim, será sempre uma entidade contraditória, pois muito além das ações que cometeu em sua jornada está a sua ética e a sua estética da coragem, que, muitas das vezes, nem pensa em pedir perdão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>__________</p>
<p>(*) <strong>Germano Xavier</strong> nasceu em Iraquara, Chapada Diamantina-Bahia, em 1984. É jornalista pela UNEB e mestre em Letras pela UPE. Publicou o livro Clube de Carteado (Franciscana, 2006). Seu livro de contos intitulado Sombras Adentro (ainda não publicado) foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura (2016). Em 2021, publicou o livro O Homem Encurralado (Penalux); e em 2022 , Esplanada do Tempo, que compreende a segunda parte da Trilogia do Centauro. Escreve para encontrar o equador de todas as coisas.</p>
<style></style><div class="wplp_outside wplp_widget_46365" style="max-width:100%;"><span class="wpcu_block_title">Últimas do Literatura & Afins</span><div id="wplp_widget_46365" class="wplp_widget_default wplp_container vertical swiper wplp-swiper default cols3" data-theme="default" data-post="46365" style="" data-max-elts="10" data-per-page="3"><div class="wplp_listposts swiper-wrapper" id="default_46365" style="width: 100%;" ><div class="swiper-slide" style=""><div class="insideframe"><div id="wplp_box_top_46365_77884" class="wpcu-front-box top equalHeightImg" ><div class="wplp-box-item"><a href="https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/"  class="thumbnail"><span class="img_cropper" style="margin-right:4px;margin-bottom:4px;margin-left:4px;max-width:100%;"><img decoding="async" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91.png" style="aspect-ratio:4/3;" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/06/Design-sem-nome-91-660x330.png 660w" alt="Nivaldo Tenório e as camadas do conto" class="wplp_thumb" /></span></a><a href="https://www.sosergipe.com.br/nivaldo-tenorio-e-as-camadas-do-conto/"  class="title">Nivaldo Tenório e as camadas do conto</a></div></div><div id="wplp_box_left_46365_77884" class="wpcu-front-box left wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_right_46365_77884" class="wpcu-front-box right wpcu-custom-position" ><div class="wplp-box-item"></div></div><div id="wplp_box_bottom_46365_77884" class="wpcu-front-box bottom " ><div class="wplp-box-item"><span class="custom_fields">
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		<title>“Eu serei o último moicano a sair da luta, da guerra”, garante o jornaleiro Washington Teixeira</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/eu-serei-o-ultimo-moicano-a-sair-da-luta-da-guerra-garante-o-jornaleiro-washington-teixeira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Dec 2020 09:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Eu serei o último moicano a sair da luta, da guerra”, garante o empresário e administrador de empresas, Washington Teixeira Costa, 65, e que desde 1987, é proprietário da banca de revistas Waluvi. Leitor voraz e cinéfilo, o jornaleiro Washington pega emprestado o título do livro “O último dos moicanos”, um romance histórico de James &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/eu-serei-o-ultimo-moicano-a-sair-da-luta-da-guerra-garante-o-jornaleiro-washington-teixeira/">“Eu serei o último moicano a sair da luta, da guerra”, garante o jornaleiro Washington Teixeira</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<p style="text-align: justify;">Enquanto  o moicano  segue resistindo, lembra dos tempos em que na Waluvi podiam ser encontradas as edições impressas dos jornais de diversas capitais do país, como São Paulo, Salvador, Minas Gerais, Rio de Janeiro, dentre outras, sem contar com as principais revistas semanais. E não é só isso, ele chegou a receber o jornal francês <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.lemonde.fr/">Le Monde</a> </span>e tinha clientes assíduos que o compravam.</p>
<p style="text-align: justify;">A idade do jornaleiro e o advento da internet, que trouxe as versões online de jornais e revistas, fizeram com que Washington acabasse com duas bancas, permanecendo somente com a da Hermes Fontes. Ativista no setor, Washington lembra que, junto com o fechamento das suas filiais, outros jornaleiros foram deixando o negócio. “Aracaju já chegou a ter 400 bancas de jornais e revistas e hoje não passam de 10”, lamenta.</p>
<figure id="attachment_34989" aria-describedby="caption-attachment-34989" style="width: 395px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-06-at-00.04.26.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34989 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-06-at-00.04.26-271x300.jpeg" alt="" width="395" height="437" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-06-at-00.04.26-271x300.jpeg 271w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/WhatsApp-Image-2020-12-06-at-00.04.26.jpeg 720w" sizes="auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px" /></a><figcaption id="caption-attachment-34989" class="wp-caption-text">As Pestes do Aracaju &#8211; A convivência com a Covid-19 e outras Memórias, de Antônio Samarone</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;">Para continuar sobrevivendo nos tempos em que as notícias são quase instantâneas, Washington agregou outros serviços. Além dos jornais diários que circulam em Aracaju, ele tem livros de autores sergipanos, a exemplo de “As Pestes de Aracaju”, do médico sanitarista Antônio Samarone.  E mesmo com a chegada da internet, as revistas impressas  de super heróis da Marvel e os mangás têm público certo. “As pessoas vêm em grupo comprar e se eu não tiver quatro ou cinco revistas da mesma edição, alguém vai sair sem levar”, contou.</p>
<p style="text-align: justify;">Nestes 33 anos de banca de revistas, dividindo a gestão com a esposa Iracema de Aragão Costa, Washington, um baiano nascido no povoado de Orobozinho, município de Marcionílio Souza, na Chapada Diamantina, disse que o trabalho de jornaleiro lhe deu régua e compasso. Foi dali que ele tirou o sustento para a família e conseguiu, junto com a esposa, formar os dois filhos: o advogado Luís Vinícius, o Lula, e a psicóloga Viviana Aragão. E ainda: contribuiu e incentivou para que a sua funcionária Maria de Lourdes Barbosa, que está com ele há mais de 20 anos, se formasse em assistente social.</p>
<p style="text-align: justify;">Será Lourdes que, dentro em breve, ficará com a Waluvi, pois isso já foi acertado com a família. Esta semana, entre a venda de um cigarro e outro, ou fazendo apostas nas loterias da Caixa – um novo ‘agregado’ à banca, que Washington recebeu o <strong>Só Sergipe.</strong> Leia, descubra o que significa Waluvi e conheça um pouco sobre este jornaleiro e sua banca, claro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Há quanto tem o senhor é proprietário desta banca de revistas na avenida Hermes Fontes, onde sempre se reuniram políticos e intelectuais sergipanos, não só para comprar jornais e revistas, mas também para uma boa conversa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WASHINGTON TEIXEIRA</strong> &#8211; Aqui em Aracaju eu comecei em 1987 nesta atividade de jornaleiro, com banca de jornais, que tinha uma tradição no centro da cidade. Na época, levei para um assessor do então prefeito, Jackson Barreto, a sugestão de que as bancas poderiam ser instaladas nos bairros e ele concordou. Tive oportunidade de falar com ele pessoalmente sobre isso e ele achou a ideia brilhante. Nessa época tive a concessão de três pontos, saindo do eixo do centro. Então vim para as avenidas Hermes Fontes, Pedro Paes Azevedo e Augusto Maynard. E de lá para cá fui reduzindo e hoje só tenho esta aqui, na Hermes Fontes, neste canteiro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – E por que reduziu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> Com o passar dos anos, perdi aquele ritmo. Eu comecei com, aproximadamente 30 anos, cheio de energia, e hoje sou um homem de 65 anos. E aí, um negócio pequeno como banca de revistas absorve muita energia do dono. As dificuldades foram me obrigando a desfazer dos demais pontos e estou somente com este, com muita dificuldade. Hoje, a maioria das bancas está fechando, não só aqui, mas no Brasil inteiro.  Eu não sei o que vai acontecer com as bancas de revistas. Eu sinto que os jornais e revistas semanais impressos estão desaparecendo, porque esses veículos de informação de período curto, com literatura não perene, ficam desatualizados em questão de horas. Você noticia que determinada figura teve um infarto e daqui a 10 minutos tem que estar com a notícia atualizada e posta na rede social, no site, que a pessoa se recuperou. E o jornal impresso não dava essa resposta. Se tivesse sorte, no fechamento da edição, de ter essa informação, dava a notícia sobre o assunto e no dia seguinte a pessoa poderia estar viva ou morta. Hoje os jornais virtuais se informam e se atualizam por segundo. As informações nos jornais e revistas impressas, um dia,  serão descartadas.</p>
<figure id="attachment_34992" aria-describedby="caption-attachment-34992" style="width: 381px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Design-sem-nome-2020-12-06T003811.963.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34992 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Design-sem-nome-2020-12-06T003811.963-300x300.png" alt="" width="381" height="381" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Design-sem-nome-2020-12-06T003811.963-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Design-sem-nome-2020-12-06T003811.963-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Design-sem-nome-2020-12-06T003811.963-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Design-sem-nome-2020-12-06T003811.963-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Design-sem-nome-2020-12-06T003811.963.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 381px) 100vw, 381px" /></a><figcaption id="caption-attachment-34992" class="wp-caption-text">Além de revistas e jornais outros produtos ajudam na renda</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – E o que resta para as bancas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> Há produtos que vão durar, como um bom livro, mas não sei por quanto tempo. Não sei se os donos do poder vão continuar deixando imprimir livros. Acredito, também, que futuramente, na minha simplória visão de mundo, alguém vai procurar um livro impresso para ler  e não vai encontrar. Pode vir uma nova ordem mundial, que começou com o advento da escrita e massificação de informação. Então, banca de revistas começou com um mix há 20 anos, de não vender só revistas e jornais, mas outros produtos agregados, para se viabilizar e o dono ter o mínimo de renda. Ter uma  tabacaria agregada, por exemplo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Houve uma época em que o senhor chegou a ter quase todos os jornais do país aqui na banca, não foi?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> Sim. Eu trabalhei com diversos jornais. Com o Zero Hora, do Rio Grande do Sul; trabalhei com  todos os jornais de São Paulo (Diário de Notícias, Gazeta Esportiva, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo), com  jornais do Rio de Janeiro (Jornal do Brasil, O Globo, Jornal dos Esportes, O Dia), da Bahia (Jornal da Bahia, Tribuna da Bahia, A Tarde, Correio da Bahia). De Minas, recebia o Estado de Minas. Recebi jornal do Ceará, de Pernambuco (Diário de Pernambuco e Jornal do Comércio); de Alagoas, e por aí.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – O senhor trabalha com algum jornal internacional?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong>  Cheguei a receber o francês Le Monde. Havia pessoas que queriam, pois diziam que o Le Monde era mais independente. Tinha um público que lia. Lembro que, em determinado momento, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) tinha um convênio com uma universidade francesa, e no prédio, aqui em frente da banca, moraram uns quatro franceses que faziam um curso na UFS. Eles fizeram amizade comigo, compravam o jornal e outras pessoas se interessaram também pelo jornal francês.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Na opinião do senhor, o advento da internet iniciou a derrocada na venda de jornais nas bancas? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT – </strong>Sim, mas entre nós jornaleiros poucos perceberam, pois não buscamos alternativas diante dessa nova tendência. Até vocês jornalistas não tinham percebido isso no início, com o processo de informatização. Ao mesmo tempo, quando as empresas absorveram o processo de informatização, no bojo veio a internet, uma ferramenta e tanto, principalmente, para os jornalistas. E nós não percebemos que as coisas iam diminuir para nós. Pecamos, faltou malícia. Hoje, você chega em determinado evento e o palestrante alerta para percebermos a nova tendência que está acontecendo no mundo. E naquele momento, se alguém nos advertisse num seminário, para o jornaleiro e todos  os envolvidos com esse produto, talvez tivéssemos buscado outra alternativa. As lan houses não pegaram. E hoje computador é barato. Você tem um celular que é um computador.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS &#8211; E as bancas sempre tiveram um mix de produtos, além dos jornais e revistas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> Sim, muitos fizeram isso. Com perfumaria, cosmético, sorvete dentro da banca. Você chega numa banca em São Paulo, hoje, e tem diversos produtos. A banca de jornal vai sobreviver com outros produtos agregados. Há banca de jornal aqui, que o dono desmontou a estrutura de publicações e trabalha com venda de frutas e legumes, e neste momento vai sobreviver. É comum as pessoas que são ávidas por informação, quererem ter um bom livro. Mas ele não vai ter um livro em papel, e sim no computador.  Vai acabar o gosto de sentir o cheiro do jornal, o cheiro do livro, pois virá uma nova ordem mundial.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Como foi que o senhor tomou gosto por esse negócio?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> Eu  comecei a frequentar banca com assiduidade na Joana Angélica, em Salvador, e os professores que lecionavam no Colégio Central, iam para a banca do meu amigo Everaldo. Eu trabalhava num local, mas sempre ia vê-lo. Foi Everaldo quem me incentivou, quando  fiquei desempregado, a montar uma banca de revistas. E os produtos deixavam as pessoas com brilho nos olhos. O maior orgulho de um cidadão, na década 60 e 70, era ter dinheiro e sair da banca com um ou dois livros e três jornais debaixo do braço. Nem fazia questão de colocar na sacola, para que todo mundo visse que ele era um cidadão que gostava de leitura. E todos faziam questão de procurar essa pessoa. Ler uma notícia de jornal que foi produzida  há 12 horas e comprar na banca era um luxo, um privilégio para poucos. Ter um jornal às seis horas da manhã em casa era outro luxo. Tínhamos clientes que pegavam um jornal pela manhã e iam terminar  a leitura  à noite, porque era muita informação. E os jornais de domingo, principalmente,  sempre foram mais robustos, como até hoje são.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – E a presença dos políticos no seu estabelecimento?  Afinal, banca de revistas é um lugar onde se respira cultura. Muitas conversas e muitos acordos políticos foram fechados no bate-papo aqui?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT – </strong>Não. O que aconteceu foi de candidatura proporcional, de vereador. Houve uma vez uma articulação, por conta da amizade com um professor, que não compete aqui revelar o nome. Começou aqui a articularmos a candidatura dele. Chamamos um grupo de amigos e tudo. Mas candidatura majoritária não. Até porque eu ficava fora do eixo da discussão política. Sei que existia essa discussão na banca do meu amigo, Roberto, porque no centro de Aracaju  ficavam o  Ministério Público, Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Câmara de Vereadores, Prefeitura e a Catedral Metropolitana, além da Receita Federal e Polícia Federal. E todos convergiam para a banca do Roberto. Naquela época, o cidadão ouvia o rádio e comprava o jornal.</p>
<p style="text-align: justify;"><div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<figure id="attachment_34969" aria-describedby="caption-attachment-34969" style="width: 1599px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/livros-autores-sergianos-waluvi.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-34969 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/livros-autores-sergianos-waluvi.jpg" alt="" width="1599" height="738" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/livros-autores-sergianos-waluvi.jpg 1599w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/livros-autores-sergianos-waluvi-300x138.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/livros-autores-sergianos-waluvi-1024x473.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/livros-autores-sergianos-waluvi-768x354.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/livros-autores-sergianos-waluvi-1536x709.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1599px) 100vw, 1599px" /></a><figcaption id="caption-attachment-34969" class="wp-caption-text">Livros de autores sergipanos estão à venda na Waluvi</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Há uma hora conversando com o senhor aqui na banca e não entrou ninguém para comprar uma revista ou jornal. Vejo muitos comprando cigarros. É sempre assim?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> É. Você não viu eu vender um jornal ou uma revista, só produtos agregados, como cigarro. Lamentavelmente, não há mais isso. Mas se você viesse mais cedo, veria as pessoas entrando aqui para comprarem as revistas de super heróis da Marvel, que dominam o mercado e  são distribuídas pela Panini. Percebo que esse mercado vai permanecer. Tenho cliente da minha idade comprando esse tipo de literatura.  Quando jovem, ao tomar gosto pela leitura, meu maior prazer foi ler <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://lelivros.love/book/baixar-livro-mar-morto-jorge-amado-em-pdf-epub-mobi-ou-ler-online/">Mar Morto, de Jorge Amado</a></span>, e até hoje me lembro dos detalhes dos personagens Guma e Lívia. Eu viajava em boas leituras. Comecei a migrar para outros autores. Lembro que um amigo meu chegou aqui com <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://lelivros.love/book/baixar-livro-o-quinze-rachel-de-queiroz-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/">“O Quinze”, de Rachel de Queiroz</a></span>.  A minha geração se encantava ao ler um romance. Eu não vejo um jovem hoje pegar uma literatura.  Nós temos veia literária sergipana que não valorizam. Outro dia perguntei a um cliente: você sabe quem é Chico Dantas?  E ele não sabia. Se você falar com determinadas figuras que Jorge Amado teve raízes em Sergipe, que <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Ubaldo_Ribeiro">João Ubaldo Ribeiro</a></span>, autor de Sargento Getúlio, também teve, eles vão dizer que não sabem. E não sabem mesmo, infelizmente. Então, o cara fica procurando esses super heróis. Vá primeiro conhecer o seu Estado, com um celeiro de gente bacana, inteligente, produzindo literatura, poesia, a exemplo de <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/bahia/jozailato_lima.html">Jozailto Lima.</a></span></p>

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<figure id="attachment_34970" aria-describedby="caption-attachment-34970" style="width: 537px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/washigton-titulos-da-marvel.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-34970" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/washigton-titulos-da-marvel-300x138.jpg" alt="" width="537" height="247" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/washigton-titulos-da-marvel-300x138.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/washigton-titulos-da-marvel-1024x473.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/washigton-titulos-da-marvel-768x354.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/washigton-titulos-da-marvel-1536x709.jpg 1536w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/washigton-titulos-da-marvel.jpg 1599w" sizes="auto, (max-width: 537px) 100vw, 537px" /></a><figcaption id="caption-attachment-34970" class="wp-caption-text">Revistas com super heróis da Marvel têm muita saída</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Mas o senhor já perguntou a um leitor da Marvel o que ele aprende com essa leitura?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> Sim. Um leitor me disse que consegue encontrar uma mensagem e associar a imagem com o texto. E ele diz que consegue conversar com os personagens. Todos fazem essa leitura de conversar com os personagens. E é o único público com quatro pessoas que chega para comprar as mesmas revistas. Se eu não tiver quatro do mesmo número para vender, um vai ficar sem. E eu me pergunto: por que essas revistas?  Não sei. Mas há um público jovem e outro público de 50 anos em diante que estão consumindo esta literatura de super heróis e de mangás. Como envolve várias faixas etárias, acredito que isso poderá manter as bancas de revistas abertas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS &#8211;   No começo da entrevista, o senhor falou da conversa com o então prefeito Jackson Barreto, que contribuiu para levar as bancas de revistas para os bairros. O senhor seria um dos principais precursores deste segmento em Aracaju?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> Não, não. Primeira banca em Aracaju, eu sei, pois me tornei um ativista,  era banca de jornal, pois era comum se comprar. Começou com a banca São Francisco, no Parque Teófilo Dantas, ao lado da Padaria Sergipana, próxima à Catedral Metropolitana, do senhor Francisco. Mas infelizmente deve estar fechando. Mais tarde, um ativista político da década de 60, era funcionário do Correio e ficou desempregado, e para sobreviver, colocou banca de jornais. E depois evoluiu para banca de  revistas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS &#8211; Aracaju chegou a ter quantas bancas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> Chegou a ter, em média, 400 bancas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – E hoje?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> Conto nos dedos. Se tiver 10, tem muito. Como eu venho de uma época que consegui me aposentar, consigo sobreviver financeiramente. Alguns vivem aos trancos e barrancos. Outro problema para a decadência: chegou um pessoal novo nas distribuidoras sem o menor respeito aos jornaleiros. Não foi profissional, não tem a credibilidade de um Queiroz (José Queiroz, antigo distribuidor) junto à Editora Abril, para vir todas as publicações.  Tudo que circulava no Brasil vinha para Sergipe, por meio de Queiroz, ainda que em proporção menor. O  distribuidor  de hoje não tem prestígio e o que faz é enterrar o jornaleiro. Não sei o que vai ser da banca.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS- A essa altura, qual o seu propósito para esta banca?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT &#8211;</strong> Eu tenho um propósito para este empreendimento. Minha funcionária, Lourdes, que se sacrificou aqui conosco, vai ficar com ela. Nós vamos passar a banca para ela, pois isso já foi decidido lá em casa, com meus filhos e minha mulher. Isto aqui vai ficar para ela.  Assim como incentivamos nossos filhos a estudar, nós a incentivamos também. Quando falo desta banca, foi ela que me deu régua e compasso. Me ajudou a formar meu filho em Direito, que está muito bem na Bahia; minha filha formou-se em Psicologia aqui em Sergipe e é requisitada para outros Estados, por conta do conhecimento dela. Viabilizei a vida deles, pois é minha obrigação como pai, e de Iracema, como mãe.  Fizemos o mesmo com Lourdes, que se formou em assistente social, e dissemos que era hora dela voar, buscar novos horizontes. Porém, ela não quis. Preferiu ficar com a gente aqui. Futuramente, você não vai me ver aqui, não verá Iracema, mas, sim, Lourdes.</p>
<figure id="attachment_34971" aria-describedby="caption-attachment-34971" style="width: 565px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/waluvi-na-hermes-fontes.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-34971" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/waluvi-na-hermes-fontes-300x138.jpg" alt="" width="565" height="260" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/waluvi-na-hermes-fontes-300x138.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/waluvi-na-hermes-fontes-1024x472.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/waluvi-na-hermes-fontes-768x354.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/12/waluvi-na-hermes-fontes.jpg 1288w" sizes="auto, (max-width: 565px) 100vw, 565px" /></a><figcaption id="caption-attachment-34971" class="wp-caption-text">Uma das poucas bancas de revista em Aracaju: resistência</figcaption></figure>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS -O senhor se considera um resistente neste segmento de banca de revistas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> Eu serei o último moicano a sair da luta, da guerra. Esse ano, infelizmente, fui ao enterro de quatro amigos meus acima de 50 anos. Faço uma atividade aqui de reunir todos os amigos numa aposta, num bolão de loteria da Caixa Econômica Federal. E digo: anotem, porque estou com 65 anos e não sei se daqui a 10 minutos estarei vivo. Cada um faça seu registro porque se eu desaparecer de um minuto para o outro a minha família vai honrar. Isso de apostar começou como uma brincadeirinha e cresceu muito. Eu tenho esse produto agregado hoje, que é 50% da receita da banca, por incrível que pareça. É um bolão que consegui reunir aqui muita gente. Antes eu não conseguia reunir pessoas de 10 estados diferentes e vender um produto da banca. Hoje, no bolão, consigo trazer amigos meus de 10 estados do Brasil.  A banca é um aporte para todos que gostam de fazer uma ‘fezinha’. Mas breve vou sair de cena, porque a pressão lá em casa está demais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Quantas vezes vocês já ganharam?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> O maior prêmio que ganhamos foi de R$ 700 mil, dividido com muita gente não ficou muito dinheiro para cada um. Para esse tipo de bolão nosso, valia a pena ganhar o prêmio máximo de qualquer loteria. Exemplo: estou fechando um bolão da Loteca que vai pagar R$ 6 milhões. Se fecharmos sozinhos, vai ficar o valor de R$ 4 mil para cada quota. E depende do número de quotas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SS – Falamos muito sobre a banca, que é sua própria história de vida, mas ficou um detalhe. O nome da banca é Waluvi. O que significa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>WT –</strong> Waluvi foi formado pelas primeiras letras de Washington, Lula, meu filho; Viviana, minha filha, e Iracema, minha mulher. A ideia foi do meu filho Lula.</p>
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