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	<title>Arquivo para indiferença - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
	<lastBuildDate>Sun, 13 Jul 2025 10:06:59 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Neutralidade sem ação é irrelevância</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/neutralidade-sem-acao-e-irrelevancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juliano César Faria Souto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Jul 2025 08:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Empresarial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; A urgência de resgatar à diplomacia profissional diante de um mundo em transformação &#160; Por Juliano César Faria Souto (*) Em tempos de guerras visíveis e invisíveis, o Brasil não pode continuar em silêncio técnico e institucional. O mundo está se reconfigurando em torno de dois grandes blocos de poder — EUA e China &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fneutralidade-sem-acao-e-irrelevancia%2F&amp;linkname=Neutralidade%20sem%20a%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A9%20irrelev%C3%A2ncia" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fneutralidade-sem-acao-e-irrelevancia%2F&amp;linkname=Neutralidade%20sem%20a%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A9%20irrelev%C3%A2ncia" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fneutralidade-sem-acao-e-irrelevancia%2F&amp;linkname=Neutralidade%20sem%20a%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A9%20irrelev%C3%A2ncia" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fneutralidade-sem-acao-e-irrelevancia%2F&amp;linkname=Neutralidade%20sem%20a%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A9%20irrelev%C3%A2ncia" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fneutralidade-sem-acao-e-irrelevancia%2F&#038;title=Neutralidade%20sem%20a%C3%A7%C3%A3o%20%C3%A9%20irrelev%C3%A2ncia" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/neutralidade-sem-acao-e-irrelevancia/" data-a2a-title="Neutralidade sem ação é irrelevância"></a></p><p>&nbsp;</p>
<h3>A urgência de resgatar à diplomacia profissional diante de um mundo em transformação</h3>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Juliano César Faria Souto (*)</p></blockquote>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Imagem3.png"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-91617 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Imagem3-200x300.png" alt="" width="200" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Imagem3-200x300.png 200w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Imagem3.png 234w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /></a></p>
<span class="dropcap ">E</span>m tempos de guerras visíveis e invisíveis, o Brasil não pode continuar em silêncio técnico e institucional. O mundo está se reconfigurando em torno de dois grandes blocos de poder — EUA e China —, e conflitos como Ucrânia e Oriente Médio são peças estratégicas desse jogo.</p>
<h3>1. O que está em jogo no tabuleiro global</h3>
<h5>Temos dois grandes blocos:</h5>
<p><strong>Ocidental (EUA + <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_do_Tratado_do_Atl%C3%A2ntico_Norte" target="_blank" rel="noopener">OTAN</a></span> + <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/G7" target="_blank" rel="noopener">G7</a></span>):</strong> que tenta preservar sua hegemonia.</p>
<p><strong>Emergente (China + Rússias + Irã + Sul Global):</strong> que busca reconfigurar as regras do jogo.</p>
<p>Esse tabuleiro é multidimensional: Tecnológico (IA, chips, redes 5G); Energético (rotas e fontes); Financeiro (desdolarização e novas moedas digitais); Narrativo (liberalismo x soberania, unipolaridade x multipolaridade).</p>
<h3>2. E o Brasil? De Aranha à omissão atual</h3>
<p>Inspirado nas lições de Osvaldo Aranha que sempre foi altivo, visionário, corajoso. Assumiu protagonismo na ONU, não se escondeu atrás de discursos vazios, tomou posição com altivez e pensou estrategicamente, sendo reconhecido por frases como:</p>
<p><strong>“O Brasil não pode permanecer imóvel quando o mundo se move.”</strong></p>
<p>— Discurso na ONU, 1947 (paráfrase de ideias contidas)</p>
<p><strong>“A imparcialidade não é sinônimo de indiferença.”</strong></p>
<p>— Trecho do posicionamento brasileiro durante o voto de partilha da Palestina.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Hoje, vivemos o oposto:</p>
<p>A diplomacia profissional foi substituída por assessores políticos e ideológicos.</p>
<p>O Itamaraty virou porta-voz cerimonial, sem papel de formulação.</p>
<p><strong>A “neutralidade” transformou-se em inação institucional.</strong></p>

			</div></div>
<p>Hoje, na prática, a diplomacia brasileira é conduzida majoritariamente por figuras sem cargo formal na estrutura do Itamaraty. O ex-chanceler Celso Amorim, atual assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, atua como principal articulador das posições externas do Brasil, ofuscando o protagonismo institucional do Ministério das Relações Exteriores.</p>
<p>O atual chanceler, embaixador Mauro Vieira, tem presença discreta no debate internacional. Apesar de representar o país formalmente em cúpulas e fóruns, não há iniciativas consistentes de mediação ou liderança regional que marquem a posição do Brasil em temas como a guerra da Ucrânia, o conflito Israel X Irã ou as reformas dos organismos multilaterais.</p>
<p>Além disso, nas recentes participações em eventos como o G20 e a Assembleia Geral da ONU, o Brasil adotou discursos genéricos e posições ambíguas, sem apresentar propostas estruturadas de solução ou cooperação. Não se trata de ideologia, mas de ausência de um projeto diplomático de Estado, capaz de dialogar com múltiplos polos e propor alternativas viáveis aos impasses globais.</p>
<h3>3. Linha do Tempo – Diplomacia Brasileira: Do Protagonismo à Irrelevância Estratégica (1900–2024)</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/julho-3-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-91611 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/julho-3-1.jpg" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/julho-3-1.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/julho-3-1-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/julho-3-1-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/julho-3-1-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/julho-3-1-660x330.jpg 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p><strong>1900–1945 | Diplomacia do Prestígio e da Construção Nacional</strong></p>
<p>Barão do Rio Branco: consolida a política externa técnica e respeitada.</p>
<p>Primeira Guerra: Brasil participa simbolicamente.</p>
<p>Segunda Guerra: Osvaldo Aranha lidera diálogo com EUA e preside a 1ª Assembleia da ONU (1947), com papel decisivo na criação do Estado de Israel.</p>
<p><strong>1945–1989 | Guerra Fria e Alinhamento Flexível</strong></p>
<p>Alternância entre alinhamento ocidental e política externa independente.</p>
<p>Reconhecimento da China, aproximação com África e Oriente Médio.</p>
<p><strong>1990–2010 | Inserção Global e Multilateralismo Ativo</strong></p>
<p>FHC: integração econômica e abertura.</p>
<p>Lula: BRICS, G20, Sul-Sul, protagonismo internacional com chanceleria forte.</p>
<p><strong>2011–2018 | Estagnação e Perda de Protagonismo</strong></p>
<p>Dilma: retração diplomática.</p>
<p>Temer: retomada tímida do pragmatismo.</p>
<p><strong>2019–2022 | Ideologização e Isolamento</strong></p>
<p>Diplomacia antiglobalista, ataques a organismos multilaterais.</p>
<p>Esvaziamento técnico do Itamaraty, decisões concentradas no Planalto.</p>
<p><strong>2023–2024 | Retórica multilateral sem protagonismo real</strong></p>
<p>Celso Amorim ocupa papel oficioso.</p>
<p>Participações em fóruns sem propostas concretas.</p>
<p>Brasil se diz neutro, mas não media nem propõe.</p>
<p><strong>Tendência atual: a diplomacia brasileira é omissão ou apenas cerimonial.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h3>4. Conclusão</h3>
<p>O Brasil precisa reprofissionalizar o Itamaraty, devolver a ele sua missão de Estado, acima de governos.</p>
<p>Não é hora de omissão. É hora de reconstrução institucional.</p>
<p>A falta que nos faz, como nação, termos um projeto nacional apartidário, com visão de longo prazo, conduzido por lideranças altruístas, que pensem no futuro e não em eleições ou ganhos imediatos.</p>
<p>O Brasil ainda pode ser ponte entre os mundos – mas só se recuperar sua coragem estratégica e o respeito que já teve. Que a voz de Aranha  sempre  defensor  uma diplomacia ativa, pautada por valores e ação estratégica, ecoe em nossos dias :</p>
<p>“  Neutralidade sem ação é irrelevância”</p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>EPÍLOGO — <strong>Que papel o Brasil quer ter no século XXI?</strong></p>
<p>Um mundo em guerra fria tecnológica, energética e narrativa.</p>
<p>O Brasil, ainda na plateia, tem potencial de ponte estratégica.</p>
<p>Nossa diplomacia precisa de Estado, não de cerimonial.</p>
<p>O Sul Global busca lideranças com voz e projetos.</p>
<p>Neutralidade não é silêncio: é ação com propósito.</p>
<p>E você, leitor? Como cidadão e parte integrante desta nação, o que pensa sobre o papel do Brasil nesse novo cenário mundial? Que voz queremos ter nos debates globais, que legado queremos deixar?</p>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Aristóteles já dizia, no século IV a.C.:</p>
<p>&#8220;O homem é um animal político. Ou seja, tem que participar efetivamente da cidade — da nação — onde vive.&#8221;</p>

			</div></div>
<p>Sua reflexão, sua participação e sua ação importam. Que este epílogo seja o começo de um novo diálogo nacional. O Brasil precisa de cada um de nós.</p>
<div class="box note  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p><strong><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/WhatsApp-Image-2025-06-29-at-10.56.46.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-91193 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/WhatsApp-Image-2025-06-29-at-10.56.46-300x298.jpeg" alt="Brasil: geopolítica e diplomacia" width="151" height="150" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/WhatsApp-Image-2025-06-29-at-10.56.46-300x298.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/WhatsApp-Image-2025-06-29-at-10.56.46-150x150.jpeg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/06/WhatsApp-Image-2025-06-29-at-10.56.46.jpeg 320w" sizes="auto, (max-width: 151px) 100vw, 151px" /></a>Artigos anteriores desta série:</strong></p>
<ol>
<li><a href="https://www.sosergipe.com.br/guerra-de-titas-eua-x-china-e-os-conflitos-regionais-israel-x-ira-e-russia-x-ucrania/" target="_blank" rel="noopener"><strong><span style="color: #008000;">Guerra de Titãs: EUA x China e os conflitos regionais Israel x Irã e Rússia x Ucrânia</span></strong></a></li>
</ol>
<ol start="2">
<li><strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/brasil-no-novo-tabuleiro-riscos-oportunidades-e-o-preco-da-omissao/" target="_blank" rel="noopener">Brasil no novo tabuleiro: riscos, oportunidades e o preço da omissão</a></span></strong></li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A sagração, o sublime &#8211; sobre &#8220;Beleza&#8221;, de Roger Scruton</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-sagracao-o-sublime-sobre-beleza-de-roger-scruton/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Mar 2024 11:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; “Daí lhe vem a sua verdadeira beleza: pois o belo só existe como unidade total e subjetiva, o sujeito do ideal, subtraído ao estado de dispersão em que vivem as individualidades da vida real com seus fins e aspirações heterogêneos, concentra-se em si mesmo e ergue-se a uma totalidade &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-sagracao-o-sublime-sobre-beleza-de-roger-scruton%2F&amp;linkname=A%20sagra%C3%A7%C3%A3o%2C%20o%20sublime%20%E2%80%93%20sobre%20%E2%80%9CBeleza%E2%80%9D%2C%20de%20Roger%20Scruton" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-sagracao-o-sublime-sobre-beleza-de-roger-scruton%2F&amp;linkname=A%20sagra%C3%A7%C3%A3o%2C%20o%20sublime%20%E2%80%93%20sobre%20%E2%80%9CBeleza%E2%80%9D%2C%20de%20Roger%20Scruton" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-sagracao-o-sublime-sobre-beleza-de-roger-scruton%2F&amp;linkname=A%20sagra%C3%A7%C3%A3o%2C%20o%20sublime%20%E2%80%93%20sobre%20%E2%80%9CBeleza%E2%80%9D%2C%20de%20Roger%20Scruton" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-sagracao-o-sublime-sobre-beleza-de-roger-scruton%2F&amp;linkname=A%20sagra%C3%A7%C3%A3o%2C%20o%20sublime%20%E2%80%93%20sobre%20%E2%80%9CBeleza%E2%80%9D%2C%20de%20Roger%20Scruton" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-sagracao-o-sublime-sobre-beleza-de-roger-scruton%2F&#038;title=A%20sagra%C3%A7%C3%A3o%2C%20o%20sublime%20%E2%80%93%20sobre%20%E2%80%9CBeleza%E2%80%9D%2C%20de%20Roger%20Scruton" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-sagracao-o-sublime-sobre-beleza-de-roger-scruton/" data-a2a-title="A sagração, o sublime – sobre “Beleza”, de Roger Scruton"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>“Daí lhe vem a sua verdadeira beleza: pois o belo só existe como unidade total e subjetiva, o sujeito do ideal, subtraído ao estado de dispersão em que vivem as individualidades da vida real com seus fins e aspirações heterogêneos, concentra-se em si mesmo e ergue-se a uma totalidade e autonomia superiores”</em></p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>W. F. Hegel, O Belo na Arte</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">P</span>razeroso escrever sobre alguém de tamanha estatura intelectual, ética e moral. Eis Sir Roger Scruton. Este que elevou o conceito &#8220;Conservador&#8221; ao mais alto grau de excelência.</p>
<p>Scruton chegou a mim tempos depois, ao final do século vinte. Mas chegou na hora certa. Ao lê-lo e ao ouvi-lo, senti que, doravante, além de manter-me aferrado no &#8220;ser conservador&#8221;, seria, sem receio e pleno de gratidão, um conservador scrutoniano.</p>
<p>Mas, e aí, sinhô? E a Beleza?</p>
<p>Vamos lá.</p>
<p>Roger Scruton, desde o início, aborda o fenômeno beleza em suas amplas possibilidades. Estas se manifestam em situações, condições e campos diversos. O autor, de maneira gentil e didática, prepara o leitor. Deixa-o de sobreaviso. Scruton diz: &#8221; A beleza pode ser consoladora, perturbadora, sagrada ou profana; pode revigorar, atrair, inspirar ou arrepiar. Pode nos afetar de inúmeras maneiras. Todavia, nunca a olhamos com indiferença: a beleza exige visibilidade. Ela nos fala diretamente, qual voz de um amigo íntimo. Se há pessoas indiferentes à beleza é porque são, certamente, incapazes de percebê-la&#8221;.</p>
<p>Ou seja, a percepção e a não percepção da beleza são fatores classificatórios.</p>
<p>Há, portanto, que se esperar que tenhamos, em algum momento da nossa vida, contato com indivíduos ou grupos que sejam insensíveis à perfeição que agrada e cativa ao espírito. E se assim for? Estes indivíduos e grupos também são insensíveis à feiura? Assim sendo, como entendem a si e ao mundo?</p>
<p>Não há resposta pronta e embalada para presente quanto a esta questão filosófica.</p>
<p>Entretanto, Scruton não resvala para a relativização barata. Ele é filósofo experiente. Soube ver e ouvir tudo o que viu e ouviu. O que inclui ocasiões em que vivenciou, por exemplo, pondo em risco a própria vida, a feiura da destruição, do sufocamento de pessoas pelo garrote totalitarista.</p>
<figure id="attachment_76299" aria-describedby="caption-attachment-76299" style="width: 198px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-28-at-13.57.37-1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-76299 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-28-at-13.57.37-1-198x300.jpeg" alt="" width="198" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-28-at-13.57.37-1-198x300.jpeg 198w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-28-at-13.57.37-1.jpeg 281w" sizes="auto, (max-width: 198px) 100vw, 198px" /></a><figcaption id="caption-attachment-76299" class="wp-caption-text">O livro Beleza, de Scruton</figcaption></figure>
<p><span class="sigijh_hlt">A beleza, para o autor, possui valor concreto e transcendente. Ambos são essenciais na nossa constituição espiritual e na relação desta com a realidade dos dias.</span></p>
<p>Tanto isso é verdade para Scruton  [como o é inteiramente para mim], que a obra é marcada por um puxão de orelha: o <strong>&#8220;gosto porque sim&#8221;</strong> e o <strong>&#8220;não gosto porque não&#8221;</strong>, estão longe de contemplar as exigências mais comprometidas e profundas de avaliação.</p>
<p>Diz-nos o filósofo: &#8220;No juízo estético não estamos simplesmente a descrever um objeto no mundo, estamos a dar voz a um encontro, a uma reunião do sujeito com o objeto, na qual a reação do primeiro é rigorosamente tão importante quanto as qualidades do segundo. Para compreendermos a beleza, precisamos, portanto, de alguma noção da variedade das nossas reações às coisas nas quais a discernimos&#8221;.</p>
<p>Na percepção acurada do filósofo, historiador e romancista Roger Scruton, o fator “Beleza” tem sido buscado e cultuado desde os primórdios da Civilização. Em diversos campos, os quais, não obstante, dialogam entre si, como a Arquitetura, as Belas-artes, a Música, a Literatura, “o belo na arte”, como diz Hegel, foi ferramenta, phármakon, com <em>status</em> de alternativa dita e certa aos males, vale dizer, ao sofrimento, ao caos.</p>
<p>A Beleza a ser o meio de salvação do mundo. O que é o mesmo que dizer: a ser o caminho de salvação da alma.</p>
<div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>O leitor que, como eu, atrever-se a mergulhar no universo desta obra, “Beleza”, de Roger Scruton, provavelmente sentir-se-á comovido e grato ao perceber que o autor defende a potência e o ato de ser belo não somente aos grandes e comumente aceitos objetos produzidos pela cultura humana, notadamente a ocidental. Há, no entender de Scruton, e compartilho deste entendimento, beleza nas coisas mais simples.</p>

			</div></div>
<p>Sobre isso, observa o autor: “Muito do que é dito sobre a beleza e a sua importância nas nossas vidas ignora a beleza mínima de uma rua despretensiosa, de um belo par de sapatos ou de um papel de embrulho de bom gosto, como se essas coisas pertencessem a uma ordem diferente de valor por comparação com uma igreja de Bramante ou um soneto de Shakespeare. No entanto, essas belezas mínimas têm uma importância muito maior nas nossas vidas quotidianas e estão presentes nas nossas decisões racionais de uma forma muito mais intrincada do que as grandes obras, que (sendo nós afortunados) ocupam as nossas horas de lazer”.</p>
<p>Eis o alerta: quanto ao fato de que, sim, devemos, porque necessário ao espírito, maravilhar-nos ante catedrais, telas renascentistas e neoclássicas, arcos e rosáceas.</p>
<p>Porém, o meu gato sobre a mesa, a dormir entre os livros que leio e a taça do vinho que bebo, enriquece a composição. Meu amor pelas três coisas citadas, a harmonização entre essas, compõem momento único e belo. Eu sei disso, sinto isso e quero, apesar de não ser possível, que se eternize ali.</p>
<p>Em tempo: o conceito de beleza, a disposição emocional complexa do indivíduo em relação ao que possui harmonia, proporção, simetria, imponência &#8211; ao que suscita a admiração e um sentimento de adesão por seu valor moral ou intelectual &#8211; não se resume a tão somente a declaração de uma preferência sem ‘razão’.</p>
<p>Para Scruton, o chamamento que nos induz a buscarmos a beleza na nossa vida quotidiana, a apreciarmos os nossos entes queridos, a percebermos toda a harmonia da arquitetura “simples” e tradicional que nos rodeia e, se ainda quisermos, a compreendermos a serenidade generosa da natureza em sua existência sublime, nos recorda de que a beleza se encontra em nossa vida, no imediato dela.</p>
<p>Reservemos um tempo para notá-la.</p>
<p>Motivos e razões nos sobram para isso.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Georges Bataille e a história de nossos olhos</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/georges-bataille-e-a-historia-de-nossos-olhos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Germano Viana Xavier]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jun 2021 13:24:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando você termina de ler A história do Olho, de Georges Bataille (1897-1962), você tem, não a impressão, mas a certeza de que o livro, a narrativa, não acabou no último ponto final colocado pelo autor. Isso é um fato que sempre acontece quando uma narrativa literária é realmente marcante. O livro é de tamanha visceralidade &#8230;</p>
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<p>Quando você termina de ler <em>A história do Olho</em>, de <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Georges_Bataille">Georges Bataille (1897-1962)</a></span></strong>, você tem, não a impressão, mas a certeza de que o livro, a narrativa, não acabou no último ponto final colocado pelo autor. Isso é um fato que sempre acontece quando uma narrativa literária é realmente marcante. O livro é de tamanha visceralidade que facilmente toma conta de todos os cantos de nosso espírito, até aqueles mais recônditos e aparentemente intransponíveis, o que faz com que se abra diante dele e de nós mesmos um mundo imaginário de proporções antes inimagináveis. Fico imaginando o quanto ele pode representar um conteúdo intragável para leitores não preparados ou ainda fechados em concepções porventura ortodoxas. A obra-prima de Bataille configura-se justamente no seu livro de estreia, hoje tido como um dos maiores clássicos da literatura erótica de todo o planeta.</p>
<p>A narrativa, densa e plástica sem ser cansativa, que é deglutida de um supetão, tamanha a sua força sobre nós, leitores, inclina-se sobre as aventuras e desventuras no mínimo “diferenciadas”, para não dizer escatológicas, fesceninas e altamente libertinas, de Simone e o narrador, este sem nome, mas com muita identidade na voz que opera todos os fatos e não-fatos, e que, porém, possui uma identidade fragmentada e somente esclarecida por completo quando na presença de outra pessoa, no caso Simone ou Marcela, a quem podemos caracterizar como espectros da maioria de seus fetiches, assim como ele, o narrador, também o é observado como um fenômeno de êxtase para as demais, porém em menor sintonia.</p>
<p>O reflexo da alteridade e da empatia é vislumbrado no decorrer de todo o livro, posto que todos os acontecimentos não poderiam se dar na solidão plena de seus praticantes, na alvura solitária do ser, e se assim acontecessem não teriam a potência máxima expressa no tempo dos acontecimentos. É perceptivelmente constante o pedido de Simone àquele que conta a estória para ele não permitir que ela goze sozinha, o que prova mais do que nunca a nuance de importância que a união humana tem no ideário do escrito. Simone necessita do outro para o arroubo fatal do prazer, tanto necessita que dificilmente se entrega a si mesmo sem o outro por perto para lhe satisfazer totalmente. O prazer n’<em>A história do olho</em> é um prazer instintivamente coletivo, mesmo que este “coletivo” queira designar o eu e o imaginário, o eu e o pensamento, o eu e o próprio desejo de ser o eu.</p>
<div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Uma série de encontros e desencontros se sucede a todo vapor e alguns pontos do livro se tornam cruciais para o desenvelopamento do entendimento e do sentido da obra, a citar:</p>
<p>• Logo na primeira página, o leitor é convidado a conhecer um mundo nada dogmático, pleno de sexo e delírio, libertário ao extremo, e a imagem do cu de Simone é logo ovacionada e conclamada pelo narrador como sendo um apetrecho do corpo classificado como mítico e sagrado para os atos praticados nas mais variadas orgias narradas no livro. O cu é o espelho do prazer, local onde tudo entra em ebulição, onde tudo explode, onde tudo acontece, e também onde a paz interna sem domador pode vir a reinar, para depois sobrepujar um novo caos operante. A urina também aparece como elemento importante para a simbologia provocada no livro;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/a-historia-do-olho-capa.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-41648 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/a-historia-do-olho-capa-196x300.jpg" alt="" width="241" height="369" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/a-historia-do-olho-capa-196x300.jpg 196w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/a-historia-do-olho-capa.jpg 228w" sizes="auto, (max-width: 241px) 100vw, 241px" /></a>• Os dois, Simone e o narrador, só conseguiam se olhar com mais atenção quando nos momentos de maior envolvimento físico-animalesco-sexual. Longe de seus próprios olhares, os dois se digladiavam com rupturas feitas tão-somente de desejo. Mas mesmo assim ainda eram rixas que os aproximavam de alguma maneira. Há uma falta de estranhamento dos dois quando realizavam o bruto sexo, ou quando tematizavam juntos a ordem da liberdade de ambos a ser executada no próximo ato, ou seja, toda e qualquer forma de delírio e gozo aproximava os dois de si mesmos;</p>
<p>• A chegada de Marcela, terceira personagem da obra, recoloca Simone e o narrador em diferentes postos. Marcela impede que continuem sendo os mesmos de antes porque a partir de seu aparecimento na praia o prazer não pode mais ser vivido em sua completude apenas em par, mas agora em trio. Marcela é o símbolo do desgarre e também do aprisionamento dos sentimentos, mesmo que estes sejam pálidos em profundidade ou pureza. Marcela é quem faz os dois transcenderem, incapazes que são para tal empreendimento;</p>
<p>• A mãe sem autoridade, no caso a de Simone, compartilha com medo o desastre de comportamento que vê, e já nada faz para combater a suposta insanidade da filha, a não ser ficar muda. A mãe de Simone é a porta que dá para a estrada da perdição, ou do encontro, mesmo ela nunca representando muita coisa para Simone;</p>
<p>• O pânico de Marcela quando é levada por si mesma para dentro de um armário e lá efetua seu gozo solitário recoloca a questão da alteridade e da empatia em voga novamente na narração. O gozo solitário é signo de sofrimento, de dor, de desgraça. Enquanto acontece um bacanal em seu quarto, com a participação de Simone, o narrador e alguns amigos, Marcela tenta se encontrar num lampejo desesperado e caótico, desejo este mal sucedido. Marcela, por sofrer, não consegue despistar o sentido de erro e logo é tomada pelos pais como ser débil e doente;</p>
<p>• A orgia na casa de Marcela com todas aquelas pessoas faz evidenciar a atração causada por ela aos demais, principalmente ao narrador e em menor grau em Simone. Marcela torna-se o elo-mor entre o ato e o gozo anímico-corporal. Sem Marcela, o prazer é pouco, fraco, alquebrado. Sua ausência começa a ser sentida em todos os momentos a partir dali;</p>
<p>• A masturbação à distância de Simone e Marcela na casa de saúde, esta levada até o local à força depois de os pais terem presenciado a orgia feita em seu quarto, pode configurar-se como metáfora para a inoperância de psicologismos vários ou na verdadeira eficácia de centros de reabilitação, não relativizando a falha geral desse tipo de sistema operacional nas sociedades de todo o globo terrestre;</p>
<p>• A volta para casa e a queda de Simone da bicicleta não representam apenas um retorno e uma queda normais, mas também o começo de uma derrocada sentimental-do-agir, que parece entrar em desgaste ao longo das páginas, mas que logo sofre um revertério;</p>
<p>• A brincadeira com ovos no hospital enquanto Simone se recuperava da queda e o resgate de Marcela da casa de saúde corrobora a ideia de que para o narrador, ainda sem entender nada sobre a atração que ela lhe causava, a vida é simples e não prescinde de esforço de entendimento. A impressão que se tem é a de que nada pode ser mais banal e supérfluo do que perder tempo pensando nas raízes quem fundem as coisas da vida. Em nenhum momento os personagens refletem sobre suas atitudes, nem se ressentem de nada. Tudo é feito no calor da hora, na sobrevida do instante, e por isso mesmo tudo eclode em fronteiras sem limites;</p>
<p>• O enforcamento de Marcela promove a indiferença dos dois para com o fato, o que soa contraditório, já que tanto Simone quanto o narrador eram aficionados por ela. Os colhões do touro, crus, tão desejados por Simone, simbolizam também a figura do olho, que perdura por toda a obra. A ida ao confessionário e o sexo com o padre dentro da igreja até sua morte é símbolo iconoclasta, de desprendimento e fervura vital. Por fim, o olho de Marcela imaginado numa espécie de miragem dentro da boceta de Simone, resgata a façanha e o fascínio da visão, tal como manda o figurino do voyeurismo.</p>

			</div></div>
<p>É importante salientar que a essência dos comportamentos adquiridos pelas personagens é intrínseca a cada um deles, sendo mais um descomportar-se que um comportar-se propriamente dito. Tal fato é o motor para as fugas de quaisquer amarras ideológicas ou gaiolas sentimentais. Os personagens de A história do Olho são como pássaros silvestres, viajando em bando, mas piamente sabedores de serem proprietários de uma unicidade plástica que vivifica as passagens e portais para o outro passar a existir também, mesmo que essa existência dure as frações de segundos de um gozo físico e mecanicamente temporal.</p>
<p>Ao final do livro, convidado desde o início ao contato com o excêntrico ao extremo, o leitor vê-se preso numa orgia múltipla e única de si mesmo, feita com ingredientes que remetem ao saber e à consciência. Aliás, a consciência pode muito bem ser a palavra que mistifica o sentido do “olho” dentro do enredo de Bataille, assim como o significa. O saber consciente da visão e sua operação de tradução do mundo e dos acontecimentos são o que torna o livro tão impactante, a ponto de nos produzir desgovernos internos. Ou vai dizer que a visão, vez ou outra em nossas vidas, também não nos presenteia uma abrupta e inconfessável cegueira?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(*) <strong>Germano Xavier</strong> nasceu em Iraquara, Chapada Diamantina-Bahia, em 1984. É jornalista pela UNEB e mestre em Letras pela UPE. Publicou o livro Clube de Carteado (Franciscana, 2006). Seu livro de contos intitulado Sombras Adentro (ainda não publicado) foi finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura (2016). Em 2021, publicou o livro O Homem Encurralado (Penalux), que compreende a primeira parte da Trilogia do Centauro. Escreve para encontrar o equador de todas as coisas.</p>
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