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	<title>Arquivo para fã - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Michael — um filme para fã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 09:00:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Particularmente, sou fascinado por cinebiografias e, de modo particular, por aquelas cujos motes inspiradores são personalidades da música. Tive a oportunidade de ver as últimas do tempo recente, com exceção (por enquanto) da que se refere à cantora Amy Winehouse &#8211; &#8220;Back to Black&#8221; (2024). Gostei muito, &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmichael-um-filme-para-fa%2F&amp;linkname=Michael%20%E2%80%94%20um%20filme%20para%20f%C3%A3" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmichael-um-filme-para-fa%2F&amp;linkname=Michael%20%E2%80%94%20um%20filme%20para%20f%C3%A3" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmichael-um-filme-para-fa%2F&amp;linkname=Michael%20%E2%80%94%20um%20filme%20para%20f%C3%A3" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmichael-um-filme-para-fa%2F&amp;linkname=Michael%20%E2%80%94%20um%20filme%20para%20f%C3%A3" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fmichael-um-filme-para-fa%2F&#038;title=Michael%20%E2%80%94%20um%20filme%20para%20f%C3%A3" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/michael-um-filme-para-fa/" data-a2a-title="Michael — um filme para fã"></a></p><p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">P</span>articularmente, sou fascinado por cinebiografias e, de modo particular, por aquelas cujos motes inspiradores são personalidades da música. Tive a oportunidade de ver as últimas do tempo recente, com exceção (por enquanto) da que se refere à cantora Amy Winehouse &#8211; &#8220;Back to Black&#8221; (2024). Gostei muito, na ordem de preferência, de “Bob Marley: One Love” (2024),<strong><b> “</b></strong>Elvis” (2022), “Bohemian Rhapsody” (Queen, 2018) e &#8220;Rocketman&#8221; (Elton John, 2019). Mas, nada se compara a “Michael” (2026). Para além do malquerer de parte da crítica raivosa e preconceituosa, trata-se do melhor que se produziu do gênero até a presente data.</p>
<p>É bem verdade que esta minha assertiva tem muito a ver com o fato de eu ser fã de Michael Jackson (1958-2009) há mais de quatro décadas. Entretanto, digo e reafirmo, sobretudo, pela proposta desta que é a primeira parte da cinebiografia do multiartista norte-americano mais reconhecido, vendável e premiado de todos os tempos, inclusive postumamente. E o sucesso do filme não me deixa mentir, batendo recordes após recordes a cada semana desde sua estreia, no último dia 23 de abril. Sem falar que é, no momento, o artista mais ouvido nas plataformas de música do mundo inteiro.</p>
<p>Lembro, com nitidez, da primeira vez que vi Michael Jackson na TV. Dia 4 de dezembro de 1983, quando o videoclipe da canção &#8220;Thriller&#8221; foi ao ar, no final do programa “Fantástico”, da Rede Globo. Eu tinha apenas nove anos de idade. Fiquei por 14 minutos paralisado diante da TV. Doravante, passei a me interessar por tudo que dizia respeito ao artista, dentro das limitações de acesso à comunicação e de consumo cultural de minha época, de um garoto do interior de Sergipe.</p>
<p>Acompanhei a carreira de Michael Jackson em seus altos e baixos, e, mesmo diante da acusação de prática de pedofilia (nunca provada) via nele alguém que veio para fazer a diferença, superando dramas pessoais e familiares, sobretudo dos traumas de infância que o consumiram mentalmente e que procuraram moldar seu comportamento, visto como estranho. Inclusive, no que diz respeito às inúmeras plásticas que fizeram mudar a sua fisionomia e a sua cor de pele, às voltas com o vitiligo.</p>
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<p>Quando de sua morte,  no dia 25 de junho de 2009, aos 50 anos de idade, eu chorei como se tivesse falecido alguém muito próximo. E imaginar que ele, como a tantos outros desse meio do entretenimento de massa, também sucumbiu à pressão e ao uso de algum tipo de droga para tentar fugir dessa loucura toda que a fama cobra com juros e correção monetária. No seu caso, dependente que se tornou de analgéticos, mais de perto do Propofol, do qual fazia uso para tratar de uma insônia crônica.</p>

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<p>A bem da verdade, foi duro e ainda é para uma parte da sociedade, notadamente branca, admitir que um jovem negro, de origem humilde, dono de um talento incomum e singular (seja no dançar e no cantar) fosse capaz de ser mais famoso e vender mais do que Elvis Presley, Beatles e Rolling Stones. De tal sorte que Michael Jackson segue sendo o alvo predileto de racistas e fascistas de nosso tempo. Há, para além disso, uma má vontade que beira à inveja, motor para todo tipo de especulação e armadilhas que chegaram a levá-lo aos tribunais e mesmo a ter que se explicar em entrevistas ocasionais. E, em todas as situações, Michael encarou a tudo de cabeça erguida, inclusive reforçando seu orgulho de ser negro.</p>
<p>Poderia, ainda, destacar suas ações caritativas, em especial dedicadas a crianças, idosos e pobres. Nesse particular, como não lembrar da campanha “We Are the World” (1985), capitaneada por ele, que reuniu um time de grandes outros artistas em prol de arrecadar fundos contra a fome na Etiópia? Michael dividiu a autoria da canção-tema com Lionel Richie. Por ocasião de seu acidente (e o filme cobre esse momento), em 27 de janeiro de 1984, quando da gravação de um comercial da Pepsi, no Shrine Auditorium, em Los Angeles, ele sofreu sérias queimaduras no couro cabeludo. Na oportunidade, Michael foi indenizado pela empresa com US$ 1,5 milhão. Ele o doou, integralmente, ao Centro Médico Brotman.</p>
<p>Esses e outros aspectos da vida e da carreira de Michael Jackson fazem parte do filme, dirigido por Antoine Fuqua. Estrelado por seu sobrinho, Jaafar Jackson (filho de Jermaine Jackson, membro do Jackson 5 e irmão de Michael), a primeira parte de sua cinebiografia cobre o período de 1966 a 1988. O grande destaque, certamente, é o jovem ator Jaafar, que faz uma interpretação fenomenal. Ao ver o filme, era incrível como me dava a impressão de que era o próprio Michael quem estava ali.</p>
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<p>Até o fechamento deste artigo, o filme “Michael” havia superado a cifra de US$ 420 milhões e ultrapassado 3,5 milhões de espectadores no Brasil. Em que pese o fato de a cinebiografia ser contestada aqui e ali (naturalmente) não é, definidamente, um filme para discussão acadêmica e tampouco para o deleite de uma crítica muitas vezes cruel e injusta com os artistas. Como fã que sou, trata-se, sim, de um filme para fã. E somente quem é, de fato fã, será capaz de ter a sensibilidade suficiente para reconhecer (além de derramar lágrimas de emoção) que se trata de uma grande e justa celebração da memória de um dos maiores artistas que a história já conheceu.</p>

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		<title>John Patrick Ryan – à sombra da lei &#8216;E sob as hostes dos EUA&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Aug 2025 12:00:51 +0000</pubDate>
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<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/john-patrick-ryan-a-sombra-da-lei-e-sob-as-hostes-dos-eua/">John Patrick Ryan – à sombra da lei &#8216;E sob as hostes dos EUA&#8217;</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
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<figure id="attachment_92196" aria-describedby="caption-attachment-92196" style="width: 300px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/sean-connery.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-92196 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/sean-connery-300x226.jpg" alt="" width="300" height="226" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/sean-connery-300x226.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/sean-connery-1024x772.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/sean-connery-768x579.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/sean-connery.jpg 1100w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-92196" class="wp-caption-text">Sean Connery, o lendário James Bond Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<span class="dropcap ">A</span> primeira vez que vi um dos filmes do 007, eu não era sequer adolescente ainda. Trata-se de <em><i>Com 007 Viva e Deixe Morrer</i></em> (1973), com Roger Moore. Ator este que não está entre o meus preferidos que teve o privilégio de interpretar o famoso agente britânico à serviço de Sua Majestade, a Rainha da Inglaterra. Para mim, Sean Connery foi, indiscutivelmente, o que melhor o representou e que ajudou a consagrá-lo nas telas do cinema. Nada contra aos demais atores (tão bons quanto), a saber: David Niven, George Lazenby, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig, mais recentemente.</p>
<p>Além da trilha sonora, com <em><i>Live and Let Die</i></em> (escrita pelo músico inglês Paul McCartney e sua esposa Linda McCartney e produzida por George Martin), o filme <em><i>Com 007 Viva e Deixe Morrer</i></em> é um dos mais geniais da série que inspirou a criação de inúmeros outros agentes secretos do gênero, do tipo que trabalha nas sombras, que gostam de uma boa aventura, porrada, ação e uma pitada de romantismo. Nessa <em><i>vibe</i></em>, como costuma dizer os jovens de nosso tempo, destaco: “Austin Powers” (comédia), com Mike Myers; “Identidade Bourne”, com Matt Damon; “Kingsman”, com Colin Firth; “Missão Impossível”, com Tom Cruise; “O Agente U.N.C.L.E”, com Armie Hammer e Henry Cavill; “John Wick”, com Keanu Reeves e “Jack Reacher”, também com Tom Cruise e mais recentemente com Alan Ritchson.</p>
<p>Nem preciso dizer, como me denuncia o entusiasmo com quê começo o presente texto, que além de ter visto a todos eles, sou superfã desse tipo de filme, com as características que apontei a respeito deles. E, nesse sentido, revolvi nas duas últimas semanas mergulhar no universo de um outro título que também se insere nesta lista. Refiro-me ao agente secreto norte-americano John Patrick Ryan (Jack Ryan), filmes e série baseados na obra do escritor e historiador Tom Clancy (1947-2013), nascido em Baltimore, Estados Unidos da América.</p>
<p>No cinema, são cinco filmes da franquia. Todos incrivelmente impactantes, seja pelo enredo, seja pelas cenas de ação. São eles: <em><i>A Caçada ao Outubro Vermelho</i></em> (1990), com Sean Connery; <em><i>Jogos Patrióticos</i></em> (1992) e <em><i>Perigo Real e Imediato</i></em> (1994), ambos com<strong><b> </b></strong>Harrison Ford; <em><i>A Soma de Todos os Medos</i></em> (2002), com Ben Affleck; e <em><i>Jack Ryan: Recruta Sombra</i></em> (2014), com Chris Pine. Em todos eles, participações muito especiais de atores e atrizes, tais como: James Earl Jones, Scott Glenn, Anne Archer, Joaquim de Almeida, Morgan Freeman, Keira Knightley, Kenneth Branagh e Kevin Costner.<strong><b> </b></strong>Fala-se num sexto, em produção, provavelmente com John Krasinski no papel do agente secreto norte-americano. A conferir.</p>
<figure id="attachment_92194" aria-describedby="caption-attachment-92194" style="width: 200px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Jack_Ryan_serie.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-92194" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Jack_Ryan_serie-200x300.jpg" alt="Jack_Ryan_série" width="200" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Jack_Ryan_serie-200x300.jpg 200w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Jack_Ryan_serie.jpg 333w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /></a><figcaption id="caption-attachment-92194" class="wp-caption-text">Série Jack Ryan  Imagem: Wikipedia</figcaption></figure>
<p>Na TV, destaque para a série <em><i>Jack Ryan</i></em> (2018-2023), interpretado por John Krasinski. São quatro temporadas e 30 episódios. Além de Krasinski, a atriz Abbie Leene Cornish, que faz o papel romântico do agente secreto, a médica Cathy Müller, presente, também, nos filmes. Sem falar na participação do ator Wendell Edward Pierce, no papel de James Greer, o chefe de Jack e ex-oficial de caso da CIA. Papel este que foi interpretado nos filmes por James Earl Jones (1931-2024), uma das lendas do cinema norte-americano.</p>
<p>A exemplo dos demais filmes/séries do gênero, aqui mencionados, Jack Ryan apresenta muito em comum aos demais espiões, sejam norte-americanos ou britânicos. Primeiro, como já ressaltei, o fato de agirem nas sombras, à margem da lei e até mesmo além dela. Também, por esse motivo, são infiltrados nos casos em que se envolvem e vivem sempre no fio tênue entre a vida e morte. Longe de serem super-heróis, com grandes poderes, embora queiram retratá-los como tais, são seres-humanos, com problemas e dilemas humanos e às voltas, por exemplo, de protegerem suas famílias e pessoas que eles amam. Todos eles são homens brancos de meia idade. Ainda aguardamos um Jack Ryan que represente uma outra etnia.</p>
<p>Também os outros espiões fazem o mesmo, mas, no caso específico de Jack Ryan, sob os olhos (e também garras) atentos do governo norte-americano. Assim como uma águia, à espreita de uma vítima para fincar suas vísceras dominantes e mortais. Ryan, nesse sentido, é um <em><i>longa manus</i></em> especializado dos EUA. Nos cinco filmes, por exemplo, contra: a extinta União Soviética e também na Rússia pós-1991, um cartel de drogas na América Latina, terroristas no Iêmen, entre outros. Tudo isso com aquela velha mania dos norte-americanos de se meterem na vida alheia e na soberania dos outros países, em particular, com a desculpa de “protegerem” a democracia (leia-se, seus próprios interesses).</p>
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		<title>Para Tia Nazaré — memórias afetivas da TV sergipana</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/para-tia-nazare-memorias-afetivas-da-tv-sergipana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jul 2025 09:00:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[afetiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Em sua coluna “Radiolândia — Tudo sobre rádio”, do dia 15 de junho de 1968 (Lagarto-SE, p. 5), Paulo Lacerda assim se referiu a ela: “(&#8230;) é uma das mais competentes locutoras do Estado, e possui inclusive uma excelente voz que agrada ao mais exigente ouvinte. Você &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">E</span>m sua coluna “<em><i>Radiolândia — Tudo sobre rádio</i></em>”, do dia 15 de junho de 1968 (Lagarto-SE, p. 5), Paulo Lacerda assim se referiu a ela: “(&#8230;) <em><i>é uma das mais competentes locutoras do Estado, e possui inclusive uma excelente voz que agrada ao mais exigente ouvinte. Você está bem, Nazaré</i></em>”. Anos mais tarde, entre 1971 e 1979, ela esteve à frente de dois dos maiores sucessos da televisão local, liderando expressivos índices de audiência, apresentando os programas infantis “Clube Júnior” (TV Sergipe) e “Nosso Mundo Infantil” (TV Atalaia). Entre seus milhares de fãs mirins, este que vos escreve.</p>
<p>Em duas oportunidades, em tempos diferentes, eu pude estar com dela e não escondi, nem um pouquinho, a minha gratidão e tietagem. Na primeira, como um de seus entrevistados no Programa “<em><i>Acontece</i></em>”, da TV Caju, em agosto de 2009. E mais recentemente, por ocasião das celebrações do aniversário de 177 anos da Biblioteca Pública Estadual Epifânio Dória, em junho do corrente ano. Aliás, nesta última, ela fazia as vezes de cerimonialista e eu, de um dos palestrantes. Quando a vi no púlpito, foi primeiro a voz que disparou o gatilho das minhas melhores memórias afetivas. Voz inconfundível e toda singular, como destacou Paulo Lacerda. Em seguida, apurei os olhos e fiquei naquela dúvida: será ela mesma? Ao se aproximar de mim, já no palco, para me oferecer água <em><i>—  </i></em>enquanto outro palestrante falava <em><i>—</i></em>, não perdi tempo e lhe perguntei ao ouvido: “Tia Nazaré?”; e ela, sorrindo, confirmou, para minha alegria. Só lamento não ter tido tempo de fazer um registro fotográfico em razão do corre-corre de retornar para Lagarto, por conta de outro compromisso.</p>
<figure id="attachment_91794" aria-describedby="caption-attachment-91794" style="width: 867px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Captura-de-tela-2025-07-17-132529.png"><img decoding="async" class="wp-image-91794 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Captura-de-tela-2025-07-17-132529.png" alt="Tia Nazaré" width="867" height="592" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Captura-de-tela-2025-07-17-132529.png 507w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Captura-de-tela-2025-07-17-132529-300x205.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Captura-de-tela-2025-07-17-132529-110x75.png 110w" sizes="(max-width: 867px) 100vw, 867px" /></a><figcaption id="caption-attachment-91794" class="wp-caption-text">Nazaré Carvalho (Tia Nazaré), em meados dos anos 70, no programa &#8220;Nosso Mundo Infantil&#8221; (TV Atalaia)  Foto reproduzida do Facebook/Linha do Tempo/Nazaré Carvalho</figcaption></figure>
<p>Tanto na primeira oportunidade, quanto na segunda, ficou em mim aquele desejo e compromisso de um dia escrever algo a seu respeito e externar todo o meu carinho e gratidão, dado que um de seus programas foi importante para a minha formação inicial, tanto cognitiva quanto lúdica. E nesse sentido, destaco e recomento o belíssimo trabalho de Rísia Rodrigues Silva Monteiro: “<em><i>Nazaré Carvalho e a circulação de práticas educativas na TV Sergipana (1971-1979</i></em>”. Trata-se de uma dissertação do Mestrado em Educação da Universidade Federal de Sergipe, sob a orientação do Prof. Dr. Joaquim Tavares da Conceição (São Cristóvão, 2016), disponível em <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://ri.ufs.br/handle/riufs/4807"><u>https://ri.ufs.br/handle/riufs/4807</u></a></span></p>
<p>Hoje com 75 anos de idade, Maria Nazaré de Carvalho é natural da cidade de Nossa Senhora das Dores (25 de agosto de 1949). É filha de policial militar e de professora pública, migrando para Aracaju em tenra idade. No final dos anos 60, após uma experiência como caixa de supermercado, estreou na Rádio Cultura, antes mesmo de completar a maior idade, apresentando o programa “<em><i>Boa tarde, madame</i></em>”, de segunda a sexta, entre 16h30 e 17h. Dali, não saiu mais da área da comunicação, com uma carreira brilhante, sobretudo conservando e imprimindo características salientadas a seguir por Rísia Monteiro:</p>
<p style="text-align: right;"><em>Além da presteza, simpatia e disposição para o trabalho atribuídas pelos entrevistados à Nazaré, outra particularidade da radialista chamava a atenção das pessoas: a voz. Um timbre grave e aveludado e a dicção perfeita impressionavam (p. 86)</em></p>
<p>No auge de seus programas infantis, eu estava naquela primeira fase da infância, até os cinco anos de idade. Portanto, sou dá época do programa “<em><i>Nosso mundo infantil</i></em>”, que ia ao ar, de segunda a sexta, entre 15 e 17h, pela TV Atalaia. Na época, eu ainda não frequentava escola e, dessa forma, para além da alfabetização inicial em casa, Tia Nazaré supria as minhas necessidades iniciais de aprendizagem.</p>
<p style="text-align: right;"><em>Sempre muito alegre e animada a tia Nazaré abria o programa cumprimentando a todos do estúdio e de casa. Anunciava as atrações da tarde, a presença das escolas participantes, aniversariantes do dia, cantava com as crianças, mostrava algumas fotos e desenhos recebidos (Rísia Monteiro, 2016, p. 112)</em></p>
<p>Além da beleza, chamava a minha atenção a forma divertida e leve de apresentar e de conduzir o programa, entretendo, animando, brincando e ensinando. Anos depois, já com a consciência do mundo e das coisas, pude perceber que “<em><i>Nosso mundo infantil</i></em>” não deixava em nada a desejar para o que veio depois, em nível nacional, a exemplo de Show da Xuxa ou programas do gênero. Não tinha a produção deste, é bem verdade, mas sendo um produto cultural sergipano, em muito nos enchia de orgulho.</p>
<figure id="attachment_33005" aria-describedby="caption-attachment-33005" style="width: 330px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/nazare-caravalho.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-33005 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2020/10/nazare-caravalho.jpg" alt="Nazaré Carvalho" width="330" height="185" /></a><figcaption id="caption-attachment-33005" class="wp-caption-text">Nazaré Carvalho</figcaption></figure>
<p>Embora Nazaré Carvalho tenha se destacado em outros campos da comunicação e até mesmo da vida pública ao longo de sua vida, em meu imaginário <em><i>—</i></em> mesmo agora que estou com mais de cinco décadas <em><i>— </i></em>ela sempre será para mim a <strong><b>Tia Nazaré</b></strong>, a quem rendo todas as homenagens possíveis, com este humilde tributo de uma criança que deu certo, graças, de modo particular às práticas educativas que ela desenvolvia com muita habilidade, destreza e doação naqueles anos 70 da vida cultural e televisiva sergipana.</p>
<p>Obrigado, Tia!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Que Risério é esse, hein?</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/que-riserio-e-esse-hein/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2024 19:07:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Luciano Correia (*) &#160; Conheço o antropólogo, poeta, ensaísta e historiador Antônio Risério de algumas das belíssimas canções que compôs para a música brasileira, belas parcerias com gente como Gil, Moraes Moreira ou Roberto Mendes. Ou seja, também é um refinado compositor, e dos bons. Depois fui encontrando com essa figura ímpar da cultura &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">C</span>onheço o antropólogo, poeta, ensaísta e historiador Antônio Risério de algumas das belíssimas canções que compôs para a música brasileira, belas parcerias com gente como Gil, Moraes Moreira ou Roberto Mendes. Ou seja, também é um refinado compositor, e dos bons. <span class="sigijh_hlt">Depois fui encontrando com essa figura ímpar da cultura brasileira em depoimentos para inúmeros documentários. </span>Por fim, fui arrebatado na condição de fã do seu canal no YouTube, onde ando me socorrendo da mediocridade que assola a TV e o rádio.</p>
<p>A partir de suas indispensáveis entrevistas no canal, fui abrindo novas fronteiras entre autores que atualmente dão conta das respostas para o vazio inaugurado pela debacle do socialismo real e a completa perda de rumo em que mergulhou a esquerda nesses tempos sombrios. Uma época marcada, de um lado, pelo ressurgimento da direita com força total no mundo inteiro, e, do outro, pela substituição das causas históricas da esquerda clássica pelo fascismo identitário dos que agora falam em seu nome, notadamente as franjas “ideológicas” do PT e do Psol em corpo inteiro.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-20-at-21.01.31.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-76052 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-20-at-21.01.31-198x300.jpeg" alt="" width="198" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-20-at-21.01.31-198x300.jpeg 198w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-20-at-21.01.31-676x1024.jpeg 676w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-20-at-21.01.31-768x1164.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-20-at-21.01.31-1014x1536.jpeg 1014w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/03/WhatsApp-Image-2024-03-20-at-21.01.31.jpeg 1056w" sizes="auto, (max-width: 198px) 100vw, 198px" /></a>O primeiro desses autores foi o próprio Risério, em “Sobre o relativismo pós-moderno e a fantasia fascista da esquerda identitária”, livro indispensável para quem quer entender o Brasil de hoje e o que há de falsidade e mistificação no discurso dessa esquerda supostamente igualitária e reparadora de direitos. Li outros trabalhos sobre esse tema que muito me interessa, mas o assunto de hoje é a incursão de Risério no território da prosa, área onde também costuma transitar. <span class="sigijh_hlt">Trata-se de “Que você é esse?”, livro rejeitado pela Editora 34, </span>pela parte de seu conteúdo anti-Lula e PT, apresentado como ficção, mas, na verdade, construído sobre a mais concreta realidade vivida pelo autor no período em que transitou pelo rico e fascinante mercado do marketing político, com toda a pompa, desgraça e hipocrisia que rege a vida nesse mundo, principalmente os dois últimos.</p>
<p>Na apresentação, ele é classificado como “ficção política e livro erótico, romance de ideias e texto prospectivo”, um diário da vida do autor, sua visão e relação com o mundo, do mundo do trabalho e da cultura ao mundinho dos amigos e da (ufa!) adorável vagabundagem que recheia a vida dessa gente da publicidade. São 432 páginas que devorei em duas semanas, tentando descobrir a verdadeira identidade de seus instigantes personagens, alguns seguramente conhecidos meus. Amigos não, mas conhecidos sim. Ali estão escancaradamente reconhecíveis Duda Mendonça, João Santana, que eu conhecia como Patinhas, Duda Kertész et caterva. Estariam também Sidônio Palmeira, Carlinhos, Alfredo Vilela e outros contemporâneos de movimento estudantil? Quem seria o sujeito que chegou até a assumir um ministério do governo petista, o hoje deputado Jorge Solla?</p>
<p>Acontece que eu também vim da Bahia. Não como Gil, de cujo berço se origina entre os sertões de Vitória da Conquista e a opulência cultural da Cidade da Bahia nos anos 50 e 60, onde ganhou, no dizer dele mesmo, régua e compasso para se tornar quem se tornou. Da Bahia eu voltei depois dos quatro anos fundamentais na minha formação, tempo em que cursei Jornalismo na UFBa. Não peguei, por assim dizer, a época de ouro que pariu a Tropicália, o samba de Caymmi ou o grande nome do Cinema Novo, Gláuber Rocha. Mas “minha” Salvador era uma capital diversa, rica, a terceira cidade brasileira, onde ainda bebi num restinho de caldo cultural interessante, até que fosse tragada e rendida pelo marketing do turismo e dos carnavais segregadores das cordas,</p>
<p>Minha Salvador se materializava no espaço circunscrito aos limites da antiga EBC, a lendária Escola de Biblioteconomia e Comunicação do Canela e a vivência com os colegas da também tradicional Residência Universitária R1 do Corredor da Vitória, palco de lutas estudantis e da repressão da ditadura. Assim, entre um e outro universo, frequentei festas alternativas, espetáculos, casas de gente doida e criativa e os ambientes politizados do movimento estudantil baiano. Alguns exemplos: as sessões de cinema na sala Walter da Silveira da Biblioteca dos Barris ou no cine Guarany, hoje Gláuber Rocha, na praça Castro Alves, e as montagens vanguardistas do diretor Walter Seixas Junior na Escola de Teatro da UFBa.</p>
<p>Na antiga faculdade de teatro eu vi peças a partir de textos de Gláuber (“Que Viva Gláuber”) e algumas do teatrão de Nelson Rodrigues sob a direção luxuosa de Waltinho, um diretor que fascinou um tabaréu sergipano que só conhecia o “teatro chamado cordel” do Imbuaça de Mariano, Isabel Santos e Valdice Teles, também referência marcante na minha formação. Em frente à escola havia outra atração tão prazerosa, além da nudez daquelas meninas do teatro baiano, o Café Teatro, bar reduto da esquerda estudantil boêmia, artistas, jornalistas e desocupados que faziam daquele pedacinho do Canela um dos cantos mais alegres e luminosos da Cidade do São Salvador.</p>
<p>É o gancho para voltarmos ao meio ambiente descrito por Risério. A Salvador que vivi antecedeu à ascensão da axé music, uma música originada do fortíssimo veio criativo baiano mas que transbordou para a pura mercantilização e a criação de uma cultura em seu entorno: o império da bunda e dos rebolados, das abaixadas nas garrafas, das coreografias erótico-infantis, do culto a uma alegria desenfreada, do baiano malandro incrivelmente feliz. Como na música de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas, os guizos falsos da alegria. Uma operação construída pelas estratégias de marketing da Bahiatursa.</p>
<p>Como estudante, não cheguei perto dessa turma de alto coturno que fez parte do mundo de Risério, tão bem (e mal) retratada em “Que você é esse?”, mas, pelo conhecimento e vivência do período, convivi com alguns deles, em maior ou menor distância. A vida na velha EBC da UFBa promoveu isso, no circuito entre as salas de aula, a cantina de Beré e o legendário flamboyant do pátio, onde assisti, entre outras coisas, uma conversa com Jorge Mautner, em apoio à candidatura de Galvão dos Novos Baianos em 82. Mautner, sozinho com o violão, fez uma gracinha pra gente. Embora não consiga identificar os personagens do livro, imagino que alguns estiveram conosco em salas de aulas, príncipes do trocadilho abobalhado, todos de direita, que odiavam a gente do movimento estudantil.</p>
<p>Alguns fizeram carreira graúda na publicidade e no marketing político, que Risério, chama de eleitoral, cada vez menos político, com suas táticas sujas e ausência total de princípios. Gente que andou pelo Sinjorba, o sindicato dos jornalistas da Bahia, admirados por estudantes como eu, e outros que passaram pelo DCE e UEE, hoje em casa guardados por Deus, contando o vil metal. Um deles, inclusive, foi o responsável pela campanha de Lula na eleição de 2022.</p>
<p>São esses personagens reais, transformados em ficção pela veia literária do poeta Risério, que estão na iluminista Cidade da Bahia da qual lambi um resto de lama criativa. Personagens que seguem protagonistas na passagem para a Bahia festeira e fútil dos dias atuais. O livro vale como ficção, ainda mais se sabemos que tudo aquilo foi capturado nas águas turvas do real. E vale tanto para leitores distantes da cena, onde e quando ela ocorreu, quanto, mais ainda, para observadores privilegiados, como eu, que tive a fortuna de ser, pelo menos, um simples coadjuvante, estudante pobre e periférico ao mundo glamourizado desses magos da publicidade e do marketing.</p>
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