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	<title>Arquivo para escritor - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Riachão do Dantas festeja 156 anos com exposição e lançamento de livro do escritor Francisco Dantas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Só Sergipe]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 20:20:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O município de Riachão do Dantas, a 97 quilômetros de Aracaju,  celebra neste sábado, 9 de maio, os 156 anos de emancipação política com uma programação que une memória, arte e cultura. O ponto alto das comemorações será às 9h, no Memorial de Riachão, com a abertura da exposição fotográfica “Riachão: Retratos de uma Terra &#8230;</p>
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<p data-start="0" data-end="588">Com curadoria dos fotógrafos Gabriel Fontes e Carla Regina, a exposição “Riachão: Retratos de uma Terra Forte” apresenta um olhar artístico e sensível sobre o cotidiano, as paisagens e os personagens do município.</p>
<p data-start="590" data-end="843">Para além das tradicionais celebrações, a data será marcada por um mergulho na memória cultural, visual e intelectual da cidade, reunindo fotografia, literatura, artesanato, gastronomia e música em uma programação que se estende ao longo do mês de maio.</p>
<figure id="attachment_98617" aria-describedby="caption-attachment-98617" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Design-sem-nome-26.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-98617 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Design-sem-nome-26.jpg" alt="Feira de artesanato e manifestações culturais em Riachão do Dantas" width="1209" height="400" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Design-sem-nome-26.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Design-sem-nome-26-300x99.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Design-sem-nome-26-1024x339.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Design-sem-nome-26-768x254.jpg 768w" sizes="(max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-98617" class="wp-caption-text">Feira de artesanato e manifestações culturais em Riachão do Dantas</figcaption></figure>
<h3 data-start="883" data-end="1096">Galeria</h3>
<p data-start="1098" data-end="1347">No mesmo espaço, o público poderá visitar o “Espaço de Poder: Galeria dos Intendentes e Prefeitos(as)”, com curadoria de João Coelho e Robério Souza, promovendo um diálogo entre a trajetória política oficial da cidade e a vida pulsante da população.</p>
<p data-start="1349" data-end="1610">Ao longo do dia, a programação segue com feirinha de artesanato e gastronomia na Praça da Feira, reunindo mais de 20 estandes de produtores locais e apresentações musicais. Também está prevista uma missa em Ação de Graças e, à noite, shows com bandas nacionais.</p>
<h3 data-section-id="w0czj7" data-start="1612" data-end="1640">O mestre volta para casa</h3>
<p data-start="1642" data-end="2016"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Design-sem-nome.png"><img decoding="async" class="wp-image-98618 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Design-sem-nome.png" alt="" width="253" height="316" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Design-sem-nome.png 400w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Design-sem-nome-240x300.png 240w" sizes="(max-width: 253px) 100vw, 253px" /></a>As celebrações continuam no próximo dia 15 de maio, quando Riachão do Dantas receberá um de seus filhos mais ilustres: o escritor Francisco J. C. Dantas. Aos 85 anos, o autor de obras consagradas como Coivara da Memória — vencedor do Prêmio Jabuti — e Os Desvalidos participará de um encontro literário promovido pela Academia Riachãoense de Letras, Artes e Cultura (ARLAC). Ele lançará sua décima obra, Roteiro Afetivo.</p>
<p data-start="2116" data-end="2438">Conhecido pela extrema discrição e por raramente participar de eventos públicos ou lançamentos, o escritor abriu uma exceção afetiva para homenagear os amigos riachãoenses. <strong>O novo livro, segundo a organização, foi escrito em homenagem à cidade e será distribuído gratuitamente durante o encontro, conforme desejo do autor.</strong></p>
<p data-start="2440" data-end="2555">A apresentação da obra ficará a cargo da professora Maria Lúcia Dal Farra, reforçando o peso intelectual do evento. A crítica especializada coloca Francisco Dantas entre os grandes nomes da literatura brasileira contemporânea, frequentemente comparado a autores como Guimarães Rosa e Graciliano Ramos.</p>
<p data-section-id="uy9v88" data-start="2744" data-end="2759"><div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h3 data-section-id="uy9v88" data-start="2744" data-end="2759">Programação</h3>
<p data-start="2761" data-end="2799"><strong data-start="2761" data-end="2799">09 de maio — Aniversário da cidade</strong></p>
<ul data-start="2800" data-end="2991">
<li data-section-id="1uoydd1" data-start="2800" data-end="2854">09h: abertura das exposições no Memorial de Riachão;</li>
<li data-section-id="1rkmmx1" data-start="2855" data-end="2924">14h às 20h: feirinha de artesanato e gastronomia na Praça da Feira;</li>
<li data-section-id="11jupmp" data-start="2925" data-end="2956">16h: missa em ação de graças;</li>
<li data-section-id="2q0rtt" data-start="2957" data-end="2991">22h: shows com bandas nacionais.</li>
</ul>
<p data-start="2993" data-end="3017"><strong data-start="2993" data-end="3017">15 de maio — Cultura</strong></p>
<ul data-start="3018" data-end="3100">
<li data-section-id="1el9vs7" data-start="3018" data-end="3100">16h: encontro literário com o escritor Francisco Dantas, no Memorial de Riachão.</li>
</ul>
<p data-section-id="s5vhko" data-start="3107" data-end="3147">
			</div></div>
<h3 data-section-id="s5vhko" data-start="3107" data-end="3147">A história de Riachão do Dantas</h3>
<div class="" data-turn-id-container="befb6401-deb0-4fd1-a3c6-80d7956ef0c9" data-is-intersecting="true">
<p data-start="36" data-end="362">A história de Riachão do Dantas começou ainda no período colonial, após a conquista de Sergipe em 1590, quando a região passou a ser ocupada por sesmarias voltadas à criação de gado e aos engenhos de açúcar. Durante muitos anos, o território permaneceu pouco povoado, marcado por grandes fazendas e pelo isolamento geográfico.</p>
<p data-start="364" data-end="672">O núcleo urbano surgiu no início do século XIX, nas terras da Fazenda Riachão, de João Martins Fontes, às margens do riacho Limeira. A construção da Capela de Nossa Senhora do Amparo impulsionou o crescimento do povoado, que se desenvolveu ao redor da igreja, seguindo o modelo das antigas vilas brasileiras.</p>
<figure id="attachment_98608" aria-describedby="caption-attachment-98608" style="width: 153px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/coronel-dantas-riachao.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-98608 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/coronel-dantas-riachao-227x300.jpeg" alt="Coronel Dantas" width="153" height="203" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/coronel-dantas-riachao-227x300.jpeg 227w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/coronel-dantas-riachao.jpeg 665w" sizes="auto, (max-width: 153px) 100vw, 153px" /></a><figcaption id="caption-attachment-98608" class="wp-caption-text">Coronel Dantas</figcaption></figure>
<p data-start="674" data-end="1003">Com o avanço da povoação, foram criados os primeiros serviços públicos, como a cadeira de primeiras letras para meninas, em 1848, e o distrito de subdelegacia, em 1854. Em 1864, a localidade foi elevada à categoria de vila, mas disputas políticas entre liberais e conservadores levaram à revogação da emancipação no ano seguinte.</p>
<p data-start="1005" data-end="1229">A autonomia definitiva veio apenas em 9 de maio de 1870, quando a Freguesia de Nossa Senhora do Amparo foi novamente elevada à categoria de vila, desmembrando-se de Lagarto. No ano seguinte, foi instalada a Câmara Municipal.</p>
<p data-start="1231" data-end="1477">Inicialmente chamada apenas de Riachão, a cidade passou a se chamar Riachão do Dantas em homenagem ao coronel João Dantas Martins dos Reis, importante liderança política do período imperial e uma das figuras centrais na consolidação do município.</p>
</div>
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		<title>Maio: mês de florescer e celebrar</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/maio-mes-de-florescer-e-celebrar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 09:00:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
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		<category><![CDATA[maio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Ao ler esta crônica, caro leitor, amiga leitora, maio já terá chegado. Um mês ameno, suave como a natureza em sua essência. Não é por acaso que maio é o mês escolhido pelos casais para seus enlaces, na esperança de dias felizes. É também o mês &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">A</span>o ler esta crônica, caro leitor, amiga leitora, maio já terá chegado. Um mês ameno, suave como a natureza em sua essência. Não é por acaso que maio é o mês escolhido pelos casais para seus enlaces, na esperança de dias felizes. É também o mês das mães, as flores que embelezam e perfumam o mundo.</p>
<p>Sou da geração que cresceu ouvindo “Pra não dizer que não falei das flores” (também conhecida como “Caminhando”), composta e interpretada pelo paraibano Geraldo Vandré em 1968. Um hino de resistência com versos marcantes sobre luta e esperança, que se tornou um símbolo da liberdade de expressão. Apresentada no III Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, RJ, conquistou o segundo lugar, mas teve um impacto popular superior à vencedora, “Sabiá”, composta por Tom Jobim e Chico Buarque e interpretada por Cynara e Cybele.</p>
<p>Em tempos tão áridos, vamos falar de flores. Falar em plantar, germinar, florescer.</p>
<blockquote><p>“Enquanto houver vida neste mundo em chamas, haverá histórias a serem narradas, lidas e ouvidas. Não vivemos apenas no real, vivemos também no imaginário, nos sonhos, na literatura, nas artes, no teatro, essa arte viva, na experiência mística. Vivemos também no devaneio.”</p></blockquote>
<p>Com essas palavras, o escritor amazonense Milton Hatoum selou sua entrada oficial na Academia Brasileira de Letras, na sexta-feira, 24 de abril.</p>
<p>Em meio ao caos, busco incessantemente a tranquilidade. Observo as pessoas ao meu redor, todas apressadas, correndo de um lado para o outro. O mundo está cheio de indivíduos impacientes, que querem tudo no “agora”. Ninguém quer plantar, já quer colher. Esperar? Nem pensar! A vontade é maior que tudo. E quando a vida não acontece daquele jeitinho que elas planejaram, revoltam-se contra tudo e todos. Pode parecer um disparate, mas a vida não é sempre como se quer.</p>
<p>Existem coisas que têm mesmo o seu tempo. “Por vezes, é preciso fazer o que é possível e depois saber esperar, entregar ao Universo e confiar”, me diz Júlia, minha amiga esotérica. Júlia aprendeu a ser zen em um mundo em ebulição.  Esses dias, para minha felicidade, nos encontramos para um café, em um final de tarde chuvoso. Com sua pele muito clara, cheirosa e colorida, saia rodada, cabelos encaracolados e flores na cabeça, ela me fala dos livros que está lendo.  Menciona que assistiu a “Hamnet”, dirigido pela cineasta chinesa Chloé Zhao. Sensível, ela chorou o filme todo.</p>
<figure id="attachment_98477" aria-describedby="caption-attachment-98477" style="width: 888px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-98477 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif" alt="Cena do filme Hamnet" width="888" height="521" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet.avif 888w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet-300x176.avif 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/cena-de-hamnet-768x451.avif 768w" sizes="auto, (max-width: 888px) 100vw, 888px" /></a><figcaption id="caption-attachment-98477" class="wp-caption-text">Cena do filme Hamnet</figcaption></figure>
<div class="box warning  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“Hamnet” é um drama histórico sensível que aborda temas como luto, maternidade e criação artística. Conta a história de Agnes (Jessie Buckley), esposa de William Shakespeare (Paul Mescal), e a dor do casal após a morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, por peste bubônica, evento real que teria inspirado a peça “Hamlet”. O filme dá voz à esposa de Shakespeare, quase nunca lembrada, explorando sua conexão com a natureza e como ela lidou com a perda do filho.</p>

			</div></div>
<p>Júlia compartilha a dor da perda de seu irmão Ricardo, que faleceu aos 38 anos devido a um câncer devastador. A saudade e a melancolia de continuar sem sua presença são palpáveis. Após mais um gole de café, ela se refaz no celular, mostrando seu jardim, que lembra o jardim de Caio Fernando Abreu.</p>
<p>O jardim na casa de Caio Fernando Abreu, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, tornou-se um refúgio simbólico e físico nos últimos anos de sua vida. Lá, ele cuidava de girassóis, brincos-de-princesa e rosas, encontrando na jardinagem uma metáfora para paciência, a morte e o ciclo da vida, temas explorados em suas crônicas, como em “A Morte dos Girassóis”. A jardinagem era uma forma de carinho e conexão com a vida enquanto lutava contra a AIDS, um contraste com a “noite” e a boemia presentes em sua obra.  Caio Abreu registrou suas experiências com o jardim em crônicas, onde o cultivo de flores ensinava sobre o tempo da natureza, a paciência e a aceitação da finitude.</p>
<p>Ao observar Júlia, com sua alegria contida, percebo que a vida é um convite constante para olharmos e apreciarmos as flores. Vamos florir, florescer, sempre!</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Escritor sergipano lança obra sobre místico Apolônio de Tiana</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/escritor-sergipano-lanca-obra-sobre-mistico-apolonio-de-tiana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 14:43:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[antiguidade]]></category>
		<category><![CDATA[Apolônio de Tiana]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência das Religiões]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[exemplares]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[maçom]]></category>
		<category><![CDATA[místico]]></category>
		<category><![CDATA[Rosa Cruz]]></category>
		<category><![CDATA[trajetória]]></category>
		<category><![CDATA[UFS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; O escritor sergipano Sigelman Silva de Araújo está lançando seu segundo livro, “Apolônio de Tiana: místico, sábio, homem divino”, obra resultado de seu mestrado em Ciências das Religiões pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). O trabalho sucede “Missões Ocultas”, seu primeiro livro, e aprofunda o estudo de uma figura da Antiguidade, frequentemente comparada a Jesus &#8230;</p>
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<p>O escritor sergipano <strong><b>Sigelman Silva de Ara</b></strong><strong><b>ú</b></strong><strong><b>jo</b></strong> está lançando seu segundo livro, <em><i>“Apolônio de Tiana: místico, sábio, homem divino”</i></em>, obra resultado de seu mestrado em Ciências das Religiões pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). O trabalho sucede <em><i>“Missões Ocultas”</i></em>, seu primeiro livro, e aprofunda o estudo de uma figura da Antiguidade, frequentemente comparada a Jesus Cristo, mas cuja trajetória não ganhou a mesma projeção histórica.</p>
<p>Apolônio de Tiana é um personagem da Antiguidade tardia, contemporâneo de Jesus, descrito pelo autor como alguém que realizou feitos semelhantes e chegou a ser visto como “um Cristo pagão”. Apesar disso, sua memória não se consolidou ao longo dos séculos, principalmente pela ausência de uma religião institucionalizada em torno de seu nome.</p>
<figure id="attachment_98468" aria-describedby="caption-attachment-98468" style="width: 209px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-04-29-at-12.07.51.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-98468" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-04-29-at-12.07.51.jpeg" alt="Sigelman Araújo" width="209" height="233" /></a><figcaption id="caption-attachment-98468" class="wp-caption-text">Escritor Sigelman Araújo</figcaption></figure>
<p>A motivação para o livro surgiu da vivência pessoal de Sigelman em tradições iniciáticas. Mestre maçom e estudante da Ordem Rosa Cruz, ele afirma que o contato com essas correntes — que articulam espiritualidade, simbolismo e metafísica — o levou ao estudo acadêmico da religião. Foi nesse contexto que desenvolveu sua pesquisa de mestrado, tendo Apolônio como objeto central, descrito por ele como “um médico iniciado e iluminado”.</p>
<p>O lançamento segue o modelo independente. Sem apoio editorial, o autor pretende imprimir inicialmente 200 exemplares e aposta em uma pré-venda para custear a produção.</p>
<p>“Como eu sou escritor autônomo, sem aquela abundância financeira larga, eu tô lançando muito mais para base de conhecimento. Vou colocar no mercado 200 cópias, mas ainda assim é um valor muito alto para a gráfica imprimir. Então vou fazer uma pré-venda”, explica.</p>
<p>O livro será disponibilizado apenas em formato físico. Segundo o autor, a decisão visa preservar a integridade da obra. “Não queria lançar em PDF para que houvesse diversas cópias na internet. Acho que tiraria a pureza do trabalho”, afirma.</p>
<div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<h3>Figura histórica entre mito, filosofia e religião</h3>
<p>Apolônio de Tiana é descrito como uma das figuras mais fascinantes da Antiguidade tardia — um filósofo, asceta, taumaturgo e viajante incansável. Sua vida, narrada sobretudo por Filóstrato, mistura história, memória e idealização. Ele é apresentado como a encarnação do ideal do sábio pitagórico em um mundo romano plural e inquieto.</p>
<figure id="attachment_98473" aria-describedby="caption-attachment-98473" style="width: 865px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-01-114058.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-98473 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-01-114058.png" alt="Apolônio de Tiana II" width="865" height="487" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-01-114058.png 865w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-01-114058-300x169.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-01-114058-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 865px) 100vw, 865px" /></a><figcaption id="caption-attachment-98473" class="wp-caption-text">Outra imagem de Apolônio de Tiana</figcaption></figure>
<p>Apolônio praticava o vegetarianismo, valorizava o silêncio ritual e a disciplina do corpo e da alma. Rejeitava o luxo e a ostentação, defendendo uma ética de simplicidade radical. Suas viagens tinham como propósito ensinar, corrigir costumes e restaurar práticas espirituais antigas.</p>
<p>Sua religiosidade era profundamente tradicional, mas não dogmática. Ele honrava os deuses gregos sem recorrer a sacrifícios sangrentos e defendia uma relação racional e pura com o divino.</p>
<p>Considerado por muitos como um “homem divino” (<em><i>theios anér</i></em>), Apolônio teria realizado milagres, curas, exorcismos e visões proféticas — elementos que o colocaram em tensão com o poder político da época. Seu confronto simbólico com o imperador Domiciano expressa o embate entre sabedoria e tirania, posicionando-o como crítico do abuso do poder imperial.</p>
<p>Ao mesmo tempo, ele é apresentado como mediador entre filosofia e religião. Embora não tenha fundado uma seita formal, inspirou discípulos e admiradores, deixando um legado mais ético e espiritual do que institucional.</p>
<p>Na Antiguidade, foi comparado a figuras como Pitágoras e Sócrates. Posteriormente, tornou-se objeto de controvérsia com o cristianismo nascente — sendo visto ora como rival de Jesus, ora como exemplo de sábio pagão.</p>
<p>Apolônio habita uma fronteira entre mito e história, refletindo os anseios espirituais de seu tempo. Ele simboliza uma alternativa helênica ao monoteísmo emergente e expressa a busca pela divinização da alma humana. Sua imagem permanece, até hoje, aberta a interpretações filosóficas e religiosas, sendo vista como um arquétipo de sabedoria, disciplina e transcendência.</p>

			</div></div>
<h3><strong><b>Trajetória do autor e primeira obra</b></strong></h3>
<p>Sigelman Silva de Araújo tem 58 anos e formação original em Sistemas de Informação — área distinta de sua atuação literária atual. Segundo ele, a mudança de percurso foi impulsionada pela vivência nas ordens iniciáticas. “Fui impressionado, me apaixonei e resolvi escrever”, resume.</p>
<p>Seu primeiro livro, <em><i>“Missões Ocultas”</i></em>, apresenta a história de um personagem chamado Lotus, que vivencia experiências ligadas a ordens iniciáticas e à ideia de que forças invisíveis conduzem o destino humano por meio de “missões” inesperadas. A obra está disponível no site Clube dos Autores, onde é impressa sob demanda.</p>
<h3><strong><b>Pré-venda e contato</b></strong></h3>
<p>A comercialização do novo livro será feita diretamente com o autor, <strong>pelo telefone (79).99885.2258,</strong> dentro da estratégia de pré-venda que pretende viabilizar a impressão da tiragem inicial.</p>
<p>O lançamento ainda está em fase de divulgação, com o autor buscando apoio e visibilidade em grupos e veículos locais.</p>
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		<item>
		<title>A cor do canto</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-cor-do-canto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 13:54:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Incidental — Considerações Estéticas a Qualquer Momento]]></category>
		<category><![CDATA[canto]]></category>
		<category><![CDATA[cor]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando de Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[O Quarto Azul]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sosergipe.com.br/?p=97580</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; O escritor Fernando de Mendonça, tem já uma considerável estrada percorrida. Na caminhada, romances e produções críticas.  Há pouco tempo se decidiu por enveredar pela poesia: O Quarto Azul, Editora Urutau, 2024. Sim, há dois anos. Mas, quando digo “há pouco tempo”, é isso mesmo: dois anos, para um &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">O </span>escritor Fernando de Mendonça, tem já uma considerável estrada percorrida. Na caminhada, romances e produções críticas.  Há pouco tempo se decidiu por enveredar pela poesia: O Quarto Azul, Editora Urutau, 2024.</p>
<figure id="attachment_97583" aria-describedby="caption-attachment-97583" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/03/autor-fernando.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-97583 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/03/autor-fernando.jpeg" alt="O escritor Fernando Mendonça" width="1600" height="1066" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/03/autor-fernando.jpeg 1600w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/03/autor-fernando-300x200.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/03/autor-fernando-1024x682.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/03/autor-fernando-768x512.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/03/autor-fernando-1536x1023.jpeg 1536w" sizes="auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></a><figcaption id="caption-attachment-97583" class="wp-caption-text">O escritor Fernando de Mendonça</figcaption></figure>
<p>Sim, há dois anos. Mas, quando digo “há pouco tempo”, é isso mesmo: dois anos, para um livro bem escrito, bem cuidado, é período de conquista dos espaços, ainda que de modo sereno, sem alarde.</p>
<p>Então, agora chega às minhas mãos “O Quarto Azul”, mediante gesto generoso do autor, a quem devoto admiração pelo alto nível intelectual, pela elegância com que trata o fenômeno Literatura, pela capacidade de transitar em campo diferente (não obstante, convergente), como o Cinema.</p>
<h3><strong>Sobre “O Quarto Azul”</strong></h3>
<p>Antes de seguir, aviso aos navegantes e retirantes, que não comentarei sobre todos os poemas. Após a leitura, selecionei quatro, poemas das seguintes páginas: 11, 25, 45, 65. E, dentro do possível, darei uma pincelada geral. Motivo? Preguiça mesmo.</p>
<p><strong><b>Observaçãozinha antipática</b></strong>: as epígrafes pesam sem carga útil, são absolutamente desnecessárias. Os poemas, os dois textos em prosa, bastam. Aliás, sobre os textos em prosa, caberiam, sim, mais dois.</p>
<p>Fernando compõe fascinante e comovente linha do tempo, de trajetória de vida: “Entrada”, “O Menino”, “O Homem”, “O Ancião”.</p>
<p>O autor incluiu, como já mencionei acima, no conjunto da obra, dois curtos textos de recepção em prosa em primorosa arquitetura. E, antes de comentar sobre os poemas, tecerei considerações sobre os textos, aos quais, por falta de denominação melhor, os classificarei “textos de reflexão”.</p>
<h4><strong><b>A porta: o limiar como experiência ontológica</b></strong></h4>
<p>O primeiro texto eleva a abertura, geralmente móvel, instalada em parede, destinada a permitir ou impedir a passagem entre dois espaços, à condição que ultrapassa em muito sua função utilitária.</p>
<p>O primeiro é referência à porta, à entrada guardada pelo objeto, elemento de transição, que permite ou impede o acesso entre dois ambientes distintos. Esta é uma definição um tanto técnica, talvez um tanto fria. É então que a pena do escritor reorganiza (ou desorganiza, reformula?) objeto, ambiente e contexto, incluindo densa percepção psicológica do entrar e sair, ou seja, passar por um estreito espaço, onde não é dentro e nem fora — terra de ninguém. Há uma porta, provavelmente de modelo simples. Apenas madeira, dobradiças reagentes e uma maçaneta discreta.</p>
<p>Contudo, não, não será desta maneira que a porta será abordada por Mendonça. O objeto deixa de ser tão somente objeto e se torna estrutura de mediação — A expressão “condição umbilical” sugere que entrar e sair do quarto não é um simples deslocamento físico, mas uma forma de nutrição existencial, uma dependência originária entre interior e exterior. Isso, no meu parco compreender, remete à tradição filosófica, a qual possui, como referência, Martin Heidegger e Merleau-Ponty. Em ambos os sistemas, resguardadas suas especificidades,  o ser está sempre em relação, jamais encerrado em si. A imagem do parafuso — “que jamais completa um giro inteiro” — introduz uma concepção particularmente sofisticada do movimento: não há conclusão, apenas aproximação contínua. O gesto de atravessar a porta nunca se resolve plenamente; ele é, por natureza, incompleto. A porta, assim, não é passagem neutra — é um operador de transformação. Ao atravessá-la, “todas as estações do universo se transformam”. Há aqui uma espécie de cosmologia do gesto mínimo: o ato cotidiano adquire dimensão quase cósmica. O limiar torna-se o ponto onde tempo e espaço se reconfiguram. E então, abruptamente, a ordem: “Feche a porta.” A ordem é seca, quase litúrgica. Depois de toda a expansão metafísica, o gesto final é de clausura. Isso sugere que o escritor está ciente de que o conhecimento do limiar não conduz à abertura infinita, mas à consciência do limite.</p>
<h4><strong><b>Memória, vigília e interioridade</b></strong></h4>
<p>O segundo texto põe-se a refletir, com certa angústia, sobre os assombros que se insinuam nas sombras. Não o medo pelo medo. Muito mais o lidar com as presenças, materiais ou não, formas anônimas pela falta de iluminação identificadora. O texto remeteu a mim aos exercícios mnemônicos do asmático e parisiense memorialista, bebedor de chás com madalenas. Se o primeiro texto trata do abandono da ideia da condição topológica para se tornar uma ontologia do movimento (não há ponto A nem ponto B, mas o &#8220;entre-lugares&#8221; onde a essência humana é testada e forjada), o segundo instala-se na condição de quem atravessa o tempo mantendo-se no mesmo estado e lugar — mais especificamente, na noite. Aqui, o quarto não é atravessado, mas habitado em sua obscuridade. O eixo desloca-se para a memória: “se não lembramos o quarto, em seu escuro, não o compreendemos quarto”. A compreensão não vem da presença imediata, mas da retenção — daquilo que persiste quando a luz se vai. Trata-se de uma epistemologia da penumbra. A lâmpada assume, então, um papel quase antropomórfico e anímico: “ela não dorme”, “ela vela”, “ela espera”. Não é apenas fonte de luz, mas figura de vigilância — uma guardiã simbólica contra a dissolução do espaço na noite. Mesmo apagada, ela permanece como promessa de visibilidade, como memória ativa da luz. A lâmpada torna-se objeto físico com alta carga simbólica — aquilo que assegura a continuidade do mundo enquanto dormimos. E então: “Apague a luz.” Se, no primeiro texto o imperativo encerrava o movimento, aqui ele suspende o estado de prontidão e atenção contínuas. Mas não sem ambiguidade: cessar com a iluminação é confiar na permanência do mundo, porém, sem garantia sensível. É, mediante minha interpretação da atitude, gesto de abandono controlado.</p>
<h4><strong>Dos Poemas (Trechos)</strong></h4>
<p>Entretanto, Mendonça, via seus versos sem ruídos, previne, no<strong><b> PRIMEIRO POEMA, PÁGINA 11</b></strong>, que ali é (res)guardado um universo: &#8220;Há neste quarto/um contrato/com o mistério do haver&#8221; O poema impressiona, antes de tudo, pela economia extrema (não é assinatura do autor, outros são bem mais longos). Em apenas três versos, constrói um campo de reflexão que é simultaneamente íntimo e metafísico. O primeiro verso — “Há neste quarto” — estabelece um espaço concreto, doméstico, quase banal. O segundo verso introduz uma inflexão decisiva: “um contrato”. A palavra é inesperada no registro lírico. Ela pertence ao vocabulário jurídico, racional, quase burocrático O terceiro verso abre a dimensão filosófica: “com o mistério do haver”. A expressão desloca o poema para um plano ontológico. Assim, o poema sugere que naquele quarto se estabelece uma espécie de pacto silencioso entre o homem e o enigma fundamental da existência.</p>
<h4><strong>Poema página 25</strong></h4>
<p>Quanto ao poema da página 25, este se alonga, porém na justa medida. Aborda objeto dos mais íntimos e curiosos: travesseiro. Vamos aos quatro primeiros versos:</p>
<blockquote><p>&#8220;A inauguração/de um travesseiro novo é/a inauguração/de uma intimidade&#8221;.</p></blockquote>
<p>Do modo como vejo a disposição das palavras, “inauguração” é, dentre as demais, decisiva. Mediante este termo, o objeto é retirado, por assim dizer, do plano do uso diário, comum. Travesseiro no plano das condutas arquetípicas, dando significado àquela ação pessoal, individual, permitindo a vivência do momento sagrado. Travesseiro que recebe o peso da cabeça, mas também recebe o que a mente deposita durante a noite: sonhos, pensamentos, cansaços, memórias. Há uma solenidade discreta nisso — algo que lembra os seus temas recorrentes: o quarto, o recolhimento, a solidão habitada. Eis percepção das mais elegantes: a intimidade não existe antes do contato repetido. Nasce do hábito, da proximidade silenciosa, da convivência do corpo com as coisas.</p>
<h4><strong>Poema página 45</strong></h4>
<blockquote><p>&#8220;Não há o princípio do mistério/no olhar do homem, não/há incertezas, não/há nuvens que lhe/atravessem a mente, nem/questões em aberto que angustiam/os grãos da tarde, as/horas de sol alto, o/esquecimento momentâneo de/que o crepúsculo virá&#8221;.</p></blockquote>
<p>Primeiros versos se apresentam a este velho e jurássico crítico, antes de tudo, com a representação da consciência exaurida do que eu conceituaria como inquietação metafísica. A estrofe descreve o homem cujo olhar não alberga o “princípio do mistério”. Nele não há mais, na minha compreensão, centelha inicial indagadora — aquela fresta por onde dúvida, imaginação, assombro costumam se infiltrar. A repetição enfática de “não há” constrói uma atmosfera de supressão. Cada negação elimina um elemento da experiência reflexiva: não há incertezas, não há nuvens mentais, não há questões em aberto. O poema parece sugerir que, pelo menos naquele momento, o pensamento desse homem não conhece turbulência, ambiguidade ou interrogação. Trata-se de uma mente lisa, sem zonas de sombra. Os versos não apresentam isso como uma virtude. Muito pelo contrário, a ausência de mistério adquire um tom quase inquietante. A metáfora “as questões em aberto que angustiam os grãos da tarde” é particularmente expressiva: ela sugere que o próprio tempo — a tarde, com sua luz intensa e suas partículas de poeira suspensas — costuma carregar um tipo de inquietação existencial. Nesse homem, porém, nem mesmo o peso silencioso das horas provoca reflexão.</p>
<h4><strong>Poema página 65</strong></h4>
<blockquote><p>&#8220;Mesmo sem espelhos, o quarto/ não deixa de refletir/os contornos daquilo que/se precisa enxergar, havendo/quase uma constituição/ vítrea em todas as/formas presentes”.</p></blockquote>
<p>Como preveni, não vou tratar de todo poema. Mas asseguro que, de todo o livro, é, na minha percepção, o mais complexo. O que direi, sobre este poema, com toda certeza, deixará a desejar ou, até mesmo, apontará leitura equivocada. Todavia, noblesse oblige. E eu, a arvorar-me crítico literário, devo emitir juízo. Prossigamos, então. O quarto funciona qual câmara de revelação, isto é, espaço físico isolado da luz externa, a operar a dupla interioridade — espaço-quarto e espaço-poeta. Isso indica que a reflexão não depende de superfícies físicas, mas da própria configuração do espaço íntimo. A expressão “constituição vítrea” atribui aos objetos uma qualidade quase transparente, como se tudo ali estivesse predisposto a devolver ao sujeito aquilo que ele precisa perceber. Nesse sentido, o quarto participa ativamente do processo de autoconhecimento. A imagem também dialoga com a ideia, presente nos versos anteriores, de que o quarto não é apenas um lugar de repouso, mas um instrumento silencioso de introspecção. O quarto funciona como um espelho difuso da consciência, onde as formas exteriores refletem discretamente a verdade interior do observador.</p>
<h4><strong>Quarto — trata-se de cenário mínimo, mas suficiente para oferecer espaço à experiência.</strong></h4>
<p>Pela proposta estética de Mendonça, o quarto se amplia, exponencialmente, em sua condição subjetiva e lírica. O escritor Fernando de Mendonça, mediante sua comprovada experiência literária, seu hábil domínio do discurso, elege o quarto a elemento-referência, e torna-se partícipe da tradição literária que compreende este espaço como campo possível para experiências poéticas, seja em verso ou em prosa. Proust, por exemplo, reconfigura o quarto de modo a este deixar de ser pura e simplesmente um lugar físico. Ele é um conjunto de elementos que interagem entre si de forma organizada para atingir um objetivo: lidar com recordações acumuladas. Em Memórias do Subsolo, Dostoiévski (autor muito bem conhecido por Fernando de Mendonça) coloca seu narrador em um quarto miserável, quase subterrâneo. A narrativa nasce de uma consciência isolada que se observa com crueldade. Já em Virginia Wolff, o quarto não é, como em Dostoiévski ou Kafka, claustrofóbico. Torna-se uma arquitetura mínima da liberdade intelectual representada por três condições, as quais considero essenciais para a criação: silêncio, possibilidade de continuidade de pensamento e independência material. Esta última nem sempre se dá num grau absoluto, mas, a partir de algumas garantias, a pena corre mais leve.</p>
<p>O escritor e estudioso da Literatura Fernando de Mendonça passa a fazer parte, pelos versos, pelo poema, desta realidade estética, do explorar pequenos espaços e, destes, colher os resultados, as soluções, as respostas funcionais e elegantes. O quarto como núcleo de um sistema de narrativa (em verso ou prosa): proposta não original, não nova.  Não tem de ser. Basta ser, como em &#8220;O Quarto Azul&#8221;, bem elaborada, competente, eficiente.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Um dia especial que já entrou para a história</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/um-dia-especial-que-ja-entrou-para-a-historia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luiz Thadeu Nunes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Feb 2026 17:27:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lá Vem História]]></category>
		<category><![CDATA[autoridades]]></category>
		<category><![CDATA[condecoração]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[fmiliaresm]]></category>
		<category><![CDATA[honraria]]></category>
		<category><![CDATA[jornalista]]></category>
		<category><![CDATA[legislativo]]></category>
		<category><![CDATA[Maranhão]]></category>
		<category><![CDATA[medalha]]></category>
		<category><![CDATA[Rotary]]></category>
		<category><![CDATA[Setur]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*) &#160; Na segunda-feira, 09/02, tive a honra e o prazer de receber a medalha Manoel Beckman, da Assembleia Legislativa do Maranhão, a mais alta condecoração do legislativo do Maranhão. Ocasião em que reuni familiares, amigos, confrades e companheiros do Rotary. Abaixo, meu discurso: &#160;</p>
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<blockquote><p>Por Luiz Thadeu Nunes e Silva (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>a segunda-feira, 09/02, tive a honra e o prazer de receber a medalha Manoel Beckman, da Assembleia Legislativa do Maranhão, a mais alta condecoração do legislativo do Maranhão. Ocasião em que reuni familiares, amigos, confrades e companheiros do Rotary.</p>
<p>Abaixo, meu discurso:</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>“Senhora deputada Andréia Rezende, autora desta honraria.</p>
<p>Senhoras e senhores parlamentares, demais autoridades, familiares, amigos, companheiros de caminhada, colegas da Setur, amigos do Colégio Batista, professores, confrades e confreiras, companheiros rotarianos, irmãos PcDs.</p>
<p>Agradeço ao Deus Vivo, Senhor de todas as coisas, pela dádiva da vida, por me guardar e me trazer de tão longe, permitindo chegar até aqui, neste momento tão significativo. Chego com o coração pleno de gratidão, honra e emoção.</p>
<p>A gratidão é, para mim, a maior das virtudes. Bem-aventurados os que a carregam no coração.</p>
<p>Agradeço aos meus pais, Luiz Magno e Maria da Conceição, in memoriam, pelo dom da vida, pelos exemplos e pelo amor que me ensinaram. A eles devo minhas raízes. Agradeço aos meus filhos, Rodrigo e Frederico, meus maiores bens nesta terra, companheiros fiéis de caminhada. Agradeço à minha nora, Ana Paula, por enriquecer nossa família com afeto e presença. Ao meu primeiro neto, Heitor, que vejo nele o prolongamento dos meus dias sobre a terra.</p>
<figure id="attachment_96917" aria-describedby="caption-attachment-96917" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/alema-homenagem-Tadeu.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-96917 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/alema-homenagem-Tadeu.jpeg" alt="Alema" width="1280" height="854" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/alema-homenagem-Tadeu.jpeg 1280w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/alema-homenagem-Tadeu-300x200.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/alema-homenagem-Tadeu-1024x683.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/alema-homenagem-Tadeu-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a><figcaption id="caption-attachment-96917" class="wp-caption-text">Luiz Thadeu na Alema</figcaption></figure>
<p>Recebo a Medalha Manuel Beckman com um sentimento grandioso e luminoso ao mesmo tempo — desses que se assentam fundo, como raiz que encontra água antiga. Esta honraria, a maior do Maranhão, não é apenas um reconhecimento pessoal: é um chamado à memória, à responsabilidade e à permanência.</p>
<p>Minha trajetória nasce do chão do Maranhão, desse solo que ensina resistência antes mesmo de ensinar direção. Como engenheiro agrônomo, aprendi que trabalhar a terra é trabalhar destinos humanos, e que nenhuma política floresce sem respeito à dignidade.</p>
<p>A vida, mestra exigente, decidiu interromper meus passos. Um acidente automobilístico suspendeu meu corpo no tempo e me lançou numa longa estação de imobilidade. Houve silêncio. Houve medo. Noites densas. O futuro, por algum tempo, pareceu distante, chegou a desaparecer no horizonte.</p>
<p>Aprendi que o tempo não espera por nós. Passa descalço sobre os dias, sem ruído, sem promessa de regresso. Não se comove com as nossas dúvidas, nem abranda diante dos medos que nos prendem. Enquanto pensamos, ele atravessa. Enquanto hesitamos, ele leva consigo um pedaço do que poderíamos ter sido. O tempo não se deixa segurar.</p>
<p>Não aceita mãos fechadas, nem pedidos tardios. Não devolve instantes, não remenda escolhas, não repete o brilho exato de um momento vivido.</p>
<p>É rio em fuga, é vento sem morada, é luz que toca e parte.</p>
<p>O que nos resta é o agora, esse lugar frágil e precioso onde a vida ainda respira.</p>
<p>Após o acidente que sofri em julho de 2003, foi então que a esperança, essa forma madura da fé, se impôs. Descobri que caminhar não é apenas mover as pernas: é sustentar a vontade. É acreditar em novos dias. Quando o corpo cessa, a alma precisa assumir o passo. E ela assumiu.</p>
<p>Hoje, com mobilidade reduzida, sigo caminhando apoiado em muletas. Elas deixaram de ser limite para se tornarem companheiras de jornada.</p>
<figure id="attachment_96919" aria-describedby="caption-attachment-96919" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/amigos-e-familiares-de-Thadeu.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-96919 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/amigos-e-familiares-de-Thadeu.jpeg" alt="Thadeu na Alema" width="1280" height="854" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/amigos-e-familiares-de-Thadeu.jpeg 1280w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/amigos-e-familiares-de-Thadeu-300x200.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/amigos-e-familiares-de-Thadeu-1024x683.jpeg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/amigos-e-familiares-de-Thadeu-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></a><figcaption id="caption-attachment-96919" class="wp-caption-text">Familiares e amigos de Luiz Thadeu o prestigiaram na Alema</figcaption></figure>
<p>Com coragem e determinação, domei o medo, cruzei a soleira de casa e sai pelo mundo. Pisei em 162 países, em todos os continentes da Terra. Com muletas fiz travessia. Delas fiz asas. E, por um paradoxo generoso da vida, tornei-me viajante do mundo, levando comigo o Maranhão como identidade inegociável.</p>
<p>Em cada cidade, em cada fronteira, carrego São Luís do Maranhão — sua luz, sua memória, sua vocação para a palavra. Mesmo distante, continuo sendo filho desta aguerrida terra.</p>
<p>Aos 67 anos, tornei-me jornalista. A escrita foi meu segundo corpo. Desde menino, foi nos livros da Biblioteca Benedito Leite, e nas páginas dos livros e das revistas que chegavam ao Sítio do Físico, onde passava férias, e que pertenceu ao meu avô, Joaquim Felício Silva, que aprendi a viajar pela imaginação. Primeiro conheci o mundo através dos livros. Filho de educadora, formado no amor aos livros, encontrei na palavra meu modo de permanecer em movimento.</p>
<p>O livro “Das Muletas Fiz Asas” nasceu dessa travessia. Não é relato de dor, mas testemunho de superação. Como disse Jorge Luís Borges, quem realiza um sonho constrói uma parcela de sua própria eternidade. E sonhar sempre foi minha matéria-prima. Sonhar é destino dos vivos.</p>
<p>Nada disso teria sido possível sem o Deus Vivo — presença constante na minha vida, especialmente diante das tribulações, que me sustenta em todos os momentos. Um Deus que não promete atalhos, mas garante sentido.</p>
<p>Agradeço ao querido poeta Rinaldo, que conheci através do amigo José Henrique Brandão, que apresentou-me à deputada Andréia Rezende, e graças à sua sensibilidade e generosidade, estou hoje aqui a receber essa importante medalha.</p>
<p>Aos amigos, leitores e familiares, minha gratidão mais funda. São vocês que dão sentido à caminhada. Saio hoje desta Casa melhor do que entrei.</p>
<p>Às novas gerações, deixo uma palavra simples: não é a queda que define o destino, mas a coragem em continuar. Em ser resiliente diante das adversidades. O futuro pertence aos persistentes, aos teimosos, aos que não se abatem. “A vida é combate, que aos fracos abate, que aos fortes, aos bravos, só pode exaltar”, cito Antônio Gonçalves Dias, nosso poeta maior.</p>
<p>Todos os dias a vida manda eu desistir, mas, teimoso, desobedeço.</p>
<p>Recebo esta medalha não como ponto final, mas como marco de continuidade. Continuo caminhando — com consciência, esperança e fé no Deus Vivo.</p>
<p>A vida é movimento, a caminhada se faz andando, vamos em frente.</p>
<p>Um brinde à essa coisa mágica e maravilhosa chamada VIDA</p>
<p>Muito obrigado!”</p>

			</div></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>A inteligência natural de Marcos Gentil</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/a-inteligencia-natural-de-marcos-gentil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 17:37:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[Incidental — Considerações Estéticas a Qualquer Momento]]></category>
		<category><![CDATA[alienante]]></category>
		<category><![CDATA[argúcia]]></category>
		<category><![CDATA[cantor]]></category>
		<category><![CDATA[compositor]]></category>
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		<category><![CDATA[digital]]></category>
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		<category><![CDATA[inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[mensagem]]></category>
		<category><![CDATA[Rede +]]></category>
		<category><![CDATA[riscos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Léo Mittaraquis (*) &#160; &#8220;Onde está, então, a tua inteligência? No governo de si mesma. Pois tudo o mais, quer dependa ou não da tua vontade, é apenas cinza e fumaça” Marco Aurélio, Meditações &#160; Sim, a atualidade está hiperconectada. Todos podem saber sobre todos. Mas este cenário é realmente de comunicação entre pessoas? &#8230;</p>
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]]></description>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Onde está, então, a tua inteligência? No governo de si mesma. Pois tudo o mais, quer dependa ou não da tua vontade, é apenas cinza e fumaça”</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Marco Aurélio, Meditações</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">S</span>im, a atualidade está hiperconectada. Todos podem saber sobre todos. Mas este cenário é realmente de comunicação entre pessoas?</p>
<p>O compositor, intérprete e escritor Marcos Gentil suspeita que não. E sua crítica, sua inquietação estão bem presentes, de forma contundente, ainda que poética, na sua recente composição musical &#8220;IA&#8221;.</p>
<p>Há, portanto, uma ambiguidade inquietante nesse tempo. Nunca se falou tanto, nunca se disse tão pouco. A palavra circula veloz, mas esvaziada; o gesto se multiplica, mas carece de presença.</p>
<p>Confunde-se acesso com compreensão, acúmulo de dados com experiência. O ruído cresce, enquanto o silêncio inteligente — lugar do pensamento — desaparece.</p>
<p>E, nesse excesso de conexões, o humano corre o risco de tornar-se apenas mais um nó indiferenciado na rede. Gentil, com argúcia, percebe bem este fenômeno.</p>
<p>E, bem entendido, o artista não recorreu à Inteligência Artificial para compor. A elegante e muito bem articulada letra nasceu no seu coração, no seu espírito, e tomou forma mediante sua capacidade intelectual criativa.</p>
<p>É justamente aí que reside o ponto decisivo. Ao afirmar a origem humana de sua criação, Marcos Gentil não faz mera declaração de método, mas gesto ético.</p>
<figure id="attachment_96811" aria-describedby="caption-attachment-96811" style="width: 200px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Marcos-Gentil-compositor-2.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-96811" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Marcos-Gentil-compositor-2-200x300.jpeg" alt="Marcos Gentil" width="200" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Marcos-Gentil-compositor-2-200x300.jpeg 200w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Marcos-Gentil-compositor-2-682x1024.jpeg 682w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Marcos-Gentil-compositor-2.jpeg 733w" sizes="auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px" /></a><figcaption id="caption-attachment-96811" class="wp-caption-text">Marcos Gentil</figcaption></figure>
<p>A canção nasce na harmonia entre sensibilidade e consciência, não da delegação automática do pensar. Criar, para Gentil, é assumir responsabilidade pelo sentido do que se diz. É aceitar o tempo lento da maturação interior.</p>
<p>Prosseguindo com olhar indagador, questionador, Gentil descreve um cenário que não chega a ser apocalíptico, mas, nem por isso deixa de ser preocupante. Diante da sedução do fácil proporcionado por uma entidade digital, o indivíduo desistiu de valorizar o aprendizado que exige o esforço, o cuidado, a dedicação.</p>
<p>Resultado é que, nas sábias palavras de Marcos Gentil, pessoas, mais uma vez, preferem seguir a manada, preferem ceder a captura pelo discurso superficial, pela aparência sem conteúdo.</p>
<p>&#8220;IA&#8221; é um alerta em ritmo alegre, festivo, carnavalesco, pois não é intenção do compositor promover o medo, a tristeza e o pânico.</p>
<p>Marcos Gentil optou por levar sua mensagem de maneira leve, porém sem deixar de apontar os riscos de uma entrega total e alienante ao controle digital.</p>
<p>Somos humanos, homens e mulheres pensantes. Somos capazes de coisas extraordinárias, de valorizar o belo e o sublime. Somos capazes de compor músicas e de erguer catedrais.</p>
<p>Esta é a mensagem de &#8220;IA&#8221;; esta é a mensagem musical, poética, humanista que foi criada pela inteligência natural de Marcos Gentil.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>O último romântico do jornalismo</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-ultimo-romantico-do-jornalismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luciano Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 12:24:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mídia, Cultura e Ebulições]]></category>
		<category><![CDATA[alternativa]]></category>
		<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[distribuidora]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[Fausto Wolff]]></category>
		<category><![CDATA[imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[irrevernte]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[revistas]]></category>
		<category><![CDATA[romântico]]></category>
		<category><![CDATA[veículo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Luciano Correia (*) &#160; Não sei exatamente quando o jornalismo entrou na minha vida, pelo menos como leitor de revistas e jornais. Papai comprava revistas sem capa a um rapaz  chamado João de Holanda, que trabalhava na distribuidora de Zé Queiroz e as entregava semanalmente na Exatoria de Itabaiana as edições semanais de &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Luciano Correia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">N</span>ão sei exatamente quando o jornalismo entrou na minha vida, pelo menos como leitor de revistas e jornais. Papai comprava revistas sem capa a um rapaz  chamado João de Holanda, que trabalhava na distribuidora de Zé Queiroz e as entregava semanalmente na Exatoria de Itabaiana as edições semanais de Manchete, Fatos e Fotos, Capricho, Amiga, Contigo e as famosas Seleções de Reader’s Digest. Antigamente, edições da semana anterior eram vendidas sem o frontispício da marca por um valor muito abaixo do exibido na capa. Foi na Fatos e Fotos que tive o privilégio de ler semanalmente as colunas de Nelson Rodrigues e de Carlos Castelo Branco. Pouco depois, já iniciado na juventude, me acostumei a ler jornais e, quando ingressei na UFS para estudar Engenharia Química, me tornei um fã do irreverente semanário Pasquim.</p>
<p>O Pasquim não foi o único, mas era o principal veículo da imprensa alternativa que desafiava a ditadura e, em termos de mídia impressa, um contumaz crítico da imprensa corporativa careta e covarde, os jornalões Folha, Globo, Estadão e outros. Aqui mesmo tivemos a inusitada experiência da Folha da Praia, liderada por Amaral Cavalcante, onde batuquei minhas primeiras mal traçadas linhas em letra impressa. Foi lendo dois dos muitos grandes jornalistas do Pasquim que aprendi a escrever, se é que aprendi.</p>
<p>Dos jornalistas que mais me influenciaram, destacam-se o brilhante Tarso de Castro e o touro indomável Fausto Wolff. O terceiro foi, sem dúvidas, o alagoano-sergipano Fernando Sávio. E um quarto, Charles Bukowski, este da literatura, mas uma literatura tão carregada de realismo que parecia saltar das páginas dos jornais.  As 569 páginas de “A mão esquerda de Deus” constituem um esboço de autobiografia de Fausto Wolff, gaúcho de Santo Ângelo, misto de brigão e playboy, um homenzarrão de quase dois metros, tão valente quanto propenso a se derramar em lágrimas diante do sofrimento de uma criança. Sempre ligado à esquerda, exilado durante a ditadura militar e brizolista quando voltou ao país após a anistia, Wolff carregava em si as dores do mundo.</p>
<figure id="attachment_96488" aria-describedby="caption-attachment-96488" style="width: 218px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-96488" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda-210x300.jpeg" alt="Livro A mão esquerda, de Fausto Wolff" width="218" height="311" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda-210x300.jpeg 210w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2026/01/a-mao-esquerda.jpeg 214w" sizes="auto, (max-width: 218px) 100vw, 218px" /></a><figcaption id="caption-attachment-96488" class="wp-caption-text">Livro A mão esquerda, de Fausto Wolff</figcaption></figure>
<p>Em <em>A mão esquerda</em>&#8230; ele, como é típico nesses casos, se refugia em nomes fictícios para proteger pessoas reais, ele próprio escondido na alcunha de Percival von Traurigzeit, o Pérsio, um paralelo claro com seu nome de batismo, Faustin von Wolffenbüttel, transformado no polêmico e explosivo Fausto. O livro é um vai e vem no tempo e na história de uma família que, garante Fausto, tem origem em príncipes aristocráticos da Alemanha do século XIV. Conhecendo o personagem autor, é possível que aí esteja um dos momentos em que o texto é pura ficção. Ou não. Das remotas origens em guerras sangrentas entre povos bárbaros, chega-se aos imigrantes que aportaram no Rio Grande do Sul no século XIX, onde a família que um dia foi nobre e rica inicia uma saga de muito trabalho e luta contra a pobreza.</p>
<p>No Rio do Pasquim e dos jornais e revistas por onde passou, Wolff passeia pelas dezenas, quiçá centenas de lindas mulheres que foram parar em sua cama, algumas socialites ricas fascinadas por um jornalista romântico e sem tostão. Em certo momento ele proclama: “tudo que tenho são um punhado de livros e algumas roupas”. E certamente foi assim durante toda a sua vida, desde os trepidantes anos na Dinamarca, onde teve mulheres e fez uma filha, até os últimos dias, quando morreu no Rio de Janeiro, em 2008, aos 68 anos, vítima de uma hemorragia digestiva, não por acaso relacionada com os anos de muito uísque, chope e cigarros. Além do excelente jornalista que foi, crítico mordaz dos colegas mais apaixonados pelos patrões do que pela causa do jornalismo, foi também um escritor de peças teatrais e vários romances, dentre eles <em>Sandra na terra do antes</em>, escrito para resgatar as saudades da infância da primeira filha, nascida no Brasil.</p>
<p>Como jornalista, ele tem outro livro bastante lido nos anos de 1980: <em>Os palestinos: judeus da 3ª Guerra Mundial</em>, onde traça um paralelo entre a perseguição e exílio sofridos historicamente pelo povo judeu e a condição dos palestinos, vítimas do Estado sionista desde que este foi criado, em 1948, passando pela Guerra dos Seis Dias, em 1967, pela nova guerra do Yon Kippur, 1973, o massacre dos assentamentos de Sabra e Chatila, em 1982, até chegar aos horripilantes dias que correm em Gaza.</p>
<p>As farras, amores e a bebida em fartura talvez tenham sido o modo encontrado por um gigante de olhos azuis que nunca suportou as injustiças, fazendo daqueles expedientes sua válvula de escape. Como seu colega Tarso de Castro, também gaúcho e de texto ainda mais cáustico, Fausto Wolff encarnava um jornalismo cujo autor misturava-se com sua obra, o chamado jornalismo gonzo, assumidamente subjetivo e livre dessa bobagem chamada objetividade. Depois de Fausto, não houve mais ninguém que encarnasse esse personagem no jornalismo brasileiro.</p>
<div class="box shadow  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<p>Trecho</p>
<blockquote><p>“O mulherio adorava o John, o mais moço da turma, uma espécie de Babe Face Nelson, que quando não estava conosco, andava com um pessoal mais barra pesada. Ele achava que amava Isla pela simples razão de ela não ligar para ele, e ela, certamente, não ligava para ele porque ela a amava. Para os filósofos estoicos, a dialética era uma disciplina de lógica formal, Kant complicou mais as coisas quando expôs a dialética como uma tentativa de entender o que não se pode experimentar, Hegel identificou a dialética como um resultado de dois aspectos negativos de uma mesma questão, Marx e Engels adaptaram a dialética ao materialismo histórico, mas nunca, jamais, em tempo ou dimensão alguma, alguém poderá entender o conflito dialético entre a buceta e o coração de uma mulher”.</p></blockquote>

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		<title>Riachão do Dantas-Se — terra de intelectuais de ontem, de hoje e atemporalmente</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/riachao-do-dantas-se-terra-de-intelectuais-de-ontem-de-hoje-e-atemporalmente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Claudefranklin Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Oct 2025 12:28:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outras palavras]]></category>
		<category><![CDATA[academia]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[Ibarê Dantas]]></category>
		<category><![CDATA[intelectuais]]></category>
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		<category><![CDATA[Lagarto]]></category>
		<category><![CDATA[povoado Santo Antônio]]></category>
		<category><![CDATA[Riachão do Dantas]]></category>
		<category><![CDATA[riachãoense]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*) &#160; Nas três últimas semanas, recebi excelentes notícias do mundo de lá — parafraseando aqui um trecho da canção “Encontros e Desencontros”, de autoria de Fernando Brant e Milton Nascimento (1985). Refiro-me às terras de Riachão do Dantas, com as quais nós, os lagartenses, temos uma dívida histórica, &#8230;</p>
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<blockquote><p>Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos (*)</p></blockquote>
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<span class="dropcap ">N</span>as três últimas semanas, recebi excelentes notícias do mundo de lá — parafraseando aqui um trecho da canção “Encontros e Desencontros”, de autoria de Fernando Brant e Milton Nascimento (1985). Refiro-me às terras de Riachão do Dantas, com as quais nós, os lagartenses, temos uma dívida histórica, quando frades Carmelitas vieram em socorro da população embrionária de Lagarto, por volta de 1654, no povoado Santo Antônio.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Design-sem-nome-5.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-94217 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Design-sem-nome-5-214x300.png" alt="" width="243" height="341" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Design-sem-nome-5-214x300.png 214w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Design-sem-nome-5.png 400w" sizes="auto, (max-width: 243px) 100vw, 243px" /></a>Primeiramente, destaco a gentileza do escritor Ibarê Dantas de me enviar um exemplar de seu décimo quarto livro, intitulado <em>Florentino Telles de Menezes – Pensamento e Ação</em>, no qual, na dedicatória, mais gentilmente ainda, se refere a mim como um “prolífico escritor”. Isto para mim é uma bênção! Não pelo que a semântica da palavra “prolífico” enseja — qual seja, “produtivo” —, mas, sobretudo, “fecundo”.</p>
<p>Em seguida, duas importantes visitas à minha residência, de representantes da cultura e da gente riachãoense, na manhã do dia 2 de outubro. Da professora Edleide Santos Roza, presidente da Academia Riachãoense de Letras, Artes e Cultura (ARLAC) e do jovem historiador, João Eduardo Freire Coelho, futuro diretor do memorial da cidade, conhecido como Memorial Francisco Dantas. Na pauta, as relações históricas e patrimoniais entre Lagarto e Riachão do Dantas.</p>
<figure id="attachment_94216" aria-describedby="caption-attachment-94216" style="width: 262px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Com-Jeferson-Cruz-14.10.2025.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-94216" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Com-Jeferson-Cruz-14.10.2025-282x300.jpg" alt="" width="262" height="279" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Com-Jeferson-Cruz-14.10.2025-282x300.jpg 282w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Com-Jeferson-Cruz-14.10.2025.jpg 720w" sizes="auto, (max-width: 262px) 100vw, 262px" /></a><figcaption id="caption-attachment-94216" class="wp-caption-text">Prof. Dr. Jeferson Augusto da Cruz e Claudefranklin</figcaption></figure>
<p>Não bastasse tudo isso, na última terça-feira, 14, recebi em minha sala, no Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe, um dos meus mais proeminentes ex-alunos, o Prof. Dr. Jeferson Augusto da Cruz, de quem fiz questão de adquirir o livro, de sua autoria, <em>Aracaju em páginas periódicas – a capital de Sergipe em Fon-Fon e o Malho (1902-1926)</em>, cujo lançamento ocorreu no dia 7, em solenidade concorrida, nas dependências do Museu da Gente Sergipana.</p>
<p>As notas acima mencionadas e destacadas reforçam a máxima de que Riachão do Dantas segue sendo a “terra dos intelectuais”, celebrando a memória do seu passado pujante, do seu presente promissor e de seu futuro garantido, quando o assunto é amor pelo conhecimento e defesa e proteção do patrimônio cultural local — exemplo que deve ser seguido por Lagarto, ainda ansiosa pela existência de seu memorial e pelo uso adequado do Grupo Escolar Sílvio Romero.</p>
<p>Por ocasião da escrita do presente texto, a cidade de Riachão do Dantas abria a programação de sua festa literária, a FLIRD, cujo tema é “Riachão – o orgulho de ser e a alegria de pertencer”. Que essa alegria de pertencer também nos mova e comova, a nós, os lagartenses, tão carentes de iniciativas como essas e tantas outras que os intelectuais e agentes culturais riachãoenses nos apontam — e por que não dizer, também, para todo o conjunto da sociedade sergipana. Miremos pois, todos nós, no exemplo dessa terra de Ibarê Dantas e de Jeferson Augusto, afora toda uma plêiade de gente sabida deste lugar, que semeia ideias, cultiva livros e promove o zelo e o amor pela cultura.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O escritor baiano Luis Osete é finalista do Prêmio Jabuti com Maracujá Interrompida</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/o-escritor-baiano-luis-osete-e-finalista-do-premio-jabuti-com-maracuja-interrompida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 13:17:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Cepe]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[finalista]]></category>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Luis Osete]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Jabuti]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O escritor Luis Osete, natural de Cardeal da Silva (BA) e radicado em Petrolina (PE), figura entre os finalistas do 67.º Prêmio Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do Brasil, com o livro Maracujá interrompida, publicado pela Cepe Editora. A obra concorre na categoria Escritor Estreante – Poesia, e a cerimônia de entrega ocorrerá em &#8230;</p>
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<p data-start="401" data-end="965">O escritor <strong data-start="412" data-end="426">Luis Osete</strong>, natural de <strong data-start="439" data-end="464">Cardeal da Silva (BA)</strong> e radicado em <strong data-start="479" data-end="497">Petrolina (PE)</strong>, figura entre os finalistas do <strong data-start="529" data-end="551">67.º Prêmio Jabuti</strong>, o mais tradicional prêmio literário do Brasil, com o livro <em data-start="612" data-end="635">Maracujá interrompida</em>, publicado pela <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.cepe.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Cepe Editora</a></span>. A obra concorre na categoria <strong data-start="695" data-end="726">Escritor Estreante – Poesia</strong>, e a cerimônia de entrega ocorrerá em <strong data-start="765" data-end="790">27 de outubro de 2025</strong>, às <strong data-start="795" data-end="802">19h</strong>, no <strong data-start="807" data-end="846">Theatro Municipal do Rio de Janeiro</strong> (Praça Floriano, Cinelândia), com transmissão ao vivo pelo canal da <strong data-start="915" data-end="951">Câmara Brasileira do Livro (CBL)</strong> no YouTube.</p>
<p data-start="967" data-end="1486">Luis Osete é jornalista e psicólogo, doutorando pela <strong data-start="1020" data-end="1071">Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).</strong> <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/germano-xavier-lanca-seu-terceiro-livro/" target="_blank" rel="noopener">E também ex-colaborador do Portal Só Sergipe.</a></span>  Em <em data-start="1149" data-end="1172">Maracujá interrompida</em>, sua estreia na poesia, o autor apresenta um longo poema sobre o <strong data-start="1238" data-end="1264">luto da figura materna</strong>, inspirado em histórias ouvidas durante seu estágio em Psicologia, em Petrolina. O livro venceu o <strong data-start="1363" data-end="1411">8.º Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura</strong>, promovido pela Secretaria de Cultura de Pernambuco e pela Cepe Editora.</p>
<p data-start="1488" data-end="1938">A <strong data-start="1490" data-end="1506">Cepe Editora</strong> marca presença dupla na final do Prêmio Jabuti, com dois títulos entre os cinco finalistas. Além de <em data-start="1607" data-end="1630">Maracujá interrompida</em>, que disputa em Escritor Estreante (Poesia), a obra <em data-start="1683" data-end="1727">Fotobiografia Naná: do Recife para o mundo</em>, organizada por <strong data-start="1744" data-end="1767">Augusto Lins Soares</strong>, concorre na categoria <strong data-start="1791" data-end="1800">Artes</strong>. Para o editor <strong data-start="1816" data-end="1832">Diogo Guedes</strong>, as indicações reafirmam o compromisso da Cepe com a valorização da literatura e da cultura brasileira.</p>
<p data-start="1488" data-end="1938">“A fotobiografia de Naná é uma homenagem visual ao grande músico pernambucano, enquanto <em data-start="2030" data-end="2053">Maracujá interrompida</em> é um belíssimo poema sobre o luto e o nascimento de uma nova voz poética”, afirmou Guedes.</p>
<p data-start="1488" data-end="1938"><span style="font-size: 22px; font-weight: bold;">Livro do Ano</span></p>
<p data-start="2917" data-end="3399">A <strong data-start="2919" data-end="2955">Câmara Brasileira do Livro (CBL)</strong> divulgou a lista de finalistas na última terça-feira (7), com <strong data-start="3018" data-end="3043">4.530 obras inscritas</strong> nas <strong data-start="3048" data-end="3065">23 categorias</strong> distribuídas em quatro eixos — Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Os vencedores receberão a tradicional <strong data-start="3190" data-end="3213">estatueta do Jabuti</strong> e <strong data-start="3216" data-end="3228">R$ 5 mil</strong>. Já o <strong data-start="3235" data-end="3251">Livro do Ano</strong> será contemplado com <strong data-start="3273" data-end="3286">R$ 70 mil</strong> e uma <strong data-start="3293" data-end="3331">viagem à Feira do Livro de Londres</strong>, dentro das celebrações do <strong data-start="3359" data-end="3396">Ano da Cultura Brasil–Reino Unido</strong>.</p>
<p data-start="3401" data-end="3702">Entre as novidades da edição de 2025 está a categoria especial <strong data-start="3464" data-end="3516">Fomento à Leitura – Rio Capital Mundial do Livro</strong>, dedicada a projetos de incentivo à leitura realizados na capital fluminense. A cerimônia será <strong data-start="3612" data-end="3641">exclusiva para convidados</strong>, mas contará com <strong data-start="3659" data-end="3682">transmissão ao vivo</strong> para todo o país.</p>
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		<title>Marcelo — Mais uma vez, um ribeirão de histórias</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/marcelo-mais-uma-vez-um-ribeirao-de-historias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Apr 2025 14:56:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Articulistas]]></category>
		<category><![CDATA[canudos]]></category>
		<category><![CDATA[conselheiro]]></category>
		<category><![CDATA[encegueirado]]></category>
		<category><![CDATA[escritor]]></category>
		<category><![CDATA[interpretações]]></category>
		<category><![CDATA[investigou]]></category>
		<category><![CDATA[livro]]></category>
		<category><![CDATA[mitificação]]></category>
		<category><![CDATA[poeta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Léo Mittaraquis (*) &#160; Há temas sobre os quais, erroneamente, afirma-se, de maneira superficial e aligeirada, respectivo esgotamento. Ou seja, nada mais além dizer. O fenômeno Canudos [leia-se Antônio Conselheiro] é um destes. Decerto muito sobre o local, a carismática figura, o conflito armado, muito e muito já se falou, se disse, se &#8230;</p>
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<blockquote><p>Por Léo Mittaraquis (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">H</span>á temas sobre os quais, erroneamente, afirma-se, de maneira superficial e aligeirada, respectivo esgotamento. Ou seja, nada mais além dizer. O fenômeno Canudos [leia-se Antônio Conselheiro] é um destes.</p>
<p>Decerto muito sobre o local, a carismática figura, o conflito armado, muito e muito já se falou, se disse, se escreveu.</p>
<p>Contudo, as múltiplas percepções, que redundam em diversas interpretações, longe de deterem o poder de dar o caso por encerrado, quando sob luz de uma mente atenta, dotada de acurado discernimento, com disposição de ir às fontes [sejam as já visitadas, sejam as até então ignoradas], capaz de produzir cuidadosa e rica narrativa, revelam lacunas e incertezas.</p>
<figure id="attachment_88812" aria-describedby="caption-attachment-88812" style="width: 205px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-88812" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36-236x300.jpeg" alt="livro" width="205" height="260" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36-236x300.jpeg 236w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36-806x1024.jpeg 806w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36-768x976.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/04/WhatsApp-Image-2025-04-21-at-11.59.36.jpeg 840w" sizes="auto, (max-width: 205px) 100vw, 205px" /></a><figcaption id="caption-attachment-88812" class="wp-caption-text">Capa do livro</figcaption></figure>
<p>Por isso saúdo, com raro entusiasmo, ao escritor, pesquisador, memorialista Marcelo Ribeiro pela exaustiva, contudo, prazerosa produção literária mais recente: &#8220;Calasans e Conselheiro&#8221;.</p>
<p>Notório é o fato de que centenas de pesquisadores [sistemáticos ou bissextos], arvoram-se &#8220;proprietários&#8221; do fenômeno Canudos/Conselheiro. O apelo popular, a mitificação, as interpretações esdrúxulas, que tonificam este ou aquele aspecto, sem levar em consideração a cadeia de eventos anteriores e posteriores, fazem do tema terreno movediço. Passo em falso, e o discurso pode afundar sob a lama de confusos e infundados argumentos.</p>
<p>Marcelo Ribeiro, experiente, preocupado em chegar à verdade ou ao mais próximo dela, investigou, sopesou, comparou, confrontou, discordou, convergiu, sempre a partir da mais profunda e comprometida reflexão quanto ao fenômeno. E assim é que tem de ser.</p>
<p>O único senão, e eu disse diretamente ao autor, na minha humilde opinião [e é só uma opinião], é o exacerbado, por vezes encegueirado, amor por Sergipe, pelo Nordeste. Ardor quase a enquadrar-se nas qualificações duma apologia. Mas, bom frisar, é a cabruquenta regalia do autor. Estou apenas a pôr-me sibite e meter o bedelho. Marcelo demonstra, ao lado do rigor de pesquisa e construção da tese, um carinho pela memória dos acontecimentos.</p>
<p>Paul Ricoeur decerto sairia em defesa do autor. O fenomenólogo e hermeneuta compreende bem o poder documental das reminiscências: &#8220;Se a história tem um início distinto em termos de conhecimento, marcado por nomes famosos, Heródoto, Tucídides e fontes ainda mais antigas, seus maiores problemas, e, para ser franco, suas dificuldades, suas dificuldades vêm de muito antes dela, da memória&#8221;.</p>
<p>Muito bem escrito, de narrativa apaixonada [C&#8217;est l&#8217;amour!], cuidado para com as fontes. Eis algumas das melhores características da obra. Marcelo, bem o sabem seus costumeiros leitores, está longe de ser um neófito no campo das Letras, da História e da Memória. É de praxe o autor entregar ao público bons livros.</p>
<p>A data de lançamento ainda não está definida. Na verdade, o livro se encontra em finalização editorial. Ou seja, nem chegou ainda aos prelos.</p>
<p>Tive o privilégio de acessar o original, e disso me orgulho. Sem pejo, incorro em desavergonhada jactância, pois, após proceder com um texto crítico [que não é este], receber a notícia, diretamente do autor, Marcelo Ribeiro, desde que minhas mal traçadas linhas serão incluídas como posfácio.</p>
<p>Portanto, leitores, entendam este artiguete como a um teaser. Uma preparação do espírito dos amantes de boas obras, ante o que virá durante o segundo semestre de 2025.</p>
<p>Marcelo Ribeiro, sabedor de sua responsabilidade sobre o tema, demonstrou segurança, coragem e honestidade.</p>
<p>Além do mais, e não menos importante, é, reitero, muito bem escrito mesmo. Um refrigério para leitores atentos como eu diante de tanta coisa ruim publicada nos últimos tempos.</p>
<p>Ecce viri!</p>
<p>&nbsp;</p>
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