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	<title>Arquivo para crítico literário - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>Vinho, cultura e simplicidade: nasce a Bodega Vinho no Copo</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/vinho-cultura-e-simplicidade-nasce-a-bodega-vinho-no-copo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jul 2025 19:52:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; &#160; Por Antônio Carlos Garcia (*) &#160; Foi inaugurada em Aracaju, no dia 22 de julho, a Bodega Vinho no Copo, empreendimento do crítico literário, ensaísta e intelectual sergipano Léo Mittaraquis. Localizada na Rua Capitão Benedito Teófilo Otoni, no bairro 13 de Julho — próximo ao Mangará —, a bodega surge como um espaço &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fvinho-cultura-e-simplicidade-nasce-a-bodega-vinho-no-copo%2F&amp;linkname=Vinho%2C%20cultura%20e%20simplicidade%3A%20nasce%20a%20Bodega%20Vinho%20no%20Copo" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fvinho-cultura-e-simplicidade-nasce-a-bodega-vinho-no-copo%2F&amp;linkname=Vinho%2C%20cultura%20e%20simplicidade%3A%20nasce%20a%20Bodega%20Vinho%20no%20Copo" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fvinho-cultura-e-simplicidade-nasce-a-bodega-vinho-no-copo%2F&amp;linkname=Vinho%2C%20cultura%20e%20simplicidade%3A%20nasce%20a%20Bodega%20Vinho%20no%20Copo" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fvinho-cultura-e-simplicidade-nasce-a-bodega-vinho-no-copo%2F&amp;linkname=Vinho%2C%20cultura%20e%20simplicidade%3A%20nasce%20a%20Bodega%20Vinho%20no%20Copo" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fvinho-cultura-e-simplicidade-nasce-a-bodega-vinho-no-copo%2F&#038;title=Vinho%2C%20cultura%20e%20simplicidade%3A%20nasce%20a%20Bodega%20Vinho%20no%20Copo" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/vinho-cultura-e-simplicidade-nasce-a-bodega-vinho-no-copo/" data-a2a-title="Vinho, cultura e simplicidade: nasce a Bodega Vinho no Copo"></a></p><p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p>Por Antônio Carlos Garcia (*)</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">F</span>oi inaugurada em Aracaju, no dia 22 de julho, a <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/bodegadevinho/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Bodega Vinho no Copo</strong></a></span>, empreendimento do crítico literário, ensaísta e intelectual sergipano Léo Mittaraquis. Localizada na Rua Capitão Benedito Teófilo Otoni, no bairro 13 de Julho — próximo ao Mangará —, a bodega surge como um espaço alternativo, despojado e cultural, onde o vinho é servido de forma simples e acessível, e a conversa flui como boa música em vinil.</p>
<figure id="attachment_92077" aria-describedby="caption-attachment-92077" style="width: 197px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.43.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-92077 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.43-169x300.jpeg" alt="" width="197" height="350" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.43-169x300.jpeg 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.43-576x1024.jpeg 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.43-768x1365.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.43-864x1536.jpeg 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.43.jpeg 900w" sizes="(max-width: 197px) 100vw, 197px" /></a><figcaption id="caption-attachment-92077" class="wp-caption-text">Leo Mittaraquis e sua imperatriz, Iara Mittaraquis, apoio absoluto</figcaption></figure>
<p>&#8220;É bodega, não é restaurante&#8221;, avisa Léo, logo de início, com o bom humor que o caracteriza. A distinção é fundamental para entender o espírito do lugar: a inspiração vem das bodegas populares das décadas de 1970 e 80 em Aracaju — espaços modestos, mas acolhedores, onde se bebia bem, conversava-se melhor ainda, e não havia formalidade ou pressão estética. Era o lugar onde as pessoas se reuniam para beber vinho no copo e trocar ideias, sem ritual, sem pose. Assim nasceu a Vinho no Copo, um projeto gestado por pelo menos três anos e que agora ganha vida com a cara e a alma do seu idealizador.</p>
<p>A proposta é clara: oferecer vinho de qualidade, em doses de 150 ml, servidas em copo — e não em taça — a preços que variam entre R$ 15 e R$ 45. A escolha do copo, além de remeter à informalidade das antigas bodegas, representa também uma quebra simbólica com os protocolos que muitas vezes afastam o público mais espontâneo do universo do vinho. “Queremos atingir o público que ama vinho, mas não quer se submeter a exigências de ritual, sofisticação, etiqueta. Aqui o vinho é para ser bebido, saboreado e compartilhado, sem cerimônia&#8221;, explica Léo.</p>
<p>O ambiente segue esse mesmo espírito:  tonéis que viram mesas, bancos simples, uma lousa com cardápio escrito a giz e um atendimento feito, na maior parte do tempo, pelo próprio dono. A simplicidade é o charme. “Faço a tábua, sirvo o vinho e bato um papo com o cliente. Eles gostam disso. É um lugar onde o cliente conversa com o bodegário e pode ouvir Piazzolla na vitrola enquanto fala sobre cinema, poesia ou política. Ou simplesmente fica em silêncio apreciando o vinho”, conta.</p>
<figure id="attachment_92069" aria-describedby="caption-attachment-92069" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-5-1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-92069 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-5-1.jpg" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-5-1.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-5-1-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-5-1-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-5-1-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-5-1-660x330.jpg 660w" sizes="(max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-92069" class="wp-caption-text">Entre vinhos, ideias e silêncios — o bodegário Léo recebe os clientes</figcaption></figure>
<p>A carta de vinhos é sazonal, montada a partir do que há disponível no mercado, o que permite também manter os preços acessíveis. O mesmo vale para as tábuas de frios e embutidos, que são montadas de acordo com a oferta de ingredientes do dia — queijos, frutas secas, presuntos curados, pães artesanais. Tudo fresco, escolhido com cuidado. A adega da casa comporta cerca de 50 garrafas, organizadas de forma visível ao cliente. “Se o cliente quiser ver o rótulo, puxamos a gaveta e mostramos. Sem mistério.”</p>
<h3>Servir de forma honesta</h3>
<figure id="attachment_92070" aria-describedby="caption-attachment-92070" style="width: 320px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-92070" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-1-300x300.jpg" alt="" width="320" height="320" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-1-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-1-1024x1024.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-1-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-1-768x768.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Design-sem-nome-1.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px" /></a><figcaption id="caption-attachment-92070" class="wp-caption-text">Transparência e honestidade</figcaption></figure>
<p>Transparência e honestidade são pontos que Léo faz questão de destacar. O vinho é sempre servido diante do cliente, medido com um béquer técnico certificado pelo Inmetro, garantindo os 150 ml exatos — seja em copo americano, bacia ou outro modelo. “Tem cliente que olha e pergunta: ‘Tem mesmo 150?’ Aí a gente devolve o vinho para o béquer e mostra. A pessoa fica até sem graça. Nosso compromisso é servir de forma honesta.”</p>
<p>Outro diferencial da bodega é o atendimento sem pressão comercial. Não há sugestões insistentes nem tentativas de aumentar o consumo. “A gente entrega o pedido e diz: ‘Se precisar de mais alguma coisa, é só chamar.’ Pronto. O cliente fica à vontade. Nada de empurrar sobremesa ou água a cada cinco minutos.”</p>
<p>Além da experiência sensorial com os vinhos e petiscos, a Bodega Vinho no Copo quer se firmar como espaço cultural. A trilha sonora, em grande parte executada em vinil, inclui jazz, blues, música brasileira de qualidade e tango. Os clientes podem levar seus próprios LPs para ouvir no local. “Teve gente que se emocionou com isso. É o charme do chiado do vinil. E quem quiser trazer seus discos, pode levar quantos quiser. A vitrola está à disposição.”</p>
<p>O ambiente também vem sendo palco para apresentações musicais ao vivo, sempre com entrada gratuita. O couvert dos artistas é negociado diretamente com o público por meio de <em>Pix</em> — a casa não cobra nem intermedia os pagamentos. Já passaram por lá nomes como Sílvio Biju, Zé Canto e Isaac Borges, que está confirmado para os próximos quatro sábados. &#8220;Os músicos têm cobrado menos para tocar aqui, entendendo que é um projeto que está começando, mas com muito valor cultural&#8221;, ressalta o proprietário.</p>
<p>A recepção do público tem sido calorosa. Intelectuais, escritores, jornalistas e artistas já passaram por lá. No dia da inauguração, o escritor Mateus Machado, vindo de São Paulo, marcou presença e rapidamente enturmou-se com o público local. “Ele ficou tão à vontade que saiu com um grupo de clientes para jantar após o evento. E isso sem nenhuma formalidade. É isso que a gente quer: que as pessoas se sintam em casa.”</p>
<figure id="attachment_92071" aria-describedby="caption-attachment-92071" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-6-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-92071 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-6-1.jpg" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-6-1.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-6-1-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-6-1-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-6-1-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-6-1-660x330.jpg 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-92071" class="wp-caption-text">A casa acomoda até 14 pessoas sentadas</figcaption></figure>
<figure id="attachment_92078" aria-describedby="caption-attachment-92078" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-7.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-92078 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-7.jpg" alt="Bodega Vinho no Copo" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-7.jpg 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-7-300x149.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-7-1024x510.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-7-768x382.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/Do-min-go-7-660x330.jpg 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-92078" class="wp-caption-text">Léo Mittaraquis, com a filha Álida e com Mayara esposa do filho Alisson</figcaption></figure>
<h3></h3>
<h3>Artes e trocas afetivas</h3>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.44.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-92085 alignright" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.44-300x300.jpg" alt="" width="339" height="339" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.44-300x300.jpg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.44-1024x1024.jpg 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.44-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.44-768x768.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2025/07/WhatsApp-Image-2025-07-29-at-16.11.44.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 339px) 100vw, 339px" /></a>Mesmo em seus primeiros dias, a bodega já vem se firmando como um espaço de convivência, arte e trocas afetivas, onde o vinho é apenas o ponto de partida. &#8220;A ideia é que seja um local para se falar de cultura, sim, mas de forma leve, sem elitismo, sem hierarquia. Um espaço aberto para quem gosta de pensar, de conversar e de estar junto.&#8221;</p>
<p>Léo também faz questão de deixar claro que o espaço é pequeno — e, por isso mesmo, íntimo. A casa comporta cerca de 12 a 14 pessoas sentadas, mas há estrutura para atender em pé do lado de fora, com o apoio de tonéis e pallets. “Tem dias mais calmos, com três ou quatro clientes, e outros em que a casa enche. E tudo bem dos dois jeitos.”</p>
<p>O investimento no projeto foi feito com recursos próprios e apoio familiar. Depois de um período introspectivo, Léo decidiu que era hora de realizar um sonho antigo: “Minha esposa, Iara, disse que era hora de fazer algo que fosse a minha cara. E aqui está: uma bodega simples, honesta, onde a conversa vale tanto quanto o vinho”.</p>
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		<title>Segunda edição do livro Domingo em Desbaste será lançada, amanhã, na Loja Maçônica Clodomir Silva</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/segunda-edicao-do-livro-domingo-em-desbaste-sera-lancada-amanha-na-loja-maconica-clodomir-silva/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Nov 2024 19:41:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Será lançada amanhã, 29, às 19 horas, na Loja Maçônica Clodomir Silva, a segunda edição do livro “Domingo em Desbaste”, fruto da coluna do mesmo nome publicado no portal Só Sergipe,  com a instituição maçônica. Esta edição contém 58 artigos de 12 maçons sobre os mais variados temas, prefaciado pelo crítico literário Léo Mittaraquis &#8230;</p>
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<span class="dropcap ">S</span>erá lançada amanhã, 29, às 19 horas, na Loja Maçônica Clodomir Silva, a segunda edição do livro “Domingo em Desbaste”, fruto da coluna do mesmo nome publicado no portal <strong>Só Sergipe</strong>,  com a instituição maçônica. Esta edição contém 58 artigos de 12 maçons sobre os mais variados temas, prefaciado pelo crítico literário Léo Mittaraquis que, gentilmente, aceitou o convite do <strong>Só Sergipe</strong> e da Loja Clodomir Silva.</p>
<p>O lançamento do livro marcará as comemorações dos  67 anos de fundação da Loja Clodomir Silva. Antes dos autógrafos, haverá no templo da instituição uma palestra do maçom Osman Vieira de Oliveira, contando a história da fundação da loja. <span class="sigijh_hlt">Clodomir de Souza e Silva foi jornalista, advogado e político aracajuano, que integrou a elite intelectual sergipana entre 1920 a 1932.</span> Duas obras marcaram sua trajetória. A primeira, no ano de 1920, foi “O Álbum de Sergipe&#8221; comemorativo do 1º centenário da Emancipação Política de Sergipe. A segunda foi “Minha Gente”, de 1926, uma coletânea de textos sobre os costumes de Sergipe naquela época.</p>
<figure id="attachment_83109" aria-describedby="caption-attachment-83109" style="width: 179px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-28-at-15.39.19.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-83109" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-28-at-15.39.19-225x300.jpeg" alt="" width="179" height="238" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-28-at-15.39.19-225x300.jpeg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-28-at-15.39.19-768x1024.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-28-at-15.39.19-1152x1536.jpeg 1152w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/WhatsApp-Image-2024-11-28-at-15.39.19.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 179px) 100vw, 179px" /></a><figcaption id="caption-attachment-83109" class="wp-caption-text">Hernan Centurion, venerável mestre da Loja Clodomir Silva</figcaption></figure>
<p>Na contracapa do livro “Domingo em Desbaste”, há um pequeno texto falando sobre a Loja Clodomir Silva; e nas orelhas, os leitores conhecerão quem são os autores dos artigos publicados. O venerável mestre da Loja Clodomir Silva, Hernan Centurion, um dos  autores, ressalta que “nenhum dos irmãos são escritores profissionais, são pessoas comuns, maçons humildes que buscam no fundo dos seus corações, na memória empoeirada, um pouco de sentimento, de conteúdo, para que possamos fomentar a leitura e a reflexão”.</p>
<p>Hernan acrescenta que “só conseguiremos o aperfeiçoamento moral e espiritual com os estudos, com a busca incessante do conhecimento. Não é à toa que nós temos a máxima de que somos eternos aprendizes, porque estamos sempre nessa busca. E o conhecimento transformado em boas ações é a tão sonhada sabedoria”.</p>
<figure id="attachment_83105" aria-describedby="caption-attachment-83105" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/lancamento-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-83105 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/lancamento-1.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/lancamento-1.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/lancamento-1-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/lancamento-1-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/lancamento-1-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/11/lancamento-1-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-83105" class="wp-caption-text">Capa e contracapa do livro</figcaption></figure>
<h2><strong>Honra</strong></h2>
<figure id="attachment_74157" aria-describedby="caption-attachment-74157" style="width: 352px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-74157" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-300x149.png" alt="Léo Mittaraquis" width="352" height="175" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-660x330.png 660w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1050x525.png 1050w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3.png 1209w" sizes="auto, (max-width: 352px) 100vw, 352px" /></a><figcaption id="caption-attachment-74157" class="wp-caption-text">Léo Mittaraquis fez o prefácio do livro Domingo em Desbaste</figcaption></figure>
<p>O crítico literário Léo Mittaraquis, que prefaciou esta edição, disse que ficou honrado com o convite e “acredito que seja uma publicação que contribuirá, sempre de uma forma positiva, para um melhor entendimento da percepção do mundo, a partir dos participantes desta coletânea. Sinto-me feliz, satisfeito, realizado, por fazer parte deste grande evento literário, dessa produção que, com certeza, terá novos frutos. Estou muito grato, sobremaneira, a todos”.</p>
<p>O maçom Rivaldo Frias, um dos que tem textos publicados nessa edição, falou que o livro “significa um marco para a Maçonaria sergipana”. Ele acredita que os leitores e as futuras gerações encontrarão, no “Domingo em Desbaste”, os recursos necessários “para entenderem a nossa trajetória”. O livro, também, servirá como fonte preciosa de pesquisa, dedicação e compromisso com a Ordem Maçônica.</p>
<p>&#8220;Ler Domingo em Desbaste é crescer como ser humano. É reservar um pequeno momento do dia para refletir. Lemos, refletimos, saboreamos cada trexto e aprendemos em cada palavra. Aliás, a maturidade não tem a ver com  a quantidade de tempo na vida. Maturidade tem a ver com aquilo que aprendemos durante a vida&#8221;, disse o professor e maçom Nilton Santana, cujos textos estão nessa edição.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">A <strong>Coluna Domingo em Desbaste</strong> foi iniciada<span class="sigijh_hlt"> no <strong>Portal Só Sergipe</strong> em 2022</span></span> e até o último domingo já havia publicado 130 textos. A primeira edição do livro foi lançada em  junho do ano passado (<strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/sera-hoje-o-pre-lancamento-do-livro-domingo-em-desbaste-esse-e-o-segundo-livro-do-portal-so-sergipe/" target="_blank" rel="noopener">leia aqui para saber mais</a></span></strong>). Para o editor do portal, Antônio Carlos Garcia, que também escreveu artigos para esta edição, o novo livro tem temas atuais que merecem a atenção de todos e podem suscitar reflexões. Ainda segundo o editor, a publicação do livro é uma maneira do portal contribuir para levar cultura a um grande número de pessoas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Fulvia, Maria e Petra &#8211; A propósito de A Casa do Lago da Lua, de Francesca Duranti</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/fulvia-maria-e-petra-a-proposito-de-a-casa-do-lago-da-lua-de-francesca-duranti/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Leo Mittaraquis]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Feb 2024 11:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[conjugais]]></category>
		<category><![CDATA[crítico literário]]></category>
		<category><![CDATA[duradouras]]></category>
		<category><![CDATA[escritora]]></category>
		<category><![CDATA[Francesca Duranti]]></category>
		<category><![CDATA[História da Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Léo Mittaraquis (*) &#160; Francesca Duranti, nascida Francesca Rossi, tornou-se uma figura proeminente na literatura italiana. Segundo críticos da sua obra, Duranti manifesta uma prosa notadamente perspicaz e emocional. Seus livros continuam a ser lidos e apreciados pelo público, tanto na Itália como em outros países, sendo muito bem aceita na França, na Alemanha e &#8230;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">F</span>rancesca Duranti, nascida Francesca Rossi, tornou-se uma figura proeminente na literatura italiana. Segundo críticos da sua obra, Duranti manifesta uma prosa notadamente perspicaz e emocional. Seus livros continuam a ser lidos e apreciados pelo público, tanto na Itália como em outros países, sendo muito bem aceita na França, na Alemanha e na Espanha. É muito pouco conhecida entre leitores brasileiros.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">O que, desde o primeiro encontro, no início dos anos noventa, exerce, ainda, forte atração em mim, enquanto leitor e crítico, é sua sensível capacidade de capturar as complexidades das emoções e relacionamentos humanos.</span></p>
<div class="box info  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
			
<figure id="attachment_75194" aria-describedby="caption-attachment-75194" style="width: 199px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-16-at-11.57.26.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-75194 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-16-at-11.57.26-199x300.jpeg" alt="" width="199" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-16-at-11.57.26-199x300.jpeg 199w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-16-at-11.57.26-678x1024.jpeg 678w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-16-at-11.57.26-768x1160.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-16-at-11.57.26.jpeg 926w" sizes="auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px" /></a><figcaption id="caption-attachment-75194" class="wp-caption-text">Capa do livro: A Casa do Lago da Lua</figcaption></figure>
<p>O título que lhes trago, neste sábado, é “A Casa do lago da Lua”, publicado no Brasil, pela Paz e Terra, em 1988.</p>
<p>Eu a li com atenção e prazer. Leitura que me mesmerizou já nas primeiras páginas.</p>
<p>E do que trata o livro?</p>
<p>O personagem central, não necessariamente o principal, pois, o “peso” dos demais não se revela menor que o dele, é Fabrizio Garrone. Trabalha como tradutor, é genovês, mas atua com mais constância em Milão. É um experiente conhecedor da língua alemã. Acaba de entregar à editora a tradução de um livro de Theodor Fontane.</p>
<p>Em tempo: o autor traduzido é, ou, pelo menos foi real. Existiu e marcou época, com sua produção literária ombreando-se a Goethe e Thomas Mann [foi muito elogiado por este]. Recomendo, ‘en passant’, de Theodor Fontane, sua obra magna “Effi Briest”, editora Estação Liberdade, 2013.</p>

			</div></div>
<p>Voltemos ao tradutor, Fabrizio Garrone e ao enredo básico de “A Casa do Lago da Lua”.</p>
<p>Após entregar o trabalho de tradução à sua namorada Fúlvia, funcionária da editora da qual Mário, seu amigo é proprietário, Fabrizio sai a passeio, por um parque, e busca distração, descanso mental, caminhando, sem destino determinado, por entre barracas que vendem livros usados. Funcionam de forma semelhante aos sebos.</p>
<p>Numa das barracas, o tradutor encontra um livro, publicado pela Elseviers&#8217; Printing House, pouco volumoso, com textos ensaísticos de Giorgio Pasquali [especialista em História da Literatura, nota do articulista]. Sobre edições desta editora, ressalto, e posso afirmá-lo como crítico, que a qualidade das impressões e a seleção cuidadosa dos temas e autores, levaram que seus títulos também passassem a ser denominados elseverianos.</p>
<p>Retorno ao livro encontrado por Garrone e que traz um ensaio de Pasquale: de início pouco interessante. Mas, ao prosseguir, o tradutor toma ciência da existência de um romance intitulado “A Casa no Lago da Lua”, o qual foi publicado em 1913, por um autor vienense pouco conhecido, de nome Fritz Oberhofer.</p>
<p>Segundo Pasquali, o livro é uma pequena e perfeita obra-prima. A descoberta galvaniza Fabrizio que se propõe a encontrar o romance, traduzi-lo e divulgá-lo.</p>
<p>Esta é, de forma um tanto canhestra, a síntese de toda a história. Mas, bem o sabe o eventual leitor deste fastidioso artigo crítico, há sempre mais e mais.</p>
<p>E o mais segue pelo que tornar-se-á a obsessão de Garrone. E qualquer proximidade temática com “O Nome da Rosa” [Umberto Eco] e “A Caverna das Ideias” [Roberto Somoza], não será, de maneira alguma, mera coincidência.</p>
<p>Senão, vejamos: Pasquale menciona uma edição, na verdade, a única, de 1914, ou seja, no início da Primeira Grande Guerra. Não mais do que cem exemplares, dado ao sucesso incerto da obra.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Frabrizio Garrone, o tradutor, deixa-se levar pela possibilidade de ser ele a devolver ao mundo esta obra que libertará das trevas. Realização esta que o fará alçar o status de competente germanista.</span> Mais ainda do que já é: “A casa do lago da Lua havia desaparecido, e de Fritz Oberhofer ninguém nada sabia. Poderia procurar em santa paz”.</p>
<p>Mas a impressão modesta se deu, como já observado, no primeiro ano da Primeira Grande Guerra. O terrível conflito armado apagou os traços de existência deste autor. Então, Garrone propõe-se a recuperá-lo. Para tanto, empreende viagem até um local distante da Áustria em busca do lugar que inspirou Oberhofer.</p>
<p>Neste ponto, o leitor, se atento, percebe a sutil manobra da escritora, Francesca Duranti. Ao invés de manter Garrone numa bem fundamentada realidade, faz com que ele se veja enredado numa busca um tanto insólita.</p>
<p>Ora, o autor alemão, Fontane, que teve uma de suas obras traduzidas por Garrone, a qual já está, mediante as mãos de Fúlvia, nas mãos do editor, é um escritor realista. O escritor alemão traduzido pertence àquela tradição amplamente definida do realismo do século XIX, que visava a representação de indivíduos de origens sociais identificáveis ​​dentro de um tempo e lugar específicos. Em geral, os temas de Fontane, segundo estudiosos, evoluíram da representação do conflito pessoal de seus primeiros romances para a representação do meio social. Ou, do modo crítico como vejo, uma mescla das duas perspectivas.</p>
<p>Eis, então, o jogo narrativo da autora – quase imperceptível transição.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Ah, o livro é dividido em três partes: Fúlvia, Maria e Petra.</span></p>
<p><span class="sigijh_hlt">Sugiro que o privilegiado leitor que possua ou venha a possuir a obra leia com atenção e busque entender os delicados fios que interligam esses nomes.</span></p>
<p>Fúlvia, cujo nome remete ao amarelo, ao dourado, ao loiro, de fato, traz luz às circunstâncias que acompanham a narrativa. É segura, dotada de, apesar de jovem, grande maturidade. É o contraponto amoroso e existencial de Garrone. O tradutor é instável, inseguro e alimenta algo de fobia quanto a relações conjugais duradouras.</p>
<p>Francesca Duranti faz dos seus personagens instrumentos precisos. Constrói, para todos, inclusive a personagem Petra, inventada pelo personagem Garrone, sintéticas genealogias, trajetórias paralelas de vida, distribuindo, com equidade, partes destas ao longo do romance. Note-se que Duranti apresenta todos os atores, mas, no que concerne a Fúlvia, não obstante comentar, descrever o perfil desta em diversos trechos, preocupa-se em, ao fim das primeiras quarenta páginas, defini-la com ênfase:</p>
<p style="text-align: right;"><em>“Era o passo, seguro e vigoroso, revelador de uma profunda autonomia, mas não abrandado pela sola de borracha das protofeministas; era a solidez arrogante dos seus membros; era a luminosidade de seus cabelos; era a propriedade infalível dos seus gestos”.</em></p>
<p>O conceitual equilíbrio entre corpo e alma desta personagem ressalta a moderada frieza de Mário, o editor, amigo de Garrone, a visceral indefinição quanto a tudo deste último e as características, em menor ou maior grau, dos demais perfis presentes na história.</p>
<p>Quero dizer: todos os demais o são em si a partir de Fúlvia.</p>
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<figure id="attachment_75197" aria-describedby="caption-attachment-75197" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-16-at-12.04.38.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-75197 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-16-at-12.04.38-300x169.jpeg" alt="" width="300" height="169" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-16-at-12.04.38-300x169.jpeg 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-16-at-12.04.38-768x432.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/02/WhatsApp-Image-2024-02-16-at-12.04.38.jpeg 800w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-75197" class="wp-caption-text">Segundo lendas do lugar, o Duque Odilo foi caçar na zona de Mondsee com a sua esposa e uma grande comitiva. Infelizmente, ele se perdeu e a noite caiu rapidamente. No alto de um terreno rochoso acima do Mondsee, ele correu grande perigo e quase caiu do penhasco. A lua cheia apareceu de repente por trás das nuvens e o duque pôde ver a superfície do lago diante dele. Ele ficou tão grato por ter sido resgatado dessa forma que prometeu construir uma abadia às margens do lago, que chamou de Lago da Lua (em alemão: Mondsee)</figcaption></figure>
<p>Até mesmo Fritz Oberhofer [e Petra, sobre quem tratarei adiante], o autor do livro “A Casa do lago da Lua”, ou, no original alemão, idioma que Garrone domina com mestria, “Das Haus am Mondsee”, ainda que morto no início do século vinte, no teatro de guerra que tomava forma, é elaborado, pela autora, Duranti, a partir de Fúlvia.</p>
<p>E quanto a Maria Lettner? Personagem inventada pela mente um tanto doentia de Fabrício Garrone, tradutor de Oberhofer e, por insistente sugestão de Mário, o editor, também biógrafo do autor alemão?</p>
<p>Sobre Mário, teço breve reflexão: proprietário da editora que publica as obras traduzidas, por Garrone, de outros idiomas para o italiano, está convicto de que uma biografia do autor, Fritz Oberhofer, escrita pelo tradutor da obra deste, promoverá ainda mais o romance, consequentemente, aumentando as vendas que já se mostraram mais que satisfatórias.</p>
<p>Mário detém sensibilidade e experiência para reconhecer uma obra produzida ao nível da excelência, mas está longe de se deixar levar pelo idealismo, pela estética romântica, ao modo germânico, num, como diria Henri Peyer, “pelo tumulto revolucionário, promovido por jovens temerários, e de curta duração”. Tanto assim que reprova, sem reservas, o prefácio escrito por Garrone para “A Casa do Lago da Lua”.</p>

			</div></div>
<p>Sabe do valor histórico, cultural, estético, do movimento, o Romantismo. Não o despreza, em absoluto. É culto o bastante para compreender o papel do fenômeno na história da nossa civilização ocidental, mas também é um crítico, com sóbrias inclinações para o realismo tão bem representado por Theodore Fontane, autor, como já observei antes, que manifesta em suas obras a necessidade de retratar a vida, os problemas e costumes das classes média e baixa não inspirada em modelos do passado.</p>
<p>Fabrício Garrone escreve a biografia. No processo depara-se com um pequeno problema: não há informações sobre os últimos três anos de vida de Oberhofer, justamente os anos durante os quais escreveu “A Casa do Lago da Lua”. Por conta própria, Fabrizio decide fantasiar os detalhes, concebe uma figura feminina, Maria Lettner. Afirma ser ela a inspiração do romancista.</p>
<p>Eis, no modo como entendo, o artifício da representação: o inventor de Maria Lettner parece crer que sua criação manter-se-á circunscrita ao corpo de texto produzido por ela. Ledo engano. Tal como Hamlet, de Shakespeare, na acurada observação de Harold Bloom, Lettner torna-se “um espírito que se estende por toda a parte, um espírito ao qual nada nem ninguém consegue impor limites”.</p>
<p>Francesca Duranti, ciente da realidade operatória também presente na relação autora e obra, demonstra cuidado em elaborar a manufatura ‘ser’ Maria Lettner por Garrone, e ei-la, metapersonagem, por pouco Lettner não se torna autoconsciente. Quando da publicação da biografia, a “inexistente” amante do desconhecido Oberhofer suscita polêmicas, leitores comuns e teóricos da literatura tomam partido. A biografia provoca desejo intenso de se conhecer mais sobre a mulher. Surgem absurdas notícias nos jornais sobre pessoas que afirmam tê-la conhecido. Garrone, cada vez mais temeroso sente que ela está ganhando vida própria. Lettner ameaça ofuscar Fritz Oberhofer e, consequentemente, perturbar o fluxo de venda do romance traduzido que viera a público.</p>
<p>E eis que, quando o tradutor pensa que as coisas não podem se tornar mais estranhas, recebe o telefonema de uma antiga moradora de Mondsee, local onde se encontra o “lago da Lua”, a qual afirma que Maria Letnner fora sua avó. E que, pasme-se, detém consigo a correspondência [cartas] de Oberhofer e Lettner.</p>
<p>Provavelmente é um truque, possivelmente uma chantagem, mas Garrone decide vê-la mesmo assim.</p>
<p>O que se seguirá, daí por diante, surpreende e emociona o leitor. A trama dar-se-á em, digamos, plano distintos, no tempo e no espaço. Uma certa e bem moderada dose de irrealidade sem que se perca a coerência. Vale dizer: sem pretensões. E recorrendo este crítico, aqui, às sensatas observações de José Guilherme Merquior, não se nota, na obra, coisa alguma do enigmatismo benjaminiano.</p>
<p>Minha leitura crítica da obra, notadamente dos dois últimos capítulos, me leva a concluir que Francesca Duranti não joga com o leitor de forma a tão somente o lançar no entediante e desgastado labirinto de significados sem o esteio adequado. Duranti não se entrega ao mero exercício formal. Quem se dispor a lê-la deve, e recomendo com veemência, evitar “entender” o livro como coisa pertencente ao gênero [se é convincente denominá-lo assim] realismo mágico. Creia-me o leitor, isto não cabe.</p>
<p>E mais: os fundamentos morais e psicológicos se fazem sentir, é certo. Porém, não é uma característica original deste livro. Os valores de conduta são aspectos comuns nas produções literárias. A parafrasear, desajeitado, Umberto Eco, digo que “A casa do Lago da Lua” é, antes de tudo, uma história de livros e não de tão somente torpezas ou delírios cotidianos.</p>
<p>Os dois últimos capítulos testemunham a preocupação e a competência da autora em conceber, com máxima habilidade, um desfecho inesperado. Nada, ao longo das páginas anteriores, nos induz a especular sobre o final. E, caso o façamos, nos equivocaremos miseravelmente.</p>
<p>É isto.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Crítico literário Léo Mittaraquis: “Literatura e Filosofia dialogam intimamente; são campos de conhecimento simbióticos”</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/critico-literario-leo-mittaraquis-literatura-e-filosofia-dialogam-intimamente-sao-campos-de-conhecimento-simbioticos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jan 2024 09:00:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Antônio Carlos Garcia e Marcus Éverson Santos &#160; Leitor voraz, crítico literário, filósofo, apreciador de bons vinhos (seria um sommelier?), um Mestre Cuca. Esse é Léo Antônio Perrucho Mittaraquis, 62 anos, um carioca de Paquetá, descendente de gregos, que aos seis anos foi morar em Vitória da Conquista, Bahia, e que em 1972 chegou &#8230;</p>
<p>O post <a href="https://www.sosergipe.com.br/critico-literario-leo-mittaraquis-literatura-e-filosofia-dialogam-intimamente-sao-campos-de-conhecimento-simbioticos/">Crítico literário Léo Mittaraquis: “Literatura e Filosofia dialogam intimamente; são campos de conhecimento simbióticos”</a> apareceu primeiro em <a href="https://www.sosergipe.com.br">Só Sergipe</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcritico-literario-leo-mittaraquis-literatura-e-filosofia-dialogam-intimamente-sao-campos-de-conhecimento-simbioticos%2F&amp;linkname=Cr%C3%ADtico%20liter%C3%A1rio%20L%C3%A9o%20Mittaraquis%3A%20%E2%80%9CLiteratura%20e%20Filosofia%20dialogam%20intimamente%3B%20s%C3%A3o%20campos%20de%20conhecimento%20simbi%C3%B3ticos%E2%80%9D" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcritico-literario-leo-mittaraquis-literatura-e-filosofia-dialogam-intimamente-sao-campos-de-conhecimento-simbioticos%2F&amp;linkname=Cr%C3%ADtico%20liter%C3%A1rio%20L%C3%A9o%20Mittaraquis%3A%20%E2%80%9CLiteratura%20e%20Filosofia%20dialogam%20intimamente%3B%20s%C3%A3o%20campos%20de%20conhecimento%20simbi%C3%B3ticos%E2%80%9D" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcritico-literario-leo-mittaraquis-literatura-e-filosofia-dialogam-intimamente-sao-campos-de-conhecimento-simbioticos%2F&amp;linkname=Cr%C3%ADtico%20liter%C3%A1rio%20L%C3%A9o%20Mittaraquis%3A%20%E2%80%9CLiteratura%20e%20Filosofia%20dialogam%20intimamente%3B%20s%C3%A3o%20campos%20de%20conhecimento%20simbi%C3%B3ticos%E2%80%9D" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcritico-literario-leo-mittaraquis-literatura-e-filosofia-dialogam-intimamente-sao-campos-de-conhecimento-simbioticos%2F&amp;linkname=Cr%C3%ADtico%20liter%C3%A1rio%20L%C3%A9o%20Mittaraquis%3A%20%E2%80%9CLiteratura%20e%20Filosofia%20dialogam%20intimamente%3B%20s%C3%A3o%20campos%20de%20conhecimento%20simbi%C3%B3ticos%E2%80%9D" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fcritico-literario-leo-mittaraquis-literatura-e-filosofia-dialogam-intimamente-sao-campos-de-conhecimento-simbioticos%2F&#038;title=Cr%C3%ADtico%20liter%C3%A1rio%20L%C3%A9o%20Mittaraquis%3A%20%E2%80%9CLiteratura%20e%20Filosofia%20dialogam%20intimamente%3B%20s%C3%A3o%20campos%20de%20conhecimento%20simbi%C3%B3ticos%E2%80%9D" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/critico-literario-leo-mittaraquis-literatura-e-filosofia-dialogam-intimamente-sao-campos-de-conhecimento-simbioticos/" data-a2a-title="Crítico literário Léo Mittaraquis: “Literatura e Filosofia dialogam intimamente; são campos de conhecimento simbióticos”"></a></p><blockquote><p>Por Antônio Carlos Garcia e Marcus Éverson Santos</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<span class="dropcap ">L</span>eitor voraz, crítico literário, filósofo, apreciador de bons vinhos (seria um sommelier?), um Mestre Cuca. Esse é Léo Antônio Perrucho Mittaraquis, 62 anos, um carioca de Paquetá, descendente de gregos, que aos seis anos foi morar em Vitória da Conquista, Bahia, e que em 1972 chegou a Aracaju, vindo num caçuá com os pais – Léo Mittaraquis e  Vilma Perrucho Mittaraquis – que decidiram aportar em terras sergipanas.  “Sou sobrinho de Lia Mittaraquis, artista plástica naïf, que figurou na Times”, diz. Em Conquista, foi vizinho “parede com parede, do menestrel medieval do Nordeste, Elomar Figueira Melo. Em Aracaju, compôs a música “As coisas do Caçuá”, com Sergival, que alcançou sucesso. <span class="highlight highlight-yellow">Em tempo: o termo francês naïf, segundo o dicionário, quer dizer aquilo que retrata simplesmente a verdade, a natureza sem artifício ou esforço.</span>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-74160 alignleft" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1-169x300.png" alt="" width="227" height="403" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1-169x300.png 169w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1-576x1024.png 576w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1-768x1365.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1-864x1536.png 864w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/pROMO-1.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 227px) 100vw, 227px" /></a><span class="highlight highlight-yellow">Na última terça-feira, 9 de janeiro, Léo passou a integrar a seleta equipe de articulistas do <strong>Portal Só Sergipe</strong>, com a coluna <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/yhvh-razao-transcendencia-e-redencao-na-poesia-de-mateus-machado/" target="_blank" rel="noopener">Leitura Crítica, quando fez uma análise de parte da obra do escritor paulista Mateus Ma’ch’adö.</a></span></strong></span>
<p>Autor dos livros “Versos Inviáveis” e “sob a régua do expediente”, Léo Mittaraquis pretende, com a coluna e a sua conta no Instagram da Leitura Crítica (@leo.mittaraquis), “promover a cultura literária, estimular a autoinstrução, recuperar a prática do confronto civilizado dos pontos de vista [divergentes] relacionados às leituras realizadas”, dentre outros.</p>
<p>Mestre em Educação pela Universidade Federal de Sergipe, em 2010, onde se graduou em Filosofia Licenciatura Plena (2007), Mittaraquis conta que ingressou “tarde” na academia, aos quarenta anos. Tentou o doutorado em Letras, mas não obteve êxito. “E a responsabilidade é toda minha, fui incapaz”, diz com uma fina ironia. Só que não é bem assim.</p>
<p>Ao ingressar na UFS, em 2007, Mittaraquis já possuía um vasto alicerce literário,  que remonta a sua tenra idade, pois cresceu cercado pelos volumes da &#8220;Larousse&#8221;, da &#8220;Mirador&#8221;, da &#8220;Biblioteca da Criança&#8221;. Aos oitos anos de idade, ganhou dois livros, com ilustrações em xilogravura, fundamentais: “Vinte Mil Léguas Submarinas” e “Viagem ao Centro da Terra”, de Júlio Verne. “Li e reli inúmeras vezes”, assegura.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Esta entrevista tem a participação do filósofo, mestre e doutor em Educação, Marcus Éverson Santos, “irmão de armas” de Mittaraquis, que o questiona, por exemplo, sobre a diferença entre Literatura e Filosofia. </span>Léo entende que “Literatura e Filosofia dialogam intimamente. São campos de conhecimento simbióticos”. Também pede uma análise sobre crítica literária, passa sobre Ulisses, obra de James Joyce, que Mittaraquis é um estudioso. “Mas, creio, não passo vergonha numa conversa sobre Ulisses em torno de algumas garrafas de vinho&#8221;, arremata.</p>
<p>Sobre os autores sergipanos que admira, Léo diz que é o tipo de pergunta que “só amigos fazem: armadilha sobre a qual saber saltar é necessário e estratégico”.</p>
<span class="highlight highlight-yellow">Leia a <strong>entrevista</strong>, divirta-se, aumente seu cabedal de conhecimentos e sabia como Léo saltou dessa “armadilha”</span>.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; O senhor mantém no Instagram, Leitura Crítica, e me chamou a atenção uma parte do enunciado no qual, entre outras coisas, cita “velharias”. Como ela combina com os demais enunciados? Seria interessante, incluir uma boa música?</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211; </strong>O termo &#8220;velharias&#8221; foi incluído de caso pensado. Aliás, como os demais que constituem o texto curto para apresentação do perfil. Refere-se, antes de tudo, à consciência que tenho de que eu e demais pessoas com percepção de mundo próximas da minha fazem parte de um espectro sociocultural em extinção. Sinto muita saudade dos tempos de antanho. Tempos nos quais a Alta Cultura não era [mal] vista, não era [mal] percebida como algo fútil, chato. Até mesmo uma animação, como Pernalonga, trazia referências inteligentes, até com certa complexidade. Tempo em que a série &#8220;Sitio do Picapau Amarelo&#8221; [versão de 1977] foi reconhecida pela Unesco como patrimônio cultural. Tempo de comerciais altamente criativos [dispondo-se, não raro, de poucos recursos]. E, principalmente, para mim, tempo em que uma criança, a partir dos dois anos, ouvia a leitura compassada, elegante, feita pelos dedicados cultos pais, dos textos relacionados à cultura geral, publicados em jornais, revistas e, evidentemente, nas coleções de livros adquiridas com muito sacrifício, pois, éramos pobres.</p>
<p>Cresci cercado por volumes da &#8220;Larousse&#8221;, da &#8220;Mirador&#8221;, da &#8220;Biblioteca da Criança&#8221; [na qual estavam incluídas, além dos contos e novelas, peças de teatro], da coleção &#8220;Tesouro da Juventude&#8221;. Aprendi, com amor e fascínio, consultar os pesados e maravilhosos quatro volumes do dicionário &#8220;Lelo Universal&#8221;.</p>
<p>Assisti, em companhia do meu extremoso pai, no cine Madrigal, em Vitória da Conquista, em 1969, à insuperável, no gênero, produção cinematográfica &#8220;2001 — Uma Odisseia no Espaço&#8221;.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Assisti, com a família, ao lançamento do Saturno V, pela televisão e meu pai construiu, com latas de óleo Castrol, uma réplica com o intuito de explicar funcionamento e finalidade.</span></p>
<p>Por volta dos oito anos, ganhei dois livros, com ilustrações em xilogravura, também fundamentais: &#8220;Vinte Mil Léguas Submarinas&#8221; e &#8220;Viagem ao Centro da Terra&#8221;. Li e reli inúmeras vezes.</p>
<p>Depois, mediante a presença atuante dos meus pais, tive acesso a outras publicações: &#8220;A Ilha do Tesouro&#8221;, &#8220;Robinson Crusoe&#8221;&#8230;</p>
<p>Não me alongarei mais. Passaria horas e horas a responder somente a esta primeira pergunta.</p>
<p>E nem incluí a boa música. Iria de Pixinguinha, Jorge Ben [das antigas], Pink Floyd. Passaria pelos mestres do blues e do jazz, chegaria a compositores denominados clássicos, com predileção por Bach, Brahms, Vivaldi, Borodin, Mozart, Erik Satie entre outros.</p>
<p>No perfil há limitação de caracteres. Optei pelas &#8220;velharias&#8221;.</p>
<p>Porém, creio que proporcionei, nesta resposta, uma ideia razoável do significado subjetivo, transcendental, diria até, do termo &#8220;velharias&#8221;.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Embora possa parecer redundante, pelo próprio título, qual o objetivo da Leitura Crítica?</strong></p>
<p><strong> </strong><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> O termo &#8220;crítico&#8221; [no feminino, crítica] tem sua etimologia em termos como separar, peneirar, julgar. &#8220;Leitura&#8221;, vem do Latim &#8220;legere&#8221;, e tem relação com atividades como eleger, colher, selecionar. Há quem diga que remonta a expressões ligadas à agricultura. Então, vejamos só, há algo de atávico, digamos assim, no exercício do criticar. Revolver e preparar a terra. Plantar, irrigar e colher.</p>
<p>Há que proceder com o julgamento do objeto em questão. No meu caso, no tocante ao perfil, às produções literárias, viso promover a cultura literária; estimular a autoinstrução; recuperar a prática do confronto civilizado dos pontos de vista [divergentes] relacionados às leituras realizadas; levar a efeito o trânsito investigativo [estético, reflexivo — pelo viés materialista e dialético, vale dizer, produção de cultura como produção humana] pelo macrocampo das Humanidades. Todavia sem me afastar in toto da condição transcendente.</p>
<p>Penso, sem perder o senso, e dizendo, no entanto, que talvez haja algo de exequível nesta proposta.</p>
<figure id="attachment_74153" aria-describedby="caption-attachment-74153" style="width: 426px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/Design-sem-nome-49.png"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-74153" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/Design-sem-nome-49-300x250.png" alt="Léo Mittaraquis" width="426" height="355" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/Design-sem-nome-49-300x250.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/Design-sem-nome-49.png 600w" sizes="auto, (max-width: 426px) 100vw, 426px" /></a><figcaption id="caption-attachment-74153" class="wp-caption-text">Amante da cozinha e de um bom vinho</figcaption></figure>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Também me chamou a atenção, seus conhecimentos em culinária e vinhos. Seria um casamento perfeito? </strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Sem dúvidas. A Literatura aborda, com frequência, a arte culinária. Como também os vinhos. &#8220;Almas Mortas&#8221;, de Gogol; &#8220;Em Busca do Tempo Perdido&#8221;, de Proust; &#8220;A Montanha Mágica, de Mann; &#8220;Rua das Ilusões Perdidas&#8221;, de Steinbeck; &#8220;Ilíada&#8221; e &#8220;Odisseia&#8221;, de Homero; &#8220;O Nome da Rosa&#8221;, de Eco; &#8220;Comédia Humana&#8221;, de Balzac&#8230;</p>
<p>Nessa pequena e injusta lista, comida e vinho desempenham algum papel em maior ou menor grau.</p>
<p>E, sim, amo cozinhar. Penso que cozinho bem. A esposa gosta, os amigos gostam. Amo o espaço da cozinha.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Na última terça-feira, o senhor estreou no Portal Só Sergipe e fez uma análise profunda sobre o escritor Mateus Ma’ch’adö.  Como está a preparação para os próximos artigos?</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS</strong> &#8211; Abordar o livro &#8220;YHVH&#8221;, de Mateus Ma&#8217;ch&#8217;adö, foi [e ainda está a ser, pois, estou a lidar com a segunda e última parte do artigo], foi, como bem descreveu João Ubaldo Ribeiro, &#8220;trabalho de estivador&#8221;.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">E nem sei se consegui chegar próximo da excelência da obra.</span></p>
<p>Quanto aos próximos artigos, creio que escreva sobre um autor sergipano. Penso que me moverei assim: entre os clássicos e os contemporâneos; entre literatura de pertinho e produções doutras plagas.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; O senhor é crítico literário e essa condição me remete a uma pergunta. Na sua opinião, o brasileiro é um bom leitor ou está longe disso?</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS</strong> &#8211; Quanto ao hábito da leitura, no Brasil, há leitores altamente qualificados [comprometidos com as implicações de uma leitura atenta, densa, profunda]; leitores que só desejam ler, sem maiores complicações [considero isso tocante e legítimo]; os maus leitores [ironicamente pululam entre os que se arrogam acadêmicos, intelectuais] e os muitos que simplesmente não gostam de ler. E estão no direito deles de não gostar. Não tenho inclinação alguma ao panfletário.</p>
<p>Mas, algo que já verifiquei, o descaso para com a boa leitura, não é privilégio do Brasil. EUA e Europa seguem, neste sentido, ladeira abaixo, com, é claro, as devidas exceções.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Ao falar de leitura, recordo-me de uma frase polêmica do escritor italiano Umberto Eco, em 2015, na Universidade de Torino. Ele disse que “a internet deu voz a uma legião de imbecis”.  Há muitas críticas que, em alguns casos, a internet é terra sem dono onde cada um fala o que quer. Essa frase de Umberto ainda ecoa?</strong></p>
<p><strong> </strong><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Ecoa em alto e bom som. E ecoará cada vez mais. Contudo, apesar de concordar com Eco, sempre mantive uma percepção realista e prática da Internet. A vejo como um amplificador de males que já existiam e que, face à natureza mesma da Internet, foram exponenciados. Mas, desejo frisar, há boas fontes de conhecimento em diversas áreas na Internet. Depende, então, de quem está a buscar o quê.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – O senhor é autor do livro Versos Inviáveis, que está à venda no Amazon.</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong>   Sim, Versos Inviáveis é um livreco, o qual, por excesso de falta de dinheiro, não tive como materializá-lo em papel e tinta. E, até onde sei, está à venda por dois contos. Penso que os poemas ali reunidos não são de todo ruins. Também sou autor de &#8220;Sob a Régua do Expediente&#8221;, este em papel. Até que foi bem recebido.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-74168 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-6-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Léo, conte-nos um pouco sobre sua trajetória acadêmica.</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Ingressei tarde na universidade. Ali pelos quarenta anos, creio. Até então, minha formação fora, quase que em sua totalidade, autodidata.</p>
<p>Não porque eu defendesse esse tipo de aprendizagem. Coisas da vida mesmo. Altos e baixos, como diria Jorge Luís Borges, nesta imensa confusão que é a existência.</p>
<p>Mas, aos trancos e barrancos, aprendi algumas coisas. Provavelmente o que me ajudou neste processo foi minha paixão pela leitura.</p>
<p>Ao ingressar, meu lastro literário, teórico possuía já alguma densidade.</p>
<p>Como aluno, na academia, fui do medíocre ao razoavelmente bom. Tanto durante a graduação como durante o mestrado. Muitas vezes cometi erros infantis, inclusive no que concerne às estratégias para sobreviver naquele ambiente.</p>
<p>Mas houve coisa boa: amizades maravilhosas que firmei, tanto entre colegas como entre professores.</p>
<p>Mas, no geral, minha atuação como aluno e, depois, como professor, ficou longe de ser uma Brastemp.</p>
<p>Por sinal, tentei, há coisa de dois anos, o doutorado para Letras. Não obtive êxito. E a responsabilidade é toda minha, fui incapaz. Aproveito, então, por respeito às normas da SUNAB, e aviso, aos que porventura se ponham a seguir-me, que sou mercadoria avariada e próxima ao final do prazo de validade. Assim, ninguém sentir-se-á enganado. Quem comprar o produto, o fará sabendo das deficiências.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-74191 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-2-1-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Se tivesse que escolher entre a filosofia e a literatura, qual dentre essas duas você se sente mais atraído?</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS</strong> &#8211; Não há distinção em termos de importância, para mim, entre as duas áreas. Literatura e Filosofia dialogam intimamente. São campos de conhecimento simbióticos.</p>
<p>Basta ler um Nietzsche, um Pascal, para perceber a Poesia. E o que dizer do extraordinário Merleau-Ponty? &#8220;A Prosa do Mundo&#8221; é uma das minhas leituras recorrentes.</p>
<p>E ao lermos Musil? Eis nele algo do legado de Arthur Schopenhauer, na minha percepção. E quanto a Hermann Broch? Autor do monumental, &#8220;Os Sonâmbulos&#8221;? Dialogou direta ou indiretamente com Wittgenstein, Karl Kraus e Sigmund Freud — ainda que, em relação a este último, eu vivo às turras, pois, o conceito de &#8220;inconsciente&#8221; é misterioso para mim. Quanto a isto, sou um bocó.</p>
<p>Devo, no entanto, ressaltar que esta é a minha perspectiva. Estou, como sempre, à disposição para receber percepções divergentes.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Como você avalia o conceito de &#8220;Gênio&#8221; segundo o crítico literário Harold Bloom?</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Há uma frase muito antiga, que li aos doze ou treze anos, salvo engano: &#8220;ninguém sabe realmente como a mente de um gênio funciona&#8221;. Pode ser que haja algo de romântico nisso. Mas não deixa de ser interessante para uma reflexão ao final de uma tarde fresca, com uma garrafa de Montrachet.</p>
<p>Harold Bloom está entre os pensadores que ratificam minha condição intelectual. Ao lê-lo, percebo-me tolo, estúpido, estulto e abestado. Ou seja, sou o radical oposto do que seria um gênio. Sei pouco, oh céus, muito pouco. E este pouco não sei bem pra que serve.</p>
<p>Quanto ao conceito mesmo de &#8220;gênio&#8221;, recomendável, antes de tudo, lembrar que o próprio Bloom observa que Bloom confessa que a sua escolha é totalmente arbitrária e que representa uma idiossincrasia.</p>
<p>Sua perspectiva, portanto, é assumidamente particular. Entretanto, quem não se identificaria com a lista bloomiana?</p>
<p>Quem discordaria de alguns dos nomes por ele elencados? Claro, não vamos mistificar, sempre há a possibilidade. Mas creio que não será longa a fila de discordantes.</p>
<p>Fascina-me à larga, parte do conceito que o gênio do momento, para consolidar sua posição, luta para superar, transcender e continuar o trabalho do gênio anterior.</p>
<p>Sou extremamente simpático a essa percepção. E razão literária, esta que adoto, compreende esta dialética: construir um sistema, elaborar uma crítica é, sempre, construir e elaborar contra alguém ou contra outras culturas.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Como você avalia a crítica literária nos dias atuais? Você segue alguma escola? Qual? </strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Não posso afirmar que sigo. Apesar de buscar manter-me atualizado até certo ponto. Pois há coisas que não me interessam.</p>
<p>Tenho me valido do materialismo filosófico, a partir da obra de Gustavo Bueno, aplicado à crítica da razão literária. A produção literária como produção cultural, portanto, humana, histórica e socialmente localizada, constituída de autor, obra, leitor e intérprete. E, queiramos ou não, ideologizada. No que concerne a esta condição, a este fenômeno, podemos e devemos também aplicar a lente taxonômica.</p>
<p>Sou também simpático à perspectiva crítica de Alfred Kazin, o qual sempre alertou quanto aos riscos de se ler mal e julgar mal uma obra a partir de conexões totalmente arbitrárias, formuladas num vocabulário crítico mecânico, sem o senso estético pessoal devidamente fundamentado. Kazin faleceu no final do século passado, mas suas observações continuam pertinentes. E comentamos, aqui, nesta entrevista, sobre o pensamento crítico de Bloom, alguém de quem não podemos, de forma alguma, nos esquecer.</p>
<p>Levo em consideração, também, a abordagem crítica e histórica de Paul Fry.</p>
<p>Mas não largo mão das minhas leituras outras: Guilherme Merquior, Augusto Meyer, Afrânio Coutinho, Susan Sontag, I. A. Richards [meu caso perene de amor com a respectiva teoria crítica], Pierre Bourdieu, o grande Almeida Fischer e Davi Arrigucci Jr.</p>
<p><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-74190 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2024/01/minha-Imperatriz-Absoluta-do-Meu-Coracao-3-1-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a></p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Quais são os seus próximos projetos? </strong></p>
<p><strong>L</strong><strong>ÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> Meu projeto, isto é, minha intenção, é levar adiante este projeto, o Leitura Crítica. A idade provecta previne-me quanto a ir devagar com o andor que o santo é de barro. No mais viver e deixar viver.</p>
<p>Beber bons vinhos, fumar bons fumos, contar com os leais amigos. Continuar a ler e ler, revisitando, sempre, os clássicos. <span class="sigijh_hlt">Dedicar-me à minha Imperatriz Absoluta do Meu Coração, Iara. Devo muito a ela. Sempre a apoiar-me, sempre ao lado.</span></p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Quem dentre os escritores sergipanos você mais aprecia? </strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS &#8211;</strong> É o tipo de pergunta que só amigos fazem: armadilha sobre a qual saber saltar é necessário e estratégico.</p>
<p>Desde já, ao citar uns e não citar outros, cometerei, ainda que involuntariamente, injustiças. Resta-me contar com a compreensão dos não citados.</p>
<p><span class="sigijh_hlt">Eis então: Célio Nunes, Alberto Carvalho, Renato Mazze Lucas, Jackson da Silva Lima, Antônio Carlos Viana, Petrônio Gomes, Santo Souza, Ronaldson, Jozailto Lima, Marcelo Ribeiro, Wagner Ribeiro, Sílvio Romero, Jeová Santana, Francisco Dantas, Newman Sucupira&#8230; Ufa!</span></p>
<p>Apelo para minha terceira idade e ao prenúncio de senilidade, e rogo indulgência ante o esquecimento doutros.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Conte-nos um pouco sobre sua trajetória de estudos sobre o Ulisses, de James Joyce.</strong></p>
<p><strong>LÉO MITTARAQUIS  &#8211;</strong> Amor antigo, amor sofrido. Com direito ao mútuo mandar às favas: eu ao autor, o autor a mim.</p>
<p>Ulisses foi, é e sempre será um desafio à leitura e, muito mais, à crítica. E sei da minha insuficiência intelectual diante desta obra. Imaginem que até mesmo Carpeaux desistiu de continuar a decifrar a esfinge joyceana. Não por falta de competência. No caso de Carpeaux, foi saco cheio, mesmo.</p>
<p>Penso que, no que me diz respeito, ter lido disciplinadamente o livro, página a página, recorrendo a fontes autorizadas ao encontrar obstáculos, de início, aparentemente intransponíveis, já foi um feito e tanto. Ao concluir a leitura [leitura que se repetiria dali em diante] pela primeira vez, sabia que, a partir daquele instante, passara a fazer parte do segmento que, de fato, lera Ulisses na íntegra.</p>
<p>Não estou a afirmar, com isto, que compreendi muito bem a obra. Mas, creio, não passo vergonha numa conversa sobre Ulisses em torno de algumas garrafas de vinho.</p>
<p>Na minha modesta opinião, vale a pena o esforço.</p>
<p>&nbsp;</p>
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