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	<title>Arquivo para Angola - Só Sergipe</title>
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	<description>Notícias de Sergipe levadas a sério.</description>
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		<title>“A poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas”, acredita o escritor Germano Xavier</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Jul 2021 09:00:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“É urgente redesenhar o nosso percurso enquanto coletividade, enquanto humanidade”, ensina o escritor Germano Xavier, responsável pela coluna Literatura&#38;Afins, aqui no Portal Só Sergipe, que acaba de lançar seu segundo livro “O Homem Encurralado” (Penalux,2021), uma coletânea de 51 poemas, todos também traduzidos para o idioma francês. Ao pedir urgência no redesenhar do percurso, o &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a class="a2a_button_whatsapp" href="https://www.addtoany.com/add_to/whatsapp?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="WhatsApp" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_facebook" href="https://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="https://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="Gmail" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_button_telegram" href="https://www.addtoany.com/add_to/telegram?linkurl=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&amp;linkname=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" title="Telegram" rel="nofollow noopener" target="_blank"></a><a class="a2a_dd addtoany_share_save addtoany_share" href="https://www.addtoany.com/share#url=https%3A%2F%2Fwww.sosergipe.com.br%2Fa-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier%2F&#038;title=%E2%80%9CA%20poesia%20sempre%20ser%C3%A1%20uma%20esp%C3%A9cie%20de%20vacina%20contra%20todas%20as%20dores%20humanas%E2%80%9D%2C%20acredita%20o%20escritor%20Germano%20Xavier" data-a2a-url="https://www.sosergipe.com.br/a-poesia-sempre-sera-uma-especie-de-vacina-contra-todas-as-dores-humanas-acredita-o-escritor-germano-xavier/" data-a2a-title="“A poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas”, acredita o escritor Germano Xavier"></a></p><p>“É urgente redesenhar o nosso percurso enquanto coletividade, enquanto humanidade”, ensina o escritor Germano Xavier, responsável pela coluna <strong>Literatura&amp;Afins</strong>, aqui no <strong>Portal Só Sergipe</strong>, que acaba de lançar seu segundo livro “O Homem Encurralado” (Penalux,2021), uma coletânea de 51 poemas, todos também traduzidos para o idioma francês. Ao pedir urgência no redesenhar do percurso, o escritor nascido em Iraquara, Bahia, na bela Chapada Diamantina, lamenta que hoje, assolados por uma pandemia que “atingiu as pessoas com tentáculos diferentes”, segue pensando no grande motor que “move o Grande Tumor e a Grande Catástrofe”. Mas, ao mesmo tempo em que faz essa constatação, ele apresenta o elixir para a cura de todos os males: a  “poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas”.</p>
<p>No resguardo em casa, em Caruaru, Pernambuco, durante essa pandemia – que insistentemente vai permanecendo -,  Germano teve a oportunidade de encontrar-se consigo mesmo. “Olhei mais para mim, mas olhei mais para os outros que compõem o todo da vida. Consegui ler mais e melhor. A pandemia atingiu as pessoas com tentáculos diferentes”, analisa o poeta, que também pensa “nas pessoas que não tiveram a oportunidade de parar um pouco, de ficar mais em casa, que não tiveram suas rotinas alteradas, que tiveram de continuar em suas prisões sistêmicas e diárias”.</p>
<p>Essas reflexões, em forma de poesia, estão  n’<strong>O Homem Encurralado</strong>, que faz parte de uma trilogia que está sendo gestada por Germano Xavier, cuja intenção é publicar o segundo livro em 2022.  Em 2006, o escritor, que é jornalista e mestre em Letras, publicou seu primeiro compêndio poético, Clube do Carteado, que para ele representou “um movimento de rebeldia, de nascedouro, de rompimento com a casca da vida literária”.</p>
<p>Leitor voraz e dono de uma  biblioteca rica de saberes, <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="http://nstagram.com/germanovianaxavier/">Germano</a></span></strong> lembra dos primeiros livros que chegaram às suas mãos: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-​Exupéry, e Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, os quais decifrou e devorou. A partir daí não parou mais de mergulhar nas mais variadas leituras, passando pelas obras de Gabriel Garcia Marquez, o inigualável Gabo, com seu realismo fantástico em Cem Anos de Solidão, aos brasileiros Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade, só para citar alguns dos seus companheiros de leitura. Ultimamente, Germano tem se dedicado à literatura contemporânea e também a livros cujos autores são negros.</p>
<figure id="attachment_41955" aria-describedby="caption-attachment-41955" style="width: 345px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483.png"><img decoding="async" class="wp-image-41955 " src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-300x300.png" alt="" width="345" height="345" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T205722.483.png 1080w" sizes="(max-width: 345px) 100vw, 345px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41955" class="wp-caption-text">Blog O Equador das Coisas Foto: acervo pessoal</figcaption></figure>
<p>Idealizador e  mantenedor do blog <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="http://oequadordascoisas.blogspot.com/">O Equador das Coisas</a></span></strong>, Germano Xavier também tem um canal literário homônimo na plataforma <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.youtube.com/user/Germanovianaxavier">YouTube</a></span></strong>.</p>
<p>Esta semana Germano Xavier concordou em conceder uma entrevista ao <strong>Só Sergipe</strong> para falar um pouco de literatura e de  seus projetos. Na entrevista deste domingo existem duas novidades: a primeira é que a conversa com Germano também contou com a participação do jornalista e psicólogo <strong>Luís Osete Ribeiro Carvalho</strong> que, inclusive, faz a apresentação do livro “O Homem Encurralado”, <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/germano-xavier-lanca-seu-segundo-livro-de-poemas/">que pode ser lido clicando aqui.</a></span></strong> A segunda é a escritora luso-angolana <strong>Luísa Fresta,</strong> responsável por traduzir os poemas do livro para o francês, que também conversou com o <strong>Só Sergipe </strong> logo após a papo com Germano. E lá o leitor encontrará uma surpresa.</p>
<p>Vamos à entrevista.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Quais foram as suas motivações para retomar o formato do livro impresso com O Homem Encurralado, quinze anos depois de seu primeiro compêndio poético, Clube de Carteado? </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> Eu queria um recomeço. O Clube de Carteado (2006) representou um movimento de rebeldia, de nascedouro, de rompimento com a casca da vida literária. Era eu me descobrindo, me abrindo, me permitindo, me analisando. Porém, o livro é um apanhado de poemas que escrevi ainda na adolescência. Há poemas nele datados de 1998, para se ter uma ideia, de quando eu tinha 14 ou 15 anos de idade. Já com O Homem Encurralado (Penalux, 2021) foi diferente. O livro é um movimento só. Os 15 anos entre os dois, sem dúvida, ficam bem aparentes quando se faz alguma espécie de comparação.</p>
<p><strong><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-41938 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n.jpg" alt="" width="1944" height="1960" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n.jpg 1944w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-298x300.jpg 298w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-1016x1024.jpg 1016w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-150x150.jpg 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-768x774.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/81981537_3339772049428910_1787207471790555136_n-1523x1536.jpg 1523w" sizes="(max-width: 1944px) 100vw, 1944px" /></a>SÓ SERGIPE &#8211; Em O Homem Encurralado o sujeito poético expressa de forma muito intensa as faíscas trêmulas e recolhidas provenientes do contato de cada ser vivente com a beleza e os dissabores do mundo. Como foi a experiência de mergulhar na intimidade humana ao elaborar a poética presente no livro? </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER</strong> <strong>–</strong> O livro nasceu de um diálogo poético muito poderoso e significativo para mim. A falta de liberdade (ou a liberdade) pode ser considerada como sendo a temática-mor d’O Homem Encurralado. Aquele nosso universo repleto de fragilidades e temores, de medos, trancas e pesos, encarceramentos cotidianos, mas também um universo de esperanças várias, sempre me tocaram profundamente. Liberdade, tempo, amor,  morte, vida&#8230; tais grandezas humanas sempre foram e sempre serão motivações para o que escrevo. Aos poucos, fui sendo atraído pela ideia de um segundo livro. E, de uma hora para outra, ele surgiu. E surgiu em uma configuração de trilogia, a ser desenvolvida e finalizada nos próximos anos.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211;</strong> <strong>Durante a leitura, somos ambientados em nosso tempo pandemicamente enfermo, como tão bem observou Regina Correia no posfácio. Há referências às “vacinas invisíveis para o incurável”, ao “invisível vírus a castigar o corpo natural das coisas”, à “pandêmica existência construída em nadas”, entre tantos vestígios da “grande catástrofe” contemporânea. De que modo o seu fazer literário foi influenciado e atravessado por esse período de pandemia e quais lições poéticas foram possíveis assimilar até o momento?  </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER</strong> – Tive a oportunidade de me resguardar em casa durante a maior parte do tempo. A pandemia me colocou, novamente, em observação constante. Reparei em tantas minúcias que não andava a reparar mais. Uma espécie de redescobrimento das coisas e de suas mecânicas, de suas engrenagens, mesmo sendo um movimento forçado e doloroso. Olhei mais para mim, mas olhei mais para os outros que compõem o todo da vida. Consegui ler mais e melhor. A pandemia atingiu as pessoas com tentáculos diferentes. Fico pensando nas pessoas que não tiveram a oportunidade de parar um pouco, de ficar mais em casa, que não tiveram suas rotinas alteradas, que tiveram de continuar em suas prisões sistêmicas e diárias. Fico pensando no grande motor que move o Grande Tumor e a Grande Catástrofe. A poesia sempre será uma espécie de vacina contra todas as dores humanas. Eu não vou sair ileso da pandemia. Fui marcado para sempre.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211;</strong> <strong>É difícil escapar ao encurralamento que emula os cinquenta e um poemas da obra, sobretudo porque as nossas fragilidades nunca estiveram tão expostas e viver encurralado tem sido fator sine qua non da nossa condição humana. Não por acaso, entre as dedicatórias do livro, estão ao autor e aos leitores, “homens encurralados, todos nós, sem exceção alguma”. Quais seriam, em sua opinião, os caminhos humanitários possíveis para criar fissuras nos currais e construir o homem libertado?  </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER</strong> – Criar a fenda essencial para se enxergar além dos muros é um desafio colossal no mundo contemporâneo. As amarras estão por todos os cantos e o homem está cada vez mais habituado a conviver com elas. Um fenômeno de inversão em tal panorama é algo que precisa partir de um grande bloco ideário, de uma imensa comunidade de pessoas, de uma unidade ampla de esclarecimentos. O mundo precisa mudar, a política precisa mudar, a vida precisa mudar. A gente precisa mudar. Mais diálogo e mais empatia ajudariam. Mais respeito pelas diferenças, mais solidariedade, mais acessibilidade, mais entendimento, menos guerras, menos consumismos, menos muitas outras coisas. Estamos à beira do precipício. Não podemos negar. Os oceanos já nos informam isso há bastante tempo. As geleiras, os raios solares cada vez mais fortes, o clima, os animais extintos, a natureza que clama. O homem está encurralado em currais de ódio, de ganância, de opressão, de violência&#8230; É urgente redesenhar o nosso percurso enquanto coletividade, enquanto humanidade.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; O Homem Encurralado é apresentado como a primeira parte da Trilogia do Centauro, que seguirá em edição bilíngue, na frutífera parceria com Luísa Fresta. O que é possível adiantar dos dois próximos livros que serão lançados? </strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> O Homem Encurralado é a primeira parte de um projeto poético bilíngue que estou a construir ao lado da escritora e tradutora luso-angolana Luísa Fresta, amiga e parceira literária de longa data. Os próximos dois livros da trilogia ainda não foram finalizados, apenas pensados. Estou realizando um movimento de reescrita com poemas já existentes e escrevendo outros. Haverá uma unidade temática predominante, mas diferente da que foi aplicada em O Homem Encurralado. A ideia é lançar a segunda parte ainda em 2022. Depois disso, pensarei no terceiro. O certo mesmo é que os três conversarão entre si.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Há, também, projeto para publicar o livro de contos Sombras Adentro, finalista do IV Prêmio Pernambuco de Literatura, de 2016?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> Sim. Penso que num futuro não muito distante voltarei ao Sombras Adentro, que foi belissimamente ilustrado pelo meu conterrâneo Marcel Gama e diagramado pela incrível Carol Piva. Reajustá-lo talvez seja necessário, mas realmente quero que um dia ele ganhe o mundo.</p>
<figure id="attachment_41959" aria-describedby="caption-attachment-41959" style="width: 300px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-41959 size-medium" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-300x300.png" alt="" width="300" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-300x300.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-1024x1024.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-150x150.png 150w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624-768x768.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T214214.624.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41959" class="wp-caption-text">Germano em Portugal num encontro com Luísa Fresta e a irmã Zeza Fresta,  em 2020 Foto: acervo pessoal</figcaption></figure>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>Como nasceu essa parceria frutífera com Luísa Fresta? Alguma razão especial para a escolha na língua francesa?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> Conheci Luísa Fresta por advento das redes sociais, tem já bem uma década. Uma entidade. Uma pessoa incrível. Coração muito humano e mente muito pulsante. Luísa nasceu em Portugal, estudou um tempo na França, morou em Angola, é uma mulher do mundo. A comunidade francófona sempre esteve em seus caminhos. Um dia ela me mostrou, sem antes me avisar, um poema meu traduzido para o francês. Começou assim. A ideia que tenho é antes a de um laboratório mesmo, de um laboratório poético. E, por consequência, conquistar leitores interessados em projetos desta natureza.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>O senhor é um leitor voraz. O senhor lembra do primeiro livro que leu e que mundo começou a descobrir a partir daquela leitura?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER </strong>– Lembro. Posso recordar fielmente do momento e dos dois primeiros livros que li na vida. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-​Exupéry, e Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos. Naquela época, minha cidade de origem não dispunha de biblioteca. Meu pai possuía livros, mas eram em sua maioria livros técnicos da área odontológica ou grandes coleções com temáticas específicas. Minha família não era muito dada à literatura em si. Coube a mim, ainda com menos de 10 anos de idade, começar a abrir picadas no matagal literário. Livreiros e mascates passavam com certa frequência oferecendo livros e almanaques. Foi assim que entrei em contato com esses livros. Daí em diante, um vasto mundo de possibilidades me surgiu. É um caminho sem volta. Com 15 anos já lia Dante, Cervantes, Melville&#8230; não parei mais.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>Quais são seus escritores e poetas prediletos? Charles Baudelaire, considerado pai do simbolismo e autor de Flores do Mal, é um deles?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> As Flores do Mal li na época em que morei no Vale do São Francisco, na plenitude de minha juventude. Rimbaud, Victor Hugo, Guy de Maupassant, Émile Zola e mais adiante, na faculdade, Mallarmé, foram algumas referências francesas que me acompanharam por muito tempo, e que ainda me causam rebuliços. Borges ainda é a maior das entidades literárias para mim. Através dele, cheguei aos grandes da América Latina: Gabo, Benedetti, Cortázar e tantos outros. No Brasil, preciso citar Drummond, João Cabral, Gullar, Bandeira, Manoel de Barros, Castro Alves, Clarice, Raquel, Hilda, Jorge de Lima, Patativa, Rosa, J.J. Veiga&#8230; é impossível citar todos que me marcaram eternamente. O Brasil tem uma seara vastíssima de grandes escritores e escritoras. Ultimamente tenho me voltado mais para a literatura contemporânea e também para livros de escritores negros. Estou descobrindo bons nomes.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –</strong> <strong>Desde 2007 o senhor comanda o blog “O Equador das Coisas” que já tem mais de 2.100 textos publicados. Como nasceu o portal e qual objetivo dele?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> A ideia do blog O Equador das Coisas nasceu durante uma aula na faculdade de jornalismo. Nele comecei a divulgar meus textos. Passados 14 anos, o meu blog segue vivo e terminou se ramificando para um jornal literário impresso e um canal literário homônimo na plataforma YouTube, onde conto com a colaboração de alguns amigos e amigas. Há também um blog coletivo. Todos esses suportes, bem como as minhas redes sociais, objetivam, de algum modo, aproximar leitores da literatura e vice-versa.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE </strong>– <strong>O senhor já encontrou ou está próximo do equador de todas as coisas?</strong></p>
<p><strong>GERMANO XAVIER –</strong> De todas as coisas, ainda não. Por isso, sigo escrevendo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> <div class="box success  "><div class="box-inner-block"><i class="fa tie-shortcode-boxicon"></i>
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<h2 style="text-align: center;">&#8220;Eu vejo-o como um autor perfecionista e cerebral&#8221;, diz Luísa Fresta sobre a obra de Germano Xavier</h2>
<figure id="attachment_41939" aria-describedby="caption-attachment-41939" style="width: 225px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-41939" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-225x300.jpeg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-225x300.jpeg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-768x1024.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17-1152x1536.jpeg 1152w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/WhatsApp-Image-2021-07-08-at-12.09.17.jpeg 1439w" sizes="auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41939" class="wp-caption-text">Escritora Luísa Fresta</figcaption></figure>
<p>A escritora luso-angolana, <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.instagram.com/luisafresta/">Luísa Fresta</a></span></strong>, foi a responsável por traduzir do português o livro O Homem Encurralado (em francês, L’Homme Acculé), o que não foi  uma tarefa fácil, tarefa que começou “por puro prazer e bem devagar”. E ao fazê-lo, Luísa vê o escritor Germano Xavier como “um autor perfecionista e cerebral, o que não invalida de modo algum a sua capacidade de transmitir e recriar emoções vibrantes, mas de uma forma contida, implícita, subtil, quase austera”.</p>
<p>Luísa está pronta para continuar as traduções da trilogia de Germano Xavier. “É essa a minha intenção, e fá-lo-ei com muito gosto e determinação, desde que o autor continue a confiar na minha intuição e métodos, que têm um papel importante neste trabalho intimista e desde que essa escolha não belisque o belíssimo texto original”.</p>
<p>Ela viveu a maior parte da juventude em Angola e reside em Portugal desde 1993. É autora de uma série de crônicas sobre as décadas de 70/80, publicada no Jornal Cultura – Jornal Angolano de Artes e Letras, em Luanda.  Seus mais recentes livros são “A fabulosa galinha de Angola”, literatura infanto-juvenil, e <strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="http://www.mallarmargens.com/2021/05/sapataria-e-outros-caminhos-de-pe-posto.html">&#8220;Sapataria e outros caminhos de pé posto”</a></span></strong>, um livro de contos.</p>
<p>Leia aqui alguns textos de Luísa Fresta, como &#8220;<strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.buala.org/pt/afroscreen/alda-e-maria-por-aqui-tudo-bem-um-filme-de-pocas-pascoal">Alda e Maria – por aqui tudo bem&#8221; &#8211; um filme de Pocas Pascoal</a></span></strong></p>
<p class="title entry-title"><strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://ogazzeta.blogspot.com/2018/07/filhos-de-deus-contos-e-monologos-de.html">Filhos de Deus, Contos e Monólogos &#8211; de Dina Salústio</a></span></strong></p>
<p>O <strong>Só Sergipe</strong> manteve as respostas de Luísa no português falado em Portugal.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – A senhora integra o projeto de Germano Xavier e traduziu para o francês os poemas do livro ‘O Homem Encurralado’. Como foi essa tarefa, já que tradução, principalmente de poemas, não é algo simples?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong>  Deixe-me, antes de mais, agradecer a oportunidade de tecer algumas considerações sobre esta obra. A tradução deve ser invisível, idealmente, e por arrasto o tradutor acaba por sê-lo também, pelo menos é assim que eu encaro este ofício.</p>
<p>Respondendo diretamente à sua pergunta confirmo que não se trata de uma tarefa fácil, mas pode ser facilitada. Tratando-se de poesia creio que há fatores específicos a ter em conta. Para além de tentar levar a mensagem do poeta a outro público, aos leitores francófonos, no caso, pretende-se que a essência se mantenha, o ritmo, a beleza, a rudeza, enfim, traduzir “sem atraiçoar” resulta de um conjunto de escolhas em cada texto, a cada verso. Os leitores julgarão se foram as mais adequadas em cada momento. Em todo o caso posso dizer-lhe que o facto de conhecer o autor há alguns anos e de acompanhar de muito perto a sua obra (em poesia e em prosa) permitiu-me talvez perceber melhor a sua intenção nestes textos intensos, despojados e também cheios de sombras, como a própria condição humana.</p>
<p>Por outro lado eu fui traduzindo aos poucos, praticamente à medida que os poemas foram sendo revelados, e esse sistema levou-me a contornar gradualmente as dificuldades sem conhecer, à partida, o tamanho da empreitada. Não sei se o próprio autor tinha noção da dimensão desta série de poemas, em termos quantitativos e de intensidade. Eu comecei a traduzi-los por puro prazer e bem devagar, de maneira que consegui conservar alguma serenidade — que não se tem quando se traduz sob pressão, com prazos apertados e autores que não conhecemos.</p>
<p>Surgiram algumas dúvidas pelo caminho, no texto em português (nomeadamente pelo facto de eu não ser brasileira e também devido ao carácter hermético e simbólico de algumas expressões), dúvidas que foram prontamente esclarecidas pelo Germano. Também tive algumas interrogações sobre pormenores da versão francesa; para ultrapassar esses obstáculos usei métodos convencionais ou mais criativos. Inclusive o recurso a aconselhamento pontual de outros tradutores e amigos professores que são falantes nativos de francês.</p>
<figure id="attachment_41961" aria-describedby="caption-attachment-41961" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-41961 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783.png" alt="" width="1000" height="600" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783.png 1000w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783-300x180.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Design-sem-nome-2021-07-10T215509.783-768x461.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41961" class="wp-caption-text">O Homem Encurralado, traduzido para o francês</figcaption></figure>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Na tradução para o francês, a senhora diz que “procuramos outra voz para expressar o mesmo ambiente”. Nessa busca a senhora percebe uma musicalidade nos poemas?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong> Com certeza. A poesia de Germano tem ritmo de sobra e também melodia, a gente percebe isso mais claramente quando a lê em voz alta. Eu fico sempre fascinada quando vejo o gráfico de um áudio porque sou confrontada com a harmonia que existe no texto (dele): as pausas, os sons mais agudos ou mais graves. Esta percepção é meramente sensorial, mas creio que até uma pessoa que não entenda a nossa língua pode compreender a coerência sonora dos textos que compõem “O Homem Encurralado” e apreciá-la baseada unicamente nessa conjugação de notas. Uma pessoa das minhas relações, que nem fala português, comentou, certa vez, ao ouvir a leitura de um poema de Germano, que gostou da música e da sobriedade. Por vezes a sensibilidade abarca aquilo que o conhecimento não atinge.</p>
<p>Procurei que os textos em francês conservassem a musicalidade ou criassem outros esquemas melódicos potencialmente agradáveis ao ouvido.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Num trecho do prefácio do livro, a senhora diz que se “identificou plenamente com a ‘poíeses’ de Germano Xavier. A senhora poderia explicar melhor como se deu essa identificação?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong> Olhe, realmente a identificação com a criação e o resultado desse “fazer artístico” do Germano talvez tenha sido espontânea desde o início, quando eu me tornei leitora assídua dos seus textos, bem antes de “O Homem Encurralado”. O Germano tem uma forma de criar que eu julgo compreender, até onde me é possível, daí falar em “identificação”. O autor baseia-se muito no quotidiano, no pulsar da sociedade, nas relações entre pessoas, na ostracização, nas barreiras sociais e na indiferença, na observação do individualismo, para criar os seus ambientes e personagens. Este livro espelha bastante bem o processo, creio. Depois trabalha todo esse material como um escultor, burilando cada palavra ou ideia.</p>
<p>Eu vejo-o como um autor perfecionista e cerebral, o que não invalida de modo algum a sua capacidade de transmitir e recriar emoções vibrantes, mas de uma forma contida, implícita, subtil, quase austera. Eu revejo-me no método, nas fontes de inspiração e até na sobriedade e discrição com que Germano aborda uma infinidade de temas, com garra mas sem nunca perder o norte.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE –  A senhora segue no projeto para traduzir os outros dois livros que comporão a trilogia?</strong></p>
<p><strong>LUÍSA FRESTA &#8211;</strong> É essa a minha intenção, e fá-lo-ei com muito gosto e determinação, desde que o autor continue a confiar na minha intuição e métodos, que têm um papel importante neste trabalho intimista e desde que essa escolha não belisque o belíssimo texto original. De qualquer maneira o facto de Germano ter permitido que eu seja a sua primeira tradutora enche-me de orgulho, ao qual acresce uma grande responsabilidade. O autor poderia ter escolhido um tradutor nativo de língua francesa mas optou por confiar no meu trabalho; essa confiança é determinante para que tudo corra o melhor possível.</p>
<p>Luísa Fresta declama Nulla, o primeiro poema do livro O Homem Encurralado de Germano Xavier:</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Luísa Fresta declamando o poema Nulla" width="618" height="348" src="https://www.youtube.com/embed/pdof_XS95Rk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>“Sergipe tem uma história cultural gigantesca”, garante Evando dos Santos, o ‘Homem-livro’</title>
		<link>https://www.sosergipe.com.br/sergipe-tem-uma-historia-cultural-gigantesca-garante-evando-dos-santos-o-homem-livro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Antônio Carlos Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Jun 2021 09:00:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Academia Brasileira de Letras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Sergipe tem uma história cultural gigantesca&#8221;. O dono da frase não é nenhum doutor em Letras ou Literatura, mas um pedreiro aposentado,  chamado Evando dos Santos, conhecido nacionalmente como o &#8220;Homem-livro&#8221;. Nascido em Aquidabã e residindo há décadas no Rio de Janeiro, Evando lamenta que os governantes sergipanos não venham dando, ao longo dos anos, &#8230;</p>
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<p>Evando toma emprestado uma frase do sergipano Tobias Barreto para destacar a importância da leitura. &#8220;A vida é uma leitura! Ler é lutar! Leitura é libertação&#8221;. Tobias também diz que “o desgosto pela vida não é mais do que a incapacidade de criar um ideal&#8221;, tanto que Evando levou a frente os seus ideais e criou, na Vila Penha, no Rio, a Biblioteca Tobias Barreto , hoje com mais de 70 mil títulos, a grande maioria doados ou até encontrados no lixo. &#8220;Encontrei 30 livros de Ruy Barbosa no lixo, aqui no Rio, e trouxe para a biblioteca&#8221;, contou.</p>
<p>Esse amor pela leitura e pelos livros lhe rendeu, no Carnaval do ano passado, uma homenagem. A verde e branca Império da Tijuca, ao completar 80 anos de fundação, o homenageou com o samba-enredo &#8220;Quimeras de um eterno aprendiz&#8221;. Um trecho do samba retrata muito bem como trabalha o Homem-Livro: &#8220;Quero ser a armadura da leitura e do saber|Mesmo andarilho, estandarte|Retirante da arte|A quimera em você&#8221;. Às terças e quintas-feiras, Evando veste uma espécie de armadura e, no bairro, ensina a importância da leitura.</p>
<p>Em fevereiro de 2018, ele esteve em Aracaju, onde fez um arrastão literário nos calçadões das ruas João Pessoa e Laranjeiras, e também recitou poemas de Hermes Fontes, distribuiu revistas em quadrinhos da Turma da Mônica para incentivar as crianças à leitura. Depois fez outros arrastões semelhantes no Rio de Janeiro, vestindo-se de Machado de Assis, Tobias Barreto e Monteiro Lobato para divulgar as obras destes autores. Mas, devido à pandemia, teve que parar os arrastões, porém, espera, dentro em breve, poder retomar essa atividade.</p>
<p>Evando aprendeu a ler na Igreja Batista, com o pastor João Evangelista que dizia que “ler é como comer uma feijoada. Tem um monte de carne, mas, às vezes, você só tem paladar para um só tipo” e indicou a leitura dos Salmos, “que é poesia pura”. “O primeiro texto que li, o fiz comendo as letras. Tudo são letras, palavras e números”, completa. A partir da leitura dos salmos, Evando não parou mais de ler e escreveu dois livros: A Vila da Penha e o Dicionário de Pessoas Importantes Desconhecidas, com 700 verbetes.</p>
<p>Ele devaneia quando fala dos autores sergipanos e tem um carinho todo especial pelo poeta <strong>Hermes</strong> Floro Bartolomeu Martins de Araújo <strong>Fontes</strong>, nascido em Boquim no dia 28 de agosto de 1888.  Evando vê com tristeza que um dos maiores poetas deste Estado esteja relegado ao esquecimento, tanto em Sergipe, como no Rio de Janeiro, onde o corpo foi sepultado, no Cemitério São João Batista. Evando conta que logo depois que Hermes se suicidou, em 26 de dezembro de 1930, possivelmente por uma desilusão amorosa, os artistas fizeram uma homenagem colocando o busto dele no passeio público no Rio, que depois despareceu. “Se tivesse dinheiro, eu mandaria fazer o busto para recolocar no local”, disse ao visitar o passeio público por esses dias.</p>
<figure id="attachment_41212" aria-describedby="caption-attachment-41212" style="width: 1209px" class="wp-caption alignnone"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Antes-1.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-41212 size-full" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Antes-1.png" alt="" width="1209" height="602" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Antes-1.png 1209w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Antes-1-300x149.png 300w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Antes-1-1024x510.png 1024w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Antes-1-768x382.png 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Antes-1-660x330.png 660w" sizes="auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41212" class="wp-caption-text">O busto de Hermes Fontes sumiu e até hoje não foi reposto no Passeio Público</figcaption></figure>
<p>Esta semana, o pedreiro Evando foi entrevistado pelo <strong>Só Sergipe</strong>. Confira.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Em fevereiro de 2018, o senhor fez <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.sosergipe.com.br/homem-livro-faz-arrastao-no-calcadao-da-joao-pessoa/">um arrastão literário no calçadão da João Pessoa, em Aracaju</a></span>, para incentivar as pessoas a lerem. Nestes últimos três anos, como foram suas atividades para seguir despertando as pessoas para o prazer da leitura?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS –</strong> Depois de Aracaju, eu sempre fazia isso no Rio de Janeiro toda quinta-feira. Eu me visto de homem livro e faço uma exposição contando a história da Vila da Penha e história do Rio de Janeiro. Todo dia 21 de junho, me visto de Machado de Assis e vou com um painel contando a vida dele e dando revista da Mônica. Fizemos com Tobias Barreto, foi no dia 7 de junho, e 18 de abril, de Monteiro Lobato, dia nacional do Livro Infantil. Mas este ano não teve, por causa da pandemia. Guardei os painéis de papelão, que são importantes.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – O seu apelido é o “Homem-livro”. Como surgiu?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS – </strong>Surgiu quando fizemos o primeiro Arrastão Literário Tobias Barreto na   avenida Atlântica, Copacabana, no Rio de Janeiro, com o colégio Pequeno Torcedor, da professora Sonia Izoton.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – O senhor, sergipano de Aquidabã, começou a ler a literatura de cordel e depois ampliou para outros gêneros. O cordel continua encantando o senhor? Que outros gêneros são seus favoritos hoje?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS</strong><strong> &#8211; </strong>Sim. Hoje os que mais me encantam são: A História, a Filosofia e a Poesia. Todos me deixam encantado. Eu amo Jesus, Platão, Kant, Tobias. Platão define tudo que você imagina: arte é um instrumento de ação, filosófico, religioso e político. Ele concentra na resposta tudo. Tudo é ação.  Estou relendo um pouco de Machado, Lima Barreto, para mim, a essência da literatura. Digo, também, que a  poesia é essência de tudo.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE -No Rio de Janeiro, onde mora, o senhor fundou a Biblioteca Tobias Barreto. Qual o seu acervo atualmente?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211;</strong> São 70 mil livros. Eles são disponibilizados para a população. Temos livros do ano de 1.700, 1.800, pode consultar na biblioteca. Teve uma moça que fez um mestrado e levou uma coleção de livros de artes com seis volumes e ficou durante cinco anos. Depois ela veio devolver. Todos esses livros são de doações e, às vezes, os encontro jogados fora. Eu achei os 30 livros de Ruy Barbosa jogados fora e hoje eles fazem parte do nosso acervo. Tenho as obras completas de Sílvio Romero, Tobias Barreto. Um deles, Questões Vigentes, autografado pelo Tobias e fez uma dedicatória. É uma preciosidade.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211;  O senhor quando fala dos escritores, da cultura sergipana de um modo geral, percebe-se uma emoção muito grande. Na sua opinião, as escolas sergipanas deveriam explorar mais esse grande acervo cultural que nós temos?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS –</strong> Sem dúvida. Sergipe tem uma história cultural gigantesca. Pena que  os administradores do Estado não a valorizam. Sergipe deveria usar nas escolas a gramática  e história do Brasil de João Ribeiro, estudar os poemas de Hermes Fontes. Há muita gente de valor nesta terra que merecia está sendo estudado o tempo inteiro.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE- A cultura sergipana é uma das suas paixões, mas o senhor tem um carinho especial por Hermes Fontes, o compositor e poeta sergipano nascido em Boquim.</strong></p>
<figure id="attachment_41182" aria-describedby="caption-attachment-41182" style="width: 203px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Hermes-Fontes.gif"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-41182" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/Hermes-Fontes.gif" alt="" width="203" height="297" /></a><figcaption id="caption-attachment-41182" class="wp-caption-text">O poeta Hermes Fontes Foto: Wikipedia</figcaption></figure>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211; </strong>Sim. Um poeta simbolista de primeira grandeza. No Rio de Janeiro, foi considerado o Machado de Assis da poesia. Era uma mente prodigiosa e falava francês fluentemente. É uma pena que tiraram o busto dele do passeio público e o Rio de Janeiro não se mobilizou para recolocar. Quando fui a Sergipe, estive no jornal Cinform e eles fizeram uma matéria sobre a importância do busto, mas aquilo não floresceu. É uma pena. Se eu tivesse dinheiro, eu mesmo mandaria fazer um busto novamente. É um investimento cultural. Só Hermes Fontes tinha busto no passeio público do Rio de Janeiro.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – O que lhe encanta na poesia simbolista de Hermes Fontes?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211;</strong>  A novidade e a beleza da sua poesia. Foi um dos que mais escreveram sobre o Rio, e o poema<strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.escritas.org/pt/t/11739/luar-de-paqueta"> Luar de Paquetá</a></span></strong>, sobre a Ilha de Paquetá, foi musicado. A poesia mais bela feita sobre Paquetá.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Em sua biblioteca tem todas as obras de Hermes Fontes?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211;</strong> Não. Só tem um livro de Hermes Fontes e duas biografias, uma feita por Povina Cavalcanti e outra feita por Ana Maria Fonseca Medina.  Quando o professor Arivaldo Silveira Fontes morreu, deixou a biblioteca dele e tinha a coleção completa de Hermes Fontes, que seria para minha biblioteca. Achei melhor deixar em Sergipe. De Tobias Barreto, fiquei com alguns livros. Poucas pessoas no Brasil têm a obra completa de Hermes Fontes.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Por cinco vezes, Hermes Fontes tentou entrar para a Academia Brasileira de Letras (ABL), mas sem sucesso. Na sua opinião, ele merecia ter tido assento na ABL? Por quê?</strong></p>
<figure id="attachment_41188" aria-describedby="caption-attachment-41188" style="width: 291px" class="wp-caption alignright"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/EVANDO.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-41188" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/EVANDO-225x300.jpg" alt="" width="291" height="387" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/EVANDO-225x300.jpg 225w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/EVANDO-768x1024.jpg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/EVANDO.jpg 780w" sizes="auto, (max-width: 291px) 100vw, 291px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41188" class="wp-caption-text">Evando, literalmente, o Homem-livro</figcaption></figure>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211;</strong> Merecia. Tinha toda capacidade e todo mérito para fazer parte da ABL. Eles achavam Hermes muito jovem e só aceitavam anciãos. Li um artigo de Austregésilo de Athayde dizendo que Hermes &#8220;era um dos nossos, mas morreu cedo&#8221;. Ele se referia a Hermes, de forma carinhosa, como integrante, mas que na verdade, não foi.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Embora bastante produtiva, Hermes Fontes teve uma vida breve. Ele se suicidou com um tiro no ouvido direito aos 42 anos, em 26 de dezembro de 1930, no Rio de Janeiro, portanto há 90 anos. Passado todo esse tempo, já se descobriu o que levou Hermes Fontes ao suicídio?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211;</strong> Alguns dizem que foi uma desilusão amorosa. Tudo indica que esse foi o motivo. Uma vez conversando com o professor Arivaldo, ele disse que tudo foi por causa de desilusão amorosa. A mulher dele, chamada Alice, era muito bonita. Ela era belíssima. Ele se desesperou tanto que, certamente, esse foi o motivo do suicídio. No ano de aniversário dele, iam caravanas para o cemitério São João Batista fazer saraus. Hermes, culturalmente, era uma personalidade. Os livros didáticos da década 40 a 60 só davam Hermes Fontes. Ele era sempre citado.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – O corpo de Hermes Fontes foi sepultado próximo ao túmulo do escritor Lima Barreto, no Cemitério São João Batista. Hoje, o túmulo de Hermes Fontes está abandonado.</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211;</strong> Ele não foi enterrado ao lado do escritor Lima Barreto, ele foi enterrado na Quadra 14, plano 2, túmulo 7355 e Lima Barreto está mais ou menos três quadras depois, próximo ao muro. Hoje está abandonado. Tinha que ter uma foto dele com um poema e quem chegasse identificaria logo.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Também, no Rio de Janeiro, fizeram um busto em homenagem a Hermes Fontes, que hoje não existe mais. O senhor, como estudioso da obra do poeta sergipano, procurou as autoridades fluminenses para que fosse feita essa reparação?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211;</strong> Fizemos uma carta em 27/12/2004, comunicando o sumiço do busto para as autoridades. O sumiço foi identificado em 14/01/2004. Também comunicamos esse fato em uma entrevista na rádio. Até hoje nada foi feito. Também comunicamos, na época, para alguém em Sergipe, cujo nome, no momento, não <span style="color: #000000;">me recordo. Tiramos uma foto do busto, antes do sumiço. Na ocasião</span>, o Passeio Público, local do busto, estava em obra.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – O que o senhor considera necessário para resgatar o legado de Hermes Fontes, dada sua importância para a cultura sergipana e brasileira?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211;</strong> O estado de Sergipe deve promover o nome de Hermes Fontes, através de concursos de poesia que leve o seu nome, Arrastão literário e incentive o Rio de Janeiro a fazer um grande Fórum sobre Hermes Fontes, pois o mesmo morou e morreu nessa cidade, que ele chamava de Cidade Luz e Urbe  Canaã.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE – Em Boquim há uma biblioteca que leva o nome do ilustre poeta e em Aracaju uma das principais avenidas leva, também, o seu nome.  No Rio de Janeiro há alguma rua ou local homenageando o poeta?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS-</strong> Existe a rua Hermes Fontes, no bairro de São Cristóvão. Em Boquim, quando ele morreu, mandaram fazer um pedestal suntuoso. Mas não existe mais.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211;  O brasileiro preserva seu passado?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS  –</strong> Temos uma carência muito grande. O personagem Cinque, do filme Amstad, diz que “somos o que fomos”. Se você não cuida bem do passado, não tem presente, muito menos futuro. Quando fui a Aracaju, levei 1.500 revistas da Mônica. Uma professora me contou que <span style="color: #ff0000;"> <span style="color: #000000;">as crianças dela  ainda não tinham visto uma revista em quadrinhos e eu doei muitas</span></span><span style="color: #000000;">.</span> Aquilo já valeu o arrastão. Nos sete arrastões que fizemos em Aracaju distribuímos 7 mil livros. Consegui mandar mais s 14 mil livros para Sergipe. Foram para Aquidabã, Tomar do Geru, dentre outros.</p>
<figure id="attachment_41190" aria-describedby="caption-attachment-41190" style="width: 240px" class="wp-caption alignleft"><a href="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/quimeras-de-um-eterno-aprendiz.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-41190" src="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/quimeras-de-um-eterno-aprendiz-240x300.jpeg" alt="" width="240" height="300" srcset="https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/quimeras-de-um-eterno-aprendiz-240x300.jpeg 240w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/quimeras-de-um-eterno-aprendiz-768x959.jpeg 768w, https://www.sosergipe.com.br/wp-content/uploads/2021/06/quimeras-de-um-eterno-aprendiz.jpeg 820w" sizes="auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px" /></a><figcaption id="caption-attachment-41190" class="wp-caption-text">Logotipo do samba enredo da Império da Tijuca que homenageou Evandro</figcaption></figure>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Agora, falando um pouco de sua história como Homem-livro. De que maneira o seu nome se tornou <span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://www.letras.mus.br/samba-concorrente/imperio-da-tijuca-2020-diego-nicolau-e-cia/">samba-enredo da Império da Tijuca?</a></span></strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS</strong> &#8211; Aquilo foi um milagre. Um jornalista escreveu um livro sobre personagens pitorescos do Rio de Janeiro e eu sou um deles, isso há mais de 10 anos. O carnavalesco leu o livro e disse que minha história cabia perfeitamente para o samba enredo da escola. Em 2020,  a Império completou 80 anos. Ele viu  que a nossa praça aqui na Vila da Penha é a única no Brasil que tem bancos literários e a calçada da fama literária. Todas às terças e quintas vou à praça como o Homem-Livro.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211;  Mas, por que o senhor disse que a escolha foi um milagre?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211;</strong> O cara pegou o livro por acaso e havia muitos personagens. Foi uma homenagem além da conta e vi a roupa do Homem-livro e toda a bateria se fantasiou dessa forma. Foi uma honra muito grande. <span style="color: #000000;">Imagine um homem que sai da roça, sem saber ler nem escrever e vai para o Rio. </span>Aprende a ler e um dia, o maior arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer, lhe dá um projeto da biblioteca Tobias Barreto. Só o projeto vale um R$ 1 milhão. Então eu juntei Niemeyer com o maior poeta Tobias Barreto.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; O senhor já contou essa história em Sergipe?</strong></p>
<p><strong>EVANDO FONTES</strong> &#8211; Seria bom que, depois da pandemia, a Secretaria de Estado da Educação me levasse a Sergipe para eu contar isso aos alunos e também como criei o Correio Literário. Eu mesmo levava os livros para as pessoas que pediam emprestado. Hoje, com a pandemia, não estou fazendo isso.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE -Bom, além do samba enredo, o senhor </strong><strong>participou de um projeto  MultiRio e entrevistou a imortal da Academia Brasileira de Letras, Nélida Piñon. Como foi que isso aconteceu?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211; </strong> Eu já fazia palestras em muitas escolas do Rio sobre a importância da leitura. A MultiRio tinha um programa e me chamaram para falar. Até o ano passado eu estava por lá. A direção, então, me ligou para fazer uma reportagem e alguém da produção teve a ideia de levar o pedreiro para entrevistar a imortal Nélida. E aí eu fui. Mas bem antes disso, eu já ia às quintas-feiras para a Academia Brasileira de Letras para conhecer os imortais. E numa dessas visitas contei minha história para ela. Na Academia, recebi a Medalha dos 110 anos da Casa Machado de Assis, em 2007. Depois fui a casa de Nélida buscar uns livros que ela me doou e a secretária dela me disse que eu subisse para tomar um café.  Eu estava de bermuda, nem imaginei que fosse vê-la e que pegaria os livros na portaria e ia embora.  Mas fui tomar café com ela. Nélida é  a imortal mais genial que se possa imaginar.</p>
<p><strong><span style="color: #008000;"><a style="color: #008000;" href="https://youtu.be/7o2k0kqVSXw">Clique aqui e assista a entrevista que Evando fez com a imortal Nélida Piñon</a></span></strong></p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Antes da pandemia, o senhor viajava contando sua história e distribuindo livros?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211;</strong> Sim. Minha história foi contada num curta metragem e ganhou o Candango de Ouro, no Festival de Brasília. Foi um curta de 15 minutos da cineasta  Anna Azevedo. Meu livro &#8216;A História da Penha contada pelos moradores&#8217; ficou em quarto lugar na categoria em que foi inscrito e recebi o Troféu Viva Leitura, no concurso do Ministério da Cultura. E já escreveram uns seis livros contando a minha história.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211;  Seu trabalho já lhe rendeu homenagens pelo Brasil e em Sergipe?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211;</strong> Sim, recebi do Ministério da Cultura a honraria de Cavalheiro da República, pelo Ministério da Cultura, assinado pela presidente Dilma Rousseff, &#8216;pelo serviço prestado à cultura desta pátria&#8217;. A presidente não estava presente. Esse evento aconteceu no Salão Nobre do Teatro Santa Isabel, onde houve um embate literário histórico entre Tobias Barreto e Castro Alves. Em Sergipe, o então governador Marcelo Déda me concedeu a Medalha Serigy, uma iniciativa da escritora Ana Medina, da Giselda e da Sônia.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Esse seu trabalho em prol da leitura  já atravessou o Brasil, indo para o exterior?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS</strong> &#8211;  Nunca viajei para fora do país. Meu sonho era mandar livros para a reconstrução de Angola.  E aí, um angolano leu uma reportagem sobre meu trabalho, na qual falei que eu tinha uma Bíblia e uma gramática na língua Bunda, falada em Angola. Ressalto que a palavra bunda aqui não tem nada a ver com a parte do corpo. Eu mandei 15 mil  livros para Angola e uma revista de lá me entrevistou e escreveu sete páginas.  Até recebi o convite, mas por questões internas, de transição política em Angola, não pude viajar.</p>
<p><strong>SÓ SERGIPE &#8211; Há quantos anos o senhor vive no Rio de Janeiro?</strong></p>
<p><strong>EVANDO DOS SANTOS &#8211; </strong> Cheguei aqui com 15 anos. Em Sergipe não havia emprego e eu tinha um irmão e uma irmã que já moravam aqui no Rio. Eu e minha mãe viemos duas vezes e na terceira decidimos ficar. Meu irmão era pedreiro e fui trabalhar com ele. Um amigo nosso da época, Santos Santana, me arrumou um emprego na revista Manchete , onde trabalhei um ano e um mês. Lembro que toda sexta-feira, o Adolpho Bloch mandava entregar revista Manchete para todos os empregados. Para mim, a Manchete foi a melhor revista que a América do Sul já teve.</p>
<p>&nbsp;</p>
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