Secretário José Sobral fala sobre os problemas no aparelho radioterápico Fotos: Ricardo Pinho
“Eu não quero morrer, eu não posso morrer”. A súplica é da paciente Scheila Galba, do Grupo de Mulheres de Peito, diante dos sucessivos defeitos do aparelho de radioterapia do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), que prejudica o seu tratamento. Junto com ela, outras 300 pessoas podem ter o mesmo destino. Somente este mês, seis mulheres com câncer e que faziam tratamento no Huse morreram. “Não posso dizer que isso aconteceu por conta do aparelho quebrado”, afirmou Scheila, que participou, ontem, 16, da entrevista coletiva com o secretário de Saúde do Estado, José Sobral, quando ele anunciou que o Estado comprará um novo aparelho para se somar ao que já está em operação há 16 anos e que quebra constantemente.
Para Scheila Galba, a entrevista do secretário José Sobral foi “uma brincadeira”, pois, segundo ela, o gestor queria encaminhar apenas três pacientes oncológicas para fazer o tratamento de radioterapia na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, quando há uma fila muito extensa. Além disso, Sobral anunciou que, num prazo de 15 dias, a peça do aparelho radioterápico, adquirido por R$ 47 mil, deve chegar da Alemanha e em 72 horas ser colocado.
Scheila descobriu que tinha câncer de mama há um ano e três meses. De lá para cá, vem lutando pela vida. Ela não tem ideia de quantas vezes o aparelho de radioterapia quebrou em um ano, mas lembra que iniciou o tratamento no dia 19 de agosto e até agora, por três vezes, o aparelho pifou. “Essa última tem oito dias. Ou seja, tem oito dias que tomei radioterapia e o tumor no meu seio está crescendo. Se não se tomar uma atitude, vamos morrer, as pessoas vão morrer”, reafirmou.
A atitude mais correta do secretário de Saúde, José Sobral, seria levar todos os pacientes para a Santa Casa “e não uma meia dúzia como ele quer”, ressaltou Galba. Mas Sobral diz que tem que seguir um protocolo e as pessoas interessadas em fazer o tratamento fora de Sergipe tem que deixar claro essa vontade. Ele criticou o fato das pacientes terem procurado a imprensa. “Não podemos viver à base de pressões ou de sentimentos e angústias de pacientes que precisam realmente do tratamento, mas temos que seguir o protocolo e fazermos com a radioterapia o mesmo que fizemos com a quimioterapia”, afirmou. Segundo ele, já foram encaminhados 1.430 pacientes para fazer o Tratamento Fora do Domicílio (sigla TFD), reduzindo a fila.
O secretário criticou o fato do Grupo Mulheres de Peito ter procurado a imprensa e, ainda, tentou não ser responsabilizado sozinho pelo caos no sistema de saúde do Estado. “Somos o único cobrado no processo, quando deveriam cobrar a todos e não só ao Estado. Eu peço que a imprensa e os grupos de pacientes da Oncologia a exemplo de Mulheres e Peitos e Mamas, cobrem também ao município, através do Hospital Cirurgia, que oferta serviços de radioterapia 2 D. Não podemos viver de pressões nem da angústia dos pacientes. Não me intimido porque tenho a plenitude das minhas ações”, assegurou.
“Hoje estamos aqui com esse grupo que se fez presente na imprensa a semana inteira e só duas, a Scheila e a Gilza estão com o tratamento efetivo e quatro com o diagnóstico médico para iniciar, vamos fazer a verificação, mas nós temos uma fila, temos uma relação de pessoas que vão para a Central de Regulação e que lá recebem a prioridade de quem deve iniciar o tratamento e quando. Quem define isso é o diagnóstico médico e nós temos que seguir a técnica”, completou.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (2), por votação…
CNC defende que votação fique para depois das eleições, enquanto proposta avança na CCJ e…
"O que sei eu?" Michel de Montaigne uma vez por todas,…
As micro e pequenas empresas devem estar atentas. Começa nesta terça-feira (1º) o prazo de adesão…
Por Valtênio Paes de Oliveira (*) m textos anteriores, nesta coluna, tratamos da…
Maior parte dos financiamentos é aplicada entre mulheres da localidade (76,8%). Dados são de…