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Os verdadeiros desafios do empreendedorismo

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Economia Herética/ Emerson de Sousa (*)

Nas palestras, nos simpósios, nos congressos, nas salas de aula e na imprensa, de um modo geral, quando se fala em empreendedorismo, o discurso é sempre conduzido por meio de argumentos focados na postura e no desempenho individual dos próprios empreendedores.

É sempre cobrado desses aquilo que se chama de “compromisso com” e “dedicação ao” negócio. Devendo eles sempre estarem à disposição do seu empreendimento e que sua vida, na prática, se reduza a esse, como se não existisse um contexto exterior que o abarca e o condiciona.

Mas isso é um erro!

Não que tais predicados não devam compor o seu cardápio de conduta, mas porque eles não são os principais determinantes da sobrevivência dos pequenos e micros negócios.

Em verdade, esses são apenas atributos suplementares, pois os fatores preponderantes são outros.

Antes, porém, é preciso clarificar o que se entende por empreendedor aqui neste texto. Esse é definido como o/a proprietário(a) de um estabelecimento que fature até R$ 400 mil por mês.

Então, na realidade, para esse segmento econômico os maiores entraves à sua boa atuação são dois, a saber:

  • O baixo nível de renda de suas clientelas;
  • O alto poder econômico dos seus fornecedores, geralmente, organizados em oligopólios.

O rendimento dos consumidores porque, ao contrário das grandes empresas, que auferem renda por meio dos ganhos de capitais e de um comportamento especulativo. Os empreendedores, pelo contrário, precisam, efetivamente, que os clientes adquiram seus bens e usem seus serviços.

E quanto menor a renda da população, menos ela compra!

Porém, esse fenômeno tem outro aspecto: o aumento dos custos médios e dos riscos da ação empreendedora.

Afinal, com uma clientela com um bom nível de renda é possível atender a um volume grande de mercado, o que reduz sensivelmente o custo unitário de transação e que garante uma lucratividade mínima para os/as empreendedores(as).

Se esse rendimento cai, também diminui a clientela alcançada, o que aumenta o custo unitário de venda – já que há menos clientes, mas as despesas fixas continuam existindo – o que faz com que a lucratividade mínima fique mais difícil de ser alcançada.

Por isso que, ao contrário do que ocorre com as grandes empresas e com os oligopólios, aumentos dos níveis de renda e ampliação da oferta de empregos é um bom negócio para os empreendedores.

Para os oligopólios, recessões são muito mais interessantes do que expansões, já que a redução da atividade econômica lhes permite selecionar clientes e impor preços e, de quebra, ainda lhes agracia com a redução concorrência.

Por sinal, outro grande problema dos empreendedores é o poder de mercado dos oligopólios.

Agindo como fornecedores dos pequenos e micros empreendimentos, esses conglomerados capturam parcela considerável dos seus lucros.

E esse domínio vai mais além, já que as grandes firmas impõem aos empreendedores as suas condições de compra, os seus prazos de pagamentos e os seus padrões de negócio.

Da forma como essas transações são organizadas, os empreendedores aparecem mais como extensões precarizadas das operações dos seus fornecedores, ou seja, dos oligopólios.

Enquanto isso perdurar, as margens de lucros dos empreendedores serão sempre deprimidas.

Então, ao contrário do que apregoam, o que realmente importa para os empreendedores é a ampliação do poder de compra dos salários, um cenário de distribuição de renda, uma política de pleno emprego e o combate à oligopolização da economia.

Sem a criação de um ambiente de negócios que se paute por esses predicados, os empreendedores vão sempre portar-se como uma lâmpada incandescente, que desperdiça muita energia por meio do calor e menos ilumina a casa.

___________

(*) Emerson de Sousa Silva  é economista e doutor em Administração

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Emerson Sousa

Doutor em Administração pelo NPGA/UFBA e mestre em Economia pelo NUPEC/UFS

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