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O Chamado 3: o terror que não aconteceu

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“O valor de um homem é menor que a sua obra”. Essa foi uma das frases de impacto proferidas pelo cientista e professor Gabriel, interpretado por Johnny Galecki. Ela ressalta de maneira intensa o que esse filme representa diante de seu diretor (Javier Gutierrez) e roteirista(David Louck, Jacob Aaron Estes e Akiva Goldsman): um péssimo trabalho- no entanto, o valor do homem, aqui, deve ser maior que a sua obra.

A começar, tem-se uma direção que esforçou-se para manter o equilíbrio entre suspense e terror, realizando tomadas semelhantes às vistas em O Chamado 1 e 2, com ângulos frontais, prezando por ambientes escuros e fechados, na tentativa de manter o suspense intercalado com cenas sobrenaturais. Entretanto a fórmula é bastante clichê e usual, lembrando, momentaneamente, filmes voltados para o público adolescente como a saga Crepúsculo ou Dezesseis Luas. O roteiro centra-se em contar as origens da famosa Samara e, embora traga novos elementos para a trama, a primeira hora é enfadonha e constrói um enredo fraco, sendo o restante do filme composto de pequenos instantes marcantes, como quando o grande segredo de Samara e de sua suposta “salvadora” é revelado.

As interpretações de Matilda Rutz (Julia) e Alex Roe (Holt) são superficiais e lembram, muitas vezes, atuações de filmes trash. Julia e Holt são protagonistas que se assemelham aos velhos clichês de filmes de terror. A “mocinha” que não abandona o “mocinho” e os dois se amam perdidamente. Ambos formam um casal altamente meloso dentro de um gênero em que a temática não deveria enfocar com tamanha pieguice o envolvimento sentimental dessa dupla.

A trilha sonora de Matthew Margeson também faz parte do festival de clichês que compõe o filme. Não há nada de inovador nesse quesito e a banda de som torna-se apenas mais um elemento que mantém o longa enfadonho e sem muitas surpresas. Além disso, não cabem destaques para o figurino, nem a cenografia ou maquiagem.

O Chamado 3 é apenas um filme com um orçamento de  US$ 20 milhões que mais parece ter sido desperdiçado, levando em consideração que o primeiro e o segundo filmes têm certa relevância no meio cinematográfico. A sequência já está sendo programada e o que nos resta é aguardar para conferir se o próximo O Chamado será tão fracassado quanto esse agora lançado.

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Antônio Carlos Garcia

CEO do Só Sergipe

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