A proposta prevê a implantação de 5 mil lóculos, com possibilidade de ampliação futura por meio da construção de um segundo pavimento (Arte: Emurb)
A construção do novo cemitério de Aracaju será discutida em audiência pública no dia 10 de novembro, às 14h, no Ministério Público de Sergipe (MPSE). A reunião ocorre após críticas à escolha de um terreno no bairro Santo Antônio. Além disso, vereadores questionam a desapropriação de uma área privada, já que a Prefeitura possui um terreno que também poderia ser avaliado.
Durante a audiência, a Prefeitura apresentará o projeto do Cemitério Vertical Ecológico Municipal. Também mostrará as áreas consideradas para a construção. Dessa forma, a população poderá conhecer as propostas e apresentar sugestões.
A discussão começou após a Prefeitura declarar de utilidade pública um terreno no bairro Santo Antônio. A área possui mais de 16 mil metros quadrados e abriga o Sistema Atalaia de Comunicação.
A medida consta do Decreto nº 3.920, publicado em 29 de outubro. Desde então, moradores e vereadores passaram a questionar a escolha.
Entre as principais preocupações estão os impactos ambientais e as mudanças no trânsito. Além disso, moradores reclamam da falta de consulta prévia à comunidade.
O vereador Elber Batalha criticou a possibilidade de instalar o cemitério no Santo Antônio. Segundo ele, a Prefeitura precisa avaliar outras alternativas, especialmente na Zona de Expansão.
A vereadora Sonia Meire também cobrou esclarecimentos. Ela defendeu maior transparência nos estudos técnicos e ambientais.
Outro ponto da polêmica envolve um terreno pertencente ao município. A área fica na região de Areia Branca e possui aproximadamente 3.644 metros quadrados.
O vereador Fábio Meireles questionou a necessidade de desapropriar um imóvel privado. Segundo ele, estudos anteriores já apontavam alternativas para a construção do cemitério.
O parlamentar citou documentos da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb). Também mencionou uma nota técnica da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema).
De acordo com o vereador, esses documentos identificam áreas com potencial para receber o empreendimento. Entre elas estaria o terreno municipal.
No entanto, ainda é necessário esclarecer se o imóvel atende às exigências do projeto. Afinal, a área pública mencionada é menor que o terreno do Sistema Atalaia.
Por isso, a Prefeitura deverá explicar os critérios utilizados na escolha das áreas. Também será importante apresentar os custos de aquisição ou desapropriação.
Após as críticas, a prefeita Emília Corrêa decidiu ampliar as alternativas para o novo cemitério.
Na terça-feira, 3 de novembro, ela se reuniu com representantes da Procuradoria-Geral do Município (PGM), da Emurb e da Sema.
Depois do encontro, a Prefeitura informou que ainda não definiu o local da construção.
Inicialmente, a gestão anterior havia indicado três áreas privadas. Elas ficam no Japãozinho, no Ponto Novo e na Zona de Expansão, na região de Areia Branca.
Agora, a administração municipal também avalia terrenos nos bairros Santo Antônio e Santa Maria. Portanto, cinco alternativas integram a discussão.
A prefeita reconheceu a necessidade de ampliar o diálogo com a população. Segundo ela, a administração busca cumprir a determinação judicial sem deixar de ouvir as comunidades.
“Aracaju enfrenta uma demanda histórica pela ampliação da oferta de cemitérios públicos. Estamos trabalhando para cumprir uma determinação judicial e atender a essa demanda. Mas acredito que governar vai além de cumprir obrigações, é também ouvir, dialogar e construir soluções com as pessoas”, afirmou Emília Corrêa.
A necessidade de um novo cemitério público em Aracaju não é recente.
Em 2006, o Ministério Público de Sergipe ajuizou uma ação civil pública. O objetivo era ampliar a oferta de vagas nos cemitérios municipais.
Posteriormente, a Justiça determinou a construção de um novo equipamento. Desde 2022, o processo está em fase de cumprimento de sentença.
Por sua vez, a Prefeitura informa que os estudos técnicos avançaram a partir de julho de 2026. A Emurb ficou responsável pelo desenvolvimento do projeto.
Nesse contexto, a audiência pública permitirá discutir as alternativas antes da definição do terreno.
O projeto prevê a construção de 5 mil lóculos. Esses compartimentos individuais serão utilizados para os sepultamentos.
Além disso, a estrutura poderá receber um segundo pavimento no futuro. Assim, o município terá condições de ampliar a capacidade do equipamento.
O novo cemitério também contará com ossuário e seis espaços para velórios. O projeto inclui ainda centro ecumênico, área de contemplação, sanitários e estacionamento.
Segundo a Prefeitura, o modelo vertical ecológico oferece vantagens ambientais em relação aos sepultamentos tradicionais.
Nesse sistema, estruturas isoladas impedem o contato do necrochorume com o solo. Esse líquido é produzido durante a decomposição dos corpos.
Além disso, o projeto prevê mecanismos para tratar e inativar os gases gerados nesse processo.
Com essas medidas, a administração municipal pretende reduzir os impactos ambientais. Também busca garantir melhores condições sanitárias.
Entretanto, a eficácia do sistema dependerá das características do terreno escolhido. Por isso, os estudos técnicos e o licenciamento ambiental serão fundamentais.
A audiência pública do dia 10 de novembro deverá esclarecer essas questões. Além disso, permitirá que a população participe da discussão sobre o futuro cemitério municipal.
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