Genética que atravessa fronteiras. Do coração de Sergipe para haras de todo o Brasil, pôneis campeões carregam uma história de seleção, dedicação e excelência Fotos: @harasprados_ponei
Por Antônio Carlos Garcia (*)
O primeiro pônei que Alexandre Prado ganhou do pai despertou uma paixão que, mais de duas décadas depois, transformou o Haras Prado’s, em Laranjeiras (SE), em referência nacional na criação da raça. Hoje, aos 34 anos, o empreendedor participa de leilões de elite em diferentes estados brasileiros, comercializa animais para várias regiões do país e investe na expansão da venda de sêmen de garanhões campeões como estratégia para difundir sua genética.
“O foco nosso é criar o melhor pônei, é fazer o melhoramento genético”, afirma Alexandre, presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pônei desde 2024. Segundo ele, o objetivo é produzir animais cada vez melhores e disponibilizar essa genética para criadores de Norte a Sul do Brasil.
O reconhecimento veio recentemente. Na Exposição Nacional da raça, realizada este ano em Tatuí (SP), o Haras Prado’s conquistou o título de Melhor Criador Nacional entre mais de 50 participantes, resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de décadas na seleção genética dos animais.
A história começou quando Alexandre tinha entre cinco e seis anos de idade e ganhou o primeiro pônei do pai. O presente despertou o interesse pela criação. Aos 12 anos, ele passou a cuidar diretamente dos animais e nunca mais deixou a atividade. Com o passar dos anos, o plantel cresceu, vieram as exposições, os leilões e, posteriormente, a presidência da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pônei.
O investimento em melhoramento genético é o que determina o valor dos animais comercializados pelo Haras Prado’s. Segundo Alexandre, um pônei destinado à companhia pode ser adquirido por cerca de R$ 6 mil. Já exemplares preparados para exposições e leilões de elite alcançam cifras muito superiores.
“Em leilão, você encontra animais de R$ 30 mil, R$ 40 mil, R$ 50 mil, R$ 80 mil e R$ 100 mil. Eles praticamente não têm teto”, explica. Para o criador, o valor não está apenas no animal. “A gente não vende só o animal. A gente vende a história, vende a criação, vende a família, a genética, os acasalamentos.”
Além da comercialização dos pôneis, o Haras Prado’s também vende sêmen de garanhões para criadores de diversas regiões do país. Atualmente, o material genético já chega ao Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, incluindo o Rio Grande do Sul.
Apesar disso, Alexandre explica que a venda de sêmen ainda não representa o principal segmento do negócio. “Não é o nosso foco porque estamos montando a logística”, afirma. O projeto prevê a realização de coletas em centrais de reprodução e a distribuição do material genético por transporte aéreo e terrestre.
“O objetivo é difundir a genética, deixar disponível por todo o país, enviando para criadores e para centrais de reprodução onde estejam as matrizes.”
Responsável pela reprodução dos animais do Haras Prado’s, o médico-veterinário Jugoberto Bonfim Pina Júnior explica que o preço do sêmen depende da importância genética do garanhão. Segundo ele, doses de animais que ainda estão construindo sua trajetória custam entre R$ 1 mil e R$ 2 mil. Já reprodutores consagrados chegam a ser comercializados entre R$ 5 mil e R$ 6 mil.
“O sêmen vai variar de acordo com o indivíduo, o que esse indivíduo agregou para a raça, o que ele fez de diferente para valorizar esse sêmen.”
Jugoberto destaca que o comprador não adquire apenas uma dose, mas o direito de obter uma cria daquele reprodutor. Caso a égua não emprenhe, ocorra reabsorção embrionária ou até perda da gestação, não é necessário comprar novo sêmen. O criador recebe outra coleta e paga apenas os custos do procedimento veterinário e da preparação das palhetas, quando necessária.
O veterinário explica ainda que uma coleta costuma produzir material suficiente para inseminar entre cinco e seis éguas, dependendo da qualidade do sêmen. Segundo ele, a inseminação artificial democratizou o acesso à genética de animais de alto padrão, permitindo que criadores utilizem reprodutores premiados sem a necessidade de adquiri-los.
Ele ressalta, porém, que genética não significa garantia de campeões. “Nada garante. Você busca, através da genética e dos acasalamentos, aumentar as chances de produzir o animal que deseja, mas garantia não existe.”
Outra vantagem é a logística. O sêmen resfriado permanece viável por até dois dias, possibilitando o envio para praticamente todo o Brasil. Já o sêmen congelado pode permanecer armazenado por tempo indeterminado em botijões de nitrogênio líquido, desde que mantidas as condições adequadas de conservação.
De acordo com o livro Cavalos & Jumentos do Brasil, o Pônei Brasileiro foi desenvolvido principalmente a partir de animais da raça Shetland, da Escócia, além de exemplares oriundos da Argentina, Paraguai e Uruguai. Ao longo das décadas, o trabalho de seleção genética buscou reunir pequeno porte, rusticidade, docilidade e adaptação às condições brasileiras.
Hoje, além das exposições e leilões, a raça é utilizada na iniciação esportiva infantil, em atividades de lazer, na equoterapia e também como animal de companhia. O padrão oficial estabelece altura máxima de 95 centímetros para machos e de 1,05 metro para fêmeas adultas.
Para Alexandre Prado, o crescimento da criação de pôneis no Brasil passa justamente pelo investimento contínuo em genética. “Quando a gente produz um animal melhor, está contribuindo para que outros criadores também tenham acesso a essa genética. Esse sempre foi o objetivo do nosso trabalho.”
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