Vegetação seca no sertão sergipano retrata os efeitos da estiagem, que ameaça a produção agrícola e aumenta o risco de incêndios diante dos possíveis impactos do El Niño Foto: Arthuro Paganini
Quatro municípios do Alto Sertão de Sergipe enfrentam seca grave. Além disso, uma barragem em São Cristóvão, na Grande Aracaju, entrou em estado de alerta. O motivo é a redução do volume de água.
Os dados constam da sexta edição do Boletim Técnico de Proteção e Defesa do El Niño. O Governo de Sergipe divulgou as informações nesta quinta-feira (22).
Segundo o levantamento, a estiagem ameaça a agricultura e o abastecimento de água. Além disso, aumenta os riscos de incêndios florestais e problemas de saúde.
Canindé de São Francisco, Poço Redondo, Porto da Folha e Monte Alegre de Sergipe enfrentam seca grave. Outros municípios apresentam seca moderada ou fraca.
O boletim analisa os oito territórios sergipanos. Para isso, reúne dados sobre chuvas, temperaturas e disponibilidade de água.
O monitoramento considera os possíveis efeitos do El Niño até o início de 2027.
O Alto Sertão apresenta uma das situações mais preocupantes de Sergipe.
Na região, as chuvas variaram entre 7 e 34 milímetros. Esse volume representa 77% da média climatológica.
Além disso, a precipitação caiu 57% em comparação com o mesmo período de 2025.
A temperatura média chegou a 26,6°C. Portanto, ficou acima da referência climatológica de 24,6°C.
O boletim identifica seca grave em quatro municípios:
Por outro lado, Gararu e Nossa Senhora da Glória apresentam seca moderada. Já Nossa Senhora de Lourdes enfrenta seca fraca.
A situação preocupa os produtores rurais. Isso porque a falta de chuva prejudica as lavouras de milho, feijão e mandioca.
Além disso, a estiagem reduz as pastagens. Como consequência, os produtores podem gastar mais com alimentação animal.
A vegetação seca também aumenta o risco de incêndios.
Na Grande Aracaju, a Barragem Sindicalista Jaime Umbelino de Souza exige atenção.
O reservatório fica em São Cristóvão. Segundo o boletim, seu volume útil está entre 10% e 30%.
Por isso, a barragem entrou em estado de alerta.
A região também enfrenta redução das chuvas. Em comparação com o mesmo período de 2025, a queda chegou a 59%.
Os volumes variaram entre 17 e 70 milímetros. Dessa forma, atingiram apenas 70% da média climatológica.
Além disso, seis municípios apresentam seca fraca:
Apesar desse cenário, não há decretos de situação de emergência nesses municípios.
Entretanto, o boletim alerta para a perda de umidade do solo. Também aponta redução na recarga dos mananciais.
O Agreste sergipano também enfrenta dificuldades.
Na região, as chuvas caíram 62% em relação ao mesmo período de 2025. Além disso, os volumes atingiram apenas 76% da média climatológica.
Carira e Nossa Senhora Aparecida apresentam seca moderada.
Já outros municípios enfrentam seca fraca. Entre eles estão Macambira, Malhador, Frei Paulo, Pinhão e Ribeirópolis.
O levantamento também inclui São Miguel do Aleixo, Moita Bonita, São Domingos e Pedra Mole. A lista reúne ainda Areia Branca, Campo do Brito e Itabaiana.
Além disso, quatro municípios possuem decretos de situação de emergência:
Outro ponto de atenção é a Barragem Jacarecica I.
O reservatório abastece o Perímetro Público Estadual de Irrigação de Jacarecica. Por isso, a redução dos mananciais exige acompanhamento.
No Centro-Sul, Poço Verde apresenta seca moderada.
Já Tobias Barreto, Simão Dias, Lagarto e Riachão do Dantas enfrentam seca fraca.
A região registrou redução de 31% nas chuvas em comparação com o mesmo período de 2025.
Além disso, Tobias Barreto e Poço Verde possuem decretos de situação de emergência por seca.
O cenário preocupa principalmente os agricultores.
Isso porque a redução das chuvas pode prejudicar as lavouras. Entre as culturas ameaçadas, o boletim destaca o milho.
Outro problema é a queda do nível de água nos pequenos reservatórios.
O boletim identifica situações de seca em outras áreas de Sergipe.
No Médio Sertão, Aquidabã, Feira Nova, Cumbe e Nossa Senhora das Dores apresentam seca fraca.
Por outro lado, Itabi e Graccho Cardoso enfrentam seca moderada.
No Baixo São Francisco, seis municípios registram seca fraca. São eles: Canhoba, Amparo de São Francisco, Telha, Cedro de São João, Malhada dos Bois e Muribeca.
Na região Leste, a seca fraca atinge Capela, Rosário do Catete e Santa Rosa de Lima. Siriri e Divina Pastora também aparecem no levantamento.
Já no Sul, a situação atinge 11 municípios.
Entre eles estão Umbaúba, Tomar do Geru, Itabaianinha, Cristinápolis e Indiaroba.
A lista inclui ainda Santa Luzia do Itanhy, Estância, Salgado, Boquim, Pedrinhas e Arauá.
Apesar das diferenças entre os territórios, o governo recomenda atenção ao abastecimento.
Além disso, orienta os municípios a monitorar reservatórios e incentivar o uso racional da água.
A Defesa Civil Estadual mantém 40 caminhões-pipa em operação.
Os veículos atendem comunidades afetadas pela seca e pela estiagem.
No entanto, a frota poderá chegar a 60 caminhões. A ampliação dependerá do aumento da demanda.
Além disso, o planejamento prevê o uso de adutoras e cisternas.
O governo também pretende atualizar os planos municipais de contingência. Outra possibilidade é mobilizar recursos federais.
Em Poço Verde, a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) perfurou um poço artesiano.
A medida busca reforçar o abastecimento das comunidades que dependem de caminhões-pipa.
A iniciativa atende a uma solicitação da Defesa Civil Estadual. O pedido surgiu durante uma reunião da Sala de Situação do El Niño.
O Governo de Sergipe acompanha os riscos por meio de duas estruturas.
A primeira é o Comitê Estadual de Gestão de Eventos Climáticos Extremos (Cegec). A segunda é a Sala de Situação do El Niño.
A Sala de Situação iniciou suas atividades em junho de 2026. Sua primeira reunião ocorreu no dia 22 daquele mês.
O grupo reúne técnicos de diferentes órgãos estaduais.
Entre suas atribuições estão o acompanhamento das chuvas e dos reservatórios. Além disso, monitora incêndios, impactos agrícolas e indicadores de saúde.
A estrutura também acompanha o abastecimento e o atendimento às famílias vulneráveis.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac) responde pela coordenação técnica. Para isso, atua em parceria com a Defesa Civil.
Já a Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan) coordena as ações estratégicas.
O Cegec trabalha com quatro níveis de acionamento: verde, amarelo, laranja e vermelho.
Além disso, o governo promove encontros para orientar os municípios.
As atividades já passaram por Macambira, Canindé de São Francisco, Capela e Neópolis.
O boletim também apresenta recomendações para a população.
Entre as principais medidas está o consumo regular de água.
Além disso, os moradores devem evitar exposição ao sol entre 10h e 16h.
O documento recomenda roupas leves e ambientes ventilados. Também orienta a evitar exercícios intensos nos horários mais quentes.
Os cuidados devem ser maiores com idosos, gestantes e crianças pequenas. Pessoas com doenças crônicas também exigem atenção especial.
Para os municípios, a orientação é reforçar a prevenção de queimadas.
Além disso, as prefeituras devem limpar terrenos baldios e acompanhar o abastecimento de água.
A população pode receber alertas gratuitos da Defesa Civil pelo celular.
Para isso, basta enviar um SMS com o CEP para o número 40199.
Em situações de emergência, os contatos são 193, para o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, e 192, para o Samu.
Fontes: Boletim Técnico de Proteção e Defesa do El Niño 2026–2027, sexta edição; Agência Sergipe.
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