O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o programa dará prioridade aos consumidores de menor renda e aos microempreendedores individuais Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
As instituições financeiras poderão apresentar até R$ 90 bilhões em dívidas antigas para renegociação na primeira etapa do Desenrola 3.0. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (21) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, o governo publicará o edital de chamamento nesta quinta-feira (22). Com isso, bancos e fundos poderão iniciar o processo de habilitação para vender carteiras de crédito à União.
Apesar do valor previsto, o governo estima um custo máximo de R$ 9 bilhões para adquirir todas essas dívidas. Isso porque o programa exige um desconto mínimo de 90% sobre o valor original dos débitos.
As instituições terão cinco dias úteis para informar o volume de dívidas que pretendem oferecer. No entanto, essa etapa não envolve a participação dos consumidores. O objetivo é identificar o interesse dos credores e avaliar a distribuição das dívidas por faixa de renda.
“Estamos fazendo uma chamada aos bancos para que eles se organizem e apresentem o exato volume pelas diferentes faixas dos credores. Nessa chamada de interesse vamos permitir que várias faixas de renda sejam apresentadas, mas nosso foco são faixas de renda menores”, afirmou Durigan.
O chamamento público será destinado a bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).
Para avançar à próxima fase, os credores precisarão apresentar carteiras de dívidas que atendam às regras do programa. Além disso, deverão aceitar as condições mínimas de desconto.
O processo terá quatro etapas:
Segundo Durigan, o governo pretende favorecer consumidores de menor renda e microempreendedores individuais (MEIs).
Entretanto, se o volume de dívidas das faixas de menor renda ficar abaixo do previsto, a União poderá ampliar a compra de débitos de consumidores com renda mais elevada.
A estimativa inicial é que os credores apresentem até R$ 90 bilhões em dívidas. Como o desconto mínimo exigido é de 90%, a União pagará, no máximo, 10% do valor nominal das carteiras adquiridas.
Portanto, se o governo comprar todo o montante estimado, o desembolso poderá chegar a R$ 9 bilhões.
“Se, no limite, esses R$ 90 bilhões de dívidas forem ofertados, de partida a gente saberia que no máximo consumiriam R$ 9 bilhões para a gente adquirir tudo”, explicou o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron.
Contudo, o governo não precisará comprar todas as carteiras apresentadas. A Fazenda pretende definir um orçamento para o leilão e estimular a concorrência entre os credores.
Dessa forma, os descontos poderão superar o percentual mínimo estabelecido pelo programa.
“A depender do que a gente receber nessas carteiras que os bancos e as instituições financeiras tenham, a gente pode exigir desconto de 93%, 95% no leilão. E aí, no leilão, a depender de como correr o leilão, eu posso conseguir descontos ainda maiores”, afirmou Durigan.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou o Desenrola 3.0 por meio de uma medida provisória assinada em setembro.
A iniciativa permite que a União compre carteiras de crédito com dívidas antigas. Posteriormente, esses débitos poderão ser renegociados com os consumidores.
Para participar, as dívidas deverão atender aos seguintes critérios:
Quando anunciou a iniciativa, o governo estimou que as dívidas elegíveis poderiam alcançar R$ 150 bilhões. Nesse cenário, o desembolso seria de aproximadamente R$ 15 bilhões.
Agora, a previsão de R$ 90 bilhões representa o volume inicial que os credores poderão apresentar na primeira chamada.
Após o leilão, o governo poderá oferecer aos devedores a renegociação das dívidas adquiridas. Além disso, os descontos obtidos na compra das carteiras serão repassados aos consumidores.
O pagamento poderá ocorrer à vista ou de forma parcelada, conforme as condições que ainda serão estabelecidas.
No entanto, quem optar pelo parcelamento terá cobrança de juros.
Os prazos, as taxas e as demais regras operacionais ainda dependem de definições do Conselho Monetário Nacional (CMN). Também será necessário observar a regulamentação aplicável ao programa.
Por enquanto, os consumidores não precisam procurar os bancos. Isso porque a fase inicial envolve apenas a manifestação de interesse das instituições financeiras.
Posteriormente, o governo divulgará as regras e os procedimentos para participar das renegociações.
Durante o anúncio, Durigan também respondeu a perguntas sobre a continuidade do programa após as eleições presidenciais.
Segundo o ministro, o Desenrola 3.0 tem caráter permanente e deverá funcionar como política pública, independentemente do resultado eleitoral.
Durigan também criticou propostas de congelamento temporário das dívidas de pessoas físicas e empresas. Na avaliação dele, essa medida representaria “uma espécie de calote generalizado no sistema financeiro”.
Por outro lado, o governo pretende manter o Desenrola 3.0 como uma política de Estado. O objetivo é combater o endividamento e facilitar a recuperação do acesso ao crédito.
Com o encerramento do prazo de manifestação de interesse, a Fazenda analisará as carteiras apresentadas pelos credores.
Somente após esse levantamento, o governo definirá o volume de dívidas que pretende adquirir.
Além disso, a análise servirá para estabelecer as condições do leilão, previsto inicialmente para novembro. Caso seja necessário, a disputa poderá ocorrer no início de dezembro.
Com informações da Agência Brasil
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