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Custo da cesta básica recua no Nordeste, puxado por queda na carne, tomate e arroz

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O custo da cesta básica teve queda em importantes capitais do Nordeste em março de 2025, na contramão da tendência registrada em grande parte do país. Segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), as maiores reduções foram observadas em Aracaju (-1,89%), Natal (-1,87%) e João Pessoa (-1,19%).

Aracaju, capital de Sergipe, mantém a posição de cidade com a cesta básica mais barata entre as 17 analisadas, com custo médio de R$ 569,48. Outras capitais nordestinas também apresentaram valores significativamente abaixo da média nacional: João Pessoa (R$ 626,89), Recife (R$ 627,14), Salvador (R$ 633,58) e Natal (R$ 636,47).

Carne bovina

A queda nos preços na região está diretamente relacionada à redução nos valores de produtos-chave da alimentação básica. A carne bovina, por exemplo, ficou mais barata em todas as capitais pesquisadas, refletindo uma maior oferta no mercado interno, redução nas exportações e recuo nos custos de produção. O tomate também teve queda expressiva, graças à sazonalidade favorável, que aumentou a oferta do produto nas feiras e supermercados. Outro item com recuo foi o arroz agulhinha, influenciado pelo avanço da colheita da safra 2024/2025.

Apesar das quedas recentes, os dados acumulados no ano revelam um aumento progressivo dos preços. Salvador lidera com alta de 8,51% no primeiro trimestre, seguida por Fortaleza (7,97%), Recife (6,59%) e João Pessoa (3,29%). Em 12 meses, Fortaleza registra a maior inflação da cesta básica no país, com 9,69%.

Sul e Sudeste

Nas demais regiões brasileiras, a situação foi diferente em março. Capitais do Sul e Sudeste puxaram a alta nacional: Curitiba (3,61%), Florianópolis (3,00%) e Porto Alegre (2,85%) registraram os maiores aumentos mensais. São Paulo, como de costume, apresentou a cesta mais cara do país, custando R$ 880,72, seguida por Rio de Janeiro (R$ 835,50) e Florianópolis (R$ 831,92).

Com a alta dos alimentos em boa parte do Brasil, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para garantir alimentação, moradia, saúde, educação e outros direitos constitucionais básicos deveria ser de R$ 7.398,94 — o equivalente a 4,87 vezes o valor atual do mínimo, fixado em R$ 1.518,00.

O levantamento também destacou os vilões da inflação alimentar no mês. Mesmo com quedas relevantes no Nordeste, produtos como o café em pó, o leite integral e a banana continuam pressionando o custo da cesta em várias capitais do país.

Enquanto o Nordeste mostra certo fôlego diante da escalada inflacionária, a realidade das demais regiões evidencia os desafios persistentes no acesso à alimentação básica no Brasil. O cenário reflete não apenas questões sazonais e climáticas, mas também a necessidade de políticas públicas que garantam estabilidade e segurança alimentar.

 

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