O cosmo e seus mistérios Foto: Nasa
Por Manuel Luiz Figueiroa (*)
Conversar com os números é manter um diálogo silencioso, transmitindo e captando a frequência energética dos segredos do universo — das proporções, medidas, órbitas elípticas e ritmos que compõem uma verdadeira dança cósmica.
A aritmética, a álgebra e a geometria, nesse contexto de arquitetura universal, são muito mais do que um conjunto de leis e regras: tornam-se uma linguagem viva, por meio da qual se compreendem os mistérios da criação.
Quem “conversa” com os números não enxerga apenas operações, mas relações harmonias e padrões. Reconhece a beleza do raciocínio lógico, a precisão das proporções e o poder da mente em transformar abstrações em conhecimento.
Conversar com os números:
– É ouvir a linguagem secreta da harmonia universal.
– Não é emitir nem recepcionar sons de palavras, mas trocar olhares através do terceiro olho (glândula pineal) e sentir a presença da sequência de Fibonacci (0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233, 377, 610, 987, 1597, 2584, …) e do número sagrado 1,61803381.
Cada operação carrega um significado emocional, como um gesto do pensamento diante do mistério da existência.
A soma simboliza o amor e a cooperação. Somar é unir forças, reunir diferenças, construir pontes. Quando duas pessoas se encontram, nasce algo novo. Assim, o ser humano cresce quando aprende a somar afetos, ideias e esperanças.
A subtração é a imagem do desapego e da purificação. Perder, deixar ir o que incomoda, é purificar-se para encontrar o essencial. O que sobra torna-se símbolo da força que impulsiona o amanhã, com clareza sobre o que realmente importa.
A multiplicação é a soma repetida, sinal da criação, da expansão e da cooperação. Multiplicar é partilhar talentos, é fazer com que o gesto de um se torne o gesto de muitos. É a operação da generosidade — quanto mais se doa, mais o bem se amplia. Foi assim na multiplicação dos pães por Cristo.
A divisão é o símbolo da justiça e da equidade. Dividir é distribuir o que existe para que todos participem. A verdadeira sabedoria sabe repartir e, quando a doação alcança os mais necessitados, pratica-se a caridade, gerando o sorriso tanto do doador quanto do recebedor.
Quem nada tem, tem o zero — o nada que contém tudo. Ele é o apelo à construção ou reconstrução, princípio da origem e do silêncio. O zero é o berço, o divisor de águas entre os números positivos e negativos, o ponto do começo e do fim, onde o número nasce e o cálculo termina. Representa o mistério da criação, o estado puro do ser antes de se tornar forma, medida ou limite.
Conversar com os números é, portanto, abstrair-se do mundo terreno e entrar em sintonia com a frequência cósmica.
Os números, por meio do Jogo do Bicho, incorporaram-se à cultura popular brasileira. Trata-se de um hábito nacional que persiste há séculos, sem distinção de classe social. Ricos ou pobres, todos já fizeram — ou fazem — uma “fezinha”.
O Jogo do Bicho surgiu no Rio de Janeiro, em 1892, criado por João Batista Viana Drummond, Barão de Drummond, fundador do Jardim Zoológico de Vila Isabel. Diante das dificuldades financeiras do zoológico, o Barão idealizou uma loteria simples:
– Cada visitante recebia um bilhete com a figura de um animal;
– Ao final do dia, um animal era sorteado;
– Quem possuísse o bilhete correspondente recebia o prêmio que correspondia a vinte vezes o valor do ingresso.
A ideia rapidamente ultrapassou os muros do zoológico, espalhando-se por todo o Brasil.
O jogo atualmente é baseado em 25 animais, cada um representando quatro números, totalizando 100 números (00 a 99).
Aqui está a lista completa:
| Grupo | Animal | Número |
| 01 | Avestruz | 01, 02, 03, 04 |
| 02 | Águia | 05, 06, 07, 08 |
| 03 | Burro | 09, 10, 11, 12 |
| 04 | Borboleta | 13, 14, 15, 16 |
| 05 | Cachorro | 17, 18, 19, 20 |
| 06 | Cabra | 21, 22, 23, 24 |
| 07 | Carneiro | 25, 26, 27, 28 |
| 08 | Camelo | 29, 30, 31, 32 |
| 09 | Cobra | 33, 34, 35, 36 |
| 10 | Coelho | 37, 38, 39, 40 |
| 11 | Cavalo | 41, 42, 43, 44 |
| 12 | Elefante | 45, 46, 47, 48 |
| 13 | Galo | 49, 50, 51, 52 |
| 14 | Gato | 53, 54, 55, 56 |
| 15 | Jacaré | 57, 58, 59, 60 |
| 16 | Leão | 61, 62, 63, 64 |
| 17 | Macaco | 65, 66, 67, 68 |
| 18 | Porco | 69, 70, 71, 72 |
| 19 | Pavão | 73, 74, 75, 76 |
| 20 | Peru | 77, 78, 79, 80 |
| 21 | Touro | 81, 82, 83, 84 |
| 22 | Tigre | 85, 86, 87, 88 |
| 23 | Urso | 89, 90, 91, 92 |
| 24 | Veado | 93, 94, 95, 96 |
| 25 | Vaca | 97, 98, 99, 00 |
Cada animal forma um grupo de quatro números usados nas apostas. Os 100 números representam o ciclo completo dos 25 animais. Atualmente, o jogo é considerado parte da cultura popular brasileira, apesar de não possuir regulamentação oficial.
Significado simbólico e espiritual dos 25 animais
Cada animal possui três interpretações: simbólica geral, significado espiritual e significado onírico (sonhos).
“ 01 – Avestruz (01 a 04) – Simbólico: rapidez, agilidade, fuga da realidade. Espiritual: necessidade de encarar verdades. Sonhos: aviso para resolver assuntos pendentes.
02 – Águia (05 a 08) – Simbólico: visão ampla, nobreza, força;
Espiritual: elevação espiritual e clareza mental; Sonhos: sucesso próximo, avanço profissional.
03 – Burro (09 a 12) – Simbólico: teimosia, persistência, esforço;
Espiritual: alerta para evitar decisões impulsivas; Sonhos: atenção com perdas por descuido.
04 – Borboleta (13 a 16) – Simbólico: mudança, renascimento, delicadeza; Espiritual: transformação interior; Sonhos: chegada de novidades.
05 – Cachorro (17 a 20) – Simbólico: amizade, lealdade, proteção; Espiritual: apoio de pessoas próximas; Sonhos: novos aliados ou amizades.
06 – Cabra (21 a 24) – Simbólico: força, teimosia, decisão; Espiritual: cortar laços negativos; Sonhos: períodos de escolhas difíceis.
07 – Carneiro (25 a 28) – Simbólico: impulso, liderança; Espiritual: coragem para iniciar novos projetos; Sonhos: superação de obstáculos.
08 – Camelo (29 a 32) – Simbólico: resistência, paciência, jornada; Espiritual: fé, disciplina; Sonhos: viagens, mudança de vida.
09 – Cobra (33 a 36) – Simbólico: perigo, sedução, cura; Espiritual: renovação, energia kundalini; Sonhos: alerta contra falsidade.
10 – Coelho (37 a 40) – Simbólico: fertilidade, rapidez, sorte; Espiritual: prosperidade e crescimento; Sonhos: entrada de dinheiro inesperada.
11 – Cavalo (41 a 44) – Simbólico: liberdade, força, movimento.
Espiritual: expansão e conquista. Sonhos: mudança positiva chegando.
12 – Elefante (45 a 48) – Simbólico: sabedoria, memória, estabilidade. Espiritual: proteção ancestral. Sonhos: força emocional e vitória lenta.
13 – Galo (49 a 52) – Simbólico: alerta, liderança, coragem.
Espiritual: despertar interior. Sonhos: oportunidade que exige rapidez.
14 – Gato (53 a 56) – Simbólico: mistério, intuição, independência.
Espiritual: proteção espiritual e sensibilidade. Sonhos: cuidado com ilusões.
15 – Jacaré (57 a 60) – Simbólico: instinto, sobrevivência, paciência. Espiritual: limpar emoções profundas. Sonhos: perigo escondido.
16 – Leão (61 a 64) – Simbólico: poder, coragem, autoridade.
Espiritual: força divina e proteção. Sonhos: vitória ou conflito com autoridade.
17 – Macaco (65 a 68) – Simbólico: inteligência, brincadeira, malícia. Espiritual: criatividade e alerta para armadilhas.
Sonhos: cuidado com pessoas oportunistas.
18 – Porco (69 a 72) – Simbólico: abundância, fartura. Espiritual: prosperidade material. Sonhos: lucros inesperados.
19 – Pavão (73 a 76) – Simbólico: beleza, vaidade, expansão.
Espiritual: energia positiva e brilho pessoal. Sonhos: reconhecimento público.
20 – Peru (77 a 80) – Simbólico: advertência, orgulho, exagero.
Espiritual: evitar excessos. Sonhos: cuidado com falatórios.
21 – Touro (81 a 84) – Simbólico: força, trabalho, estabilidade.
Espiritual: disciplina financeira. Sonhos: ganhos materiais.
22 – Tigre (85 a 88) – Simbólico: poder, coragem, ferocidade.
Espiritual: enfrentar medos internos. Sonhos: confronto com desafios fortes.
23 – Urso (89 a 92) – Simbólico: defesa, proteção, introspecção.
Espiritual: recolhimento, preparação. Sonhos: necessidade de proteger algo.
24 – Veado (93 a 96) – Simbólico: leveza, sensibilidade, elegância.
Espiritual: paz interior e percepção elevada. Sonhos: boas notícias no romance.
25 – Vaca (97 a 00) – Simbólico: nutrição, produção, estabilidade.
Espiritual: bênçãos materiais. Sonhos: período de abundância calma.”
O misticismo numérico é o estudo simbólico, filosófico e espiritual dos números — a ideia de que eles não são apenas quantidades matemáticas, mas portadores de princípios, vibrações e significados ocultos. Ele aparece em praticamente todas as culturas antigas e continua influenciando tradições filosóficas, religiosas e esotéricas.
Parte da hipótese de que os números constituem a linguagem do universo: medem, organizam e revelam a estrutura da criação, da mente humana e das forças dimensionais.
Na Grécia Antiga, a escola pitagórica defendia que “tudo era número”.
O número 1 representa a unidade; 2, a dualidade; 3, a harmonia; 4, a manifestação material; e 10 (1+2+3+4), a perfeição.
Na Cabala judaica, os números estão associados às letras hebraicas, às energias divinas e aos processos criacionais. O número 10 corresponde às dez sefirot, que estruturam o universo.
Sefirot (ou Sefiroth) são os dez atributos ou emanações divinas que, segundo a tradição mística judaica da Cabala, descrevem como Deus manifesta sua energia no universo e como essa energia flui até o mundo material.
Elas formam a chamada Árvore da Vida, um diagrama simbólico que mostra a estrutura espiritual da criação.
As 10 Sefirot e seus significados:
“1. Kéter – A Coroa – A vontade divina pura. O ponto inicial da criação. A fonte de tudo.
As sefirot não são “deuses” ou “entidades”, mas modos pelos quais o Ein Sof (o Infinito Divino) se expressa. Elas explicam: como o divino cria e sustenta o mundo; como a energia espiritual desce do infinito ao concreto; como o ser humano pode se aproximar do sagrado; como equilibrar emoções, ações e pensamentos.
A Árvore da Vida é também um mapa psicológico e filosófico, usado para: autoconhecimento; disciplina espiritual; entendimento do caminho entre o humano e o divino.
Na tradição oriental, China, Índia e no Japão, os números determinam:
– Fortuna ou infortúnio; ciclos do tempo; harmonia do espaço (feng shui); correspondências astrológicas e espirituais.
Os números estão presentes misticamente na Maçonaria (arquitetura simbólica, graus, valores numéricos), na Astrologia, no Tarot, na Cabala, na Arquitetura sagrada, nos Rituais religiosos, na Psicologia junguiana (arquétipos numéricos), na Arte e música (proporções harmônicas).
Mesmo na ciência moderna, a ideia pitagórica sobrevive: a física descreve o mundo através de equações; a biologia usa padrões numéricos (ex.: Série de Fibonacci); a cosmologia vê a matemática como estrutura fundamental do universo.
Assim, o misticismo numérico não é apenas superstição — é também uma interpretação simbólica do mundo feita através de padrões numéricos.
Os números, enquanto arquétipos simbólicos, representam:
1 — Unidade, origem, o Divino.
2 — Dualidade.
3 — Síntese.
4 — Ordem e estrutura.
5 — Movimento e vida.
6 — Harmonia.
7 — Mistério.
8 — Justiça e poder.
9 — Culminação.
10 — Perfeição.
Converse com a matemática e perceba que você está em harmonia consigo mesmo, pois o corpo humano é guardião das marcas divinas, a saber:
– A envergadura dos braços é, aproximadamente, igual à altura do corpo;
– O comprimento do rosto corresponde, aproximadamente, a um décimo da altura total do corpo;
– O comprimento do pé é, aproximadamente, cerca de um sexto da altura do corpo;
– A razão entre falanges sucessivas dos dedos é, aproximadamente, 1,618;
– A razão entre a altura total do corpo e a altura do umbigo também se aproxima de 1,618.
E muitas outras relações revelam que o ser humano é, em si, uma expressão viva da matemática sagrada.
Bibliografia:
PAULOS, John Allen. “A Matemática do Universo” (em especial os capítulos sobre Pitágoras e a concepção numérica do cosmos).
HEATH, Sir Thomas L. “A History of Greek Mathematics”.
BURNETT, Charles. “The Introduction of Arabic Learning into England”
HAWKING, Roger. “The Philosophy of Mathematics: An Introductory Essay”.
DAVIES, Paul. “Cosmic Jackpot: Why Our Universe Is Just Right for Life”
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CASE, Paul Foster. “The Tarot: A Key to the Wisdom of the Ages” — contexto esotérico dos números e arcanos.
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SCHWARTZ, Elie. “Tree of Souls: The Mythology of Judaism” — explicação das Sefirot e significados numéricos.
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LAWRENCE, David. “The Golden Ratio: The Story of Phi, the World’s Most Astonishing Number” — história, aplicações e simbolismo da razão áurea.
STEIN, Sara. “The Universe and the Teacup: The Mathematics of Truth and Beauty” — capítulos sobre proporção, harmonia e estética numérica.
LOPES, José Castelar. “O Jogo do Bicho: Uma História do Brasil Popular” — estudo histórico e cultural do fenômeno no Brasil.
ALMEIDA, Claudio. “Jogo do Bicho: Tradição e Popularidade” — contextualização social e popular no século XX.
RIBEIRO, Darci. “Brasil, Terra à Vista — O jogo do bicho e as festas populares brasileiras” — relação com práticas e crenças.
ELIADE, Mircea. “The Sacred and The Profane” — capítulos sobre simbolismo numérico e rituais.
JUNG, C.G. “Synchronicity: An Acausal Connecting Principle” — explora relações numéricas e significado arquetípico.
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“Mathematics and Symbolism: From Pythagoras to Modern Physics” — numa coletânea de filosofia da ciência.
“Cultural History of Gambling in Brazil” — revista antropológica brasileira.
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Ver comentários
Parabéns amado irmão Manuel Luiz Figueiroa pela matéria publicada no Domingo em Desbaste.
Os números, não tenho a menor dúvida, são a expressão do universo que através do homem sob a supervisão do Grande Arquiteto apresentam para os mais preparados a realidade contida na natureza.
Excelente Amado Ir Garcia.
Uma viagem das origens ao infinito.
Sem dúvida um artigo para meditar e conhecer os mistérios dos números ditos e provados não por um mas por inúmeros pesquisadores e estudiosos do assunto. Parabéns e Obrigado por tantas dicas riquíssimas em mistérios Amado Ir Manuel Luiz Figueroa.
Valeu!. Obrigado.
TFA:.
Um espetáculo